27 abril 2008

Emenda ao post anterior


Ouvindo agora com mais atenção a notícia, verifico que no Rio, afinal, morreram 96 pessoas. O número 200, bem como os 100.000 eram relativos a todo o Brasil, e desde há quatro meses. Por isso, terei que emendar os cálculos.
Assim, a percentagem dos cariocas infectados passa para metade, isto é, para 0,001% (uma milésima percentual). Por outro lado, se os cariocas são dez milhões, os brasileiros, no seu total, são mais de cento e oitenta milhões, o que faz com que, dividindo os 0,002% por 18, dê... aeeeuh!... bem, é só fazer as contas, mas deve rondar os 0,0001% (uma décima milésima percentual). As percentagens apontadas para a soma de mortos ao fim de dez anos deverão ser alteradas na mesma proporção.
Já agora, para quem não saiba ou não tenha presente: o país dos nossos irmãos tem uma área 92 vezes superior à de Portugal, ou seja, o equivalente à quase totalidade da Europa, Rússia ocidental incluída - a qual, por sua vez, ocupa um espaço quase igual à soma de todos os outros países (os que fazem e os que não fazem parte da UE). Relacionando estes números com os anteriores...

26 abril 2008

O nível da comunicação social


O dengue é uma doença perigosa.
No Rio de Janeiro vivem 10.000.000 de pessoas.
No Rio de Janeiro houve, até agora, 100.000 casos diagnosticados.
Morreram 200 pessoas.
Fazendo as contas:
Em cada 100 cariocas, houve 1 desgraçado que teve que ir para o hospital por ter sido picado por um mosquito.
De cada 500 hospitalizados, 499 voltaram para casa refeitos e 1, bem... morreu mais cedo do que se preveria.
De outra maneira:
99% da população do Rio anda na boa. Melhor dizendo, 99,998%, uma vez que 99.800 dos 100.000 já recuperaram. Neste mês, morreu 0,002% (duas milésimas percentuais) de quem lá vive, devido ao dengue. A este ritmo, isto é, se o número de mosquitos e de habitantes se mantivessem, bem como o número e tipo de cuidados de saúde presentemente existentes, ao fim de 10 anos teriam morrido o,3% (arredondamento por excesso) dos cariocas.
Os níveis necessários para que o ser humano entre em pânico são praticamente insignificantes, dizem os psicólogos. A comunicação social reflecte-o e aproveita-o. Cumpre assim uma função inversa do que deveria ser a sua.
O que é caso para entrar em pânico.

25 abril 2008

Da imbecilidade e do oportunismo políticos...


... levados ao grotesco:
O distinto militante do Partido Socialista, sr. dr. Francisco Assis, acaba de afirmar, na RTPN, que o culpado da queda do ex-ministro da Saúde Correia de Campos foi... Manuel Alegre!!!

A primeira vez

Gustave Courbet, O Sono ou As Adormecidas
E, de repente, a vida estava à nossa frente. E não sabíamos nada.

22 abril 2008

21 abril 2008

Já o disse e subscrevo


Ontem, no PÚBLICO:

Ana Benavente
(...) Nas escolas em que a burocracia ganhou, em tempo e em preocupação, ao trabalho de ensinar e de aprender, vive-se uma estranha esquizofrenia (...) Um ministério pode pode impor normas pela chantagem? Ameaçar os professores contratados com o desemprego no ano que vem? Que governo é este? A maioria absoluta não lhe permite esquecer-se de que governa para e pelas pessoas. Que Partido Socialista pode aceitar tais práticas?
(...) No balanço de três anos de governo, o Sr. Porta-voz afirmou, sorridente (homem que sorri pouco), que havia tanta coisa bem feita que não valia a pena perder tempo com o que correu mal ou menos bem. Foi pena. Governar não é ir a um espectáculo para receber palmas. Um balanço de governo só é completo quando considera o que fez (bem ou mal) e o que não fez. Assim, parece-me mais uma festa de aniversário (com poucos convidados) do que a prestação de contas ao país. A menos que o Governo se esteja a esquecer do país e que tenhamos todos que gritar muito mais alto para que isso não aconteça (...)

Vasco Pulido Valente
(...) Mas provavelmente Jardim não o (a Cavaco Silva) aflige tanto como Sócrates. Porque Sócrates falhou. A economia encolhe. A "consolidação financeira", uma espécie de utopia indígena, está comprometida. E o mundo, em crise, não ajuda. De resto, o reformismo acabou. O "monstro" continua alegremente como era. A saúde não se recomenda. E o ensino treme. As reuniões de quinta-feira entre o dr. Cavaco e o primeiro-ministro devem ter hoje um ar de enterro. Se alguém lesse agora ao dr. Cavaco o discurso de candidatura, ele com certeza desatava a chorar. Prometeu, jurou, gritou que "não se resignava" e só lhe resta a resignação: o pântano de Sócrates, se as coisas por milagre ficarem por aí (...)

António Barreto
(...) Os partidos e a vida democrática devem estar, em Portugal, no mais baixo do apreço público. Descrença, desconfiança e desprezo são sentimentos que não faltam na população. Se quiserem encontrar os verdadeiros inimigos da democracia, não é preciso ir procurar muito longe: basta começar pelos partidos e pelos políticos democráticos.

20 abril 2008

Pedem-me que divulgue


Novo espectáculo de MANDRÁGORA-Centro de Cultura e Pesquisa de Arte!
Sociedade Guilherme Cossoul (junto à Assembleia da República), nos próximos dias 6 e 7 de Junho.
Após o espectáculo será feita a divulgação de mais um número da revista de artes Bicicleta, editada pela mesma Associação.

Recebido por e-mail


Recado ao Ministério da Educação:
Continuem a dar computadores portáteis aos alunos e não apostem nos esquadros, que os professores já se ajeitam muito bem com as cadeiras!

19 abril 2008

O Alf em grande forma!

Magritte, The Dangerous Liaison

Aqui e aqui. Fora o resto, já se sabe!

Da indignidade


A medida recentemente anunciada por Teixeira dos Santos de, através do alargamento do prazo do pagamento do empréstimo contraído para aquisição de habitação própria de 30 para 50 anos, aliviar a carga que, a cada mês que passa, afunda, mais e mais, o nível de vida das famílias portuguesas, não passa de uma tentativa desesperada, que a si se denuncia, de disfarçar o estado em que se encontra a economia do país ao fim de três anos de governação. Ao mesmo tempo que põe muito claramente a nu a atitude e os desígnios do primeiro-ministro e da sua equipa face aos seus concidadãos.
De facto, por um lado, com tal medida condiciona-se decisivamente a vida inteira dos portugueses (quem comprar uma casa aos 25 anos só a terá paga aos 75!!!), ao submetê-los, pela necessidade de cumprimento das obrigações assumidas, à aceitação de toda a espécie de condições de trabalho e de remuneração salarial que, “a bem da Nação”, seja conveniente impor-lhes. Por outro, de um mesmo golpe, o Governo pretende com ela ajudar a “salvar” o sector da construção civil, que se mantém há muitas décadas como principal fonte de emprego num país onde as unidades industriais desaparecem rapidamente, evitando assim a formação de uma situação socialmente explosiva.
O corajoso dirigente da “esquerda moderna”, o grande timoneiro que se atreveu às nunca até hoje necessárias reformas, torneia, deste modo e à semelhança de todos os que o precederam, o verdadeiro problema: o do preço dos terrenos, urbanizados e urbanizáveis, principal responsável pelo custo, sem paralelo na Europa, da celebrada "casa portuguesa", tanto na venda como no aluguer. Evitando pôr o pescoço em risco, e com uma brutalidade maquiavélica superior à do próprio Salazar, Sócrates prefere vergar, como qualquer cacique negreiro, o dos seus compatriotas. Nele e nos que o acompanham torna-se, assim, cada vez mais difícil distinguir entre indignidade política e indignidade pessoal.

18 abril 2008

O que pensar?

António Guterres e Luís Filipe Menezes: dois fracos (mais ou menos) idealistas e (também mais ou menos) incompetentes? Ou dois dos raros casos de efectiva dignidade na política feita em Portugal?
Volto amanhã.

10 abril 2008

Alguém esclarece o pessoal?


Fui buscá-lo aqui, via Womenage à Trois (em novo endereço).

Ai! Agoré queu me meneio, é queu me meneio. é queu...!

Brueghel, Casamento de Camponeses

O bispo D. Carlos Azevedo veio a público dizer que é tempo de a Igreja Católica e a Maçonaria fazerem as pazes, ital, que isto o que lávai-lávai, que aquilo do secretismo não é próprio de uma sociedade democrática, que o que é importante é o progresso do país... O Grande Educador, perdão, o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano lembrou que o secretismo se instalou na razão directa das perseguições sofridas pela instituição, que enfim, talvez aaa...
Querem ver que ainda acabamos todos num Portugal amigo, feito Bloco Central Espiritual?! É que os superiores interesses da Nação...
E amanhã joga o Sporting, a nossa última esperança de fazermos figura.

07 abril 2008

A teia 3


Reescrevendo a História - ou a decadência bimba e caceteira da Maçonaria.

A teia 2


A Antena1 emite o noticiário das 19. E, de repente, ouço dizer que os militares na reforma passam a ficar sujeitos ao regime disciplinar como se estivessem no activo! E que já há mesmo um processo em curso!!
Penso: a coisa está a tornar-se cada vez mais sinistramente interessante... À minha frente, postado no meio de uma enorme rotunda vazia cercada por um trânsito infernal e caótico, um cão alivia-se e liberta-me os pensamentos. Recordo Platão, para quem o cão é o animal filosófico...

A teia 1


Mais uma vez o Jornal das 13, na RTP1. O locutor anuncia uma nova peça, referindo que se fazem sentir já em Portugal as consequências das alterações climáticas. As palavras abrem caminho à entrevista de rua ao "cidadão comum" que, sem excepção, afirma que esta variação de tempo é... absolutamente normal, já que estamos em Abril e Abril sempre foi assim!
"Em Abril, águas mil", lembra um deles. "E em Abril, queima a velha o carril", diz também, ao meu lado, a tia de quem já falei noutro post, "que há anos em que este mês é muito frio...!".
Mas educador que é educador não desarma e, vai daí, a peça seguinte informa-nos dessas alterações pela boca de investigadores devidamente abalizados cá da terra.
Só faltou à RTP chamar Al Gore. É que isto do conhecimento aprofundado e actualizado é uma missão de que os nossos órgãos informativos não prescindem...!
Ouve lá...! Olha lá...!