17 setembro 2007

Os novos obscurantistas


Esta passou-se há minutos.
A sobrinha a que fiz referência num post recente chegou a minha casa, trazendo novamente um tepecezito. Na ausência da mãe, pediu ajuda para o fazer à minha mulher (eu estava ocupado), que, estranhando, lhe perguntou o que levara a professora a marcar-lho. Respondeu-lhe a rapariga que tinha pedido para fazer aquela parte do trabalho em casa e, assim, poder ficar mais um bocadinho no recreio e que ela lho permitira, um pouco zangada, "mas só hoje!". Até aqui...
A primeira tarefa consistia em... escrever o abecedário. Os meus tímpanos apuraram-se: é que a miúda está no 2º ano do 1º ciclo do ensino básico, ou seja, na antiga 2ª classe. Logo de seguida ouvi-a pedir um livro onde houvesse um alfabeto... para poder copiá-lo e os meus ouvidos entraram definitivamente em estado de alerta total. Retorquiu-lhe a tia que o que se lhe pedia era que o escrevesse, não que o copiasse. E a petiza disse que não o sabia!
Entre incrédulo e aterrorizado, de telefonema em telefonema para amigos e conhecidos, fiquei a saber que os professores do referido ciclo de ensino - os tais, de cuja falta de empenhamento resultam, com demasiada frequência, situações problemáticas, segundo a Ministra da Educação - deverão, segundo o programa, fazer com que o aluno conheça o abecedário... até ao fim do ciclo, isto é, até à 4ª classe!! "Conhecer", porém, na terminologia dos cientistas da educação, não coincide com "saber"... e daí que haja professores do 5º ano, isto é, já do 2º ciclo, que dediquem aulas a rever o alfabeto e a respectiva ordem! E que os alunos das escolas do 1º ciclo que cumprem rigorosamente o programa apresentem, em geral, maus resultados no ciclo seguinte.
As incoerências próprias de um louco que se encontram no programa do 1º ciclo do ensino básico não se ficam por aqui e, em matemática, são de bradar a qualquer Deus. Mas, na impossibilidade de dar sistematicamente conta do descalabro a que as coisas chegaram, quero apenas referir algo que, em ligação com o que acabei de contar, se torna muito significativo noutros campos.
Conversa puxa conversa, fiquei a saber de dois casos que se passaram com um professor do ensino secundário, ambos relacionados com a avaliação de trabalhos alunos, e que ele me garantiu serem o pão nosso de cada dia, de Norte a Sul deste lindo jardim. Num deles, o marmanjo apresentou-lhe um trabalho de mestrado com duzentas páginas, redigido em português do Brasil e ficou furioso por a sua "investigação" não ter sido valorizada; no segundo caso, um grupo de alunas apresentou-lhe fotocópias de outro trabalho de mestrado... com a respectiva classificação!... e com agradecimentos à professora fulana de tal!!!
Serão casos extremos e caricaturais? Admito que sim. Mas que é este o espírito de "investigação" dos alunos presente nas nossas escolas, disso eu não tenho dúvidas. Basta ouvir os putos que nos estão próximos, familiares, vizinhos, amigos ou conhecidos. O que não pode espantar ninguém! Pois como se pode consultar um simples dicionário ou a lista telefónica sem se saber sequer o que, anos atrás, qualquer aluno, ao fim de alguns meses de escolaridade seria obrigado a saber, a base daquilo com que os nossos antepassados recentes quiseram erradicar a miséria, o obscurantismo e a servidão: o alfabeto?!
Esta noite, no Prós e Contras, estará a Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues. Acho que já não consigo ter estômago para assistir.

16 setembro 2007

Abobrinha


Descobri-a hoje, por acaso, a partir de uns excelentes comentários que fez a alguns dos posts mais recentes de Ludwig Krippahl, no Que Treta!.
Deliciosa!... Inteligente...!
Esta tripeira "é um sinhôre"!, como diria o Herman.
Mulher do carago...!
Cliquem no link aí ao lado.

15 setembro 2007

Vergonhoso!


A sra. ministra da educação fez ontem um dos mais repugnantes exercícios de demagogia de que tenho memória, ao apelar aos professores do ensino básico para reprovarem o menor número de alunos possível, de modo a não lhes criar estigmas prejudiciais, referindo, em simultâneo, que a culpa dos maus resultados é, em muitos casos, consequência da falta de empenhamento dos docentes.
A sra. ministra revelou um comportamento vergonhoso quer como cidadã quer como detentora de um cargo público, na medida em que utilizou uma afirmação depreciativa, generalista e impossível de fundamentar, vulgo calúnia, sobre um conjunto de profissionais sob a sua alçada, como arma de justificação e sobrevivência políticas.
Passo a passo, a sra. ministra deve ao país, cada vez mais inadiavelmente, a sua demissão.
Nota: Há dias, a minha sobrinha, de 7 anos, a quem a professora tinha marcado um pequeno T.P.C., respondeu à mãe com uma veemente repetição da frase: "Não sou obrigada!", quando esta lhe disse para o ir fazer. Mostrava assim que estava a par das orientações e determinações do ministério nesta matéria, que a rapariga não é parva.
Comentários?

E agora, fiquem a ouvir um dos meus favoritos: Wynton Marsalis











14 setembro 2007

Medalha de mérito para o sr. Scolari!!


... por ter sido o único, até hoje, a fazer com que o sr. Presidente da República se pronunciasse clara e concretamente sobre um assunto determinado!

Esta...


... tem muita piada!

13 setembro 2007

Ainda a visita do Dalai Lama


Quem conhece um pouco de budismo sabe que o termo "irrelevante", aplicado pelo Dalai Lama à decisão do governo e do presidente da república portuguesa de não o receberem, exprime exactamente o que ele sente e pensa, que não se trata de uma forma de contornar algo que lhe é politicamente inconveniente, de responder com o reverso da mesma moeda ou de disfarçar uma humilhação pessoal.
O primeiro-ministro, a sua equipa governativa e o presidente de todos os portugueses deram-se assim a si próprios, por reflexo das suas acções, a maior bofetada das suas vidas.
E tanto maior quanto nem sequer a sentiram.

Criou-ma m'nha menzinha p'ra isto...!


Ah! A China...!
Ah! Que falta de paciência...!!!

Tás porreiro?


Frases que talvez possam mudar o mundo

"Jornalista: Porque é que veio a Portugal?
Dalai Lama: Porque me convidaram e me deram um bilhete."

12 setembro 2007

Já agora...

Goya, Feiticeiras

... e como diz o Rodrigo Moita de Deus...

10 setembro 2007

Dúvidas minhas


Na entrevista a que aludi ontem, dada pelo coordenador da comissão do livro escolar da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e "representante daquela que é ainda é a maior editora escolar, a Porto Editora", Vasco Teixeira, o mesmo responde à pergunta "As movimentações no mundo editorial alteraram o terreno?", dizendo: "Temos concorrentes mais capazes, mais dinâmicos, mais fortes. Isso é bom. Acho que o engº Paes do Amaral [proprietário da Texto Editora e da ASA] se apercebeu de uma oportunidade de concentração que não existia. A Porto Editora deu o mote à concentração quando, em 2002-2003, comprou a Areal e a Lisboa Editora. Só não comprámos mais porque não é fácil sem ir à Autoridade da Concorrência, por causa da burocracia que implicava".
Para aqueles que desconheciam o facto, o engº Paes do Amaral decidiu recentemente investir no mercado livreiro escolar. O homem será suicida?

No primeiro dia em que foi noticiada a abertura de (salvo erro) duzentas e tal novas creches nos próximos anos, referiu-se o facto de o número das que já encerraram ser substancialmente superior, (salvo erro) trezentas e tal. Nos dois dias seguintes, já não ouvi nada.
Estarei a ensurdecer com a idade?

09 setembro 2007

Uma anedota que me enviaram ontem



Um bebedolas entra num bar e pede ao balcão três cafés.


- Três cafés? - Pergunta, atónito, o empregado.


- Sim, um para mim, outro para ti e outro prá puta da tua mãe.


No dia seguinte, o mesmo bebedolas repete o mesmo pedido, no mesmo café e ao mesmo empregado:


- Três cafés...


- Três?...


- Sim. TRÊS... Um para mim, outro para ti e outro prá puta da tua mãe.


Desta vez o empregado "passou-se", saiu do balcão, agarrou no bebedolas e deu-lhe uma sova e peras!


No dia seguinte, todo entrapado, o bebedolas vai na mesma ao café, dirige-se ao balcão e o empregado com um sorrisinho cínico pergunta-lhe:


- Então, três cafezinhos, não é verdade?...


- Não, responde o bebedolas, só dois: um para mim e outro prá puta da tua mãe! Pra ti não, porque o café "altera-te" o sistema nervoso...

08 setembro 2007

07 setembro 2007

Para que não se diga que eu só digo mal...!

René Magritte

A responsável pela mais abjectamente incompetente e arrogante equipa política do Ministério da Educação desde há, pelo menos, quatro décadas, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou que não lhe compete a si nem ao ministério resolver o problema dos professores desempregados.
Pela primeira vez, a ministra tem razão! Mas disse uma meia-verdade! A sério, a sério, nem a meia chegou...
Neste texto com que dei via Range-o-Dente (tem andado ausente, homem!), explica-se um dos bocadinhos de verdade de que ela não falou. Da outra, encarregar-me-ei, tanto quanto saiba e possa, dentro dos próximos dias. É que o trabalho já começou a apertar...

06 setembro 2007

Comentário

Turner, Naufrágio
A este texto de Miguel Portas, hoje publicado...
Justiça em mar, julgamento em terra
A 7 de Agosto, algures entre a costa tunisina e a ilha italiana de Lampedusa, dois pescadores tunisinos, regularmente inscritos no departamento marítimo de Monastir, socorreram em alto mar 44 imigrantes sem papéis, entre os quais 11 mulheres e duas crianças, pouco antes da barca em que iam se afundar. Recolhidos, os pescadores levaram-nos até porto seguro, em Lampedusa.
Por causa disto, os sete homens que constituíam a equipagem das duas embarcações, foram presos pelas autoridades italianas. Contra eles foi aberto um processo legal a 14 de Agosto, na cidade de Agrigento, no Sul de Itália. que se pode concluir com uma condenação até 15 anos de cadeia. Acusação: favorecimento da imigração clandestina e tráfico de seres humanos.
Depois destes acontecimentos, repetiram-se casos em que embarcações legais quebraram o princípio da solidariedade no mar, para que as suas equipagens não incorressem em risco de prisão.
Palavras para quê? Amanhã realiza-se em Agrigento uma vigília de solidariedade que exigirá a mudança da lei. Vários eurodeputados - incluindo este vosso servidor - subscreveram um apelo que exige da Comissão Europeia e do governo italiano o fim da criminalização de quem proceda ao salvamento de náufragos, incluindo aqueles que a lei designa como “ilegais”.
... só pude responder, desde logo, isto, na caixa de comentários:
"Quer dizer, funcionou o princípio da cobardia! Em vez de uma manifestação de solidariedade que incluísse partir aquela m... toda, se preciso fosse, deixaram morrer náufragos! Em vez da desobediência civil, a traição à solidariedade mais básica! É a continuação e o reforço da impunidade dos que praticam a arbitrariedade! É a defesa do opressor, reforçando a opressão sobre os e pelos oprimidos!Acho que a sua acção como deputado deveria ser não apenas a exigência da alteração da lei italiana como mas também a de um castigo exemplar para quem infringiu a lei do mar!
Vamos a isso?
Depois logo se fala do problema da imigração clandestina..."
Mas tenciono voltar ao(s) assunto(s).

Para terminar por hoje em beleza...

Luiz Pacheco

... aqui fica uma referência a um texto erótico-satírico de Luiz Pacheco, pescado no recém-adicionado (aí ao lado) Confraria da Alfarroba.
Deliciem-se e até amanhã.

05 setembro 2007

O sonho de um louco


Ouvi agora de raspão, no telejornal da 1, que haverá três carreiras docentes no país: a que o ME decretou no continente e outras duas, correspondentes a cada uma das regiões autónomas. Ao que parece, pelos menos nos Açores, os aspectos mais polémicos do novo estatuto da carreira docente não entrarão em vigor.
É uma boa altura para Paulo Portas se começar a preparar para ser o novo primeiro-ministro. Basta que estenda a sua proposta de os alunos poderem escolher livremente as escolas que pretendem frequentar aos professores, isto é, que estes possam leccionar na escola que desejem, e terá uma vitória retumbante em 2009.
Ou será que, com o previsível melhor funcionamento futuro dos estabelecimentos de ensino da Madeira e dos Açores em relação aos de Portugal continental, este foi um golpe para anular o perigo da actual proposta do Paulinho?
Agora a sério: parabéns aos governos autónomos! Haja alguém que mantenha a lucidez, no meio do verdadeiro sonho de um louco em que o actual governo está a conseguir fazer imergir o país. Mas que também não haja dúvidas quanto aos perigos que este tipo de coisas representa para a coesão dos portugueses...!

04 setembro 2007

O que é que há de estranho ou de escandaloso nisso?

E. M. Escher, Relatividade

Os partidos de raiz bolchevique distinguem-se dos restantes socialistas ou de tendência socializante pelo apelo à força, como única forma de os espoliados conseguirem alguma vez alcançar o poder e instaurar a sua ditadura sobre os restantes membros da sociedade, de forma a realizarem a sua concepção de justiça. Um partido comunista que renegue a tomada do poder pela violência se preciso for (e, segundo Lenine, ela será sempre necessária) deixa de se poder apresentar como tal, reduzindo-se nesse caso ao estatuto de ala radical de um partido socialista.
Durante anos, a existência da URSS permitiu que os comunistas europeus se afirmassem não-leninistas, como forma de captarem eleitorado e porque tal convinha ao berço do homem novo, na sua concretização dos amanhãs-que-cantam. Foi o que se viu. Quanto ao PCP, Álvaro Cunhal e os seus camaradas foram condicionados nas suas aspirações à tomada do poder não apenas pela oposição interna, mas também pela falta de apoio do Kremlin nesse sentido. No resto do mundo, a coisa era diferente: a União Soviética sustentava a maioria da guerrilha anti-americana, apostando deste modo em ganhar terreno em seu favor.
Com a implosão do bloco de Leste, os partidos marxistas-leninistas europeus sobreviventes viram-se ainda mais obrigados a negarem a sua raiz distintiva, isto é, a apologia do recurso à violência como condição indispensável à revolução dos explorados e oprimidos e, por consequência, encontraram-se rapidamente à beira da extinção a médio prazo, uma vez que, na nova situação, pouco mais podiam oferecer do que os partidos socialistas. Um processo de morte lenta que os resultados eleitorais vêm também anunciando desde há tempos em relação ao Partido Comunista Português, de entre todos o mais vigoroso, devido ao seu historial de resistência política a Salazar.
A legítima indignação e revolta daqueles que são atropelados por um capitalismo caótico e, em simultâneo, excessivamente concentracionista é, porém, inevitável e enquanto a propaganda do partido não soar como demasiado obsoleta, este irá angariando alguma juventude para as suas fileiras, mas não em número suficiente para conseguir perdurar por muito tempo à morte dos velhos militantes.
É neste contexto, apressada e superficialmente exposto, que, penso eu, devemos encarar a presença das FARC na próxima festa do Avante!, que tanta polémica tem gerado. O PCP não está a ser incoerente, mesmo quando mente com quantos dentes os seus dirigentes têm na boca, muito pelo contrário. Essa é a única estratégia possível na perspectiva que lhe é própria sobre a actual situação nacional e internacional, sem trair os seus ideais. Um passo atrás, dois à frente, segundo prescreve o manual leninista. As FARC são-lhe indispensáveis para marcar a diferença em relação a todas as outras correntes socialistas: elas são a "prova" de que o que distingue o PCP dos outros partidos está vivo e que, portanto, o comunismo é tão actual e tem uma natureza tão perene como o recurso à violência é inerente à espécie humana, de que o PCP é um partido que "vale a pena". A presença das FARC não é inocente, mas também não é uma provocação nem um demonstração de rebeldia ou de força. É somente o estrebuchar de quem luta desesperadamente pela sobrevivência.

Pensamentos cruzados

E. M. Escher, Encontro


Hoje de manhã, na RDP1, noticiava-se a instalação de sistemas de videovigilância nas escolas públicas. Em consequência:
Primeiro, lembrei-me da história do médico que se empenhava em fazer desaparecer os sintomas da doença, em vez de ir à sua raiz, eliminando-a. Assim, os pacientes pagavam de bom grado as consultas e os tratamentos, demorando mais tempo a aperceberem-se da sua incompetência.
E de que esta lhes acelerava a morte.
Depois lembrei-me desta frase, não sei de quem: "Ser polícia não é uma profissão, é um estado de espírito".
A seguir, veio-me à memória uma outra, proferida por Lord Darwin, personagem do romance Fundação, de Isaac Asimov: "A violência é o refúgio dos incompetentes".
Por fim, o que, anos atrás, um amigo meu, antigo docente da Escola Superior de Belas-Artes, me contou sobre uma experiência marcante que teve como professor na Venezuela da década de 60, a Venezuela de Carlos Andrés-Perez, à época grande esperança para a evolução democrática da América Ibérica.
Até hoje, nunca mais se esqueceu da sensação indescritível de ter que dar aulas com um polícia de metralhadora ao lado da secretária.
Foi isto.

03 setembro 2007

Apreensões


Ouvi há pouco, na RTP1, a notícia de umas quantas medidas tomadas pelo Ministério da Educação para combater o abandono escolar ao nível do Ensino Secundário e, de seguida, a sra. Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, correspondente ministra, a justificá-las e a defendê-las das objecções de José Rodrigues dos Santos com os mesmos lugares-comuns de sempre.
Como dizia a aristocrata francesa, de cujo nome me não recordo de momento, é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. À excepção das medidas destinadas a diminuir as despesas do Estado com a educação, para a memória futura do país, porém, nada mais restará da acção da sra. Ministra e da sua equipa do que o total descalabro do ensino público em Portugal. Porque não mudou, de facto, nada. Pior: a pretexto de os combater, aprofundou, reforçou e ajudou a enraizar ainda mais todos os males de que esse mesmo ensino precisaria livrar-se com a maior urgência, manifestando uma completa desorientação e irreflexão quanto aos critérios a adoptar, traduzidas, frequentemente, na postura autoritarista e em decisões administrativas lamentáveis próprias de quem, por esse motivo, se fica pela atitude defensiva.
Atendendo, contudo, ao que tenho ouvido dos partidos da oposição com representação parlamentar (ainda há minutos Paulo Portas, entrevistado por Mário Crespo, falava das propostas do PP sobre o tema), é assustadora, mesmo sinistra, a superficialidade das perspectivas e o vazio de ideias manifestado pelos seus dirigentes neste campo.
É que, mais do que perante um problema político, estamos perante um problema cultural da sociedade portuguesa no seu conjunto, um problema de séculos e que será, a meu ver, dolorosamente difícil de ultrapassar.

02 setembro 2007

A ler


Não vi a entrevista a Gualter Batista, do Verde Eufémia, feita por Mário Crespo. Mas conheço, todos conhecemos, o tipo de argumentos referidos neste post de O Observador, de André Abrantes Amaral. Que recomendo como se fosse meu.

Na boa tradição portuguesa...


É que...


... estou mesmo a queimar os últimos cartuchos!
Aproveito para agradecer ao António, do Sem Penas, a amabilidade das suas palavras, bem como o ter-me colocado entre os blogs favoritos. Já tinha lido o texto que me indicou e tencionava, como já fiz, pô-lo também entre os links que aconselho a quem apareça por aqui.
Responderei aos comentários logo que me passe a lazeira.
Aconselho ainda a leitura deste texto de Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada, que poderia, em grande medida, ter sido escrito por mim (tenciono, aliás, abordar o assunto um dia destes, embora numa perspectiva mais alargada e em discordância com ele sobre alguns aspectos).
Até amanhã.

01 setembro 2007

Boa malha!

E. M. Escher, Dragão

E não percam este texto (que inveja a minha!) n' O Jumento

31 agosto 2007

A propósito...

... da leitura, no mesmo jornal, de um texto de Nuno Pacheco sobre o falecimento de Daniel Morais, adido cultural da embaixada portuguesa em Caracas, velho opositor do Estado Novo, companheiro de Soares no MUD, e que, ao contrário deste, não sentia nenhuma espécie de simpatia por Chávez, lembrei-me de duas notícias que li aqui há uns tempos, quando ainda não blogava, de uma das quais, pelo menos, todos se recordarão. Refiro-me ao célebre gesto de Bush, apontando com a mão para cima em resposta à pergunta sobre de onde provinha o aconselhamento que recebia nos momentos em que deveria tomar decisões cruciais. Imediatamente os comentadores de esquerda, Mário Soares inclusivé, lhe caíram em cima, falando em fanatismo religioso e mesmo em desiquilíbrio. O alarido foi de ordem tal que faz hoje parte do anedotário que qualquer pateta alegre debita sobre o homem.
Tenho a certeza de que todos os sábios e honestos ideólogos, mais ou menos ateus, que se preocuparam em denunciar às massas de cidadãos o secreto significado do gesto imperialista o fizeram também já em diversas circunstâncias, querendo com ele referir-se à sua intuição ou a um salto para a incerteza, pela imprevisibilidade das consequências de um acto numa situação cuja evolução depende de uma miríade de pormenores encadeados. Mas admito a possibilidade da interpretação segundo a qual, com o gesto, Bush se estivesse a referir a uma sua tentativa de, tal como o Papa, apelar para o espírito divino, único verdadeiro conhecedor do Bem, de modo a evitar um erro trágico. Admito e não me escandaliza. Uns agem em nome da razão (seja lá o que for que isso queira dizer) outros, em nome de Deus (dependendo do Deus de que falem), outros ainda em nome da Bondade Universal (e aí manda o conceito de "universo"). Só espero que, honestamente, façam o que melhor lhes parecer.
A segunda notícia vem complicar um pouco mais tudo isto. É que, pouco tempo depois, o presidente pré-vitalício da Venezuela discursou na ONU, no dia imediatamente seguinte àquele em que falara o presidente americano. Hugo Chávez começou por dizer: "Ontem esteve aqui o Diabo."
E a esquerda aplaudiu o fino, subtil e intrépido sentido de humor de que ele, uma vez mais, deu mostras. Mas, cá para mim, Chávez é mesmo fanático. Ou ainda pior.

Setinha para cima...


Os hospitais convertidos em entidades públicas empresariais viram os seus prejuízos reduzir-se em 50 por cento no primeiro semestre. Alguns, como o S. João, do Porto, deram até lucros. À partida, o ministro da Saúde está de parabéns pelos resultados apresentados. Resta agora saber se dependem da eficácia do novo modelo de gestão ou da diminuição da qualidade dos serviços prestados.
Este é o texto do PÚBLICO de hoje, incluído na rubrica "Sobe e desce", ilustrado com uma fotografia de Correia de Campos e com uma seta no sentido ascendente. Mas se, tal como é dito, não se sabe a que ou quem atribuir estes números, porquê esta "subida" que o jornal dá ao sr. ministro? Será que lhe deve favores?
Setinha a descer para o PÚBLICO...

24 agosto 2007

Mas ainda antes de ir: Maria João e Mário Laginha



Volto na próxima sexta-feira

Henri Rousseau

Até lá, entre tudo o mais que vos apeteça, leiam este novo e excelente texto do Alf, no Outra Margem.

Équelé por todó lado!


Poucas horas atrás, num Pingo Doce situado dentro de um pequeno centro comercial da área de Lisboa, depois de ter feito as minhas compras meti-me na fila para uma das caixas, onde fiquei atrás de um casal na casa dos cinquenta, ele numa cadeira de rodas. Dada a pequena dimensão do supermercado, nenhum dos que já se encontravam anteriormente na fila se apercebeu da aproximação dos três, situados ainda no corredor entre as prateleiras.
Conversando entre si, o casal aguardava a sua vez de ser atendido, embora a caixa estivesse destinada a atendimento prioritário de grávidas e deficientes. De súbito, irrompendo por trás de mim, uma senhora dirige-se a ambos, vociferando: “O senhor não precisa de estar aqui à espera! O senhor tem o direito de ser atendido em primeiro lugar! Vá, passe à frente!” E avançou em direcção aos outros clientes, apanhados de surpresa: “Desviem-se! Vá, avance!”.
Tanto ele como ela, igualmente surpreendidos pelo tornado de olhos arremelgados e voz comicieira, só tiveram tempo para dizer: “Não é preciso, obrigado! Não estamos com pressa! Deixem-se estar!”, recusando delicadamente e com um sorriso a passagem ao primeiro lugar da fila. Mas a mulher insistia, voltava atrás e abria caminho, agora em direcção a outra caixa, chamando o casal com acenos para aí serem atendidos em exclusivo, continuando a clamar pelos direitos de que ele deveria usufruir.
Perante a notória falta de disposição de ambos para acatarem a direcção da sua justa iniciativa, já depois de duas funcionárias, alarmadas pelo alarido, os haverem inquirido sobre o assunto, a mulher voltou para junto deles. Foi então que o homem, aproveitando uma pausa na respiração lhe disse: “Minha senhora, eu faço valer os meus direitos excepcionais, quando isso me é necessário, o que, de momento, não é o caso. Por isso, hoje aguardo a minha vez como qualquer dos outros que aqui estão.”
A senhora engasgou-se, tartamudeou qualquer coisa, mas não se deu por vencida e continuou: “Pois… mas deve exigir os seus direitos! Tem que exigir os seus direitos! Tem que exigir os seus direitos”. E afastou-se, a voz a diluir-se pelos corredores, deixando um rasto de comentários, mais ou menos favoráveis.
Esta cena lembrou-me uma outra que presenciei há uns anos, desta vez num hipermercado, também com um casal com as mesmas características. Ele deslocava-se ao lado dela, que empurrava um carrinho a transbordar, tendo passado à frente dos restantes elementos da fila. Quando já se encontravam longe da caixa, uma cliente comentou para uma outra, que a acompanhava: “Na próxima vez que vier às compras, também trago um deficiente…”.
Não é apenas no que respeita aos transgénicos que a tacanhez e a má-fé deste país se manifestam.

O assédio...

... sexual de que Macário Correia é acusado por um funcionária superior da Câmara de Tavira, surge num momento de assédio ao poder dentro do PSD. O caso tem, só por isso, fora o resto que é relatado no Diário de Notícias sobre o assunto, contornos nebulosos. Mas, lá por isso, não se resiste ao sentido de humor deste post!

Contrariamente à opinião da maioria...

... penso que os Gato Fedorento deixam muito a desejar como humoristas. Mas, de vez em quando, têm uma arrancada das (muito) boas. É o caso deste texto de Ricardo Araújo Pereira, publicado na revista Visão, de que tive conhecimento via Caldeirada de Neutrões (pensava eu - ver caixa de comentários).

23 agosto 2007

Razões deste post


Miguel Portas publicou ontem o seguinte texto:
Noticia o DN a execução da 400ª sentença de morte dos últimos 30 anos em Huntsville, Texas.A senhora Michelle Lyons, do departamento de justiça criminal, afiança tratar-se de “uma cidade muito simpática” onde vivem, pasme-se, “professores, artistas, reformados e estudantes”.Dave Atwood, da coligação para a abolição da pena de morte, pensa de modo bem diferente. Segundo este advogado, “os texanos parecem ter uma relação de amor com a pena de morte”. Agora percebo melhor o texano dos texanos, G.W.Bush. No fundo, lá bem no fundo, é tudo uma questão de amor…

Deixei-lhe hoje, à porta, este recado:
"Caro Miguel Portas:
Não se iluda. Se fizesse um inquérito de rua sobre o assunto no Portugal do século XXI…
A sério, nunca lhe passe pela cabeça propor um referendo sobre a pena de morte, está bem?
É que se o Vasco Graça Moura decidir fazer um poema sobre o assunto, bem… estamos num país de poetas, sabe disso.
Só para para evitar equívocos: sou absolutamente contra a aplicação da pena de morte.
Mas, lá por isso, não utilizo o meu ponto de vista para fabricar maniqueísmos políticos."
Fi-lo com algum desgosto.
Daí este post.

22 agosto 2007

O caso das borboletas trapalhonas


É este o título do texto de Vasco Graça Moura (de quem não gosto particularmente) publicado no Diário de Notícias de hoje e que transcrevo parcialmente de seguida:
O nº 3 do artº 255 do Código de Processo Penal manda fazer exactamente o contrário daquilo que a GNR fez no caso dos transgénicos: em flagrante delito, primeiro procede-se à detenção e, se o procedimento criminal depender da queixa e esta não for apresentada, depois é que a detenção é levantada.
A GNR não deteve ninguém. O ministro da Administração Interna ignorou a questão do flagrante delito!
A GNR identificou seis pessoas. Deixou escapar uma dezena de criminosos estrangeiros, mascarados e surpreendidos em flagrante delito, apesar de se dever pensar que 18 dos seus agentes deviam chegar para deter e identificar a horda. (…)
A destruição de uma coisa de valor elevado é um crime de dano qualificado. O artº 202 do CP diz-nos que o valor elevado, aqui, é o que excede 50 unidades de conta, ou seja, actualmente 4800 euros.
O ministro não explicou como é que a GNR pode ter avaliado no local se o valor da coisa danificada era ou não elevado… mostrou-se candidamente convencido de que a GNR percebe mais de áreas de milho, de toneladas produzidas e de cotações no mercado, do que do cumprimento dos seus próprios deveres.
Esqueceu-se ainda de que só foi destruído um hectare, mas a plantação tem mais 49. dando de barato que a horda obedeceu à GNR e cessou as malfeitorias logo que intimada por ela (ministro dixit), torna-se evidente que, sem a intervenção da autoridade, a destruição teria sido levada a toda a propriedade.
Logo, estar-se-ia sempre, pelo menos, perante a forma tentada de um crime de destruição de coisas de valor consideravelmente elevado.
E isto, para não falar de outras tipificações penais em que vários factos poderiam ser subsumidos, como as de instigação pública ao crime, apologia pública desse crime, participação em motim, ou incitamento à desobediência colectiva.(…)
As espertezas saloias não ficam por aqui. O ministro da Agricultura precipitou-se a garantir o apoio do Estado ao proprietário.
Luís Grifo, o técnico que presta assistência àquela plantação de milho, dissera à Lusa que a parcela destruída deveria produzir cerca de 30 toneladas.
Mas o ministro da Agricultura pôs-se a engrossar rapidamente umas contas para concluir que 17 toneladas de milho esperado deveriam corresponder a um prejuízo de uns 3900 euros!
Assim, o primeiro e prestimoso apoio do Estado consistiu em barbear nada menos de 13 toneladas à normal expectativa do produtor…
Porquê? Porque era preciso fazer tudo para se ficar muito abaixo dos 6900 euros, que excederiam o valor elevado de que fala o artº 213 do Código Penal. De outro modo, a GNR ficava logo em xeque.(…)
Na sua arrogância, o Governo achou que não precisava de fazer mais do que um comunicado pateta.
Mas o PR deu-lhe um puxão de orelhas a doer, afirmando que quem tem o poder de fazer cumprir a lei não pode deixar de utilizá-lo.(…)
E Sócrates mostrou até que ponto é medroso. Não tem só medo de ir à Madeira, que é uma parte integrante do território nacional onde ele não ousa pôr os pés. Tem medo de aparecer a dar a cara perante os portugueses.(…)
Foi por isso que o Governo pôs dois ministros a fazerem assim uma figura de de borboletas desastradamente esvoaçantes e caricatamente trapalhonas..

21 agosto 2007

Continuando a blogar...


... encontrei dois posts - este e este - com muito interesse e, o que é bastante importante, escritos com (bom) humor.

Andres Segovia: Heitor Villa-Lobos e J. S. Bach



O chefe recomenda...

Arcimboldo


... os pitéus abaixo indicados:
- no 31 da Armada, este e também este;
- no Caldeirada de Neutrões, este;
- no Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos , este;
- n' O Jumento, este.

20 agosto 2007

A ser verdade...


Na segunda página do jornal Associação, editado pela Associação Portuguesa de Deficientes, que me deram hoje a ler, chama-se a atenção para o facto da proposta de Lei de Aposentação do Governo não contemplar nenhum regime de excepção para pessoas com deficiência.
A ser verdade, não há que temer as palavras: um governo que propõe algo deste calibre não passa de um bando de canalhas, a quem deveriam ser retirados todos os direitos políticos.

Ainda Luciana Souza: cantando Neruda e com a Maria Schneider Orchestra



A descobrir: Luciana Souza e Romero Lubambo

19 agosto 2007

Já agora...

Henri Rousseau, O sonho
... quero referir este e mais este post publicados no Outra Margem. Tratam de um tema muito caro ao já falecido grande físico e autor de textos de ficção científica Fred Hoyle, para o qual chamo frequentemente a atenção de quem me ouve. Pela oportunidade e pela clareza dos textos, um abraço de parabéns ao Alf.

Tinha de dizer isto!


O energúmeno representante de qualquer coisa verde que acabei de ouvir no telejornal da 2 afirmou que não houve violência por parte dos “ecologistas”, que se “limitaram a destruir” parte da plantação de milho transgénico, abandonando o local quando as autoridades a tal os intimaram. Violência “até certo ponto compreensível”, continuou a aberração, foi a do comportamento do agricultor e dos amigos, por questões “emocionais”. E não vê a necessidade de abrir um inquérito público por causa de uma coisa destas.
E se calhar ainda há quem diga que é um gajo bem intencionado!

Hoje não faço um...


... volto amanhã.

16 agosto 2007

Será do Simplex?


A comunicação social portuguesa que, no ano passado, noticiava o simples acender de um fósforo, raramente nos deu, até agora, o espectáculo de um incendiozito em Portugal. Só na Europa e nos Estados Unidos.
Tch! Tch!...

Avante circular


Encontrei hoje na minha caixa do correio um folheto da próxima festa do Avante!. Folheto em que se anunciam coisas tão interessantes como uma homenagem ao Frank Zappa que, aqui há uns anos, era não um autor "cuja obra, para além de invulgarmente extensa e extraordinariamente multifacetada, possui ainda várias outras características que a tornam única no panorama musical da segunda metade do séc. XX", mas mais uma anarquizante personagem da cena do espectáculo burguês, destinada a afastar os jovens da revolução. E em que Sam the Kid, debitador de discursos machistas e reaccionários de um primarismo confrangedor, é incluído nas cabeças de cartaz.
A esquerda (toda ela) é hoje uma mosca tonta em volta de um pedaço de qualquer alimento que lhe permita o prolongamento do estertor próprio do fim a que se condenou.

14 agosto 2007

Lembrando

António Gedeão

ESTATÍSTICA
Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes,
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e umas tantas mil almas.
Assim se lia
no meu livrinho de Corografia
de António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças aos progressos da Higiene e da Pedagogia,
já somos quase dez milhões de gajos.

07 agosto 2007

Ainda antes de ir de férias por uma semana...

Henri Rousseau
... uma chamada de atenção para este texto, cujo interesse vai muito para além dos interesses e das áreas profissionais de cada um.

Volto na próxima terça-feira. Até lá, fiquem em óptima companhia: Anna Netrebko e Rolando Villazón





Há qualquer coisa que me escapa...


Pelo menos metade da população portuguesa deve ser accionista do BCP. Isto, a avaliar pela importância que a comunicação social tem vindo a dar às lutas internas no banco. A não ser que seja ao contrário: se calhar serão apenas eles e mais uns quantos, os únicos portugueses...

06 agosto 2007

Inch Allah!


No Iraque, um bombista-suicida matou cerca de quarenta pessoas, a maioria das quais crianças. Allah (louvado para sempre seja o seu nome!) abençoou-os com o privilégio de não terem sido mortos pelo exército de Israel. Mas para não se dizer que Ele é injusto, também não lhes deu o mesmo destaque na comunicação social.
Nha, nha-nha, nha-nha, nha!

O Bom Selvagem


Esqueça o pequeno castigo físico do estalo ou palmada, ainda que seja só um gesto simbólico "para sacudir o pó" da roupa do seu filho. O Conselho da Europa, em que Hammarberg é comissário dos direitos humanos, quer acabar com isso, tanto em casa como na escola, aconselhando uma prática que já existe na Suécia. São sinais destes que fazem a evolução das sociedades.
É nestes termos que o PÚBLICO de ontem fala da intenção do sr. Thomas Hammarberg, a quem atribui uma setinha em sentido ascendente.
Falta agora à Europa , sob a égide de Rousseau, legislar sobre o amor de mãe.
Comentarei desenvolvidamente o assunto, logo que tenha oportunidade para tal.

05 agosto 2007

Ainda a propósito de alterações climáticas


Ontem, passei o dia em Tomar. Um calor desgraçado! Seco. Daquele que eu detesto!
Na volta para Lisboa, ao passar por Alhandra, gotas grossas caem sobre o pára-brisas. Não, não é o carro da frente a lavar os vidros, é chuva mesmo! Uma nuvem negra, quase sozinha, no céu, pela qual ninguém dera, desfazia-se por cima da A1! Espanto da prole!
E diz a minha tia (aquela de quem falei aqui recentemente): "Nunca ouviram o ditado: 1º de Agosto, 1º de inverno?".

03 agosto 2007

Los tienen en su sitio!

Lawrence Argent, Colhões
Face a uma praga de ratos estimada em 350 milhões de bicheza motivada por um inverno mais quente, os agricultores de Leão e (salvo erro) Castela organizaram uma marcha de protesto, pelo facto de as autoridades espanholas não terem tomado providências na devida altura. É que ele há ratos por todo o lado, devorando as colheitas, ou mortos, aos milhares, nos rios! E começam a surgir diversos casos da designada "febre dos coelhos"...!
No meio da manifestação, uma criança transportava um cartaz onde se lia: "De topos y ratones/ estamos hasta los cojones!" - "De toupeiras (estúpidos) e de ratos/ estamos até aos colhões!".
Felizmente que se trata de espanhóis... Por cá, os agricultores ainda correriam o risco de serem demitidos de qualquer coisa e processados por perversão de menores.
... da-se..!

Nota final de hoje


Depois de ter publicado o post abaixo, dei conta de que Alf, do blog Outra Margem (cujo link passou, a partir de hoje, a estar disponível aí ao lado) tinha, entretanto, publicado dois textos sobre temas interligados com o que escrevi: este, referido ontem, segundo verifiquei, por Range-o-Dente, e também este outro, com a data de hoje.
Daqui envio um abraço para ambos, pelo excelente trabalho feito ao longo da existência dos respectivos blogs.
Entretanto, a propósito do tema de um post que publiquei hoje, sobre o afastamento da directora do Museu Nacional de Arte Antiga, vejam também este, no 31 da Armada.