24 novembro 2007
22 novembro 2007
21 novembro 2007
"Pobre Europa"

Transcrevo aqui, sem comentários, a primeira parte do artigo de António Barreto, do PÚBLICO de domingo.
As ambições da União Europeia, proclamadas pelos seus dirigentes, são enormes. A famosa estratégia de Lisboa deu corpo a algumas delas. Apesar de ter falhado, está agora a ser ressuscitada. É, com o tratado constitucional e as afirmações destemperadas dos políticos europeus, um hino às aspirações ilimitadas. A Europa quer ser o continente da paz. o maior espaço económico do mundo. O conjunto de países mais inovador na ciência e na tecnologia. O que possui o melhor sistema de segurança social. O que alimenta o Estado de protecção mais humano do planeta. O que melhor recebe os imigrantes. O que trata com mais cuidado os países pobres.
A União quer ainda ser respeitada pelos outros quase 200 países que pululam nas Nações Unidas. Quer ser parceiro indispensável na resolução de todos os conflitos do mundo. Quer ser pelo menos igual, em poderio, aos Estados Unidos da América. Quer falar com uma só voz e ter um presidente estável. Quer ter os mais elevados índices de crescimento económico e as mais baixas taxas de dsemprego. Quer estar na vanguarda dos países que respeitam o ambiente. A Europa pretende ser uma espécie de modelo: a democracia mais avançada, mas também a mais social.
Mas a Europa não quer sofrer a concorrência "desleal" dos países asiáticos e africanos. Quer proteger os seus agricultores, sobretudo se falarem francês. Pensa em restaurar algumas formas de proteccionismo. Não quer gastar recursos com as Forças Armadas, nem criar uma defesa efectiva europeia. Quer que os Estados Unidos assegurem a nossa segurança, mas que o façam sob o comando dos europeus. Para que tudo isto seja verdade, a Europa quer... mais Europa. Mais coesão, mais integração, mais federação, mais uniformidade, mais coordenação, mais eficácia, mais políticas únicas e menos centrífugas. O tratado costitucional é agora, dizem, o instrumento privilegiado para alcançar esses objectivos. É o meio indispensável à ambição. A diversidade europeia, que todos elogiam sem conviccção, é vista como uma fragilidade. Reduzir esta variedade é o fim último deste tratado.
A história do tratado constitucional é a história de uma fraude política. Alguns povos recusaram a Europa mais ou menos federal, assim como a Constituição. Fez-se um tratado praticamente igual, mais complexo, mais técnico, mais incompreensível. Com os objectivos explícitos de enganar a opinião; de aprovar furtivamente o que tinha sido recusado; e de evitar que houvesse novos referendos. Os argumentos dos defensores do tratado e opositores dos referendos são intelectualmente pobres, politicamente autoritários, tecnicamente medíocres e moralmente condenáveis. Dizem que "não vale a pena"; que "o parlamento é tão legítimo quanto o povo"; que "é muito complexo e técnico" e, por isso, "incompreensível para o eleitorado"; que "é igual ao anterior"; e também que "é diferente do anterior".
Não é só no método e no processo que este tratado é uma fraude. Também no seu conteúdo. Sob a aparência de um melhoramento, concretizado em competências marginais conferidas ao Parlamento Europeu, este tratado é um dos mais potentes recuos da democracia na Europa. O Parlamento Europeu, pela sua natureza, estrutura e função, não é uma instituição favorável à democracia. Por outro lado, este tratado relega definitivamente os parlamentos nacionais para a arqueologia política e confere-lhes um estatuto tão relevante para a liberdade como o de qualquer direcção-geral dos recursos hídricos. (...)
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20 novembro 2007
19 novembro 2007
"Ninguém conhece que alma tem"

Depois de ter dito ao Expresso de sábado que "Sócrates é de uma pavorosa mediocridade", Vasco Pulido Valente escreve ainda o seguinte, no final do texto inserido no PÚBLICO de anteontem:
"Entretanto, o país discute o hipotético aeroporto de Alcochete, a putativa fusão do BCP e do BPI, a presuntiva demissão de José Rodrigues dos Santos, Maddie McCann, a Casa Pia (essa praga), o aborto e, a pedido do sr. Presidente da República, o mar. Por outras palavras, Sócrates (com a voluntária ajuda de Cavaco) despolitizou Portugal. Vivemos numa sociedade apolítica, que obedece à autoridade, sofre calada e aceita com resignação o seu destino. Sócrates conseguiu, de facto, impor a toda a gente a obediência servil do PS. Pouco a pouco o essencial desapareceu de cena: a liberdade e a justiça, o Governo e o Estado. E voltaram, como sempre, o "imperativo nacional" e a competência técnica, que Sócrates naturalmente encarna. A democracia vai morrendo sem ninguém dar por isso".
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18 novembro 2007
Artigo de Bruno Rascão, na Pública de hoje

"Deus não outorga a Sua guia a gentes que deliberadamente fazem o mal" (Corão 9:109)
Este foi um dos versículos do corão utilizados na fatwa contra Osama bin Laden e a Al Qaeda, emitida pela Comissão Islâmica de Espanha (CIE), no primeiro aniversário dos atentados terroristas de Madrid, em Março de 2005. Pela primeira vez um decreto religioso islâmico bania do Islão todos os que justificam o terrorismo com base no livro sagrado, negando a condição de muçulmanos aos seguidores do príncipe saudita. O inédito decreto adquiriu especial relevância por ser emitido pela CIE, o órgão máximo das 294 associações de muçulmanos inscritas no Ministério da Justiça espanhol. A notícia depressa se espalhou pelos meios de comunicação internacionais, como os jornais "Libération", "The New York Times", ou cadeias de televisão CNN e AL-Jazeera. Numerosas entidades muçulmanas e não muçulmanas estimaram que se as comunidades islâmicas sedeadas nos EUA tivessem emitido uma fatwa idêntica, a seguir aos atentados do 11 de Setembro, o mundo seria hoje um lugar melhor. O documento foi redigido e assinado pelo secretário geral da CIE, Mansur Escudero, um psiquiatra de profissão, com 59 anos [nascido no meio de uma família muito católica]. (...)
Além da contestação às intenções da JI na imprensa e na blogosfera mais conservadora, Mansur e a sua comunidade foram considerados "infiéis" pela Al Qaeda ao emitirem a fatwa contra o terrorismo. Por outro lado, recebem ameaças por telefone e por correio electrónico, que Mansur supõe virem de "organizações ultra-católicas". "Dizem que somos mouros invasores, os submarinos dos países islâmicos e para nos irmos embora do país! Como se não fôssemos espanhóis!", argumenta Mansur. Hoje a sua casa está equipada com sistema de segurança e os seus telefones sob escuta da polícia para sua protecção.
Porém, Mansur vacila quando a primeira das suas mulheres [de casamento não islâmico], Sabora, recebia 30 facadas na sua casa de Almodôvar, em Outubro de 1998. "Matei a tua mulher!", disse-lhe o assassino antes de se entregar à polícia. O jovem tinha 18 anos, vivia na vila, e era "membro de uma confraria" recorda, "mas nunca dissemos que era um fundamentalista cristão". O processo foi arquivado, e o agressor morreu na prisão ao cair por umas escadas, segundo Mansur no dia em que ia declarar sobre possíveis cúmplices.
Apesar disso, o presidente de Junta Islâmica nunca recusou pontes com a sociedade ocidental e cristã que a rodeia. É exemplo o convite recebido, enquanto secretário geral da CIE, para a boda real do príncipe de Filipe de Bourbon com Letízia Ortiz. Ou a carta em papel timbrado da Casa Branca, com a assinatura do presidente dos Estados Unidos da América, em que George Bush lhe agradece a "promoção de uma mensagem de paz" e destaca a importância da fatwa anti-terrrista para que "outros muçulmanos levantem as suas vozes para condenar a violência".
Destaco ainda do mesmo artigo que Hashim Cabrera, pertencente à mesma Junta, "autor de vários livros sobre o islão contemporâneo (...), confrontado com o tema do terrorismo diz que "matar civis" ou !maltrar mulheres" são práticas condenadas pelo Corão, que o Islão é uma forma de vida e que a sua conversão em religião é o "princípio da sua decadência".
Do mesmo modo, acrescento eu, que o que respeita ao cristianismo e ao judaísmo.
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Ando cheio de trabalho...

... e tenho-me esquecido de ir assinalando os novos posts do Alf, no Outra Margem. Vão lendo, vão lendo que o esforço dele merece-o.
17 novembro 2007
Ainda os há! (2)

Desta vez, o bastonário da Ordem dos Médicos. Alguém ouviu a entrevista que deu à SICNotícias há uns dias atrás? Digo-vos: um modelo de lucidez e de clareza, aliada à atitude de quem não manda recado! Como diria o Range-o-Dente, chapelada com vénia (dupla).
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12 novembro 2007
Sequências

Primeiro, ouvi no telejornal que os pescadores portugueses estão a emigrar para Espanha e França. E isso fez-me relembrar a pesca como uma, historicamente, marcante e decisiva actividade de um país - já não me lembro de qual...! - com a maior extensão costeira da Europa.
Depois lembrei-me de António Sérgio, que dizia que Portugal foi uma invenção da burguesia marítima (do extremo ocidental europeu).
No telejornal seguinte deram-me a notícia de que uma fábrica têxtil do interior faliu por falta de clientes, deixando 130 trabalhadores no desemprego.
E o dia iluminou-se-me.
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11 novembro 2007
Poeira nos olhos?

O Jumbo de Alfragide foi ontem encerrado pela ASAE devido à excessiva exposição ao pó dos alimentos, resultante das obras que ali têm lugar.
Acontece que essas obras, cujo objectivo é a construção de um enorme centro comercial, decorrem há muitos meses e a situação já esteve entretanto muito, mas mesmo muito mais complicada do que hoje, a quatro dias apenas da sua finalização e da consequente inauguração (com banda? e visitas oficiais?).
Deduz-se assim que a ASAE, que foi fiscalizando as condições de higiene ao longo do processo, só detectou a presença de poeira quando ela, em princípio, deveria ter desaparecido na quase totalidade.
Fico na dúvida sobre se houve ali alguns pozinhos... sabe-se lá de quê...!
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A ler com...
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08 novembro 2007
Como diz que disse?!

O ministro das Finanças diz que é um homem sério e que, quando avança com determinado valor como a percentagem realista de aumento salarial para a função pública, o faz tendo em conta a situação económica e financeira do país. Não sendo pessoa para negociatas, acrescenta, não propõe valores de base mais baixos para, depois, os alterar como se houvesse reconsiderado e cedido.
Homem íntegro e vertical, este! Mas então que sentido teve sentar-se à mesa de negociações?
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05 novembro 2007
Ainda os há!
Quero, com este post, prestar uma homenagem ao Presidente (do Executivo? da Assembleia?) da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães (Ponte de Lima). Face à situação da funcionária que, contra o parecer dos próprios médicos, foi considerada apta para o trabalho pela outra Junta, a da Caixa Geral de Aposentações, não teve qualquer hesitação em afirmar que, do mesmo modo que aos traficantes de droga e a outros meliantes, não se pode deixar gente daquela por mais tempo sem julgamento. É bom saber que ainda há portugueses dignos de se intitularem como tal!
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04 novembro 2007
Olá a todos!
Isto por aqui tem andado muito mal de tempo! Por isso, limito-me por hoje a deixar-vos um pedacinho do texto de Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO deste domingo.(...) Este palavreado [dos economistas] esotérico esconde, como Portugal inteiro já está farto de saber, uma realidade básica: a impossibilidade de reduzir o pessoal e as funções do Estado, isto é, a impossibilidade da famigerada "reforma" que Sócrates prometeu e anda por aí a fingir que faz. Primeiro, porque os partidos, que são parte e parcela do Estado, não o permitiriam, mesmo quando na oposição pretendem que sim. Segundo, porque Sócrates, apesar do jogging, não tem feitio de suicida. E terceiro, porque se tornou dogmático na política indígena que tocar no estado Providência e num infinidade de "prestações sociais" (para usar essa palavra equívoca), sem utilidade ou justificação, provocariam um levantamento geral. A paralisia, no fundo, acabou por se tornar no verdadeiro destino do país. (...)
A maneira de resolver o irresolúvel é mudar os dados da questão.
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