28 setembro 2009

As movimentações continuam


... por aqui e por ali.

Dois pormenores significativos a reter na noite de ontem:


A festa do PS remetida, de rabo entre as pernas, ao interior do edifício, por não haver quase ninguém nas ruas para a costumada celebração de vitória e, neste caso, de tão "grande vitória".
Mário Lino, expressão imbecil e vazia, oscilando, claramente embriagado, enquanto ouvia o discurso de Sócrates.
Qualquer deles nos permite intuir mais o que se avizinha do que aquilo que os comentadores de serviço se esforçam por ignorar.

26 setembro 2009

18 setembro 2009

Dentadura de ouro


É assim:
O Presidente da República pensa que o SIS, preocupado, a mando, com o estado dos dentes da magistratura presidencial, entrou em acção em escutas sobre aquilo de que se alimenta e pensa vir a alimentar-se. Algarviamente, não tencionando deixar que se devassassem as partes íntimas do cargo que ocupa, encarrega o PÚBLICO de o confirmar, por portas travessas.
Julgando confirmada a dita coisa, pela investigação que realizou, o referido jornal afia o dente e publica a notícia dezassete meses depois. Cavaco Silva mostra assim, discretamente, a excelência da sua dentadura a José Sócrates e ao PS. O país desconfia de que os cidadãos possuam dentes para o futuro que lhes estão a preparar.
"Porque raio suspeitou o gajo de...? E agora, como é que se prova que...? Bem só pode ser se...". Pois!
O inefável DN publica hoje e-mails trocados entre os jornalistas. O director do PÚBLICO afirma que apenas o SIS poderia ter acesso a tais documentos. O primeiro-ministro dá a sua dentadinha, dizendo que José Manuel Fernandes demonstrou, de novo, possuir uma imaginação fértil.
Jerónimo de Sousa mordisca, dizendo que, no meio disto tudo, o que nunca é investigado é o próprio SIS, o qual, obviamente, negou qualquer envolvimento com quantos dentes tem na boca.
Conclusão de tudo isto? Estamos perante uma vitória deste governo, que tanto se preocupou, ao longo da legislatura, com a saúde dentária dos portugueses.

15 setembro 2009

Morreu anteontem...

Fotografia de 1959

... aos 99 anos, Willy Ronis.

11 setembro 2009

De ir às lágrimas (via Fundação Velocipédica)!!!

With a little help from my friends


Falta pessoal auxiliar nas escolas. Os funcionários desdobram-se o mais que podem, sem o conseguirem, e, assim, nem sempre as instalações se encontram devidamente limpas, os problemas técnicos resolvidos a horas. Este estado de coisas mantém-se e agravou-se, desde há duas décadas, pelo facto de os sucessivos governos terem procurado diminuir o número de auxiliares e administrativos, não admitindo novos elementos à medida que os que lá estão se reformam ou diminuindo o número de admissões.
Os cuidados de higiene determinados pelo Ministério da Educação para evitar a disseminação da gripe A acarretarão assim, necessariamente, um ritmo e um volume de trabalho humanamente insustentável para esses mesmos funcionários, na sua maioria, mulheres, na sua maioria de meia-idade e, portanto, com menor resistência física e anímica, quando não muitas delas já com problemas crónicos de saúde mais ou menos graves. Seria preciso, portanto, prever um reforço urgente do pessoal não-docente nas escolas para evitar esta situação, se tivermos, ainda por cima, em linha de conta que, aos múltiplos atestados por desgaste que inevitavelmente surgirão, agravando exponencialmente tudo isto, se somarão, naturalmente, as ausências, por contágio. O pessoal auxiliar estará, a partir de agora e durante todo o ano lectivo, sujeito a condições de trabalho insustentáveis. Será, possivelmente, por ele que começará um eventual colapso deste ano lectivo.
Os actuais responsáveis pelo Ministério da Educação, porém, bem como a Comunicação Social, apenas falam de verbas (6 milhões de euros) para a compra de produtos de limpeza e seus complementos e dos meios disponíveis; da parte dos Sindicatos, ainda não ouvi nenhuma declaração pública sobre o assunto. Miseravelmente pagos, embora fundamentais para o normal funcionamento das escolas, tanto no aspecto propriamente laboral como no relacional, com alunos e também com professores, a verdadeira condição dos auxiliares de acção educativa revela-se assim, de súbito, em toda a sua crueza, nesta atitude para com eles dos diferentes responsáveis políticos e da área do trabalho, algo cujo título pomposo dado à sua categoria não consegue disfarçar. Encarados frequentemente como gente menor, inúmeras vezes pelos próprios encarregados de educação de igual estatuto social, tal como os professores cada vez mais desautorizados em relação aos alunos, a situação dos auxiliares de acção educativa constitui o inequívoco sinal da permanência do Portugal de antes de Abril, algo de serviçal com laivos de sub-humano, uma espécie de bestas de carga a quem se exige o rendimento que justifique a palha que com eles se gasta na alimentação e que se deixam para trás da porta fechada do estábulo ao fim do dia, para os atrelar de novo, na manhã seguinte, às tarefas que justificam a sua existência.
Mas, quem sabe!, talvez a solidariedade de José Sócrates, da sua ministra-modelo e da respectiva equipa de secretários com os mais desfavorecidos esteja a pensar formar e participar em brigadas de apoio nos seus tempos livres; ou realizar um qualquer live aid com os outros amigos governantes e do partido, em geral. E talvez, até, Louçã se lhe junte. E o camarada Jerónimo, de humilde origem. Talvez a indignação consigo mesmos lhes bata à porta. Talvez.
Que isto do socialismo é uma coisa bonita...! Ele há que nunca perder a esperança...!

Ele voltou


Soneto VIII

Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,

tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.

Jorge de Sena, autor deste soneto, um dos mais belos escritos em língua portuguesa, voltou, 30 anos depois de morto, a habitar terra portuguesa. Jorge de Sena, que dizia que o emprego principal dos portugueses, desde o século XVI, era o de exilado.
Morto. Com grande suspiro de alívio para os actuais caciques. Espera-se, assim, os habituais discursos. E um funeralzito de Estado, que cai sempre bem e fica baratucho. Mário Soares há-de lá estar.

10 setembro 2009

"Isto parece o Estado Novo!"


De novo com falta de tempo para aqui vir, chamo a atenção, entretanto, para esta entrevista de Medina Carreira à revista Visão.

07 setembro 2009

A tradição ainda é o que era


Já assinalei aqui, por mais de uma vez, o carácter de pasquim do poder que o Diário de Notícias tem assumido por diversas vezes desde há anos, sobretudo em épocas de maior aperto para o governo. Nestas últimas semanas, porém, é raro o dia em que o jornal não traz na página da frente uma noticia a atacar os professores ou a função pública em geral: ou são os mais bem pagos da Europa; ou é o Tribunal Constitucional que não se pronuncia sobre o estatuto da carreira docente, procurando insinuar que os sindicatos não têm razão; ou os funcionários públicos têm vencimentos superiores aos que são auferidos no sector privado. Na edição de ontem, por exemplo, afirma-se, em letras monumentais, que a função pública portuguesa é a que mais dias de férias usufrui na União Europeia.
O Diário de Notícias que, até ao 25 de Abril de 1974, foi o órgão informativo não oficial do regime, mantém-se assim na mesma senda, após um curto período, cerca de uma dezena atrás, em que um grupo de jornalistas jovens lhe incutiu um carácter simultaneamente sério e inovador. O velho Portugal pode, por isso, estar descansado, nada mudou, trinta e quatro anos depois. A herança continua intacta, a tradição ainda é o que era.
NOTA: Já repararam que o Bastonário dos Advogados veio defender José Sócrates no caso Manuela Moura Guedes, dizendo que nunca houve em Portugal tanta liberdade na Comunicação Social como com este governo? Descontando a inqualificável cretinice do programa e o tom mal-educado e agressivo da senhora, aproveito para relembrar o que escrevi há três meses (aqui e aqui) sobre Marinho Pinto.

05 setembro 2009

Com 74 anos...

João Vieira, O mais português dos quadros a óleo


... morreu hoje João Vieira.

02 setembro 2009

Por qué no te callas?


Eis como, de uma assentada, o Governo dá conta daquilo que o caracterizou ao longo destes quatro anos: completo descaramento, falta de vergonha, défice de dignidade e total ausência de competência, técnica e política.
A partir de hoje, ninguém poderá dizer, após as próximas eleições, que se enganou ao votar em José Sócrates.

01 setembro 2009

Tenho andado em limpezas


Por isso, hoje limito-me a deixar aqui o link da extraordinária entrevista a Hubert Reeves feita por José Rodrigues dos Santos a que me referi no post intitulado "De volta". Para que comparem com a minha versão e não digam que andei a difamar alguém, a pretexto de citar de memória.