30 junho 2007

Como é possível?!


Durante a tarde, numa pausa enquanto trabalhava, ao mudar de canal de televisão deparei-me com um documentário a ser transmitido pela SICNotícias, sobre o problema das incursões dos Israelitas no Líbano.
O cicerone de visita às ruinas provocadas pelos bombardeamentos, com a entoação e a postura serenas de um homem de paz a falar para um meio de comunicação internacional, a que se juntavam as expressões e os testemunhos resignados dos pacíficos habitantes do lugar, afirmava desconhecer as razões pelas quais Israel, com tantos meios tecnológicos, se encarniçava contra gente que nada tinha a ver com o problema existente entre eles e o Hezbollah.
Como é possível dar-se voz a tamanha hipocrisia?!

Subscrevo por inteiro!


Transcrevo de seguida este texto exemplar de António Barreto, inserido, dias atrás, numa edição do PÚBLICO.

«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e do outro.
Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista.
Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda. Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.»

29 junho 2007

Remodelação à vista no governo


A futura indigitação de Correia de Campos para a pasta da Cultura torna-se cada vez mais previsível. Com efeito, o actual ministro da Saúde vem revelando desde há tempos a sua vocação para crítico de teatro. Esta faceta ficou patente ainda há dias, não apenas na jocosidade ácida como avaliou o carácter, a seu ver, teatral de uma questão que lhe foi posta, mas também na demissão da directora do teatro, perdão!, do Centro de Saúde onde era tradição de um ou mais médicos, ao que parece, fazer teatro-jornal. Tal medida, de carácter inequivocamente cultural, foi, no entanto, travestida de medida admnistrativa ao nível da saúde, ao nomear para o mesmo cargo um médico de bom estômago, vereador eleito pelo seu partido para a autarquia.
Dias radiosos se avizinham, pois.

27 junho 2007

Na sequência...

Brueghel, O Triunfo da Morte

... de intervenções incompletas, mais ou menos metafóricas e nem sempre explicitamente coerentes (ai! o tempo que não chega!) que tive em alguns comentários feitos no blog Portugal Contemporâneo desde há uns quinze dias a esta parte, deixo aqui, enquanto não me posso demorar em exposições mais claras, um pequeníssimo excerto de Contingência, ironia e solidariedade, de Richard Rorty, no intuito de sugerir que a mudança do âmbito em que os debates de ideias têm decorrido talvez ajudasse a esclarecer a verdadeira natureza das questões. Para evitar quaisquer conclusões apressadas, devo avisar desde já que não me identifico com a posição de fundo de Rorty, embora considere que os seus pontos de vista devam indispensavelmente ser tomados em conta.

"Na sociedade liberal ideal os intelectuais (...) Não sentiriam mais necessidade de responder às perguntas «Porque é liberal? Porque se preocupa com a humilhação de estranhos?» do que o cristão médio do século XVI sentia necessidade de responder à pergunta «Porque é cristão?» ou do que a maior parte das pessoas hoje em dia sentem necessidade de responder à pergunta «Está salvo?» (1) . Uma pessoa assim não precisaria de uma justificação para o seu sentido de solidariedade humana, uma vez que não era educada para jogar o jogo de linguagem em que se pergunta e se obtém justificações para esse tipo de crenças. A cultura dessa pessoa é uma cultura em que as dúvidas sobre sobre a retórica pública da cultura são respondidas não por pedidos socráticos de definições e de princípios, mas sim por pedidos deweyanos de alternativas e programas concretos. Tal cultura, quanto me é dado ver, poderia ser tão autocrítica e tão dedicada à igualdade humana quanto o é a nossa cultura liberal familiar e ainda metafísica - se não até mais.

(1) Nietzsche afirmou, com desdém, que «a Democracia é o Cristianismo tornado natural» (Will of Power, nº 215). Retire-se o desdém e Nietzsche estava bastante certo"

24 junho 2007

Minha Nossa Senhora!


Será que os responsáveis pelo Santuário conhecem alguém de maior devoção à Senhora de Fátima?!

Baboso!


Uma professora obrigada a trabalhar já moribunda?
Um professor demitido das suas funções por ter dito mal do primeiro-ministro?
Um bloguista visitado pela polícia e processado pelo mesmo motivo?
Uma funcionária castigada por um administrador da empresa onde trabalhava por ter enviado um e-mail particular, em que questionava um alegado perdão fiscal a essa mesma empresa?
Alto e abençoado o desígnio de ser casto! Consegui engravidar a Posteridade!
Portugal, meu filho!, meu orgulho!, meu herdeiro!

20 junho 2007

O Desejado


Quando subiu ao trono, D. João II, filho do esbadanado D. Afonso V, ironizou, dizendo que o seu pai o deixara rei das estradas e caminhos de Portugal. Em dez anos, porém, abriu caminho a todo um país futuro.
O governo do sr. (engº) José Sócrates quer deixar à Brisa a exploração das estradas portuguesas por 100 anos!
Confesso que prefiro o Dinis... mas volta, João!!!

18 junho 2007

Coisas que não percebo 3



Um país...
... cujas forças policiais conduzem automóveis sem o seguro de que o Estado não dispensa os cidadãos;
- que obriga os agentes da autoridade a pagar todos os custos derivados de acidentes de viação ocorridos em serviço (sendo eles próprios que se determinam como culpados ou não culpados);
- em que os treinos de perícia e de segurança de condução automóvel dos referidos agentes são por eles pagos aos sindicatos que os representam, os quais se vêem obrigados a organizá-los por o Estado o não fazer;
- em que as companhias de seguros dão os coletes de segurança que o Estado também não fornece a esses agentes;
- em que os polícias têm que pagar as balas que dispararem em serviço...
... existe?


17 junho 2007

Vamolá, dêlícià!





Qualquer comparação...

... é pura coincidência fedorenta.

16 junho 2007

14 junho 2007

Richard Rorty

Richard Rorty (1931-2007)

Vi há momentos a notícia da morte de Richard Rorty, autor de uma das obras filosóficas mais notáveis do século XX. Existem muito poucos textos seus traduzidos em Portugal e as elites universitárias, presas de "conflitos ideológicos" provincianos ou dos tradicionais (igualmente provincianos) preconceitos quanto ao que vem dos Estados Unidos, raramente o têm incluído sequer nos seus programas.

13 junho 2007

Homenagem


Tenho estado afogado em trabalho. Mas, no meio da confusão tive a sorte de assistir àquele que considero ter sido o silêncio mais prolongado, significativo e dramático a que alguma vez assisti na televisão portuguesa, provocado pelas (poucas) palavras de José Rentes de Carvalho no Prós e Contras desta segunda-feira. Toda a história e condição deste país desde há, pelo menos, quatro séculos ficou, crua e impiedosamente, perante a consciência daqueles que as ouviram. Pela coragem, pela lucidez e pelo despretensiosismo com que disse o que disse, merece ser lembrado como um dos patriotas (no sentido mais rigoroso e nobre do termo) maiores.

11 junho 2007

A propósito...

... do inenarrável psicólogo Eduardo Sá e das tiradas pedagógicas mais do que bacocas que nos afogam, deixo aqui um soquéte (interpretado por Maria Rueff e Manuel Marques) do actual programa do Hora H, de Herman José, que, a par de momentos menos conseguidos, tem tido também alguns momentos de crítica extrema e violentamente hilariante aos figurões e instituições deste país - não é por acaso que o programa só vai para o ar quase à meia-noite.
Para amenizar, deixo a seguir um exemplo (primeiro andamento do concerto para cravo e orquestra) da música daquele que continuará a ser, talvez, o nosso melhor compositor: Carlos Seixas.




10 junho 2007

Vamolá djinovo!

Duas versões das Bachianas Brasileiras nº5, de Heitor Villa Lobos. Emocionem-se, comovam-se, deliciem-se.



08 junho 2007

07 junho 2007

Mandaram-me isto hoje por e-mail


Desconheço o autor e o título é
Escrito por um português que não tem vergonha de o ser!
"Tenho-me mantido calado em relação ao desaparecimento ou rapto da menina inglesa, porque acho que há gente a mais a dizer alarvidades sobre o assunto.
Tenho-me abstido de manifestar a minha repugnância pelo procedimento asqueroso da imprensa inglesa em relação à actuação da polícia portuguesa, porque acho que vozes de burro não chegam ao céu.
Tenho optado por não manifestar o meu desacordo pelas conferências de imprensa que a PJ dá em inglês, num abjecto acto de subserviência em relação a esta classe de gente (e gente não é, certamente, que gente não procede assim), porque reconheço que do alto da sua arrogância, apenas têm contribuído para revelar ao Mundo a mentalidade de merda que existe por dentro daquelas cabecinhas loiras.
Agora o que não vou engolir é que um filho de puta inglês, que se diz ser o arquitecto da casa onde mora o principal suspeito, que reside em Portugal há cerca de trinta anos e não fala uma palavra de português, tenha o descaramento de criticar a GNR porque, segundo afirma o cretino, tentou dar informações pelo telefone e foi atendido por um agente que não falava inglês. Pior ainda, disse a besta com todo o ar de desdém que lhe coube naquelas fuças de porco inglês, foi quando, algumas horas depois voltou a telefonar e quem o atendeu sabia apenas algumas palavras da língua de sua majestade, a rainha da casa da maior pouca vergonha a que o Mundo assistiu nos últimos anos.
Estes ingleses não se mancam, mesmo.
Estes ingleses merdosos, que já no tempo da guerra afirmavam que a Europa estava completamente isolada pelo nevoeiro, estes ilhéus provincianos que em pleno século XXI continuam a conduzir fora de mão e a alimentar uma realeza de putaria, estes negreiros sem vergonha que espalharam e deixaram escravatura e racismo pelos quatro cantos do Mundo, estes arruaceiros de merda que espalham o terror pelos campos de futebol da Europa, têm o topete de viver trinta anos num país que lhes oferece um sol radioso, como eles nunca imaginaram existir, sem se darem ao trabalho de aprender uma palavra da nossa língua, ainda têm tempo de antena num canal de televisão nacional para falarem mal de nós?
Mas afinal que trampa de república de bananas é esta, que beija a mão a quem nunca respeitou um aliado, que parece ter esquecido o célebre mapa cor-de-rosa, com que nos roubaram metade de África, e fica impávida e serena, a ouvir os desabafos destes alarves, sem ao menos um protesto oficial.
Por onde é que anda o "gasolineiro" de Boliqueime quando a honra do país necessita ser defendida?
Onde é que está o "inginheiro" feito à pressa, sempre tão lesto a acariciar os "tomates" aos amigos trabalhistas?
Já não resta nem um pouco do orgulho nacional?
Depois admiram-se que meia dúzia de gatos-pingados, apreciadores de concursos televisivos, reabilitadores de apresentadeiras escorraçadas da política, façam do maior ditador do século vinte, o maior português de sempre.
Ao fundo com a Inglaterra e puta que pariu os ingleses!"

Na sequência do que escrevi logo num dos primeiros posts que publiquei, subscrevo em grande medida. E relembro o que José Mourinho dizia, há uns dias, numa entrevista a um canal de televisão: "Neste país (Inglaterra), ou nos suicidamos (devido à pressão xenófoba, para não dizer racista, verdadeiramente selvática, da comunicação social e não só) ou nos adaptamos. Ora como eu não penso suicidar-me..."
Aproveito, já agora, para chamar a atenção para este post de Range-o-Dente.

Hmm...?!


Contaram-me hoje o seguinte:
Face aos maus resultados registados entre os alunos de Matemática em Israel, o governo comprou todos os manuais da disciplina editados no mundo e decidiu-se por adoptar o que é utilizado em Singapura, país que apresenta o melhor aproveitamento escolar nesta área.
Singapura, hmm...?!
Israelitas, hmm...?!

05 junho 2007

Entendamo-nos!

René Magritte


A existência de um curso superior denominado por Ciências da Educação supõe que elas existam, isto é, que constituam um saber específico e creditado ao nível de quaisquer outros que são ministrados em Universidades.
Daí se depreende a obrigatoriedade, determinada desde há muitos anos pelos sucessivos ministérios da Educação, de qualquer licenciado num ramo científico possuir e obter aprovação numa formação complementar de dois anos em matérias pedagógicas, se quiser ingressar na carreira docente. Com isto, pretende-se que a leccionação que venha a realizar assente em bases sólidas, provindas de conhecimentos especializados.
O facto de alguém possuir um conjunto de conhecimentos especializados pressupõe que ele conheça, melhor do que todos aqueles que os não possuem, as formas adequadas de trabalhar nessa área e de resolver os problemas que lhe são inerentes. Eu, por exemplo, que não sou engenheiro, não me possso arrogar de ser capaz de resolver, ou sequer avaliar, as questões que se colocam nesse âmbito.
Um engenheiro, porém, não lida com o mesmo tipo de materiais com que lida um professor. Um calhau, por menos aprendente que seja, possui um grau de complexidade nas variáveis que determinam o seu comportamento infinitamente superior, por exemplo, às ligas de materiais com que um engenheiro trabalha. O que torna o ofício de mestre-escola simultaneamente mais difícil e ainda menos avaliável por não-especialistas do que o ofício de engenheiro.
Se a ponte cai, bem!, pergunta-se pelo irresponsável que planeeou a obra, ou pelos que estiveram à frente da sua execução e fiscalização; e se, por acaso, o falhanço se deveu a micro-estruturas internas dos materiais impossíveis de detectar ou a qualquer outra coisa desse tipo, engole-se em seco e reconhece-se a contingência geral da vida e do género humano (afinal, "viver é não conseguir", como dizia o Pessoa).
No caso do professor, porém, a coisa é muito mais complicada, na medida em que o aluno possui uma vontade e que, no que respeita às estruturas que determinam a sua formação e aos caminhos que escolhe, a escola e a acção do professor estarão muito longe de serem as mais importantes. A avaliação do trabalho que um professor desenvolve com um aluno ainda mais difícil se tornará, assim, por parte de quem não esteja documentado nem possua formação em algo de tão complexo. A começar pela avaliação a fazer pelos próprios pais, possuidores de um saber pedagógico ao nível do mero senso-comum, segundo o que a existência de umas Ciências da Educação permite concluir. E isto na melhor das hipóteses, quer dizer, quando eles sequer possuam conhecimentos científicos ao nível do que a escola exige aos seus filhos.
Tudo o que disse atrás me leva, portanto, a concluir que ou o Ministério da Educação, ao determinar a obrigatoriedade de uma avaliação aos pais pelos professores, está a reconhecer implicitamente que não existe ciência em matéria de educação, mas apenas alguns conjuntos de técnicas, mais ou menos coerentes e ao alcance da compreensão de qualquer elemento da espécie humana, que as aplicará diferentemente consoante as variáveis que as circunstâncias apresentem - e então deverá extinguir o curso; ou que, caso contrário, deverá reforçar a autoridade dos professores em matéria de avaliação e o consequente nível de exigência aos alunos.
Ou, quem sabe!?, ambas as coisas.

01 junho 2007

Coisas que não percebo 2


Aqui há uns tempos atrás, o prémio do Euromilhões chegou aos 111 milhões euros, o maior de sempre para um jogo deste tipo. Pela mesma altura, noticiava-se também o montante, ligeiramente inferior, que atingiria a construção do Metro do Porto.
Hoje veio à baila, nos telejornais da hora do almoço, a divulgação oficial, feita pelo Tribunal de Contas, de que terão sido gastos ilegalmente, pelo Estado, 700 milhões. Interrogado pelos jornalistas sobre o que teria a dizer sobre o assunto, o sr. Ministro das Finanças desvalorizou-o, esclarecendo que esses 700 milhões representam apenas 1% do total do orçamento e que constituem até um avanço no rigor da administração pública.
As contas são simples de fazer: o dinheiro gasto de forma ilegal daria, pelos vistos, para construir sistemas de transporte subterrâneos pelo menos em seis das principais cidades portuguesas e ainda sobraria dinheiro para fazer um sétimo, mais pequeno - em Ranholas ou em A-dos-Cabrões, por exemplo.
Não consigo, por isso, perceber se o sr. Teixeira dos Santos percebe aquilo que disse.