30 janeiro 2009

A saúde de Freitas do Amaral


Diogo Freitas do Amaral deu uma oportuna entrevista à jornalista Ana Lourenço, na SICNotícias, durante a qual, depois de ter analisado (e bem) a especulação jornalística em volta do envolvimento do primeiro-ministro no caso Freeport, fez os maiores elogios a José Sócrates e referiu a excelência da sua equipa.
Pelo meio, disse também que a operação o havia curado do problema de coluna. Mas isso não se notou nada.

25 janeiro 2009

Sinais


O sr. primeiro-ministro não escondeu o seu desagrado pelo facto de pessoas que são contrárias a acordos com o CDS terem votado a favor da proposta desse partido, no sentido da suspensão da avaliação dos professores.
Os deputados que se manifestaram a favor de tal proposta, militantes de raiz do PS e convictamente socialistas, tê-lo-ão feito por considerarem ser o interesse de Portugal superior aos interesses deste governo. Votaram na condição de patriotas e não de militantes. Votaram, talvez, também por oposição a um processo de instalação de grupos de diferentes e variadas afinidades que transformarão cada vez mais a liberdade e a democracia numa saudade de tempos idos.
Sócrates divide cada vez mais o país, no sentido de reforçar o seu poder. Nisso, é semelhante a Salazar. Tal como para o ditador, ele é Portugal. Tal como o homem de Santa Comba modificou as palavras de Cristo, dizendo-se cristão, ao mudar "quem não é contra nós, é por nós" para "quem não é por nós, é contra nós", também Sócrates, afirmando-se democrata, inverte o sentido da liberdade política. Tal como Salazar, ele marca um perigoso e aviltante período de decadência.

24 janeiro 2009

Chamo a vossa atenção...


... para dois posts no Fundação Velocipédica: este e este.
Parabéns ao Nicolau Saião e ao Almeida e Sousa!
Volto amanhã, domingo.

19 janeiro 2009

Elementar, meu caro Valter!

Os sindicatos afirmam que a percentagem dos professores em greve é, tal como na anterior greve, de mais de 90%. O ministério, através do sr. dr. Valter Lemos, diz que essa percentagem, de facto, não se alterou em relação à greve de 3 de Dezembro, mas que é de 67%.
Ora, segundo a matemática mais elementar, com a qual certamente a veneranda equipa ministerial estará habilitada, a percentagem de 67% corresponde a dois terços dos professores. Se estes números correspondessem a uma vitória eleitoral (do PS), considerá-los-iam, com razão, como confirmadores de uma "vitória esmagadora". Neste contexto, significam que são "apenas" 67% e não os mais de 90% dos sindicatos.
Não será tudo isto, afinal, apenas decorrente do cariz esmagador de um poder que não demonstra as mais elementares honestidade e competência políticas?

18 janeiro 2009

À atenção de José Sócrates e de Cavaco Silva


Segundo o semanário SOL e de acordo com o que o ouvimos dizer na televisão:
«Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pôde voltar à vida que tinha antes de 11 de Setembro, mas eu nunca pude» , afirmou o presidente. «Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo».
Bush citou medidas na área de segurança que adoptou nos dois mandatos como presidente, como a criação do Departamento de Segurança Interna, a introdução de «novas ferramentas» para vigiar «terroristas», e as invasões do Afeganistão e do Iraque.
Segundo Bush, «pode haver um debate legítimo sobre muitas destas decisões, mas não sobre os resultados».
«Passaram mais de sete anos sem outro ataque terrorista no nosso solo» .
«O Afeganistão passou de uma nação onde os Talibãs abrigavam a (rede extremista) Al-Qaeda e apedrejavam mulheres nas ruas para uma jovem democracia que combate o terror e encoraja as jovens mulheres a irem à escola» .
«O Iraque foi de uma ditadura brutal e inimigo declarado dos Estados Unidos para uma democracia árabe no coração do Médio Oriente e um amigo dos Estados Unidos» .
Mas Bush advertiu que a ameaça de ataque aos americanos persiste: «Precisamos de manter a nossa determinação. E nunca podemos baixar a guarda».
O presidente afirmou que, assim como predecessores, enfrentou ‘revezes’, e que «há coisas que fazia de forma diferente se tivesse oportunidade». Mas que sempre agiu «tendo em mente o interesse do país».
«Segui a minha consciência e fiz o que achei ser o correcto» , afirmou.

17 janeiro 2009

16 janeiro 2009

Esta pausa forçada...


... deve-se a excesso de trabalho. Espero voltar, já com tudo em dia, a partir deste fim-de-semana.
Até já.

10 janeiro 2009

08 janeiro 2009

07 janeiro 2009

Ah, homem duma cana!

Larry Flint com Woody Harrelson, que o protagonizou no filme de Milos Forman

Sempre corrosivo! Sempre a bombar!

05 janeiro 2009

O "mundo" (desabafo)


"A ofensiva terrestre de Israel na Faixa de Gaza provocou, este domingo, reacções de preocupação e apelos ao cessar-fogo oriundos de todo o mundo, a par de manifestações populares em vários países", dizia a TSF e reproduzia o SAPO instantes atrás.
O "mundo" terá estado a dormir desde 19 de Dezembro até agora?! É que o Hamas começou a bombardear Israel desde essa data, recusando o prolongamento do cessar-fogo e pelo menos 70 rockets (foi o que os órgãos de comunicação disseram, na altura) foram atirados sobre israelitas (civis), antes deles perderem a paciência. Nessa altura, porém, o "mundo" nem se preocupou nem se manifestou...! Mas preocupa-se agora, raramente referindo que o Hamas, movimento golpista que oprime outros palestinianos, se escuda com estes, fundindo instalações militares e civis de tal maneira que é impossível a qualquer exército proceder a uma operação sem fazer um grande número de vítimas entre a população!
O Hamas desce abaixo do que desceram os nazis e os seus dirigentes deveriam ser julgados por crimes contra a humanidade. Está na hora do sr. Garzón provar que não é zarolho y que los tiene en su sitio. Ou sê-lo-á, de facto? A pergunta é retórica (alguém tem dúvidas)?
Para a extrema-direita e para o Islão matarruano (porque há outro Islão!), se os "judeus" não ripostam, prova-se a teoria de que são uma "raça" decadente, degenerescente, que contamina quem com eles fornique, coabite ou conviva e cujas características maiores são a cobardia e a hipocrisia; ; se ripostam, é porque não passam de um bando de malfeitores e assassinos que há que eliminar. Para a esquerda continuam a ser isso tudo, coisa que o capitalismo também é, enquanto invenção judaica. Quanto a Marx não era judeu, apenas internacionalista.
Mas que raio de "mundo" este! E não só o da TSF...

23 dezembro 2008

Leibniz na Assembleia da República


Leibniz, o filósofo e matemático, pretendia que o nosso mundo seria o melhor dos mundos. De facto, sendo Deus, por definição, o ente sumamente bom, o mundo só poderia ter sido criado segundo os princípios de uma harmonia pré-estabelecida, onde o que é mau resultaria das limitações parciais inerentes ao ser das criaturas. Deus teria escolhido, assim, o mundo à medida da mais perfeita entre as diferentes combinações possíveis, o que não invalida, porém, que, na medida em que conferiu a possibilidade de aperfeiçoamento moral aos seres vivos, estes não o melhorem ainda mais (não é assim tão simples, mas quem quiser saber um pouco mais comece por aqui).
O que se passou há dias na Assembleia da República perante os olhos e os ouvidos daqueles que estão verdadeiramente atentos e vigilantes, constitui a prova da sua sagacidade e da justeza dos seus argumentos. A falta de comparência dos deputados, tanto os do PS como os da Oposição, à votação da proposta do CDS sobre a avaliação dos docentes constitui um dos melhores exemplos da presença desse pré-estabelecimento harmónico entre as diferentes perspectivas e interesses. Senão vejamos.
- O PS pôde manter a ilusão de que existe e que, para já, a imagem reformadora lhe continua a servir tão bem para o efeito como as aparições pré-senis de Mário Soares, também ele convencido de que ainda existe;
- Manuel Alegre, pôde fazer ouvir de novo a sua voz;
- A dra. Manuela Ferreira Leite teve ensejo de manifestar, ao nível do partido a que preside, a autoridade disciplinadora de uma verdadeira dirigente e, perante o país, a firmeza característica de uma efectiva candidata a primeira-ministra;
- A oposição interna no PSD voltou a lembrar à sua presidente e aos portugueses que o PPD se mantém presente, a par das restantes siglas já existentes, conhecidas e desconhecidas, e ainda de todas as outras, imagináveis e inimagináveis;
- Zita Seabra tornou a afirmar-se como a noiva adiada de Manuel Alegre (Helena Roseta não é ciumenta);
- O PCP mostrou que, por agora, continua a fazer concorrência a Manoel de Oliveira;
- O PEV garantiu que é um partido se não integral, ao menos integrado;
- O BE ganhou ainda maior motivação para continuar na procura do bar do Bairro Alto onde poderá comemorar a inevitável vitória do novo ser humano, socialista, que representa com base no imparável crescimento do urban matarruanism;
- O CDS, pelo seu lado, enquanto autor da proposta, ganhou duplamente: ensaiou uma oposição interna sem necessidade de lhe juntar queijo; continuou a pôr a claro que têm, todos eles, medo de PP, perdão!, do PP. E conseguiu tudo isto sem que ninguém estranhasse publicamente que, num partido com tão poucos representantes do povo, tivessem faltado três. Nem de o seu presidente, sempre tão sonoramente moralizador da vida em geral, não haver tomado medidas ou sequer feito comentários que se ouvissem.
- Os sindicatos suspiraram de alívio por não irem para o desemprego;
- O País pôde voltar a falar da pouca-vergonha que vai por aquelas bandas, com cada cidadão a sentir-se, por esse facto, moralmente engrandecido e superior a este mundo;
- Almeida Santos, verdadeiro espelho de Soares, fez também uma aparição, relembrando as condições de miséria em que trabalham os servidores faltosos da Nação, e apelando a uma campanha humanitária em seu auxílio, ao menos no plano do horário laboral.
E José Sócrates?
Esse continua a poder utilizar um grupo profissional cujas características, politicamente falando, constituem um enorme potencial, ao mesmo tempo que incapazes de beliscar directamente o seu poder. É que mexer muito no aparelho judicial, poderá revelar-se pouco prudente, pela possibilidade de vir a provocar… desequilíbrios. No que respeita ao sistema de saúde… sabe-se que com ela não se consegue brincar durante muito tempo sem que venham a verificar-se fortes reacções generalizadas de rejeição. Mas quanto à educação…
Com efeito, avaliações dos alunos poderão ser adiadas, mas, obviamente, estarão garantidas. A indigência mental de que as crianças derem mostras só dificilmente poderá pôr em risco os lugares dos pedagogos do Ministério da Educação, já que o português médio, e até o superior, se limita a querer saber se o curso do rebento tem saída, o resto é entre ele e os professores. Para além disto o que há a salientar são as prerrogativas destes, sobretudo as férias, que fazem babar-se de inveja e ressentimento aqueles que não escolheram o ensino como ganha-pão.
Jogando com estes factores e com as traumatizantes recordações daquele ou daqueles docentes que hajam injustiçado na infância ou na adolescência (por pura embirração pessoal!) a esmagadora maioria dos pobres progenitores lusos, aí temos o sector em que o fogo das reformas se pode perpetuar, dividindo acaloradamente os descendentes do Gama e de Cabral e mantendo a necessidade da presença de alguém “que tenha mão nisto”. O que se revela precioso e totalmente inócuo para o primeiro-ministro, que prazenteira e argutamente, apontou ao país a ministra da Educação como o “rosto deste Governo”. Coisa em que a pobre coitada parece que até acreditou - as mulheres, quando lhes dão o papel de heroínas perdem o discernimento e vão na cantiga de qualquer marmanjo.
Pelo que também ela ganhou, vendo-se como a única anarquista de sucesso desde Jesus Cristo, com lugar assegurado na História. De facto, embora na realidade desamparada, Maria de Lurdes Rodrigues, encontra-se firme na convicção daquilo que considera ser o seu superior discernimento, originado em meio da visão meditativa que lhe proporcionaram as inesquecíveis horas (segundo as suas próprias declarações) passadas a colocar as cintas de expedição postal do jornal anarco-sindicalista A Batalha.
Incauta, porém atenta aos superiores interesses da nação, tem vindo gradualmente a flexibilizar e a facilitar a imposição de uma avaliação e de um estatuto da carreira docente inexistentes, que só os imbecis de serviço da comunicação social, como o caça-fantasmas Miguel Sousa Tavares, conseguem ver. Através de medidas avulsas e desconchavadas, mas de seguro efeito mediático, procura apresentar-se como conciliadora e facilitadora de um processo que em si mesmo, repita-se, não existe (o que é consabidamente típico dos místicos formados na esquerda). Medidas que, ao privilegiarem ilegitimamente os professores em relação ao resto dos seus concidadãos, em especial aos que integram a administração pública, vão permitindo divisões entre os primeiros (que a vida está muito cara e a honra também) e acirrando os ânimos entre os segundos contra este grupo de palradores manifestantes, inamovíveis na manutenção das suas mordomias. E em consequência das quais, vai protegendo em simultâneo os interesses do seu tão alto e garboso admirador, empenhado na realização da Obra. Sócrates, no meio da crise internacional, é hoje de facto sustentado politicamente pela sua ministra, que por ele vai dando o corpo ao manifesto dos ovos do futuro que nos espera.
Então? A falta dos deputados é ou não a pura manifestação da harmonia pré-estabelecida e da justeza da intuição do sistema leibniziano, ao permitir a todos poderem manter-se na sua missão de sustentar Portugal?
Então? Houve ou não houve, há ou não há, haverá ou não harmonia no mundo?!

21 dezembro 2008

Mas o que é que há nisto...


... que seja espantoso ou imprevisível? Pelos vistos, há gente a quem a lucidez chega tarde. Ou a vergonha. Ou gente a quem frustraram as expectativas? Ou...

17 dezembro 2008

Da genialidade na intuição política


Zita Seabra justificou a sua falta à votação da proposta do CDS-PP sobre a suspensão da avaliação dos professores, dizendo que é "contra a suspensão do processo de avaliação dos professores porque de cada vez que em política se pára para pensar suspendem-se as coisas durante anos".
Odete Santos deve estar a roer-se de inveja. Nem ela conseguiu alguma vez chegar tão longe...!

13 dezembro 2008

O subliminar


O Governo alterou o Orçamento pouco tempo depois de o haver aprovado e adoptou, em parte ou mesmo totalmente, medidas propostas pela Oposição, da esquerda à direita, em especial as do CDS. Sem, no entanto, jamais referir a sua proveniência.
A cada dia que passa, o Governo perde mais e mais a face, enterrando-se num autoritarismo enraizado na incompetência que, insegura, procura proteger-se a todo o custo. E o estranho braço-de-ferro que "a ministra" mantém com os professores, ajudando a manter as divisões entre os portugueses (tanto mais facilitadas quanto não houve ainda a preocupação de elucidar o país sobre aquilo em que, de facto, consiste essa avaliação), constitui uma forma subtil de reforçar o sentimento da falta de uma autoridade que, na ausência de uma oposição credível, apenas José Sócrates tem possibilidade de assegurar.
Portugal apresta-se (aprestam-no) para descer ainda um pouco mais fundo.

Razão do meu silêncio?



Além das trapalhadas do costume, estive internado dois dias para exames de rotina. Retomarei a postagem neste fim-de-semana.
Até já.

07 dezembro 2008

Do vegetarianismo democrático


Esta equipa de ministerial educação lembra-me aquela velha história de um democratíssimo senhor vegetariano, arreigado opositor do Estado Novo, que compreendia e admitia perfeitamente que a sua mulher e os seus filhos gostassem da comida de que ele não gostava... desde que fossem vegetarianos. E que, como razão para tal empenho e firmeza, argumentava com a posição que a lei do antigo regime lhe conferia para cuidar da saúde da família, tarefa para a qual estaria habilitado pela leitura de uns quantos artigos da revista A Verdadeira Ciência Alimentar. Além disso, apesar de tudo, ficava mais barato comer umas couvitas do que bifes....