06 outubro 2007

Não enche!

Corroborando o que o Alf...

... diz no comentário ao post anterior, hoje Medina Carreira afirmava, em entrevista à SIC Notícias, que o problema do ensino em Portugal era que muito poucos entendem o que é a escola. Os pais não estão empenhados em que os filhos aprendam seja o que for, de facto estão é interessados em que eles tenham um papel - um canudo, um certificado - que lhes dê acesso a um emprego, de preferência um tacho (não o disse por estas palavras, mas o sentido era esse). E os alunos, por tabela, têm a mesma atitude.
É a visão da escola enquanto viveiro de funcionários, públicos ou privados, em busca da pastagenzinha de cada dia.
O problema, Alf, é que os tipos que mandam não tiveram pré-primária nem imaginam o que ela pode significar. E a escola, dela para a frente, também não. E agora?!
Mas não pense que os franceses que cita estão neste momento muito melhor do que nós...! Se não estiverem pior...! Mas isso é conversa para outro dia.

04 outubro 2007

A ter em atenção



Numa peça informativa da RTPN falava-se hoje do caso do julgamento de um alguém que, sem estar na posse das habilitações consideradas indispensáveis, durante vinte anos se auto-intitulou de psiquiatra, tendo, inclusivamente, dado pareceres a pedido de tribunais. Nunca houve quaisquer queixas e os pacientes que testemunharam trataram-no respeitosamente por "sr. doutor".
O que haverá a assinalar nisto tudo?
A vigarice intolerável? Claro!
A falta de fiscalização quanto às habilitações de quem exerce cuidados de saúde? Sem dúvida!
O facto de, pura e simplesmente, não se ter concedido o estatuto de psiquiatra a quem, pelos vistos, é dotado de tanta apetência para essa actividade que - caso raro em qualquer profissão - nem deu lugar a problemas, gerando mesmo o respeito dos que a ele recorreram? Talvez.
Que há que rever urgentemente o modo como o ensino superior é perspectivado em Portugal? Alguém discorda?!
Que o homem deveria, justificadamente, ocupar (se assim o entendesse) o lugar de professor nesse mesmo ensino e com maior legitimidade do que muitos que por lá andam?
Bom...

Transcrevo aqui...


... directamente este post d' O Jumento:

Cobardes es-equo

A maior promessa eleitoral de Sócrates foi a criação de 150.000 postos de trabalho, até teve honras de cartaz e tempo de antena nos debates públicos. É hoje evidente que Sócrates estava a mentir, talvez por ignorância ou mau conselho, mas em rigor o que fez foi recorrer a uma mentira para obter o voto dos portugueses. Agora que o desemprego aumentou contra a tendência da Europa o mínimo que se esperava do Governo era uma explicação.
Qualquer estudante de economia poderia fazê-lo e até poderia evitar grandes culpas para o governo, mas mesmo assim nenhum ministro teve a conhecida saliência anatómica própria dos que não têm medo. O ministro das Finanças poderia assumir a responsabilidade por uma receita típica doa anos duros do FMI, o ministro do Trabalho poderia questionar os critérios e explicar que os dados do desemprego valem o que valem e o ministro das Economia poderia justificar o desemprego como um resultado da reestruturação e modernização da economia. Mas nenhum deles teve coragem de dar a cara, optaram pela cobardia.

E atenção ao novo do Alf, que, passo a passo, procura reescrever a nossa história.

Vergonhas


Na sequência de um post que publiquei no passado dia 20 de Agosto, chamo a atenção para este outro, do 31 da Armada. Até amanhã.

03 outubro 2007

Da SIC, com amor

Assistir ao telejornal da SIC é uma experiência inolvidável (como, aliás, aos restantes)!
Num teste à minha inteligência (quem disse que a televisão estupidifica?!), dizia há pouco o comunicador de serviço, com um sorriso e uma entoação semelhantes a um piscar d'olho, que a gasolina em Espanha é €25 mais barata do que em Portugal. Ainda não consegui fazer as contas, mas estou a tentar porque acho que há um prémio em jogo. De qualquer modo, assim por alto, penso que deve ser oferecida.
Agora anuncia-se uma peça sobre os perigos do andarilho: diariamente, duas crianças são tratadas nos hospitais, devido a acidentes com esse tipo de velocípede. Fazendo as contas à gasolineiro espanhol, estaremos em presença (no universo de acidentes a que, por qualquer razão ainda misteriosa para a ciência, as crianças se encontram sujeitas) de uma percentagem não apenas significativa como alarmante, para a qual nunca é demais a vigilância da espécie. Aproveito mesmo para sugerir, humildemente, ao sr. primeiro-ministro que seja determinada, com urgência, a obrigatoriedade de uma carta de condução e estabelecida a "tolerância zero", a bem dos futuros cidadãos do país.
Sinto-me de espírito arrelampado. Vou desligar, antes que vomite.

02 outubro 2007

Portuguese old way


O texto de Rui Tavares, que se pode encontrar na contracapa do PÚBLICO de hoje, é, quanto a mim, exemplar. Ora leiam:

Chorai, elites

Em geral, as elites portuguesas não se distinguem por nada que tenham feito. Não têm o hábito de se elevar e, em consequência, resta-lhes empurrar o povo para baixo quando ele se chega muito perto. Vejamos, a título de exemplo, as célebres elites do PSD. (...)
Diz-se que as elites do PSD perderam por falta de comparência ou por acharem que tinham o partido na mão. Ambas as explicações significam isto: as elites do PSD, no fundo, não são tão elites quanto isso. Na tradição nacional, sempre esperaram que o seu lugar lhes fosse guardado e cedido: no conselho de administração como no conselho de ministros. Nos intervalos do poder, escolhiam um caseiro para tomar conta do partido. Da mesma forma, estes legítimos representantes da respeitabilidade cavaquista continuam a achar que o PSD tem de ter lugar cativo na sociedade prtuguesa, apenas porque sim. Sempre desprezaram a ideologia a favor de um suposto monopólio do "saber governar". Fizeram o elogio dos self-made men para depois os acusar de populismo. Fugiram das causas sociais e avisaram o seu povo para se manter afastado do "politicamente correcto". Repetiram durante anos que a iniciativa pública é incompetente e a iniciativa privada, virtuosa. Lembraram que, se fizermos tudo para beneficiar os investidores e os empresários, o dinamismo do mercado se encarregará de todos. Riram das graçolas de Alberto João Jardim e apresentaram-no como bom exemplo. Aliaram-se a Paulo Portas para governar o país. Chegaram a eleger Santana Lopes, não em directas, mas em Conselho Nacional. E agora choram: mas este foi o partido que eles fizeram.

01 outubro 2007

Vá! Toca a ler...

E. M. Escher, Três mundos
... mais um post do Alf.

Bruce Lopes


Em poucos dias, deixa a SIC de cara à banda, despacha de alto em Mário Soares, esgalha- pessegueiro em Marcelo Rebelo de Sousa...
Mudou de whisky? Trocou de namorada? Será da reforma?
Querem ver que o homem ainda se faz?!

É que tá-se mesmo...

... a ver!

30 setembro 2007

E haverá...


... muuuito mais do que isto a dizer! (via Range-o-Dente).

Só mais...


... esta e páro por hoje, que estou com trabalho até aqui!

Reencaminhando


Recebi isto há pouco, por e-mail, sem indicação de autor. Mas subscrevo e reencaminho.

Travar para pensar
Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza . A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cercade 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.
CABE ao Governo REFLECTIR.
CABE à Oposição CONTRAPOR.
CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!
CABE À TUA CONSCIÊNCIA REENCAMINHAR OU DEIXAR FICAR.

Mário Soares...


... considera o que aconteceu no PSD como uma desgraça para o país. Imagine-se o que ele pensará de Hugo Chávez. Pchhh...!!

O Alberto João é que os topa!


Na escola,
na política...

Egrégios avós


No perfil biográfico de Luís Filipe Menezes feito pela SICNotícias, refere-se o facto de ele ter raptado a sua mulher de um colégio interno, onde os pais da mesma a tinham colocado para contrariarem o namoro.
Portugal tem agora um futuro primeiro-ministro de fibra, possuidor das virtudes maiores de que um português se pode orgulhar, desde Dinis e Pedro I! Qual é o que de entre nós, homem ou mulher, depois de saber isto, é capaz sequer de pensar em votar no engenheiro?!

29 setembro 2007

Aaai!...


... Agora é que eu me meneio
é que eu me meneio
é que eu me meneio!
Depois da eleição do Menezes
eu vivo sem arreceio!


(repete)

28 setembro 2007

Sublinhado meu


“Recupere a ilusão”, dizia um cartaz político que vi em Espanha durante as férias. Muitos políticos, noutros sítios como aqui, gostam de semear ilusões. Mas a realidade é a maior inimiga da ilusão. Em Julho, dias depois de o Ministério da Educação ter anunciado a melhoria das notas de exames de Matemática no 12º ano, eram divulgados os resultados catastróficos – dois em cada três alunos foram reprovados – no exame de Matemática do 9º ano, precisamente no nível de ensino para o qual o governo tinha um plano especial. Era preciso fazer mais alguma coisa. E, pasme-se, o que a ministra fez foi pedir aos autores do anterior currículo, especialistas na experimentação pedagógica e na desvalorização do saber, para o reformular. Não seria mais sensato pedir a outras pessoas? Não estaremos a ser iludidos?
Carlos Fiolhais
(recolhido no blog De Rerum Natura, via comentário da Abobrinha a um post de Ludwig Kripphal, no Que Treta! )

Superiores interesses

Uma criança de 4 anos caiu de uma varanda, em Belas.
Ela e uma outra irmã, com 2 anos, passam o dia sozinhas em casa, enquanto a mãe trabalha.
Entrevistada para um canal de televisão, uma vizinha diz que a mãe "ou trabalha e lhes dá de comer ou fica em casa com elas e deixa-as morrer à fome".
Foi determinado que as crianças que as crianças serão retiradas à progenitora e entregues às competentes instituições públicas.
Tal como no caso da que irá ser retirada aos pais adoptivos, tudo em nome dos superiores interesses das crianças, é claro.
Ah! É verdade! Já me estava a esquecer! E de uma maior justiça social.