25 setembro 2008

Igualdade na diferença ou diferença na igualdade?


Enquanto prossegue a tourada da lei do divórcio, os homossexuais ensaiam a do casamento.
Pela minha parte, convido desde já à militância no sentido de legalizar o casamento poligâmico (poligínico ou poliândrico) e o casamento colectivo.
Ou bem que há direitos ou bem que não há!
Nisto tudo há uma coisa que nunca percebi: para que serve um casamento.

24 setembro 2008

Pequenas notas de uma música decadente


A primeira, é a da já habitual coincidência de cabeçalhos entre o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias em (mais ou menos) discretos elogios ao governo. Ontem, a propósito do justiceiro e firme enfrentamento deste ao aumento dos combustíveis.
A segunda, a da reacção de Alberto João Jardim, chamando pública e directamente a Sócrates "sem-vergonha" e "mentiroso", a propósito das insinuações do primeiro-ministro. Nisto coincidiu, aliás, embora por diferentes motivos, com uma grande parte dos portugueses. Mas quando os altos responsáveis eleitos do país falam, com ou sem razão, deste modo, não é possível deixar de pensar que ele se encontra em fase adiantada de esboroamento.
O regime, aliás, está de tal modo desacreditado, o espírito anímico nacional tão envenenado por um "salve-se quem puder" cada vez mais disseminado, que, caso fosse permitido o referendo ao retorno da monarquia, muito provavelmente o herdeiro do trono luso não teria grande dificuldade em vencer. E nem sequer por uma questão de mérito seu ou de quem o rodeasse (embora o possua - a importante actividade paralela que Duarte de Bragança tem desenvolvido ao nível internacional em prol de Portugal, raramente é referida pelos órgãos de comunicação). Estou convencido de que sucederia ao regime republicano o mesmo que sucedeu ao do Estado Novo em 25 de Abril de 74: cairia de podre, com muito poucos a defendê-lo. E também, já se sabe, que no dia imediatamente seguinte a essa vitória surgiriam buéda monárquicos de onde antes só se avistavam jacobinos convictos, ajuramentados e até militantes.
Já agora, leiam o que D. Duarte diz no respeitante às nossas relações com Espanha em http://somosportugueses.com/. O link passa, a partir de hoje, a estar disponível aí ao lado, em Monárquicos Portugueses.
Porque o são.

Um excelente texto


Recebi mesmo agora, por e-mail, este texto onde se apresentam contas que eu próprio já há muito tempo fiz e de que ainda ontem falava, entre amigos, embora não as tivesse passado a escrito. Ao Mário Carneiro, que não conheço, os meus parabéns pela oportunidade desta resposta.

Resposta

Caro anónimo indignado com a indignação dos professores:
Os homens (e as mulheres) não se medem aos palmos, medem-se, entre outras coisas, por aquilo que afirmam, isto é, por saberem ou não saberem o que dizem e do que falam.O caro anónimo mostra-se indignado (apesar de não aceitar que os professores também se possam indignar! Dualidade de critérios deste nosso estimado anónimo...
Mas passemos à frente, com o excesso de descanso dos professores: afirma que descansamos no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). E o nosso prezado anónimo insurge-se veementemente contra tão desmesurada dose de descanso de que os professores usufruem e de que, ao que parece, ninguém mais usufrui. Ora vamos lá ver se o nosso atento e sagaz anónimo tem razão.
Vai perdoar-me, mas, nestas coisas, só lá vamos com contas.O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua. Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos — ficamos por uma situação média, se não se importar). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho. Vamos lá, então, contar:

1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais — o que não acontece — e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.

Vamos, então, somar isto tudo: 84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas. Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11hx14= 154 horas.Ora 547h-154h=393 horas. Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal. No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas. Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!! Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!! O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.
Pois é, não parecia, pois não, caro anónimo? Mas é isso que o Estado deve, em média, a cada professor no final de cada período escolar.Ora, como o Estado somos todos nós, onde se inclui, naturalmente, o nosso prezado anónimo, (pressupondo que, como nós, tem os impostos em dia) significa que o estimado anónimo, afinal, está em dívida para com o prof. Simplício. E ao contrário daquilo que o nosso simpático anónimo afirmava, os professores não descansam muito, descansam pouco!
Veja lá os trabalhos que arranjou: sai daqui a dever dinheiro a um professor.
Mas, não se incomode, pode ser que um dia se encontrem e, nessa altura, o amigo paga o que deve.
Um abraço.

Mário Carneiro

23 setembro 2008

21 setembro 2008

O estado da Nação (cont.)

Quadro de René Magritte
Correia de Campos reconhece, num livro que vai segunda-feira para as bancas, que a criação de novas taxas moderadoras não visou moderar o acesso, como na altura justificou, mas preparar a opinião pública para uma alteração do financiamento do sistema, noticia o portal SAPO.
O primeiro-ministro, como seria de esperar, apresentou a acção da ministra da Educação como modelo da sua proposta governativa e concedeu-lhe o estatuto de vedeta convenientemente aplaudida. Entretanto, recebi, minutos atrás, o e-mail seguinte:

Deputados a prof. titular
Os deputados do PS estão contra nós, mas querem ser titulares sem porem os pés na escola. Que VERGONHA!
Retirado da Ordem Trabalhos hoje ME / Plataforma:
Ponto 8. Acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.
Agora é que não percebo nada! Mas agora já se pode 'atingir o topo'... mesmo estando 'fora' da escola? Todas as mudanças que o ME quis fazer não foi para acabar com 'isso'? Não ia ser titular apenas quem provasse, 'no terreno', a sua excelência?
Dizem uma coisa, fazem outra... a toda a hora! Depois de se terem 'esquecido' dos que antes estiveram nessas funções, no primeiro concurso....: mais um concurso extraordinário? ou só conta daqui para a frente, e os «tristes» que ficaram para trás? Tem que ser o tribunal a dar-lhes razão? O novo 4º escalão será, provavelmente, para os 'Professores-titulares-avaliadores'. Deste modo, cria um 'estatuto' diferente para quem é avaliador e foge às incompatibilidades de avaliador e avaliado concorrerem às mesmas cotas. Quantos chegaram a titular por haver uma vaga na escola e não ter mais ninguém a concorrer, no entanto escolas houve em que colegas com quase o dobro dos pontos não acederam a PT porque não havia vaga, e com isto só quero dizer e afirmar da injustiça desta peça, monstruosamente montada e maquiavelicamente posta em prática que é a dos professores titulares.
Esta proposta do PM é inaceitável. Espero que professores e sindicatos estejam bem conscientes desta proposta que é verdadeiramente ofensiva, para não dizer outra coisa! Tenhamos dignidade e não nos deixemos vender. Esta é das respostas mais repugnantes jamais feitas por um governo. Oferecem tachos a sindicalistas, boys e girls das direcções gerais dos vários ministérios, há uma tentativa de oferecer aos professores avaliadores um 'acesso' ao 4º escalão de titular. *Chegamos ao limite da indecência e a resposta só pode ser uma*: revisão do ECD, anulação da divisão da carreira e combate total a esta avaliação.
DEVEMOS OBRIGAR OS SINDICATOS A REJEITAR LIMINARMENTE ESTAS PROPOSTAS!

20 setembro 2008

O estado da Nação

Ilustração de Maria Keil

Ontem ficámos todos a saber, pelos telejornais, que os deputados voltaram a poder usar os seus telemóveis, depois da Assembleia da República ter pago o que devia à Vodafone e de esta haver restabelecido o serviço.
Ah! E também soubemos disto (via Fundação Velocipédica).

18 setembro 2008

Do merecimento, da justiça e do resto


Há pouco, alguém ao meu lado dizia a outrem o seguinte:
Em Moçambique, país que pretende sair da situação económica e cultural em que se encontra, a quase totalidade dos alunos percorre diariamente a pé muitos quilómetros, para poder frequentar a escola, onde frequentemente os lápis e as canetas são substituídas por pauzinhos com que escrevem na areia ou na terra que lhes serve de papel.
O papel que os alunos portugueses, num dos países menos desenvolvidos da Europa, fazem displicentemente voar pelas salas de aula, muitas vezes com o auxílio dos tubos das esferográficas, bocejando, enfadados por terem que aprender seja o que for e vozeando de maneira a que nada mais se ouça. Os alunos para quem a escola é o impedimento ao tempo que poderiam dedicar aos jogos de computador ou ao chat, através do qual espraiam o vazio de uma conversa sobre coisa nenhuma, enquanto esperam por uma saída ao shopping mais próximo para comprarem o mais recente modelo de telemóvel que a possa perpetuar. Os alunos, que têm que ser ensinados a consentir em aprender seja o que for, como se consente em assistir a um espectáculo (sempre divertido, dizem os pedagogos, que, assim, o peso da responsabilidade não se faz sentir).
Os alunos que, com a criminosa conivência da inconsciência generalizada, pessoal e cívica, dos seus progenitores, que reclamam a educação gratuita como um direito, e da acção "humanista" dos politicamente mandatados, vão proporcionando a visão do afundamento, até à indigência que, inevitavelmente, fatalmente, (n)os espera a todo o nível.
Disse. E depois todos nós nos calámos durante bastante tempo.

Um velho conto

Chirico, Trovatore
O frade e o salteador
Era uma vez um virtuoso frade, que morava num ermo. Um dia chegou junto dele um salteador dos caminhos, que lhe disse:
- Vós rogais a Deus por todos; rogai-lhe que me tire deste mau ofício; se não hei-de matar-vos.
E, indo-se dali, tornava a fazer o mesmo que de antes.
E outra vez tornava a procurar o frade, dizendo:
- Vós não quereis rogar a Deus por mim? Pois hei-de matar-vos.
Tantas vezes fez isto, que uma veio determinado para matar o padre, o qual lhe pediu:
- Já que me queres matar, tiremos primeiro ambos uma laje que tenho sobre a sepultura onde hei-de ficar. Lançar-me-ás assim lá dentro, sem muito trabalho.
O salteador concordou com a proposta do frade, e ambos foram erguer a laje. Porém, ao passo que o mau homem trabalhava quanto podia por erguê-la, assim o ermitão se esforçava para que ela não se erguesse. E, desta maneira, nunca mais a laje saía do seu lugar.
Atentou o salteador no caso e disse:
- Se vós não me ajudais, como posso eu erguê-la? Ainda que eu queira da minha parte, não o consigo, pois vós fazeis, da vossa, com que não aproveite o que faço...
Antes que passasse adiante, disse-lhe o bom frade:
- Vês, irmão? Que me presta a mim rogar a Deus por ti, pedindo que te afaste do pecado e do mau ofício que exerces, se tu não te queres afastar e estás, muito de propósito, perseverante nele?
Gonçalo Fernandes Trancoso

17 setembro 2008

A todos os que ainda têm pachorra...


... de passar por aqui:
Tenciono recomeçar no domingo. Até lá, procurarei deixar aqui, diariamente, um texto que julgue oportuno ou, por qualquer razão, interessante. Assim, fiquem hoje em companhia de Eça e do Portugal que não mudou desde então nem parece querer mudar.

O amável Correio da Manhã, fazendo hoje o retrato social de «Os vencidos da vida», um por um, para lhes contestar este título acabrunhante, continua e engrossa o ruído de publicidade que a imprensa tem erguido ultimamente em torno deste grupo jantante, com considerável desgosto dos homens simples que o compõem. Pode parecer talvez estranho que esta ressoante publicidade assim magoe os derrotados. Não permitem eles que hebdomadariamente as gazetas anunciem a sua reunião em torno da mesa festiva? É verdade. Mas se o fazem é para que a opinião se não possa, de modo algum, equivocar sobre o motivo íntimo que todas as semanas os arranca dos seus buracos, para o jantar num gabinete de restaurante, ao lusco‑fusco, no isolamento sumptuoso de quatro cortinas de repes.
Homens que assim se reúnem poderiam logo, neste nosso bem amado país, ser suspeitados de constituir um sindicato, uma filarmónica ou um partido. Tais suposições seriam desagradáveis a quem se honra de costumes comedidos; o respeito próprio obriga-os a especificar bem claramente, em locais, que se em certo dia se congregam é para destapar a terrina da sopa e trocar algumas considerações amargas sobre o Colares. De resto, o sussurro atónito que de cada vez levantam estas refeições periódicas não é obra sua – mas da sociedade que, com tanto interesse, os espreita. Eles comem – a sociedade, estupefacta, murmura. O que é, portanto, estranho não é o grupo de «Os Vencidos» - o que é estranho é uma sociedade de tal modo constituída que, no seu seio, assume as proporções de um escândalo histórico o delírio de onze sujeitos que uma vez por semana se alimentam.
O que de resto parece irritar o nosso caro Correio da Manhã é que se chamem «Vencidos» àqueles que, para todos efeitos públicos, parecem ser realmente vencedores. Mas que o querido órgão, nosso colega, reflicta que, para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal mínimo a que aspirava. Se um sujeito largou pela existência for a com o ideal supremo de ser oficial de cabeleireiro, este benemérito é um vencedor, um grande vencedor, desde que consegue ter nas mãos uma gaforina e uma tesoura para a tosquiar, embora atravesse pelo Chiado cabisbaixo e de botas cambadas. Por outro lado, se um sujeito, aí pelos 20 anos, quando se escolhe uma carreira, decidiu ser milionário, um poeta sublime, um general invencível, um dominador de homens (ou de mulheres, segundo as circunstâncias), e se, apesar de todos os esforços e empurrões para diante, fica a meio caminho do milhão, do poema ou do penacho – ele é para todos os efeitos um vencido, um morto da vida, embora se pavoneie por essa Baixa amortalhado numa sobrecasaca do Poole e conservando no chapéu o lustre da resignação. Dito isto, só podemos juntar que «Os Vencidos» oferecem o mais alto exemplo moral e social de que se pode orgulhar neste país. Onze sujeitos que há mais de um ano formam um grupo, sem nunca terem partido a cara uns aos outros; sem se dividirem em pequenos grupos de direita e esquerda; sem terem durante todo esse tempo nomeado entre si um presidente e um secretário perpétuo; sem se haverem dotado com uma denominação oficial de «reais vencidos da vida» ou «vencidos da vida real» ou «nacional»; sem arranjar estatutos aprovados no Governo Civil, sem emitirem acções; sem possuírem hino nem bandeiras bordadas por um grupo de senhoras «tão anónimas quanto dedicadas»; sem iluminarem no primeiro de Dezembro; sem serem elogiados no Diário de Notícias – estes homens constituem uma tal maravilha social que certamente para o futuro, na ordem das coisas morais, se falará dos «onze do Bragança», como na ordem das coisas heróicas se fala dos «doze de Inglaterra».
Dissemos.
Entretanto, aconselho a leitura dos posts publicados no passado dia 13 em A Voz Portalegrense (via Fiel Inimigo/Último Reduto). A partir de hoje, o link ficou disponível aí ao lado.

10 setembro 2008

Triste ou vergonhoso?


Reparem bem no modo sofístico como esta "informação" é dada, nas contradições que encerra a forma de exposição e de tratamento de dados, o que é sugerido nas entrelinhas.
Só me lembrei da minha cunhada, que aqui há uns tempos, no auge da campanha dos candidatos, pensava, de boa fé, que se estava a escolher entre Obama e Hillary Clinton para a presidência dos Estados Unidos e que desconhecia por completo a existência de McCain, porque nunca tinha ouvido falar dele na "comunicação social". E que achava Obama "muito querido" e gostava da mulher dele porque o chamava para a verdadeira realidade, que é a dos filhos para criar e dos problemas que uma mãe enfrenta.
E olhem que ela até nem é das piores...! Conheço muitos portugueses que estavam convencidos, pelo alarido, que Obama já tinha sido eleito como próximo presidente. E que nem sabiam que existe um Partido Republicano, só aquele gajo, o Bush.
O provincianismo dos nossos jornalistas e da "esmagadora maioria" dos nossos intelectuais corresponde ao nível cultural do povo por eles "in-formado" e é, de facto, acabrunhante.
Triste e vergonhoso.

08 setembro 2008

Esta é...


... deliciosa! (in Diário Ateísta, via Fundação Velocipédica)

07 setembro 2008

Então, camaradas?! Como é?!


Então os verdadeiros criminosos já não são os exploradores capitalistas? E a bandidagem, um conjunto de vítimas injustiçadas pela sociedade? São os actuais representantes do pensamento socialista que deixaram de o ser ou é a realidade que os leva a alterar os princípios, por insuficientes para a explicar? Ou estaremos em período de pré-eleições e, como diria Hitler, para nós vale tudo, porque quem detém a verdade não tem que justificar as suas acções? Onde está a famosa coerência com que a esquerda se arvora em anjo mensageiro da moralidade?
Em que é que ficamos?

Hoje, no PÚBLICO...


... diz Vasco Pulido Valente (e eu concordo):
“(…) Num país pequeno como Portugal, onde as pessoas se cruzam e tornam a cruzar, a integridade intelectual e profissional desliza inevitavelmente para um “pessoalismo”, que deforma o juízo mais claro e a vontade mais firme. As coisas não são o que são; são o que se vê pela simpatia ou pelo ódio, pela hostilidade ou pela tolerância. (…) Portugal inteiro [é governado] por uma lamentável mistura de sentimentalismo, de espírito de corporação e de espírito de partido. No fundo, pelo arbítrio."

01 setembro 2008

Ouçam ainda, mas ouçam mesmo...


... isto.
Já volto. Lá para o fim da noite, como disse antes.