01 agosto 2007

Erros

Brueghel, O Triunfo da Morte
Os americanos cometeram um erro, ajudando a armar as petromonarquias? Sem dúvida. Mas resta saber se, atendendo à postura dos europeus em todo o processo da evolução da situação no Médio Oriente e no Afeganistão desde há muitos anos, Bush teria qualquer outra solução. A culpa não morre solteira nem monógama.
E Israel, no meio disto tudo? Há já quem ande por aí a esfregar as mãos de contente. E não são apenas os magnatas do armamento.

31 julho 2007

A quem venha visitar-me

Não prometo nada de especial para hoje e amanhã: vou estar a trabalhar, felizmente em algo que me agrada. Espero voltar mais "em força" na quinta-feira.
E, já agora, sabem quem é o Edson Cordeiro? Se não sabem, vão ao post abaixo. E procurem ver o extraordinário espectáculo que deu em Paris, em 2003.

Edson Cordeiro

30 julho 2007

Ora eis aqui...

Henri Matisse


... um bom texto.

Ando cá desconfiado...

"Acho injusto que Manuel Alegre olhe para o melhor Governo que se formou em Portugal depois do 25 de Abril com olhos de cego", disse Emídio Rangel no Correio da Manhã.
Na tragédia clássica, a cegueira é acompanhada de clarividência. E eu sempre desconfiei de que o sr. Rangel é zarolho. Porque isto, em terra de cegos...

Antes assim...


... do que assado!

29 julho 2007

28 julho 2007

Sonhos maus

Goya, Disparates
Uma peça informativa transmitida há pouco na RTP1 dava conta, através das palavras do jornalista e de diversos estudantes dos PALOP's que frequentam a Universidade Lumumba, de Moscovo, da atitude racista dos russos. A Universidade encontra-se sob vigilância permanente, saídas do recinto, só em grupo; conseguir emprego, nem pensar; namorada eslava, muito arriscado.
Em menos de 20 anos, foi-se o internacionalismo inculcado durante sete décadas de educação comunista? A solidariedade para com os pobres e subdesenvolvidos passou a constituir um rasto minoritário?
Ou, como tantos crentes desiludidos que de lá voltaram antes da perestroika (conheci alguns) nos deram testemunho, tudo não passou de uma encenação revoltante?
E há outras.

Então não é?!

Chirico, Os Puritanos


Tivesse já o Governo legalizado a prostituição e Fernando Charrua nunca seria suspenso. Considerando que actividade de trabalhadora do sexo é vista (com ou sem razão) como sendo desenvolvida por mão-de-obra não qualificada e, portanto, de menores recursos económicos, o professor poderia mesmo ser elogiado por, implicitamente, ter sugerido que o sr. primeiro-ministro, pesasse embora a sua origem humilde, é pessoa de enormes virtudes e méritos, ao lograr alcandorar-se a um dos mais altos cargos da vida pública. Haver-se-ia deste modo evitado que Portugal passasse por tão terrível sobressalto e, em vez de rictus de desgosto e amargura, ter-se-iam visto sorrisos de pura luz nos rostos dos portugueses ao ouvirem a expressão modelar de Charrua, pela visão de futuro que um tal governante lhes sugeriria.
Apela-se, pois, ao sr. eng. José Sócrates que, na trilha do Simplex e com objectivo de libertar o país de algumas das inutilidades que lhe atravancam o progresso, entopem os tribunais, diminuem o estatuto da mulher e lançam o opróbio sobre os governantes, legalize em breve aquela que, incompreensivelmente, sendo tida como a mais velha profissão do mundo, é, talvez, a menos reconhecida.
A bem da nação!

27 julho 2007

Efemérides confrangedoras


Neste país
em diminutivo
juizinho
é que é preciso.
Alexandre O'Neill escreveu este poema há cerca de quarenta anos.

Não é bem assim...


"José Sócrates é uma espécie de Alberto João Jardim da União Europeia.", escreveu anteontem João Miranda, no Blasfémias.
Penso que a comparação é demasiado lisongeira para Sócrates. O que o distingue de qualquer outro responsável político europeu é, desde logo, o facto de gritar como só um caudilho sul-americano e de ser tão demagógico e incapaz como qualquer deles. De Jardim, distingue-o a falta de argúcia e de eficácia governativa.

Brincalhão!


Ontem, no PÚBLICO, Manuel Alegre disse, de novo, mais do mesmo, ao que o PS respondeu, desta vez através de Almeida Santos, com o que o que é habitual. Nem uma brisa agitou as águas do pântano.
Em contrapartida, na página imediatamente anterior àquela onde se podia ler o triste (por mais do que uma razão ) texto de Alegre, podia ler-se um outro, do historiador Rui Ramos. Pela acutilância, pelo rigor, bem como pelo subtilíssimo sentido de humor, que culmina no penúltimo período, daqui lhe envio uma enorme "chapelada". Façam favor de se deliciarem.

Alguém notou na semana passada que as eleições de Lisboa produziram uma abstenção digna de um referendo. E foi de facto assim, como um referendo sobre o sistema partidário, que quase toda a classe comentadora interpretou a votação. O resultado não ofereceu dúvidas a ninguém, o povo soberano teria mostrado o seu desprezo pelos partidos.
A discussão sobre os partidos políticos tem sido recorrente em Portugal. Os partidos decepcionaram-nos constantemente. Umas vezes, como durante a monarquia constitucional, porque se entenderam, e assim reduziram a política, que desejaríamos feita de diferenças claras e confrontos abertos, ao tédio da rotação. Outras vezes, como durante a I República, porque não se entenderam, e assim sujeitaram a governação, que queríamos estável e tranquila, a rupturas e mudanças constantes. Neste assunto, há muito que não há mais novidades.
A verdade é que, mais do que os partidos, foi a própria ideia de partido político que ofendeu geralmente os portugueses. Mesmo os mais empedernidos laicistas (e sobretudo eles) quiseram dar à vida política a unidade e a evidência da vida religiosa. Tal como a igreja, também a nação foi pensada como existindo naturalmente unida. Tal como o credo da fé, também o bem público foi concebido como algo simples e óbvio para todos os corações puros. Postas as coisas assim, qualquer divisão só pôde ser entendida como produto e uma maldade facciosa. Para além desta, houve outra razão contra os partidos. Desde há muito que o Estado é, em Portugal, um dos grandes empregadores da classe média e regulamentador de quase tudo. A possibilidade de um “partido” tomar conta dessa máquina para lhe dar um uso sectário assustou e irritou sempre os portugueses. Foi assim que desde que há partidos se começou a sonhar com um regime “livre” deles, apenas focado no bem comum e aberto a todos os cidadãos de boa vontade. O salazarismo quis ser isso. Felizmente, a memória do salazarismo também tem sido, nos últimos anos, a melhor vacina contra isso.
Mas mesmo nos limites do corrente respeito democrático pelos partidos, é possível dizer muito mal deles, como se viu na semana passada. Nem sempre com jeito ou razão. Os actuais partidos não são simplesmente uma selecção dos piores: na década de 1970 socializaram politicamente as elites da época. E continuam a ser máquinas eficazes, controlando quase exclusivamente a representação política. Não por acaso, a maior parte das candidaturas “independentes” em eleições autárquicas traduzem, não a irrupção de forças novas, mas fraccionamentos e dissidências nas estruturas partidárias locais.
O grande mal atribuído aos partidos deste regime é o de terem muito “aparelho” e poucos militantes. Porque é que há tão pouca gente nos partidos? Em certa medida, por boas razões. Não vivemos numa sociedade onde o acesso a serviços ou empregos públicos dependa de cartão partidário. Nem sequer é necessário ser filiado para ocupar cargos políticos. Também temos outros meios para intervenção pública além das organizações partidárias. Enfim, não precisamos de entrar nos partidos. Mas os partidos também não precisam de nós. E esse é, talvez, o ponto mais curioso.
Os actuais partidos portugueses não foram apenas, como todos sabemos, formados a partir do Estado: são partidos do Estado, vivendo de subvenções públicas (desde 1977) e mantendo influência e actividade sobretudo através das posições ocupadas no Governo e autarquias. Não precisam assim de militantes nem de quadros próprios (quando ascendem ao poder, vão buscar o pessoal necessário à vida civil). Sem novas marés de militância e com poucos quadros, aconteceu aos partidos o mesmo que aos clubes moribundos, onde uns poucos asseguram a direcção anos a fio, até se tornarem os principais interessados numa estagnação que os protege de qualquer concorrência. O peso do “aparelho” expressa esta situação.
Suponhamos que se quer mudar isto. Há várias maneiras. Uma é fazer uma revolução - foi assim que tradicionalmente se renovou o parque partidário em Portugal. Outra é tentar comover os cidadãos e o pessoal dos partidos com apelos à ética e à participação. Para quem não queira fazer revoluções nem acredite em catequeses cívicas, resta uma terceira via: obrigar os partidos, dentro de uma lei que assegure a maior transparência, a viver de quotas e recolhas de fundos. Talvez isso os obrigasse a voltarem ao terreno, a tentar aumentar a militância, a procurar novos quadros e a competir no mercado das ideias e das propostas. Em suma: experimentem privatizar os partidos. Talvez aconteça alguma coisa.

26 julho 2007

25 julho 2007

Na contracapa do PÚBLICO de hoje


O texto da jornalista Helena Matos, a propósito da apresentação, feita pelo sr. primeiro-ministro e pela sra. ministra da educação e respectiva equipa, do Plano Tecnológico da Educação, refere-se a alguns aspectos do tema anteriormente abordados, em perspectivas complementares, por mim e pelo Range-o-Dente (link aí ao lado). Transcrevo-o de seguida:

O Governo antropofóbico
Vai grande escândalo na pátria por causa das criancinhas contratadas para fazerem de conta que eram alunos na sessão de apresentação do Plano Tecnológico da Educação. Não percebo porquê. Como sabe qualquer pessoa que tenha os filhos nas escolas públicas, estas não funcionam nesta época do ano, logo as criancinhas só por intervenção divina ou contratação terrena ali estariam.
Como bem respondeu à jornalista o rapaz que fazia de aluno: "Chamaram-me para uma publicidade e estou aqui agora." Esta criança é uma analista de primeira linha porque na verdade definiu muito bem não apenas a sua situação, mas também a nossa: chamaram-nos para uma publicidade e aqui estamos. Pois não sendo este Governo o primeiro que chama os portugueses para a publicidade, caracteriza-se pelo facto de não nos suportar em qualquer outra ocasião. Os únicos acontecimentos em que o Governo se sente à vontade são aquelas sessões em que nos garante que a nossa vida vai mudar radicalmente em consequência duma nova tecnologia para o qual o executivo nos vai mobilizar. Estes anúncios sucedem-se a uma velocidade tal que esquecemos rapidamente os anteriores. Por exemplo, onde param os dez milhões de caixas de correio electrónicas que os CTT lançariam em 2006 e que custariam a módica quantia de 2,5 milhões de euros?
Contudo, o quadro interactivo agora anunciado pelo Governo é muito mais patético do que a caixa electrónica que os interessados têm de activar através duns procedimentos contemporâneos do papel selado. E mais patético porque, ao escutar-se Sócrates a explicar as maravilhas do dito quadro, se percebe como ele acha que tudo se resume aos adereços. Ao contrário do que afirmou o nosso primeiro-ministro, a relação professor-aluno não muda por causa dum brinquedo que desenha de forma perfeita os ângulos dos losangos. O quadro interactivo não faz falta alguma ou, melhor dizendo, faz tanta falta quanto, antes deles, fizeram os ainda recentes acetatos ou os já desaparecidos flanelógrafos: se o professor for bom e se a turma estiver motivada, esses objectos ajudam a tornar mais interessante aquilo que já é. Caso contrário, ou seja, se o professor for mau e os alunos não estiverem interessados, então todas essas maravilhas se transformam numa tralha grotesca.
Mais do que os edifícios e do que os equipamentos, as escolas são as pessoas. E não apenas os professores e os alunos. Por exemplo, muitas das mais graves agressões registadas nas escolas acontecem porque existem espaços e horários em que não se avista um funcionário, vulgo contínuo. Quando agora se anuncia a instalação de sistemas de alarme e de videovigilância nas escolas "para protecção externa e salvaguarda do investimento de que os estabelecimentos têm sido alvo", não faria mais sentido optar-se por reforçar a componente humana dessa vigilância? O principal objectivo da vigilância, acreditava eu, era a segurança dos alunos, professores e funcionários e só depois a dos equipamentos. mas ao optar-se pela videovigilância e pelos sistemas de alarme opta-se claramente por defender o quadro electrónico e não as pessoas.
A escola do futuro anunciada por Sócrates é um local onde as figuras de autoridade como o professor e os funcionários são cada vez mais menorizadas e substituídas, nas aulas, pelos quadros interactivos e, nos pátios, pelas câmaras de videovigilância. Esta escola é o resultado de um governo que sofre duma variante de antropofobia aplicada especialmente aos portugueses. Não há interactividade que nos valha.

23 julho 2007

Os novos-ricos


Vejam-nos aqui.

Agora falando sério!


A sério, mesmo!
Eu estou totalmente de acordo com uma maior exigência no que diz respeito à formação dos professores do ensino secundário (e não só!). Exigência que, para começar, deveria partir dos próprios, pelo exercício normal da curiosidade e do desejo de (se) conhecerem. Sob este prisma, o Ministério da Educação teria como uma das suas principais tarefas possibilitar a frequência de acções de formação de diferentes tipos a desenvolver pelas universidades, que complementassem os esforços já desenvolvidos por cada um particularmente, e apenas isso. Os alunos beneficiariam assim dos únicos reais galvanizadores pedagógicos: a convicção e o entusiasmo do mestre, que saberia englobar os conhecimentos a leccionar em horizontes mais abrangentes e significativos.
Mas que peso tem sequer a perspectiva de pretender professores cada vez mais habilitados, numa escola onde os programas são cada vez menos aprofundados e os critérios de avaliação cada vez menos exigentes e rigorosos? Exigir maiores qualificações dos professores supõe pretender o mesmo em relação dos alunos na direcção do tal “novo país”. Ora é exactamente o contrário disso o que se passa! Os professores deverão estar altamente qualificados… para leccionarem matérias que qualquer aluno com o antigo 7º ano dos liceus ou o 12º ano de há uns tempos estaria mais do que habilitado para retransmitir e para avaliar a correspondente aprendizagem! E sem necessidade de ciências da tanga, perdão!, da educação…! Nem de computadores!
A sério, de novo: o que é que se anda por aí a maquinar? É que é demasiada estupidez para ser verdade.
Ou então, quem sabe?!, é mesmo estupidez. Sê-lo-á sempre, aliás.
Voltarei ainda a este assunto.

Antes de continuar a modesta proposta que fiz uns dias atrás...

... deixo aqui um texto que me foi enviado por e-mail, escrito por Francisco José Viegas e publicado na edição do Jornal de Notícias, de 4 de Junho passado.

A senhora menistra da Educação açegurou ao presidente da República que, em futuras provas de aferissão do 4.º e do 6.º anos de iscolaridade, os critérios vão ser difrentes dos que estão em vigor atualmente. Ou seja os erros hortográficos já vão contar para a avaliassão que esses testes pretendem efetuar. Vale a penaeisplicar o suçedido, depois de o responçável pelo gabinete de avaliassões do Menistério da Educação ter cido tão mal comprendido e, em alguns cazos, injustissado. Quando se trata de dar opiniões sobre educassão, todos estamos com vontade de meter o bedelho. Pelo menos.
Como se sabe, as chamadas provas de aferissão não são izames propriamente ditos limitão-se a aferir, a avaliar - sem o rigôr de uma prova onde a nota conta para paçar ou para xumbar ao final desses ciclos de aprendizagem. Servem para que o menistério da Educação recolha dados sobre a qualidade do encino e das iscólas, sobre o trabalho dos profeçores e sobre as competênssias e deficiênçias dos alunos.
Quando se soube que, na primeira parte da prova de Português, não eram levados em conta os erros hortográficos dados pelos alunos, logo houve algumas vozes excandalisadas que julgaram estar em curso mais uma das expriências de mudernização do encino, em que o Menistério tem cido tão prodigo. Não era o caso porque tudo isto vem desde 2001. Como foi eisplicado, havia patamares no primeiro deles, intereçava ver se os alunos comprendiam e interpetavam corretamente um teisto que lhes era fornessido. Portantos, na correção dessa parte da prova, não eram tidos em conta os erros hortográficos, os sinais gráficos e quaisqueres outros erros de português excrito. Valorisando a competenssia interpetativa na primeira parte, entendiasse que uma ipotetica competenssia hortográfica seria depois avaliada, quando fosse pedido ao aluno que escrevê-se uma compozição. Aí sim, os erros hortográficos seriam, digamos, contabilisados - embora, como se sabe, os alunos não sejam penalisados: á horas pra tudo, quer o Menistério dizer; nos primeiros cinco minutos, trata-se de interpetar; nos quinze minutos finais, trata-se da hortografia.
Á, naturalmente, um prublema, que é o de comprender um teisto através de uma leitura com erros hortográficos. Nós julgáva-mos, na nossa inoçência, que escrever mal era pensar mal, interpetar mal, eisplicar mal. Abreviando e simplificando, a avaliassão entende que um aluno pode dar erros hortográficos desde que tenha perssebido o essencial do teisto que comenta (mesmo que o teisto fornessido não com tenha erros hortográficos). Numa fase posterior, pedesse-lhe 'Então, criançinha, agora escreve aí um teisto sem erros hortográficos.' E, emendando a mão, como já pedesse-lhe para não dar erros, a criancinha não dá erros.
A questão é saber se as pessoas (os cidadões, os eleitores, os profeçores, 'a comonidade educativa') querem que os alunos saião da iscóla a produzir abundãnssia de erros hortográficos, ou seja, se os erros hortográficos não téêm importânssia nenhuma - ou se tem. Não entendo como os alunos podem amostrar 'que comprenderam' um teisto, eisplicando-o sem interesar a cantidade de erros hortográficos. Em primeiro lugar porque um erro hortográfico é um erro hortográfico, e não deve de haver desculpas. Em segundo lugar, porque obrigar um profeçor a deixar passar em branco os erros hortográficos é uma injustiça e um pressedente grave, além de uma desautorizassão do trabalho que fizeram nas aulas. Depois, porque se o gabinete de avaliassão do Menistério quer saber como vão os alunos em matéria de competenssias, que trate de as avaliar com os instromentos que tem há mão sem desautorisar ou humilhar os profeçores.
Peçoalmente, comprendo a intensão. Sei que as provas de aferissão não contam para nota e hádem, mais tarde, ser modificadas. Paço a paço, a hortografia háde melhorar.

22 julho 2007

Mais tripeiro, menos fedorento



Queria escrever uma continuação do post anterior...


... mais assim ao sério, mas tive um dia duro e apetece-me preguiçar. Fica p'ra amanhã.

20 julho 2007

Modesta proposta


Na sequência da medida anunciada pela sra. Ministra da Educação, segundo a qual, no sentido da implementação de uma superior qualidade do ensino, os professores do Secundário deverão passar a ter como grau académico mínimo o mestrado, venho não só manifestar o meu incondicional apoio ao Governo nesta matéria como, na qualidade de cidadão, apresentar uma modesta proposta que visa, na continuidade e aprofundamento desta mesma medida e com profundo espírito democrático, estruturar devida e eficazmente os destinos do país, deste modo evitando a sua sujeição à errância e à falta de rigor, causas de um permanente atraso em direcção ao progresso. Assim, sugiro que nenhum cidadão português possa ser:
1. Candidato a uma Junta de Freguesia, sem que possua uma licenciatura adequada ao lugar para que tenha possibilidade de ser eleito;
2. Candidato a uma Câmara Municipal, sem um mestrado que corresponda aos cargos a desempenhar, em caso de eleição;
3. Candidato a deputado, sem um doutoramento nas áreas sobre que pretenda vir a pronunciar-se e a propor legislação;
4. Governante do país, desde que não haja obtido o grau de catedrático no âmbito da pasta que que lhe seja atribuída.
Em simultâneo e em grau correspondente, todos deverão possuir cumulativamente uma formação em Ciência ou Filosofia Políticas, condição sine qua non para serem elegíveis, além de claras provas dadas quanto ao domínio dos aspectos gramaticais do português, bem como das suas competências no domínio da matemática.
Atendendo à manifesta insuficiência de recursos, sugiro ainda, para terminar, que, a exemplo do recentemente decretado no plano dos ensinos básico e secundário, seja criado um currículo de Novas Oportunidades para dirigentes politicos, incluindo os que neste momento se encontram esforçadamente em funções, apelando, para tal, ao espírito de sacrifício e desejo de valorização pessoal, próprio da sua nova condição de trabalhador-estudante.
Butaí?

Com estes que a terra um dia há-de comer...


... todos vimos e ouvimos hoje o primeiro-ministro gritar, perdão!, dizer no Parlamento, em resposta a Marques Mendes, que, ao contrário deste, sempre teve "a grandeza" (sic) de jamais alcunhar os seus adversários no partido como guerrilheiros políticos.
O eng. José Sócrates expressou-se, de facto, à sua altura e à sua medida.

19 julho 2007

Mais um, menos um

Brueghel

Desta vez é o SAC do Centro de Saúde de Seixal a ser encerrado. Servia 170.000 pessoas. Comentários?

Isto...

Edvard Munch

O primeiro-ministro congratulou-se ontem com a actividade desenvolvida pelo grupo parlamentar do Partido Socialista, a qual terá correspondido por inteiro às suas expectativas.
Sem dúvida!

... e isto...


... também (é para ler até ao fim, em especial o que já está para lá da apreciação da prova) - ver o post com esta mesma data.

18 julho 2007

Até amanhã!


Seguramente descurando as suas principais actividades - desancar inocentes e pacíficos palestinianos, árabes e restantes vizinhos e dominar, mais ou menos subreptícia e perfidamente, a economia e as finanças internacionais - um grupo de técnicos israelitas passou uns dias em Trás-os-Montes, no sentido de procurar melhorar o aproveitamento local da água para fins agrícolas. Chegaram à conclusão de que os indígenas da região gastam três vezes mais do que é preciso ou, de outra maneira, que ela chega perfeitamente para se produzir o triplo do que se produz hoje, coisa que, para quem tem o hábito de transformar o deserto em áreas férteis, deve ter sido, no mínimo, doloroso.
Vi isto ontem, num telejornal qualquer, onde, entre outras coisas, se falou ainda dos gestores portugueses como estando internacionalmente classificados abaixo do medíocre, e de um senhor que, certamente para estimular a economia através do consumo interno e garantir uma boa morte aos portugueses, só vê como solução aumentar os impostos e subir o IVA (não confundir com IVG) para 25%.
Ah! E o PS continua a falar em vitória na Cãmara de Lisboa e declina qualquer responsabilidade no vergonhoso nível de abstenção. O que, diga-se de passagem, também é bem feito para os portugueses.

16 julho 2007

Paco & Filho



Chopin por Horowitz



Quanto a mim...


... para além de todas as jogadas partidárias internas do PSD que terão contribuído para a percentagem de votos que obteve, o efectivo vencedor das eleições em Lisboa (onde, aliás, não resido) é Carmona Rodrigues.
Parabéns.

Mais do mesmo



Helena Roseta falou, a meu ver, muito bem, quando atribuiu à desilusão e ao consequente desinteresse o nível de abstenção que explodiu nas eleições para a Câmara de Lisboa. E que a candidatura que ela encabeçou era, entusiasmantemente, composta por gente que tinha vindo de todos os lados, de todos os partidos.
Só fiquei apreensivo ao ouvi-la dizer de seguida: "Eu até nem conhecia a maioria dos meus candidatos...!".

15 julho 2007

"O rebanho"

A preocupação com o arrogante autoritarismo no Governo começa a passar. Não admira. A liberdade pública e, sobretudo, a liberdade individual nunca especialmente comoveram os portugueses. Desde sempre que nos perseguimos com veneno e brutalidade. A "festa" do "25 de Abril" foi uma "festa" de intimidação e de arbítrio. E ainda ontem, numa espécie de votação "popular", o país mostrou o seu amor por Salazar e por Cunhal, enquanto Soares (como Sá Carneiro) desaparece pouco a pouco da memória coectiva. O facto é que, por um velho hábito de obediência e servidão, o indígena gosta de ser mandado. Gostou de ser mandado por Cavaco, que era, se bem se lembram, infalível, e gosta agora de ser mandado pelo eng. Sócrates, que é, segundo consta, decidido e determinado.
De resto, o mundo que aí está não favorece a liberdade. O Estado-providência entrou no mais remoto recanto das nossas vidas, fiscalizando, proibindo e punindo. A "Europa" não pára de se intrometer (sem utilidade visível) no que antes se deixava à história e às tradições de cada um. Em Portugal (e pelo Ocidente inteiro), a concentração urbana exige uma vigilância policial sem precedente. O igualitarismo, o fim daquilo a que se chamava "deferência" e o enfraquecimento irremediável da Igreja e da família produziram, ou permitiram que se criasse, uma ideologia oficial, que ninguém se atreve a contestar ou a infringir. E a democracia, que tanto e tão ardentemente se gaba, é na realidade uma prisão, com um regulamento estrito e, às vezes, brutal.
Os "construtores" deste admirável "modelo" acham que os prisioneiros são felizes. Mas serão? O eng. Sócrates diria que sim. Como os seus colegas do Governo e da "Europa" ou, pelo menos, de alguma "Europa". Eles só nos querem fazer bem e o que fazem é para nos fazer bem. O sr. ministro Santos Silva quer fazer bem ao jornalismo, quando o ameaça e oprime. O eng. Sócrates quer com certeza fazer bem ao país, quando tolera a delação para correr com funcionários que ousam criticar o Governo.. E o dr. Cavaco concorda obviamente com eles, quando, perante o "saneamento político" e o abuso de poder, se limita a um comentário equívoco e genérico. O que se compreende. A liberdade dia a dia negada nas mais simples coisas deixou de contar. Os benfeitores tratarão do rebanho, como entenderem e como lhes compete."

Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, ontem, sábado, 14 de Julho

Diz quem sabe


"Hoje há um approach salazarista em vários partidos. O realismo político dele, por exemplo, é adoptado por pessoas do PS."
Jaime Nogueira Pinto, no Diário de Notícias (citação retirada do PÚBLICO de hoje)

13 julho 2007

Que horas são?


Não é a primeira vez, desde há alguns anos a esta parte, que -como de novo aconteceu ontem à noite - as selecções de futebol dos mais jovens dão espectáculos vergonhosos de indisciplina, de comportamentos violentos e de eufórico vandalismo nos balneários. Nada disto é de estranhar.
Basta que entrem na escola, pública de preferência, para que a sua "educação" decorra nesse sentido. Nas salas de aula, que repugnam aos jovens estudantes vindos directamente dos PALOP's ou do leste europeu, espantados com o facto de "isto" se permitir e que afirmam não se conseguir aprender seja o que for em tais condições. Nos pátios, onde praguejar, nos termos mais violentos, é tolerado, esquecendo-se que a instalação da agressividade se inicia, desde logo, pela linguagem.
Mas, principalmente, basta-lhes nascerem e entrarem na família, que remete para as instituições públicas a responsabilidade da formação dos futuros cidadãos, ao mesmo tempo que, portas adentro, ensina e, frequentemente, age mesmo em sentido oposto.
Tudo em nome da liberdade e do respeito pelo indivíduo.
Não há comunidade que se consiga manter, desta maneira, por muito tempo. A sua desagregação é inevitável e poderá assumir as mais diferentes, repulsivas e dolorosas formas. Os portugueses do futuro não o serão porque não serão nada, incapazes, com as excepções que confirmam a regra, de tomar consciente e determinadamente conta das suas vidas. Os jovens de hoje, em Portugal, por detrás de toda a algazarra que possam fazer na 24 de Julho e noutros locais de "convívio" e "lazer", são seres humanos profundamente entristecidos, bisonhos, confusos porque desencontrados de si próprios, com horizontes à medida dos escassos conhecimentos adquiridos, doutrinados por morangos de estufa e, por isso, de facto privados da liberdade que uma ditadura estreita lhes recusou e que a estupidez oportunista do 26 de Abril lhes tem roubado. Continuam a ser, dois séculos depois, o "povo de escravos" de que falava Byron.
E não vale a pena dizer "É a Hora!". O Pessoa já o disse e não resultou.


Este post é delicioso!


Encontrei-o mesmo agora, referenciado pelo Range-o-Dente.

12 julho 2007

O subliminar na "Comunicação Social"


Há pouco, no telejornal da RTP1, noticiava-se o "escândalo Marques Mendes".Em duas frases sucessivas da peça, a locutora de serviço atirava-nos aos ouvidos:
Marques Mendes recebeu no ano tal 4.400 contos e, no ano seguinte, 21.000 euros. A coisa acabava, porém, na segunda frase, por ficar pelos 700 contos mensais (salvo erro).
Estranha, esta rápida flutuação entre os euros e os defuntos escudos?
Talvez não.
É que o que fica subliminarmente na mente de quem escutou a notícia é, em primeiro lugar, a sugestão de um aumento de cerca de 500% do primeiro para o segundo ano de actividade (4.400 para 21.000), quando, de facto, fazendo a conversão de uma moeda para a outra, representa uma diminuição de 1.000 euros ou, se se preferir, de 200 contos.
A passagem dos montantes, agora de euros para escudos, na segunda frase, continua no sentido de apresentar subliminarmente o valor como o mais alto possível. Com efeito, atendendo à faixa etária maioritária da população portuguesa e ao hábito de épocas, é mais "pesado" falar em 700 contos do que em 3.500 euros por mês.
Quem terá redigido o texto?

Miles Davis, Human Nature





11 julho 2007

Fala com ela/O pianista



Declarou!


O sr. Eng. José Sócrates Pinto de Sousa afirma-se chocado com os dois casos de professores cuja reforma foi negado por juntas médicas e prometeu medidas urgentes.
Ficam sempre bem estas declarações, num primeiro-ministro atento às pessoas do país que governa. E só o facto de andar atarefado com a presidência europeia é que terá sido a causa de tanta demora em proferi-las.

Sete anos no ensino secundário


Enviaram-ontem este texto, por email. Limito-me a reproduzi-lo, tal e qual como me chegou.
Opinião

Querido Sócrates, encolhi-lhes as carreiras...
Ruy de Carvalho, um dos melhores actores portugueses de sempre, cumpre, esta semana, 60 anos da sua brilhante e celebrada carreira.
Tem sorte Ruy de Carvalho em não ser professor pois, caso o fosse, estaria a celebrar, em vez de seis décadas, apenas sete anos dessa longa carreira...
Passo a explicar com mais detalhe, pois, eu próprio, também ainda não percebo muito bem mais uma das muitas maquiavelices do Ministério, alegadamente, da Educação.
Como é do conhecimento geral, o Ministério dividiu a carreira dos professores em duas, sendo uns, poucos, professores titulares e os restantes, a grande maioria, uns meros acólitos, a partir de agora vulgar, rasca e simplesmente tratados por professores!
Feita esta divisão no papel, havia que organizar o concurso para que os professores do último escalão progredissem para professores titulares. Embora desconfiando das promessas da benemérita ministra, nunca os professores (nos quais me incluo, nos professores e nos desconfiados!), repito, nunca os professores pensaram ser tão pouca e tão pobre a esmola com que nos quer obsequiar.
Então como funciona esse concurso para professor titular?Desde já digo que é fácil, é barato e não é para milhões.Pela Internet, os professores enviam os formulários onde registam os passos das suas carreiras, os seus cargos e os seus desempenhos a diferentes níveis. Mas aqui começa a grande embrulhada, salpicada com muita dose de má-fé, de cinismo e de falta de respeito pelos professores, que a senhora ministra teima em não ver como parceiros, mas como inimigos.E tudo isto porque o Ministério pretende fazer uma análise curricular de uma carreira... somente pelos últimos sete, repito, sete anos!
Ou seja, só conta, diz-nos tão pedagógica figura, o que fizeste nos últimos sete anos. A nossa carreira vale apenas isso...sete anos!
A título de exemplo, vejamos o meu caso (como o meu haverá os de muitos colegas): tenho 28 anos de serviço, onde fui tudo o que se pode ser numa escola. Enumero algumas para que a vergonha possa cobrir a cara de quem manda: fui presidente do Conselho Directivo durante seis ou sete anos, presidente do Conselho Pedagógico, presidente do Conselho Administrativo, coordenador dos directores de turma, director de turma, delegado de disciplina, acompanhante da prática pedagógica, exerci, durante dez anos, funções docentes como Leitor de Língua e Cultura Portuguesas, do Instituto Camões, nas Universidades de Portsmouth (Reino Unido) e de Estocolmo (Suécia), escrevi manuais didácticos, fiz investigação na área das Aprendizagens e das Novas Tecnologias, apresentei bastantes comunicações (não foram nem uma, nem duas) em conferências internacionais (desde Espanha ao México, passando pelo Brasil, Inglaterra, Suécia, etc.), fiz várias actualizações em diversos domínios, tirei uma pós-graduação, criei e lancei um Clube de Rádio numa escola, fui, durante estes 28 anos, professor com P grande, professor com toda a alma e com todo o coração... E vem agora uma senhora ministra, dizem, da Educação!, comunicar-me (comunicar-nos!) que isto de nada vale, que fui um tolo em ter feito tanta coisa, que uma vida como professor se resume simplesmente a sete anos?! Que a análise curricular para se poder aceder a professor titular, se baseia, unicamente, numa fracção da minha vida toda como docente? Que análise curricular é esta?Que fraude me querem impor?
Dentro da trapaça imensa que é este concurso, há situações em que o Ministério ora acha que algo tem efeitos retroactivos, ora acha que não. Neste último, já vimos que vinte e um anos (21) da minha carreira não contam! Mas contam as faltas, qualquer que tenha sido o seu motivo! Por exemplo, o Ministério que me mandou fazer formação e me deu dispensa para a frequentar, vem agora penalizar-me porque obedeci e a frequentei!Mas isto não é de doidos?Isto não é uma atitude não só provocatória como de desprezo em relação à actividade docente? Afinal onde está o prémio pelo mérito, pelo esforço e pela excelência?E o que fazem agora os professores?Lutam contra esta iniquidade ou andam já a contar os pontinhos para aceder ao Olimpo?
E qual é a posição dos professores que são, neste momento, deputados?PS, PSD, CDS, PCP, Verdes, BE? Preciso (precisamos) de saber o que pensam para podermos) retribuir, em conformidade, na hora das decisões.
Apetece-me convocar Almada Negreiros e parafrasear o seu Manifesto: uma geração, que consente deixar-se representar por [esta monstra] é uma geração que nunca o foi! (...) Se [esta ministra é portuguesa], eu quero ser espanhol!
PIM-PAM-PUMH
FERNANDO JOSÉ RODRIGUES Professor, escritor, 28 anos de serviço reduzidos a 7
PS: Vejam bem que não há só gaivotas em terra, quando um homem se põe a pensar! (José Afonso)
Fonte: Jornal de Leiria; Páginas: 17; Autor: FERNANDO JOSÉ RODRIGUES

09 julho 2007

Três histórias de pura ficção

Cândido da Costa Pinto

Comecemos por imaginar a possibilidade de uma história destas acontecer numa escola secundária:
Um dia, o Conselho Executivo é surpreendido pela chegada, sem aviso prévio, de um grupo de inspectores. Estes, porém, tranquilizam desde logo toda a gente: trata-se de uma visita integrada na formação de inspectores estagiários e nada mais, pelo que não haverá qualquer avaliação oficial seja do que ou de quem seja. Nada de anormal tendo sido detectado ao nível administrativo ou da documentação pedagógica, solicitam, de seguida, permissão para assistirem a uma aula de um docente, a designar pelos próprios órgãos directivos da escola, os quais indicam, compreensivelmente, um professor de comprovada competência científica e sucesso pedagógico.
Este inicia a aula como de costume e tudo decorre normalmente. A certa altura, porém, começa a ouvir-se um zunzum estranho, que vai aumentando a pouco e pouco, levando-o a suspender por momentos a leccionação e a comentar: “Vocês hoje estão muito irrequietos…!” Para seu espanto, é o orientador de estágio dos inspectores a pedir desculpa, lá do fundo da sala, pelo facto de estarem a conversar e, assim, a perturbar o bom funcionamento da aula.
Contudo, o mais absurdo há-de vir depois, quando a escola toma conhecimento do relatório feito pelo grupo de estágio. Nele se pode ler, em apreciação à referida aula, que esta não decorrera bem… por o professor ser demasiado directivo! Conhecedor da situação, o Conselho Executivo protesta, mas o relatório nunca virá a ser alterado.
Imaginemos ainda esta outra, a de um inspector que, depois de nada ter detectado ao nível da documentação pedagógica, mas que encontrou uma falha em dois sumários escritos no livro de ponto, chama a atenção do correspondente professor, afirmando categoricamente que o sumário é talvez o instrumento mais importante de uma aula.
Para terminar, suponhamos a possibilidade de, em consequência do novo Estatuto da Carreira Docente, um professor de reduzida competência pedagógica e que já recebeu queixas de pais e alunos, vir a ser promovido a titular, mercê da antiguidade e dos pontos acumulados em diversas funções que desempenhou. Esse professor, que todos conhecem na escola pelo seu carácter vingativo e dissimulado, passará a ter a seu cargo, entre outras, a tarefa de avaliar pedagogicamente colegas que o criticaram ou que simplesmente inviabilizaram as suas opções, mais ou menos disparatadas.
Poder-se-á dizer que isto é pura ficção. Mas… e se vier a acontecer? Para onde iria o ensino em Portugal? E o que dizer da sociedade portuguesa e dos seus dirigentes políticos?

07 julho 2007

Impunidade até quando?


Poucos anos atrás, tendo-me sentido algo indisposto, na sequência de um problema respiratório, fui, por insistência de familiares, ao SAP do Centro de Saúde de Oeiras. Saí de lá numa ambulância para o Hospital de S. Francisco Xavier, por estar à beira de uma paragem cardíaca. E só ao final de uns bons meses a situação ficou definitivamente controlada, embora não tivesse chegado a ser internado.
Diga-se que não me ocorreria (nem sequer aos meus familiares) dirigir-me ao hospital, pela aparente pequena gravidade dos sintomas. No S. Francisco Xavier, dado o enorme afluxo de doentes, tive que esperar pela atenção de médicos, assoberbados de trabalho e incapazes, por isso, de acorrer de imediato até mesmo àquilo que era visivelmente urgente. Valeram-me as medidas prévias tomadas no Centro de Saúde para travar momentaneamente a degradação da situação. Devo, portanto, em primeiro lugar aos médicos de serviço no SAP nessa noite estar hoje ainda vivo.
O que o sr. Correia de Campos não refere, porque muito provavelmente não serve à lógica das suas intenções nem às do sr. eng. José Sócrates Pinto de Sousa, é que os Serviços de Atendimento Permanente, se não estão (e não deveriam estar?) equipados para responder a (pelo menos algumas) situações mais graves, também não são apenas retardadores da sua resolução, antes, como no meu caso, a possibilitam ou alertam para a urgência imediata de medidas adequadas.
Vem isto a propósito de me terem dito que o SAP do Centro de Saúde de Oeiras, que serve mais do que uma freguesia de um dos mais populosos concelhos do país, fechou a meio da passada semana. Não terão sido apenas os utentes a serem apanhados de surpresa pela medida, mesmo alguns dos médicos terão sabido dela somente na véspera, ao início da tarde.
O Hospital de S. Francisco Xavier, que fica a cerca de 15 km, não possui nem pode possuir estruturas que viabilizem uma resposta adequada e suficiente ao afluxo acrescentado que o encerramento deste serviço de urgência traz consigo.
De quantos crimes se permitirá que esta gente fique impune?

02 julho 2007

Alguém viu?


Ao final desta noite de domingo, no programa Câmara Clara, esteve Helder Macedo. Pela clareza, pelo despretensiosismo, pelo humor e pela argúcia e profundidade do que diz, aquele que foi ministro da Cultura do governo de Maria de Lurdes Pintasilgo (o primeiro de sempre, portanto), em 1979, é (ainda) um dos raros portugueses que surge em órgãos de comunicação deste país, cada vez menos reconhecível.

01 julho 2007

Fumo sem fogo


Hoje, em grande destaque na primeira página do Diário de Notícias, a notícia de que os pilotos dos aviões de combate a incêndios ganham o triplo do que ganham os pilotos das FAP.
Para que não se gerem dúvidas infundadas nem insinuações torpes, conviria dar uma vista de olhos ao que se passa no Serviço de Protecção Civil, começando, talvez, pelo Diário da República. E também, é claro, aos diplomas dos diferentes responsáveis dos diversos sectores.
Para que não se denigra a imagem do Governo e de António Costa, enquanto ex-ministro e actual candidato à Câmara Municipal de Lisboa.

30 junho 2007

Como é possível?!


Durante a tarde, numa pausa enquanto trabalhava, ao mudar de canal de televisão deparei-me com um documentário a ser transmitido pela SICNotícias, sobre o problema das incursões dos Israelitas no Líbano.
O cicerone de visita às ruinas provocadas pelos bombardeamentos, com a entoação e a postura serenas de um homem de paz a falar para um meio de comunicação internacional, a que se juntavam as expressões e os testemunhos resignados dos pacíficos habitantes do lugar, afirmava desconhecer as razões pelas quais Israel, com tantos meios tecnológicos, se encarniçava contra gente que nada tinha a ver com o problema existente entre eles e o Hezbollah.
Como é possível dar-se voz a tamanha hipocrisia?!

Subscrevo por inteiro!


Transcrevo de seguida este texto exemplar de António Barreto, inserido, dias atrás, numa edição do PÚBLICO.

«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e do outro.
Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista.
Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda. Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.»

29 junho 2007

Remodelação à vista no governo


A futura indigitação de Correia de Campos para a pasta da Cultura torna-se cada vez mais previsível. Com efeito, o actual ministro da Saúde vem revelando desde há tempos a sua vocação para crítico de teatro. Esta faceta ficou patente ainda há dias, não apenas na jocosidade ácida como avaliou o carácter, a seu ver, teatral de uma questão que lhe foi posta, mas também na demissão da directora do teatro, perdão!, do Centro de Saúde onde era tradição de um ou mais médicos, ao que parece, fazer teatro-jornal. Tal medida, de carácter inequivocamente cultural, foi, no entanto, travestida de medida admnistrativa ao nível da saúde, ao nomear para o mesmo cargo um médico de bom estômago, vereador eleito pelo seu partido para a autarquia.
Dias radiosos se avizinham, pois.

27 junho 2007

Na sequência...

Brueghel, O Triunfo da Morte

... de intervenções incompletas, mais ou menos metafóricas e nem sempre explicitamente coerentes (ai! o tempo que não chega!) que tive em alguns comentários feitos no blog Portugal Contemporâneo desde há uns quinze dias a esta parte, deixo aqui, enquanto não me posso demorar em exposições mais claras, um pequeníssimo excerto de Contingência, ironia e solidariedade, de Richard Rorty, no intuito de sugerir que a mudança do âmbito em que os debates de ideias têm decorrido talvez ajudasse a esclarecer a verdadeira natureza das questões. Para evitar quaisquer conclusões apressadas, devo avisar desde já que não me identifico com a posição de fundo de Rorty, embora considere que os seus pontos de vista devam indispensavelmente ser tomados em conta.

"Na sociedade liberal ideal os intelectuais (...) Não sentiriam mais necessidade de responder às perguntas «Porque é liberal? Porque se preocupa com a humilhação de estranhos?» do que o cristão médio do século XVI sentia necessidade de responder à pergunta «Porque é cristão?» ou do que a maior parte das pessoas hoje em dia sentem necessidade de responder à pergunta «Está salvo?» (1) . Uma pessoa assim não precisaria de uma justificação para o seu sentido de solidariedade humana, uma vez que não era educada para jogar o jogo de linguagem em que se pergunta e se obtém justificações para esse tipo de crenças. A cultura dessa pessoa é uma cultura em que as dúvidas sobre sobre a retórica pública da cultura são respondidas não por pedidos socráticos de definições e de princípios, mas sim por pedidos deweyanos de alternativas e programas concretos. Tal cultura, quanto me é dado ver, poderia ser tão autocrítica e tão dedicada à igualdade humana quanto o é a nossa cultura liberal familiar e ainda metafísica - se não até mais.

(1) Nietzsche afirmou, com desdém, que «a Democracia é o Cristianismo tornado natural» (Will of Power, nº 215). Retire-se o desdém e Nietzsche estava bastante certo"

24 junho 2007

Minha Nossa Senhora!


Será que os responsáveis pelo Santuário conhecem alguém de maior devoção à Senhora de Fátima?!

Baboso!


Uma professora obrigada a trabalhar já moribunda?
Um professor demitido das suas funções por ter dito mal do primeiro-ministro?
Um bloguista visitado pela polícia e processado pelo mesmo motivo?
Uma funcionária castigada por um administrador da empresa onde trabalhava por ter enviado um e-mail particular, em que questionava um alegado perdão fiscal a essa mesma empresa?
Alto e abençoado o desígnio de ser casto! Consegui engravidar a Posteridade!
Portugal, meu filho!, meu orgulho!, meu herdeiro!

20 junho 2007

O Desejado


Quando subiu ao trono, D. João II, filho do esbadanado D. Afonso V, ironizou, dizendo que o seu pai o deixara rei das estradas e caminhos de Portugal. Em dez anos, porém, abriu caminho a todo um país futuro.
O governo do sr. (engº) José Sócrates quer deixar à Brisa a exploração das estradas portuguesas por 100 anos!
Confesso que prefiro o Dinis... mas volta, João!!!

18 junho 2007

Coisas que não percebo 3



Um país...
... cujas forças policiais conduzem automóveis sem o seguro de que o Estado não dispensa os cidadãos;
- que obriga os agentes da autoridade a pagar todos os custos derivados de acidentes de viação ocorridos em serviço (sendo eles próprios que se determinam como culpados ou não culpados);
- em que os treinos de perícia e de segurança de condução automóvel dos referidos agentes são por eles pagos aos sindicatos que os representam, os quais se vêem obrigados a organizá-los por o Estado o não fazer;
- em que as companhias de seguros dão os coletes de segurança que o Estado também não fornece a esses agentes;
- em que os polícias têm que pagar as balas que dispararem em serviço...
... existe?


17 junho 2007

Vamolá, dêlícià!





Qualquer comparação...

... é pura coincidência fedorenta.

16 junho 2007

14 junho 2007

Richard Rorty

Richard Rorty (1931-2007)

Vi há momentos a notícia da morte de Richard Rorty, autor de uma das obras filosóficas mais notáveis do século XX. Existem muito poucos textos seus traduzidos em Portugal e as elites universitárias, presas de "conflitos ideológicos" provincianos ou dos tradicionais (igualmente provincianos) preconceitos quanto ao que vem dos Estados Unidos, raramente o têm incluído sequer nos seus programas.

13 junho 2007

Homenagem


Tenho estado afogado em trabalho. Mas, no meio da confusão tive a sorte de assistir àquele que considero ter sido o silêncio mais prolongado, significativo e dramático a que alguma vez assisti na televisão portuguesa, provocado pelas (poucas) palavras de José Rentes de Carvalho no Prós e Contras desta segunda-feira. Toda a história e condição deste país desde há, pelo menos, quatro séculos ficou, crua e impiedosamente, perante a consciência daqueles que as ouviram. Pela coragem, pela lucidez e pelo despretensiosismo com que disse o que disse, merece ser lembrado como um dos patriotas (no sentido mais rigoroso e nobre do termo) maiores.

11 junho 2007

A propósito...

... do inenarrável psicólogo Eduardo Sá e das tiradas pedagógicas mais do que bacocas que nos afogam, deixo aqui um soquéte (interpretado por Maria Rueff e Manuel Marques) do actual programa do Hora H, de Herman José, que, a par de momentos menos conseguidos, tem tido também alguns momentos de crítica extrema e violentamente hilariante aos figurões e instituições deste país - não é por acaso que o programa só vai para o ar quase à meia-noite.
Para amenizar, deixo a seguir um exemplo (primeiro andamento do concerto para cravo e orquestra) da música daquele que continuará a ser, talvez, o nosso melhor compositor: Carlos Seixas.




10 junho 2007

Vamolá djinovo!

Duas versões das Bachianas Brasileiras nº5, de Heitor Villa Lobos. Emocionem-se, comovam-se, deliciem-se.



08 junho 2007

07 junho 2007

Mandaram-me isto hoje por e-mail


Desconheço o autor e o título é
Escrito por um português que não tem vergonha de o ser!
"Tenho-me mantido calado em relação ao desaparecimento ou rapto da menina inglesa, porque acho que há gente a mais a dizer alarvidades sobre o assunto.
Tenho-me abstido de manifestar a minha repugnância pelo procedimento asqueroso da imprensa inglesa em relação à actuação da polícia portuguesa, porque acho que vozes de burro não chegam ao céu.
Tenho optado por não manifestar o meu desacordo pelas conferências de imprensa que a PJ dá em inglês, num abjecto acto de subserviência em relação a esta classe de gente (e gente não é, certamente, que gente não procede assim), porque reconheço que do alto da sua arrogância, apenas têm contribuído para revelar ao Mundo a mentalidade de merda que existe por dentro daquelas cabecinhas loiras.
Agora o que não vou engolir é que um filho de puta inglês, que se diz ser o arquitecto da casa onde mora o principal suspeito, que reside em Portugal há cerca de trinta anos e não fala uma palavra de português, tenha o descaramento de criticar a GNR porque, segundo afirma o cretino, tentou dar informações pelo telefone e foi atendido por um agente que não falava inglês. Pior ainda, disse a besta com todo o ar de desdém que lhe coube naquelas fuças de porco inglês, foi quando, algumas horas depois voltou a telefonar e quem o atendeu sabia apenas algumas palavras da língua de sua majestade, a rainha da casa da maior pouca vergonha a que o Mundo assistiu nos últimos anos.
Estes ingleses não se mancam, mesmo.
Estes ingleses merdosos, que já no tempo da guerra afirmavam que a Europa estava completamente isolada pelo nevoeiro, estes ilhéus provincianos que em pleno século XXI continuam a conduzir fora de mão e a alimentar uma realeza de putaria, estes negreiros sem vergonha que espalharam e deixaram escravatura e racismo pelos quatro cantos do Mundo, estes arruaceiros de merda que espalham o terror pelos campos de futebol da Europa, têm o topete de viver trinta anos num país que lhes oferece um sol radioso, como eles nunca imaginaram existir, sem se darem ao trabalho de aprender uma palavra da nossa língua, ainda têm tempo de antena num canal de televisão nacional para falarem mal de nós?
Mas afinal que trampa de república de bananas é esta, que beija a mão a quem nunca respeitou um aliado, que parece ter esquecido o célebre mapa cor-de-rosa, com que nos roubaram metade de África, e fica impávida e serena, a ouvir os desabafos destes alarves, sem ao menos um protesto oficial.
Por onde é que anda o "gasolineiro" de Boliqueime quando a honra do país necessita ser defendida?
Onde é que está o "inginheiro" feito à pressa, sempre tão lesto a acariciar os "tomates" aos amigos trabalhistas?
Já não resta nem um pouco do orgulho nacional?
Depois admiram-se que meia dúzia de gatos-pingados, apreciadores de concursos televisivos, reabilitadores de apresentadeiras escorraçadas da política, façam do maior ditador do século vinte, o maior português de sempre.
Ao fundo com a Inglaterra e puta que pariu os ingleses!"

Na sequência do que escrevi logo num dos primeiros posts que publiquei, subscrevo em grande medida. E relembro o que José Mourinho dizia, há uns dias, numa entrevista a um canal de televisão: "Neste país (Inglaterra), ou nos suicidamos (devido à pressão xenófoba, para não dizer racista, verdadeiramente selvática, da comunicação social e não só) ou nos adaptamos. Ora como eu não penso suicidar-me..."
Aproveito, já agora, para chamar a atenção para este post de Range-o-Dente.

Hmm...?!


Contaram-me hoje o seguinte:
Face aos maus resultados registados entre os alunos de Matemática em Israel, o governo comprou todos os manuais da disciplina editados no mundo e decidiu-se por adoptar o que é utilizado em Singapura, país que apresenta o melhor aproveitamento escolar nesta área.
Singapura, hmm...?!
Israelitas, hmm...?!

05 junho 2007

Entendamo-nos!

René Magritte


A existência de um curso superior denominado por Ciências da Educação supõe que elas existam, isto é, que constituam um saber específico e creditado ao nível de quaisquer outros que são ministrados em Universidades.
Daí se depreende a obrigatoriedade, determinada desde há muitos anos pelos sucessivos ministérios da Educação, de qualquer licenciado num ramo científico possuir e obter aprovação numa formação complementar de dois anos em matérias pedagógicas, se quiser ingressar na carreira docente. Com isto, pretende-se que a leccionação que venha a realizar assente em bases sólidas, provindas de conhecimentos especializados.
O facto de alguém possuir um conjunto de conhecimentos especializados pressupõe que ele conheça, melhor do que todos aqueles que os não possuem, as formas adequadas de trabalhar nessa área e de resolver os problemas que lhe são inerentes. Eu, por exemplo, que não sou engenheiro, não me possso arrogar de ser capaz de resolver, ou sequer avaliar, as questões que se colocam nesse âmbito.
Um engenheiro, porém, não lida com o mesmo tipo de materiais com que lida um professor. Um calhau, por menos aprendente que seja, possui um grau de complexidade nas variáveis que determinam o seu comportamento infinitamente superior, por exemplo, às ligas de materiais com que um engenheiro trabalha. O que torna o ofício de mestre-escola simultaneamente mais difícil e ainda menos avaliável por não-especialistas do que o ofício de engenheiro.
Se a ponte cai, bem!, pergunta-se pelo irresponsável que planeeou a obra, ou pelos que estiveram à frente da sua execução e fiscalização; e se, por acaso, o falhanço se deveu a micro-estruturas internas dos materiais impossíveis de detectar ou a qualquer outra coisa desse tipo, engole-se em seco e reconhece-se a contingência geral da vida e do género humano (afinal, "viver é não conseguir", como dizia o Pessoa).
No caso do professor, porém, a coisa é muito mais complicada, na medida em que o aluno possui uma vontade e que, no que respeita às estruturas que determinam a sua formação e aos caminhos que escolhe, a escola e a acção do professor estarão muito longe de serem as mais importantes. A avaliação do trabalho que um professor desenvolve com um aluno ainda mais difícil se tornará, assim, por parte de quem não esteja documentado nem possua formação em algo de tão complexo. A começar pela avaliação a fazer pelos próprios pais, possuidores de um saber pedagógico ao nível do mero senso-comum, segundo o que a existência de umas Ciências da Educação permite concluir. E isto na melhor das hipóteses, quer dizer, quando eles sequer possuam conhecimentos científicos ao nível do que a escola exige aos seus filhos.
Tudo o que disse atrás me leva, portanto, a concluir que ou o Ministério da Educação, ao determinar a obrigatoriedade de uma avaliação aos pais pelos professores, está a reconhecer implicitamente que não existe ciência em matéria de educação, mas apenas alguns conjuntos de técnicas, mais ou menos coerentes e ao alcance da compreensão de qualquer elemento da espécie humana, que as aplicará diferentemente consoante as variáveis que as circunstâncias apresentem - e então deverá extinguir o curso; ou que, caso contrário, deverá reforçar a autoridade dos professores em matéria de avaliação e o consequente nível de exigência aos alunos.
Ou, quem sabe!?, ambas as coisas.

01 junho 2007

Coisas que não percebo 2


Aqui há uns tempos atrás, o prémio do Euromilhões chegou aos 111 milhões euros, o maior de sempre para um jogo deste tipo. Pela mesma altura, noticiava-se também o montante, ligeiramente inferior, que atingiria a construção do Metro do Porto.
Hoje veio à baila, nos telejornais da hora do almoço, a divulgação oficial, feita pelo Tribunal de Contas, de que terão sido gastos ilegalmente, pelo Estado, 700 milhões. Interrogado pelos jornalistas sobre o que teria a dizer sobre o assunto, o sr. Ministro das Finanças desvalorizou-o, esclarecendo que esses 700 milhões representam apenas 1% do total do orçamento e que constituem até um avanço no rigor da administração pública.
As contas são simples de fazer: o dinheiro gasto de forma ilegal daria, pelos vistos, para construir sistemas de transporte subterrâneos pelo menos em seis das principais cidades portuguesas e ainda sobraria dinheiro para fazer um sétimo, mais pequeno - em Ranholas ou em A-dos-Cabrões, por exemplo.
Não consigo, por isso, perceber se o sr. Teixeira dos Santos percebe aquilo que disse.