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19 outubro 2009

Mário Crespo dixit


Diferenças

Assistir ao duríssimo questionamento da comissão de inquérito senatorial nos Estados Unidos para a nomeação da juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal é ver um magnífico exercício de cidadania avançada. Não temos em Portugal nada que se lhe compare. Se os nossos parlamentares tivessem a independência dos congressistas americanos, Cavaco Silva nunca teria sido presidente, Sócrates primeiro-ministro, Dias Loureiro Conselheiro de Estado, Lopes da Mota representante de Portugal ou Alberto Costa ministro da Justiça. O impiedoso exame de comportamentos, curricula e carácter teria posto um fim às respectivas carreiras públicas antes delas poderem causar danos.
Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público. Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter.
Do mesmo modo, uma Comissão de Negócios Estrangeiros no Senado nunca aprovaria Lopes da Mota para um cargo em que representasse todo o país num órgão estrangeiro, por causa das reservas que se levantaram com o seu comportamento em Felgueiras, que denotou a falta de entendimento do procurador do que é político e do que é justiça. Também por isto, numa audição da Comissão Judicial do Senado, Alberto Costa, com os seus antecedentes em Macau no caso Emaudio, nunca teria conseguido ser ministro da Justiça, por pura e simplesmente não inspirar confiança ao Estado.
Assim, se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação inevitavelmente acarretaria num sistema político mais transparente. Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira. Nenhum destes actores do nosso quotidiano tinha passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos. Aqui nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações. Não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas. É que essa cidadania avançada que regula a democracia americana ainda não chegou cá.

28 setembro 2009

Dois pormenores significativos a reter na noite de ontem:


A festa do PS remetida, de rabo entre as pernas, ao interior do edifício, por não haver quase ninguém nas ruas para a costumada celebração de vitória e, neste caso, de tão "grande vitória".
Mário Lino, expressão imbecil e vazia, oscilando, claramente embriagado, enquanto ouvia o discurso de Sócrates.
Qualquer deles nos permite intuir mais o que se avizinha do que aquilo que os comentadores de serviço se esforçam por ignorar.

18 setembro 2009

Dentadura de ouro


É assim:
O Presidente da República pensa que o SIS, preocupado, a mando, com o estado dos dentes da magistratura presidencial, entrou em acção em escutas sobre aquilo de que se alimenta e pensa vir a alimentar-se. Algarviamente, não tencionando deixar que se devassassem as partes íntimas do cargo que ocupa, encarrega o PÚBLICO de o confirmar, por portas travessas.
Julgando confirmada a dita coisa, pela investigação que realizou, o referido jornal afia o dente e publica a notícia dezassete meses depois. Cavaco Silva mostra assim, discretamente, a excelência da sua dentadura a José Sócrates e ao PS. O país desconfia de que os cidadãos possuam dentes para o futuro que lhes estão a preparar.
"Porque raio suspeitou o gajo de...? E agora, como é que se prova que...? Bem só pode ser se...". Pois!
O inefável DN publica hoje e-mails trocados entre os jornalistas. O director do PÚBLICO afirma que apenas o SIS poderia ter acesso a tais documentos. O primeiro-ministro dá a sua dentadinha, dizendo que José Manuel Fernandes demonstrou, de novo, possuir uma imaginação fértil.
Jerónimo de Sousa mordisca, dizendo que, no meio disto tudo, o que nunca é investigado é o próprio SIS, o qual, obviamente, negou qualquer envolvimento com quantos dentes tem na boca.
Conclusão de tudo isto? Estamos perante uma vitória deste governo, que tanto se preocupou, ao longo da legislatura, com a saúde dentária dos portugueses.

01 julho 2009

Penso ser insuspeito...


Rodin, O desespero
... quanto à minha simpatia, ou sequer quanto à minha consideração por José Sócrates e seus acompanhantes. Mas quando, ontem, no jornal da hora do almoço vi, em acção directa, o labrego mal-formado e caceteiro que serviu de cão-de-fila à TVI para entrevistar a ministra da Saúde, reforcei ainda mais as dúvidas que tenho no que respeita à qualidade de muita da oposição que lhe é feita.
Se é que as tinha...
Quanto mais olho em volta, aliás, mais desespero de um país minimamente decente.
Está alguém por aí?

26 junho 2009

Inquietação


Não sei o que achei mais inquietante: se PS e PSD terem demorado mais de um ano para elegerem um Provedor de Justiça que conviesse ao país, ou se o jeito dos sorrisos par a par de Alberto Costa e de Paulo Rangel, dando a novidade aos portugueses...

27 maio 2009

Missa negra-rosa em fundo azul (vómito às três pancadas)


27 de Maio de 2009, 20:38
Castelo Branco, 27 Mai (Lusa) -- O PS vai hoje ensaiar em Castelo Branco um comício à norte-americana, com o pavilhão do núcleo empresarial da cidade a ser transformado num anfiteatro só com lugares sentados e com as bancadas ordenadas geometricamente em losanglo.
Segundo a direcção de campanha do PS, foram colocados cerca de 1400 lugares sentados.
Todos os apoiantes socialistas estão a receber instruções do "speaker" do comício para levantarem os cartazes de fundo azul com "o slogan" "dia 07 vote PS" e para gritarem essa palavra de ordem.

Foi o acabei de ler no Sapo. Com erro ortográfico e tudo.
Tinha visto e ouvido, havia pouco, José Sócrates no seu costumado e gritado empolgamento público, dirigir-se aos militantes, falando do "horror das famílias" perante o atraso na colocação dos professores e do "terror das famílias" face ao atraso do início do ano lectivo, horror e terror com que o seu governo terminou. Mas nem é do bimbalhismo caricato da aplicação dos termos que quero falar. É de outras coisas.
José Sócrates contou, evidentemente, com a memória habitualmente degradada dos portugueses, certamente já esquecidos de Maria do Carmo Seabra (CDS), que substituiu David Justino (PSD) no governo de Durão Barroso, na sequência do escândalo do falhanço (sabotagem?) da informatização dos processos ligados aos concursos de professores. A nova ministra fez, tanto quanto é conhecido, um trabalho notável, chamando a si todas as responsabilidades, centralizando nela todas as tarefas essenciais e conseguindo, em três ou quatro meses, deixar o caminho totalmente preparado, a esse nível, para a "eficácia" de Maria de Lurdes Rodrigues, que tomou o seu lugar pouco depois. A actual ministra nunca teve a honestidade de reconhecer o trabalho da sua antecessora nem, muito menos, de lhe agradecer. Nem ela nem o novel primeiro-ministro, que aproveitou de imediato o facto para se pôr tal como ainda permanece hoje: sempre em bicos de pés.
Mais: a ministra "de direita" tomou decisões que acabaram com situações que envergonhavam o país perante qualquer outro membro da "Europa", dando, pela primeira vez desde o 25 de Abril, prioridade na colocação aos professores com problemas de saúde. A ministra "de esquerda", no ano imediatamente seguinte, por pressão dos sindicatos (vejam lá!), "de esquerda", diminuiu o alcance dessa medida, por questões de "justiça" em relação aos professores de Quadro de Zona Pedagógica. Como se a percentagem de deficientes que trabalham em Portugal, e ainda por cima em empregos que exigem a posse de uma licenciatura, fosse significativa...! Mas, já se sabe, para a "esquerda"temos que atender às massas, não aos indivíduos. E a entre a massa de pagantes dos sindicatos poucos são os "pobres espoliados dos mais elementares direitos humanos numa sociedade apodrecida pelo capitalismo". Uma chatice... para esses espoliados.
Comecei a escrever isto, tive que interromper por duas horas e ao voltar, mesmo agora, sinto-me já demasiado cansado para continuar. Penso que o que disse fala por si, sem precisar de mais comentários.
Limito-me a acrescentar que à esquerda portuguesa, toda ela, se quiser fazer alguma revolução, bastará combater-se a si própria.

18 maio 2009

Portugueses à conquista do mundo


Já temos o nosso candidato ao prémio Rainha de Inglaterra!!!

09 abril 2009

Para variar...


... as contas sairam-me furadas quanto a tempo disponível e não consegui ainda nem recomeçar uma postagem regular nem responder por email a quem disse que iria fazê-lo por estes dias. Mas deixo, para já, registadas as palavras de Henrique Neto, na SICNotícias (não consegui colocar aqui o link para o vídeo), quando referiu a existência de "empresas do regime" e disse que, para isso, bastaria haver por lá um ex-ministro.
Não pronunciou, segundo o que ouvi, a palavra "sinistro". Mas precisaria dela para que no nosso espírito surja, clara, a imagem de tentáculos que se estendem, progredindo pela beira-mar até aos nossos corações?

26 março 2009

01 março 2009

As rosas de Espinho

Imagem obtida no site da RTP
Só mais esta, de que me lembrei há bocado:
O congresso dos socialistas em Espinho teve duas interrupções: a primeira, por mor do Porto-Sporting; a segunda, devido a um apagão. Mas os trabalhos acabaram à hora prevista, como se elas não tivessem existido.
O que significa que das duas, uma: ou, como, maldosamente, afirmou a oposição, não havia nada a discutir, mas somente uma exibição de apoio mútuo entre acossados a realizar; ou o secretário-geral do PS aplicou ao congresso o programa Simplex no plano ideológico, o que teria sido, da sua parte, uma manifestação de transparência.
Sinceramente, penso que foi devido a ambas coisas.
Por fim, ao ver José Sócrates com uma lágrima ao canto do olho, lembrei-me daqueles versos de Mário Cesariny, quando fala de gente "tão recomplicada, tão bielo-cosida, que já consegue chorar, com certa sinceridade, lágrimas cem por cento hipócritas."

Ingenuidades


Vital Moreira, que se autodenominou como socialista freelancer, provocando risos deliciados e ternurentos dos congressistas, aceitou o convite do PS para encabeçar a lista de candidatos a deputado europeu, tendo recebido de José Sócrates os qualificativos de "grande político", grande intelectual" e "grande defensor do projecto europeu".
No momento em que um canal de televisão transmitia um excerto da sua intervenção, um familiar meu entrou na sala e, nunca o tendo visto até hoje, perguntou ingenuamente:
- É o Avô Cantigas?
E eu ri-me, deliciado.

25 janeiro 2009

Sinais


O sr. primeiro-ministro não escondeu o seu desagrado pelo facto de pessoas que são contrárias a acordos com o CDS terem votado a favor da proposta desse partido, no sentido da suspensão da avaliação dos professores.
Os deputados que se manifestaram a favor de tal proposta, militantes de raiz do PS e convictamente socialistas, tê-lo-ão feito por considerarem ser o interesse de Portugal superior aos interesses deste governo. Votaram na condição de patriotas e não de militantes. Votaram, talvez, também por oposição a um processo de instalação de grupos de diferentes e variadas afinidades que transformarão cada vez mais a liberdade e a democracia numa saudade de tempos idos.
Sócrates divide cada vez mais o país, no sentido de reforçar o seu poder. Nisso, é semelhante a Salazar. Tal como para o ditador, ele é Portugal. Tal como o homem de Santa Comba modificou as palavras de Cristo, dizendo-se cristão, ao mudar "quem não é contra nós, é por nós" para "quem não é por nós, é contra nós", também Sócrates, afirmando-se democrata, inverte o sentido da liberdade política. Tal como Salazar, ele marca um perigoso e aviltante período de decadência.

21 dezembro 2008

Mas o que é que há nisto...


... que seja espantoso ou imprevisível? Pelos vistos, há gente a quem a lucidez chega tarde. Ou a vergonha. Ou gente a quem frustraram as expectativas? Ou...

19 novembro 2008

Mas, já agora:


Deixou Santos Silva a dúvida sobre se por palavras ou se por actos...

04 novembro 2008

Não é óbvio?

Magritte, O duplo segredo
À pergunta sobre o que achava da nacionalização do BPN, Alberto João Jardim respondeu com a sua estranheza quanto ao facto de serem tão constantes e rigorosos no que respeita à fiscalização das contas da Madeira e não terem dado por nada do que se passava mesmo ao pé "deles".
Limitou-se a lembrar o óbvio.
Paulo Portas, pelo seu lado, sugere a Vítor Constâncio que se demita do Banco de Portugal, dado o desempenho que teve até à data e que culminou com este caso, que, segundo as suas declarações, lhe era totalmente desconhecido.
Limitou-se a sugerir o que é óbvio quanto ao que é uma postura honrada e digna.
Teixeira dos Santos afirmou que a nacionalização do banco tinha por objectivo proteger os depositantes e os accionistas. Não referiu os (salvo erro) 900.000.000 de euros que o Estado lá movimenta, escamoteando esse outro motivo, menos altruísta, da sua decisão.
Limitou-se a confirmar o que é óbvio quanto aos governantes que temos.
Manuela Ferreira Leite exigiu que o governo peça desculpa ao PSD por recusar a medida do seu partido de pôr o Estado a pagar as suas dívidas às empresas, como forma de revitalizar a economia, para depois vir anunciar essa mesma medida com grande e filantrópico estardalhaço. E falou das políticas de José Sócrates como "políticas de ilusionismo".
Limitou-se, também ela, ao óbvio.
Menos óbvio, porém, repito, ao que parece, para os militantes do Partido Socialista.
É que estar no poleiro, mesmo interpostamente, sempre confere, para si próprio, alguma credibilidade e importância.
Mais ou menos como, antes do 25 de Abril, qualquer miserável em Portugal se orgulhava de ter um império em África.

03 novembro 2008

O que me assusta...


... nem sequer é Sócrates e a sua corte, mas a tremenda irresponsabilidade de que dão mostras os portugueses militantes do Partido Socialista, quer por seguidismo, quer por conivência quer por demissão.

30 julho 2008

Uma no cravinho, outra na corrupção


O ex-ministro socialista João Cravinho deu, de novo, forte e feio na política anti-corrupção do governo de José Sócrates, dizendo que ela, de facto, não existe.
O Partido Socialista disse, pelo seu porta-voz, que não recebe lições do engº Cravinho em matéria de corrupção.
Melhor seria dizer, uma vez que não me consta que João Cravinho tivesse deixado de ser militante do partido, que os actuais dirigentes socialistas não recebem lições de outros socialistas.
O que significará, em suma, que, tal como no final da fábula de Georges Orwell, The Animal's Farm, há socialistas que são mais socialistas do que outros.