07 junho 2008

O trabalho não me deixa...

William Blake, Hecaté

... mandar os meus bitaites. Por isso, deixo aqui dois textos que resumem parte do meu ponto de vista sobre o tema.
Até já.
As tradições reclamam um direito ao renascimento e esse direito é caro à consciência europeia, na medida em que esta reconhece o antigo como fonte de modernidade. Os povos descolonizados souberam provocar o renascimento da sua tradição voltando a encontrar o seu ponto cardeal, o seu Oriente (“orientar” significa, etimologicamente, implantar um edifício na direcção do oriente). Foi deste modo que apareceram os conceitos de negritude, arabismo, judaísmo, islamismo, etc., que, recordo, exemplificam paradoxalmente a própria filosofia das Luzes, no seu princípio do direito a governar-se a si próprio. Há, portanto, uma ambivalência neste radicalismo, uma vez que ele é simultaneamente identificação ao outro e distanciação em relação à Europa.
O despertar das tradições desnaturou-se, porque os direitos da tradição são muitas vezes utilizados, nos países descolonizados, não para fins de igualdade e liberdade, mas de submissão, de obediência e de medo. Esquecemo-nos, com demasiada frequência, de dizer que o islamismo armado fez muito mais vítimas nos próprios países muçulmanos do que nos cristãos (contam-se mais de 100.000 mortos na Argélia). Conclui-se que o pertencer a uma mesma cultura ou a uma mesma religião não é uma garantia de tolerância ou de felicidade política. Porque não é a ligação cultural que faz a ligação política, mas a ligação civil.
Outro aspecto que torna desumanos os direitos culturais é o facto de a condição cultural árabe, judaica, muçulmana, corsa, basca sérvia, ocidental, etc., os colocarem acima da condição humana. É aqui que a ilusão cultural provoca os maiores estragos: quando acreditamos que somos humanos apenas por termos uma cultura e não por natureza, sempre que encerramos a dignidade do homem na sua origem étnica, religiosa, nacional ou imperial. Deixamos então de entender a expressão “cultura” como um aperfeiçoamento livre de nós próprios, mas como uma entrega de consciência a um princípio determinista. (…)
Em terceiro lugar, os direitos da tradição pecam precisamente por julgarem combater a modernidade, juntando-se àquilo que ela tem de pior, a difusão maciça de novas idolatrias que a técnica torna prodigiosas. O fanatismo é um valor seguro para os media, de que é sabido usurparem os direitos do pensamento. Se definirmos, acompanhando Condorcet, o obscurantismo como a “tirania que a astúcia exerce sobre a ignorância”, existe um obscurantismo próprio da comunicação que se constitui em dirigente do espírito humano. A comunicação, embora sendo o primeiro utensílio de informação do mundo, é o último em termos de inteligibilidade. Explora-se a ilusão da expressão, mas não a faculdade de nos compreendermos. A comunicação aumenta o ininteligível, quando a primeira missão de uma cultura suportável é a de tornar o mundo inteligível, ou seja, para retomarmos o título de um opúsculo de Kant, tornar o homem capaz de “se orientar no pensamento”. A desorientação, funcionando na comunicação, traduz-se num reforço cultural reduzido às paixões da opinião. O objecto religioso torna-se, indiferentemente, em objecto publicitário e o objecto publicitário em objecto religioso. A intolerância é sempre mais bem servida pela arma que a deveria vencer.


Helé Beji, "A Cultura do Inumano", in J. Bindé, Para Onde Vão os Valores, 2004

Envergonhados pelo domínio durante tempo exercido sobre os povos do Terceiro Mundo, juramos não mais recomeçar e - resolução inaugural - decidimos poupar-lhes os rigores da liberdade à europeia. Com medo de exercer violência sobre os imigrados, confundimo-los com a libré que a História lhes talhou. Para lhes permitir viver como lhes agrada, recusamo-nos a protegê-los contra os delitos ou os abusos eventuais da tradição de onde emanam. Com o fim de atenuar a brutalidade do desenraizamento, voltamos a colocá-los, de pés e mãos atados, à disposição da sua comunidade e conseguimos assim limitar aos homens do Ocidente a esfera de aplicação dos direitos do homem, embora acreditando alargar esses direitos, ao ponto de introduzir a faculdade deixada a cada um de viver na sua cultura.
Nascido do combate pela emancipação dos povos, o relativismo desemboca no elogio da servidão. Quer isto dizer que é preciso voltar às velhas receitas assimilacionistas e separar novos recém-chegados da sua religião ou da sua comunidade étnica? A dissolução de qualquer consciência colectiva deve ser o preço a pagar pela integração? De forma alguma. Tratar o estrangeiro como indivíduo não é obrigá-lo a moldar todas as suas condutas às maneiras de ser em vigor para os autóctones, e podermos denunciar a desigualdade entre homens e mulheres na tradição islâmica sem, por isso, querer vestir os imigrados muçulmanos com uma libré de empréstimo ou destruir os seus laços comunitários. Apenas aqueles que raciocinam em termos de identidade (e portanto de integridade) cultural pensam que a colectividade nacional necessita, para a sua própria sobrevivência, do desaparecimento das outras comunidades. O espírito dos tempos modernos, no que lhe diz respeito, acomoda-se muito bem à existência de minorias nacionais ou religiosas, com a condição de estas serem compostas, segundo o modelo da nação, por indivíduos iguais e livres. Esta exigência implica lançar na ilegalidade todos os usos - incluindo aqueles cujas raízes mergulham no mais profundo da História - que ofendem os direitos elementares da pessoa.
É inegável que a presença na Europa de um número crescente de imigrados do Terceiro Mundo coloca problemas inéditos. Estes homens, empurrados para fora da sua terra pela miséria e traumatizados, ainda por cima, pela humilhação colonial, não podem sentir, em relação ao país que os recebe, a atracção e a gratidão que experimentavam, na sua maioria, os refugiados da Europa oriental. Invejada pelas suas riquezas, odiada pelo seu passado imperialista, a sua terra de acolhimento não é uma terra prometida. Contudo, uma coisa é certa: não é fazendo da abolição dos privilégios a prerrogativa de uma civilização, não é reservando aos Ocidentais os benefícios da soberania individual e do que Tocqueville chama a “igualdade de condições” que nos encaminharemos para a resolução destas dificuldades.

Alain Finkielraut, A Derrota do Pensamento, 1987

Feitios...!


Em Espanha, os pescadores em greve acusam os seus congéneres portugueses de a furarem e distribuem gratuitamente o peixe pela população.

03 junho 2008

A última gota


Confesso que, antes de o ouvir há bocado no programa de Mário Crespo, ainda pensava em João Soares como uma alternativa sofrível a José Sócrates à frente do Partido Socialista. Mas depois lembrei-me de um grande amigo meu, conhecedor profundo dos meios da política portuguesa, que, algum tempo de morrer, muitos anos atrás, me dizia: "Encontras boa gente em todos os partidos. Menos no PS. Aí não encontras ninguém".
É claro que o jovenzinho que eu era, na altura, não lhe deu ouvidos...

01 junho 2008

Excerto de um texto de Baptista-Bastos...


... que me enviaram por e-mail:
(...) Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz – os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação (...)
É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se. (…)
O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. (…)
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.

30 maio 2008

Tradutora para língua gestual...


... sofre!!! (via 31 da Armada)

À espera


Se isto for verdade, o que esperarão os professores para o recusar? E se o não for, o que esperarão para desmentir os governantes?
O país, entretanto, espera vir a saber o que pensar dos que nele exercem funções de docência e de governação.

27 maio 2008

E esta outra...

Chirico, Interior Metafísico com Biscoitos

... do Médio Oriente (Samarra fica no actual Iraque), contada por Somerset Maugham.
A fala da Morte
Um dia, um mercador, em Bagdad, enviou o seu servo ao mercado, para comprar mantimentos e o servo regressou quase a seguir, lívido e a tremer, e disse:
- Senhor, estava agora mesmo no mercado e uma mulher no meio da multidão chocou comigo e quando me virei vi que era com a Morte que tinha acabado de chocar. Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador. Empreste-me, pois, o seu cavalo e eu fugirei da cidade para evitar o meu destino. Irei para Samarra e, aí, a Morte não me encontrará.
O mercador emprestou-lhe o cavalo, o servo montou-o, cravou-lhe as esporas nos flancos e lá foi ele, tão rápido quanto o cavalo podia galopar. Então, o mercador desceu ao mercado e viu-me entre a multidão, e chegou ao pé de mim e disse-me:
- Porque é que fizeste um gesto ameaçador ao meu servo, quando o viste esta manhã?
- Não era um gesto ameaçador, retorqui, era apenas um sobressalto de surpresa. Estava espantada de o ver em Bagdad, quando tinha combinado um encontro com ele para esta noite, em Samarra.

25 maio 2008

Estou cheio de trabalho!

Henri Rousseau, O Sonho

Limito-me hoje, por isso, a lembrar uma história zen de que muito gosto a quem eventualmente por aqui passe. Cá vai:
Um grande guerreiro japonês, chamado Nobunaga, decidiu atacar o inimigo, muito embora tivesse apenas um décimo das forças que o seu opositor comandava.
No caminho, parou junto a um santuário xinto e disse aos seus homens:
- Depois de visitar o santuário, lançarei ao ar uma moeda. Se sair cara, venceremos; se sair coroa, seremos derrotados. Estamos nas mãos do destino.
Nobunaga entrou no santuário e recolheu-se em silenciosa oração. Depois, saiu e lançou a moeda. Saiu cara. Os soldados ficaram tão animados para o combate que facilmente o venceram.
- Ninguém pode forçar a mão do destino – disse o lugar-tenente de Nobunaga depois da batalha.
- Realmente, ninguém pode - assentiu Nobunaga. E mostrou-lhe duas moedas coladas uma à outra e com as caras voltadas para fora.

20 maio 2008

Medicina ranhosa


Uma sobrinha minha, de 7 anos, acaba de voltar de uma consulta no hospital mais próximo, onde lhe foi diagnosticada uma gastro-enterite. A mãe decidiu levá-la à urgência, depois de, duas horas antes, no Serviço de Atendimento Complementar da área, a médica lhe haver receitado pingos... para o nariz!!!
Nota: A rapariga não manifestava qualquer anomalia no funcionamento do aparelho respiratório.

17 maio 2008

E aqui vai mais um e-mail que recebi


Exmos. Senhores Administradores do BES.

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal? Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma "taxa de acesso ao pão", outra "taxa por guardar pão quente" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro. Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pão. Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri. Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma "taxa de abertura de crédito"-equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pão", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma "taxa de abertura de conta". Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura de padaria", pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para gerir o "papagaio", alguns gerentes sem escrúpulos cobravam "por fora", o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de "por fora" temos muitos "por dentro". Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR "para manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa de existência da padaria na esquina da rua". A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quente".
Mas os senhores são insaciáveis. A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer. Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco. Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma.
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco.
Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados. Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.

Apelo urgente

Uccello, S. Jorge e o Dragão

Li hoje, pela primeira vez, uma prova nacional de aferição do 1º Ciclo do Ensino Básico. E só me ocorre um comentário:
Não haverá por aí um responsável político, homem ou mulher, com TOMATES suficientes para EXPULSAR a equipa de "pedagogos" que por lá andam há anos, responsáveis pelo estado inominável, tragicamente escandaloso, a que chegou o ensino no país?

16 maio 2008

Escrito à pressa, mas com sintimento

Chirico, O Arqueólogo
Os 60 anos da refundação do Estado de Israel foram comemorados há poucos dias.
Em Israel organiza-se Love Parades (blheeerrrggh!) e são permitidos casamentos homossexuais.
Ao lado, num dos países mais permissivos do Médio Oriente, o Egipto, o guarda-redes da selecção nacional de futebol está em risco de ir a tribunal, acusado de libertinagem por fazer publicidade a uma marca de vinho na sua camisola.
A esquerda-das-orelhas-de-burro reflecte ideologicamente o que critica à direita e prefere apoiar o status quo socio-teológico mais reaccionário e isolacionista do planeta, tanto mais reaccionário quanto agressivamente rancoroso. Em nome do internacionalismo e da defesa dos povos oprimidos.
A "Europa" curva-se ao peso dos tiranetes matarruanos e esclavagistas, novos-velhos-ricos subitamente enriquecidos pelo petróleo de que ela depende. E ressuscita discretamente, em anedotas murmuradas pelos cantos da boca e dos corredores, os velhos estereotipos justificativos do injustificável, para de novo justificar a sua má-consciência. Ao mesmo tempo, deixando aos Estados-Unidos a tarefa do óbvio, apresenta-se na sua propaganda, perdão!, comunicação social como "progressista e humanista"... de esquerda - aquela que já não há (se é que alguma vez a houve). E isto para aliviar um segundo lado da sua outra má-consciência ressentida: a de o que "Herói Salvador", que libertou a sua cultura (e não foi esta, no seu melhor, determinada pela cultura judaica?!) da distorção aberrante dessa mesma cultura que foi o nazismo, tenha tido que atravessar o Atlântico.
É que a Europa nunca teve a grandeza de assumir os seus erros. A mesma Europa que, no século XVIII, acobardada perante os turcos , preferia as cedências à solidariedade, deixando Viena à mercê dos invasores.
E tanto que dependemos do heroísmo da presença de Israel no seu território histórico...!
Nota: A esquerda que para aí baboseia alguma vez terá posto os olhos no livro Israel, do (anarquista) Erico Veríssimo, que eu li ainda adolescente?

15 maio 2008

Resposta ao comentário de mferrer

Caro mferrer:
Não me referi até agora, neste blog, ao que é conveniente ou não na relação entre Estados, nem ao que a presença de uma comunidade portuguesa de grande dimensão num outro Estado aconselha. São questões delicadas, que não podem ser abordadas de modo simplista ou simplório, mas onde de qualquer modo, penso eu, o factor dignidade deverá ter um local insubstituível. Por outro lado, a situação da economia, todos o sabemos, exige, quando seja esse o caso, a deglutição de alguns sapos. De qualquer modo, deverá haver alguma definição e coerência de postura e acção no conjunto do que acabei de referir, sem o que a própria credibilidade externa sairá fragilizada e as posições futuras dos outros países em relação ao nosso reflectirão isso mesmo.
Mas não é disso que fala a notícia que refiro no post anterior, cuja dimensão não ultrapassaria a piscadela de olho divertida dos portugueses quanto aos vícios privados do primeiro-ministro por oposição às suas públicas virtudes, se não fosse tudo o que tem acompanhado aquilo que classifico como o descalabro governativo de que o nosso país tem sido vítima desde há três anos. Descalabro que, a meu ver, iremos pagar caríssimo nas próximas quatro ou cinco décadas (pelo menos) e que só tem sido possível precisamente porque o povo português se deixa, desde há séculos, "governar" como o "povo de escravos" a que se referia Lord Byron cerca de duzentos anos atrás. E que faz com que, para se ser português, como dizia Jorge de Sena, seja preciso, desde há cinco séculos, ser, de profissão, exilado.
Pior do que mau, porém, o actual governo é, quanto a mim, um governo de um provincianismo de vistas curtas, "bimbo e com muito gosto", prenhe da arrogância própria desse mesmo tipo de bimbalhismo, próprio não do arquitecto, mas do mestre d'obras. Ora sabe-se que "quem vive pela espada, morre pela espada" - e o escravo, se não morre, cria rancores justificáveis. E que, naturalmente, não perdoará o menor deslize a quem o violenta.
Dirá que o meu ponto de vista quanto ao governo e à sua acção é discutível. Como não me julgo iluminado por sóis de qualquer proveniência, sei que o é. Mas asseguro-lhe que, ao invés de me sentir satisfeito e impante quando o critico, me sinto antes aterrado pelas consequências da inconsciência e da vaidade com que o vejo agir, aterrado até pelas palavras com que o faço, tal o significado que elas contêm e o que implicam. Bem como pela cegueira, pela fuga para frente que observo nos militantes socialistas, a começar por aqueles, meus amigos, a quem afirmei, na altura, que a eleição de José Sócrates para secretário-geral do partido seria algo de muito grave quer para o PS quer para o país pela inconsistência, pela impreparação... e pela má-educação disfarçada de determinação imatura. E a prova de que não sou nenhum iluminado está exactamente em que tudo é hoje pior, mas muito pior do que alguma vez previ que poderia vir a ser.
Lamento se não correspondo ao tipo de imagem que me parece ter de mim, assim de alguém que se compraz a olhar de cima, criticando com leveza displicente o esforço e os erros alheios. Só desta maneira compreendo o tipo de comentário que fez. Mas, garanto-lhe, é apenas o desgosto, quando não o nojo e a vergonha, o que me move quando me refiro a coisas deste tipo. E o vazio, o terrível e monstruoso vazio que alastra viscosamente por dentro de tudo e todos em Portugal.
Seu
Joaquim Simões

13 maio 2008

Fumos...


... do poder (via 31 da Armada).

10 maio 2008

Mais um e-mail


Discurso (censurado) do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA

Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação, CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque :

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília,Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãosm de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as criança pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"

ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO porque é muito importante... e porque foi CENSURADO!

05 maio 2008

A pérola no bolo


No dia em que este blog faz um ano, a RTP1 encarregou o repórter de serviço na cobertura em directo ao incêndio desta manhã na reitoria da Universidade do Porto de me oferecer uma prenda. Repórter a quem envio daqui os maiores parabéns pelo profissionalismo com que cumpriu a tarefa de que o incumbiram.
É que foi algo inesquecível e comovente ouvi-lo perguntar ao reitor, com a maior seriedade: "Ficou contente por o fogo não ter atingido as dependências que continham os documentos mais importantes?"...

29 abril 2008

Vale a pena...


... ouver até ao fim (via Range-o-Dente no fiel-inimigo.blogspot)! Fiquei a roer-me todo para fazer um comentário, mas isso exigiria um tratamento tão de fundo que se me torna impossível, de momento. Talvez durante as férias.

28 abril 2008

Obras


Marco António Costa, dirigente da distrital do Porto do PSD, sobre quem não faço quaisquer considerações, já que não conheço dele mais do que as suas recentes palavras na televisão a propósito das candidaturas que têm surgido dentro do seu partido, afirmava há pouco a Mário Crespo que o "choque tecnológico" a que se tem assistido no Norte do país é o da "importação" de médicos espanhóis para os hospitais e a "exportação" de pedreiros para Espanha.
Sabe, Marco, solidariedade foi sempre emblema para pedreiros...
E mestres dóbras.

Atã nã setá mêmo...


... vendo?!

27 abril 2008

Emenda ao post anterior


Ouvindo agora com mais atenção a notícia, verifico que no Rio, afinal, morreram 96 pessoas. O número 200, bem como os 100.000 eram relativos a todo o Brasil, e desde há quatro meses. Por isso, terei que emendar os cálculos.
Assim, a percentagem dos cariocas infectados passa para metade, isto é, para 0,001% (uma milésima percentual). Por outro lado, se os cariocas são dez milhões, os brasileiros, no seu total, são mais de cento e oitenta milhões, o que faz com que, dividindo os 0,002% por 18, dê... aeeeuh!... bem, é só fazer as contas, mas deve rondar os 0,0001% (uma décima milésima percentual). As percentagens apontadas para a soma de mortos ao fim de dez anos deverão ser alteradas na mesma proporção.
Já agora, para quem não saiba ou não tenha presente: o país dos nossos irmãos tem uma área 92 vezes superior à de Portugal, ou seja, o equivalente à quase totalidade da Europa, Rússia ocidental incluída - a qual, por sua vez, ocupa um espaço quase igual à soma de todos os outros países (os que fazem e os que não fazem parte da UE). Relacionando estes números com os anteriores...

26 abril 2008

O nível da comunicação social


O dengue é uma doença perigosa.
No Rio de Janeiro vivem 10.000.000 de pessoas.
No Rio de Janeiro houve, até agora, 100.000 casos diagnosticados.
Morreram 200 pessoas.
Fazendo as contas:
Em cada 100 cariocas, houve 1 desgraçado que teve que ir para o hospital por ter sido picado por um mosquito.
De cada 500 hospitalizados, 499 voltaram para casa refeitos e 1, bem... morreu mais cedo do que se preveria.
De outra maneira:
99% da população do Rio anda na boa. Melhor dizendo, 99,998%, uma vez que 99.800 dos 100.000 já recuperaram. Neste mês, morreu 0,002% (duas milésimas percentuais) de quem lá vive, devido ao dengue. A este ritmo, isto é, se o número de mosquitos e de habitantes se mantivessem, bem como o número e tipo de cuidados de saúde presentemente existentes, ao fim de 10 anos teriam morrido o,3% (arredondamento por excesso) dos cariocas.
Os níveis necessários para que o ser humano entre em pânico são praticamente insignificantes, dizem os psicólogos. A comunicação social reflecte-o e aproveita-o. Cumpre assim uma função inversa do que deveria ser a sua.
O que é caso para entrar em pânico.

25 abril 2008

Da imbecilidade e do oportunismo políticos...


... levados ao grotesco:
O distinto militante do Partido Socialista, sr. dr. Francisco Assis, acaba de afirmar, na RTPN, que o culpado da queda do ex-ministro da Saúde Correia de Campos foi... Manuel Alegre!!!

A primeira vez

Gustave Courbet, O Sono ou As Adormecidas
E, de repente, a vida estava à nossa frente. E não sabíamos nada.

22 abril 2008

21 abril 2008

Já o disse e subscrevo


Ontem, no PÚBLICO:

Ana Benavente
(...) Nas escolas em que a burocracia ganhou, em tempo e em preocupação, ao trabalho de ensinar e de aprender, vive-se uma estranha esquizofrenia (...) Um ministério pode pode impor normas pela chantagem? Ameaçar os professores contratados com o desemprego no ano que vem? Que governo é este? A maioria absoluta não lhe permite esquecer-se de que governa para e pelas pessoas. Que Partido Socialista pode aceitar tais práticas?
(...) No balanço de três anos de governo, o Sr. Porta-voz afirmou, sorridente (homem que sorri pouco), que havia tanta coisa bem feita que não valia a pena perder tempo com o que correu mal ou menos bem. Foi pena. Governar não é ir a um espectáculo para receber palmas. Um balanço de governo só é completo quando considera o que fez (bem ou mal) e o que não fez. Assim, parece-me mais uma festa de aniversário (com poucos convidados) do que a prestação de contas ao país. A menos que o Governo se esteja a esquecer do país e que tenhamos todos que gritar muito mais alto para que isso não aconteça (...)

Vasco Pulido Valente
(...) Mas provavelmente Jardim não o (a Cavaco Silva) aflige tanto como Sócrates. Porque Sócrates falhou. A economia encolhe. A "consolidação financeira", uma espécie de utopia indígena, está comprometida. E o mundo, em crise, não ajuda. De resto, o reformismo acabou. O "monstro" continua alegremente como era. A saúde não se recomenda. E o ensino treme. As reuniões de quinta-feira entre o dr. Cavaco e o primeiro-ministro devem ter hoje um ar de enterro. Se alguém lesse agora ao dr. Cavaco o discurso de candidatura, ele com certeza desatava a chorar. Prometeu, jurou, gritou que "não se resignava" e só lhe resta a resignação: o pântano de Sócrates, se as coisas por milagre ficarem por aí (...)

António Barreto
(...) Os partidos e a vida democrática devem estar, em Portugal, no mais baixo do apreço público. Descrença, desconfiança e desprezo são sentimentos que não faltam na população. Se quiserem encontrar os verdadeiros inimigos da democracia, não é preciso ir procurar muito longe: basta começar pelos partidos e pelos políticos democráticos.

20 abril 2008

Pedem-me que divulgue


Novo espectáculo de MANDRÁGORA-Centro de Cultura e Pesquisa de Arte!
Sociedade Guilherme Cossoul (junto à Assembleia da República), nos próximos dias 6 e 7 de Junho.
Após o espectáculo será feita a divulgação de mais um número da revista de artes Bicicleta, editada pela mesma Associação.

Recebido por e-mail


Recado ao Ministério da Educação:
Continuem a dar computadores portáteis aos alunos e não apostem nos esquadros, que os professores já se ajeitam muito bem com as cadeiras!

19 abril 2008

O Alf em grande forma!

Magritte, The Dangerous Liaison

Aqui e aqui. Fora o resto, já se sabe!

Da indignidade


A medida recentemente anunciada por Teixeira dos Santos de, através do alargamento do prazo do pagamento do empréstimo contraído para aquisição de habitação própria de 30 para 50 anos, aliviar a carga que, a cada mês que passa, afunda, mais e mais, o nível de vida das famílias portuguesas, não passa de uma tentativa desesperada, que a si se denuncia, de disfarçar o estado em que se encontra a economia do país ao fim de três anos de governação. Ao mesmo tempo que põe muito claramente a nu a atitude e os desígnios do primeiro-ministro e da sua equipa face aos seus concidadãos.
De facto, por um lado, com tal medida condiciona-se decisivamente a vida inteira dos portugueses (quem comprar uma casa aos 25 anos só a terá paga aos 75!!!), ao submetê-los, pela necessidade de cumprimento das obrigações assumidas, à aceitação de toda a espécie de condições de trabalho e de remuneração salarial que, “a bem da Nação”, seja conveniente impor-lhes. Por outro, de um mesmo golpe, o Governo pretende com ela ajudar a “salvar” o sector da construção civil, que se mantém há muitas décadas como principal fonte de emprego num país onde as unidades industriais desaparecem rapidamente, evitando assim a formação de uma situação socialmente explosiva.
O corajoso dirigente da “esquerda moderna”, o grande timoneiro que se atreveu às nunca até hoje necessárias reformas, torneia, deste modo e à semelhança de todos os que o precederam, o verdadeiro problema: o do preço dos terrenos, urbanizados e urbanizáveis, principal responsável pelo custo, sem paralelo na Europa, da celebrada "casa portuguesa", tanto na venda como no aluguer. Evitando pôr o pescoço em risco, e com uma brutalidade maquiavélica superior à do próprio Salazar, Sócrates prefere vergar, como qualquer cacique negreiro, o dos seus compatriotas. Nele e nos que o acompanham torna-se, assim, cada vez mais difícil distinguir entre indignidade política e indignidade pessoal.

18 abril 2008

O que pensar?

António Guterres e Luís Filipe Menezes: dois fracos (mais ou menos) idealistas e (também mais ou menos) incompetentes? Ou dois dos raros casos de efectiva dignidade na política feita em Portugal?
Volto amanhã.

10 abril 2008

Alguém esclarece o pessoal?


Fui buscá-lo aqui, via Womenage à Trois (em novo endereço).

Ai! Agoré queu me meneio, é queu me meneio. é queu...!

Brueghel, Casamento de Camponeses

O bispo D. Carlos Azevedo veio a público dizer que é tempo de a Igreja Católica e a Maçonaria fazerem as pazes, ital, que isto o que lávai-lávai, que aquilo do secretismo não é próprio de uma sociedade democrática, que o que é importante é o progresso do país... O Grande Educador, perdão, o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano lembrou que o secretismo se instalou na razão directa das perseguições sofridas pela instituição, que enfim, talvez aaa...
Querem ver que ainda acabamos todos num Portugal amigo, feito Bloco Central Espiritual?! É que os superiores interesses da Nação...
E amanhã joga o Sporting, a nossa última esperança de fazermos figura.

07 abril 2008

A teia 3


Reescrevendo a História - ou a decadência bimba e caceteira da Maçonaria.

A teia 2


A Antena1 emite o noticiário das 19. E, de repente, ouço dizer que os militares na reforma passam a ficar sujeitos ao regime disciplinar como se estivessem no activo! E que já há mesmo um processo em curso!!
Penso: a coisa está a tornar-se cada vez mais sinistramente interessante... À minha frente, postado no meio de uma enorme rotunda vazia cercada por um trânsito infernal e caótico, um cão alivia-se e liberta-me os pensamentos. Recordo Platão, para quem o cão é o animal filosófico...

A teia 1


Mais uma vez o Jornal das 13, na RTP1. O locutor anuncia uma nova peça, referindo que se fazem sentir já em Portugal as consequências das alterações climáticas. As palavras abrem caminho à entrevista de rua ao "cidadão comum" que, sem excepção, afirma que esta variação de tempo é... absolutamente normal, já que estamos em Abril e Abril sempre foi assim!
"Em Abril, águas mil", lembra um deles. "E em Abril, queima a velha o carril", diz também, ao meu lado, a tia de quem já falei noutro post, "que há anos em que este mês é muito frio...!".
Mas educador que é educador não desarma e, vai daí, a peça seguinte informa-nos dessas alterações pela boca de investigadores devidamente abalizados cá da terra.
Só faltou à RTP chamar Al Gore. É que isto do conhecimento aprofundado e actualizado é uma missão de que os nossos órgãos informativos não prescindem...!
Ouve lá...! Olha lá...!

06 abril 2008

Leitura recomendada


Aqui (via Range-o-Dente).

05 abril 2008

A bem da Nação



Portugal é, neste momento, um país em que não é permitido a uma adolescente de 14 anos espetar um palito na língua, mesmo com autorização dos pais, mas onde, em contrapartida, pode fazer um aborto sem ter que dar cavaco a ninguém.


03 abril 2008

Correcção ao post anterior

Niimura, Televisão

Revendo há pouco a peça ´"jornalística" de que falei, verifiquei que cometi uma incorrecção. De facto, não foi dito que o primeiro-ministro tinha um ar de lutador insatisfeito pelo dever ainda não cumprido, mas sim o de quem estaria aborrecido com um adversário, ou qualquer coisa assim. A razão do meu engano teve a ver com um incidente doméstico protagonizado pelo meu cão (raizopartam!) que, na altura, me distraiu e confundiu.
Tudo o resto, porém, corresponde ao que se pôde ver. Pelo que mantenho o mesmo ponto de vista e reafirmo a sugestão.

02 abril 2008

Sugestão


Richard Marchand, Televisão
Cerca de duas horas e meia atrás, o jornal das 13h na televisão pública anunciava a presença em Portugal de um dos melhores cem psicólogos do mundo, aquele que detectou a mentira no rosto de Clinton aquando do "caso Mónica Lewinsky" e que, sendo especialista nessa área, já formou alguns milhares de agentes destinados a detectar terroristas em aeroportos através da análise das expressões faciais dos passageiros. Tendo-lhe sido pedido para se pronunciar sobre os pais de Maddie McCann, continuava a peça, exigiu uma entrevista directa ao casal, que não foi aceite.
A sua maior especialidade, porém, é o que diz respeito aos políticos, pelo que a RTP o convidou a analisar algumas imagens dos comandantes partidários portugueses, começando pelo primeiro-ministro.
Segundo o psicólogo (não memorizei o seu nome), José Sócrates mostra-se encantador, alguém com quem se teria muito gosto em conversar descontraidamente enquanto se toma um copo. Na entrevista que dá a um jornalista, a sua expressão facial é a de um lutador que denota descontentamento consigo próprio, no sentido de um dever ainda por cumprir (ver correcção no post acima) e parece revelar algum aborrecimento por ter que voltar a responder a perguntas que já lhe foram feitas anteriormente várias vezes. Segue-se-lhe, na rua, Francisco Louçã que, se possível, é ainda mais encantador do que Sócrates! "Chaaarming", verdadeiramente inultrapassável nesse tipo de "performance" da política que é comum a todos os dirigentes. E agora vem, também na rua, Paulo Portas.
Ouve-se um riso bem disposto, um gesto largo para o monitor de quem vai dizer qualquer coisa, "este...". As palavras com que põe a claro a personalidade dos restantes opositores ao primeiro-ministro desaparecem da peça a partir deste momento. No que respeita a Portas fica apenas esse gesto que, sem elas, assume um significado puramente depreciativo, referente a alguém de quem nem vale a pena falar (por farsante? por ridículo?). Sobre as imagens de Filipe Menezes e de Jerónimo de Sousa, ainda mais brevemente incluídas (Menezes visto somente do pescoço para cima a ler calmamente um discurso) fala-se do político como um actor. As considerações sobre o tema terminam, porém, com novas imagens de José Sócrates, acompanhando a ideia de "actor de sucesso".
A polícia política brasileira dos tempos da ditadura recebeu formação da PIDE. Penso por isso que, agora, os responsáveis pelos canais públicos, públicos e privados, da democracia poderiam ensiná-la proveitosamente a Mugabe ou, ainda melhor, enquanto reforço do estreitamento das relações lusófonas, a José Eduardo dos Santos. Não tenho a menor dúvida de que esta sugestão seria muito bem recebida por ambos.

Para desenjoar, algo sobre Educação


Leiam isto e mais isto (via Abobrinha). A ideia referente ao empréstimo de manuais escolares, defendo-a eu também há muito tempo, mas em moldes diferentes. Fica para um próximo post.

30 março 2008

O "tal", o Estatuto do Aluno


Na continuação do convite que fiz no post anterior para que leiam o post da Abobrinha, deixo aqui igual convite em relação ao texto de António Barreto no PÚBLICO de hoje, do qual transcrevo de seguida o último parágrafo.
O estatuto cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a administração pública ou para as relações entre a administração e os cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências da educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é uma mal, os legisladores do ministério (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição. O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo "científico" e "técnico", desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.

Atenção!


Se não leram, façam favor de ler este post da Abobrinha e, se assim o entenderem, vão comentando, que eu já cá venho.
Entretanto, leiam também este.

Enfim, a Luz!

Chirico, Ariadne

Há pouco, num serviço noticioso da RTPN, dizia-se que havia um mistério composto por M's no facto de Mendes, empresário de Mourinho, se ter deslocado a Milão para falar com o presidente do Inter, Moratti, para que na próxima época, o treinador português venha a substituir o actual treinador, Mancini.
De repente, não mais que de repente, a luz veio sobre mim!
Estamos perante 5 M's. Mas o autor da peça jornalística é somente um aprendiz, não decifrou o Código. É que a mulher de Mourinho chama-se Matilde! As seis pontas da estrela de Salomão, da realeza do Conhecimento e da Sabedoria estarão, enfim, desveladas no final dos Tempos! E eu sou o sétimo M, sou o Mensageiro, ao estar no centro da Revelação!
Eu proclamo: Mourinho é o nome escondido de Deus! E Maria Madalena não está, como quereria Miterrand, sob a pirâmide de vidro do Louvre, mas por debaixo do círculo do pontapé de saída do estádio de San Ciro.
Alguém duvida?!