26 junho 2009

Urgente!


Apela-se ao sr. Primeiro-Ministro que, no sentido de evitar situações embaraçosas como aquelas que viveu hoje, em que se viu obrigado a desmentir-se a si próprio, situações que o desprestigiam e retiram credibilidade às instituições democráticas, mande substituir os telefones da PT em utilização pelo Conselho de Ministros.
É que só esse factor poderá explicar tal mancha na firme honestidade política de que até hoje deu as maiores provas à nação, a bem do país.

O artista


Hugo Chavez comentou o facto de os media mundiais terem passado umas boas horas a falar de Michael Jackson, com um "se morreu, pois que descanse em paz" e que se ninguém soubesse o que era toda esta atenção à sua morte, ele o diria: "É o capitalismo, companheiros, é o capitalismo!".
Não explicou, evidentemente, o modo como gostaria que venha a ser noticiada a sua própria morte. Será talvez como a do verdadeiro artista...

Inquietação


Não sei o que achei mais inquietante: se PS e PSD terem demorado mais de um ano para elegerem um Provedor de Justiça que conviesse ao país, ou se o jeito dos sorrisos par a par de Alberto Costa e de Paulo Rangel, dando a novidade aos portugueses...

Michael Jackson/Caetano Veloso: Billy Jean



Bob Dylan/Caetano Veloso: Jokerman



25 junho 2009

Fofoquices


O sexo do demo: tudo aqui!!!

Debaixo d'orelha: Maria Morbey

Em início de carreira, é já uma grande cantora de jazz. Meses atrás, em Cascais, com o pai, Xico Zé Henriques, no contrabaixo, e o guitarrista Zé Soares.

22 junho 2009

Recomendo a leitura...



Tão cidadãos que nós somos...!

James Ensor, A intriga
De repente, em trinta caras da docência e da governação da economia com que o nosso país tem brilhado entre os demais, explodiram a consciência, a coragem e a lucidez inibidas até ao presente, para apelarem publicamente à reflexão sobre a viabilidade e a oportunidade das grandes obras públicas que o governo pretende lançar.
Não é apenas o espírito de Salazar que continua vivo em Portugal. O da União Nacional também.

19 junho 2009

O estertor e a mão


O sr. secretário de Estado da Educação, dr. Jorge Pedreira, foi hoje o retrato fiel do que aproxima o sr. Primeiro-Ministro do modelo de Presidente do Conselho de Ministros. De uma personagem em que, como no Fado Tropical, de Chico Buarque, a atitude humilde e a voz suave pretendem desviar a atenção da acção das mãos, que se mantêm, enraivecidas, na tarefa a que se propôs desde o início. De alguém que pretende substituir pela manha a inteligência que lhe falta, e, pela força, a ignorância e a inabilidade técnicas para resolver os problemas.
A propósito dos exames do 9º ano realizados durante esta manhã, em resposta às críticas renovadas sobre o gritante facilitismo das provas, o sr. dr. Jorge Pedreira referiu, por um lado, a injustiça de tais apreciações negativas, provenientes já se sabe de quem e, por outro lado, que elas levariam os alunos a não estudar. Ao sr. secretário de Estado bastaria, porém, ouvir conversas de rua entre estudantes para se aperceber de que eles próprios têm consciência e condenam esse facilitismo e que mesmo os mais assumidamente cábulas nutrem desprezo por quem o promove. As opiniões dos alunos que constam das peças informativas transmitidas pelos telejornais à saída dos exames são, aliás, bem claras sobre o assunto.
O sr. secretário desconhece ainda que a insegurança de quem sai das escolas quanto aos conhecimentos que possui tem vindo a tornar-se num traço freudiano das novas gerações de portugueses e, naturalmente, em simultâneo, num escolho da sobrevivência económica, pessoal e do país, que fere e ferirá todos nós demoradamente. Ainda ontem um amigo meu, desde há muitos anos ligado à formação docente, me falava do espanto e da apreensão que sentia perante a falta de preparação científica demonstrada pelas mais recentes fornadas de licenciados e o terror dos mesmos ao serem confrontados com a realidade, transmutado de imediato, como seria de esperar, por quase todos eles em subterfúgios ou arrogância.
Mas a mão continua cegamente na sua acção. A mão que desmente o rosto. A mão que nega as palavras. A mão que reflecte o estertor do cérebro que a comanda.
Pelo menos até às próximas eleições.
E depois?

18 junho 2009

Sem mais


Devo dizer que, depois de ter assistido a excertos da entrevista de José Sócrates à SicNotícias, o meu primeiro impulso foi escrever algo à medida. Mas, quase logo de seguida, invadiu-me qualquer coisa como um desgosto multiplicado por repelência que me impediu de sequer querer tocar naquilo.
Fico-me assim por dizer: o homem é mesmo ABJECTO!

17 junho 2009

Poucos minutos depois de ter publicado o texto anterior...


... tomei conhecimento de mais esta. O que nos vale é que o salazarismo já acabou e que o Irão e o Terceiro Mundo em geral ficam bem longe...!

O boato


Soube-se hoje, através dos telejornais, que:
- o governo, para manter a face quanto aos números do défice, recorreu à utilização dos orçamentos extraordinários disponíveis;
- a empresa fabricante dos celebrados Magalhães tem a PJ à perna, por problemas registados no ano de 2005;
- a toda-poderosa Porto Editora, com quem o Ministério da Educação fez acordos, a meu ver, injustificáveis, recebeu também a visita da mesma polícia.
Em qualquer país da União Europeia (à excepção de Itália, claro, por tradição, e agora, ao que parece, de Inglaterra, talvez por contaminação ideológica) isto bastaria para que José Sócrates e a sua equipa fossem intimados a esclarecer este conjunto de factos. Mas se a montanha de casos semelhantes e bem mais graves não o conseguiram ainda, em nome da estabilidade política...
"Estabilidade política", "estabilidade democrática", estabilidade económica": cada vez mais me parece que a história da relação entre estes três conceitos anda a ser muito mal contada. Melhor: que, menos do que história, não passa de boato.

15 junho 2009

Relembrando Herberto Helder


Fonte - I

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípiode esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.

14 junho 2009

Exemplos maiores

O Ministério da Educação, em nome do interesse público, impõe a nomeação de directores de escola, alguns sob suspeita de interferência política a nível autárquico, e um mesmo contra decisão judicial. Está, assim, de parabéns a equipa ministerial, pelo exemplo pedagógico maior que deu aos futuros cidadãos, mostrando-lhes com superior clareza o extraordinário país onde se esforça por mantê-los, bem como os meios com que poderão singrar em esplendorosa existência. Outra coisa, aliás, não se poderia esperar da excelsa qualidade cívica e política demonstrada pela sra. Ministra e seus colaboradores.
Por outro lado, lembra António Barreto no PÚBLICO de hoje, o Observatório das Obras Públicas, sugerido pelo Tribunal de Contas, que detectou derrapagens em cinco grandes obras no valor de 241 milhões de euros, está em projecto há cinco anos e o início da sua actividade depende de uma certificação de software. Apela-se, por isso, ao sr. Primeiro-Ministro, que mande, ao menos, instalar urgentemente aparelhos de fax, os quais, como toda a gente sabe, servem para acelerar e simplificar processos de maior complexidade. A nação ficar-lhe-á eternamente agradecida pela intenção indubitável demonstrada de não dar azo a que se prolongue ainda mais o tempo concedido a eventuais situações propiciadoras de encobrimento de incompetências ou, até, de corrupção.
E Portugal sempre ficará mais a coberto de qualquer insinuação da "nossa Europa" de ser um povo mal-governado...!

Relembrando António Gedeão

Poema do alegre desespero

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,


ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.


Compreende-se.


E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.


Compreende-se.


Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.


Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.


E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

12 junho 2009

Brandos costumes


Alguns dias a esta parte, os telejornais referiram-se a um inquérito realizado a nível nacional, em que oas portugueses afirmavam ser a corrupção o maior problema do país, ao mesmo tempo que, estranhamente, segundo os responsáveis pela notícia, se mostravam extremamente tolerantes, até mesmo complacentes, com os corruptos de pequena dimensão.
Faltou-me tempo para escrever um pequeno texto a este respeito e agora descobri que Eduardo Prado Coelho abordou o tema do modo que eu tencionava fazê-lo, num artigo de opinião no PÚBLICO, pouco antes de ter falecido. Aqui o deixo, portanto.
Precisa-se de matéria-prima para construir um País

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal vE SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !

Sem palavras


Mais umas quantas desventuras informáticas impediram-me o acesso à internet, desde o post anterior. Voltarei amanhã, à noite.
Entretanto, com este calor, bem, não se pode fazer muito mais do que ler, ver um filme, passear um pouco à noite... Sem esquecer os tremoços ou os amendoins, claro.

09 junho 2009

Histórias tragicómico-marítimas


Disse-se no PÚBLICO (clicar no texto).

08 junho 2009

Muito boa e competente gente há em Portugal...!


Só foi pena ninguém ter dado por isso quando passaram pelos governos... Olha, agora fazem-se pagar na mesma moeda!

07 junho 2009

Bastonadas (2)

António Pires de Lima

Com papas e bolos se enganam os tolos
Provérbio popular
Nem de propósito, assisti, na semana passada, a um debate de qualidade excepcional conduzido pela jornalista Ana Moura no programa Edição da Noite, da SICNotícias, em que participaram o ex-bastonário dos advogados, dr. Pires de Lima, a professora Ana Prata, da Universidade Nova de Lisboa, e um outro docente universitário da área do Direito, mais ligado aos problemas da justiça criminal, de cujo nome não me recordo de momento.
Com a ironia elegantemente contundente que lhe é própria, António Pires de Lima, referiu o enxame de leis recentemente publicadas, com carácter “experimental e provisório”. O espantoso absurdo de se poder conceber o termo "experimental" como sendo aplicável a uma lei, a que se acrescenta, logicamente e de imediato, as tremendas consequências de se pôr em vigor, no plano da justiça, normas “provisórias”, lembrou o antigo bastonário, são de tal dimensão e profundidade nas suas repercussões, que apenas uma enorme inconsciência e irresponsabilidade lhes pode ter dado origem. Passou depois à leitura de alguns excertos dessas mesmas leis, onde, na melhor tradição dos irmãos Marx, se encontravam desde pérolas de português ao nível das Novas Oportunidades até coisas como “esta lei deve aplicar-se-á aos casos a que directamente respeita bem como aos seus contrários” (mais ou menos isto).
Ana Prata, pelo seu lado, falou do ritmo frenético da publicação de legislação e do carácter caótico e contraditório da mesma, tornando o Código Civil num emaranhado de duas orientações opostas e, por isso, susceptível de o seu conteúdo ser objecto das mais diversas interpretações. Para ilustrar a situação, contou uma anedota em tempo real: tendo ido em meados de Maio, à livraria da Faculdade, pediu, por ironia, ao empregado que lhe desse a versão da semana anterior do Código Civil, ao que o rapaz, atrapalhado, lhe respondeu: “Desculpe, professora, só temos a de Abril”.
Ainda outro aspecto em que todos estiveram de acordo, foi o total desconhecimento demonstrado pelos legisladores no que respeita ao actual estado da sociedade portuguesa e das alterações que nela (e em todo o mundo) tiveram e têm lugar a cada momento. Legisladores esses (muito bem pagos) que acabam por criar leis para uma realidade existente apenas no plano teórico - ou nem isso. Sendo o Estado justificável somente pelos benefícios que possa trazer, desde logo quanto à manutenção da justiça, todo este panorama acarreta consigo, inevitavelmente, a degradação e o desrespeito pelas instituições públicas de governação, por inúteis e mesmo prejudiciais à vida de cada um.
Fico-me por aqui na transcrição do que foi dito pelos três intervenientes, mas recomendo a quem encontrar o vídeo que o veja até ao fim, dada a justeza e a oportunidade das apreciações de todos eles aos problemas da justiça em Portugal.
Ligando, porém, agora este post ao anterior: não é que encontrei no Sapo, poucos dias depois (clicar aqui para ler a totalidade da notícia), um belo naco de oratória do tipo uma-no-cravo-outra-na-ferradura do actual bastonário que, como se diz na última página do PÚBLICO de hoje, “quando sai à rua, é abraçado, elogiado, incentivado e até leva palmadinhas nas costas” (o povão gosta de sangue e está muito farto)? Ao mesmo tempo que reconhece a inadequação da actual legislação aos tempos actuais, afirma Marinho Pinto, no entanto, que «Não é nas leis que estão os problemas da Justiça, é nos magistrados. Com bons magistrados faz-se boa justiça, nem que as leis sejam más».
Onde é que todos ouvimos já ferrar desta maneira…?

Bastonadas (1)


Alheio ao significado
Diz o povo e com razão
Ouvindo um grande aldrabão:
Dava um bom advogado!.

António Aleixo


A ocasião faz o ladrão

Provérbio popular


Dias atrás, fazendo o costumadamente desconsolado zapping, passei pela TVI, onde Manuela Moura Guedes entrevistava o bastonário da Ordem dos Advogados. Como estava cansado demais para prestar atenção a qualquer tipo de polémica, passei aos canais seguintes.
Dias à frente, veio o povão, muito lampeiro e satisfeito, perguntar-me se tinha assistido à “peixeirada”. Como eu disse que não sabia de nada, levou-me pela mão ao youtube e ficou a olhar-me com um sorriso expectante no rosto, enquanto ia adiantando comentários sobre a coragem e o desassombro “do homem” frente à falta de vergonha que por aí vai, bem como à arrogância e à má-educação da excelentíssima esposa do responsável maior do canal (clicar aqui para ouver)
Depois de ter visto e ouvido tudo constrangidamente, disse-lhe que sim senhor, que era lamentável, mas que as coisas não me pareciam assim tão claras. E expliquei-lhe o porquê das minhas dúvidas.
Comecei por lhe lembrar que o assassino só o pode ser se tiver meios para o consumar o que pretende, seja um instrumento sejam as próprias mãos, assim como ocasião propícia para o fazer. E que, no caso de um advogado, ele apenas poderá “corromper” a lei se a lei for, em si mesma, corruptível, isto é, se a sua redacção ou os sentidos para que aponta forem susceptíveis de interpretações contraditórias, logo utilizáveis como arma ou terreno adequado à corrupção.
Falei-lhe ainda, a propósito, das palavras de um velho engenheiro, já reformado, vizinho de uns familiares meus, que participou na construção da ponte 25 de Abril, das quais nunca mais me esqueci: “Não existem bons e maus construtores, o que existe é boa ou má fiscalização.” Se a lei é o alicerce da justiça, é nela que começa por residir o problema, o que atira as responsabilidades primeiras ao legislador e a quem tem por função a aprovação do texto por ele redigido.
Ora o dr. Marinho Pinto, fui eu lembrando ao povão, nunca ou, pelo menos raramente, ataca as leis e quem as faz, prefere falar de corrupção e de podridão, desde advogados a juízes, lançando a suspeita generalizada sobre tudo e todos sem, no entanto, jamais referir nomes. Para ele, ao que parece, as leis são pouco mais que irrelevantes.
Como se um juiz pudesse alterar a lei impunemente sem sofrer consequências, pelo menos ao nível profissional! Como se um advogado honesto pudesse mudar uma lei claramente injusta ou cuja ambiguidade proporcione iludir e escapar ao mais elementar bom-senso! Diga-o a polícia, que passa o tempo a deter quem, horas mais tarde, é libertado por juízes de mãos atadas pelas leis. Digam-no os cidadãos, que podem ser presos e processados por se defenderem de quem os ataca. E se isto é ao nível do pequeno e médio delito, facilmente se imaginará o que respeita ao crime de colarinho branco.
O dr. Marinho Pinto, além disso, fiz-lhe eu reparar também, utiliza exactamente o mesmo tipo de procedimento que a sra. Ministra da Educação e a sua equipa têm tido ao longo do seu mandato. É que a sra. Professora Maria de Lurdes Rodrigues nunca tocou nos pedagogos de serviço do seu ministério, primeiros responsáveis pela orientação do ensino; preferiu reduzir a massa salarial e as condições de trabalho dos professores, que se limitam a ter que ensinar aquilo que esses funcionários lhes determinaram e na forma e com os procedimentos por eles igualmente impostos, mesmo que o considerem uma aberração. Acicatou a suspeita e o desprezo sobre os docentes, a pretexto de melhorar a qualidade do ensino, distraindo assim as atenções da imposição de “reformas” inconsequentes e catastróficas, que têm vindo a destruir definitivamente o pouco que os anteriores governos ainda haviam deixado, com trágica incompetência e irresponsabilidade.
Em suma, terminei eu, não tenho informação suficiente para emitir juízos sobre qualquer eventual frete que o dr. Marinho Pinto esteja a fazer ao sr. Primeiro-Ministro, que segue no estilo vigorosamente barulhento.
Mas que imita bem ou disfarça mal, lá isso…

06 junho 2009

Ou por uma coisa ou por outra...


Tenho estado sem internet. Hoje, vali-me de uma pen emprestada. Espero ter o problema resolvido amanhã ou, no máximo, domingo.

03 junho 2009

Retomando a conversa

Carta do Baralho Cigano
O que se passou ontem, na Assembleia da República, entre a sra. ministra da Educação e a deputada Ana Drago, do Bloco de Esquerda, fez-me lembrar, uma vez mais, o seguinte provérbio chinês: "Queres conhecer o que uma coisa é? Tenta mudá-la."
Porque nunca se ensina nada a ninguém, só se aprende o que se quer, a escola nunca mudou o carácter: muda, sim, o modo e a dimensão como esse carácter passa a revelar-se. Não há grau académico que altere a grosseria nem a má-fé inatas, antes as acentuam e as potenciam.
E o nosso dever, como eleitores, é impedir que gente desse calibre chegue ao poder. Para que o nosso destino não se torne demasiado grotesco.

02 junho 2009

Uff!!


Terminarei esta fase de trabalhos forçados amanhã, pelo que conto voltar na quarta, à noite.
Até lá.