18 abril 2008

O que pensar?

António Guterres e Luís Filipe Menezes: dois fracos (mais ou menos) idealistas e (também mais ou menos) incompetentes? Ou dois dos raros casos de efectiva dignidade na política feita em Portugal?
Volto amanhã.

10 abril 2008

Alguém esclarece o pessoal?


Fui buscá-lo aqui, via Womenage à Trois (em novo endereço).

Ai! Agoré queu me meneio, é queu me meneio. é queu...!

Brueghel, Casamento de Camponeses

O bispo D. Carlos Azevedo veio a público dizer que é tempo de a Igreja Católica e a Maçonaria fazerem as pazes, ital, que isto o que lávai-lávai, que aquilo do secretismo não é próprio de uma sociedade democrática, que o que é importante é o progresso do país... O Grande Educador, perdão, o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano lembrou que o secretismo se instalou na razão directa das perseguições sofridas pela instituição, que enfim, talvez aaa...
Querem ver que ainda acabamos todos num Portugal amigo, feito Bloco Central Espiritual?! É que os superiores interesses da Nação...
E amanhã joga o Sporting, a nossa última esperança de fazermos figura.

07 abril 2008

A teia 3


Reescrevendo a História - ou a decadência bimba e caceteira da Maçonaria.

A teia 2


A Antena1 emite o noticiário das 19. E, de repente, ouço dizer que os militares na reforma passam a ficar sujeitos ao regime disciplinar como se estivessem no activo! E que já há mesmo um processo em curso!!
Penso: a coisa está a tornar-se cada vez mais sinistramente interessante... À minha frente, postado no meio de uma enorme rotunda vazia cercada por um trânsito infernal e caótico, um cão alivia-se e liberta-me os pensamentos. Recordo Platão, para quem o cão é o animal filosófico...

A teia 1


Mais uma vez o Jornal das 13, na RTP1. O locutor anuncia uma nova peça, referindo que se fazem sentir já em Portugal as consequências das alterações climáticas. As palavras abrem caminho à entrevista de rua ao "cidadão comum" que, sem excepção, afirma que esta variação de tempo é... absolutamente normal, já que estamos em Abril e Abril sempre foi assim!
"Em Abril, águas mil", lembra um deles. "E em Abril, queima a velha o carril", diz também, ao meu lado, a tia de quem já falei noutro post, "que há anos em que este mês é muito frio...!".
Mas educador que é educador não desarma e, vai daí, a peça seguinte informa-nos dessas alterações pela boca de investigadores devidamente abalizados cá da terra.
Só faltou à RTP chamar Al Gore. É que isto do conhecimento aprofundado e actualizado é uma missão de que os nossos órgãos informativos não prescindem...!
Ouve lá...! Olha lá...!

06 abril 2008

Leitura recomendada


Aqui (via Range-o-Dente).

05 abril 2008

A bem da Nação



Portugal é, neste momento, um país em que não é permitido a uma adolescente de 14 anos espetar um palito na língua, mesmo com autorização dos pais, mas onde, em contrapartida, pode fazer um aborto sem ter que dar cavaco a ninguém.


03 abril 2008

Correcção ao post anterior

Niimura, Televisão

Revendo há pouco a peça ´"jornalística" de que falei, verifiquei que cometi uma incorrecção. De facto, não foi dito que o primeiro-ministro tinha um ar de lutador insatisfeito pelo dever ainda não cumprido, mas sim o de quem estaria aborrecido com um adversário, ou qualquer coisa assim. A razão do meu engano teve a ver com um incidente doméstico protagonizado pelo meu cão (raizopartam!) que, na altura, me distraiu e confundiu.
Tudo o resto, porém, corresponde ao que se pôde ver. Pelo que mantenho o mesmo ponto de vista e reafirmo a sugestão.

02 abril 2008

Sugestão


Richard Marchand, Televisão
Cerca de duas horas e meia atrás, o jornal das 13h na televisão pública anunciava a presença em Portugal de um dos melhores cem psicólogos do mundo, aquele que detectou a mentira no rosto de Clinton aquando do "caso Mónica Lewinsky" e que, sendo especialista nessa área, já formou alguns milhares de agentes destinados a detectar terroristas em aeroportos através da análise das expressões faciais dos passageiros. Tendo-lhe sido pedido para se pronunciar sobre os pais de Maddie McCann, continuava a peça, exigiu uma entrevista directa ao casal, que não foi aceite.
A sua maior especialidade, porém, é o que diz respeito aos políticos, pelo que a RTP o convidou a analisar algumas imagens dos comandantes partidários portugueses, começando pelo primeiro-ministro.
Segundo o psicólogo (não memorizei o seu nome), José Sócrates mostra-se encantador, alguém com quem se teria muito gosto em conversar descontraidamente enquanto se toma um copo. Na entrevista que dá a um jornalista, a sua expressão facial é a de um lutador que denota descontentamento consigo próprio, no sentido de um dever ainda por cumprir (ver correcção no post acima) e parece revelar algum aborrecimento por ter que voltar a responder a perguntas que já lhe foram feitas anteriormente várias vezes. Segue-se-lhe, na rua, Francisco Louçã que, se possível, é ainda mais encantador do que Sócrates! "Chaaarming", verdadeiramente inultrapassável nesse tipo de "performance" da política que é comum a todos os dirigentes. E agora vem, também na rua, Paulo Portas.
Ouve-se um riso bem disposto, um gesto largo para o monitor de quem vai dizer qualquer coisa, "este...". As palavras com que põe a claro a personalidade dos restantes opositores ao primeiro-ministro desaparecem da peça a partir deste momento. No que respeita a Portas fica apenas esse gesto que, sem elas, assume um significado puramente depreciativo, referente a alguém de quem nem vale a pena falar (por farsante? por ridículo?). Sobre as imagens de Filipe Menezes e de Jerónimo de Sousa, ainda mais brevemente incluídas (Menezes visto somente do pescoço para cima a ler calmamente um discurso) fala-se do político como um actor. As considerações sobre o tema terminam, porém, com novas imagens de José Sócrates, acompanhando a ideia de "actor de sucesso".
A polícia política brasileira dos tempos da ditadura recebeu formação da PIDE. Penso por isso que, agora, os responsáveis pelos canais públicos, públicos e privados, da democracia poderiam ensiná-la proveitosamente a Mugabe ou, ainda melhor, enquanto reforço do estreitamento das relações lusófonas, a José Eduardo dos Santos. Não tenho a menor dúvida de que esta sugestão seria muito bem recebida por ambos.

Para desenjoar, algo sobre Educação


Leiam isto e mais isto (via Abobrinha). A ideia referente ao empréstimo de manuais escolares, defendo-a eu também há muito tempo, mas em moldes diferentes. Fica para um próximo post.

30 março 2008

O "tal", o Estatuto do Aluno


Na continuação do convite que fiz no post anterior para que leiam o post da Abobrinha, deixo aqui igual convite em relação ao texto de António Barreto no PÚBLICO de hoje, do qual transcrevo de seguida o último parágrafo.
O estatuto cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a administração pública ou para as relações entre a administração e os cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências da educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é uma mal, os legisladores do ministério (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição. O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo "científico" e "técnico", desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.

Atenção!


Se não leram, façam favor de ler este post da Abobrinha e, se assim o entenderem, vão comentando, que eu já cá venho.
Entretanto, leiam também este.

Enfim, a Luz!

Chirico, Ariadne

Há pouco, num serviço noticioso da RTPN, dizia-se que havia um mistério composto por M's no facto de Mendes, empresário de Mourinho, se ter deslocado a Milão para falar com o presidente do Inter, Moratti, para que na próxima época, o treinador português venha a substituir o actual treinador, Mancini.
De repente, não mais que de repente, a luz veio sobre mim!
Estamos perante 5 M's. Mas o autor da peça jornalística é somente um aprendiz, não decifrou o Código. É que a mulher de Mourinho chama-se Matilde! As seis pontas da estrela de Salomão, da realeza do Conhecimento e da Sabedoria estarão, enfim, desveladas no final dos Tempos! E eu sou o sétimo M, sou o Mensageiro, ao estar no centro da Revelação!
Eu proclamo: Mourinho é o nome escondido de Deus! E Maria Madalena não está, como quereria Miterrand, sob a pirâmide de vidro do Louvre, mas por debaixo do círculo do pontapé de saída do estádio de San Ciro.
Alguém duvida?!

26 março 2008

Como é possível?!


Depois de tudo o que disse até ontem com a maior convicção e fervor patriótico quanto à descida de impostos e a decisão hoje anunciada sobre o IVA, só um louco ou alguém da mesma igualha pode desejar este homem para qualquer cargo, público ou privado.

Pimbolim...


... é matraquilho.

25 março 2008

Uma sugestão cá de casa



Mudem o pessoal dos Balcãs para o Médio Oriente e os do Médio Oriente para os Balcãs. Talvez a mudança de coordenadas os deixe confusos e, assim, se aquietem por uns tempos...
Afinal, já se tentou tanta coisa, não custava nada mais esta...!
(devem ter percebido que, por hoje, esgotei a paciência!)

Já começo a enjoar as conversas sobre o ensino, os professores, os alunos, os pais e sei lá que mais...


... mas, antes de fazer uma pausa, só mais esta, que recebi hoje por e-mail:

AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES PELOS PAIS TUGAS

As razões dum Pai
O gajo não presta. O gajo fala, fala, fala, mas o puto não entende pêva do que ele está práli a dizer e por isso é que não aprende. Depois, só porque o puto recebe uma mensagem no telemóvel, que até fui eu que lha mandei porque ele tinha deixado o gato fechado na cozinha, põe-se aos gritos com ele que preturba a aula. Preturba mas é o c.... que o gato podia dar-nos cabo do almoço. O gajo é mas é parvo. Não tem compreenção pelos alunos, é o que é. Deu nega ao meu puto, mas agora quem vai ter a nega é ele! E vamos aver se pró ano, se calhar outra vez ao puto este gajo como professor, ele não le vai dar uma nota de jeito... não percisa ser um 5, que eu também sei que o meu puto não tem grande queda para os estudos, mas o que ele não tem é de andar praí a perjudicar o futuro dos miudos que assim com notas dessas, como é que vão comseguir tirar as facoldades?
O gajo quer é ser ele e os da sua laia a serem dotores só eles.
Eu cá já decidi. Nota negativa!
Mai nada!

22 março 2008

Não percebo!


Se um atleta, de qualquer faixa etária, pode ser irradiado da prática da sua modalidade por agressão a outros atletas, árbitros ou dirigentes desportivos e ninguém se lembra de apenas o mudar de clube, porque é que uma medida idêntica não é aplicável aos alunos do ensino público que cometem actos do mesmo tipo? Como, aliás, acontecia até aqui há alguns anos...!

Ferreira Fernandes, no DN on line

E para quando a avaliação dos papás?
O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto. Não, aquele vídeo (ver págs. 4 e 5) não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio. Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também. Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora. A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão. Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco. O vídeo mostrou-o. É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos.

21 março 2008

Por e-mail


Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração rezada na igreja de uma aldeia próxima. Uns dias depois, foi à mesma igreja ter com o padre:
- Bom dia senhor padre.
- Bom dia minha filha. Em que posso ajudar-te?
- Sabe, senhor padre, soube que uma amiga minha esteve aqui e ficou grávida só com uma avé maria.
- Não minha filha, foi com um padre nosso. Mas já foi transferido!

Luzes da ribalta

Chirico, A esfinge


Há pouco, no Telejornal das 13h da RTP1, o presidente da Associação Nacional de Professores iniciou desta maneira o seu comentário ao incidente disciplinar ocorrido numa sala de aula de uma escola do Porto: "Bom, as novas tecnologias trouxeram para as escolas problemas que anteriormente não existiam..."
Os Gato Fedorento que se cuidem...! A concorrência no mundo do espectáculo é feroz!

19 março 2008

Morreu hoje...


... Arthur C. Clarke.

E Deus enviou...


... três anjos para o receberem.

17 março 2008

Excerto

Chirico, Love Song
Qualquer João Figueiredo sabe para que servem as meras rodas dentadas do anónimo mecanismo do Leviathan e do PRACE. O Estado é isto, meus senhores, a abstracção de um discurso de estadão, no tempo da "folle du logis" e da "teledemocracia". Os indivíduos, infelizmente, são meros elementos fungíveis de uma tabela estatística que suporta as regras das sondagens e dos estudos de opinião pública.
Aliás, quanto mais à esquerda se pensa o poder, mais ilusão têm os detentores do mesmo quanto à bondade dos meios que utilizam, dado que se deixam enlevar pela altitude dos fins que julgam prosseguir. Os tais instrumentos ditos inquisitoriais, com excessos ditos purgas, porque os chefes e engenheiros de almas, abrasados pelos fins dos superiores interesses do país, se desleixam das correias de transmissão e das rodas dentadas do Estado-Aparelho.
Se os chefes têm, com eles, a doutrina, nenhuma parcela da força do estadão lhes pode fugir, e todos os opositores que não queiram comer à mesa do orçamento passam à categoria de filhos das trevas. E este é o país do rigor, da competência, de mais qualidade, de mais qualificações, de modernização, onde, infelizmente, até nos acusam de irmos depressa demais. Quando o país estava atrasado demais, parado demais, sem compreender a urgência da mudança. O mundo está a mudar e os país tem de mudar com o mundo.
Nós, chefes, somos a força da modernização, o futuro que precisamos de construir e não somos dos que vão para onde sopra o vento, atrás de qualquer protesto. Nem sequer somos dos que alimentam a descrença e fomentam o pessimismo, como dizia Marcello Caetano, antes de ser metido na Chaimite. Somos o partido progressista de Portugal. Temos connosco o Jorge Coelho, que bem sabe fazer oposição à oposição, sem se comprometer com apoios à Maria de Lurdes. Temos o princeps Almeida Santos, que sempre apoiou a Ota por causa das pontes que podem ser dinamitadas por terroristas e que ainda é capaz de juntar cem mil pessoas na rua.
Nós somos o novo estado, o rigor, a modernidade, a Europa, o mundo, a competência, o aborto, a luta contra os berloques na língua, o Lemos de Castelo Branco, o Teixeira dos Santos, o Mariano Gago, o Santos Silva, mesmo que já não sejamos o Campos Cunha, a SEDES, o Freitas do Amaral. E até podemos vir a ser o Vital Moreira, o José Miguel Júdice e o Pedro Mexia. Somos como sempre fomos, o Costa Cabral, o Fontes Pereira de Melo, o Afonso Costa, o António de Oliveira, o Cavaco Silva, mesmo sem uma ideia de Portugal e sem uma ideia de Europa. Mesmo sem qualquer ideia de ideias.

O resto do texto pode ser lido (leiam-no!) aqui, no post com esta mesma data.

15 março 2008

Mais depressa se apanha um mentiroso...


Vitalino Canas, porta-voz do PS, diz que o seu partido não tem culpa de haver ganho as eleições em Março e que por isso não existe qualquer ligação entre a "manifestação" marcada para um Pavilhão qualquer, no Porto, e uma resposta à manifestação dos professores do sábado passado, bem como aos restantes protestos, relativos à política governativa em geral, que alastram desde há meses pelo país. Esta "manifestação", comemorativa de três anos de grandes vitórias de José Sócrates, estaria naturalmente programada há muito tempo.
Hoje, o militante organizador do "evento" justificava a escolha de um local onde, por falta de condições, se teve que investir muito dinheiro para as criar, dizendo que só lhe deram um mês para o realizar...

14 março 2008

Um provérbio muito velho


Não vi as intimidades do nosso primeiro-ministro que o pseudo-voyeurismo da SIC decidiu revelar. Mas vi, inevitavelmente, a amostra da peça "jornalística" que encheu os espaços entre os programas da SICNotícias. Nela se podia ouvir José Sócrates dizer "sou um homem generoso", com a entoação de quem não consegue lutar contra isso.
O que me trouxe mais uma vez à memória um provérbio judaico milenar que li na adolescência e de que nunca mais me esqueci, tantas as ocasiões em que algo me fez pensar nele: "Que alguém se orgulhe da sua beleza, é normal; mas que se orgulhe da sua bondade, é trágico".

10 março 2008

Cá está ele!




Um amigo enviou-me por e-mail o texto de Vasco Pulido Valente incluído no PÚBLICO de 2 de Março de 2008, a que fiz referência dois ou três posts atrás. Aqui fica, para quem o não tenha lido.
A avaliação dos professores
Como se pode avaliar professores, quando o Estado sistematicamente os "deseducou" durante 30 anos? Como se pode avaliar professores, quando o ethos do "sistema de ensino" foi durante 30 anos conservar e fazer progredir na escola qualquer aluno que lá entrasse? Como se pode avaliar professores, se a ortodoxia pedagógica durante 30 anos lhes tirou pouco a pouco a mais leve sombra de autoridade e prestígio? Como se pode avaliar professores, se a disciplina e a hierarquia se dissolveram? Como se pode avaliar professores, se ninguém se entende sobre o que devem ser os curricula e os programas? Como se pode avaliar professores se a própria sociedade não tem um modelo do "homem" ou da "mulher" que se deve "formar" ou "instruir"?
Sobretudo, como se pode avaliar professores, se o "bom professor" muda necessariamente em cada época e cada cultura? O ensino de Eton ou de Harrow (grego, latim, desporto e obediência) chegou para fundar o Império Britânico e para governar a Inglaterra e o mundo. Em França, o ensino público, universal e obrigatório (grego, latim e o culto patriótico da língua, da literatura e da história) chegou para unificar, republicanizar e secularizar o país. Mas quem é, ao certo, essa criatura democrática, "aberta", tolerante, saudável, "qualificada", competitiva e sexualmente livre que se pretende (ou não se pretende?) agora produzir? E precisamente de que maneira se consegue produzir esse monstro? Por que método? Com que meios? Para que fins? A isso o Estado não responde.
O exercício que em Portugal por estúpida ironia se chama "reformas do ensino" leva sempre ao mesmo resultado: à progressão geométrica da perplexidade e da ignorância. E não custa compreender porquê. Desde os primeiros dias do regime (de facto, desde o "marcelismo") que o Estado proclamou e garantiu uma patente falsidade: que a "educação" era a base e o motor do desenvolvimento e da igualdade (ou, se quiserem, da promoção social). Não é. Como se provou pelo interminável desastre que veio a seguir. Mas nem essa melancólica realidade demoveu cada novo governo de mexer e remexer no "sistema", sem uma ideia clara ou um propósito fixo, imitando isto ou imitando aquilo, como se "aperfeiçoar" a mentira a tornasse verdade. Basta olhar para o "esquema" da avaliação de professores para perceber em que extremos de arbítrio, de injustiça e de intriga irá inevitavelmente acabar, se por pura loucura o aprovarem. Mas loucura não falta.

Estou muito mais descansado!


Afinal se, durante o dia de hoje, todos os telejornais abriram com a demissão do treinador do Benfica, dando-lhe, no mínimo, uma dezena de minutos, é porque a coisa não estará assim tão grave (renego qualquer intenção blasfema do que disse em relação ao Glorioso, o Eterno, abençoado para sempre seja o Seu nome!). Além disso, logo a seguir, veio a Naíde Gomes, campeã do mundo em salto em comprimento e o Nelson Évora, medalha de bronze.
Mais do que inchado, fiquei arrelampado! Eu e todos os portugueses, que os órgãos de comunicação não querem que nos falte nada! Que bem que cumprem a missão de que se incumbem de alimentar e preservar a alma lusitana...!
Ah! E nem se esqueceram de nos avisar de que o sr. Presidente da República voltou à Pátria, depois de ter visitado a nossa ex-colónia da América do Sul! Nem do funeral da pequena Mariluz!

Uma pequena nota


Desde há algum tempo que cessou a divulgação, quase diária e por diferentes órgãos de comunicação, de sondagens que mantinham a atribuição de maioria absoluta ao Partido Socialista em caso de eleições.

08 março 2008

Segunda rapidinha do dia


Segundo a PSP, 80.000 professores, isto é, cerca de dois terços de um dos maiores, senão o maior grupo profissional do país, vindos de todos os cantos do mesmo, deslocaram-se até à capital, marchando depois pela Avenida da Liberdade, no que constituiu uma enorme manifestação de mal-estar nacional, inédita por envolver os elementos de uma única profissão.
Sintoma também inédito, afinal, da maior manifestação de incompetência técnica e de inabilidade política e governativa de que há memória em Portugal desde há 34 anos.
Sócrates perde o país, à medida que ele se perde nas suas mãos. E perde o partido que, com ele, também se perde.
Resta saber o que se achará depois disto.

Rapidinha

Escher, Côncavo
A trabalhar (raisparta!), ouço a SICNotícias e levanto os olhos quando anunciam uma peça sobre o sistema de avaliação dos professores na Bélgica, que desconheço completamente. Parece-me completamente adequado àquilo que se pretende: em primeiro lugar, ela incide sobre a escola no seu conjunto e, só em casos excepcionais, sobre o professor, a pedido do director, em função de uma diferença de nível clara observada entre o nível da média de resultados obtidos pela escola numa determinada disciplina e a das turmas que lhe foram distribuídas. A remuneração do docente não é afectada pelo resultado.
Recordo o que afirmou noutro dia um senhor da empresa Jerónimo Martins (ouvi-o de raspão, mas pareceu-me que foi qualquer coisa deste género): o tipo de avaliação determinada para os professores é feito na sua empresa há muitos anos e nada há nela de extraordinário. Como comentário apenas se poderá relembrar que as pessoas consideradas - e auto-consideradas - importantes deste país continuam a ser os mestres-de-obras, alguns dos quais já sabem ler.
Finalmente (tenho que voltar ao trabalho!), verifico que, nas escolas belgas, os alunos usam, desde a infância, computadores da Apple MacIntosh, a empresa que melhores programas tem ao nível da educação. Aqui ao lado, em Espanha, o Estado também fez um contrato com a mesma empresa há algum tempo, em Inglaterra é o que se vê e pela Europa fora... Em Portugal, ensina-se com recurso a programas tipo Office e conheço gente, recém-saída da Universidade, que nem sequer sabia da existência de tal marca antes de eu lhe falar dela. O que acaba por ser natural, num país onde a classe política se especializou mais no uso do fax.
Este post foi possível com produtos do Bill Gates.

06 março 2008

Subscrevo inteiramente...


... este texto de Francisco Mendes da Silva, publicado hoje no 31 da Armada, bem como o texto de Vasco Pulido Valente no PÚBLICO do passado domingo (alguém leu?).

26 fevereiro 2008

Ainda na sequência do post anterior...

Goya, O sonho da Razão
... não me lembro de quem disse, a propósito de um assassínio político de terríveis consequências posteriores, que "pior do que um crime, foi um erro". O mesmo se poderia dizer desta equipa ministerial: é que pior do que politicamente reprovável, é imbecil.
E do representante da Associação de Papás, que é de uma imbecilidade tenebrosa.

Rato escondido com o rabo de fora


Tive que trabalhar até agora e, entretanto, fui ouvindo o Prós e Contras. No fim, chamou-me a atenção a antepenúltima frase da intervenção com que a senhora Ministra da Educação fechou o debate. Foi quase textualmente isto: "Os professores estariam todos satisfeitos comigo se eu não fizesse nada".
Dê-se-lhe os parabéns! É de facto difícil ultrapassá-la na arte do insulto reles e da política de vão-de-escada!

16 fevereiro 2008

Pensamento do dia


A bove ante, ab asino retro, a stulto undique caveto.
Guarda-te do boi pela frente, do burro por detrás, e do tolo por todos os lados.

15 fevereiro 2008

Passei por aqui...

Escher

... só para dizer que estou sem tempo nenhum, perdido e atulhado em burocracias apresentadas como organizadoras da vida da nação nos novos caminhos que ela inicia em direcção a. Mas que, no meu caso específico, só revela a mais completa ausência de bússola e sequer de saber técnico.
Pior que deplorável, é grotesco.
Logo que possa, regresso.

11 fevereiro 2008

Relembrando


A propósito de uma troca de pontos de vista que tive ontem com a Abobrinha, deixo aqui um excerto d' A Terceira Vaga, de Alvin Toffler, que se aplica não apenas ao que ele visa directamente, os diferentes cultos religiosos que pululam nos EUA, mas, de facto, a tudo o mais.
Na realidade, o conteúdo exacto da mensagem do culto é quase secundário. O seu poder encontra-se em fornecer síntese, em oferecer uma alternativa para a fragmentada cultura blip que nos cerca. Uma vez essa estrutura aceite pelo recruta do culto, ajuda-o a organizar muita da informação caótica que o (ou a) bombardeia do exterior: quer essa estrutura de ideias corresponda, quer não, à realidade exterior, fornece um conjunto certo de nichos onde o membro pode armazenar os dados que recebe, aliviando assim a tensão da sobrecarga e da confusão. Não fornece verdade como tal, mas sim ordem e, consequentemente, significado.
Ao dar ao membro o sentimento de que a realidade tem significado - e que ele ou ela devem levar esse significado a pessoas do exterior -, o culto oferece objectivo e coerência num mundo aparentemente incoerente.

08 fevereiro 2008

Depois de o ter ouvido dizer ontem, na entrevista à RTP, que ser artista é hoje outra profissão





Recebido por e-mail


Avaliação do desempenho dos docentes
De acordo com ponto 2 do Artigo 9.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, (itens de referência para os objectivos individuais), passo a apresentar os meus objectivos e respectivas estratégias.
a) A melhoria dos resultados escolares dos alunos; Pretendo baixar o insucesso dos meus alunos, a matemática, de 25% para 20% . No ano anterior a turma tinha 20 alunos dos quais 5 tiveram insucesso (25 %); como este ano a turma aumentou para 25 alunos, se os mesmos 5 não obtiverem sucesso terei uma percentagem de insucesso de 20%. Estou de parabéns. (P.S: Não esquecer de pedir para voltarem a aumentar a turma para o próximo ano). Estratégia II: não me aumentando a turma, e como o Ministério diz que não precisam de ter aproveitamento a matemática (podem transitar com nível 2 a duas ou três disciplinas), vou oferecer 2€ sempre que um aluno tenha positiva num teste. (P.S: se 2 € não resultar terei de pensar em 5€ e já não vou de férias para a praia ).
b) A redução do abandono escolar; Pretendo obter 4% de abandono escolar, que corresponde a 1 aluno cuja família é constituída por pais toxicodependentes; Se durante o ano lectivo a avó materna que cuida de um dos alunos, por este ter sido abandonado pelos pais, vier a falecer (já tem 80 anos) ou ficar incapacitada de cuidar dele, comprometo-me a adoptá-lo para cumprir os objectivos da minha avaliação; Quanto aos que mudarem de residência sem efectuarem transferência, encarregar-me-ei de descobrir a nova morada e contactá-los pessoalmente para que assinem os papéis da transferência (P.S: espero que nenhum dos ucranianos regressem ao seu país pois a 5€ por positiva, não vou poder ir à terra deles tratar dos papéis);
c) A prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem; Comprometo-me a prestar apoio a todos explicando individualmente a matéria que tinham que estudar e resolvendo os exercícios que tinham para TPC, mas que não fizeram pois como me disseram "tenho mais que fazer que ir para casa fazer TPC's"; (P.S: 90 min de aula a dividir por 25 alunos dá 3,6 min a cada um; será que aquela programação de matemática que previa 8 aulas para uma unidade contou com este tempo?)
d) A participação nas estruturas de orientação educativa e dos órgãos de gestão do agrupamento ou escola não agrupada; Como não sou titular só poderei ser director de turma, o que farei se me atribuírem o cargo (que remédio); (P.S: se não me derem o cargo de DT será que ficarei em falta? Se calhar é melhor pedir para, por favor!, por favor!, me darem o cargo);
e) A relação com a comunidade Proponho-me a estabelecer boas relações com a comunidade, não reagindo se for insultado ou agredido por alunos ou EE. Não sei se é com a escolar se é com a local por isso pelo sim pelo não estou a pensar organizar uma recepção, com buffet claro, a todos os alunos e EE e convidar também os elementos da Junta de Freguesia (P.S: se não me deixarem fazer a recepção na escola tenho de alugar um espaço; NOTA: se alugar o espaço à Junta até estou a contribuir para as boas relações, pois uma rendazita é sempre bem vinda para a autarquia)
Agora não posso pensar em mais itens; A minha mulher está a chamar-me para atender um aluno que tem os pais desempregados e veio cá a casa buscar umas merceariazitas, enquanto não chega o subsídio de desemprego. É que a mãe já me disse que na situação em que se encontram, não tem dinheiro para mandar o miúdo à escola, mas eu não posso aumentar a taxa de abandono...

Diz-me, Mandrake...


... quais terão sido os motivos que fizeram com que um programa do tipo do Diga lá, Excelência convidasse um Director de uma Polícia Judiciária?
E o que terá levado esse mesmo Director a escolher esse programa para fazer uma declaração que ele sabia ser de carácter muito mais do que melindroso e com tamanhas consequências, a começar pelas recairiam inevitavelmente sobre ele próprio?

07 fevereiro 2008

Minutos atrás...


... no telejornal das 20, ouviu-se o padre Amadeu Pinto, director do Colégio S. João de Brito, de onde saiu tanta boa (e má) gente das elites culturais e políticas deste país, fazer uma crítica duríssima ao Ministério da Educação durante uma cerimónia em que Cavaco Silva participou.
Amadeu Pinto referiu-se às consequências catastróficas para o país das medidas determinadas por esta equipa ministerial, em termos daquilo que, afinal, é comum ouvir a qualquer docente. Na peça jornalística que se seguiu, porém, o secretário de Estado, Jorge Pedreira, falava de rigorosamente nada, fingindo esclarecer tudo o que diz respeito à avaliação dos professores, num exemplar exercício de escamoteação aparolada.
A incompetência é mesmo uma coisa muito triste...! E quando se junta à demagogia manipulatória...

Matraquilho...


... é pinbolim.

03 fevereiro 2008

Traduzindo o que penso e costumo dizer...


... Vasco Pulido Valente escreve hoje, no PÚBLICO:
(...) Talvez convenha perceber duas coisas sobre a corrupção. Primeira, onde há poder, há corrupção. E onde há pobreza, há mais corrupção. Destes dois truísmos resulta necessariamente que quanto maior é o poder ou a pobreza, maior é a corrupção. Portugal junta a uma atávica miséria um Estado monstruoso e autoritário e, por consequência, tem as condições perfeitas para produzir uma enorme quantidade de corrupção. Em Portugal nada se salva da corrupção: nem a administração local, nem a administração central, nem os partidos, nem os "negócios", nem os governos, nem o futebol. A corrupção está íntima da cultura "nacional", no centro da ordem estabelecida, na maneira como os portugueses tratam de si e se tratam entre si.
Não vale a pena, por isso, declamar, perorar, rugir e chorar. O mal só tem dois remédios: o enriquecimento do país, por um lado, e, por outro, uma drástica redução do Estado e, principalmente, da autoridade do Estado. Quanto ao enriquecimento, não parece próximo. Quanto à redução de um Estado com 700.000 funcionários, ninguém até hoje o conseguiu reformar. Pelo contrário, aumentou sempre, intocável e triunfante. Quarta ou quinta-feira, o dr. Silva Lopes perguntava na televisão por que não se metiam, pelo menos, meia dúzia de corruptos na cadeia. Como em Espanha. Ou em França. Ou na América. Não se metem, porque, a meter meia dúzia, acabavam por se meter uns milhares, ou umas dezenas de milhar. E também, evidentemente, porque nenhuma sociedade se persegue a si mesma.

29 janeiro 2008

24 janeiro 2008

Como devem ter reparado...

Arcimboldo, Inverno
... desde há uns meses que não tenho tido mais tempo do que o necessário para manter o blog com uns desabafos ocasionais e ler os posts mais curtos daqueles que aconselho os outros a visitarem. De entre todos os que coloquei nos favoritos, destaco todavia o Outramargem, pela sua especificidade temática e pelo papel de desassossegador de saberes feitos e de modelos de pensamento que assume. E que também há muito tempo não leio.
Hoje, no entanto, passei os olhos sobre alguns dos dez posts mais recentes e pelo trabalho de ligação de "pontas soltas" que levam a uma reorganização de um todo que contraria as perspectivas comumente aceites. Concorde-se ou não com o que por ali se diz, só o exercício mental que a leitura dos textos provoca já é motivo para parabéns ao autor.
Não tendo disponibilidade para comentar o que li, limito-me por isso, nesta prosa apressada e mal alinhavada a chamar uma vez mais a atenção para o Alf.

Só devo voltar no sábado. Até lá.

22 janeiro 2008

Discreta vigilância na fronteira


Na raia alentejana:
- Compadre, tá vendo aléim aqueli?
- Qual? O que tá cagando atrás da azinhêra?
- Sim... Consegue ver-lhe daí a cor das nalgas?
- Nã é fácil, compadre, mas...
- Sã brancas ou escuras?
- Daqui parecem escuras...
- Oh, diabo! Mas pode ser que tenha andado ca pêda ao léu na praia... E a merda, consegue vê-la?
- É assim amarela...
- Mau! Deve ser do caril e do açafrão...
- Dêxe estar o compadre, que ê vô lá e pergunto-lhe onde é que se almoça bem...
- Boa, compadre! Talvez no restaurante a gente consiga informações... Mas temos que ser discretos...!
- Pois, compadre, sempre munto discretos...!

19 janeiro 2008

Eça é que é Eça!

Escher, Auto-Retrato


A propósito do que eu disse uns posts atrás, com a Torre de Belém como fundo: parece que a agonia está a chegar ao fim...

"ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?
Eça de Queiroz, 1867"

(citado no suplemento de Economia do PÚBLICO)

A não ser que...

18 janeiro 2008

Quem não se sente...


A política de saúde do governo parece-se com a de alguém que, querendo mudar de casa, começasse por pôr os seus haveres na rua, em seguida contratasse uma empresa de mudanças e só depois se pusesse a procurar o seu próximo poiso.
E por isso as avozinhas do sr. Ministro Correia de Campos, aquele que foi eleito pelo mesmo povo que agora evita, se fossem vivas talvez lhe ministrassem aquilo que os meus avós, camponeses de limpa origem, aconselhariam: uma belas correadas...

Pó! Pó!, Iô! Iô! / Sócrates já ganhô!


José Sócrates acabou de ganhar hoje as eleições legislativas de 2009 ao anunciar, em conjunto com Zapatero, a próxima constituição de uma unidade industrial destinada à produção de automóveis "amigos do ambiente". Nada poderia lisonjear tanto o portuga e curar-lhe o orgulho ferido como o também ele poder vir a fabricar automóveis! O português, detentor dos segredos da mais alta tecnologia dos transportes cinco séculos atrás, a que lhe permitia pôr-se a andar da miséria para fora (julgava ele!), tem atravessada na alma a superioridade que os gringos conseguiram sobre ele nesse campo. A esperança da grandeza renova-se-lhe desta maneira, com a possibilidade de passear pelos caminhos do seu país, da sua propriedade histórica salazarenta, modernizados pelo espírito visionário do actual presidente, enquanto profetiza, nos longes, a Vivenda O nosso Sonho, ou indo agora finalmente à conquista da Europa, de nariz empinado pela dignidade readquirida e, se for caso disso, que ele não é para se ficar!, amandando uma subtil escarreta de desprezo pela janela do veículo na direcção do do louro ex-patrão.
Atão não o queriam lá ver?!