16 maio 2007

Os rejeitados

Cristo carregando a cruz, Hyeronimus Bosch

O PS escolheu António Costa - derrotado, há uns anos, em Loures - para candidato à Câmara de Lisboa. O PSD, Fernando Negrão, derrotado em Setúbal. O PCP e o BE, os do costume, desde sempre claramente rejeitados pela população. O PP, ainda não se sabe, mas também não se vislumbra que personalidade "de peso" possa apresentar. Helena Roseta durou um mandato em Cascais e continua a desgraça do costume.
Pobres lisboetas! Pobre país!

14 maio 2007

Esta não me sai da cabeça!


Cheguei agora a casa e comecei a ver o Prós e Contras, onde se afirma que, muito provavelmente, a menina inglesa terá mesmo sido raptada por uma rede pedófila, um dos membros da qual se acoita, muito bem instalado, no Algarve, depois de ter sido condenado no seu país, Reino Unido, por crime de mutilação sexual.
Ainda anteontem (?), o criminologista de serviço do telejornal do Canal1 afirmava que existem 150 pedófilos ingleses assinalados em território português pela PJ, que, no entanto, não foi informada do facto pela polícia britânica, obviamente conhecedora do facto.
Limito-me a deixar aqui uma dolorosa interrogação: a de saber se as crianças portuguesas estarão em condições de satisfazer o mínimo legitimamente exigível pelo pior dos súbditos de Sua Eterna Majestade.
A bem do turismo e da hierarquia que Deus estabeleceu entre os homens.

08 maio 2007

Novo vómito


Desta vez, pela crueldade como a comunicação social portuguesa foca e acentua a responsabilidade dos pais da menina inglesa desaparecida. E, já agora, para o reafirmado tom xenófobo da das terras de Sua Majestade, pindérica deserdada do império.

06 maio 2007

Desta vez, a Câmara de Oeiras



Ao fundo da página 27 do PÚBLICO de hoje, insere-se a seguinte notícia:

"Há, na forma de estar do dr. Isaltino Morais, sempre um olhar para o amanhã, o que me é grato, porque acho que este país perde tempo demais a olhar para ontem. Desse ponto de vista, tenho aprendido alguma coisa." A declaração, que consta de uma entrevista de duas páginas publicada na última edição do boletim municipal de Oeiras, pertence a Emanuel martins, um dos dois vereadores que o PS tem na Camara de Oeiras.

O autarca aceitou no ano passado os pelouros oferecidos por Isaltino Morais, juntamente com o seu companheiro de lista Carlos oliveira, e desempenha, também por convite de Isaltino, o lugar de presidente do conselho de administração da empresa intermunicipal Laboratório de Ensaios de Materiais de Obras.

Na entrevista ao boletim municipal Oeiras Actual, Emanuel Martins afirma que, "mesmo correndo o risco de ser criticado", quer "dizer exactamente" aquilo que sente. E que sente, garante, é uma "surpresa" na sua experiência de trabalho com Isaltino. "A pessoa que eu conheci está diferente e confesso que para melhor, do ponto de vista funcional", salienta. "(...) superou a expectativa que tinha quando decidimos aceitar pelouros, opinião que é partilhada pelo meu colega de vereação", acrescenta.

Nas últimas eleições Martins foi o cabeça de lista do PS e grande parte da sua campanha assentou no ataque a Isaltino Morais por estar acusado de corrupção pelo Minstério Público.


Na sequência do artigo de opinião de Pacheco Pereira a que me referi ontem, faço ainda notar que:

-Não é este, longe disso, o primeiro mandato de Emanuel Martins como vereador da Câmara Municipal de Oeiras;

-Foi o PS quem, através de Martins, viabilizou este executivo de Isaltino, como lembrou Marques Mendes na semana passada a Judite de Sousa, a propósito do diferente posicionamento dos socialistas em relação a Carmona Rodrigues, o qual, contrariamente a Isaltino Morais, não só não foi acusado formalmente, como, a vir a sê-lo, o será por motivos bem menos graves do que os deste;

-Por razões desconhecidas, o Partido Socialista nunca nomeou candidatos de peso para a disputa de uma das câmaras mais importantes do país, nem sequer quando, anos atrás, Isaltino se encontrava politicamente mais fragilizado.

05 maio 2007

Ainda a Câmara de Lisboa


Ao contrário de Vasco Pulido Valente, penso que a imagem de Carmona Rodrigues sai reforçada de todo esta triste situação na Câmara Municipal de Lisboa. E que, por suspeição ou constatação, a da classe política ligada quer à direita quer à esquerda, sofre novo e alarmante golpe junto da opinião pública, nela incluída a dos funcionários que ontem se manifestaram. Sob esse aspecto, o artigo de opinião de José Pacheco Pereira, no PÚBLICO de hoje, é de uma lucidez exemplar, a que se junta um travo subjacente inequívoco de amargura e de desilusão.

"Depois da fome e da guerra/ da prisão e da tortura/ vi abrir-se a minha terra/ como um cravo de ternura!": o poema que Ary dos Santos, utilizando a palavra de ordem da esquerda chilena massacrada meses antes ("O povo unido jamais será vencido!"), começa com um equívoco. É que se a guerra tinha acabado, o mesmo não podia dizer-se ainda da fome - e, em certa medida, nem hoje. Com igual gravidade, podemos também hoje constatar que se acreditou que, com a abolição do partido único, adviria a participação política espontânea de todos os cidadãos, associados em partidos que exprimiriam o resultado da livre discussão, isto é, que a liberdade se consubstanciaria na construção de instituições e máquinas partidárias. E nem os cidadãos se empenharam na medida necessária, nem os partidos fizeram muito mais do que transformarem-se em maiores ou menores Uniões Nacionais, negociando entre si ao sabor das conveniências que a entrada para a União Europeia veio trazer. As condições alteraram-se, as mentalidades, pouco; e o que vemos na Câmara nada mais é do que o espelho de tudo isto.


Por este motivo, esqueceu-se (e houve desde o início quem ajudasse a fazer esquecê-lo, a menosprezá-lo ou a dificultá-lo e a colocar-lhe entraves) a participação dos "independentes", isto é, dos cidadãos discordantes ou não directamente dependentes dessas estruturas, pedra de toque de uma verdadeira democracia. É que o independente pode tornar-se para eles num empecilho ou num "empata". A postura do presidente da Câmara de Lisboa, descontando todos os erros que possa ter cometido durante o ano e meio que leva de mandato e aqueles em que incorreu nestes últimos dias, não é a de um político "à portuguesa", é essa exactamente: a de um "empata". E por isso mesmo é que ao cidadão comum, farto da corrupção e da intriga política que diariamente lhe dói no bolso e na paciência com que leva o existir, interessa, contrariamente ao que diz Pulido Valente, a subtileza da distinção entre arguido e acusado. O mais provável é que sejam "esses malandros" que estão a tornar "o gajo, que até é simpático e parece que é competente" no bode expiatório" das sempres entrevistas "negociatas". E seria (será?) muito interessante, aliás, ver a votação dos lisboetas, se Carmona Rodrigues se candidatasse à margem de qualquer partido.


Penso ter esboçado o suficiente acerca do meu ponto de vista, nestas linhas escritas à pressa. Tenciono voltar a ele brevemente, com maior detalhe e aprofundamento.

Coerência


Segundo uma notícia de primeira página da edição de hoje do jornal PÚBLICO, "Licínio Soares Basto, um dos empresários portugueses detidos no Rio de Janeiro no âmbito da Operação Furacão, é dos maiores financiadores do PS no Brasil e suportou grande parte das despesas da campaha no círculo fora da Europa nas legislativas de 2005. O empresário é também proprietário do imóvel onde está instalada a sede do PS no Rio de Janeiro." A operação policial levou à prisão de "um grupo acusado de negociar sentenças judiciais e decisões políticas para benificiar casas de bingo e de máquinas de jogo de azar. Licínio Soares Bastos também fora nomeado cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, um ano depois de Sócrates chegar ao poder, mas o processo nunca foi formalizado junto do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. A Polícia Federal brasileira suspeita que o português fosse o intermediário do grupo nas negociações para abrir casinos em Portugal e no Brasil."

Haja coerência!
Demita-se José Sócrates e o seu governo!
Auto-dissolva-se o Partido Socialista!

Quanto é que somos homens?! Hmmm?!

Povunido


Inicia-se este blog com uma saudação aos 400 funcionários do edifício central da Câmara Municipal de Lisboa, que expressaram publicamente o seu apreço por Carmona Rodrigues, enquanto, no dizer de um deles à RTP, "foi a única pessoa honesta" que até hoje passou por aquela casa. Não poderia a classe política portuguesa, da direita à esquerda, levar uma maior bofetada.