29 janeiro 2008

24 janeiro 2008

Como devem ter reparado...

Arcimboldo, Inverno
... desde há uns meses que não tenho tido mais tempo do que o necessário para manter o blog com uns desabafos ocasionais e ler os posts mais curtos daqueles que aconselho os outros a visitarem. De entre todos os que coloquei nos favoritos, destaco todavia o Outramargem, pela sua especificidade temática e pelo papel de desassossegador de saberes feitos e de modelos de pensamento que assume. E que também há muito tempo não leio.
Hoje, no entanto, passei os olhos sobre alguns dos dez posts mais recentes e pelo trabalho de ligação de "pontas soltas" que levam a uma reorganização de um todo que contraria as perspectivas comumente aceites. Concorde-se ou não com o que por ali se diz, só o exercício mental que a leitura dos textos provoca já é motivo para parabéns ao autor.
Não tendo disponibilidade para comentar o que li, limito-me por isso, nesta prosa apressada e mal alinhavada a chamar uma vez mais a atenção para o Alf.

Só devo voltar no sábado. Até lá.

22 janeiro 2008

Discreta vigilância na fronteira


Na raia alentejana:
- Compadre, tá vendo aléim aqueli?
- Qual? O que tá cagando atrás da azinhêra?
- Sim... Consegue ver-lhe daí a cor das nalgas?
- Nã é fácil, compadre, mas...
- Sã brancas ou escuras?
- Daqui parecem escuras...
- Oh, diabo! Mas pode ser que tenha andado ca pêda ao léu na praia... E a merda, consegue vê-la?
- É assim amarela...
- Mau! Deve ser do caril e do açafrão...
- Dêxe estar o compadre, que ê vô lá e pergunto-lhe onde é que se almoça bem...
- Boa, compadre! Talvez no restaurante a gente consiga informações... Mas temos que ser discretos...!
- Pois, compadre, sempre munto discretos...!

19 janeiro 2008

Eça é que é Eça!

Escher, Auto-Retrato


A propósito do que eu disse uns posts atrás, com a Torre de Belém como fundo: parece que a agonia está a chegar ao fim...

"ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?
Eça de Queiroz, 1867"

(citado no suplemento de Economia do PÚBLICO)

A não ser que...

18 janeiro 2008

Quem não se sente...


A política de saúde do governo parece-se com a de alguém que, querendo mudar de casa, começasse por pôr os seus haveres na rua, em seguida contratasse uma empresa de mudanças e só depois se pusesse a procurar o seu próximo poiso.
E por isso as avozinhas do sr. Ministro Correia de Campos, aquele que foi eleito pelo mesmo povo que agora evita, se fossem vivas talvez lhe ministrassem aquilo que os meus avós, camponeses de limpa origem, aconselhariam: uma belas correadas...

Pó! Pó!, Iô! Iô! / Sócrates já ganhô!


José Sócrates acabou de ganhar hoje as eleições legislativas de 2009 ao anunciar, em conjunto com Zapatero, a próxima constituição de uma unidade industrial destinada à produção de automóveis "amigos do ambiente". Nada poderia lisonjear tanto o portuga e curar-lhe o orgulho ferido como o também ele poder vir a fabricar automóveis! O português, detentor dos segredos da mais alta tecnologia dos transportes cinco séculos atrás, a que lhe permitia pôr-se a andar da miséria para fora (julgava ele!), tem atravessada na alma a superioridade que os gringos conseguiram sobre ele nesse campo. A esperança da grandeza renova-se-lhe desta maneira, com a possibilidade de passear pelos caminhos do seu país, da sua propriedade histórica salazarenta, modernizados pelo espírito visionário do actual presidente, enquanto profetiza, nos longes, a Vivenda O nosso Sonho, ou indo agora finalmente à conquista da Europa, de nariz empinado pela dignidade readquirida e, se for caso disso, que ele não é para se ficar!, amandando uma subtil escarreta de desprezo pela janela do veículo na direcção do do louro ex-patrão.
Atão não o queriam lá ver?!

16 janeiro 2008

Agorinha mesmo!


A contagem electrónica dos votos sobre a moção de censura ao Tratado Europeu proposta pelo BE foi um espectáculo feito de falhas do sistema informático e dos próprios deputados que, embora utilizando-o há anos, continuam, ao que parece, a necessitar de instruções para o fazer, tanto como o sistema precisa frequentemente de correcções. Chocada, a jornalista da SICNotícias lembra que o riso mais ou menos escancarado dos representantes eleitos pelo povo perante a situação deveria, mais conformemente, ser substituído pela exigência de bom funcionamento do órgão do Estado a que pertencem. Jaime Gama mete os pés pelas mãos e acaba por se baralhar quanto ao número de deputados do PP. Paulo Portas perde-se em nova onda de riso.
Bom...
Afinal estamos em Portugal, não é?
Onde?!

Mahler, 3ª Sinfonia, 5º andamento

Lixo no ambiente


O meu conhecimento das questões técnicas, ambientais e quaisquer outras levantadas pelo sistema de co-incineração é absolutamente nulo. Pessoas em quem confio tanto pela sua formação científica como pelo discernimento, levam-me, no entanto, por aquilo de que já falei com elas sobre o assunto, a considerá-la como uma solução razoável e aceitável para o problema.
Mas num parque natural, no caso o da mais do que castigada Arrábida?! E porque não em Monsanto ou mesmo no Parque Eduardo VII?! Talvez fosse até o seu melhor e mais coerente enquadramento... Não acha, sr. Ministro do Ambiente? Não constituiria isso uma ainda superior "vitória do governo" (sic) do sr. engenheiro?

15 janeiro 2008

Ele também não sabe dizer mais nada


No Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves escreve isto e isto. Como poderá continuar um país onde comentários destes se multiplicam? Será que sequer ainda existe? É que já não estamos no mero plano da tradicional "maledicência portuguesa", é muito, mas muito mais do que isso o que está crescentemente em jogo...

13 janeiro 2008

Não sei dizer mais do que isto


Complementares entre si, os textos de Vasco Pulido Valente e de António Barreto no PÚBLICO de hoje são, a meu ver, simultaneamente, exemplares e patéticos. Exemplares, porque colocam o fenómeno José Sócrates em parâmetros que permitem compreeender, lata e profundamente, o seu significado. Patéticos, porque são eles mesmos sintomas da incapacidade em contribuirem para modificar no que quer que seja a situação que analisam.
Ficarão, para um dia - do ponto de vista histórico, certamente não muito longínquo - virem a ser estudados como documentos típicos de um país em vias de desaparecimento.
A não ser que...

Forever rollin'









11 janeiro 2008

Aeroporto Simplex


O seu aeroporto aprovado em menos de 24 horas!

06 janeiro 2008

Três horas atrás...


... morreu Luiz Pacheco. Lá onde estejas a rires-te disto tudo, recebe um grande abraço, meu velho sacana do caralho!

02 janeiro 2008

Faits divers


Ainda noutro dia tinha pensado o mesmo, anteontem pensei o mesmo, e achei piada a este.

01 janeiro 2008

Repete: mentiroooso! mentiroooso...!


(Recebido por e-mail)

A mensagem de Natal do 1º ministro ou a falta de rigor como instrumento de manipulação política.
O 1º ministro, na sua mensagem de Natal, com o objectivo de convencer os portugueses de que o seu governo estava a resolver os problemas do País, manipulou dados e utilizou-os de uma forma pouco rigorosa. Para tornar a sua mensagem mais credível, utilizou o próprio nome do INE. Sócrates afirmou textualmente o seguinte: «Segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística, nestes dois últimos anos e meio a economia criou em termos líquidos 106.000 postos de trabalho». No entanto, os dados do INE não permitem fazer tal afirmação. Efectivamente, se a comparação for feita com base em trimestres homólogos, conclui-se que o crescimento do emprego não foi aquele que o 1º ministro afirmou (106 mil postos de trabalho), mas um outro muito diferente. Entre o 1º Trimestre de 2005 e o 1º trimestre de 2007, o aumento foi apenas de 41,3 mil postos de trabalho; entre o 2º trimestre de 2005 e o 2º Trimestre de 2007, foi somente de 22,6 mil postos de trabalho; e, entre o 3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2007, o crescimento foi de 70,3 mil postos de trabalho. Se a comparação for feita entre a média do emprego nos primeiros três trimestres de 2005 (5.118,8 mil) e a média do emprego nos três primeiros trimestres de 2007 (5.163,5 mil), em que o efeito da sazonalidade está mais diluído, o aumento de postos de trabalho é apenas de 44,7 mil, o que corresponde a 42% do aumento referido por Sócrates na sua mensagem de Natal. E mesmo este crescimento reduzido do emprego é aparente pois, entre 2005 e 2007, o emprego total aumentou em 44,7 mil, mas o emprego a tempo parcial cresceu em 45,2 mil. Portanto, o crescimento do emprego que se verificou, deveu-se apenas ao aumento do emprego a tempo parcial, porque o emprego a tempo completo até diminuiu. E a remuneração de um emprego a tempo parcial corresponde apenas a cerca de 47% da remuneração de um emprego a tempo completo (em 2006, segundo o INE, a remuneração média a tempo completo era de 730 euros, e a tempo parcial de apenas 340 euros). Os dados do INE mostram também que esse aumento foi conseguido fundamentalmente através de emprego precário pois, entre 2005 e 2007, os contratos a prazo aumentaram em 95,8 mil, enquanto os contratos sem termo diminuíram em 27,2 mil. Uma questão extremamente preocupante é a destruição líquida elevada e crescente de postos de trabalho destinados aos trabalhadores de escolaridade e qualificação mais elevadas. Assim, segundo o INE, o número de postos de trabalho destinados a “quadros superiores” + “Especialistas de profissões intelectuais e científicas” + “Técnicos profissionais de nível intermédio” diminuiu, entre o 1º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2007, em 89,9 mil; e, entre o 3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2007, a redução de postos de trabalho destinados àqueles três grupos já foi de 123 mil. http://infoalternativa.org/autores/eugrosa/eugrosa153.htm
P.S. Há alguma possibilidade deste José Sócrates dizer algo que não seja mentira???