01 março 2009

Um partido português...


... é o título do texto de Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO de hoje, e que termina assim:
"(...) Tirando a dra. Manuela Ferreira Leite e uns milhares de ingénuos de província, o PSD não quer ganhar a eleição de Outubro. Meia dúzia de notáveis, a começar por Passos Coelho, querem suceder a Manuela. Dezenas de caciques querem as câmaras. Marcelo quer (presumivelmente) a presidência. E muita gente (mais do que se julga) quer a desforra. E, para chegar a esses nobres fins, quem se importa de abrir a porta ao PS de Sócrates? Quanto ao país, ele que se arranje como puder. E se puder."

28 fevereiro 2009

A cauda da Europa (oh! ta grosse queue!)

Gustave Courbet, A Origem do Mundo
Quando, poucos anos atrás, uma exposição dos mestres da pintura portuguesa do século XIX, realizada em Paris por iniciativa do nosso Ministério da Cultura, foi considerada pela crítica francesa como um conjunto de obras que se limitavam a exprimir uma concepção de arte na época já há muito ultrapassada, os patrioteiros do costume mostraram-se emproadamente indignados com mais uma afronta à dignidade nacional.
A indignação, porém, não pode esconder aquilo que alguém minimamente conhecedor de arte sabe: que a crítica francesa tinha toda a razão e que apenas a inexistência de educação e de perspectiva estéticas elementares pode engrandecer aquilo que é, de facto, confrangedoramente provinciano e, para o tempo, tristonhamente convencional. Foi esta, aliás, a estreiteza de vistas com a qual, pouco tempo depois, se deparou Amadeo de Souza-Cardoso e com que se depararam Pessoa, Almada, Sá-Carneiro e todos os outros. No Portugal onde ainda agora se passou isto, a propósito do quadro de Courbet, pintor francês contemporâneo de Columbano e Malhoa, que ilustra este desabafo.
O episódio é mais do que ridículo ou lamentável. Porque é a confirmação (mais uma) de que o país não muda na sua essência, que continua viscosamente hipócrita, manhosamente mesquinho, submerso na pequenez que o mantém num limbo infernal e, pior do que isso, incapaz de se ver ao espelho sem querer tirar de imediato um qualquer proveito que compense, ao seu olhar, desorientado e incerto, a cobardia que o tolhe.
Algo que o faça ganhar moralmente. E, se possível (sempre!), uns tostõezitos. Que isto vai para aí uma crise...!

27 fevereiro 2009

Novas Oportunidades


Na página 31 do jornal Ocasião de hoje, na secção Outros Serviços, pode-se ler o seguinte anúncio:
"Rapaz que sofra de flatulência, gases, para festa privada. Dá-se alojamento. Lisboa". Segue-se o número de telefone de contacto.
Com tal exemplo de busca de optimização da rentabilidade dos recursos, como se poderá duvidar do futuro do nosso querido torrão de terra?!

20 fevereiro 2009

Nenhum honrado ditador...


... seria tão desprezível ao ponto de dar uma desculpa destas.

15 fevereiro 2009

Pin'ups com Doutoramento


A partir de uma conversa com o Professor Doutor Nuno Nabais, do Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa, promotor-empresário de cafés-livrarias com tertúlias, conversador regular do Rádio Clube Português e possivel protagonista de outras meritórias actividades in, Ana Sousa Dias escreve, a páginas 45 da revista PÚBLICA de hoje, que o mesmo afirma saber "demasiadas coisas sobre as mulheres porque, além de ter a sorte de conhecer mulheres monumentais e curiosas, estudei muito Filosofia e li muito sobre a questão da condição humana e do feminino. Aquilo que estudei (...) está sempre a viciar a minha relação com o mundo e, neste caso, com as mulheres", acrescentando ainda, entre muitas outras coisas, que não consegue "namorar com uma pessoa que não seja de Filosofia, por mais bonita que seja".
Apesar de estarmos ainda em Fevereiro, este blog decidiu atribuir desde já ao Professor o prémio "Pin'up loira 2009".

10 fevereiro 2009

Onde as coisas já vão!

Mário Botas, A morte de um cão

Nem o sr. general consegue disfarçar o vómito.

07 fevereiro 2009

Se alguém tinha dúvidas...


Francisco Louçã afirma, em entrevista ao PÚBLICO, que a disputa do BE é com os 45% do PS.
O negócio é mesmo números...
Tenho andado longe daqui, deste cantinho, quero dizer. Espero voltar a uma maior regularidade dentro de três semanas. O meu obrigado aos que ainda teimam em vir aqui de vez em quando.

30 janeiro 2009

A saúde de Freitas do Amaral


Diogo Freitas do Amaral deu uma oportuna entrevista à jornalista Ana Lourenço, na SICNotícias, durante a qual, depois de ter analisado (e bem) a especulação jornalística em volta do envolvimento do primeiro-ministro no caso Freeport, fez os maiores elogios a José Sócrates e referiu a excelência da sua equipa.
Pelo meio, disse também que a operação o havia curado do problema de coluna. Mas isso não se notou nada.

25 janeiro 2009

Sinais


O sr. primeiro-ministro não escondeu o seu desagrado pelo facto de pessoas que são contrárias a acordos com o CDS terem votado a favor da proposta desse partido, no sentido da suspensão da avaliação dos professores.
Os deputados que se manifestaram a favor de tal proposta, militantes de raiz do PS e convictamente socialistas, tê-lo-ão feito por considerarem ser o interesse de Portugal superior aos interesses deste governo. Votaram na condição de patriotas e não de militantes. Votaram, talvez, também por oposição a um processo de instalação de grupos de diferentes e variadas afinidades que transformarão cada vez mais a liberdade e a democracia numa saudade de tempos idos.
Sócrates divide cada vez mais o país, no sentido de reforçar o seu poder. Nisso, é semelhante a Salazar. Tal como para o ditador, ele é Portugal. Tal como o homem de Santa Comba modificou as palavras de Cristo, dizendo-se cristão, ao mudar "quem não é contra nós, é por nós" para "quem não é por nós, é contra nós", também Sócrates, afirmando-se democrata, inverte o sentido da liberdade política. Tal como Salazar, ele marca um perigoso e aviltante período de decadência.

24 janeiro 2009

Chamo a vossa atenção...


... para dois posts no Fundação Velocipédica: este e este.
Parabéns ao Nicolau Saião e ao Almeida e Sousa!
Volto amanhã, domingo.

19 janeiro 2009

Elementar, meu caro Valter!

Os sindicatos afirmam que a percentagem dos professores em greve é, tal como na anterior greve, de mais de 90%. O ministério, através do sr. dr. Valter Lemos, diz que essa percentagem, de facto, não se alterou em relação à greve de 3 de Dezembro, mas que é de 67%.
Ora, segundo a matemática mais elementar, com a qual certamente a veneranda equipa ministerial estará habilitada, a percentagem de 67% corresponde a dois terços dos professores. Se estes números correspondessem a uma vitória eleitoral (do PS), considerá-los-iam, com razão, como confirmadores de uma "vitória esmagadora". Neste contexto, significam que são "apenas" 67% e não os mais de 90% dos sindicatos.
Não será tudo isto, afinal, apenas decorrente do cariz esmagador de um poder que não demonstra as mais elementares honestidade e competência políticas?

18 janeiro 2009

À atenção de José Sócrates e de Cavaco Silva


Segundo o semanário SOL e de acordo com o que o ouvimos dizer na televisão:
«Com o passar dos anos, a maioria dos americanos pôde voltar à vida que tinha antes de 11 de Setembro, mas eu nunca pude» , afirmou o presidente. «Todas as manhãs eu recebia um resumo das ameaças à nossa nação. Eu prometi fazer tudo ao meu alcance para nos manter a salvo».
Bush citou medidas na área de segurança que adoptou nos dois mandatos como presidente, como a criação do Departamento de Segurança Interna, a introdução de «novas ferramentas» para vigiar «terroristas», e as invasões do Afeganistão e do Iraque.
Segundo Bush, «pode haver um debate legítimo sobre muitas destas decisões, mas não sobre os resultados».
«Passaram mais de sete anos sem outro ataque terrorista no nosso solo» .
«O Afeganistão passou de uma nação onde os Talibãs abrigavam a (rede extremista) Al-Qaeda e apedrejavam mulheres nas ruas para uma jovem democracia que combate o terror e encoraja as jovens mulheres a irem à escola» .
«O Iraque foi de uma ditadura brutal e inimigo declarado dos Estados Unidos para uma democracia árabe no coração do Médio Oriente e um amigo dos Estados Unidos» .
Mas Bush advertiu que a ameaça de ataque aos americanos persiste: «Precisamos de manter a nossa determinação. E nunca podemos baixar a guarda».
O presidente afirmou que, assim como predecessores, enfrentou ‘revezes’, e que «há coisas que fazia de forma diferente se tivesse oportunidade». Mas que sempre agiu «tendo em mente o interesse do país».
«Segui a minha consciência e fiz o que achei ser o correcto» , afirmou.

17 janeiro 2009

16 janeiro 2009

Esta pausa forçada...


... deve-se a excesso de trabalho. Espero voltar, já com tudo em dia, a partir deste fim-de-semana.
Até já.

10 janeiro 2009

08 janeiro 2009

07 janeiro 2009

Ah, homem duma cana!

Larry Flint com Woody Harrelson, que o protagonizou no filme de Milos Forman

Sempre corrosivo! Sempre a bombar!

05 janeiro 2009

O "mundo" (desabafo)


"A ofensiva terrestre de Israel na Faixa de Gaza provocou, este domingo, reacções de preocupação e apelos ao cessar-fogo oriundos de todo o mundo, a par de manifestações populares em vários países", dizia a TSF e reproduzia o SAPO instantes atrás.
O "mundo" terá estado a dormir desde 19 de Dezembro até agora?! É que o Hamas começou a bombardear Israel desde essa data, recusando o prolongamento do cessar-fogo e pelo menos 70 rockets (foi o que os órgãos de comunicação disseram, na altura) foram atirados sobre israelitas (civis), antes deles perderem a paciência. Nessa altura, porém, o "mundo" nem se preocupou nem se manifestou...! Mas preocupa-se agora, raramente referindo que o Hamas, movimento golpista que oprime outros palestinianos, se escuda com estes, fundindo instalações militares e civis de tal maneira que é impossível a qualquer exército proceder a uma operação sem fazer um grande número de vítimas entre a população!
O Hamas desce abaixo do que desceram os nazis e os seus dirigentes deveriam ser julgados por crimes contra a humanidade. Está na hora do sr. Garzón provar que não é zarolho y que los tiene en su sitio. Ou sê-lo-á, de facto? A pergunta é retórica (alguém tem dúvidas)?
Para a extrema-direita e para o Islão matarruano (porque há outro Islão!), se os "judeus" não ripostam, prova-se a teoria de que são uma "raça" decadente, degenerescente, que contamina quem com eles fornique, coabite ou conviva e cujas características maiores são a cobardia e a hipocrisia; ; se ripostam, é porque não passam de um bando de malfeitores e assassinos que há que eliminar. Para a esquerda continuam a ser isso tudo, coisa que o capitalismo também é, enquanto invenção judaica. Quanto a Marx não era judeu, apenas internacionalista.
Mas que raio de "mundo" este! E não só o da TSF...

23 dezembro 2008

Leibniz na Assembleia da República


Leibniz, o filósofo e matemático, pretendia que o nosso mundo seria o melhor dos mundos. De facto, sendo Deus, por definição, o ente sumamente bom, o mundo só poderia ter sido criado segundo os princípios de uma harmonia pré-estabelecida, onde o que é mau resultaria das limitações parciais inerentes ao ser das criaturas. Deus teria escolhido, assim, o mundo à medida da mais perfeita entre as diferentes combinações possíveis, o que não invalida, porém, que, na medida em que conferiu a possibilidade de aperfeiçoamento moral aos seres vivos, estes não o melhorem ainda mais (não é assim tão simples, mas quem quiser saber um pouco mais comece por aqui).
O que se passou há dias na Assembleia da República perante os olhos e os ouvidos daqueles que estão verdadeiramente atentos e vigilantes, constitui a prova da sua sagacidade e da justeza dos seus argumentos. A falta de comparência dos deputados, tanto os do PS como os da Oposição, à votação da proposta do CDS sobre a avaliação dos docentes constitui um dos melhores exemplos da presença desse pré-estabelecimento harmónico entre as diferentes perspectivas e interesses. Senão vejamos.
- O PS pôde manter a ilusão de que existe e que, para já, a imagem reformadora lhe continua a servir tão bem para o efeito como as aparições pré-senis de Mário Soares, também ele convencido de que ainda existe;
- Manuel Alegre, pôde fazer ouvir de novo a sua voz;
- A dra. Manuela Ferreira Leite teve ensejo de manifestar, ao nível do partido a que preside, a autoridade disciplinadora de uma verdadeira dirigente e, perante o país, a firmeza característica de uma efectiva candidata a primeira-ministra;
- A oposição interna no PSD voltou a lembrar à sua presidente e aos portugueses que o PPD se mantém presente, a par das restantes siglas já existentes, conhecidas e desconhecidas, e ainda de todas as outras, imagináveis e inimagináveis;
- Zita Seabra tornou a afirmar-se como a noiva adiada de Manuel Alegre (Helena Roseta não é ciumenta);
- O PCP mostrou que, por agora, continua a fazer concorrência a Manoel de Oliveira;
- O PEV garantiu que é um partido se não integral, ao menos integrado;
- O BE ganhou ainda maior motivação para continuar na procura do bar do Bairro Alto onde poderá comemorar a inevitável vitória do novo ser humano, socialista, que representa com base no imparável crescimento do urban matarruanism;
- O CDS, pelo seu lado, enquanto autor da proposta, ganhou duplamente: ensaiou uma oposição interna sem necessidade de lhe juntar queijo; continuou a pôr a claro que têm, todos eles, medo de PP, perdão!, do PP. E conseguiu tudo isto sem que ninguém estranhasse publicamente que, num partido com tão poucos representantes do povo, tivessem faltado três. Nem de o seu presidente, sempre tão sonoramente moralizador da vida em geral, não haver tomado medidas ou sequer feito comentários que se ouvissem.
- Os sindicatos suspiraram de alívio por não irem para o desemprego;
- O País pôde voltar a falar da pouca-vergonha que vai por aquelas bandas, com cada cidadão a sentir-se, por esse facto, moralmente engrandecido e superior a este mundo;
- Almeida Santos, verdadeiro espelho de Soares, fez também uma aparição, relembrando as condições de miséria em que trabalham os servidores faltosos da Nação, e apelando a uma campanha humanitária em seu auxílio, ao menos no plano do horário laboral.
E José Sócrates?
Esse continua a poder utilizar um grupo profissional cujas características, politicamente falando, constituem um enorme potencial, ao mesmo tempo que incapazes de beliscar directamente o seu poder. É que mexer muito no aparelho judicial, poderá revelar-se pouco prudente, pela possibilidade de vir a provocar… desequilíbrios. No que respeita ao sistema de saúde… sabe-se que com ela não se consegue brincar durante muito tempo sem que venham a verificar-se fortes reacções generalizadas de rejeição. Mas quanto à educação…
Com efeito, avaliações dos alunos poderão ser adiadas, mas, obviamente, estarão garantidas. A indigência mental de que as crianças derem mostras só dificilmente poderá pôr em risco os lugares dos pedagogos do Ministério da Educação, já que o português médio, e até o superior, se limita a querer saber se o curso do rebento tem saída, o resto é entre ele e os professores. Para além disto o que há a salientar são as prerrogativas destes, sobretudo as férias, que fazem babar-se de inveja e ressentimento aqueles que não escolheram o ensino como ganha-pão.
Jogando com estes factores e com as traumatizantes recordações daquele ou daqueles docentes que hajam injustiçado na infância ou na adolescência (por pura embirração pessoal!) a esmagadora maioria dos pobres progenitores lusos, aí temos o sector em que o fogo das reformas se pode perpetuar, dividindo acaloradamente os descendentes do Gama e de Cabral e mantendo a necessidade da presença de alguém “que tenha mão nisto”. O que se revela precioso e totalmente inócuo para o primeiro-ministro, que prazenteira e argutamente, apontou ao país a ministra da Educação como o “rosto deste Governo”. Coisa em que a pobre coitada parece que até acreditou - as mulheres, quando lhes dão o papel de heroínas perdem o discernimento e vão na cantiga de qualquer marmanjo.
Pelo que também ela ganhou, vendo-se como a única anarquista de sucesso desde Jesus Cristo, com lugar assegurado na História. De facto, embora na realidade desamparada, Maria de Lurdes Rodrigues, encontra-se firme na convicção daquilo que considera ser o seu superior discernimento, originado em meio da visão meditativa que lhe proporcionaram as inesquecíveis horas (segundo as suas próprias declarações) passadas a colocar as cintas de expedição postal do jornal anarco-sindicalista A Batalha.
Incauta, porém atenta aos superiores interesses da nação, tem vindo gradualmente a flexibilizar e a facilitar a imposição de uma avaliação e de um estatuto da carreira docente inexistentes, que só os imbecis de serviço da comunicação social, como o caça-fantasmas Miguel Sousa Tavares, conseguem ver. Através de medidas avulsas e desconchavadas, mas de seguro efeito mediático, procura apresentar-se como conciliadora e facilitadora de um processo que em si mesmo, repita-se, não existe (o que é consabidamente típico dos místicos formados na esquerda). Medidas que, ao privilegiarem ilegitimamente os professores em relação ao resto dos seus concidadãos, em especial aos que integram a administração pública, vão permitindo divisões entre os primeiros (que a vida está muito cara e a honra também) e acirrando os ânimos entre os segundos contra este grupo de palradores manifestantes, inamovíveis na manutenção das suas mordomias. E em consequência das quais, vai protegendo em simultâneo os interesses do seu tão alto e garboso admirador, empenhado na realização da Obra. Sócrates, no meio da crise internacional, é hoje de facto sustentado politicamente pela sua ministra, que por ele vai dando o corpo ao manifesto dos ovos do futuro que nos espera.
Então? A falta dos deputados é ou não a pura manifestação da harmonia pré-estabelecida e da justeza da intuição do sistema leibniziano, ao permitir a todos poderem manter-se na sua missão de sustentar Portugal?
Então? Houve ou não houve, há ou não há, haverá ou não harmonia no mundo?!

21 dezembro 2008

Mas o que é que há nisto...


... que seja espantoso ou imprevisível? Pelos vistos, há gente a quem a lucidez chega tarde. Ou a vergonha. Ou gente a quem frustraram as expectativas? Ou...

17 dezembro 2008

Da genialidade na intuição política


Zita Seabra justificou a sua falta à votação da proposta do CDS-PP sobre a suspensão da avaliação dos professores, dizendo que é "contra a suspensão do processo de avaliação dos professores porque de cada vez que em política se pára para pensar suspendem-se as coisas durante anos".
Odete Santos deve estar a roer-se de inveja. Nem ela conseguiu alguma vez chegar tão longe...!

13 dezembro 2008

O subliminar


O Governo alterou o Orçamento pouco tempo depois de o haver aprovado e adoptou, em parte ou mesmo totalmente, medidas propostas pela Oposição, da esquerda à direita, em especial as do CDS. Sem, no entanto, jamais referir a sua proveniência.
A cada dia que passa, o Governo perde mais e mais a face, enterrando-se num autoritarismo enraizado na incompetência que, insegura, procura proteger-se a todo o custo. E o estranho braço-de-ferro que "a ministra" mantém com os professores, ajudando a manter as divisões entre os portugueses (tanto mais facilitadas quanto não houve ainda a preocupação de elucidar o país sobre aquilo em que, de facto, consiste essa avaliação), constitui uma forma subtil de reforçar o sentimento da falta de uma autoridade que, na ausência de uma oposição credível, apenas José Sócrates tem possibilidade de assegurar.
Portugal apresta-se (aprestam-no) para descer ainda um pouco mais fundo.

Razão do meu silêncio?



Além das trapalhadas do costume, estive internado dois dias para exames de rotina. Retomarei a postagem neste fim-de-semana.
Até já.

07 dezembro 2008

Do vegetarianismo democrático


Esta equipa de ministerial educação lembra-me aquela velha história de um democratíssimo senhor vegetariano, arreigado opositor do Estado Novo, que compreendia e admitia perfeitamente que a sua mulher e os seus filhos gostassem da comida de que ele não gostava... desde que fossem vegetarianos. E que, como razão para tal empenho e firmeza, argumentava com a posição que a lei do antigo regime lhe conferia para cuidar da saúde da família, tarefa para a qual estaria habilitado pela leitura de uns quantos artigos da revista A Verdadeira Ciência Alimentar. Além disso, apesar de tudo, ficava mais barato comer umas couvitas do que bifes....

Não me comprometa!


Se assim vier a acontecer, ficamos desde já a saber que a culpa não será dele.

06 dezembro 2008

E se por acaso pensavam...


... que isto só acontece nos filmes...

Faits-divers


No dia em que a Ministra da Educação não sei quê e os sindicatos aguentem aí os cavais oh pessoal, saiu uma sondagem da euro não sei quantos, dizendo que, se fosse hoje, o PS, quer dizer, Sócrates teria novamente a maioria absoluta que deixara já de ter dois dias atrás.

04 dezembro 2008

Significativo


Mário Nogueira contabilizou em cerca de 134.000 professores, aqueles que ontem fizeram greve. O governo falou, se fizermos as contas em pouco mais de 60% do total de docentes, ou seja, mais de 84.000.
Será legítimo supor que, se 120.000 estiveram na rua, os grevistas terão sido em número, pelo menos, aproximado. O que fará tender a balança para o lado dos sindicalistas, tornando a equipa ministerial em putativa mentirosa.
Porém, mesmo que esta tivesse razão, 84.000 em greve de uma vez só não seria um pouco mais do que "significativo", segundo as palavras do Secretário de Estado, Valter Lemos?
E, já agora, sr. Secretário de Estado, "significativo" de quê?

30 novembro 2008

Por solidariedade...

Mário Botas, Os passeios de um sonhador

... dei uma mãozinha neste texto.

29 novembro 2008

É só fazer as contas

Sem dúvida!!!

Quadro de Arcimboldo
Solidarizo-me por inteiro!

Ficam convidados...


... a, enquanto não volto mais regularmente, a lançarem aqui alguma luz sobre aquilo que julgam estar na origem de coisas deste tipo, impensáveis aqui há uns anos.

25 novembro 2008

No dia em que decidi desalinhar-me...


... e ficar em casa, a descansar, deixo-vos aqui uma gravura, sem título, do notável, saudoso e esquecido Mário Botas, bem como um seu poema que me foi enviado por Nicolau Saião, a quem ele o ofereceu no decorrer de um encontro promovido por MANDRÁGORA - Centro de Cultura e Pesquisa de Arte, em Lisboa, em 1980, onde também participaram Mário Cesariny e Manuel de Almeida e Sousa.


“Seldom we find” says Solomon Don Dance
“Half an idea in the profoundest sonnet”
E.A.Poe


A fisionomia, o carinho das coisas impalpáveis,
o balbuciar, todo em amarelo, dos limões...
Cintura na pedra,
correio subtil de Lesbos para Marte.

Antinous visitou-me. Deixou a casa desarrumada
e um projecto em mim demasiadamente longo.
No frágil da memória eu durmo e sou eu
deuses de papelão sentando-se a meu lado.

No leito fluvial por onde dorme o cisne
chamam por mim os outros príncipes. Todos
irmãos.

Escuridão nova na velha escuridão,
efeito de luz nas janelas do poema...
O meu cão dorme. He is a poet, isn’t he?

Às vezes ainda dá gosto...


24 novembro 2008

22 novembro 2008

Em plena crise de tempo...

Maria Keil, pormenor de um mural
... só me dá para aconselhar o que outros vão dizendo, isto, por exemplo, e mais isto. Penso que lá para quarta ou quinta-feira começarei a ter mais alguma disponibilidade para tourear umas quantas coisas.

19 novembro 2008

Se...


... isto for verdade (e tudo indica que o seja), então estaremos perante um procedimento inaceitável, ao melhor nível do Estado Salazarento. Não apenas porque constitui uma forma digna do filho do Manholas (alcunha do pai de Salazar) de conseguir argumentos, no sentido de afirmar que os professores cumprem e estão de acordo com o que foi determinado pelo Ministério, como também contraria o que é por ele estipulado para essa mesma avaliação quando estabelece, tanto quanto eu conheça do assunto, que os OI (objectivos individuais) têm um carácter pessoal e que, por questões de funcionalidade, com excepção dos casos litigiosos ou suspeitos, eles constituem somente matéria para o professor-avaliador.
José Sócrates é, sem dúvida, neste momento, o primeiro-ministro de um poder político que atingiu o sinistro ao nível do ridículo.

Mais correio


Sócrates entregou Magalhães só para a fotografia
Por Margarida Davim
José Sócrates esteve na Escola do Freixo, em Ponte de Lima, a entregar computadores aos alunos do 1.º ciclo. Mas, depois de o primeiro-ministro ir embora, as crianças tiveram de devolver os Magalhães
A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos. Contactado pelo SOL, o conselho executivo da Escola do Freixo explicou que as crianças não puderam ficar com os computadores, «porque há questões administrativas a tratar».
A mesma fonte – que não se quis identificar – assegura que os Magalhães «estão na escola», mas explica que isso não significa que os alunos do Freixo vão receber os portáteis mais depressa do que as crianças de outros estabelecimentos de ensino. «Não sabemos quando é que os computadores vão ser distribuídos», admitiu, acrescentando que a entrega «depende da logística administrativa». Antes da entrega real dos equipamentos, a escola vai ter de «preencher toda a papelada e os pais que não estiverem abrangidos pelo 1.º escalão da acção social escolar vão ter de fazer o pagamento do computador». Um processo que a escola admite desconhecer quanto tempo poderá demorar. Fica também por esclarecer se os Magalhães que Sócrates já deixou na escola serão suficientes para todas as crianças.
A Escola do Freixo tem 185 alunos inscritos no 1.º ciclo, mas o conselho executivo diz não saber quantos portáteis foram entregues na cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro. «Não sei quantos computadores cá ficaram», disse ao SOL um elemento do conselho executivo. Ao que o SOL apurou, foi explicado a alguns alunos que os computadores tinham de ser devolvidos no final da visita de Sócrates por terem problemas nas baterias. No entanto, o conselho executivo da Escola do Freixo garante que «as crianças sabiam» que não iam ficar com os Magalhães naquele dia, porque lhes «foi explicado que era preciso realizar alguns procedimentos administrativos».

Mas, já agora:


Deixou Santos Silva a dúvida sobre se por palavras ou se por actos...

É que...


... porra!, não me dão uns minutos de folga para desabafar! E há tanto para dizer neste momento...!
Volto antes do fim-de-semana, mas não sei quando. Entretanto, vão lendo este texto.

15 novembro 2008

Chamada de atenção


No dia em que mais uns milhares de professores (os não-alinhados com os sindicatos) se manifestaram em Lisboa e em que os inspectores do Ministério da Educação vieram dizer que este modelo de avaliação é inexequível, chamo a atenção para este post.

13 novembro 2008

Da autoridade


Naturalmente que este último ponto não oferecerá dúvidas, a não ser que os actuais governantes tenham amigos verdadeiros, daqueles que dizem o que pensam e que deste modo lhes estejam a apontar o caminho digno da demissão. Mas não me parece crível que isso pudesse acontecer. Apontaria até, reforçando o que afirmou o sr. Secretário de Estado, para que se trate igualmente de um caso de plágio de procedimentos, pois o Ministério também já, em outras ocasiões, contratou actores e figurantes para tomarem o lugar de alunos de verdade em acções de propaganda, perdão!, de divulgação de medidas em prol da grei.
O dr. Jorge Pedreira tem, sem dúvida, autoridade suficiente para suspeitar de algo neste campo e não serei eu a contestá-la.

Correio


Nicolau Saião (que não conheço pessoalmente), poeta da velha guarda surrealista, alentejano de todos os costados, enviou-me um texto que apenas hoje li devido às confusões em que tenho andado metido. Aqui o deixo, à consideração de todos os que por cá passam.

Tempos de Novo Apólogo

“Fátima Felgueiras absolvida de 22 crimes de que vinha acusada e condenada em 3 anos e 3 meses de pena suspensa por apropriação de 177 Eur de ajudas de custo e utilização por diversas vezes de um carro da autarquia” - Dos jornais

SE NÃO FOSTE TU FOI O TEU FILHO
Durante anos, a pretexto de diversas razões intimidatórias, foram feitas contra Fátima Felgueiras verdadeiras campanhas de difamação e de calúnia.
Nomeadamente em órgãos de informação que deviam ser responsáveis e alinharam naquilo a que Unamuno chamou "a solidariedade dos crápulas".
Uma monstruosidade, sim, porque o enquadramento real é este: como é que esta sanha foi possível num país civilizado ou que tem foros de o dever ser?
Para camuflar outros casos, esses sim vergonhosos e gritantes?
Durante anos segui este caso e escrevi sobre ele em Portugal e no estrangeiro. Muitas vezes, sabendo o que sabia de todo este assunto, me perguntei: como é que Fátima Felgueiras aguenta tanta pressão? De tentarem compará-la a um Al Capone, quando eu via olhos nos olhos que era apenas uma mulher determinada a não se deixar esmagar?
Condenada por umas ajudas de custo...por utilização de um carro...
Tenho a certeza de que em recurso se provará a sua completa inocência.
Mas o ódio contra ela, pelos vistos continua.
Não é ela o vosso inimigo, portugueses. Esse - são sim outros!
Em breve virei a lume num jornal estrangeiro, de maneira mais aprofundada, tratar este assunto de forma alongada e com pormenores como por exemplo este: por diversas vezes me foram feitos telefonemas anónimos injuriando-me, ameaçando-me de me “limparem o sarampo” (textual).
Mas porquê, perguntar-se-á? É muito simples: porque o meu filho mais velho, pessoa que como não é covarde nem gosta de sangue na praça pública, que é o que os caluniadores, os falsos moralistas e os difamadores gostam (eles “sabiam” que Fátima Felgueiras tinha roubado milhões, assim como “sabiam” que um carro que comprei com muito custo e continuo a pagar tinha sido outorgado para me taparem a boca - chegaram a esta infâmia) dizia, porque esse filho, de nome João Garção, revoltado com as calúnias concorreu e foi eleito por maioria absoluta como vereador na equipa camarária da “criminosa”. A ele ofertaram-lhe o mimo de difundirem que tinha fugido com o cofre da Escola Superior onde era director; mas não tinha fugido sózinho e sim com duas espanholas de Vigo... Depois, quando tal enxovalho foi desmascarado, fizeram soar que como era de famílias ricas, sempre que se sentia em apertos refugiava-se na paterna herdade de Évora...
Como qualquer ser medianamente culto saberá, a minha herdade é sim em Arronches. E, provavelmente por causa do calor alentejano, ou do frio alentejano, encolheu – e é hoje um simples quintal nas traseiras duma simples casa que uma tia me deixou e que com custo mandei recuperar e ando a pagar – porque, ao contrário do Estado português, que deve mil milhões aos militares além de outros pequenos trocos por aqui e por ali, pago as minhas contas e por isso todos os dias almoço sem ser de cara rebaixada!
Mas o mais vergonhoso é que a sanha odienta de Torquemadas de pacotilha não foi apenas propalada por primários e por gente sem gabarito. Gente houve (lembram-se de comentadores da nossa santa TV, etc?) que, eivados de santíssima sabença (conheciam o processo...sem nunca o terem lido!) deblateravam, deblateraram – e não davam direito de resposta – como aquele conhecido santarrão das letras que disse que as pessoas que concorriam com a autarca eram apenas lixo.
Ou seja: sou, com muita honra e assumidamente, pai dum bocado de lixo. Um bocado de lixo que, todavia, demonstrou de outras formas, publicamente, que é menos lixo e tem mais talento e vergonha numa mão do que o conspícuo indivíduo tem no corpo todo.
Foi esta, durante dez anos, a democracia de tais senhores. A da cobarde injúria. E não me refiro a quem, como era seu direito, analisava e comentava ponderadamente o caso!
Mas sim a essa récua de gente que, como dizia Cesariny, vê os argueiros dos outros sem ver as esguelhas próprias...
Simplesmente.

NICOLAU SAIÃO

12 novembro 2008

Aos que ainda têm paciência para vir até aqui


Ando cheio de aflitos com várias coisas que me sucederam ao mesmo tempo (só chatices, incluindo a possibilidade de ter que pagar uma conta de água de mais de 2.000 euros por rotura de canalizações!!!). Volto dentro dos próximos três dias.

09 novembro 2008

Respondendo...


Magritte, Golconde

... aos comentários do Mestre Carranza:
Será que a ministra, segundo Sócrates, "rosto do governo" considerará a manifestação por via eleitoral que lhe permitiu, três anos atrás, chegar ao cargo, como a forma de uma parte dos portugueses chantagear outra? Pertencerão então os 120.000 que se manifestaram à parte chantageada? Terá a ministra contabilizado os votos recebidos por José Sócrates para ver se aqueles que o fizeram poderiam pertencer na totalidade a essa minoria ou se, pelo contrário, poderiam pertencer também aos seus (agora ex-) apoiantes ou incluí-los? E, assim, entenderá a manifestação como mais ou menos significativa do ponto de vista da legitimidade da acção que tem desenvolvido e das medidas que tem tomado?
Finalmente: deverá o governo pedir um empréstimo para financiar as contas públicas? É que um conjunto de instituições que, na boca da ministra, conta com, pelo menos ao que parece, um mínimo de 120.000 accionistas é mais do que um parceiro social, é um verdadeiro parceiro económico...!

... ao comentário do RoD:
Pois. Mas até que ponto ia esse acordo? Também gostaria de estar informado. Por ambas as partes.

A coisa está cada vez mais divertida


Aaah...! Isto explica o que me aconteceu um ano atrás e, ao que parece, se mantém no hospital onde estive!
Entretanto, os reitores das universidades denunciam a miséria económica - bem como a que dela decorre - das instituições de ensino superior e, no caso da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (salvo erro), o dinheiro já nem chega para cobrir os subsídios de Natal.
O Carnaval vem a seguir.

08 novembro 2008

Mais baixo, cada vez mais baixo...

Fotografia obtida no Sapo
A alegada ministra da Educação do alegado governo do alegado primeiro-ministro disse, num telejornal, que os bastante mais de cem mil professores que hoje se manifestaram contra este modelo de avaliação o fizeram como forma de chantagear, pela intimidação, os restantes (mais ou menos 20%).
Não descobriram ainda em Sociologia, ou não lho terão ensinado durante o curso, que o poder, quando cai na disformidade do ridículo e da má-fé, cai mais baixo ainda do que a rua?