23 julho 2010

Ah!...


... grande Eduardo! E que extraordinário trabalho de informação e afirmação este homem tem estado a fazer diariamente no seu blog, substituindo-se àquilo que deveria ser parte das funções das entidades públicas de um país civilizado!
Passem por lá diariamente, olhem que vale a pena.
Até já.

16 julho 2010

09 julho 2010

Mais uma...


... deliciosa missiva de Nicolau Saião:

Eu até sou um tipo afável - como dizia o filósofo... - mas não percebo nada de futebol. Ou seja, nunca poderia acertar numa só previsão que fosse, em termos de bola mundial - ao contrário do polvo (creio que sabem do que se trata, o polvo das previsões num aquário de algures) que, contudo, parece que terá como destino ir acabar em apaladado arroz malandrinho.
É assim que cá (lá) se tratam as pitonisas modernas? Isto diz bem do respeito que por lá (cá) se tem pelo sagrado - e há algo mais sagrado do que um vigoroso derby?
Mas da minha pouca sabença filosófico-religiosa (há lá coisa mais religadora do que um belo golo, depois de uma jogada inesquecível!) sempre saberei, talvez, isto: que independentemente do aproveitamento que o Zapatero (o nome deste tipo, tão real politik, sempre me fez farnicoques) e sus diversos muchachos vão fazer, os nuestros manos que andam entre as quatro linhas mostraram até agora pelo menos isto: que um pouco de trabalho e de garra, caldeada por uma certa sensatez, sempre dá bom resultado. Seja na bola ou na vida societária, vulgo países, que dantes eram nações e hoje se parecem mais com involuntárias associações de consumidores. (E vá lá que inda se vai tendo para consumir alguma coisa, não é como naquela loja romena do tempo dos amanhãs que cantavam onde só havia, como mostraram as inúmeras agências noticiosas de todo o lado, ossos de suíno e de vaca para fazer/dar gostinho a sopa...). Adiante.
Ou seja: polvo por polvo prefiro, mesmo distanciado, o da bola. Clarificando melhor: o das previsões. O do arroz malandrinho, coitado dele, que merecia pela ajuda que deu a distrair as gentes, acabar de velhice num zoológico. Mas a tolice e a superstição - mesmo engraçadas - têm razões que a razão desconhece...
Dedico o envio de hoje aos espanhóis, ao povo espanhol que me habituei a estimar. E que, tal como os portugueses de bem, não alinham com polvos (dos outros, está de ver!).
O abrqs proverbial e nominal do vosso
ns

08 julho 2010

Santana Castilho, no PÚBLICO


A solidez de um livro, segundo Sobrinho Simões

O livro de Maria de Lurdes Rodrigues é um relatório burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa
No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela "ética das convicções". Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):
"... Só quem está certo de não desanimar quando ... o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que ... tem a oferecer ... tem vocação para a política ..." (in
A Escola Pública Pode Fazer A Diferença, p. 18)
Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.
Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento.
O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino. Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo:

1. A autora introduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: "... Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9.º ano? ..." (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara quatro anos de escolaridade com nove. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.
2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito ("reforma" foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p. 15): "... Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização ...". Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.

Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.
Ao longo dos últimos cinco anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como "escola a tempo inteiro"; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28.000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal.
No ano lectivo de 2004-05 tinha 92.102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só cinco países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p. 90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos aonde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, "the last, but not the least", a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.
Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como "o mais sólido" que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores.

04 julho 2010

Do interesse...


... em salvar o mundo ou "A petrolífera verde e as suas bactérias amestradas" (com vénia ao RioD'Oiro, do Fiel Inimigo).

02 julho 2010

Acho que não é preciso muito mais...


... para se perceber, por este exemplo, onde se encontra a principal causa do crescente número de erros que têm vindo a acontecer. Quem utilizou regularmente os serviços dos hospitais desde há cinco anos tem, aliás, uma muito clara percepção da situação.
O estratagema que o "governo" usa para disfarçar a raiz do problema que criou, é, como sempre, instaurar um clima de suspeição pública generalizada sobre as competências e o profissionalismo dos envolvidos, nomeando ou fazendo nomear comissões de inquérito e de acompanhamento de processos, com o consequente clima de tensão, medo e crispação entre todos, que em nada contribui para qualquer melhoria de desempenho, antes para a degradação do mesmo. Dividir para melhor distrair a população da sua atroz incompetência, dividir para mais eficazmente impor o domínio de um grupo sobre os restantes cidadãos, tem sido, aliás, o procedimento preferido e corrente de "governantes" que, na prática, negam o seu próprio país e a função para que foram eleitos.
Sabe-o quem trabalha na saúde, sabe-o quem trabalha no ensino, sabe-o... sabe Deus!