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26 outubro 2010

Islamismo, Ocidente e Liberdade - 3

A propósito dos dois posts anteriores, deixo mais este texto que Nicolau Saião me enviou, dias atrás:

Estudo da Fundação Friedrich Ebert

Xenofobia e anti-islamismo em crescendo “muito significativo” na Alemanha http://www.publico.pt/includes/img/vazio.gif

A atitude negativa na Alemanha em relação aos cidadãos estrangeiros a residirem no país aumentou drasticamente, com um terço dos alemães a defenderem a repatriação e mais de metade (58,4 por cento) a manifestarem-se favoráveis a restrições à prática do islão.

Estas tendências, reveladas no estudo “Crise na Alemanha Média”, publicado ontem pela Fundação Friedrich Ebert (com ligações ao Partido Social Democrata, na oposição), passam ainda por 55,4 por cento dos inquiridos a dizerem “compreender que os árabes sejam vistos por algumas pessoas como sendo desagradáveis”. In PÚBLICO

Nota do autor do post - No final, o estudo acha mal esta reacção dos cidadãos alemães. Claro…

Mas, meus caros concidadãos

O truque, ei-lo!

Este estudo é transparente. Basta sabermos ler com alguma argúcia. Ele diz que cresce, e cito, o anti-islamismo. E eu diria: e daí? Não se pode ser anti-islamita? Mesmo que seja pelas melhores e mais justas razões?

Porque, vejamos, se o anti-islamismo cresce, isso é devido aos anticorpos que o fanatismo islâmico, ora brutal ora habilidoso e falsamente "moderado", está a despertar. E isso, o estudo branqueia discretamente, preferindo dizer que se deve a causas económicas.

Trata-se de um truque. Pró-islamita. Simplesmente. O cerne da questão assenta, digamo-lo sem medo das palavras, nisto: o desejo do Islão de domínio mundial. E nem o ocultam já. Mas certo Ocidente acha bem, desde que seja sem violência...

E temos de dizer sem medo: com ou sem violência, não queremos isso. Aqui é que bate o ponto.

Viva a liberdade e a Democracia, em todo o lado!

ns

Islamismo, Ocidente e Liberdade - 2


No PÚBLICO de 19 de Outubro:

«Um cartoon que mostra a família real dinamarquesa a participar numa orgia levou ao cancelamento da exposição dos seus autores, o duo composto por Jan Egesborg e Pia Bertelsen, do colectivo de artistas dinamarqueses Surrend. Cinco anos depois da controvérsia dos cartoons de Maomé, os artistas queixam-se de censura. “A Dinamarca pretende incentivar a liberdade de expressão e defendeu a publicação de um cartoon que atingiu milhões de muçulmanos, mas quando se trata da sua realeza a história é diferente”, disse Egesborg.

Segundo Thomas Bloch Ravn, director do museu Den Gamle By em Aarhus (Dinamarca) onde estava a exposição, estes cartoonistas “só querem chamar atenção” e por isso não pode “confiar neles”, justificando assim ao "The Art Newspaper" porque pôr fim à exposição.

“Nós concordámos com a exposição retrospectiva dos seus trabalhos, mas quando o grupo Surrend anunciou que tinha um trabalho inédito retratando a família real dinamarquesa numa cena pornográfica, isso foi contra o acordo”, acrescentou o responsável pelo museu.

Para os artistas, o cancelamento da exposição é “um caso claro de censura”. Egesborg, co-fundador do grupo Surrend, declarou à AFP que “não existe liberdade de expressão, excepto quando se trata de ridicularizar uma minoria muçulmana”, relembrando o caso do cartoon de Maomé que em 2005 foi publicado num jornal dinamarquês e criou uma forte polémica à escala mundial em que se debateram os limites da liberdade de expressão envolvendo a comunidade muçulmana - o Corão condena a idolatria e por isso são rejeitadas representações pictóricas do profeta Maomé.

Por seu turno, Ravn negou a acusação de censura: “Da mesma forma que um editor decide o que é publicado num jornal, o responsável do museu tem a última palavra em relação aos trabalhos de uma exposição. Eles são livres de publicar o trabalho onde quiserem”.

Esta não é a primeira vez que o colectivo Surrend satiriza a família real: o grupo já exibiu cartazes da família real decapitada ao lado de uma guilhotina.»

Recordemos agora, para melhor compreensão da situação e da argumentação de ambas as partes, o seguinte:

- Que, na Dinamarca, de cada vez que se regista o falecimento de um rei ou rainha, o Parlamento deverá pronunciar-se sobre a continuidade do sistema monárquico ou a sua substituição pelo sistema republicano;

- Que, pelo menos nos séculos XX e XXI, a casa real dinamarquesa tem constituído um exemplo quanto à defesa da democracia, tendo ficado para a História a posição que tomou face à invasão nazi e à defesa dos judeus perseguidos;

- Que a família real dinamarquesa tem sido igualmente uma referência quanto à sensatez, tanto no que diz respeito à sua vida pública como à institucional.

Posto isto, colocar em pé de igualdade as caricaturas de Westergaard sobre a relação entre terrorismo e islamismo com as do grupo Surrend, achincalhando a família real da Dinamarca, é o mesmo que pôr em pé de igualdade o discurso de alguém que produz um conjunto de considerações e de alertas sobre um perigo iminente e o de um grupelho de rapazolas que decidem, para se divertirem, ir para a frente da casa de alguém, atirar-lhes pedras à janela e gritarem infantilidades tolas sobre a sua vida privada. E, pior ainda, confundir isto com liberdade de expressão. Artística, ainda por cima.

Porque aceitar confundir arte e liberdade de expressão com a mediocridade oportunista mais reles não é um acidente. É um sintoma de uma ilucidez profunda e letal que tende, cada vez mais, a forçar-nos a regressar à barbárie e à mesmo à auto-destruição. É o sintoma maior daquela degradação de alma dos versos da Mensagem, de Fernando Pessoa (de quem está esquecido, aliás, um extraordinário texto sobre este tema): "Ninguém sabe que coisa quer/ninguém conhece que alma tem/nem o que é mal nem o que é bem/(...)".

Ao que eu diria, como ele diz no final do poema: "É a Hora!"

Islamismo, Ocidente e Liberdade - 1

Entrevista a Kurt Westergaard, conduzida por Natália Faria, no PÚBLICO de 3 de Outubro.

Cinco anos depois de o seu cartoon que mostrava um Maomé com um turbante em forma de bomba ter desencadeado a ira do mundo muçulmano, o dinamarquês Kurt Westergaard veio ontem a Portugal falar sobre Identidade, Liberdade e Violência, no X Simpósio de Santa Maria da Feira, dirigido por Renzo Barsotti, responsável do Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua. Apesar de continuar rodeado de seguranças, o cartoonista mantém que o diálogo é a única arma contra o fundamentalismo islâmico.

Vai publicar em Novembro um livro de memórias que replica o cartoon em Maomé surge com uma bomba no turbante pronta a explodir. Não tem medo de novas ameaças?

É um livro sobre a minha vida, que, aliás, não teve nada de muito extraordinário, exceptuando os últimos cinco anos. Quanto às ameaças, uma pessoa habitua-se. E penso que, em relação a isso, tenho uma vantagem: sou um homem velho. Quanto mais velhos, mais corajosos nos tornamos, porque aquilo que arriscamos, diminui. Aos 75 anos, a minha perspectiva de vida é muito limitada.

Estava a pensar no risco de haver mortes de inocentes num cenário de eventual reedição de protestos. Alguns supermercados e livrarias já se recusaram a pôr o livro à venda…

Há esse risco, claro, mas, sabe, não fui eu que iniciei esta confusão, foram os terroristas. Não penso que possa ser responsabilizado por nada disto, porque eu limitei-me a trabalhar de acordo com as tradições do meu país, que entende a liberdade de expressão.

O que é que mudou na Europa nos últimos cinco anos, em questões como a tolerância e a liberdade de expressão?

Penso que a Europa está diferente e iniciou, entretanto, um processo que era necessário e que é o de discutir qual deve ser o papel da religião nas sociedades modernas e seculares como as que vivemos. Se olharmos para isto de um ponto de vista dramático, atravessamos um momento de colisão entre duas culturas; numa óptica mais moderada, podemos falar de fricção entre duas culturas. Não penso que possamos fugir a este confronto, temos é que encará-lo com atenção, diálogo e uma atitude pacífica.

Na sua opinião, onde é que a religião se encaixa nas sociedades modernas?

Na Dinamarca, eu vivo naquilo a que se chama um estado secular, sem religião como elemento de política, e penso que os nossos cidadãos muçulmanos têm forçosamente que aprender a respeitar isso. os muçulmanos chegaram ao nosso país sem nada e nós demos-lhes tudo: casa, dinheiro, educação, e note que a educação na Dinamarca é gratuita e cada estudante recebe do Estado qualquer coisa como dois mil euros por mês. Ou seja, a Dinamarca é um estado social que não aceita que as pessoas sejam pobres ou maltratadas. Portanto, nós tratamos os novos cidadãos muito bem e o que exigimos em troca é respeito pelas nossas normas e tradições.

Mesmo na Dinamarca, o Danks Folkeparti tornou-se na terceira força política do país. Como encara a ascensão da extrema-direita em sociedades ricas como a dinamarquesa, mas também sueca ou holandesa?

Na Dinamarca, temos alguns problemas com os jovens imigrantes muçulmanos, que estão a formar gangues nos subúrbios e a transformar bairros em guetos onde um cidadão vulgar tem medo de entrar. Os muçulmanos têm realmente dificuldade em aceitar os estados secularizados, e isto cria alguma tensão que leva a que o dinamarquês comum viva assustado.

Mas os sinais de intolerância estão por toda a Europa. Estou a pensar na deportação dos ciganos em França.

Os partidos da extrema-direita estão a crescer em toda a Europa, mais uma vez porque as pessoas andam assustadas em toda a parte. Maioritariamente sem razão, porque penso que o nosso sistema - democrático, secular e capitalista - é invencível.

Acha?

Sou tão velho que já experienciei o nazismo, o fascismo, o comunismo e agora este maldito islamismo. Todos estes ismos traduzem fanatismo e, quando se é fanático, vive-se uma vida sem dúvida. Ora, eu penso que a dúvida é o sentimento mais construtivo que nós podemos ter.

A Europa deve fechar as suas portas aos imigrantes?

Sim, ou, pelo menos, tem que ser mais cuidadosa. Claro que há milhões de pessoas que vivem em países em muito más condições, mas a verdade é que não podemos ajudar o mundo todo nem impor a nossa cultura a pessoas que a rejeitam. Por isso digo que fizemos uma coisa muito estúpida, e agimos como imperialistas culturais, quando iniciámos uma intervenção no Afeganistão. Eu acredito que as religiões totalitárias estão condenadas e vão desaparecer, mesmo que leve muitos anos. Até lá, não devemos sacrificar jovens vidas europeias nesta guerra, que é, na verdade, uma guerra contra a cultura muçulmana.

E quanto aos 20 milhões de muçulmanos que vivem dentro das fronteiras europeias?

Devemos tentar fazer tudo o que pudermos para os integrar, mas, para isso, eles têm que respeitar também as nossas normas. Temos que ser pacientes e lembrar que, na Dinamarca, um muçulmano pode estabelecer-se e estabelecer a sua própria escola muçulmana e que o Estado até o apoia nisso, como apoia o direito de toda a gente ter uma religião, desde que essa religião não comporte normas inaceitáveis para a sociedade. Penso que o desafio é transformar o islamismo clássico num islamismo light, que deixe de lado todos os fundamentalismos como os relacionados com a homossexualidade ou com a secundarização do papel da mulher. O problema do Islão é que se transformou numa ideologia política.

14 outubro 2010

As teias da estratégia

No Diário Digital

Presidente do Irão visitou fronteira com Israel

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, esteve esta quinta-feira face ao seu arqui-inimigo Israel, dizendo a milhares de apoiantes do Hezbollah, numa cidade fronteiriça libanesa, que estava orgulhoso da sua luta, enquanto helicópteros israelitas voavam nas imediações.

Os EUA e Israel consideraram a visita de Ahmadinejad à fronteira israelo-libanesa uma provocação que mina a soberania libanesa.

O Irão, cujos laços com o Hezbollah têm cerca de 30 anos, financia o grupo xiita em milhões de dólares por ano e é suspeito de fornecer muito do seu arsenal do movimento radical.

O Hezbollah goza de um apoio generalizado entre os xiitas e gere virtualmente um Estado-dentro-do-Estado nas áreas xiitas do Líbano.

"Vocês provaram que a vossa resistência, a vossa paciência, a vossa firmeza, eram maiores do que todos os carros de combate e aviões do inimigo", disse Ahmadinejad num comício em Bint Jbeil, situada a cerca de quatro quilómetros da fronteira.

"O povo do Irão permanecerá ao vosso lado, bem como todo o povo da região", acrescentou.

A cidade de Bint Jbeil tem um significado especial no Líbano, tanto por ter sido uma das áreas mais atingidas na guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, como por o Irão ter financiado significativamente a sua reconstrução, como ainda por ter sido nela que o líder do Hezbollah fez um discurso de vitória, depois da retirada israelita do sul do Líbano, em 2000, ao fim de duas décadas.

No seu discurso em Bint Jbeil, o líder dos xiitas disse que Israel era "mais fraco do que uma teia de aranha" -- uma frase que ainda hoje adorna uma parede do estádio, a par de fotografias de soldados israelitas a chorar.

Bint Jbeil é considerada "a capital da resistência", porque foi um centro da acção da guerrilha do Hezbollah contra Israel durante a ocupação.

O líder iraniano também visitou a cidade de Qana, onde um ataque aéreo israelita, em 2006, matou dezenas de habitantes, depois de já em 1996 ter aí morto 100 civis libaneses.

A visita de Ahmadinejad sublinha o enfraquecimento das posições pró-ocidentais no Líbano.

De forma mais geral, sugere mesmo que a concorrência pela influência sobre o Líbano pode estar a ser ganha pelo Irão persa, e o seu aliado Síria, e perdida pelos EUA e os seus aliados árabes Egipto e Arábia Saudita.

A coligação governamental de partidos apoiados pelo Ocidente já avisou que Ahmadinejad quer transformar o Líbano numa "base iraniana no Mediterrâneo".

O porta-voz do governo israelita, Mark Regev, afirmou que "a dominação iraniana do Líbano, através do Hezbollah, destruiu qualquer hipótese de paz, transformou o Líbano num satélite iraniano e fez do Líbano um centro importante para o terror e a instabilidade regional".

08 outubro 2010

Notícias da Holanda e da Europa


Ainda segundo o PÚBLICO do passado domingo, na mesma página 15 de onde retirei a notícia que esteve origem do texto que ontem aqui publiquei, finalizando uma outra, cujo cabeçalho é "Democratas-cristãos holandeses dão luz verde ao novo Governo", pode ler-se:

«A medida mais popular do programa de governo da nova coligação é o investimento de 1000 milhões de euros em cuidados para idosos, seguindo-se o fim do abono de família para quem tem filhos a viver fora da Europa e o reforço da polícia com 2500 agentes.

Outras medidas que estão a ser bem recebidas são a introdução de uma pena mínima para crimes graves, a retirada da nacionalidade holandesa aos imigrantes que cometem crimes graves e a instauração cidadania temporária de cinco anos para quem se queira naturalizar holandês. De acordo com o programa deste Governo apoiado por Wilders, será proibida a burqa».

O partido de Wilders, Partido da Liberdade, tem registado constantes subidas nas sondagens por se assumir como anti-islamista. A pátria da liberdade de pensamento em que a Holanda se tornou a partir do século XVII; o país que serviu de refúgio político a tantos daqueles de que hoje a Europa se orgulha pelo património cultural, filosófico e científico que nos legaram; a terra da tolerância religiosa que acolheu os judeus ibéricos, expulsos pelos reis católicos de Espanha e por D. Manuel I, de Portugal; a cultura que permitiu desenvolverem-se no seu interior as culturas alternativas e as contra-culturas que fertilizaram, ao espalharem-se por todo o mundo, as mudanças que, a esse nível, quase todo o planeta experimentou a partir dos anos 60 do século XX, alterando a nossa forma de estar na vida - esse laboratório social europeu com quatro séculos de actividade, pelos vistos, fartou-se. Fartou-se e, em nome da continuidade da sua identidade de cultura aberta, começa a fechar-se às culturas fascizantes e obscurantistas que dizem agir em nome da defesa dos princípios de uma religião, bem ao parasitismo descarado e à violência intimidatória que, disfarçada de emigração, chega à Europa, vinda de todos os lados.

Não foi o humanismo europeu, de que todos nos devemos orgulhar, quem provocou esta triste situação. Foram o humanismo apatetado, em ligação com o oportunismo político, os responsáveis por este estado de coisas. Saibamos reagir a tempo de não vermos, por necessidade, a Europa transformada, a breve trecho, numa fortaleza e nós, de novo, dentro dela, como os nossos antepassados de há mil anos atrás.

03 setembro 2010

Ainda a propósito de uma cerimónia muçulmana

Zawahiri e Bin Laden

José Gonsalo inseriu, no Fiel Inimigo, o vídeo Cerimónia em Viena, a partir do post que eu publicara no dia anterior. Hoje, é a minha vez de transcrever aqui um texto seu, resultante de uma reflexão motivada por um comentário a esse mesmo vídeo (clicar aqui, para ver o post e aqui, para ver os comentários ao vídeo).

A Jihad inicia-se após a Hégira, em 625 d.C., e traduz-se, para começar, na conquista pelos exércitos islâmicos, sob comando árabe, do Médio Oriente e do Norte de África. Oitenta e seis anos depois, em 711 d.C., esses exércitos entram na Península Ibérica, dominando-a, na sua quase totalidade, no decurso das duas décadas seguintes, sendo a sua passagem para além dos Pirinéus travada, já em solo Franco, na batalha de Poitiers, em 732 d.C.. Todo este processo, realizado a ferro e fogo dura, pois, cento e sete anos.

Só em 1095, passados mais de três séculos e meio, é que terá lugar a primeira Cruzada, com o intuito de devolver à cristandade o acesso aos lugares santos do Cristianismo, entretanto usurpados pelo Islamismo tanto a cristãos como a judeus. A última delas, a quinta, durará quatro anos, entre 1217 e 1221, e o que resultará do conjunto de todas elas, nesse intervalo de cento e vinte e seis anos, não será sequer o domínio europeu da zona, quanto mais a reconquista da área da África do Norte, toda ela cristã antes da imposição, por via armada, do Islão.

A conquista islâmica dos territórios norte-africanos e europeus nada tem a ver com a devolução do que quer que fosse a que os árabes tivessem direito. Nem mesmo podem alegar, para tal, qualquer ameaça vinda da Europa da época. Os europeus, bárbaros em emergência, ocupados em guerras que definissem os seus novos territórios, decorrentes da derrocada do Império Romano do Ocidente, tinham mais em que pensar do que no Médio Oriente. Os exércitos islâmicos assenhorearam-se, em nome da salvação pela verdadeira religião ou a pretexto dela, do que não era seu. Só não se apoderaram do que, por fim, não lhe permitiram e foi preciso rechaçá-los, numa luta que, no caso ibérico, durou até 1492, isto é, em contas redondas, oito séculos.

Perdidas as veleidades de se tornarem numa outra versão da antiga Roma imperial, unificada, política e administrativamente, pelos princípios do Alcorão, procuraram sufocar a Europa através do impedimento à livre circulação de bens e de ideias existente, desde a Antiguidade, entre o Ocidente e o Oriente, nomeadamente entre a Europa e a Índia, base da fertilidade das civilizações grega e romana e de todas as restantes que se haviam desenvolvido em torno do Mediterrâneo. O seu declínio, comercial e militar, começou, de vez, com a chegada dos portugueses a Calecut e, posteriormente, com o aparecimento e o estabelecimento de holandeses, franceses e ingleses por todo o Oriente.

A partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, acentuou-se cada vez mais a decadência de uma civilização em que o saber se tornou prisioneiro das cadeias de uma teologia incomparavelmente mais limitadora do que o Cristianismo alguma vez fora. O desenvolvimento dos conhecimentos técnico-científicos transportou o Ocidente para o plano de uma outra humanidade, enquanto os árabes, excepção feita aos tradicionais tiranetes assassinos com poder de compra que os dominavam, estiolaram entre o cavalo, o camelo e o burro, presos de impérios orientais que se faziam e desfaziam como sempre aconteceu desde há três milénios. Até que, por fim, inevitavelmente, sobretudo a partir do último quartel do século XIX e até ao final da II Guerra Mundial, surgiram os ingleses e os franceses. Era o fracasso final do povo eleito, o povo guiado pela palavra do único Deus, Allah, revelada ao terceiro e, determinadamente, o último dos profetas, Muhammad. O fracasso da tarefa que se propusera a si próprio e em que assentara a sua identidade. Ou reagia, ou estaria condenado para toda Eternidade.

Ao contrário do que é dito no Evangelho, onde a vingança é sinónimo de degradação espiritual, o Alcorão entende-a como legítima sem, no entanto, a definir (o que levanta muitas e interessantes questões). Porém, a vingança, perspecyivada por uma cultura como a árabe, repressiva e agressiva, na qual a dissimulação e hipocrisia são confundidas com uma das quatro virtudes cardeais tradicionais, a Prudência, torna-se no conceito que alimenta, fundamentando-o, um ressentimento venenoso. Esse ressentimento assumirá, assim, para que o povo de Deus não perca a face perante o Criador e alcance o Paraíso, a seguinte forma teológica: os Ocidentais têm por eles as forças do Mal, perdemos esta batalha, mas a força de Allah, que está desde sempre em nós, alcançá-los-á, no final; teremos que o derrotar definitivamente, aos impuros, vencendo-os-os e submetendo-os às leis do Alcorão. A nossa vingança é a vingança de Allah. Utilizaremos os seus conhecimentos contra eles, as forças do Mal virar-se-ão contra ele próprio e assim será destruído.

Este não é, evidentemente, o espírito de todos, senão de uns quantos, que, no entanto, são a parte verdadeiramente activa, como se tem visto. Os restantes oscilam entre um islamismo passivo, mais ou menos consciente de si mesmo, que demonstra esse ressentimento através da resistência “cultural”, encerrando-se, no estrangeiro, em comunidades fechadas e, no seu próprio país, na lei islâmica como fundamento das leis nacionais; e, evidentemente, o islamismo-da-boca-prafora, como plano de defesa de interesses mais ou menos instituídos e confessáveis (no que, aliás, são semelhantes a inúmeros exemplares do mesmo tipo, espalhados pelo planeta, residentes em diferentes religiões e ideologias).

Dizer, pois, como o faz, no seu comentário, um anónimo, que a Jihad constitui o reverso da medalha das Cruzadas, indicia pura ignorância ou cartilha política de conveniência ideológico-partidária, acriticamente papagueada. Porque, atendendo ao que se passou, só a afirmação oposta poderia fazer sentido. As Cruzadas e os Cruzados não foram mais do que a resposta tardia a algo que cujo começo foi da iniciativa e da responsabilidade dos árabes e do “seu” Islão. Dos crimes e das crueldades, ninguém ficaria impune num julgamento imparcial. Trazê-las à baila como argumento revela, da parte dos seus dirigentes, as sinuosidades propagandísticas dos seus planos. Com efeito, se a moral tivesse a ver alguma coisa com os factos que a humanidade produz como história sua, os árabes deveriam, por este motivo, manter-se num silêncio envergonhado, com tanto maior razão para tal quanto a política do punhal fratricida que, desde sempre, inclusive no seu apogeu, grassou entre eles, não desapareceu ou sequer se atenuou.

30 agosto 2010

Efeito "bola de neve"

Agora que voltei e fiquei a saber que a sra. Ministra da Educação decidiu arrasar de vez com o que restava do ensino nocturno, acabando com o ensino secundário por módulos capitalizáveis, aqui deixo algo, cuja autoria desconheço, que me foi enviado por email.

11 maio 2010

Mas, antes, ainda esta...

... que alguém deixou, ontem, numa caixa de comentários do Fiel Inimigo.

07 março 2010

18 fevereiro 2010

Toca a acordar!


É que, convençam-se, há mesmo candidatos a papão que existem fora dos sonhos e das histórias que nos dão sono, a crianças e adultos... (leiam ainda alguns dos comentários, que acrescentam mais episódios).
NOTA: Desconheço a razão pela qual o serviço de moderação de comentários decide, de vez em quando, entrar em autogestão, fazendo "vista grossa" a alguns deles. Aconteceu alguns posts atrás, como eu próprio assinalei na caixa correspondente e aconteceu também com um segundo comentário ao post anterior, que, por mais que eu tente, não "cola". Estou a tentar perceber o que se passa.

28 outubro 2009

Da sagrada revolução


No Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, em vista e louvor do povo da Cidade de Deus, mata-se... o povo. É um favor que os guerrilheiros de Allah fazem aos eleitos, enviando-Lhe, desde já, os inocentes e, pelo meio, um ou outro renegado, com quem Ele se irá entretendo, dando-lhe, certamente, o devido tratamento.
Para sofrerem, estão cá os Seus humildes servos, servindo a Deus liquidando os Seus inimigos...
Escusa Ele de ter uma trabalheira a julgá-los no final dos tempos e, quem sabe, até!, correr o risco de se esquecer de algum.
Aproveite-se, além disso, enquanto Saramago olha para a pandilha de Roma...

18 janeiro 2009

À atenção de José Sócrates e de Cavaco Silva


Segundo o semanário SOL e de acordo com o que o ouvimos dizer na televisão:
«Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pôde voltar à vida que tinha antes de 11 de Setembro, mas eu nunca pude» , afirmou o presidente. «Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo».
Bush citou medidas na área de segurança que adoptou nos dois mandatos como presidente, como a criação do Departamento de Segurança Interna, a introdução de «novas ferramentas» para vigiar «terroristas», e as invasões do Afeganistão e do Iraque.
Segundo Bush, «pode haver um debate legítimo sobre muitas destas decisões, mas não sobre os resultados».
«Passaram mais de sete anos sem outro ataque terrorista no nosso solo» .
«O Afeganistão passou de uma nação onde os Talibãs abrigavam a (rede extremista) Al-Qaeda e apedrejavam mulheres nas ruas para uma jovem democracia que combate o terror e encoraja as jovens mulheres a irem à escola» .
«O Iraque foi de uma ditadura brutal e inimigo declarado dos Estados Unidos para uma democracia árabe no coração do Médio Oriente e um amigo dos Estados Unidos» .
Mas Bush advertiu que a ameaça de ataque aos americanos persiste: «Precisamos de manter a nossa determinação. E nunca podemos baixar a guarda».
O presidente afirmou que, assim como predecessores, enfrentou ‘revezes’, e que «há coisas que fazia de forma diferente se tivesse oportunidade». Mas que sempre agiu «tendo em mente o interesse do país».
«Segui a minha consciência e fiz o que achei ser o correcto» , afirmou.

07 junho 2008

O trabalho não me deixa...

William Blake, Hecaté

... mandar os meus bitaites. Por isso, deixo aqui dois textos que resumem parte do meu ponto de vista sobre o tema.
Até já.
As tradições reclamam um direito ao renascimento e esse direito é caro à consciência europeia, na medida em que esta reconhece o antigo como fonte de modernidade. Os povos descolonizados souberam provocar o renascimento da sua tradição voltando a encontrar o seu ponto cardeal, o seu Oriente (“orientar” significa, etimologicamente, implantar um edifício na direcção do oriente). Foi deste modo que apareceram os conceitos de negritude, arabismo, judaísmo, islamismo, etc., que, recordo, exemplificam paradoxalmente a própria filosofia das Luzes, no seu princípio do direito a governar-se a si próprio. Há, portanto, uma ambivalência neste radicalismo, uma vez que ele é simultaneamente identificação ao outro e distanciação em relação à Europa.
O despertar das tradições desnaturou-se, porque os direitos da tradição são muitas vezes utilizados, nos países descolonizados, não para fins de igualdade e liberdade, mas de submissão, de obediência e de medo. Esquecemo-nos, com demasiada frequência, de dizer que o islamismo armado fez muito mais vítimas nos próprios países muçulmanos do que nos cristãos (contam-se mais de 100.000 mortos na Argélia). Conclui-se que o pertencer a uma mesma cultura ou a uma mesma religião não é uma garantia de tolerância ou de felicidade política. Porque não é a ligação cultural que faz a ligação política, mas a ligação civil.
Outro aspecto que torna desumanos os direitos culturais é o facto de a condição cultural árabe, judaica, muçulmana, corsa, basca sérvia, ocidental, etc., os colocarem acima da condição humana. É aqui que a ilusão cultural provoca os maiores estragos: quando acreditamos que somos humanos apenas por termos uma cultura e não por natureza, sempre que encerramos a dignidade do homem na sua origem étnica, religiosa, nacional ou imperial. Deixamos então de entender a expressão “cultura” como um aperfeiçoamento livre de nós próprios, mas como uma entrega de consciência a um princípio determinista. (…)
Em terceiro lugar, os direitos da tradição pecam precisamente por julgarem combater a modernidade, juntando-se àquilo que ela tem de pior, a difusão maciça de novas idolatrias que a técnica torna prodigiosas. O fanatismo é um valor seguro para os media, de que é sabido usurparem os direitos do pensamento. Se definirmos, acompanhando Condorcet, o obscurantismo como a “tirania que a astúcia exerce sobre a ignorância”, existe um obscurantismo próprio da comunicação que se constitui em dirigente do espírito humano. A comunicação, embora sendo o primeiro utensílio de informação do mundo, é o último em termos de inteligibilidade. Explora-se a ilusão da expressão, mas não a faculdade de nos compreendermos. A comunicação aumenta o ininteligível, quando a primeira missão de uma cultura suportável é a de tornar o mundo inteligível, ou seja, para retomarmos o título de um opúsculo de Kant, tornar o homem capaz de “se orientar no pensamento”. A desorientação, funcionando na comunicação, traduz-se num reforço cultural reduzido às paixões da opinião. O objecto religioso torna-se, indiferentemente, em objecto publicitário e o objecto publicitário em objecto religioso. A intolerância é sempre mais bem servida pela arma que a deveria vencer.


Helé Beji, "A Cultura do Inumano", in J. Bindé, Para Onde Vão os Valores, 2004

Envergonhados pelo domínio durante tempo exercido sobre os povos do Terceiro Mundo, juramos não mais recomeçar e - resolução inaugural - decidimos poupar-lhes os rigores da liberdade à europeia. Com medo de exercer violência sobre os imigrados, confundimo-los com a libré que a História lhes talhou. Para lhes permitir viver como lhes agrada, recusamo-nos a protegê-los contra os delitos ou os abusos eventuais da tradição de onde emanam. Com o fim de atenuar a brutalidade do desenraizamento, voltamos a colocá-los, de pés e mãos atados, à disposição da sua comunidade e conseguimos assim limitar aos homens do Ocidente a esfera de aplicação dos direitos do homem, embora acreditando alargar esses direitos, ao ponto de introduzir a faculdade deixada a cada um de viver na sua cultura.
Nascido do combate pela emancipação dos povos, o relativismo desemboca no elogio da servidão. Quer isto dizer que é preciso voltar às velhas receitas assimilacionistas e separar novos recém-chegados da sua religião ou da sua comunidade étnica? A dissolução de qualquer consciência colectiva deve ser o preço a pagar pela integração? De forma alguma. Tratar o estrangeiro como indivíduo não é obrigá-lo a moldar todas as suas condutas às maneiras de ser em vigor para os autóctones, e podermos denunciar a desigualdade entre homens e mulheres na tradição islâmica sem, por isso, querer vestir os imigrados muçulmanos com uma libré de empréstimo ou destruir os seus laços comunitários. Apenas aqueles que raciocinam em termos de identidade (e portanto de integridade) cultural pensam que a colectividade nacional necessita, para a sua própria sobrevivência, do desaparecimento das outras comunidades. O espírito dos tempos modernos, no que lhe diz respeito, acomoda-se muito bem à existência de minorias nacionais ou religiosas, com a condição de estas serem compostas, segundo o modelo da nação, por indivíduos iguais e livres. Esta exigência implica lançar na ilegalidade todos os usos - incluindo aqueles cujas raízes mergulham no mais profundo da História - que ofendem os direitos elementares da pessoa.
É inegável que a presença na Europa de um número crescente de imigrados do Terceiro Mundo coloca problemas inéditos. Estes homens, empurrados para fora da sua terra pela miséria e traumatizados, ainda por cima, pela humilhação colonial, não podem sentir, em relação ao país que os recebe, a atracção e a gratidão que experimentavam, na sua maioria, os refugiados da Europa oriental. Invejada pelas suas riquezas, odiada pelo seu passado imperialista, a sua terra de acolhimento não é uma terra prometida. Contudo, uma coisa é certa: não é fazendo da abolição dos privilégios a prerrogativa de uma civilização, não é reservando aos Ocidentais os benefícios da soberania individual e do que Tocqueville chama a “igualdade de condições” que nos encaminharemos para a resolução destas dificuldades.

Alain Finkielraut, A Derrota do Pensamento, 1987

16 maio 2008

Escrito à pressa, mas com sintimento

Chirico, O Arqueólogo
Os 60 anos da refundação do Estado de Israel foram comemorados há poucos dias.
Em Israel organiza-se Love Parades (blheeerrrggh!) e são permitidos casamentos homossexuais.
Ao lado, num dos países mais permissivos do Médio Oriente, o Egipto, o guarda-redes da selecção nacional de futebol está em risco de ir a tribunal, acusado de libertinagem por fazer publicidade a uma marca de vinho na sua camisola.
A esquerda-das-orelhas-de-burro reflecte ideologicamente o que critica à direita e prefere apoiar o status quo socio-teológico mais reaccionário e isolacionista do planeta, tanto mais reaccionário quanto agressivamente rancoroso. Em nome do internacionalismo e da defesa dos povos oprimidos.
A "Europa" curva-se ao peso dos tiranetes matarruanos e esclavagistas, novos-velhos-ricos subitamente enriquecidos pelo petróleo de que ela depende. E ressuscita discretamente, em anedotas murmuradas pelos cantos da boca e dos corredores, os velhos estereotipos justificativos do injustificável, para de novo justificar a sua má-consciência. Ao mesmo tempo, deixando aos Estados-Unidos a tarefa do óbvio, apresenta-se na sua propaganda, perdão!, comunicação social como "progressista e humanista"... de esquerda - aquela que já não há (se é que alguma vez a houve). E isto para aliviar um segundo lado da sua outra má-consciência ressentida: a de o que "Herói Salvador", que libertou a sua cultura (e não foi esta, no seu melhor, determinada pela cultura judaica?!) da distorção aberrante dessa mesma cultura que foi o nazismo, tenha tido que atravessar o Atlântico.
É que a Europa nunca teve a grandeza de assumir os seus erros. A mesma Europa que, no século XVIII, acobardada perante os turcos , preferia as cedências à solidariedade, deixando Viena à mercê dos invasores.
E tanto que dependemos do heroísmo da presença de Israel no seu território histórico...!
Nota: A esquerda que para aí baboseia alguma vez terá posto os olhos no livro Israel, do (anarquista) Erico Veríssimo, que eu li ainda adolescente?

29 dezembro 2007

Subscrevo inteiramente!

"A democracia no Paquistão é estimada e compreendida por uma pequena oligarquia, que ficou do Império, joga cricket e frequenta Oxford. Durou, pelo menos na sua forma exterior (e com uma ou outra ditadura pelo meio), enquanto durou a influência dessa oligarquia sobre a população. Hoje, com a população sublevada e organizada pelas madrassas, não faz sentido. A escolha deixou de ser entre um partido ou outro: a escolha é entre uma espécie qualquer de teocracia e uma ditadura militar. O Ocidente perceberá um dia que não existem “moderados” no islão. Tirando a tecnologia, o islão rejeita em grosso e por atacado, tudo o que o Ocidente criou e representa. A começar pela democracia."

"A blogosfera é tão avessa à crítica como os media tradicionais, com a agravante de que o envolvimento narcísico é tão forte que, mesmo dentro de blogues colectivos, a mais pequena fractura se torna explosiva. Os blogues não gostam de ser objecto de críticas e, como é óbvio, têm uma alta noção de si próprios e estão tão cheios de autocomplacência e de elogios mútuos que consideram um anátema qualquer discurso que lhes pareça exterior e que os ponha em causa, a eles e às regras do jogo que estabeleceram."


Excertos de, respectivamente, Vasco Pulido Valente e José Pacheco Pereira, no PÚBLICO de hoje.

27 dezembro 2007

A propósito...


... deste post e no dia em que Benazir Buttho foi assassinada (com terríveis consequências possíveis para o resto do mundo!), lembro a sua afirmação recente de que o Islão proíbe que se atente contra as mulheres e, que por isso, estava segura de que nenhum verdadeiro muçulmano a atacaria.

12 dezembro 2007

Ninguém...


... poderá salvar o actual Islão de si próprio, a não ser o Islão. Os não-islâmicos nada poderão fazer. Mas se o Islão se auto-destruir, destruir-se-á, sem dúvida alguma, connosco. Compete-nos não deixar que isso aconteça, através do apoio aos verdadeiros islamitas e não encarando o Alcorão como uma menoridade intelectual ou religiosa (e vice-versa).
O nosso futuro depende infinitamente mais do nosso discernimento do que das nossas armas. E, para perceber isto, mais não é preciso do que estudar a história do Mediterrâneo desde há três mil anos.

18 novembro 2007

Artigo de Bruno Rascão, na Pública de hoje


"Deus não outorga a Sua guia a gentes que deliberadamente fazem o mal" (Corão 9:109)
Este foi um dos versículos do corão utilizados na fatwa contra Osama bin Laden e a Al Qaeda, emitida pela Comissão Islâmica de Espanha (CIE), no primeiro aniversário dos atentados terroristas de Madrid, em Março de 2005. Pela primeira vez um decreto religioso islâmico bania do Islão todos os que justificam o terrorismo com base no livro sagrado, negando a condição de muçulmanos aos seguidores do príncipe saudita. O inédito decreto adquiriu especial relevância por ser emitido pela CIE, o órgão máximo das 294 associações de muçulmanos inscritas no Ministério da Justiça espanhol. A notícia depressa se espalhou pelos meios de comunicação internacionais, como os jornais "Libération", "The New York Times", ou cadeias de televisão CNN e AL-Jazeera. Numerosas entidades muçulmanas e não muçulmanas estimaram que se as comunidades islâmicas sedeadas nos EUA tivessem emitido uma fatwa idêntica, a seguir aos atentados do 11 de Setembro, o mundo seria hoje um lugar melhor. O documento foi redigido e assinado pelo secretário geral da CIE, Mansur Escudero, um psiquiatra de profissão, com 59 anos [nascido no meio de uma família muito católica]. (...)
Além da contestação às intenções da JI na imprensa e na blogosfera mais conservadora, Mansur e a sua comunidade foram considerados "infiéis" pela Al Qaeda ao emitirem a fatwa contra o terrorismo. Por outro lado, recebem ameaças por telefone e por correio electrónico, que Mansur supõe virem de "organizações ultra-católicas". "Dizem que somos mouros invasores, os submarinos dos países islâmicos e para nos irmos embora do país! Como se não fôssemos espanhóis!", argumenta Mansur. Hoje a sua casa está equipada com sistema de segurança e os seus telefones sob escuta da polícia para sua protecção.
Porém, Mansur vacila quando a primeira das suas mulheres [de casamento não islâmico], Sabora, recebia 30 facadas na sua casa de Almodôvar, em Outubro de 1998. "Matei a tua mulher!", disse-lhe o assassino antes de se entregar à polícia. O jovem tinha 18 anos, vivia na vila, e era "membro de uma confraria" recorda, "mas nunca dissemos que era um fundamentalista cristão". O processo foi arquivado, e o agressor morreu na prisão ao cair por umas escadas, segundo Mansur no dia em que ia declarar sobre possíveis cúmplices.
Apesar disso, o presidente de Junta Islâmica nunca recusou pontes com a sociedade ocidental e cristã que a rodeia. É exemplo o convite recebido, enquanto secretário geral da CIE, para a boda real do príncipe de Filipe de Bourbon com Letízia Ortiz. Ou a carta em papel timbrado da Casa Branca, com a assinatura do presidente dos Estados Unidos da América, em que George Bush lhe agradece a "promoção de uma mensagem de paz" e destaca a importância da fatwa anti-terrrista para que "outros muçulmanos levantem as suas vozes para condenar a violência".
Destaco ainda do mesmo artigo que Hashim Cabrera, pertencente à mesma Junta, "autor de vários livros sobre o islão contemporâneo (...), confrontado com o tema do terrorismo diz que "matar civis" ou !maltrar mulheres" são práticas condenadas pelo Corão, que o Islão é uma forma de vida e que a sua conversão em religião é o "princípio da sua decadência".
Do mesmo modo, acrescento eu, que o que respeita ao cristianismo e ao judaísmo.

30 setembro 2007

E haverá...


... muuuito mais do que isto a dizer! (via Range-o-Dente).

26 setembro 2007

A histeria do ódio

Há uma coisa que, para mim, não ficou clara, naquela "tourada" que pudemos "ouver" na Universidade de Columbia, com o presidente do Irão.
As declarações que este fez sobre a homossexualidade foram de morrer, de um misto de riso e de desgosto. E não é por o homem se dizer servo de Deus: o ateu Cunhal, numa das últimas entrevistas que deu à RTP, respondeu à pergunta: "O que pensa da homossexualidade?", com um:"É uma tristeza!", que provocou idêntica reacção, juntamente com um arrepio provocado pela ideia do que poderia ter sucedido a muita gente, que não só homossexuais, se o PCP houvesse chegado ao poder.
A minha estranheza refere-se ao facto de o reitor da Universidade iniciar a conferência com um ataque cerrado ao convidado, utilizando os piores (merecidos) termos que se lhe podiam aplicar - a que o mesmo respondeu à letra, como seria de esperar (e o ele é, claramente, dos que não esquecem...).
A universidade não é uma instituição com funções governamentais de qualquer tipo, não lhe foram atribuídas sequer tarefas diplomáticas. Convidou o homem porque quis, não era obrigada a isso, ninguém lhe encomendou o sermão nem ele era necessário e o reitor, se não concordava com o convite, poderia ter-se recusado a estar presente.
Faz sentido alguém convidar com a intenção declarada de o hostilizar? É moralmente aceitável tal atitude? É, ao menos, do bom-senso mais elementar fazê-lo? É útil em qualquer sentido? Não me parece. Só me parece lamentável.
E preocupante. Muito preocupante.