31 julho 2007

A quem venha visitar-me

Não prometo nada de especial para hoje e amanhã: vou estar a trabalhar, felizmente em algo que me agrada. Espero voltar mais "em força" na quinta-feira.
E, já agora, sabem quem é o Edson Cordeiro? Se não sabem, vão ao post abaixo. E procurem ver o extraordinário espectáculo que deu em Paris, em 2003.

Edson Cordeiro

30 julho 2007

Ora eis aqui...

Henri Matisse


... um bom texto.

Ando cá desconfiado...

"Acho injusto que Manuel Alegre olhe para o melhor Governo que se formou em Portugal depois do 25 de Abril com olhos de cego", disse Emídio Rangel no Correio da Manhã.
Na tragédia clássica, a cegueira é acompanhada de clarividência. E eu sempre desconfiei de que o sr. Rangel é zarolho. Porque isto, em terra de cegos...

Antes assim...


... do que assado!

29 julho 2007

28 julho 2007

Sonhos maus

Goya, Disparates
Uma peça informativa transmitida há pouco na RTP1 dava conta, através das palavras do jornalista e de diversos estudantes dos PALOP's que frequentam a Universidade Lumumba, de Moscovo, da atitude racista dos russos. A Universidade encontra-se sob vigilância permanente, saídas do recinto, só em grupo; conseguir emprego, nem pensar; namorada eslava, muito arriscado.
Em menos de 20 anos, foi-se o internacionalismo inculcado durante sete décadas de educação comunista? A solidariedade para com os pobres e subdesenvolvidos passou a constituir um rasto minoritário?
Ou, como tantos crentes desiludidos que de lá voltaram antes da perestroika (conheci alguns) nos deram testemunho, tudo não passou de uma encenação revoltante?
E há outras.

Então não é?!

Chirico, Os Puritanos


Tivesse já o Governo legalizado a prostituição e Fernando Charrua nunca seria suspenso. Considerando que actividade de trabalhadora do sexo é vista (com ou sem razão) como sendo desenvolvida por mão-de-obra não qualificada e, portanto, de menores recursos económicos, o professor poderia mesmo ser elogiado por, implicitamente, ter sugerido que o sr. primeiro-ministro, pesasse embora a sua origem humilde, é pessoa de enormes virtudes e méritos, ao lograr alcandorar-se a um dos mais altos cargos da vida pública. Haver-se-ia deste modo evitado que Portugal passasse por tão terrível sobressalto e, em vez de rictus de desgosto e amargura, ter-se-iam visto sorrisos de pura luz nos rostos dos portugueses ao ouvirem a expressão modelar de Charrua, pela visão de futuro que um tal governante lhes sugeriria.
Apela-se, pois, ao sr. eng. José Sócrates que, na trilha do Simplex e com objectivo de libertar o país de algumas das inutilidades que lhe atravancam o progresso, entopem os tribunais, diminuem o estatuto da mulher e lançam o opróbio sobre os governantes, legalize em breve aquela que, incompreensivelmente, sendo tida como a mais velha profissão do mundo, é, talvez, a menos reconhecida.
A bem da nação!

27 julho 2007

Efemérides confrangedoras


Neste país
em diminutivo
juizinho
é que é preciso.
Alexandre O'Neill escreveu este poema há cerca de quarenta anos.

Não é bem assim...


"José Sócrates é uma espécie de Alberto João Jardim da União Europeia.", escreveu anteontem João Miranda, no Blasfémias.
Penso que a comparação é demasiado lisongeira para Sócrates. O que o distingue de qualquer outro responsável político europeu é, desde logo, o facto de gritar como só um caudilho sul-americano e de ser tão demagógico e incapaz como qualquer deles. De Jardim, distingue-o a falta de argúcia e de eficácia governativa.

Brincalhão!


Ontem, no PÚBLICO, Manuel Alegre disse, de novo, mais do mesmo, ao que o PS respondeu, desta vez através de Almeida Santos, com o que o que é habitual. Nem uma brisa agitou as águas do pântano.
Em contrapartida, na página imediatamente anterior àquela onde se podia ler o triste (por mais do que uma razão ) texto de Alegre, podia ler-se um outro, do historiador Rui Ramos. Pela acutilância, pelo rigor, bem como pelo subtilíssimo sentido de humor, que culmina no penúltimo período, daqui lhe envio uma enorme "chapelada". Façam favor de se deliciarem.

Alguém notou na semana passada que as eleições de Lisboa produziram uma abstenção digna de um referendo. E foi de facto assim, como um referendo sobre o sistema partidário, que quase toda a classe comentadora interpretou a votação. O resultado não ofereceu dúvidas a ninguém, o povo soberano teria mostrado o seu desprezo pelos partidos.
A discussão sobre os partidos políticos tem sido recorrente em Portugal. Os partidos decepcionaram-nos constantemente. Umas vezes, como durante a monarquia constitucional, porque se entenderam, e assim reduziram a política, que desejaríamos feita de diferenças claras e confrontos abertos, ao tédio da rotação. Outras vezes, como durante a I República, porque não se entenderam, e assim sujeitaram a governação, que queríamos estável e tranquila, a rupturas e mudanças constantes. Neste assunto, há muito que não há mais novidades.
A verdade é que, mais do que os partidos, foi a própria ideia de partido político que ofendeu geralmente os portugueses. Mesmo os mais empedernidos laicistas (e sobretudo eles) quiseram dar à vida política a unidade e a evidência da vida religiosa. Tal como a igreja, também a nação foi pensada como existindo naturalmente unida. Tal como o credo da fé, também o bem público foi concebido como algo simples e óbvio para todos os corações puros. Postas as coisas assim, qualquer divisão só pôde ser entendida como produto e uma maldade facciosa. Para além desta, houve outra razão contra os partidos. Desde há muito que o Estado é, em Portugal, um dos grandes empregadores da classe média e regulamentador de quase tudo. A possibilidade de um “partido” tomar conta dessa máquina para lhe dar um uso sectário assustou e irritou sempre os portugueses. Foi assim que desde que há partidos se começou a sonhar com um regime “livre” deles, apenas focado no bem comum e aberto a todos os cidadãos de boa vontade. O salazarismo quis ser isso. Felizmente, a memória do salazarismo também tem sido, nos últimos anos, a melhor vacina contra isso.
Mas mesmo nos limites do corrente respeito democrático pelos partidos, é possível dizer muito mal deles, como se viu na semana passada. Nem sempre com jeito ou razão. Os actuais partidos não são simplesmente uma selecção dos piores: na década de 1970 socializaram politicamente as elites da época. E continuam a ser máquinas eficazes, controlando quase exclusivamente a representação política. Não por acaso, a maior parte das candidaturas “independentes” em eleições autárquicas traduzem, não a irrupção de forças novas, mas fraccionamentos e dissidências nas estruturas partidárias locais.
O grande mal atribuído aos partidos deste regime é o de terem muito “aparelho” e poucos militantes. Porque é que há tão pouca gente nos partidos? Em certa medida, por boas razões. Não vivemos numa sociedade onde o acesso a serviços ou empregos públicos dependa de cartão partidário. Nem sequer é necessário ser filiado para ocupar cargos políticos. Também temos outros meios para intervenção pública além das organizações partidárias. Enfim, não precisamos de entrar nos partidos. Mas os partidos também não precisam de nós. E esse é, talvez, o ponto mais curioso.
Os actuais partidos portugueses não foram apenas, como todos sabemos, formados a partir do Estado: são partidos do Estado, vivendo de subvenções públicas (desde 1977) e mantendo influência e actividade sobretudo através das posições ocupadas no Governo e autarquias. Não precisam assim de militantes nem de quadros próprios (quando ascendem ao poder, vão buscar o pessoal necessário à vida civil). Sem novas marés de militância e com poucos quadros, aconteceu aos partidos o mesmo que aos clubes moribundos, onde uns poucos asseguram a direcção anos a fio, até se tornarem os principais interessados numa estagnação que os protege de qualquer concorrência. O peso do “aparelho” expressa esta situação.
Suponhamos que se quer mudar isto. Há várias maneiras. Uma é fazer uma revolução - foi assim que tradicionalmente se renovou o parque partidário em Portugal. Outra é tentar comover os cidadãos e o pessoal dos partidos com apelos à ética e à participação. Para quem não queira fazer revoluções nem acredite em catequeses cívicas, resta uma terceira via: obrigar os partidos, dentro de uma lei que assegure a maior transparência, a viver de quotas e recolhas de fundos. Talvez isso os obrigasse a voltarem ao terreno, a tentar aumentar a militância, a procurar novos quadros e a competir no mercado das ideias e das propostas. Em suma: experimentem privatizar os partidos. Talvez aconteça alguma coisa.

26 julho 2007

25 julho 2007

Na contracapa do PÚBLICO de hoje


O texto da jornalista Helena Matos, a propósito da apresentação, feita pelo sr. primeiro-ministro e pela sra. ministra da educação e respectiva equipa, do Plano Tecnológico da Educação, refere-se a alguns aspectos do tema anteriormente abordados, em perspectivas complementares, por mim e pelo Range-o-Dente (link aí ao lado). Transcrevo-o de seguida:

O Governo antropofóbico
Vai grande escândalo na pátria por causa das criancinhas contratadas para fazerem de conta que eram alunos na sessão de apresentação do Plano Tecnológico da Educação. Não percebo porquê. Como sabe qualquer pessoa que tenha os filhos nas escolas públicas, estas não funcionam nesta época do ano, logo as criancinhas só por intervenção divina ou contratação terrena ali estariam.
Como bem respondeu à jornalista o rapaz que fazia de aluno: "Chamaram-me para uma publicidade e estou aqui agora." Esta criança é uma analista de primeira linha porque na verdade definiu muito bem não apenas a sua situação, mas também a nossa: chamaram-nos para uma publicidade e aqui estamos. Pois não sendo este Governo o primeiro que chama os portugueses para a publicidade, caracteriza-se pelo facto de não nos suportar em qualquer outra ocasião. Os únicos acontecimentos em que o Governo se sente à vontade são aquelas sessões em que nos garante que a nossa vida vai mudar radicalmente em consequência duma nova tecnologia para o qual o executivo nos vai mobilizar. Estes anúncios sucedem-se a uma velocidade tal que esquecemos rapidamente os anteriores. Por exemplo, onde param os dez milhões de caixas de correio electrónicas que os CTT lançariam em 2006 e que custariam a módica quantia de 2,5 milhões de euros?
Contudo, o quadro interactivo agora anunciado pelo Governo é muito mais patético do que a caixa electrónica que os interessados têm de activar através duns procedimentos contemporâneos do papel selado. E mais patético porque, ao escutar-se Sócrates a explicar as maravilhas do dito quadro, se percebe como ele acha que tudo se resume aos adereços. Ao contrário do que afirmou o nosso primeiro-ministro, a relação professor-aluno não muda por causa dum brinquedo que desenha de forma perfeita os ângulos dos losangos. O quadro interactivo não faz falta alguma ou, melhor dizendo, faz tanta falta quanto, antes deles, fizeram os ainda recentes acetatos ou os já desaparecidos flanelógrafos: se o professor for bom e se a turma estiver motivada, esses objectos ajudam a tornar mais interessante aquilo que já é. Caso contrário, ou seja, se o professor for mau e os alunos não estiverem interessados, então todas essas maravilhas se transformam numa tralha grotesca.
Mais do que os edifícios e do que os equipamentos, as escolas são as pessoas. E não apenas os professores e os alunos. Por exemplo, muitas das mais graves agressões registadas nas escolas acontecem porque existem espaços e horários em que não se avista um funcionário, vulgo contínuo. Quando agora se anuncia a instalação de sistemas de alarme e de videovigilância nas escolas "para protecção externa e salvaguarda do investimento de que os estabelecimentos têm sido alvo", não faria mais sentido optar-se por reforçar a componente humana dessa vigilância? O principal objectivo da vigilância, acreditava eu, era a segurança dos alunos, professores e funcionários e só depois a dos equipamentos. mas ao optar-se pela videovigilância e pelos sistemas de alarme opta-se claramente por defender o quadro electrónico e não as pessoas.
A escola do futuro anunciada por Sócrates é um local onde as figuras de autoridade como o professor e os funcionários são cada vez mais menorizadas e substituídas, nas aulas, pelos quadros interactivos e, nos pátios, pelas câmaras de videovigilância. Esta escola é o resultado de um governo que sofre duma variante de antropofobia aplicada especialmente aos portugueses. Não há interactividade que nos valha.

23 julho 2007

Os novos-ricos


Vejam-nos aqui.

Agora falando sério!


A sério, mesmo!
Eu estou totalmente de acordo com uma maior exigência no que diz respeito à formação dos professores do ensino secundário (e não só!). Exigência que, para começar, deveria partir dos próprios, pelo exercício normal da curiosidade e do desejo de (se) conhecerem. Sob este prisma, o Ministério da Educação teria como uma das suas principais tarefas possibilitar a frequência de acções de formação de diferentes tipos a desenvolver pelas universidades, que complementassem os esforços já desenvolvidos por cada um particularmente, e apenas isso. Os alunos beneficiariam assim dos únicos reais galvanizadores pedagógicos: a convicção e o entusiasmo do mestre, que saberia englobar os conhecimentos a leccionar em horizontes mais abrangentes e significativos.
Mas que peso tem sequer a perspectiva de pretender professores cada vez mais habilitados, numa escola onde os programas são cada vez menos aprofundados e os critérios de avaliação cada vez menos exigentes e rigorosos? Exigir maiores qualificações dos professores supõe pretender o mesmo em relação dos alunos na direcção do tal “novo país”. Ora é exactamente o contrário disso o que se passa! Os professores deverão estar altamente qualificados… para leccionarem matérias que qualquer aluno com o antigo 7º ano dos liceus ou o 12º ano de há uns tempos estaria mais do que habilitado para retransmitir e para avaliar a correspondente aprendizagem! E sem necessidade de ciências da tanga, perdão!, da educação…! Nem de computadores!
A sério, de novo: o que é que se anda por aí a maquinar? É que é demasiada estupidez para ser verdade.
Ou então, quem sabe?!, é mesmo estupidez. Sê-lo-á sempre, aliás.
Voltarei ainda a este assunto.

Antes de continuar a modesta proposta que fiz uns dias atrás...

... deixo aqui um texto que me foi enviado por e-mail, escrito por Francisco José Viegas e publicado na edição do Jornal de Notícias, de 4 de Junho passado.

A senhora menistra da Educação açegurou ao presidente da República que, em futuras provas de aferissão do 4.º e do 6.º anos de iscolaridade, os critérios vão ser difrentes dos que estão em vigor atualmente. Ou seja os erros hortográficos já vão contar para a avaliassão que esses testes pretendem efetuar. Vale a penaeisplicar o suçedido, depois de o responçável pelo gabinete de avaliassões do Menistério da Educação ter cido tão mal comprendido e, em alguns cazos, injustissado. Quando se trata de dar opiniões sobre educassão, todos estamos com vontade de meter o bedelho. Pelo menos.
Como se sabe, as chamadas provas de aferissão não são izames propriamente ditos limitão-se a aferir, a avaliar - sem o rigôr de uma prova onde a nota conta para paçar ou para xumbar ao final desses ciclos de aprendizagem. Servem para que o menistério da Educação recolha dados sobre a qualidade do encino e das iscólas, sobre o trabalho dos profeçores e sobre as competênssias e deficiênçias dos alunos.
Quando se soube que, na primeira parte da prova de Português, não eram levados em conta os erros hortográficos dados pelos alunos, logo houve algumas vozes excandalisadas que julgaram estar em curso mais uma das expriências de mudernização do encino, em que o Menistério tem cido tão prodigo. Não era o caso porque tudo isto vem desde 2001. Como foi eisplicado, havia patamares no primeiro deles, intereçava ver se os alunos comprendiam e interpetavam corretamente um teisto que lhes era fornessido. Portantos, na correção dessa parte da prova, não eram tidos em conta os erros hortográficos, os sinais gráficos e quaisqueres outros erros de português excrito. Valorisando a competenssia interpetativa na primeira parte, entendiasse que uma ipotetica competenssia hortográfica seria depois avaliada, quando fosse pedido ao aluno que escrevê-se uma compozição. Aí sim, os erros hortográficos seriam, digamos, contabilisados - embora, como se sabe, os alunos não sejam penalisados: á horas pra tudo, quer o Menistério dizer; nos primeiros cinco minutos, trata-se de interpetar; nos quinze minutos finais, trata-se da hortografia.
Á, naturalmente, um prublema, que é o de comprender um teisto através de uma leitura com erros hortográficos. Nós julgáva-mos, na nossa inoçência, que escrever mal era pensar mal, interpetar mal, eisplicar mal. Abreviando e simplificando, a avaliassão entende que um aluno pode dar erros hortográficos desde que tenha perssebido o essencial do teisto que comenta (mesmo que o teisto fornessido não com tenha erros hortográficos). Numa fase posterior, pedesse-lhe 'Então, criançinha, agora escreve aí um teisto sem erros hortográficos.' E, emendando a mão, como já pedesse-lhe para não dar erros, a criancinha não dá erros.
A questão é saber se as pessoas (os cidadões, os eleitores, os profeçores, 'a comonidade educativa') querem que os alunos saião da iscóla a produzir abundãnssia de erros hortográficos, ou seja, se os erros hortográficos não téêm importânssia nenhuma - ou se tem. Não entendo como os alunos podem amostrar 'que comprenderam' um teisto, eisplicando-o sem interesar a cantidade de erros hortográficos. Em primeiro lugar porque um erro hortográfico é um erro hortográfico, e não deve de haver desculpas. Em segundo lugar, porque obrigar um profeçor a deixar passar em branco os erros hortográficos é uma injustiça e um pressedente grave, além de uma desautorizassão do trabalho que fizeram nas aulas. Depois, porque se o gabinete de avaliassão do Menistério quer saber como vão os alunos em matéria de competenssias, que trate de as avaliar com os instromentos que tem há mão sem desautorisar ou humilhar os profeçores.
Peçoalmente, comprendo a intensão. Sei que as provas de aferissão não contam para nota e hádem, mais tarde, ser modificadas. Paço a paço, a hortografia háde melhorar.

22 julho 2007

Mais tripeiro, menos fedorento



Queria escrever uma continuação do post anterior...


... mais assim ao sério, mas tive um dia duro e apetece-me preguiçar. Fica p'ra amanhã.