
05 novembro 2007
Ainda os há!
Quero, com este post, prestar uma homenagem ao Presidente (do Executivo? da Assembleia?) da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães (Ponte de Lima). Face à situação da funcionária que, contra o parecer dos próprios médicos, foi considerada apta para o trabalho pela outra Junta, a da Caixa Geral de Aposentações, não teve qualquer hesitação em afirmar que, do mesmo modo que aos traficantes de droga e a outros meliantes, não se pode deixar gente daquela por mais tempo sem julgamento. É bom saber que ainda há portugueses dignos de se intitularem como tal!04 novembro 2007
Olá a todos!
Isto por aqui tem andado muito mal de tempo! Por isso, limito-me por hoje a deixar-vos um pedacinho do texto de Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO deste domingo.28 outubro 2007
27 outubro 2007
23 outubro 2007
De fugida
Aqui há uns anos, o PCP manifestava-se veementemente contra o referendo popular sobre o tratado europeu, dizendo que tal referendo constituiria uma manobra para, através dela, os políticos serem desresponsabilizados dos males que do tratado adviriam no futuro, uma vez que poderiam alegar que ele fora legitimado pelos cidadãos. 22 outubro 2007
21 outubro 2007
Atento, venerador e obrigado!

Não há... quem aguente tanta comunicação!
Título maaaaaiiior dos três que compõem a página 7 da edição do PÚBLICO de hoje:Sem título
Goya19 outubro 2007
16 outubro 2007
Alguém me explica?!
Tenho o televisor ligado. Começa o primeiro programa de Joaquim Furtado sobre a guerra colonial. Os depoimentos dos representantes dos movimentos africanos são todos legendados, alguns deles "tratados" em termos da "correcção do português". Não compreendo. O sotaque deles é menos cerrado do que o de Alberto João Jardim e expressam-se com a mesma estrutura de oralidade que se encontra em qualquer aldeia portuguesa do interior. Aquele abraço!

14 outubro 2007
13 outubro 2007
12 outubro 2007
08 outubro 2007
Vamos lá a ter uma conversa!

06 outubro 2007
Corroborando o que o Alf...
... diz no comentário ao post anterior, hoje Medina Carreira afirmava, em entrevista à SIC Notícias, que o problema do ensino em Portugal era que muito poucos entendem o que é a escola. Os pais não estão empenhados em que os filhos aprendam seja o que for, de facto estão é interessados em que eles tenham um papel - um canudo, um certificado - que lhes dê acesso a um emprego, de preferência um tacho (não o disse por estas palavras, mas o sentido era esse). E os alunos, por tabela, têm a mesma atitude. 05 outubro 2007
Ganda estrago!
04 outubro 2007
A ter em atenção

Transcrevo aqui...

Qualquer estudante de economia poderia fazê-lo e até poderia evitar grandes culpas para o governo, mas mesmo assim nenhum ministro teve a conhecida saliência anatómica própria dos que não têm medo. O ministro das Finanças poderia assumir a responsabilidade por uma receita típica doa anos duros do FMI, o ministro do Trabalho poderia questionar os critérios e explicar que os dados do desemprego valem o que valem e o ministro das Economia poderia justificar o desemprego como um resultado da reestruturação e modernização da economia. Mas nenhum deles teve coragem de dar a cara, optaram pela cobardia.
Vergonhas

03 outubro 2007
Da SIC, com amor
Agora anuncia-se uma peça sobre os perigos do andarilho: diariamente, duas crianças são tratadas nos hospitais, devido a acidentes com esse tipo de velocípede. Fazendo as contas à gasolineiro espanhol, estaremos em presença (no universo de acidentes a que, por qualquer razão ainda misteriosa para a ciência, as crianças se encontram sujeitas) de uma percentagem não apenas significativa como alarmante, para a qual nunca é demais a vigilância da espécie. Aproveito mesmo para sugerir, humildemente, ao sr. primeiro-ministro que seja determinada, com urgência, a obrigatoriedade de uma carta de condução e estabelecida a "tolerância zero", a bem dos futuros cidadãos do país.
Sinto-me de espírito arrelampado. Vou desligar, antes que vomite.
02 outubro 2007
Portuguese old way

01 outubro 2007
Bruce Lopes

30 setembro 2007
Reencaminhando

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza . A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cercade 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
CABE à Oposição CONTRAPOR.
CABE AOS CIDADÃOS MANIFESTAREM-SE!!!
CABE À TUA CONSCIÊNCIA REENCAMINHAR OU DEIXAR FICAR.
Mário Soares...

Egrégios avós

28 setembro 2007
Sublinhado meu

Superiores interesses
Uma criança de 4 anos caiu de uma varanda, em Belas. 27 setembro 2007
26 setembro 2007
A histeria do ódio
Há uma coisa que, para mim, não ficou clara, naquela "tourada" que pudemos "ouver" na Universidade de Columbia, com o presidente do Irão. O divino, os carnavais e coisas que tais 3
Sophia com Vinicius de MoraesFernando Pessoa dizia: “Aconteceu-me um poema”. A minha maneira de escrever fundamental é muito próxima deste “acontecer”. O poema aparece feito, emerge, dado (ou como se fosse dado). Como um ditado que escuto e noto.
É possível que esta maneira esteja em parte ligada ao facto de, na minha infância, muito antes de eu saber ler, me terem ensinado a decorar poemas. Encontrei a poesia antes de saber que havia literatura. Pensava que os poemas não eram escritos por ninguém, que existiam em si mesmos, por si mesmos, que eram como que um elemento do natural, que estavam suspensos, imanentes. E que bastaria estar muito quieta, calada e atenta para os ouvir.
Desse encontro inicial ficou em mim a noção de que fazer versos é estar atento e de que o poeta é um escutador.
É difícil descrever o fazer de um poema. Há sempre uma parte que não consigo distinguir, uma parte que se passa na zona onde eu não vejo.
Sei que o poema aparece, emerge e é escutado num equilíbrio especial da atenção, numa especial da concentração. O meu esforço é para conseguir ouvir o “poema todo” e não apenas um fragmento. Para ouvir o “poema todo” são precisas duas coisas: que a atenção não se quebre ou atenue e que eu não intervenha. É preciso que eu deixe o poema dizer-se. Sei que quando o poema se quebra, como um fio no ar, o meu trabalho, a minha aplicação não conseguem continuá-lo.
Como, onde e por quem é feito esse poema que acontece, que aparece como já feito? A esse “como, onde e quem” os antigos chamavam Musa. É possível dar-lhe outros nomes e alguns lhe chamarão o subconsciente, um subconsciente acumulado, enrolado sobre si próprio como um filme que de repente, movido por qualquer estímulo, se projecta na consciência como num ecrã. Por mim, é-me difícil nomear aquilo que não distingo bem. É-me difícil, talvez impossível distinguir se o poema é feito por mim, em zonas sonâmbulas de mim, ou se é feito em mim por aquilo que em mim se inscreve. Mas sei que o nascer do poema só é possível a partir daquela forma de ser, estar e viver que me torna sensível - como a película de um filme - ao ser e ao aparecer das coisas. E a partir de uma obstinada paixão por esse ser e esse aparecer.
Deixar que o poema se diga por si, sem intervenção minha (ou sem intervenção que eu veja), como quem segue um ditado (que ora é mais nítido, ora mais confuso), é a minha maneira de escrever.
Assim algumas vezes o poema aparece desarrumado, desordenado, numa sucessão incoerente de versos e imagens. Então faço uma espécie de montagem em que geralmente mudo não os versos mas a sua ordem. Mas esta intervenção não é propriamente “inter-vir” pois só toco no poema depois de ele se ter dito até ao fim. Se toco a meio o poema nas minhas mãos desagrega-se. O poema “Crepúsculo dos Deuses” (Geografia) é um exemplo desta maneira de escrever. É uma montagem feito com um texto caótico que arrumei: ordenei os versos e acrescentei no final uma citação de um texto histórico sobre Juliano, o Apóstata.
Algumas vezes surge não um poema mas um desejo de escrever, um “estado de escrita”. Há uma aguda sensação de plasticidade e um vazio, como um palco antes de entrar a bailarina. E há uma espécie de jogo com o desconhecido, o “in-dito”, a possibilidade. O branco do papel torna-se hipnótico. Exemplo desta maneira de escrever, texto que diz esta maneira de escrever, é o poema de Coral:
“Que poema de entre todos os poemas
página em branco?...”
Outra ainda é a maneira que surgiu quando escrevi o “Cristo Cigano”: havia uma história, um tema, anterior ao poema. Sobre esse tema escrevi vários poemas soltos que depois organizei num só poema longo.
E por três vezes me aconteceu uma outra maneira de escrever: assim o poema “Fernando Pessoa” apareceu repentinamente depois de eu ter acabado de escrever uma conferência sobre Fernando Pessoa. E o poema “Maria Helena Vieira da Silva ou itinerário inelutável” emergiu de um artigo sobre a obra desta pintora. E enquanto escrevi este texto para a Crítica apareceu um poema que cito por ser a forma mais concreta de dar a resposta que me é pedida:
Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
Durante vários dias disse a mim própria: tenho de responder à Crítica. Sabia que ia escrever e sobre que tema ia escrever. Escrevi pouco a pouco, com muitas interrupções, metade escrito num caderno, metade num bloco, riscando e emendando para trás e para a frente, num artesanato muito laborioso, perdido em pausas e descontinuidades. E através das pausas o poema surgiu, passou através da prosa, apareceu na folha da direita do caderno que estava vazia.
Ninguém me tinha pedido um poema, eu própria não o tinha pedido a mim própria e não sabia que o ia escrever. Direi que o poema falou quando eu me calei e se escreveu quando parei de escrever quando parei de escrever. Ao tentar escrever um texto em prosa sobre a minha maneira de escrever “invoquei” essa maneira de escrever para “ver” e assim a poder descrever. Mas, quando “vi”, aquilo que me apareceu foi um poema.
Queria, em primeiro lugar, fazer notar aos mais distraídos que o poema que "aconteceu" a Sophia de Mello Breyner condensa tudo o que o texto diz. Em seguida, que o processo de criação estética por ela descrito é comum a todos os artistas fundamentais da nossa cultura (ocidental, em sentido lato, mas também nisso são seguidos pelos orientais). Note-se: todos! Paul Klee dizia mesmo que quando pintava era como se o seu braço estivesse a ser guiado por alguém de quem ele era apenas o veículo. A obra não é um produto surgido de uma deliberação, esta segue-se como aperfeiçoamento de uma intuição, seja lá o que isso signifique.
Por último, seria interessante ter em atenção o testemunho de diferentes cientistas (Niels Bohr, por exemplo) sobre o papel da intuição, do sonho, inclusivamente, na ciência. Einstein, a propósito de Edison, falava do "génio" como sendo "um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração". Desta sabemos todos, da outra... bem, parece que eles sabiam alguma coisa.
No post seguinte desta série procurarei clarificar o que aqui deixo à consideração de quem me leia, bem como sistematizar algumas questões. Talvez lá para o final de sexta-feira, uma vez que entre amanhã e quinta me será muito difícil fazer mais do que comentar alguma "tourada" menor.
25 setembro 2007
24 setembro 2007
O divino, os carnavais e coisas que tais 2
Henri RousseauUma diz respeito ao salto que frequentemente se dá, na argumentação, entre fé e religião. Esse salto só pode ser dado - e, mesmo assim, com várias reservas - quando se trata das religiões do Livro. Porque não existe qualquer fé no budismo ou no taoísmo, por exemplo, mas unicamente uma intuição radical, total, num plano semelhante ao que Descartes aponta como fundamento do conhecimento em si mesmo e que Platão e, em particular, Plotino, (para não falar de Hegel, de outra maneira) entenderam como o momento da sua aquisição definitiva. Uma coisa, porém, é intuir a existência do divino como fundamento de tudo e de mim mesmo, outra, a religião, que só pode provir de uma revelação divina ou de inferência humana sobre o que essa intuição traz consigo, incluindo as normas e os ritos destinados a confirmar e a celebrar a alegria desse encontro com a fonte eterna da vida.
Mas, como diz o mesmo Descartes, é preciso tornarmo-nos em atletas da intuição, aprender, pela prática continuada do exercício de pensar, a distinguir aquelas que são claras e distintas das nebulosas, das que ainda carregam em si elementos estranhos ou indevidamente ligados no raciocínio.
É por isso que, ao contrário do que o próprio Galileu disse, convictamente ou por conveniência, e que a partir daí foi usual dizer, a religião nem sequer pode ter a ver seja o que for com a moral. Na medida em que a intuição do divino varia, a ética que lhe está associada também; a única ética possível de ser associada à atitude religiosa é, assim, o respeito pelo outro enquanto participante ou criação do divino, quer dizer, enquanto nosso semelhante.
A religião como fundamento de normas morais, isto é, massificada, isto é, politizada, é o maior perigo que há, na medida em que estabelece uma antropologia definitiva e limitadora e qualquer uma que as estabeleça só pode vir a contar, mais tarde ou mais cedo, com as contradições entre a "razão" e a vontade, a revolta e a auto-destruição. Se a religião se arrogar ainda a acrescentar-se uma visão cosmológica será, como o foi para a cristandade ao arrepio dos Evangelhos, a tragédia que se viu, das quais ainda estamos em saldos de fim de estação. Essa é a forma abastardada da compreensão do divino, geradora de conflitos e sem a qual as pessoas viveriam bem melhor.
A intuição é um prelúdio ao conhecimento e, simultaneamente, um seu horizonte e quer um quer o outro exigem o desvelamento subsequente. A intuição do divino envolve a descoberta do encadeamento dos fenómenos na procura de os integrar no significado, no sentido da existência, mas apenas isso.
Pretendo eu dizer com isto que a dúvida é mais importante do que a crença e que o verdadeiro religioso é o que abençoa a própria dúvida? Sim. Só isso, obviamente, o tornará digno perante o seu deus, porque não o terá amado por cobardia ou medo, mas porque o quer amar face a face. E não é preciso sair do nosso século: só os “crentes” se escandalizaram e procuraram negar as dúvidas da Madre Teresa de Calcutá, vindas a público num livro publicado recentemente.
Pretendo eu dizer com isto que a esfera do religioso é semelhante à esfera do saber científico, sob este aspecto? Mais uma vez, sim. Então porque é que uma parte da humanidade não possui intuições sobre o divino ou se limita a crendices com interesses muito concretos? Possivelmente porque, da mesma maneira que há quem tenha intuições fundamentais em algo de tão abstracto como o raciocínio matemático ou estético, há quem as tenha em relação a um possível divino. Um ateu não tem essa intuição, do mesmo modo que Fernando Pessoa seria, talvez, um péssimo músico ou o excelente médico X, que demonstra uma intuição extraordinária para se orientar no meio de uma floresta de sintomas que a maioria dos seus colegas não consegue, será um péssimo artista plástico, porque não tem intuição espacial. Porquê? Dizer que está nos genes, não responde a nada: os genes são a expressão de uma possibilidade que a eles próprios permitiu que existissem e que lhe é obvia e necessariamente prévia. Haveremos de o saber, se decifrarmos o sentido da existência humana.
Um ateu vive muito bem, obrigado, se não vier um gajo qualquer dizer-lhe que é um deficiente “intuicional”. Vem um “crente” dizer-lhe: “Olha, não é por mal, mas tu és coxo de crenças, eu sou melhor do que tu, sou escorreito e o melhor é perceberes que se não for eu guiar-te, estás feito”. Não há paciência! Compreende-se! “Deficiente? Já te viste ao espelho, oh!, geniozinho da lâmpada?”. E não é que o ateu está carregado de razão? Se Deus fez o mundo, os ateus também são filhos dele, e portanto, se os fez que os ature; se formos todos deus, esquecidos de que o somos, os ateus lembrar-se-ão disso quando lhes for conveniente. Não se discute a existência do sentimento poético; quanto aos poemas, gosta-se ou não se gosta, estão de acordo com o nosso caminho ou acrescentam-nos. E eu posso não gostar ou mesmo recusar o que me traz uma determinada concepção do divino, senti-la mesmo contra a minha natureza (esse Paraíso violenta-me, meu!). A minha natureza é um facto e se a teoria não contempla o facto, é porque não é verdadeira. O problema é do teorizador.
Não aprendi isto sozinho. Passo a explicar: quando era jovenzinho, um dos amigos que fiz a certa altura tinha-se convertido recentemente ao islamismo. Se hoje em dia isso ainda seria maioritariamente considerado bizarro, nessa altura era mesmo quase inconcebível. A estranheza e a curiosidade que, naturalmente, lhe demonstrei geraram muitas horas de conversa entre os dois, bem como as minhas leituras do Corão e, depois, de livros de outras religiões que ele lera, antes da conversão, à mistura com os ateus Sartre e Nietzsche, de quem ele gostava particularmente.
Um dia em que fui até lá a casa, encontrei-o a falar com um amigo dele, que estudava o budismo. Entrei na conversa e, a dado momento, perguntei ao outro se ele acreditava em Deus. O meu amigo (parece-me estar ainda hoje a ver a cena) que estava de olhos baixos, ouvindo-nos, levantou de repente a cabeça, como se tivesse sido picado e disse-me num tom quase ríspido: “Pá!, isso não se pergunta a ninguém!!”. Fiquei tão surpreendido que não soube o que fazer e calei-me, sem sequer lhe perguntar porquê. Só descobri o que ele queria dizer e a sua reacção alguns dias depois. E nunca nenhum de nós chegou a falar com o outro sobre o assunto (escusado será dizer que ele não tinha grande apreço pela comunidade muçulmana portuguesa). Entretanto, tinha lido uma frase de Nietzsche de que nunca mais me esqueci: “Desconfiai dos berradores”.
Por hoje, chega. Quero que vocês se lixem. Nem revejo o texto, nem nada. Vou jantar, que já é tarde e tenho fome, seja lá qual for a razão que me fez com essa necessidade.
Até amanhã.
23 setembro 2007
22 setembro 2007
Um e-mail que recebi

O nosso sistema de saúde é dos melhores do mundo









Não consegui ter tempo para vir aqui anteontem, como prometera. Deixo-vos hoje aqui duas referências. 













