20 julho 2007

Modesta proposta


Na sequência da medida anunciada pela sra. Ministra da Educação, segundo a qual, no sentido da implementação de uma superior qualidade do ensino, os professores do Secundário deverão passar a ter como grau académico mínimo o mestrado, venho não só manifestar o meu incondicional apoio ao Governo nesta matéria como, na qualidade de cidadão, apresentar uma modesta proposta que visa, na continuidade e aprofundamento desta mesma medida e com profundo espírito democrático, estruturar devida e eficazmente os destinos do país, deste modo evitando a sua sujeição à errância e à falta de rigor, causas de um permanente atraso em direcção ao progresso. Assim, sugiro que nenhum cidadão português possa ser:
1. Candidato a uma Junta de Freguesia, sem que possua uma licenciatura adequada ao lugar para que tenha possibilidade de ser eleito;
2. Candidato a uma Câmara Municipal, sem um mestrado que corresponda aos cargos a desempenhar, em caso de eleição;
3. Candidato a deputado, sem um doutoramento nas áreas sobre que pretenda vir a pronunciar-se e a propor legislação;
4. Governante do país, desde que não haja obtido o grau de catedrático no âmbito da pasta que que lhe seja atribuída.
Em simultâneo e em grau correspondente, todos deverão possuir cumulativamente uma formação em Ciência ou Filosofia Políticas, condição sine qua non para serem elegíveis, além de claras provas dadas quanto ao domínio dos aspectos gramaticais do português, bem como das suas competências no domínio da matemática.
Atendendo à manifesta insuficiência de recursos, sugiro ainda, para terminar, que, a exemplo do recentemente decretado no plano dos ensinos básico e secundário, seja criado um currículo de Novas Oportunidades para dirigentes politicos, incluindo os que neste momento se encontram esforçadamente em funções, apelando, para tal, ao espírito de sacrifício e desejo de valorização pessoal, próprio da sua nova condição de trabalhador-estudante.
Butaí?

Com estes que a terra um dia há-de comer...


... todos vimos e ouvimos hoje o primeiro-ministro gritar, perdão!, dizer no Parlamento, em resposta a Marques Mendes, que, ao contrário deste, sempre teve "a grandeza" (sic) de jamais alcunhar os seus adversários no partido como guerrilheiros políticos.
O eng. José Sócrates expressou-se, de facto, à sua altura e à sua medida.

19 julho 2007

Mais um, menos um

Brueghel

Desta vez é o SAC do Centro de Saúde de Seixal a ser encerrado. Servia 170.000 pessoas. Comentários?

Isto...

Edvard Munch

O primeiro-ministro congratulou-se ontem com a actividade desenvolvida pelo grupo parlamentar do Partido Socialista, a qual terá correspondido por inteiro às suas expectativas.
Sem dúvida!

... e isto...


... também (é para ler até ao fim, em especial o que já está para lá da apreciação da prova) - ver o post com esta mesma data.

18 julho 2007

Até amanhã!


Seguramente descurando as suas principais actividades - desancar inocentes e pacíficos palestinianos, árabes e restantes vizinhos e dominar, mais ou menos subreptícia e perfidamente, a economia e as finanças internacionais - um grupo de técnicos israelitas passou uns dias em Trás-os-Montes, no sentido de procurar melhorar o aproveitamento local da água para fins agrícolas. Chegaram à conclusão de que os indígenas da região gastam três vezes mais do que é preciso ou, de outra maneira, que ela chega perfeitamente para se produzir o triplo do que se produz hoje, coisa que, para quem tem o hábito de transformar o deserto em áreas férteis, deve ter sido, no mínimo, doloroso.
Vi isto ontem, num telejornal qualquer, onde, entre outras coisas, se falou ainda dos gestores portugueses como estando internacionalmente classificados abaixo do medíocre, e de um senhor que, certamente para estimular a economia através do consumo interno e garantir uma boa morte aos portugueses, só vê como solução aumentar os impostos e subir o IVA (não confundir com IVG) para 25%.
Ah! E o PS continua a falar em vitória na Cãmara de Lisboa e declina qualquer responsabilidade no vergonhoso nível de abstenção. O que, diga-se de passagem, também é bem feito para os portugueses.

16 julho 2007

Paco & Filho



Chopin por Horowitz



Quanto a mim...


... para além de todas as jogadas partidárias internas do PSD que terão contribuído para a percentagem de votos que obteve, o efectivo vencedor das eleições em Lisboa (onde, aliás, não resido) é Carmona Rodrigues.
Parabéns.

Mais do mesmo



Helena Roseta falou, a meu ver, muito bem, quando atribuiu à desilusão e ao consequente desinteresse o nível de abstenção que explodiu nas eleições para a Câmara de Lisboa. E que a candidatura que ela encabeçou era, entusiasmantemente, composta por gente que tinha vindo de todos os lados, de todos os partidos.
Só fiquei apreensivo ao ouvi-la dizer de seguida: "Eu até nem conhecia a maioria dos meus candidatos...!".

15 julho 2007

"O rebanho"

A preocupação com o arrogante autoritarismo no Governo começa a passar. Não admira. A liberdade pública e, sobretudo, a liberdade individual nunca especialmente comoveram os portugueses. Desde sempre que nos perseguimos com veneno e brutalidade. A "festa" do "25 de Abril" foi uma "festa" de intimidação e de arbítrio. E ainda ontem, numa espécie de votação "popular", o país mostrou o seu amor por Salazar e por Cunhal, enquanto Soares (como Sá Carneiro) desaparece pouco a pouco da memória coectiva. O facto é que, por um velho hábito de obediência e servidão, o indígena gosta de ser mandado. Gostou de ser mandado por Cavaco, que era, se bem se lembram, infalível, e gosta agora de ser mandado pelo eng. Sócrates, que é, segundo consta, decidido e determinado.
De resto, o mundo que aí está não favorece a liberdade. O Estado-providência entrou no mais remoto recanto das nossas vidas, fiscalizando, proibindo e punindo. A "Europa" não pára de se intrometer (sem utilidade visível) no que antes se deixava à história e às tradições de cada um. Em Portugal (e pelo Ocidente inteiro), a concentração urbana exige uma vigilância policial sem precedente. O igualitarismo, o fim daquilo a que se chamava "deferência" e o enfraquecimento irremediável da Igreja e da família produziram, ou permitiram que se criasse, uma ideologia oficial, que ninguém se atreve a contestar ou a infringir. E a democracia, que tanto e tão ardentemente se gaba, é na realidade uma prisão, com um regulamento estrito e, às vezes, brutal.
Os "construtores" deste admirável "modelo" acham que os prisioneiros são felizes. Mas serão? O eng. Sócrates diria que sim. Como os seus colegas do Governo e da "Europa" ou, pelo menos, de alguma "Europa". Eles só nos querem fazer bem e o que fazem é para nos fazer bem. O sr. ministro Santos Silva quer fazer bem ao jornalismo, quando o ameaça e oprime. O eng. Sócrates quer com certeza fazer bem ao país, quando tolera a delação para correr com funcionários que ousam criticar o Governo.. E o dr. Cavaco concorda obviamente com eles, quando, perante o "saneamento político" e o abuso de poder, se limita a um comentário equívoco e genérico. O que se compreende. A liberdade dia a dia negada nas mais simples coisas deixou de contar. Os benfeitores tratarão do rebanho, como entenderem e como lhes compete."

Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, ontem, sábado, 14 de Julho

Diz quem sabe


"Hoje há um approach salazarista em vários partidos. O realismo político dele, por exemplo, é adoptado por pessoas do PS."
Jaime Nogueira Pinto, no Diário de Notícias (citação retirada do PÚBLICO de hoje)

13 julho 2007

Que horas são?


Não é a primeira vez, desde há alguns anos a esta parte, que -como de novo aconteceu ontem à noite - as selecções de futebol dos mais jovens dão espectáculos vergonhosos de indisciplina, de comportamentos violentos e de eufórico vandalismo nos balneários. Nada disto é de estranhar.
Basta que entrem na escola, pública de preferência, para que a sua "educação" decorra nesse sentido. Nas salas de aula, que repugnam aos jovens estudantes vindos directamente dos PALOP's ou do leste europeu, espantados com o facto de "isto" se permitir e que afirmam não se conseguir aprender seja o que for em tais condições. Nos pátios, onde praguejar, nos termos mais violentos, é tolerado, esquecendo-se que a instalação da agressividade se inicia, desde logo, pela linguagem.
Mas, principalmente, basta-lhes nascerem e entrarem na família, que remete para as instituições públicas a responsabilidade da formação dos futuros cidadãos, ao mesmo tempo que, portas adentro, ensina e, frequentemente, age mesmo em sentido oposto.
Tudo em nome da liberdade e do respeito pelo indivíduo.
Não há comunidade que se consiga manter, desta maneira, por muito tempo. A sua desagregação é inevitável e poderá assumir as mais diferentes, repulsivas e dolorosas formas. Os portugueses do futuro não o serão porque não serão nada, incapazes, com as excepções que confirmam a regra, de tomar consciente e determinadamente conta das suas vidas. Os jovens de hoje, em Portugal, por detrás de toda a algazarra que possam fazer na 24 de Julho e noutros locais de "convívio" e "lazer", são seres humanos profundamente entristecidos, bisonhos, confusos porque desencontrados de si próprios, com horizontes à medida dos escassos conhecimentos adquiridos, doutrinados por morangos de estufa e, por isso, de facto privados da liberdade que uma ditadura estreita lhes recusou e que a estupidez oportunista do 26 de Abril lhes tem roubado. Continuam a ser, dois séculos depois, o "povo de escravos" de que falava Byron.
E não vale a pena dizer "É a Hora!". O Pessoa já o disse e não resultou.


Este post é delicioso!


Encontrei-o mesmo agora, referenciado pelo Range-o-Dente.

12 julho 2007

O subliminar na "Comunicação Social"


Há pouco, no telejornal da RTP1, noticiava-se o "escândalo Marques Mendes".Em duas frases sucessivas da peça, a locutora de serviço atirava-nos aos ouvidos:
Marques Mendes recebeu no ano tal 4.400 contos e, no ano seguinte, 21.000 euros. A coisa acabava, porém, na segunda frase, por ficar pelos 700 contos mensais (salvo erro).
Estranha, esta rápida flutuação entre os euros e os defuntos escudos?
Talvez não.
É que o que fica subliminarmente na mente de quem escutou a notícia é, em primeiro lugar, a sugestão de um aumento de cerca de 500% do primeiro para o segundo ano de actividade (4.400 para 21.000), quando, de facto, fazendo a conversão de uma moeda para a outra, representa uma diminuição de 1.000 euros ou, se se preferir, de 200 contos.
A passagem dos montantes, agora de euros para escudos, na segunda frase, continua no sentido de apresentar subliminarmente o valor como o mais alto possível. Com efeito, atendendo à faixa etária maioritária da população portuguesa e ao hábito de épocas, é mais "pesado" falar em 700 contos do que em 3.500 euros por mês.
Quem terá redigido o texto?

Miles Davis, Human Nature





11 julho 2007

Fala com ela/O pianista



Declarou!


O sr. Eng. José Sócrates Pinto de Sousa afirma-se chocado com os dois casos de professores cuja reforma foi negado por juntas médicas e prometeu medidas urgentes.
Ficam sempre bem estas declarações, num primeiro-ministro atento às pessoas do país que governa. E só o facto de andar atarefado com a presidência europeia é que terá sido a causa de tanta demora em proferi-las.