18 julho 2008
17 julho 2008
Oh! gente do c...!

Souberam do que aconteceu?! Os israelitas trocaram cinco palestinianos que cumpriam pena por terrorismo (um deles até matou uma família inteira com as suas próprias mãos, esmagando o crânio de uma criança...!) por dois soldados dos deles, que tinham sido feitos prisioneiros no Líbano e que ninguém sabia se estavam vivos ou mortos - e afinal, ao que parece, estavam mesmo mortos, que lhes foram entregues dois caixões!
Filhos da p... dos judeus! Aquilo está-lhes na massa do sangue! Têm cá um jeito para o negócio...!
16 julho 2008
Os gloriosos herdeiros de Monthy Python

Dias atrás, no noticiário de um canal de televisão, incluiram a seguinte notícia:
Quatro tipos resolveram assaltar uma estância já não me lembro de quê. Três ficaram dentro da carrinha, à espera do outro, que entrou para abrir caminho. O proprietário, homem aí pelos sessenta, que mora ao lado, ouvindo barulho, desconfiou, pegou na caçadeira e, dando com o assaltante de costas, intimou-o a sair. Porém, ao vê-lo virar-se, numa atitude agressiva e empunhando um pé-de-cabra, receando pela segurança da criança (neto?) que o acompanhara, alvejou-o nas pernas. O assaltante, ferido, conseguiu fugir, mas acabou por ser apanhado, juntamente com os amigalhaços, pela GNR, tendo sido assistido no hospital.
Este seria uma história de happy end à americana, com a inevitável piada final dos protagonistas e risos dos mesmos a condizer, não fora os juristas portugueses, vanguardistas eméritos e dos quatro costados, decidirem dar uma amostra da real dimensão da sua criatividade invertendo os dados do episódio, subvertendo-o na sua essência e mostrando assim que outros valores mais altos se alevantam na lei da nossa grei para além de Dada, dos irmãos Marx e dos Monthy Python, alcandorando-nos às alturas de vero primeiríssimo farol da contemporaneidade e até da aventura da Humanidade. Connosco, é assim mesmo, não fazemos por menos, porque tudo vale a pena se o esprito não é minorca.
Oh! golpe de génio inigualável e altíssimo do legislador! Oh! visão incomparável e sublime do problema da culpa e do perdão na perspectiva do burlesco pós-moderno! Com um golpe súbito e decisivo de uma trivela do espírito, eis que a arma do vil agressor é confiscada para compensação devida à desgraçada e inocente vítima assaltante. Confisque-se a caçadeira e obrigue-se quem a usou a apresentar-se duas vezes por semana no quartel do exército de anjos que garantem a segurança do local por excelência do remanso da Europa, assim decreta a Lei, no texto sagrado fixado pelo génio da lâmpada civilizacional! Pois quê!? Como poderá admitir-se que um sinistro cidadão, apoiado por uma maquiavélica criança, possa defender-se impunemente de um pobre meliante?!
Hollywood arrepela os cabelos, ao ver o seu império comprometido pela falta de visão dos produtores cinematográficos depreciadores de tal filão do grotesco! Os juristas portugueses ameaçam seriamente as coroas de Cristiano Ronaldo e de José Mourinho, não na futeboleira arte mas na do non-sense. Em conjunto com as determinações já conhecidas, como as de abater os cães que molestem assaltantes ou agressores, e de os polícias terem que pagar as balas e os danos ocorridos nas viaturas que conduzam, para além de lhes serem descontados os dias em que tenham que comparecer em tribunal para testemunharem, o português é convidado a não resistir sob qualquer pretexto e de chamar as forças policiais para o defenderem, mesmo que só depois de morto!
Gostaria de contribuir somente com uma sugestão para a eterna glória lusa: a de que todo aquele que o não faça após o falecimento, venha a ser sujeito à medida de residência fixa e veja o seu caixão confiscado. Que é para ver se aprendem a trabalhar por um país moderno, justo e solidário!
Tenho dito!
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15 julho 2008
12 julho 2008
10 julho 2008
Gente de sucesso

Naide Gomes, campeã nacional, europeia e mundial de atletismo, nascida em S. Tomé e Príncipe e naturalizada portuguesa, dizia ontem no decorrer de uma peça biográfica transmitida ao final da noite na RTPN (reproduzo de memória):
Quando vim de S. Tomé, a primeira coisa que estranhei mesmo foi a escola. Fiquei assim, como que chocada...! Era tudo muito... Os alunos maltratavam os professores!, muito barulho...! confusão...!, aquilo era... não dava para nada...! Em S. Tomé isso era impensável, até porque levávamos logo porrada...! Fui para casa e disse à minha mãe: Mãe, eles maltratam os professores...! E ela disse: eles, sim; mas tu, não...! Senão levas porrada!
Daqui, um grande abraço para Naide e para a sua mãe. E os meus maiores agradecimentos.
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08 julho 2008
Mas, antes, sobra-me um bocadinho...
... para recomendar esta!
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06 julho 2008
04 julho 2008
02 julho 2008
30 junho 2008
25 junho 2008
Ainda a propósito dos Mistérios Esotéricos da Educação...

... a opinião de José Júdice no jornal Metro de hoje:
Aproveitando uma Conferência Internacional sobre Violência nas Escolas que está a decorrer em Lisboa, a ministra da Educação tentou sossegar os portugueses garantindo que, embora a indisciplina seja generalizada, os “fenómenosde violência estão circunscritos”. O país, disse a ministra, tem de ter a noção de que existe uma distinção entre violência escolar e indisciplina. E qual é essa distinção, perguntam ansiosos os pais e os professores, esperando da boca ministerial o conceito rigoroso que permita ao país, naturalmente confuso, distinguir entre falar ao telemóvel na sala de aula e dar uns sopapos na professora? A resposta, como era de esperar, é nenhuma. “Precisamos de um conhecimento mais aprofundado dessa distinção”, disse a ministra. Para perceber a diferença entre fazer barulho ou andar à pancada, a ministra precisa “de um conhecimento aprofundado dessa distinção”.
A maneira mais simples, e barata, de aprofundar esse conhecimento e contribuir para um melhor esclarecimento das políticas educativas seria enviar um secretário de Estado que se voluntariasse para o sacrifício de dar uma aula numa escola escolhida ao acaso (a Carolina Michaëlis do Porto salta imediatamente à mente, mas pode ser qualquer outra). Se o secretário de Estado fosse interrompido por risadinhas, conversas entre os alunos, ataques com aviões de papel ou toques de telemóvel, perceberia imediatamente o que é indisciplina. Caso os raides com aviões de papel evoluíssem numa escalada de violência para ataques com mísseis mais sólidos, como bolos de arroz, garrafas vazias de Coca-Cola ou ofensivas de infantaria ao sopapo e pontapé, o governante poderia tranquilamente concluir que estava a ser alvo de violência escolar e fugiria da escola mais rico e sabedor. Eventualmente com escoriações e nódoas negras, sim, mas enriquecido interiormente pelo “conhecimento mais aprofundado da distinção” entre indisciplina e violência.
Em vez deste saber de experiência feito, o que faz o ministério? Não faz nada, ou seja, anuncia“um conjunto muito vasto de medidas”: a criação de coordenadores de segurança nas escolas, a criação de uma Equipa de Missão para a Segurança Escolar, o reforço do programa Escola Segura, a colocação de centenas de professores em “comissões”, a criação de “cartões de estudante”, a vigilância electrónica e um exército de pedagogos e psicólogos fechados em gabinetes, provavelmente por receio de que levem pancada dos alunos. Reforçar a autoridade do professor na sala de aulas não lhes passa pela cabeça.
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22 junho 2008
É uma pedra!...

... o texto deste e-mail que acabei de receber. Os meus parabéns ao autor, seja lá ele quem for, embora deixe muuuito por dizer quanto à relação entre avaliação, formação académica e investigação.
Jorge Pedreira admitiu hoje o óbvio: a Avaliação do Desempenho não tem por objectivo cimeiro aumentar a qualidade da oferta educativa das escolas e, muito menos, promover o desenvolvimento profissional dos docentes. Nas palavras do Secretário de Estado (que é Jorge mas que de educação nada percebe) apenas visa contribuir para a redução do défice público. — Eureka!
O enigma da má-fé ministerial fica finalmente revelado.
No fórum da 'TSF' da manhã de hoje, Pedreira justificou os motivos pelos quais o ME discorda da proposta de António Vitorino em adiar a avaliação e testar-se o modelo preconizado pelo M.E. em escolas piloto durante um ou dois anos.
Pedreira (o Jorge, que até é secretário da ministra Lurdes), confessou o politicamente inconfessável: *Terá de haver avaliação para que os professores possam progredir na carreira e assim possam vir beneficiar de acréscimos salariais* (sic).
Ou seja, aquilo que hoje se discute no mundo ocidental (democrático e desenvolvido, como rotula, mas desconhece a 'primeira ministra'), gira em torno da dicotomia de se saber se a avaliação do desempenho docente serve propósitos de requalificação educativa (se para isso directamente contribui) ou se visa simplesmente constituir-se em mais um instrumento de redução do défice público.
Nesta matéria, Pedreira (o tal que é Jorge e ao mesmo tempo teima em ser secretário da ministra que também parece oriunda de uma pedreira), foi claro: *Importa conter a despesa do Estado com a massa salarial dos docentes *; o resto (a qualidade das escolas e do desempenho dos professores) é tanga(!!!).
Percebe-se, assim, por que motivo este modelo de avaliação plagia aquele que singra na Roménia, no Chile ou na Colômbia. Países aos quais a OCDE, o FMI, o *New Public Management* americano, impôs: *a desqualificação da escola pública em nome da contenção da despesa pública*; percebe-se, assim, por que razão a ministra Maria de Lurdes (que tem um secretário que, como ela, também é pedreira) invoque a Finlândia para revelar dados estatísticos de sucesso escolar e a ignore em matéria de avaliação do desempenho docente.
Percebo a ministra pedreira: não se pode referenciar aquilo que não existe. A Finlândia, com efeito, não tem em vigor qualquer sistema ou modelo formal e oficial de avaliação do desempenho dos professores!
Agradeço à pedreira intelectual que grassa no governo de Sócrates (que por acaso não é pedreiro — até é engenheiro faxciendo), finalmente nos ter brindado com tão eloquente esclarecimento. Cito-os:
*A avaliação dos Docentes é mais um adicional instrumento legislativo para
combater o défice público*(!).
Obrigado, Srs. Pedreiras, pela clarificação do óbvio.
O enigma da má-fé ministerial fica finalmente revelado.
No fórum da 'TSF' da manhã de hoje, Pedreira justificou os motivos pelos quais o ME discorda da proposta de António Vitorino em adiar a avaliação e testar-se o modelo preconizado pelo M.E. em escolas piloto durante um ou dois anos.
Pedreira (o Jorge, que até é secretário da ministra Lurdes), confessou o politicamente inconfessável: *Terá de haver avaliação para que os professores possam progredir na carreira e assim possam vir beneficiar de acréscimos salariais* (sic).
Ou seja, aquilo que hoje se discute no mundo ocidental (democrático e desenvolvido, como rotula, mas desconhece a 'primeira ministra'), gira em torno da dicotomia de se saber se a avaliação do desempenho docente serve propósitos de requalificação educativa (se para isso directamente contribui) ou se visa simplesmente constituir-se em mais um instrumento de redução do défice público.
Nesta matéria, Pedreira (o tal que é Jorge e ao mesmo tempo teima em ser secretário da ministra que também parece oriunda de uma pedreira), foi claro: *Importa conter a despesa do Estado com a massa salarial dos docentes *; o resto (a qualidade das escolas e do desempenho dos professores) é tanga(!!!).
Percebe-se, assim, por que motivo este modelo de avaliação plagia aquele que singra na Roménia, no Chile ou na Colômbia. Países aos quais a OCDE, o FMI, o *New Public Management* americano, impôs: *a desqualificação da escola pública em nome da contenção da despesa pública*; percebe-se, assim, por que razão a ministra Maria de Lurdes (que tem um secretário que, como ela, também é pedreira) invoque a Finlândia para revelar dados estatísticos de sucesso escolar e a ignore em matéria de avaliação do desempenho docente.
Percebo a ministra pedreira: não se pode referenciar aquilo que não existe. A Finlândia, com efeito, não tem em vigor qualquer sistema ou modelo formal e oficial de avaliação do desempenho dos professores!
Agradeço à pedreira intelectual que grassa no governo de Sócrates (que por acaso não é pedreiro — até é engenheiro faxciendo), finalmente nos ter brindado com tão eloquente esclarecimento. Cito-os:
*A avaliação dos Docentes é mais um adicional instrumento legislativo para
combater o défice público*(!).
Obrigado, Srs. Pedreiras, pela clarificação do óbvio.
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Depois...
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20 junho 2008
17 junho 2008
16 junho 2008
A notícia esperada

O Ministro da Cultura convidou sua Excelência, o senhor Presidente da República, para presidir às comemorações dos cem anos do realizador de cinema Manuel de Oliveira.
A notícia não espantou os portugueses. Seria de esperar. O senhor Presidente deve conhecer, de olhos fechados, a obra do mestre...
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Cavaco Silva
14 junho 2008
Fernandinho e o gato

Gato que brincas na rua
como se fosse na cama,
invejo a sorte que é tua
porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
que regem pedras e gentes,
que tens instintos gerais
e sentes só o que sentes,
és feliz porque és assim.
Todo o nada que és é teu.
Eu sinto-me e estou sem mim.
Conheço-me e não sou eu.
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11 junho 2008
Ainda sem saber o que sairá...

... da reunião dos camionistas, na Batalha:
Há pouco, no jornal da SICNotícias, Ângelo Correia e Ruben Carvalho estiveram de acordo nas suas análises ao problema da paralisação e na solução que lhe dariam. E, quanto a mim, muito bem em ambos os aspectos.
Haverá finalmente esperança de que o bom-senso, neste país, venha a sobrepor-se ao sectarismo e aos interesses partidários?
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10 junho 2008
Eles existem...
... os camionistas inteligentes! No noticiário da TVI apareceram dois, na raia algarvia (salvo erro) ! Um, dizendo que os motoristas estavam a ser utilizados pelos patrões. O outro, alertando os seus colegas de Espanha e França de que isto se trata de uma luta entre das empresas com os governos e que, portanto, deveriam ter cuidado e não se deixarem arrastar para ela.
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Sou camionista
Raça do homem!

Acossado pelo jornalista que lhe pedia uma declaração sobre a paralisação dos camionistas (a do “Comboio dos Duros”, como, sempre imaginativa e irreverente, a comunicação social a designa), o senhor Presidente da República, especialista na postura “não me comprometo”, arvorou o costumado sorriso manholas de recorte bacoco e respondeu que a ocasião não era propícia, que hoje era o Dia de Portugal. E, perante a insistência do determinado profissional, no meio da atrapalhação em que se sentia não acrescentou, como Guterres, que “é só fazer as contas”. Antes, como alguém da sua idade, azucrinado durante muitos anos pela cartilha de Santa Comba e a quem a memória selecciona já automática e primeiramente o que nela há de mais antigo, acrescentou que se tratava do “dia da raça”, despachando o importuno o mais rapidamente que podia e pôs-se ao fresco, estugando o passo. Coitado, nem deu pela gaffe!
A esquerda é que não perdeu tempo. Iria lá perdê-lo!
A esquerda é que não perdeu tempo. Iria lá perdê-lo!
A esquerda correcta, podre de chic e da cultura de novas universidades, não poderia, obviamente, calar-se perante tamanho sintoma do regresso de retrógrados obscurantismos. Falou, com hálito a rosas, de mitos e mistificações científicas, de negregados períodos da história do nosso país, de propaganda… A esquerda de sempre, do sempre-povo, lembrou, por seu turno, o que lembra sempre sobre o que sempre há que lembrar.
Porque ele há gente que é mesmo de má-raça! Como há fadistas de raça ou atletas com raça...! E a esquerda de e com raça não se esquece que tem que acabar com a raça dessa raça de gentinha!
Porque ele há gente que é mesmo de má-raça! Como há fadistas de raça ou atletas com raça...! E a esquerda de e com raça não se esquece que tem que acabar com a raça dessa raça de gentinha!
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08 junho 2008
Uma conspiração de estúpidos

"O país de José Sócrates é um país de ficção, construído laboriosamente por uma eficaz agenda de propaganda. Só que a propaganda já não chega para esconder a realidade."
Luís Marques, no Expresso (via PÚBLICO de hoje)
"Prosseguem as greves e manifestações. Funcionários públicos, professores, enfermeiros, pescadores, automobilistas, camionistas... O mal-estar social é evidente. A grande manifestação de Lisboa atingiu uma dimensão surpreendente. Mas o governo despreza manifestações e números. Diz o primeiro-ministro que só os argumentos lhe interessam, não os números. Coitado! Não sabe que as manifestações e os números são argumentos."
António Barreto, no PÚBLICO de hoje
Eu acrescentaria que Sócrates manda no país no sentido precisamente contrário, isto é, tendo em atenção os números e as manifestações do que e de quem considera importante, e jamais qualquer argumentação que não seja a dos seus próprios horizontes. Eis ao que chama "determinação".
Ora é precisamente isto, o nunca se pôr em causa a si mesmo , o que constitui a raiz e a medida da estupidez.
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07 junho 2008
O trabalho não me deixa...
... mandar os meus bitaites. Por isso, deixo aqui dois textos que resumem parte do meu ponto de vista sobre o tema.
Até já.
As tradições reclamam um direito ao renascimento e esse direito é caro à consciência europeia, na medida em que esta reconhece o antigo como fonte de modernidade. Os povos descolonizados souberam provocar o renascimento da sua tradição voltando a encontrar o seu ponto cardeal, o seu Oriente (“orientar” significa, etimologicamente, implantar um edifício na direcção do oriente). Foi deste modo que apareceram os conceitos de negritude, arabismo, judaísmo, islamismo, etc., que, recordo, exemplificam paradoxalmente a própria filosofia das Luzes, no seu princípio do direito a governar-se a si próprio. Há, portanto, uma ambivalência neste radicalismo, uma vez que ele é simultaneamente identificação ao outro e distanciação em relação à Europa.
O despertar das tradições desnaturou-se, porque os direitos da tradição são muitas vezes utilizados, nos países descolonizados, não para fins de igualdade e liberdade, mas de submissão, de obediência e de medo. Esquecemo-nos, com demasiada frequência, de dizer que o islamismo armado fez muito mais vítimas nos próprios países muçulmanos do que nos cristãos (contam-se mais de 100.000 mortos na Argélia). Conclui-se que o pertencer a uma mesma cultura ou a uma mesma religião não é uma garantia de tolerância ou de felicidade política. Porque não é a ligação cultural que faz a ligação política, mas a ligação civil.
Outro aspecto que torna desumanos os direitos culturais é o facto de a condição cultural árabe, judaica, muçulmana, corsa, basca sérvia, ocidental, etc., os colocarem acima da condição humana. É aqui que a ilusão cultural provoca os maiores estragos: quando acreditamos que somos humanos apenas por termos uma cultura e não por natureza, sempre que encerramos a dignidade do homem na sua origem étnica, religiosa, nacional ou imperial. Deixamos então de entender a expressão “cultura” como um aperfeiçoamento livre de nós próprios, mas como uma entrega de consciência a um princípio determinista. (…)
Em terceiro lugar, os direitos da tradição pecam precisamente por julgarem combater a modernidade, juntando-se àquilo que ela tem de pior, a difusão maciça de novas idolatrias que a técnica torna prodigiosas. O fanatismo é um valor seguro para os media, de que é sabido usurparem os direitos do pensamento. Se definirmos, acompanhando Condorcet, o obscurantismo como a “tirania que a astúcia exerce sobre a ignorância”, existe um obscurantismo próprio da comunicação que se constitui em dirigente do espírito humano. A comunicação, embora sendo o primeiro utensílio de informação do mundo, é o último em termos de inteligibilidade. Explora-se a ilusão da expressão, mas não a faculdade de nos compreendermos. A comunicação aumenta o ininteligível, quando a primeira missão de uma cultura suportável é a de tornar o mundo inteligível, ou seja, para retomarmos o título de um opúsculo de Kant, tornar o homem capaz de “se orientar no pensamento”. A desorientação, funcionando na comunicação, traduz-se num reforço cultural reduzido às paixões da opinião. O objecto religioso torna-se, indiferentemente, em objecto publicitário e o objecto publicitário em objecto religioso. A intolerância é sempre mais bem servida pela arma que a deveria vencer.
O despertar das tradições desnaturou-se, porque os direitos da tradição são muitas vezes utilizados, nos países descolonizados, não para fins de igualdade e liberdade, mas de submissão, de obediência e de medo. Esquecemo-nos, com demasiada frequência, de dizer que o islamismo armado fez muito mais vítimas nos próprios países muçulmanos do que nos cristãos (contam-se mais de 100.000 mortos na Argélia). Conclui-se que o pertencer a uma mesma cultura ou a uma mesma religião não é uma garantia de tolerância ou de felicidade política. Porque não é a ligação cultural que faz a ligação política, mas a ligação civil.
Outro aspecto que torna desumanos os direitos culturais é o facto de a condição cultural árabe, judaica, muçulmana, corsa, basca sérvia, ocidental, etc., os colocarem acima da condição humana. É aqui que a ilusão cultural provoca os maiores estragos: quando acreditamos que somos humanos apenas por termos uma cultura e não por natureza, sempre que encerramos a dignidade do homem na sua origem étnica, religiosa, nacional ou imperial. Deixamos então de entender a expressão “cultura” como um aperfeiçoamento livre de nós próprios, mas como uma entrega de consciência a um princípio determinista. (…)
Em terceiro lugar, os direitos da tradição pecam precisamente por julgarem combater a modernidade, juntando-se àquilo que ela tem de pior, a difusão maciça de novas idolatrias que a técnica torna prodigiosas. O fanatismo é um valor seguro para os media, de que é sabido usurparem os direitos do pensamento. Se definirmos, acompanhando Condorcet, o obscurantismo como a “tirania que a astúcia exerce sobre a ignorância”, existe um obscurantismo próprio da comunicação que se constitui em dirigente do espírito humano. A comunicação, embora sendo o primeiro utensílio de informação do mundo, é o último em termos de inteligibilidade. Explora-se a ilusão da expressão, mas não a faculdade de nos compreendermos. A comunicação aumenta o ininteligível, quando a primeira missão de uma cultura suportável é a de tornar o mundo inteligível, ou seja, para retomarmos o título de um opúsculo de Kant, tornar o homem capaz de “se orientar no pensamento”. A desorientação, funcionando na comunicação, traduz-se num reforço cultural reduzido às paixões da opinião. O objecto religioso torna-se, indiferentemente, em objecto publicitário e o objecto publicitário em objecto religioso. A intolerância é sempre mais bem servida pela arma que a deveria vencer.
Helé Beji, "A Cultura do Inumano", in J. Bindé, Para Onde Vão os Valores, 2004
Envergonhados pelo domínio durante tempo exercido sobre os povos do Terceiro Mundo, juramos não mais recomeçar e - resolução inaugural - decidimos poupar-lhes os rigores da liberdade à europeia. Com medo de exercer violência sobre os imigrados, confundimo-los com a libré que a História lhes talhou. Para lhes permitir viver como lhes agrada, recusamo-nos a protegê-los contra os delitos ou os abusos eventuais da tradição de onde emanam. Com o fim de atenuar a brutalidade do desenraizamento, voltamos a colocá-los, de pés e mãos atados, à disposição da sua comunidade e conseguimos assim limitar aos homens do Ocidente a esfera de aplicação dos direitos do homem, embora acreditando alargar esses direitos, ao ponto de introduzir a faculdade deixada a cada um de viver na sua cultura.
Nascido do combate pela emancipação dos povos, o relativismo desemboca no elogio da servidão. Quer isto dizer que é preciso voltar às velhas receitas assimilacionistas e separar novos recém-chegados da sua religião ou da sua comunidade étnica? A dissolução de qualquer consciência colectiva deve ser o preço a pagar pela integração? De forma alguma. Tratar o estrangeiro como indivíduo não é obrigá-lo a moldar todas as suas condutas às maneiras de ser em vigor para os autóctones, e podermos denunciar a desigualdade entre homens e mulheres na tradição islâmica sem, por isso, querer vestir os imigrados muçulmanos com uma libré de empréstimo ou destruir os seus laços comunitários. Apenas aqueles que raciocinam em termos de identidade (e portanto de integridade) cultural pensam que a colectividade nacional necessita, para a sua própria sobrevivência, do desaparecimento das outras comunidades. O espírito dos tempos modernos, no que lhe diz respeito, acomoda-se muito bem à existência de minorias nacionais ou religiosas, com a condição de estas serem compostas, segundo o modelo da nação, por indivíduos iguais e livres. Esta exigência implica lançar na ilegalidade todos os usos - incluindo aqueles cujas raízes mergulham no mais profundo da História - que ofendem os direitos elementares da pessoa.
É inegável que a presença na Europa de um número crescente de imigrados do Terceiro Mundo coloca problemas inéditos. Estes homens, empurrados para fora da sua terra pela miséria e traumatizados, ainda por cima, pela humilhação colonial, não podem sentir, em relação ao país que os recebe, a atracção e a gratidão que experimentavam, na sua maioria, os refugiados da Europa oriental. Invejada pelas suas riquezas, odiada pelo seu passado imperialista, a sua terra de acolhimento não é uma terra prometida. Contudo, uma coisa é certa: não é fazendo da abolição dos privilégios a prerrogativa de uma civilização, não é reservando aos Ocidentais os benefícios da soberania individual e do que Tocqueville chama a “igualdade de condições” que nos encaminharemos para a resolução destas dificuldades.
Nascido do combate pela emancipação dos povos, o relativismo desemboca no elogio da servidão. Quer isto dizer que é preciso voltar às velhas receitas assimilacionistas e separar novos recém-chegados da sua religião ou da sua comunidade étnica? A dissolução de qualquer consciência colectiva deve ser o preço a pagar pela integração? De forma alguma. Tratar o estrangeiro como indivíduo não é obrigá-lo a moldar todas as suas condutas às maneiras de ser em vigor para os autóctones, e podermos denunciar a desigualdade entre homens e mulheres na tradição islâmica sem, por isso, querer vestir os imigrados muçulmanos com uma libré de empréstimo ou destruir os seus laços comunitários. Apenas aqueles que raciocinam em termos de identidade (e portanto de integridade) cultural pensam que a colectividade nacional necessita, para a sua própria sobrevivência, do desaparecimento das outras comunidades. O espírito dos tempos modernos, no que lhe diz respeito, acomoda-se muito bem à existência de minorias nacionais ou religiosas, com a condição de estas serem compostas, segundo o modelo da nação, por indivíduos iguais e livres. Esta exigência implica lançar na ilegalidade todos os usos - incluindo aqueles cujas raízes mergulham no mais profundo da História - que ofendem os direitos elementares da pessoa.
É inegável que a presença na Europa de um número crescente de imigrados do Terceiro Mundo coloca problemas inéditos. Estes homens, empurrados para fora da sua terra pela miséria e traumatizados, ainda por cima, pela humilhação colonial, não podem sentir, em relação ao país que os recebe, a atracção e a gratidão que experimentavam, na sua maioria, os refugiados da Europa oriental. Invejada pelas suas riquezas, odiada pelo seu passado imperialista, a sua terra de acolhimento não é uma terra prometida. Contudo, uma coisa é certa: não é fazendo da abolição dos privilégios a prerrogativa de uma civilização, não é reservando aos Ocidentais os benefícios da soberania individual e do que Tocqueville chama a “igualdade de condições” que nos encaminharemos para a resolução destas dificuldades.
Alain Finkielraut, A Derrota do Pensamento, 1987
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Feitios...!

Em Espanha, os pescadores em greve acusam os seus congéneres portugueses de a furarem e distribuem gratuitamente o peixe pela população.
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Contra os canhões marchar marchar
06 junho 2008
03 junho 2008
A última gota

Confesso que, antes de o ouvir há bocado no programa de Mário Crespo, ainda pensava em João Soares como uma alternativa sofrível a José Sócrates à frente do Partido Socialista. Mas depois lembrei-me de um grande amigo meu, conhecedor profundo dos meios da política portuguesa, que, algum tempo de morrer, muitos anos atrás, me dizia: "Encontras boa gente em todos os partidos. Menos no PS. Aí não encontras ninguém".
É claro que o jovenzinho que eu era, na altura, não lhe deu ouvidos...
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01 junho 2008
Excerto de um texto de Baptista-Bastos...

... que me enviaram por e-mail:
(...) Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz – os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação (...)
É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se. (…)
O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. (…)
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.
É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se. (…)
O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. (…)
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.
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30 maio 2008
À espera

Se isto for verdade, o que esperarão os professores para o recusar? E se o não for, o que esperarão para desmentir os governantes?
O país, entretanto, espera vir a saber o que pensar dos que nele exercem funções de docência e de governação.
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27 maio 2008
E esta outra...
Chirico, Interior Metafísico com Biscoitos... do Médio Oriente (Samarra fica no actual Iraque), contada por Somerset Maugham.
A fala da Morte
Um dia, um mercador, em Bagdad, enviou o seu servo ao mercado, para comprar mantimentos e o servo regressou quase a seguir, lívido e a tremer, e disse:
- Senhor, estava agora mesmo no mercado e uma mulher no meio da multidão chocou comigo e quando me virei vi que era com a Morte que tinha acabado de chocar. Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador. Empreste-me, pois, o seu cavalo e eu fugirei da cidade para evitar o meu destino. Irei para Samarra e, aí, a Morte não me encontrará.
O mercador emprestou-lhe o cavalo, o servo montou-o, cravou-lhe as esporas nos flancos e lá foi ele, tão rápido quanto o cavalo podia galopar. Então, o mercador desceu ao mercado e viu-me entre a multidão, e chegou ao pé de mim e disse-me:
- Porque é que fizeste um gesto ameaçador ao meu servo, quando o viste esta manhã?
- Não era um gesto ameaçador, retorqui, era apenas um sobressalto de surpresa. Estava espantada de o ver em Bagdad, quando tinha combinado um encontro com ele para esta noite, em Samarra.
- Senhor, estava agora mesmo no mercado e uma mulher no meio da multidão chocou comigo e quando me virei vi que era com a Morte que tinha acabado de chocar. Ela olhou para mim e fez um gesto ameaçador. Empreste-me, pois, o seu cavalo e eu fugirei da cidade para evitar o meu destino. Irei para Samarra e, aí, a Morte não me encontrará.
O mercador emprestou-lhe o cavalo, o servo montou-o, cravou-lhe as esporas nos flancos e lá foi ele, tão rápido quanto o cavalo podia galopar. Então, o mercador desceu ao mercado e viu-me entre a multidão, e chegou ao pé de mim e disse-me:
- Porque é que fizeste um gesto ameaçador ao meu servo, quando o viste esta manhã?
- Não era um gesto ameaçador, retorqui, era apenas um sobressalto de surpresa. Estava espantada de o ver em Bagdad, quando tinha combinado um encontro com ele para esta noite, em Samarra.
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25 maio 2008
Estou cheio de trabalho!
Henri Rousseau, O SonhoLimito-me hoje, por isso, a lembrar uma história zen de que muito gosto a quem eventualmente por aqui passe. Cá vai:
Um grande guerreiro japonês, chamado Nobunaga, decidiu atacar o inimigo, muito embora tivesse apenas um décimo das forças que o seu opositor comandava.
No caminho, parou junto a um santuário xinto e disse aos seus homens:
- Depois de visitar o santuário, lançarei ao ar uma moeda. Se sair cara, venceremos; se sair coroa, seremos derrotados. Estamos nas mãos do destino.
Nobunaga entrou no santuário e recolheu-se em silenciosa oração. Depois, saiu e lançou a moeda. Saiu cara. Os soldados ficaram tão animados para o combate que facilmente o venceram.
- Ninguém pode forçar a mão do destino – disse o lugar-tenente de Nobunaga depois da batalha.
- Realmente, ninguém pode - assentiu Nobunaga. E mostrou-lhe duas moedas coladas uma à outra e com as caras voltadas para fora.
No caminho, parou junto a um santuário xinto e disse aos seus homens:
- Depois de visitar o santuário, lançarei ao ar uma moeda. Se sair cara, venceremos; se sair coroa, seremos derrotados. Estamos nas mãos do destino.
Nobunaga entrou no santuário e recolheu-se em silenciosa oração. Depois, saiu e lançou a moeda. Saiu cara. Os soldados ficaram tão animados para o combate que facilmente o venceram.
- Ninguém pode forçar a mão do destino – disse o lugar-tenente de Nobunaga depois da batalha.
- Realmente, ninguém pode - assentiu Nobunaga. E mostrou-lhe duas moedas coladas uma à outra e com as caras voltadas para fora.
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24 maio 2008
23 maio 2008
20 maio 2008
Medicina ranhosa

Uma sobrinha minha, de 7 anos, acaba de voltar de uma consulta no hospital mais próximo, onde lhe foi diagnosticada uma gastro-enterite. A mãe decidiu levá-la à urgência, depois de, duas horas antes, no Serviço de Atendimento Complementar da área, a médica lhe haver receitado pingos... para o nariz!!!
Nota: A rapariga não manifestava qualquer anomalia no funcionamento do aparelho respiratório.
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17 maio 2008
E aqui vai mais um e-mail que recebi

Exmos. Senhores Administradores do BES.
Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal? Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma "taxa de acesso ao pão", outra "taxa por guardar pão quente" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro. Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pão. Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri. Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma "taxa de abertura de crédito"-equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pão", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma "taxa de abertura de conta". Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura de padaria", pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para gerir o "papagaio", alguns gerentes sem escrúpulos cobravam "por fora", o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de "por fora" temos muitos "por dentro". Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR "para manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa de existência da padaria na esquina da rua". A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quente".
Mas os senhores são insaciáveis. A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer. Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco. Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma.
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco.
Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados. Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.
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Apelo urgente
Uccello, S. Jorge e o DragãoLi hoje, pela primeira vez, uma prova nacional de aferição do 1º Ciclo do Ensino Básico. E só me ocorre um comentário:
Não haverá por aí um responsável político, homem ou mulher, com TOMATES suficientes para EXPULSAR a equipa de "pedagogos" que por lá andam há anos, responsáveis pelo estado inominável, tragicamente escandaloso, a que chegou o ensino no país?
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16 maio 2008
Escrito à pressa, mas com sintimento
Chirico, O ArqueólogoOs 60 anos da refundação do Estado de Israel foram comemorados há poucos dias.
Em Israel organiza-se Love Parades (blheeerrrggh!) e são permitidos casamentos homossexuais.
Ao lado, num dos países mais permissivos do Médio Oriente, o Egipto, o guarda-redes da selecção nacional de futebol está em risco de ir a tribunal, acusado de libertinagem por fazer publicidade a uma marca de vinho na sua camisola.
A esquerda-das-orelhas-de-burro reflecte ideologicamente o que critica à direita e prefere apoiar o status quo socio-teológico mais reaccionário e isolacionista do planeta, tanto mais reaccionário quanto agressivamente rancoroso. Em nome do internacionalismo e da defesa dos povos oprimidos.
A "Europa" curva-se ao peso dos tiranetes matarruanos e esclavagistas, novos-velhos-ricos subitamente enriquecidos pelo petróleo de que ela depende. E ressuscita discretamente, em anedotas murmuradas pelos cantos da boca e dos corredores, os velhos estereotipos justificativos do injustificável, para de novo justificar a sua má-consciência. Ao mesmo tempo, deixando aos Estados-Unidos a tarefa do óbvio, apresenta-se na sua propaganda, perdão!, comunicação social como "progressista e humanista"... de esquerda - aquela que já não há (se é que alguma vez a houve). E isto para aliviar um segundo lado da sua outra má-consciência ressentida: a de o que "Herói Salvador", que libertou a sua cultura (e não foi esta, no seu melhor, determinada pela cultura judaica?!) da distorção aberrante dessa mesma cultura que foi o nazismo, tenha tido que atravessar o Atlântico.
É que a Europa nunca teve a grandeza de assumir os seus erros. A mesma Europa que, no século XVIII, acobardada perante os turcos , preferia as cedências à solidariedade, deixando Viena à mercê dos invasores.
E tanto que dependemos do heroísmo da presença de Israel no seu território histórico...!
Nota: A esquerda que para aí baboseia alguma vez terá posto os olhos no livro Israel, do (anarquista) Erico Veríssimo, que eu li ainda adolescente?
15 maio 2008
Resposta ao comentário de mferrer
Caro mferrer:Não me referi até agora, neste blog, ao que é conveniente ou não na relação entre Estados, nem ao que a presença de uma comunidade portuguesa de grande dimensão num outro Estado aconselha. São questões delicadas, que não podem ser abordadas de modo simplista ou simplório, mas onde de qualquer modo, penso eu, o factor dignidade deverá ter um local insubstituível. Por outro lado, a situação da economia, todos o sabemos, exige, quando seja esse o caso, a deglutição de alguns sapos. De qualquer modo, deverá haver alguma definição e coerência de postura e acção no conjunto do que acabei de referir, sem o que a própria credibilidade externa sairá fragilizada e as posições futuras dos outros países em relação ao nosso reflectirão isso mesmo.
Mas não é disso que fala a notícia que refiro no post anterior, cuja dimensão não ultrapassaria a piscadela de olho divertida dos portugueses quanto aos vícios privados do primeiro-ministro por oposição às suas públicas virtudes, se não fosse tudo o que tem acompanhado aquilo que classifico como o descalabro governativo de que o nosso país tem sido vítima desde há três anos. Descalabro que, a meu ver, iremos pagar caríssimo nas próximas quatro ou cinco décadas (pelo menos) e que só tem sido possível precisamente porque o povo português se deixa, desde há séculos, "governar" como o "povo de escravos" a que se referia Lord Byron cerca de duzentos anos atrás. E que faz com que, para se ser português, como dizia Jorge de Sena, seja preciso, desde há cinco séculos, ser, de profissão, exilado.
Pior do que mau, porém, o actual governo é, quanto a mim, um governo de um provincianismo de vistas curtas, "bimbo e com muito gosto", prenhe da arrogância própria desse mesmo tipo de bimbalhismo, próprio não do arquitecto, mas do mestre d'obras. Ora sabe-se que "quem vive pela espada, morre pela espada" - e o escravo, se não morre, cria rancores justificáveis. E que, naturalmente, não perdoará o menor deslize a quem o violenta.
Dirá que o meu ponto de vista quanto ao governo e à sua acção é discutível. Como não me julgo iluminado por sóis de qualquer proveniência, sei que o é. Mas asseguro-lhe que, ao invés de me sentir satisfeito e impante quando o critico, me sinto antes aterrado pelas consequências da inconsciência e da vaidade com que o vejo agir, aterrado até pelas palavras com que o faço, tal o significado que elas contêm e o que implicam. Bem como pela cegueira, pela fuga para frente que observo nos militantes socialistas, a começar por aqueles, meus amigos, a quem afirmei, na altura, que a eleição de José Sócrates para secretário-geral do partido seria algo de muito grave quer para o PS quer para o país pela inconsistência, pela impreparação... e pela má-educação disfarçada de determinação imatura. E a prova de que não sou nenhum iluminado está exactamente em que tudo é hoje pior, mas muito pior do que alguma vez previ que poderia vir a ser.
Lamento se não correspondo ao tipo de imagem que me parece ter de mim, assim de alguém que se compraz a olhar de cima, criticando com leveza displicente o esforço e os erros alheios. Só desta maneira compreendo o tipo de comentário que fez. Mas, garanto-lhe, é apenas o desgosto, quando não o nojo e a vergonha, o que me move quando me refiro a coisas deste tipo. E o vazio, o terrível e monstruoso vazio que alastra viscosamente por dentro de tudo e todos em Portugal.
Seu
Joaquim Simões
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13 maio 2008
10 maio 2008
Mais um e-mail

Discurso (censurado) do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA
Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação, CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque :
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília,Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãosm de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as criança pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"
ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO. AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO porque é muito importante... e porque foi CENSURADO!
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Brasil
05 maio 2008
A pérola no bolo

No dia em que este blog faz um ano, a RTP1 encarregou o repórter de serviço na cobertura em directo ao incêndio desta manhã na reitoria da Universidade do Porto de me oferecer uma prenda. Repórter a quem envio daqui os maiores parabéns pelo profissionalismo com que cumpriu a tarefa de que o incumbiram.
É que foi algo inesquecível e comovente ouvi-lo perguntar ao reitor, com a maior seriedade: "Ficou contente por o fogo não ter atingido as dependências que continham os documentos mais importantes?"...
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01 maio 2008
29 abril 2008
Vale a pena...

... ouver até ao fim (via Range-o-Dente no fiel-inimigo.blogspot)! Fiquei a roer-me todo para fazer um comentário, mas isso exigiria um tratamento tão de fundo que se me torna impossível, de momento. Talvez durante as férias.
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Otelo Saraiva de Carvalho,
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28 abril 2008
Obras

Marco António Costa, dirigente da distrital do Porto do PSD, sobre quem não faço quaisquer considerações, já que não conheço dele mais do que as suas recentes palavras na televisão a propósito das candidaturas que têm surgido dentro do seu partido, afirmava há pouco a Mário Crespo que o "choque tecnológico" a que se tem assistido no Norte do país é o da "importação" de médicos espanhóis para os hospitais e a "exportação" de pedreiros para Espanha.
Sabe, Marco, solidariedade foi sempre emblema para pedreiros...E mestres dóbras.
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27 abril 2008
Emenda ao post anterior

Ouvindo agora com mais atenção a notícia, verifico que no Rio, afinal, morreram 96 pessoas. O número 200, bem como os 100.000 eram relativos a todo o Brasil, e desde há quatro meses. Por isso, terei que emendar os cálculos.
Assim, a percentagem dos cariocas infectados passa para metade, isto é, para 0,001% (uma milésima percentual). Por outro lado, se os cariocas são dez milhões, os brasileiros, no seu total, são mais de cento e oitenta milhões, o que faz com que, dividindo os 0,002% por 18, dê... aeeeuh!... bem, é só fazer as contas, mas deve rondar os 0,0001% (uma décima milésima percentual). As percentagens apontadas para a soma de mortos ao fim de dez anos deverão ser alteradas na mesma proporção.
Já agora, para quem não saiba ou não tenha presente: o país dos nossos irmãos tem uma área 92 vezes superior à de Portugal, ou seja, o equivalente à quase totalidade da Europa, Rússia ocidental incluída - a qual, por sua vez, ocupa um espaço quase igual à soma de todos os outros países (os que fazem e os que não fazem parte da UE). Relacionando estes números com os anteriores...
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26 abril 2008
O nível da comunicação social

O dengue é uma doença perigosa.
No Rio de Janeiro vivem 10.000.000 de pessoas.
No Rio de Janeiro houve, até agora, 100.000 casos diagnosticados.
Morreram 200 pessoas.
Fazendo as contas:
Em cada 100 cariocas, houve 1 desgraçado que teve que ir para o hospital por ter sido picado por um mosquito.
De cada 500 hospitalizados, 499 voltaram para casa refeitos e 1, bem... morreu mais cedo do que se preveria.
De outra maneira:
99% da população do Rio anda na boa. Melhor dizendo, 99,998%, uma vez que 99.800 dos 100.000 já recuperaram. Neste mês, morreu 0,002% (duas milésimas percentuais) de quem lá vive, devido ao dengue. A este ritmo, isto é, se o número de mosquitos e de habitantes se mantivessem, bem como o número e tipo de cuidados de saúde presentemente existentes, ao fim de 10 anos teriam morrido o,3% (arredondamento por excesso) dos cariocas.
Os níveis necessários para que o ser humano entre em pânico são praticamente insignificantes, dizem os psicólogos. A comunicação social reflecte-o e aproveita-o. Cumpre assim uma função inversa do que deveria ser a sua.
O que é caso para entrar em pânico.
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25 abril 2008
Da imbecilidade e do oportunismo políticos...

... levados ao grotesco:
O distinto militante do Partido Socialista, sr. dr. Francisco Assis, acaba de afirmar, na RTPN, que o culpado da queda do ex-ministro da Saúde Correia de Campos foi... Manuel Alegre!!!
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