31 janeiro 2011

29 janeiro 2011

Da paz do Corão

Testemunhando directamente o que se passa no Cairo, Manuel José, treinador, desde há alguns anos, do maior clube de futebol do Egipto, dizia há pouco, num dos telejornais da hora do almoço que, entre os diferentes factos que observara do quarto do hotel onde vive com a família, um lhe chamara particularmente a atenção. A certa altura, referiu, polícia e manifestantes acordaram em fazer um período de tréguas nos distúrbios, de modo a que todos pudessem rezar as orações que o Corão estabelece para aquela hora. Passado o qual, iluminadas as almas e reforçados os ânimos, voltou tudo à bofetada, com a bênção de Allah.
O Paraíso que o Médio Oriente não seria, não foram as Cruzadas e os porcos dos judeus, as democracias e essas coisas...! O quanto eles se amariam e nos amariam hoje...!

Contas feitas à socialista...


... entre a liberdade e a justiça social (este, via Fiel Inimigo).

28 janeiro 2011

27 janeiro 2011

Ainda na continuação da recuperação da gripe...


... faço, agora, uma referência a uma colecção, Frente&Costas, iniciada, em Outubro do ano passado, com um pequeno volume de Manuel de Almeida e Sousa.
O livro inclui, de um lado poemas visuais, feitos da combinação entre fotografias e o resultado da acção autónoma de um velho MacIntosh, conhecedor, de há muitos anos, como qualquer animal doméstico, dos caminhos de quem o conduz. Do outro, um texto teatral desconstrutor do discurso resultante do conjunto formado pelas pulsões e pela lógica, libertando a voz para uma expressão mais próxima do que poderia designar-se como música primeira a que o corpo se molda, moldando-a. A ordem da leitura do conjunto é, naturalmente, arbitrária.
Na República das Santas Bicicletas (ver o Miradouro) poderá ser encontrada mais informação.
Na badana, encontrarão um texto que me foi pedido, referente à colecção, o qual transcrevo de seguida (porque, por hoje, não consigo melhor do que isto):

«O visível surge do invisível e existe neste e por este. O invisível, por seu turno, existe no visível, alimenta-se dele. Se tudo fosse visível, não poderíamos falar em visível; se tudo fosse invisível, nada haveria que fosse algo para si.
O visível é a forma de consciência do Todo, que, por isso, não é visível nem invisível. Assim, o visível procura encontrar-se no invisível; o invisível, esse é a própria vida do visível. O Universo anima-se pelo que está para além dele.
Uma escultura vive na consciência de quem, vendo-a, a constrói pelas partes visíveis do seu todo, que lhe é invisível. A escultura existe do visível no invisível da consciência. A escultura vive em nós, que, de uns para os outros e com os outros, nos tornamos visíveis, aos poucos, do invisível de que nos formamos.
A linguagem fala pelo silêncio e do silêncio que a permite. Aponta, une, relaciona, descreve, desdobra-se e aponta para si mesma no não-dito.
As costas sugerem a frente, exigem-na; a frente faz suspeitar das costas, procurá-las. No perfil está e não está tudo, vê-se e não se vê tudo.
Esta colecção faz-se perfil na sua orientação gráfica. No resto é Frente e Costas, Frente e Costas, Frente e Costas… Como todos nós.»


26 janeiro 2011

Hoje, enquanto recupero de uma gripe...

... deixo aqui os restantes 17 vitrais (num total de 33 - quem tem olhos, veja, quem tem ouvidos, ouça) de Nicolau Saião, sem desta vez, porém, os ter ordenado à medida da narrativa bíblica e dos Evangelhos.


Jacob e o Anjo


Via Sacra


Tentações de Santo Antão


São Jorge e o dragão


São Cristóvão


Ressurreição de Lázaro


Pietá


O massacre dos inocentes


O Juízo Final


Jesus entre os doutores


Ecce Homo


E o Espírito do Senhor pairava sobre as águas


E haverá novos Céus e nova Terra


Babel


A terra prometida


A fuga para o Egipto


A água da Vida

25 janeiro 2011

24 janeiro 2011

Diz-se - 3 (por e-mail)


"AGRADEÇO AOS PORTUGUESES TEREM DEVOLVIDO, COM O SEU VOTO, ALEGRE À LITERATURA!"

Foi o que, numa curta Declaração de 4 páginas o ex-comandante Tomás Figueira, secretário exponencial do Doutor José Jagodes, distribuiu à "comunicação social" ao princípio da manhã.

Nessas breves folhas, que os correspondentes internacionais se apressaram a despachar para as chancelarias e jornais a que estão alegadamente ligados, o ilustre pensador dizia seguidamente:

"Sim, o Povo mais uma vez mostrou a sua sensatez. E espera-se que os jovens companheiros do ex-Candidato coimbrão, Dr. Mário e Dr. Almereyda, lhe sigam as pisadas, o segundo devotando-se talvez a escrever as suas memórias, o primeiro sei lá não escrevendo mesmo nada".

E mais adiante: "Não sei se a Literatura agradecerá, mas nós em particular e eu, em geral, agradecemos de certeza".

Comentando o geral do Acto de ontem, com a sua proverbial bonomia, o Doutor Jagodes referiu com vivacidade: "Foi uma cerimónia bonita, apesar do frio, a que os Serviços cartográficos do ministério do cidadão ajudaram a conferir maior luzimento. Como se usa dizer, teve graça e não ofendeu e mostra que as tecnologias do nosso ainda em exercício Grande Timoneiro (passe o colorido da expressão) estão ali para as curvas".

No que respeita aos Candidatos em si e à maneira como se desenrascaram no decorrer da Campanha, José Jagodes foi peremptório: "Ganhou o País e ganharam eles, se me permite o trocadilho: o Francisco Silva ganhou como sempre...e não é preciso acrescentar mais nada; o Coelho mostrou o cartão vermelho (rima e é verdade) o Nobre afinal não levou o tiro, o que só por si foi uma vitória excelente, o Defensor...nem vale a pena dizer...não acham? e o Nosso Presidente atingiu as expectativas ao ficar defronte a 52 por cento de abstenções".

E quase a finalizar: "Eu gostaria, se ele me permite, de lhe deixar aqui umas achegas, simples sugestões, usando o meu direito de falar como português de lei que sou e só recentemente tem visto a sua correspondência com inquietantes sinais de...Mas adiante! E as sugestões são:

1. Não estar sempre a dizer aos portugueses que tenham calma. Olhe que eles não andam metidos pelo menos de momento, em escaramuças como na Tunísia. Diga isso antes ao Teixeira, ao Chefe ele mesmo e, já agora, ao Jesus Jorge para manter a linha entre as quatro linhas.

2. Como isto é uma República, com a sua magistratura de influência conseguir que nos apropriados lugares distritais, como referiu o Dr. Moiteiro, deixe de haver condes, marqueses e duques e, também, barões em geral nesse sector alegadamente.

3. Que os comentadores residentes deixem de ser, maioritariamente, políticos em exercício, ou ex-políticos (pois que esses ainda têm supostamente mais ronha...) o que cria um ambiente de repleção que já custa a aguentar.

4.Que se ligue um pouco mais à vontade do Povo, expressa até em votos, e não se use isso apenas para garantir que seguidamente se pode andar à-vontade na carruagem, creio que me faço entender".

Por último, o Doutor Jagodes escreveu mais uma ou duas coisas, mas a nossa natural timidez impede-nos de o reproduzirmos neste espaço.

Pel'O Gabinete Luso de Notícias (GLN)

Hortelino Trocaletra

Bem observado!


Ora leiam!

23 janeiro 2011

Os Padrinhos

(desconheço a autoria da foto)

José Sócrates manietou Mário Soares e a sua descendência nas eleições presidenciais anteriores. Agora, manietou Alegre. Não lhe foi muito difícil: bastou-lhe dar passagem à enorme e decadente vaidade de ambos. O Partido Socialista é, agora e cada vez mais, ele. O resto é destroço e deriva.
Cavaco Silva pôs-se, definitivamente, na posição de pôr e dispor no e do PSD quanto à ascensão deste ao poder, de o preferir ou preterir em favor de Sócrates, na dependência da maior ou menor conformidade com os seus desígnios e estratégias.
O país é, assim, presa de dois homens e das respectivas ligações.
Chamam, um e outro, a isto, política.

Reflecti


Pela primeira vez, não encontrei uma razão sequer para ir votar.
Não fui.
E senti um grande alívio no meio do desgosto.

21 janeiro 2011

Ainda antes de iniciar a minha profunda reflexão...


... não resisto, no entanto, a chamar a atenção para isto (via Fiel Inimigo, por via Hoje há Conquilhas - no Miradouro), com a promessa de em breve voltar ao tema.

Aviso


Este blogue, a exemplo do país, encerra para profundíssima reflexão até às 19h de domingo.

Penso que fica clara a razão pela qual tantas vezes aqui dou voz a...

Manuel Almeida e Sousa, Nicolau Saião

... Nicolau Saião:

«Disse com justeza e inteligência não sei que Papa recente (creio que foi o grande Albino Luciani, homem de bem e santo homem) ou um outro príncipe da Igreja (não tenho a certeza de qual deles foi, realmente) que a ICAR, por mau entendimento de que se penitenciava, se afastara excessivamente dos artistas contemporâneos, o que levava igualmente a um distanciamento da parte deles.

Creio que é verdade. E não me congratulo com isso. Antes pelo contrário.

Usando frequentemente de intolerância, com sobranceria simoníaca, não percebendo manifestamente que, no artista (ser humano que tem, por sua peculiaridade, de lutar contra os demónios da criação), a iconoclastia e a aparente negação da Fé pode ser o mais alto sinal, nele, de Deus (que decerto não se enfurece pelas suas buscas e resultados alcançados, por vezes mediante um esforço terrível), os burocratas da hierarquia fuzilam com o olhar gente pacífica e cujas obras nada têm de satânico.

Mas a incapacidade de ver de certa gente, e a sua arrogância (que é sinal claro do demo que os manipula) tem dado o bonito resultado que hoje bem conhecemos.

Veja-se o que se passou durante tantos anos com Matisse, tido por ateu relapso e provocador quase até à velhice. E só por causa da inteligência, tolerância e entendimento são dum digno sacerdote, que soube vencer o negrume de alguns antístenes pouco cristãos, a extraordinária Capela de Vence pôde ser iluminada pelo genial pintor (sofria ele já nessa altura de dolorosas artroses, pelo que alguns trechos foram feitos em papel recortado).

É uma obra maravilhosa. Creio que Deus, como artista que é de certezinha, passa de vez em quando por lá, ao visitar este cantinho da galáxia. E um sorriso bom lhe deve perpassar no rosto sagrado.

Quando tinha os meus quarenta anos, tendo ido um dia a Póvoa e Meadas e entrando na igreja de lá, de moderna traça e de amorável feitura e seduzido pela religiosidade que ali se entrosava em nós duma maneira singular (sentia-se, ou senti, se assim o digo, o céu e a terra misturados, irmanados, como o senti também numa floresta do Canadá ou nas planícies ardentes do Calaári, ou até numa vulgar rua ou estância), um desejo se apoderou do meu pensamento: efectuar, ir efectuando pelos tempos - quando me sentisse mais religado - obras com que um dia iluminaria uma capela (dia que evidentemente nunca chegará, pois para a intolerância e a incompreensão (a soberba?) dos Católicos portugueses de topo eu não passo dum ateu (que nunca fui, alguns confrades sabem porquê) dum maldito porque não vou aos templos bater no peito em conjunto com sepulcros caiados.

De modo que, sem qualquer pretensiosismo nem acinte - antes com uma certa mágoa, que os de recto coração a meu ver entenderão -, vocês (se me permitem!) irão ser a minha capela.

Os vossos olhos serão as paredes dessa Capela que nunca os meus traços e as minhas formas poderão iluminar. Em vocês, caros confrades, coloco as minhas pobres obras mortais (estas dezasseis) - mas feitas com toda a comoção de uma pessoa que anda por este Mundo e sempre buscou que fossem de inteira e alegre fruição, pese às mágoas que a todos nos circundam.»




Génesis


O Paraíso terrestre


Adão e Eva


A árvore da Vida


Satan


A expulsão do Paraíso


Moisés


Anunciação


As bodas de Canaã


O sermão da montanha


O Filho do Homem


Páscoa



Crucificação


Os Apóstolos


Evangelhos



E paz na terra aos homens de boa vontade

A propósito de um comentário ao post anterior


Caro amsf:

No dia 17 do mês passado, um amigo enviou-me um link que remetia para um blogue, o qual, a partir desse dia e até hoje, tem ocupado um lugar no meu Miradouro. Refiro-me a O Candidato Certo, onde, em jeito de paródia séria, se apelava a um movimento de cidadãos em torno do actor e apresentador de um concurso da RTP1 Fernando Mendes, no sentido de o convencer a candidatar-se à Presidência da República. Os motivos encontrar-se-iam suficientemente expostos no texto do Manifesto que abria o blogue bem como num segundo texto, da autoria de um - no caso, uma - dos signatários.
As razões que me levaram a divulgá-lo têm a ver com a minha própria posição relativamente aos candidatos que se apresentaram a estas eleições: a de uma enorme repulsa pelo estado a que chegou a democracia em Portugal, pelo espectáculo degradante que todos eles - de uma ou de outra maneira e por uns ou outros motivos - representam e pelo sinistro jogo das forças que se movem no terreno da República. E isso inclui o senhor Coelho.
Porque nenhum candidato sério, a meu ver, se limitaria ao modo como age nem àquilo que diz (ao nível do que há de mais básico e de mais redutor), confundindo ironia e sarcasmo com actuação apalhaçada, no que se coloca ao mesmo nível da indignidade daquilo que afirma combater. É que dentada de cão não se cura com o pêlo do mesmo cão, como muitos pretendem. As ironias de Eça e de Ramalho, sendo ferozmente demolidoras, foram também eficazes por se situarem num plano de superioridade intelectual e moral neutralizador de quem pretendesse ignorá-los; um bufão, porém, apenas acrescenta mais bufonaria à bufonaria reinante.
É a minha perspectiva, evidentemente, e vale como tal. Mas, já agora, deixo-lhe aqui, caso não haja lido, parte do manifesto e o texto que referi do tal blogue. E divirta-se. E aplauda ou rejeite, conforme aprouver ao juízo que deles faça.

1. Por Portugal! - Manifesto em torno da proposta de uma candidatura

Os signatários do manifesto que serve de apresentação e justificação à abertura deste blogue, têm consciência de serem apenas três de uma multidão de portuguesas e portugueses, preocupada com o estado de pré-calamidade - económica, social e política - a que o país foi remetido, neste final da primeira década do século XXI. E que, na iminência de mais um acto eleitoral, de cujo desfecho resultará a atribuição da Presidência da República a um dos nossos compatriotas, face ao perfil apresentado por aqueles que se declararam e apresentaram já como candidatos ao desempenho do cargo, decidiram apelar a uma outra figura pública que igualmente o faça, por a considerarem mais apta para tal do que qualquer dos restantes. Crentes em que a alma portuguesa se unirá e mobilizará em torno de uma candidatura que por inteiro traduza os seus anseios e aspirações, numa onda magnífica.


Os signatários estão convictos de que, tal como eles, o povo português não se reconhece em alguém como o Professor Cavaco Silva que, pese embora os seus méritos, alcançou as fronteiras do ridículo ao espraiar-se no lamentável, quando preencheu o seu discurso de recandidatura com queixas ao povo do tipo cançoneteiro “Vocês sabem lá…!”, em referência às passinhas vivas de Boliqueime que terá tido que engolir com “aqueles” malandros dos partidos. Às baboseiras que, condescendente e pacientemente, terá tido que ouvir; às discordâncias com a sua visão, especializada e experiente, que terá tido que suportar; aos serões em que, impaciente e pesaroso, terá tido que perder o episódio da telenovela, para ajudar a fazer acordos entre os galfarros que mandam na capoeira a que chamam Assembleia da República! Ninguém acredita na boa-vontade de alguém que se ergue em tanta lamúria, para poder continuar a lamuriar-se pelo sacrifício em que se oferece à Nação.


Nem que se reconheça no odor a verde-pinho com que o dr. Manuel Alegre pretende refrescar o hálito, carregado de miasmas libertados pelos microrganismos acumulados nas reviravoltas que deu à língua e pelo excesso de uso que deu à glote. Tudo para provar que está vivo, porque é assim que pensa poder prová-lo. E o povo português, que é “justo, solidário e fraterno”, não o será tanto, porém, que se arrisque a que ele lhe interrompa o programa de televisão, quiçá, o acto amoroso, com comunicados de última hora em que, qual émulo de Fidel, discursará durante quatro horas de cada vez, em tom de locutor soleníssimo, sobre o problema… o problema… o problema… bem, isso das lixeiras atómicas.


Não se reconhecerá também o povo português na luz que o ex-electricista Francisco Lopes lhe afirma vir do Nascente, mas que, afinal, vem - veio sempre - do Poente. Até porque utilizar um curioso como agente publicitário de uma empresa que afirma possuir os únicos e verdadeiros especialistas em iluminação, é, da parte desta, sinal de uma enorme falta de capacidade de gestão. Ou de simples falta de pessoal.


O povo português reconhecerá a Fernando Nobre empenho e tenacidade na procura de tratar da saúde aos habitantes do planeta e respeitá-lo-á por essa sua tão meritória intenção. Mas sabe também que o mundo não é tratável da mesma maneira que os seus habitantes, porque os habitantes são muitos, cada qual com a sua maleita, e, por isso, o mundo tem muitas maleitas ao mesmo tempo. Dizer que há um só remédio para tudo, porque é tudo resultante do mesmo vírus, mesmo com ar doutoral, cheira a miopia científica, fonte segura de muitos tropeções e trambolhões para qualquer mortal, quanto mais para um presidente.


Por fim, dificilmente pode vir a reconhecer-se em Defensor de Moura ou em José Manuel Coelho. Nenhum deles (em conjunto com Francisco Lopes, de quem não nos lembramos sequer de um curto-circuito que haja provocado) apresenta um álbum de fotografias com conteúdo suficientemente notório para ser mostrado às visitas. O nome do primeiro levanta, além disso, suspeitas de tendências divisionistas entre Norte e Sul, algo que é ainda reforçado pelas declarações que proferiu quanto à sua intenção de pugnar pela defesa dos animais. No que respeita ao segundo, quando surge parece sempre saltar de uma cartola e ninguém pensará em eleger um animal de palco para presidente. Nem, aliás, Defensor de Moura que o é também dos bichos, certamente o permitiria, criando o perigo da eclosão de uma guerra fratricida entre os portugueses. (...)


2. Pepita Leitão, signatária do manifesto que inaugura este blogue, acha por bem acrescentar ainda o seguinte:

MANIFESTO-DECLARAÇÃO

Esta não vai ser uma declaração política mas sim uma declaração de amor.

Ou mais exactamente: uma declaração de amor que também é uma declaração política. Para melhor dizer: programática.

Dela se extrai e sem dor uma grande amor ao País e ao Candidato que é a sua figura mais exemplar!

O nosso querido candidato Mendes tem tudo que o recomende:

1. Seriedade (nunca aldrabou um participante do Concurso que o tornou célebre, antes os ajuda com frases adequadas e afectuosas, que o mesmo é dizer que nunca defraudou os cidadãos telespectadores, o que contrasta fortemente com as pantominices repetidas dos políticos vulgares).

2. Bom-senso (tem um relacionamento cordial com os participantes, ao contrário dos vulgares políticos, quem tratam as pessoas aos coices ou com falinhas que depois se revelam conversa de chacha do piorio).

3. É sexy (o que em política, onde o aspecto conta e os políticos vulgares bem o percebem, é uma mais-valia. É uma figura no enfiamento do português rotundo e bem disposto, não é um pau de virar tripas como uns nem um orelhudo caricatural como outros. O cidadão, os homens e mulheres do povo, reconhecem-se nele. Mesmo vestido de bebé, como às vezes lhe sucede em cenas de teatro, não é ridículo, desperta ternura. Ponham o Alegre ou o Cavaco vestidinhos com babygrow e verão como as pessoas desatarão a rir!).

4. Tem um sorriso aberto (não ri aos solavancos como o bom do Nobre, nem sorri sepulcralmente como o Lopes, que até parece que está a enterrar o Lenine. E com o Alegre ninguém ri, embora em geral toda a gente ria com o Defensor).

5. É descontraído (não parece estar num funeral quando fala às massas. Comparem-no com o Cavaco e já estarão a ver o que quero dizer).

6. Todas as indumentárias lhe ficam bem. Comparem com o Lopes, cujos casacos parecem ter sido emprestados pelo Cunhal, bem como ostacatto dos discursos e a própria entonação filosófico-ideológica. O que revela que tem um espírito igual à aparência ou seja, de acordo com a psicologia, que é um homem público verdadeiro e sem hipocrisias ou desníveis ser-parecer.

7. E, por último, é o Mendes ele mesmo e não nenhum dos outros. E esta é a meu ver a sua grande vantagem!

Com amor patriótico! Viva, vivóóóó!

Pepita Leitão


20 janeiro 2011

Diz-se - 2 (por e-mail)

(Do nosso correspondente em Lixboa, Eládio Valente)

De acordo com alguns órgãos informativos, o Candidato à Segunda Volta Fernando Nobre afirmou corajosamente num comício que só - e citamos-- um tiro na cabeça o impediria de ir pra Belém.

Ressalvado o facto de vários Chefes de Estado, de acordo com a História, terem convivido bem com balas no cérebro (veja-se o caso de G.W.Bush, que conforme foi recentemente confirmado foi duas vezes figura presidencial apesar de ter na caixa craniana duas balas de bazooka - motivo porque ostentava aquele ar meio-esgazeado - sem que isso lhe fizesse muita diferença nas decisões importantes a que se entregou) punhamos uma ou duas hipóteses ligeiramente discrepantes: e se for meia bala no baixo-ventre? E duas balas e meia no esófago?

Bom, mas não divaguemos, tanto mais que foram já divulgadas declarações dos seus concorrentes, os Candidatos à Segunda Volta Defensor Moura, Manuel Alegre, Francisco Silva e José Coelho (o Candidato à Primeira Volta Cavaco e Silva preferiu referir modestamente que até com um zagalote na cabeleira iria na mesma).

Alegre disse que só não iria se o projéctil se lhe alojasse nas cordas vocais (a sua única mais-valia eleitoral como se sabe); Defensor, por seu turno, garantiu que só não iria se o chumbo lhe acertasse nas orelhas; Silva demonstrou, socorrendo-se dum textinho desconhecido até ao momento de Estaline, que só não seria presidente se a bala acertasse na cabeça do Jerónimo (!); finalmente, Coelho, para fugir à regra dos disparos, jurou que não iria e citamos "só se me cortarem os (impublicável), mesmo que não seja com um saca-rolhas!"(esta não percebemos).

De acordo com alguns observadores, presentes no local da polvorosa declaração, Nobre falava a sério quando disse a frase já famosa, pelo que estão já a ser atentamente vigiadas pelas Forças da Ordem os armeiros, nomeadamente de caçadeiras de dois canos em todo o território fora da Madeira"

(Gab. Notíc. Luso - GNL)

Diz-se - 1 (por e-mail)

Recebido por Fax, do Gabinete Noticioso Luso:

Foi ao princípio da manhã distribuída, aos órgãos de informação e à própria comunicação social, uma Declaração intitulada "SENSATEZ PATRIÓTICA, MOBILIDADE DEMOCRÁTICA", subscrita pelo Doutor JOSÉ António de Matos Lencastre JAGODES e também contra-assinada pelo Ex-Comandante Operacional Tomás Figueira que, tendo-se demitido das suas funções de Agente Securitário por mor das "conversas esclarecedoras" que manteve com JJ aquando da sua recente "hospedagem forçada" - como os leitores de melhor memória recordarão -, se tornou o braço direito secretário e guarda-costas do grande pensador e, neste momento, Professor Catedrático de Estória Comparável, a convite do Prof.Dr. Pamplinas Miragaia, reitor da Univ. Contemporânea (sita em Freixelas) onde as suas salas de peroração ficam totalmente repletas (a redundância é cabal).

Desnecessário se torna reproduzirmos aqui na íntegra a Declaração, que está patente até no "Impresso" (comentários de Raymundo Bairrada), mas salientamos o seu lied central, onde é dito que "Não quero intrometer a minha voz e com isso prejudicar ou os Candidatos ao próximo acto eleitoral ou o mesmo em si, daí que só depois da bagunça... eeeeh, quero eu dizer, da Coisa, virei a público soltar o pio. Ninguém me apanhará a cascar em nenhum dos concorrentes, até sobre o Alegre manterei um silêncio sepulcral, bem lhe basta, coitado, o Engenheiro estar a apoiá-lo...!".

E mais adiante e a finalizar: "Como todos vão passar, segundo é referido universalmente pelos Candidatos Perdedores, à segunda volta, guardo para essa altura, e falo como é patente e claro absolutamente hipoteticamente, a peça-entrevista em vista e congeminação".

Sabemos que, neste momento, o Doutor Jagodes se retirou para Linda-a-Velha, (onde tem a sua conhecida vivenda, integralmente paga, "Vila Cedo Feita", sempre guardada por dois robustos molossos Serra da Estrela e 4 ex-operacionais do antigo staff oficial, a quem deu a volta e se tornaram seus devotos) estando neste momento a preparar o seu robusto ensaio "Pequenos almoços e cortes salariais na Segunda República Actual" (prefácio de Augusto Santos Souza & Santos Teixeira).

GNL

19 janeiro 2011

Outro dois em um, mas agora de Nicolau Saião

"EM CALÇAS PARDAS...

É onde - pelo que se sabe de há muito e que últimamente é corroborado pelos órgãos de informação nacionais e mesmo alguns de fora - estamos todos metidos. Leia-se: o povinho português, com excepção de alguns que, talvez por não serem povinho, escapam a tal triste destino.

Refiro-me, como decerto já perceberam pelo rodar da caneta, ao grau inimaginável de corrupção ética e moral em que desvairadas gentes do milieu (além da naturalidade do sistema) mergulharam o Sistema Judicial lusitano.

E, se a coisa ainda não rebentou pelas costuras da absoluta perversidade institucional, isso deve-se à acção digna de uma boa soma de magistrados íntegros e competentes - que felizmente ainda os há.

O último prego no caixão foi há um par de dias revelado pelo Observatório da Justiça, que certificou publicamente que e cito de memória, "em geral os tribunais põem-se sistematicamente do lado das seguradoras", de forma presumivelmente arbitrária e que, infere-se, "torcem" o bom julgamento e a equanimidade.

Já houvera os julgamentos de sabor político (para não dizer de outra forma mais dura), como por exemplo aquele em que um dos queixosos, num processo por difamação, teve de ouvir - ante o sorriso alvar de quem presidia ao...julgamento, que deixou passar a inquisitorial pergunta sem uma chamada justa de atenção - de ouvir, dizíamos, o patrono dos réus perguntar "Diga-me: o senhor é anarquista?" (não era, era autarca; e valha-nos que não lhe foi inquirido se era homossexual ou judeu, preto se via que não era); agora, baixando o nível, parece haver os de sabor económico...

O que se seguirá? Repressão por parte das forças de segurança, como sucedeu nos tempos cavaquistas e parece estar a voltar nestes tempos socráticos?

Processos de intenção, tentativas de intimidação - esses sempre se têm feito e já quase não se nota.

O que aliás é ilegal, mas natural neste país onde os arrivistas tomaram por enquanto conta da loja.

Para refrescar algumas ideias, sugiro-vos a leitura disto. Nos tempos que correm é bom estar-se a pau...Bom apetite!"

Dois em um

René Magritte, Decalcomania

Dois textos deliciosos de uma só vez.