Mostrar mensagens com a etiqueta Só à estalada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Só à estalada. Mostrar todas as mensagens

16 janeiro 2008

Agorinha mesmo!


A contagem electrónica dos votos sobre a moção de censura ao Tratado Europeu proposta pelo BE foi um espectáculo feito de falhas do sistema informático e dos próprios deputados que, embora utilizando-o há anos, continuam, ao que parece, a necessitar de instruções para o fazer, tanto como o sistema precisa frequentemente de correcções. Chocada, a jornalista da SICNotícias lembra que o riso mais ou menos escancarado dos representantes eleitos pelo povo perante a situação deveria, mais conformemente, ser substituído pela exigência de bom funcionamento do órgão do Estado a que pertencem. Jaime Gama mete os pés pelas mãos e acaba por se baralhar quanto ao número de deputados do PP. Paulo Portas perde-se em nova onda de riso.
Bom...
Afinal estamos em Portugal, não é?
Onde?!

Lixo no ambiente


O meu conhecimento das questões técnicas, ambientais e quaisquer outras levantadas pelo sistema de co-incineração é absolutamente nulo. Pessoas em quem confio tanto pela sua formação científica como pelo discernimento, levam-me, no entanto, por aquilo de que já falei com elas sobre o assunto, a considerá-la como uma solução razoável e aceitável para o problema.
Mas num parque natural, no caso o da mais do que castigada Arrábida?! E porque não em Monsanto ou mesmo no Parque Eduardo VII?! Talvez fosse até o seu melhor e mais coerente enquadramento... Não acha, sr. Ministro do Ambiente? Não constituiria isso uma ainda superior "vitória do governo" (sic) do sr. engenheiro?

15 janeiro 2008

Ele também não sabe dizer mais nada


No Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves escreve isto e isto. Como poderá continuar um país onde comentários destes se multiplicam? Será que sequer ainda existe? É que já não estamos no mero plano da tradicional "maledicência portuguesa", é muito, mas muito mais do que isso o que está crescentemente em jogo...

02 janeiro 2008

Faits divers


Ainda noutro dia tinha pensado o mesmo, anteontem pensei o mesmo, e achei piada a este.

01 janeiro 2008

Repete: mentiroooso! mentiroooso...!


(Recebido por e-mail)

A mensagem de Natal do 1º ministro ou a falta de rigor como instrumento de manipulação política.
O 1º ministro, na sua mensagem de Natal, com o objectivo de convencer os portugueses de que o seu governo estava a resolver os problemas do País, manipulou dados e utilizou-os de uma forma pouco rigorosa. Para tornar a sua mensagem mais credível, utilizou o próprio nome do INE. Sócrates afirmou textualmente o seguinte: «Segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística, nestes dois últimos anos e meio a economia criou em termos líquidos 106.000 postos de trabalho». No entanto, os dados do INE não permitem fazer tal afirmação. Efectivamente, se a comparação for feita com base em trimestres homólogos, conclui-se que o crescimento do emprego não foi aquele que o 1º ministro afirmou (106 mil postos de trabalho), mas um outro muito diferente. Entre o 1º Trimestre de 2005 e o 1º trimestre de 2007, o aumento foi apenas de 41,3 mil postos de trabalho; entre o 2º trimestre de 2005 e o 2º Trimestre de 2007, foi somente de 22,6 mil postos de trabalho; e, entre o 3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2007, o crescimento foi de 70,3 mil postos de trabalho. Se a comparação for feita entre a média do emprego nos primeiros três trimestres de 2005 (5.118,8 mil) e a média do emprego nos três primeiros trimestres de 2007 (5.163,5 mil), em que o efeito da sazonalidade está mais diluído, o aumento de postos de trabalho é apenas de 44,7 mil, o que corresponde a 42% do aumento referido por Sócrates na sua mensagem de Natal. E mesmo este crescimento reduzido do emprego é aparente pois, entre 2005 e 2007, o emprego total aumentou em 44,7 mil, mas o emprego a tempo parcial cresceu em 45,2 mil. Portanto, o crescimento do emprego que se verificou, deveu-se apenas ao aumento do emprego a tempo parcial, porque o emprego a tempo completo até diminuiu. E a remuneração de um emprego a tempo parcial corresponde apenas a cerca de 47% da remuneração de um emprego a tempo completo (em 2006, segundo o INE, a remuneração média a tempo completo era de 730 euros, e a tempo parcial de apenas 340 euros). Os dados do INE mostram também que esse aumento foi conseguido fundamentalmente através de emprego precário pois, entre 2005 e 2007, os contratos a prazo aumentaram em 95,8 mil, enquanto os contratos sem termo diminuíram em 27,2 mil. Uma questão extremamente preocupante é a destruição líquida elevada e crescente de postos de trabalho destinados aos trabalhadores de escolaridade e qualificação mais elevadas. Assim, segundo o INE, o número de postos de trabalho destinados a “quadros superiores” + “Especialistas de profissões intelectuais e científicas” + “Técnicos profissionais de nível intermédio” diminuiu, entre o 1º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2007, em 89,9 mil; e, entre o 3º Trimestre de 2005 e o 3º Trimestre de 2007, a redução de postos de trabalho destinados àqueles três grupos já foi de 123 mil. http://infoalternativa.org/autores/eugrosa/eugrosa153.htm
P.S. Há alguma possibilidade deste José Sócrates dizer algo que não seja mentira???

31 dezembro 2007

Mentiroooso! Mentiroooso!...


Ontem, no Eixo do Mal da Sic-Notícias, Luís Pedro Nunes (director de O Inimigo Público), com aquele seu modo agitado e truculento, lia a passagem da entrevista ao El País em que José Sócrates declarava haver deixado de fumar e, por isso, ter passado a dedicar-se ao jogging, ao mesmo tempo que mostrava um exemplar do jornal do Parlamento Europeu ou da União Europeia com uma foto do mesmo José Sócrates a fumar, durante uma pausa da recente cimeira com o Brasil.
E o que questionava era algo evidente: se alguém falta à verdade por tão pouco…

15 dezembro 2007

No dia em que Sócrates chorou


Nesse dia fui à Repartição de Finanças da minha área.
E expus à funcionária que me atendeu o seguinte:
- Nos finais de Setembro, ao consultar o meu saldo bancário, verificara que, por engano, o sector público de onde eu fora transferido no mês anterior me processara o salário;
- Alertara de imediato a secretaria do referido sector, tendo-me informado a funcionária de que iriam notificar as Finanças para fazer a cobrança, ao mesmo tempo que me pedia as maiores desculpas pelo incómodo que isso me iria causar;
- Recebera mais tarde a notificação da obrigatoriedade da reposição do dinheiro no prazo de trinta dias a partir da data da assinatura do aviso de recepção, em 16 de Outubro;
- Não tendo podido deslocar-me à repartição até ao dia 15 de Novembro, telefonara para a mesma e perguntara ao funcionário que me atendera se teria que proceder ao pagamento nessa data ou se a contagem dos trinta dias incluía o dia 16, ao que ele me respondera que poderia fazê-lo, ainda sem multa, no dia seguinte;
- Perguntara-lhe também se teria que liquidar obrigatoriamente a minha "dívida" naquela repartição ou se a Loja do Cidadão também serviria para o efeito e a resposta fora que isso seria indiferente, já que os serviços "de lá" comunicariam com os "daqui";
- Pagara no dia seguinte e na Loja do Cidadão;
- Tinha recebido, dias atrás, um notificação das Finanças, uma vez que não teria liquidado a "dívida", para que repusesse a quantia do vencimento, acrescida de mais 70 e tal euros de juros de mora;
- Telefonara para a repartição e haviam-me informado de que a Loja do Cidadão não tinha enviado nada, mas que bastaria deslocar-me até lá, acompanhado do documento comprovativo do pagamento e a situação ficaria regularizada de imediato.
Após me ter ouvido:
- A funcionária começou por descobrir que as vias informáticas haviam enlaçado as existências fiscais do meu nome com o de um Carlos-qualquer-coisa, numa comunhão de dívidas que utrapassavam os 5000 euros;
- Efectuada uma cuidadosa investigação, a mesma funcionária desfez tão auspiciosa união (não sei se para sempre!), mas, verificando a data da liquidação da "dívida", afirmou que eu teria que pagar um multa de € 16,34, por o haver feito um dia depois do prazo-limite;
- Acrescentou ainda que o sector que me processara erradamente o vencimento deveria enviar o comprovativo da reposição para aquela repartição, para que o caso ficasse encerrado;
Liguei, de seguida, para a secretaria do meu antigo sector, do qual me garantiram que a funcionária das Finanças não sabia o que dizia, porque eles não tinham que enviar rigorosamente nada, o Gabinete de Gestão Financeira (?) é que enviará a nota de pagamento efectuado para ambos e que eles próprios ainda não haviam recebido fosse o que fosse, aconselhando-me a voltar às Finanças para esclarecer o assunto.
Recebi também nesse mesmo dia um email dos serviços do ministério das ditas, avisando-me de que os contribuintes que não paguem as suas dívidas até ao dia 31 de Dezembro não usufruirão de quaisquer benefícios fiscais na próxima declaração de IRS.
No dia em que o país - este país! - pôde ver o seu primeiro-ministro choramingando, narcisicamente, na assinatura do tratado europeu.

01 dezembro 2007

E ainda mais outro (excelente) e-mail


(in sergeicartoons.com, via nelsonpires.blogspot)
Aqui vai um exemplo da NOVA ATITUDE que os professores têm deadoptar, a bem dos tempos modernos. ...cá de fora. É assim:
QUESTÃO PROPOSTA:
6 + 7 = ?
A . EXERCÍCIO FEITO PELO ALUNO:

6 + 7 = 18
B . ANÁLISE:
A grafia do número seis está absolutamente correcta;
O mesmo se pode concluir quanto ao número sete ;
O sinal operacional + indica-nos, correctamente, que se trata de uma adição;
Quanto ao resultado , verifica-se que o primeiro algarismo (1) está correctamente escrito - corresponde ao primeiro algarismo da soma pedida. O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um três escrito simetricamente - repare-se na simetria, considerando-se um eixo vertical! Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos.. a sua intenção era, portanto, boa.

C . AVALIAÇÃO:
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que:
A atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão correctamente encadeados : os elementos estão dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou (?) num dos seis elementos que formam o exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais-valia ao exercício ao trazer para a proposta de resolução outros conceitos estudados - assimetrias... - realçando as conexões matemáticas que sempre coexistem em qualquer exercício...
Em consequência, podemos atribuir-lhe um...

..."EXCELENTE"...

...e afirmar que o aluno...

..." PROGRIDE NATURALMENTE"!!!

Outro e-mail


Nas avaliações do 1º período, vou seguir o exemplo da Ministra...
Seguindo o exemplo da Ministra da Educação, vou estabelecer quotas nas notas já do primeiro período. Assim: 5% para o Excelente e 10% para o Satisfaz Bastante. Se no resto da turma tiver mais alunos com avaliações destes níveis, paciência, ficam com Satisfaz.
Assim promovo o mérito dos alunos. Se os pais se sentirem revoltados que se queixem à ministra. Se é bom estabelecer cotas para os professores, deve ser excelente para os alunos. Atenção que também tenho um filho na escola.
Espero que os professores dele adoptem a mesma medida. Direitos iguais para todos.
in Público online
João Paulo Silva

25 novembro 2007

Recebido por e-mail



Carta aberta ao Senhor Presidente da República Portuguesa

Ílhavo, 22 de Outubro de 2007
Senhor Presidente da República Portuguesa
Excelência:
Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: "Talvez V. Excia não saiba bem quanto!"
1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a "má-fé") do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).
A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!
Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.
Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.
2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: "Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!"
3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.
Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.
Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.
Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.
Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.
Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.
Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.
Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer "Olha-me este!" e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.
4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!
Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?
Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?...) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.
Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: "Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?"
Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.
Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas "Entram, sentam-se e calam-se!"
Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.
Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como "obrigado", "por favor" e "desculpe" e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.
Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente "Mas o que é que este quer agora?" e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.
Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno "não está na sala", está com a cabeça em outros mundos.
Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?
Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem "esquecidas" em cima da mesa.
Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: "Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência!" mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!
Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?
É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!
5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.
Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!
Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!
6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.
Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?
Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para "tirar o 9º ano".
Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola…
E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!
7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, "enfrentar", já que de uma luta se trata…), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.
Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato…).
É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender "dói"! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.
Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira…
Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo…
Atenciosamente
Domingos Freire Cardoso
Professor de Ciências Físico-Químicas
Rua José António Vidal, nº 25 C
3830 - 203 ÍLHAVO
Tel. 234 185 375 / 93 847 11 04
E-mail: dfcardos@gmail.com

22 novembro 2007

BLASFÉMIA!!!


Notícia aqui! Eu ofereço-me para atirar a primeira pedra!

12 novembro 2007

Sequências


Primeiro, ouvi no telejornal que os pescadores portugueses estão a emigrar para Espanha e França. E isso fez-me relembrar a pesca como uma, historicamente, marcante e decisiva actividade de um país - já não me lembro de qual...! - com a maior extensão costeira da Europa.
Depois lembrei-me de António Sérgio, que dizia que Portugal foi uma invenção da burguesia marítima (do extremo ocidental europeu).
No telejornal seguinte deram-me a notícia de que uma fábrica têxtil do interior faliu por falta de clientes, deixando 130 trabalhadores no desemprego.
E o dia iluminou-se-me.

11 novembro 2007

Poeira nos olhos?


O Jumbo de Alfragide foi ontem encerrado pela ASAE devido à excessiva exposição ao pó dos alimentos, resultante das obras que ali têm lugar.
Acontece que essas obras, cujo objectivo é a construção de um enorme centro comercial, decorrem há muitos meses e a situação já esteve entretanto muito, mas mesmo muito mais complicada do que hoje, a quatro dias apenas da sua finalização e da consequente inauguração (com banda? e visitas oficiais?).
Deduz-se assim que a ASAE, que foi fiscalizando as condições de higiene ao longo do processo, só detectou a presença de poeira quando ela, em princípio, deveria ter desaparecido na quase totalidade.
Fico na dúvida sobre se houve ali alguns pozinhos... sabe-se lá de quê...!

08 novembro 2007

Como diz que disse?!


O ministro das Finanças diz que é um homem sério e que, quando avança com determinado valor como a percentagem realista de aumento salarial para a função pública, o faz tendo em conta a situação económica e financeira do país. Não sendo pessoa para negociatas, acrescenta, não propõe valores de base mais baixos para, depois, os alterar como se houvesse reconsiderado e cedido.
Homem íntegro e vertical, este! Mas então que sentido teve sentar-se à mesa de negociações?

05 novembro 2007

Ainda os há!

Quero, com este post, prestar uma homenagem ao Presidente (do Executivo? da Assembleia?) da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães (Ponte de Lima). Face à situação da funcionária que, contra o parecer dos próprios médicos, foi considerada apta para o trabalho pela outra Junta, a da Caixa Geral de Aposentações, não teve qualquer hesitação em afirmar que, do mesmo modo que aos traficantes de droga e a outros meliantes, não se pode deixar gente daquela por mais tempo sem julgamento. É bom saber que ainda há portugueses dignos de se intitularem como tal!

21 outubro 2007

Atento, venerador e obrigado!


Na minha zona há uma tasquinha que ainda resiste tenazmente ao invasor. É um local acolhedor, onde, durante a semana, se reúnem para matarem o bicho, pela manhãzinha, antes de entrarem ao serviço, os funcionários menores da autarquia local, dos serviços municipalizados, da TVCabo, etc., que moram nas imediações. Aos fins-de-semana há petiscos e, às vezes, canta-se o fado. Nunca houve reclamações, intoxicações ou zaragatas e a higiene é irrepreensível.
O Viriato do digno e tradicional estabelecimento, quando lá fui há pouco beber o cafezinho, confidenciou-me que paga agora cerca de €100 mensais a uma empresa, cuja existência se justifica pela necessidade (ou missão?) de actualisar periodicamente os seus clientes no respeitante aos requisitos exigidos pela ASAE. Quanto à sua esposa, analfabeta, é-lhe também exigido o preenchimento de um papel, diariamente actualizado, que dê conta da peridicidade e das horas a que faz a limpeza dos lavabos, com a respectiva assinatura.
Não sei se precisam de algum esclarecimento, mas de momento, como disse uns posts atrás, falta-me o tempo. Só posso dizer que vou voltar ao trabalho, menos ingrato e muito mais confiante.
Até já.

Sem título

Goya
Coisa que já não acontecia há muito tempo: começou a haver gente com mais de 60 anos a tocar à minha porta, pedindo esmola. Ainda agora dei qualquer coisa a um homem pela casa dos 70.
O Portugal de Sócrates floresce de esperanças, de equidade e de solidariedade.
(Esqueci-me de referir há pouco que o homem disse, de olhos marejados e com uma postura digna, que era "pobrezinho")

16 outubro 2007

Alguém me explica?!

Tenho o televisor ligado. Começa o primeiro programa de Joaquim Furtado sobre a guerra colonial. Os depoimentos dos representantes dos movimentos africanos são todos legendados, alguns deles "tratados" em termos da "correcção do português". Não compreendo. O sotaque deles é menos cerrado do que o de Alberto João Jardim e expressam-se com a mesma estrutura de oralidade que se encontra em qualquer aldeia portuguesa do interior.
Será para os pretos os perceberem?
Ou para os brasileiros?

14 outubro 2007

Só mais isto, por hoje...


E vejam também este post do Nuno Josué, mai-la canção do Zeca nele referida.

12 outubro 2007

Viva!

Não consegui ter tempo para vir aqui anteontem, como prometera. Deixo-vos hoje aqui duas referências. Esta, a que devem juntar o comentário do próprio Alf, e esta, via Range-o-Dente.
Até já.