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06 junho 2011

"Homem do leme"


Um texto d'O Lidador (aqui):

Portugal está hoje melhor do que ontem, porque se livrou do grupo de parasitas e malfeitores que se tinha apoderado do leme e fez encalhar o navio.
Mas não nos iludamos. Não somos hoje um país soberano, nem absolutos donos do nosso futuro. O que agora temos de fazer é, muito sucintamente, poupar para pagar as dívidas. Mas pagar as dívidas é apenas uma parte do problema. Aquela que em economês se chama "estabilidade". A outra parte é o "crescimento".
E esta parte vai ser também um trabalho de Hércules.
Porque os sucessivos governos socialistas que tivemos nos últimos anos, fiéis a si mesmos a à ideologia em que acreditam, concluíram, com brilhantismo a tarefa de arruinar o país, gastando irresponsavelmente o dinheiro que não tínhamos, em subsídios, obras e projectos faraónicos, e dando-nos, em troca, retóricas demagógicas e moralistas decalcadas na mais básica acção psicológica, usando a língua tal como Orwell tinha previsto, em discursos nos quais as palavras significam o contrário do seu referente normal.

O navio, com novos homens ao leme, está todavia encalhado e as operações de desencalhe estão a ser dirigidas por quem nos tenta rebocar.
Cabe-nos não complicar o processo e preparar o navio para navegar por si mesmo, assim que saia dos baixios.

05 junho 2011

O que diz Nicolau Saião...


... num comentário ao este meu texto:

Estive para escrever um post. Mas para não dar trabalho ao director, escrevo um comentário, sublinhando que muito do que eu poderia dizer já ele o disse.E de uma maneira exemplar.
Ouvi o discurso de demissão e assumpção da derrota calamitosa de Sócrates. Coroada por frequentes aplausos, o que diz bem do estado, tanto de carácter como de ideologia, a que este partido desceu. Um espectáculo ignominioso de baixeza, de lambe-botiosmo e de falta de vergonha política mas também, é claro e reflectidamente, pessoal desses militantes.
Quanto a Sócrates, mostrou o seu rosto de manipulador, de hipócrita e de falso irmão. Ele, que desprezava claramente os cidadãos que lhe competia governar por bem, e que tripudiava sobre eles com a sua malbaratação e os seus estranhos conluios - que terão de ser convenientemente apurados - veio falar com voz doce e afivelando uma mansuetude e uma grandeza de propósitos que a realidade crua nos diz que nunca teve, que é só cinismo e de mau quilate.
Mas não é só ele que está apodrecido dum ponto de vista político. Também os consabidos áulicos que o rodearam e que ali, na derradeira jaculatória pindérica do líder exibiram os seus perfis de desconchavados governantes ou apoiantes da alta escala,mostraram que este PS é dominado por gente sem grandeza, sem ética humanizada e sem rumo. Desde o aparentemente senil Almeida Santos ao deslustrado Ferro Rodrigues, desde o fantasmal Alegre ao inenarrável Lacão, todos eles fizeram jus a esta coisa simples: vão-se embora quanto antes, desamparem-nos a loja!
Pois nenhum conseguiu ter a dignidade de dizer, (de confessar?) esta coisa simples e óbvia: o que os portugueses principalmente recusaram e exautoraram não foi a crise, por dura que seja: foi esse indivíduo que agora procura compaixão untuosamente, fazendo-se gentil e colaborativo.
Foi, em suma, tudo aquilo que vós representais - e que é tão desagradável como aquelas imendícies que em certos sítios se nos colam nos fundilhos quando nos sentamos em lixo inoportuno.
Não percebem que a vossa presença política, os vossos sinais, nos são odiosos?

Sócrates e a vergonha de um país


Sócrates, mais do que não ter sido reeleito, foi expulso pelo país, nele incluído os militantes socialistas que não recusaram a realidade, votando contra ou abstendo-se. No decorrer dos anos em que utilizou os recursos mais baixos a que um governante pode recorrer - dividir os governados, para maior impunidade da sua incompetência, ignorância e falta de estofo humano -, Portugal, do mesmo modo que com Salazar (émulo subconsciente do seu agir), atrasou-se décadas, até porque o analfabetismo que o Estado promoveu sob a sua batuta será um escolho de enormíssima dimensão. E o Partido Socialista, esse, sai quase moribundo, como acontece, inevitavelmente, a uma organização política que se deixa tomar por aventureiros.
Passos Coelho ganhou, iniciando uma nova forma de ser político em Portugal: dizendo o que julga ser verdade, mesmo que impopular; declarar o que pensa, mesmo que polémico e perigoso para a captação de votos; ser simples e cortês na postura e no modo de falar. Já não é mau. Do que virá a fazer, ver-se-á, como é evidente.
Paulo Portas foi premiado pelo rigor com que dirigiu os trabalhos, no partido e na Assembleia. O país gostou da coerência e da competência demonstradas. Do que fará agora, em mais do que previsível coligação com o PSD, é o que se verá também.
A esquerda perdeu. Hoje, não passa de (mau) folclore. E os portugueses cada vez mais se perguntam sobre quem é que paga as farras.
Acabei de ouvir na tv que parece confirmar-se a demissão de José Sócrates. E a sua demissão, pelo que a gerou e pelo que representa, envergonha o próprio país.
Volto amanhã.

03 junho 2011

Do estado a que o PS chegou


"Viana do Castelo, 02 jun (Lusa) -- O porta-voz do PS, Fernando Medina, fez hoje um discurso dedicado ao seu líder, dizendo que o país precisa da visão "clara" e "sem falhas" de José Sócrates, assim como do seu "amor" e "dedicação" a Portugal.
Fernando Medina, também cabeça de lista do PS por Viana do Castelo, falava antes da intervenção do secretário-geral deste partido, José Sócrates, num discurso interrompido por sucessivas falhas de som.
"Felizmente, camaradas, tivemos o nosso plano tecnológico a funcionar", disse, usando o humor, quando o sistema de som do comício foi reposto.
Na sua intervenção, o porta-voz socialista fez um discurso cerrado em defesa de José Sócrates.
"Estamos no meio de uma terrível tempestade no mundo, na Europa e em Portugal e infelizmente não podemos dizer que o pior já passou. Por isso, precisamos de José Sócrates como primeiro-ministro", começou por apontar Fernando Medina, antes de deixar uma dedicatória pessoal ao seu líder.
"Precisamos da tua ambição de progresso, de crescimento e de modernidade, precisamos da tua visão clara, sem falhas, na defesa do interesse nacional. Por fim, e mais importante do que tudo, precisamos do teu amor e dedicação sem reservas a Portugal e aos portugueses", declarou o secretário de Estado, dirigindo-se ao seu ainda primeiro-ministro.
Depois, Fernando Medina atacou a suposta ortodoxia das forças de "extrema-esquerda" numa alusão indireta à CDU e ao Bloco de Esquerda.
"Temos uma extrema-esquerda que não governa, não quer ajudar a resolver os problemas do país e a única coisa que lhe interessa é ter uma direita no poder para ser mais fácil combater", afirmou." (sublinhados meus)

30 maio 2011

Se o PEC IV não tivesse sido chumbado pela malandragem da Oposição...


... quão alta brilharia a excelsa governação socialista de José Sócrates e seus jardineiros à beira-mar empossados!

"Ataques ocorridos no Algarve estão a colocar em alerta os turistas do Reino Unido e Irlanda e a imprensa dos dois países.

As autoridades britânicas actualizaram esta segunda-feira os conselhos de viagem para quem pretenda vir de férias a Portugal, depois de um britânico de 50 anos ter sido violentamente atacado há duas semanas em Albufeira, acabando por morrer no hospital.

O ataque foi similar ao que visou outros dois turistas já este ano e especula-se que se possa tratar do mesmo gangue. O Daily Mirror diz que David Hoban, um irlandês de Dublin de 44 anos, foi esfaqueado na mesma zona de Albufeira, em Abril, mas sobreviveu. Dias antes, Darren Lackie, um soldado britânico de 22 anos, foi encontrado na rua com um golpe na cabeça e acabou por morrer.

"Estamos preocupados com a possibilidade de o número de ataques continuar a aumentar. É um assunto que estamos a acompanhar com grande atenção", diz o ministério dos Negócios Estrangeiros em Londres, citado pela AFP.

"Actualizámos os nossos conselhos de viagem, alertando os britânicos para a possibilidade de ataques violentos e para levarem a sério as nossas advertências", acrescenta o Executivo, adiantando ainda que está a fornecer assistência consular aos seus cidadãos."

E porque contra factos não há argumentos...


... o facto é que o FMI afirma que (recolhido aqui):

"Os persistentes problemas estruturais – nomeadamente a produtividade baixa, a falta de competitividade e a dívida elevada – prejudicaram gravemente o crescimento e deram origem a grandes desequilíbrios externos e orçamentais. No último ano, o governo tomou algumas medidas para controlar o défice orçamental e atenuar os estrangulamentos estruturais, mas o impacto dessas medidas não foi suficientemente profundo.


As melhorias na frente orçamental, registadas em 2010, foram apenas marginais e as acções correctivas foram adiadas, em parte como reflexo de um enquadramento orçamental frágil. Como resultado, o défice orçamental global apresentou apenas uma ligeira queda, de 10,1 por cento do PIB em 2009 para 9,1 por cento do PIB em 2010. Para além disso, a ambiciosa meta orçamental de 4,6 do PIB para 2011 também se revelou inatingível."

Comunicado à imprensa, Fundo Monetário Internacional - 20 de Maio de 2011


E, para mais, diz-se também aqui (o DN e o JN começaram já a mudar de navio):

28 maio 2011

"Novas Oportunidades - o embuste"

(foto obtida aqui)

Recebido por e-mail:


Boa noite

Começo por informar que não sou, nunca fui e não serei eleitor votante no PSD. Situo-me num espectro político-ideológico completamente diverso, portanto a razão do meu contacto não tem qualquer motivação partidária. Simplesmente acho que este assunto é demasiado sério para ser tratado apenas como uma guerra de palavras entre dois partidos candidatos ao governo.

Fui formador de informática durante 17 anos, actividade que deixei de exercer a tempo inteiro em Agosto passado, quando ingressei na Administração Pública, mas nos últimos anos tive a infeliz oportunidade de conhecer a realidade da formação nas Novas Oportunidades. “Infeliz” porque pude verificar que se trata de um completo embuste. Em 17 anos de actividade e com mais de 12.000 horas de formação ministrada, a única vez que tive vontade de abandonar um curso foi nas Novas Oportunidades.

De facto, o modo como estes cursos estão estruturados é mau demais para ser verdade, e quem não conheceu a situação no terreno nem imagina a tragédia que aquilo é. E é este o motivo que me leva a entrar em contacto convosco: para dar o testemunho de quem teve a desdita de ministrar cursos das Novas Oportunidades.

1. O primeiro foi num centro de emprego na região de Lisboa. Pretendia-se certificar os formandos com qualificação equivalente ao 6º ano, num curso qualificado como B2. Coube-me ministrar 100 horas de informática, onde se deveria incluir módulos de Word, Excel, PowerPoint e Internet. As dificuldades começaram logo na utilização do próprio computador, porque a formação de base da maioria dos 10 formandos era tão rudimentar que vários deles nem o seu próprio nome de utilizador e respectiva “password” conseguiram fixar durante aquelas 100 horas.

Começando com o módulo de Word, a avaliação foi quase desastrosa por vários motivos: os conhecimentos de português eram quase nulos em vários dos formandos; houve quem não conseguisse escrever sequer um parágrafo completo durante aquele tempo; havia quem conseguisse dar dois erros ortográficos na mesma palavra.

No módulo de Excel, as coisas foram piores, de tal forma que ao fim de 3 sessões desisti de continuar com aquele módulo. Era impossível fazê-los perceber como calcular esta coisa simples: se fossem à bomba de gasolina, abastecessem 25 litros e cada litro custasse 1,2 €, quanto gastariam? Este era o cálculo mais simples que se poderia executar numa folha de cálculo, mas primeiro era preciso que percebessem o raciocínio do cálculo. Impossível.

Só no PowerPoint e na Internet é que se conseguiu que a generalidade dos formandos fizessem algum trabalho visível. Mesmo assim, o panorama geral era francamente desolador. Cheguei a falar com os professores de português e matemática para perceber se aquela tragédia era mesmo o que parecia, o que me foi confirmado. Na altura a minha filha estava no 5º ano, e tinha mais conhecimentos que qualquer um deles.

Os problemas não se ficavam por aqui. Em termos pessoais as coisas ainda eram mais difíceis. Um dos formandos era alcoólico e trabalhava zero. Chegava às aulas alcoolizado e era incapaz de acompanhar qualquer assunto. Outro tinha estado preso por tráfico de droga. Outro era um jovem de 19 anos que se gostava de exibir nas aulas a dizer que era gay. Outra, com 55 anos, andava sempre atrelada a este e era ele que lhe fazia os testes, porque ela deixava de trabalhar quando ele estava próximo, enquanto nos intervalos aproveitavam para dar umas passas. Outra ainda dizia ser doente e faltava constantemente, chegava tarde e saía cedo porque tinha de apanhar o autocarro, e saía constantemente da sala para tomar comprimidos porque estava cheia de dores.

Como as minhas aulas eram quase sempre nos últimos dois tempos, das 18 às 20 horas, eles queriam sair mais cedo não havendo intervalo. Mas como eram os últimos tempos, antes iam jantar ao refeitório, donde resultava que por vezes entravam na sala às 18:30 e às 19:30 queriam ir-se embora. No meio de tudo, o que verdadeiramente os preocupava era quando iriam receber o subsídio…

No final de tudo aquilo, como profissional que leva o seu trabalho a sério, fiz um relatório de avaliação onde indiquei que 3 dos formandos não iriam ser aprovados porque não tinham os conhecimentos mínimos para tal. Perante isto fui contactado pela pessoa coordenadora do curso, que me pediu por favor para os passar, pois se não o fizesse eles não poderiam receber o diploma. Acedi contrariado mas elaborei uma informação a justificar o meu desacordo e senti que estava a colaborar numa farsa.

Posteriormente voltei ao mesmo centro de formação para frequentar uma acção de actualização do CAP (Certificado de Aptidão Profissional), onde a formadora era uma colega que também tinha sido formadora do mesmo curso. Informou-me que o tal formando alcoólico estava agora a frequentar outro curso das Novas Oportunidades para obter o 9º ano! Eu nem queria acreditar. O homem é quase analfabeto!

2. Depois desta tragédia, fui convidado por uma empresa de formação para ministrar um curso do mesmo género fora de Lisboa, neste caso para um nível equivalente ao 9º ano. Foram-me atribuídos dois módulos, introdução à informática e PowerPoint, em dias alternados. Fui eu que abri o curso, e durante 7 horas no primeiro dia estive a falar de conceitos gerais de informática e de utilização do computador, de arrumação de pastas e ficheiros.

Qual foi a minha surpresa quando verifiquei que no segundo dia iria outro formador dar Excel, no terceiro dia iria outra formadora dar Word e no quatro dia voltaria eu, para continuar a falar de pastas e ficheiros! Pensei para mim próprio: onde eu vim cair! Como é possível que um curso seja estruturado desta forma? Que lógica de aprendizagem é esta? Quem estabelece este calendário? Como se admite que num dia se fale de pastas e ficheiros e no dia seguinte se esteja a falar de folha de cálculo sem ainda se ter explicado no módulo inicial como se criam pastas?

E de quem é a responsabilidade desta amálgama? Quem propõe este calendário e quem o aprova? Será a empresa formadora que propõe, ou serão os responsáveis que, sentados num gabinete e sem qualquer noção do que é uma acção de formação, determinam que um formador não pode dar mais do que 7 horas seguidas na mesma turma, e por isso tem de se misturar módulos diferentes com formadores diferentes sem qualquer lógica nem critério?

3. Num terceiro caso, o objectivo já era certificar o 12º ano. Uma das participantes era também uma jovem com 19 anos a quem perguntei porque não ia fazer o 12º ano numa escola. Resposta: porque aqui é mais fácil.

Apesar de tudo estes eram mais empenhados, embora deixassem alguns comentários em tom incomodado como “o quê, temos de fazer uma avaliação?”

Mas o programa do curso… oh céus! Como é possível, como, elaborar programas como aqueles? Consulta-se o conteúdo programático dos vários módulos das UFCD (unidades de formação de curta duração), e vemos estas pérolas:

· Informática – evolução 25 horas

· Arquitectura de computadores 50 horas

· Gestão e organização da informação 25 horas

· Sistemas operativos 50 horas

· Sistemas operativos multitarefas 50 horas

· Sistemas operativos utilitários complementares 25 horas

Daria vontade de rir se não fosse trágico. Como é possível elaborar 3 módulos de sistemas operativos, a par com um de gestão de ficheiros , ter formadores a falar das mesmas coisas durante 50 horas em módulos supostamente diferentes? Pergunto eu: alguém faz ideia do que está a fazer quando elabora estes módulos?

Vale a pena consultar estes conteúdos:

http://www.catalogo.anq.gov.pt/UFCD/Detalhe/736

http://www.catalogo.anq.gov.pt/UFCD/Detalhe/737

http://www.catalogo.anq.gov.pt/UFCD/Detalhe/738

Alguém que perceba como é que se diferencia uns dos outros, e que justificação existe para fazer disto módulos de 50 horas. Quem são os crânios, sentados atrás duma secretária e sem ter qualquer noção do que é a formação, que determinam que os módulos têm todos de ser em múltiplos de 25 horas? E pedagogicamente, qual é a lógica subjacente? Se as aulas são normalmente de 3 horas ou 3 horas e meia, como se faz um calendário com pés e cabeça de modo a completar 25 horas? Não têm sequer a noção básica de que as durações deviam ser em múltiplos de 3? Quem é que é pago para conceber esta miséria?

E o que são os sistemas operativos utilitários complementares? São 25 horas para ensinar a utilizar um antivírus e compactar de descompactar ficheiros com um programa do tipo WinZip. 25 horas para isto? Era como se criassem um módulo para ensinar a atarraxar lâmpadas: explicava-se numa hora e depois ficava-se 24 horas e roscar e desenroscar a lâmpada…

É isto que resulta das Novas Oportunidades: andar a “certificar” analfabetos que na sua maioria não estão minimamente interessados em aprender o que quer que seja, querem sim ter um diploma que ateste que têm o 9º ou o 12º ano, mas que quando forem para o mercado de trabalho irão mostrar a sua total ignorância. Como me podem “obrigar” a passar pessoas como tendo competências informáticas quando nem um parágrafo conseguem escrever? E o meu nome fica associado a uma vigarice destas a troco de quê? Por que carga de água é que eu hei-de dizer que aquelas pessoas têm competências que não têm?

De facto, seria bom que alguém fizesse uma auditoria (mas a sério, não a fingir) à seriedade das Novas Oportunidades. Pessoalmente considero, mais que um embuste, um roubo que se está a fazer aos portugueses apenas para mascarar estatísticas com pseudo-qualificações que, objectivamente, as pessoas não têm.

No fim da minha colaboração com este programa, para além da frustração perante a inutilidade daquilo que estive a fazer, sobreveio principalmente uma enorme indignação por verificar que estava a assistir a um desbaratar de recursos de forma totalmente inútil e da qual não advém qualquer mais-valia para o país.

Estou à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais que considerem necessários. Acrescento que uma cópia deste e-mail vai ser enviada para todos os grupos parlamentares, uma vez que vi a notícia de que o assunto vai ser discutido no parlamento. Espero que o meu testemunho ajude a esclarecer os espíritos.

Com os melhores cumprimentos

Mário Feliciano

Notícias da mais velha aliança do pós - 25 de Abril



O mundo do futebol e o do PS.

22 maio 2011

Uns e outros


Estes, todos os vimos sentados à mesa, a comer, pelos telejornais; os outros, a ser verdade, terão, naturalmente, passado despercebidos (embora parecesse haver por ali um número suspeito, por excesso, de africanos). Mas, pelos contactos que, anos atrás, tive com a embaixada de Moçambique...

Nota às 23:00h - Afinal, como pôde verificar-se (pelo menos) na reportagem da TVI24, no que diz respeito a moçambicanos bem como a gente de outras nacionalidades que não só dos PALOP's, o partido do sr. Pinto de Sousa desembolsou à grande (eram 5 autocarros!) no contrato a figurantes a troco de almoços, lanches e sabe-se lá mais o quê. E não só estrangeiros! Havia velhas portuguesas de ambos os sexos a cacarejar e dar murros na mesa durante as entrevistas, entusiasmadas com a festarola, que "isto é de graça e a gente tem que aproveitar!". Pudor e vergonha são coisas invisíveis no novo "partido das paredes de vidro". Aliás, dos figurões que chamaram a comunicação social para cerimónias oficiais de entrega de computadores nas escolas em que utilizaram figurantes como alunos, esperava-se o quê? Escrúpulos?

Este é o caso...


... em que uma imagem vale mais do que mil palavras (clicar aqui).

21 maio 2011

Aos "da cor", aos oportunistas e aos imbecis de todos os quadrantes...

Belskiy Bogdanov, Cálculo mental na escola pública de Rachinskiy

... que defendem e elogiam o sr. Pinto de Sousa por esse crime de lesa-pátria que se chama Novas Oportunidades, bastar-lhes-á este exemplo daquilo em que se tornou o próprio ensino público "normal"?
Saberão também ainda que as Provas de Aferição de Português e de Matemática do 1º Ciclo do Ensino Básico deste ano foram as mais fáceis de sempre?
E, já agora, leiam também isto.

20 maio 2011

O factor oculto


Passos Coelho terá, muito provavelmente, ganho o debate com o sr. engº Sócrates. Em primeiro lugar, porque construiu uma barreira reflectora à vozearia da cassete do actual primeiro-ministro, não deixando que a atenção do espectador passasse para segundo plano as consequências da acção do governo. Em segundo lugar, porque desfez sucessivamente as mistificações que Sócrates procurou fazer em relação a conteúdos presentes no programa do PSD, reforçando, deste modo, a ideia de que, bom ou mau, existe neste uma linha definida e novas soluções, que se contrapõem às permanentes contradições e deriva a que o PS submeteu o país. Em terceiro lugar, porque foi de uma aparente e veemente autenticidade que o fez surgir como pessoa, em contraposição à qual o primeiro-ministro se assemelhava a um agressivo fantoche falante.
Mas, apesar de tudo isso, talvez José Sócrates tivesse, ainda assim, ganho o debate se, no subconsciente de quem o ouvia, não ecoasse em surdina o estribilho que avassalou, como nunca antes, Portugal no decorrer destes seis anos: "Mentiroooso, mentiroooso, mentiroso, men-ti-rooo-so!". Porque, contra factos, não há argumentos.

19 maio 2011