30 junho 2009

26 junho 2009

Urgente!


Apela-se ao sr. Primeiro-Ministro que, no sentido de evitar situações embaraçosas como aquelas que viveu hoje, em que se viu obrigado a desmentir-se a si próprio, situações que o desprestigiam e retiram credibilidade às instituições democráticas, mande substituir os telefones da PT em utilização pelo Conselho de Ministros.
É que só esse factor poderá explicar tal mancha na firme honestidade política de que até hoje deu as maiores provas à nação, a bem do país.

O artista


Hugo Chavez comentou o facto de os media mundiais terem passado umas boas horas a falar de Michael Jackson, com um "se morreu, pois que descanse em paz" e que se ninguém soubesse o que era toda esta atenção à sua morte, ele o diria: "É o capitalismo, companheiros, é o capitalismo!".
Não explicou, evidentemente, o modo como gostaria que venha a ser noticiada a sua própria morte. Será talvez como a do verdadeiro artista...

Inquietação


Não sei o que achei mais inquietante: se PS e PSD terem demorado mais de um ano para elegerem um Provedor de Justiça que conviesse ao país, ou se o jeito dos sorrisos par a par de Alberto Costa e de Paulo Rangel, dando a novidade aos portugueses...

Michael Jackson/Caetano Veloso: Billy Jean



Bob Dylan/Caetano Veloso: Jokerman



25 junho 2009

Fofoquices


O sexo do demo: tudo aqui!!!

Debaixo d'orelha: Maria Morbey

Em início de carreira, é já uma grande cantora de jazz. Meses atrás, em Cascais, com o pai, Xico Zé Henriques, no contrabaixo, e o guitarrista Zé Soares.

22 junho 2009

Recomendo a leitura...



Tão cidadãos que nós somos...!

James Ensor, A intriga
De repente, em trinta caras da docência e da governação da economia com que o nosso país tem brilhado entre os demais, explodiram a consciência, a coragem e a lucidez inibidas até ao presente, para apelarem publicamente à reflexão sobre a viabilidade e a oportunidade das grandes obras públicas que o governo pretende lançar.
Não é apenas o espírito de Salazar que continua vivo em Portugal. O da União Nacional também.

19 junho 2009

O estertor e a mão


O sr. secretário de Estado da Educação, dr. Jorge Pedreira, foi hoje o retrato fiel do que aproxima o sr. Primeiro-Ministro do modelo de Presidente do Conselho de Ministros. De uma personagem em que, como no Fado Tropical, de Chico Buarque, a atitude humilde e a voz suave pretendem desviar a atenção da acção das mãos, que se mantêm, enraivecidas, na tarefa a que se propôs desde o início. De alguém que pretende substituir pela manha a inteligência que lhe falta, e, pela força, a ignorância e a inabilidade técnicas para resolver os problemas.
A propósito dos exames do 9º ano realizados durante esta manhã, em resposta às críticas renovadas sobre o gritante facilitismo das provas, o sr. dr. Jorge Pedreira referiu, por um lado, a injustiça de tais apreciações negativas, provenientes já se sabe de quem e, por outro lado, que elas levariam os alunos a não estudar. Ao sr. secretário de Estado bastaria, porém, ouvir conversas de rua entre estudantes para se aperceber de que eles próprios têm consciência e condenam esse facilitismo e que mesmo os mais assumidamente cábulas nutrem desprezo por quem o promove. As opiniões dos alunos que constam das peças informativas transmitidas pelos telejornais à saída dos exames são, aliás, bem claras sobre o assunto.
O sr. secretário desconhece ainda que a insegurança de quem sai das escolas quanto aos conhecimentos que possui tem vindo a tornar-se num traço freudiano das novas gerações de portugueses e, naturalmente, em simultâneo, num escolho da sobrevivência económica, pessoal e do país, que fere e ferirá todos nós demoradamente. Ainda ontem um amigo meu, desde há muitos anos ligado à formação docente, me falava do espanto e da apreensão que sentia perante a falta de preparação científica demonstrada pelas mais recentes fornadas de licenciados e o terror dos mesmos ao serem confrontados com a realidade, transmutado de imediato, como seria de esperar, por quase todos eles em subterfúgios ou arrogância.
Mas a mão continua cegamente na sua acção. A mão que desmente o rosto. A mão que nega as palavras. A mão que reflecte o estertor do cérebro que a comanda.
Pelo menos até às próximas eleições.
E depois?

18 junho 2009

Sem mais


Devo dizer que, depois de ter assistido a excertos da entrevista de José Sócrates à SicNotícias, o meu primeiro impulso foi escrever algo à medida. Mas, quase logo de seguida, invadiu-me qualquer coisa como um desgosto multiplicado por repelência que me impediu de sequer querer tocar naquilo.
Fico-me assim por dizer: o homem é mesmo ABJECTO!

17 junho 2009

Poucos minutos depois de ter publicado o texto anterior...


... tomei conhecimento de mais esta. O que nos vale é que o salazarismo já acabou e que o Irão e o Terceiro Mundo em geral ficam bem longe...!

O boato


Soube-se hoje, através dos telejornais, que:
- o governo, para manter a face quanto aos números do défice, recorreu à utilização dos orçamentos extraordinários disponíveis;
- a empresa fabricante dos celebrados Magalhães tem a PJ à perna, por problemas registados no ano de 2005;
- a toda-poderosa Porto Editora, com quem o Ministério da Educação fez acordos, a meu ver, injustificáveis, recebeu também a visita da mesma polícia.
Em qualquer país da União Europeia (à excepção de Itália, claro, por tradição, e agora, ao que parece, de Inglaterra, talvez por contaminação ideológica) isto bastaria para que José Sócrates e a sua equipa fossem intimados a esclarecer este conjunto de factos. Mas se a montanha de casos semelhantes e bem mais graves não o conseguiram ainda, em nome da estabilidade política...
"Estabilidade política", "estabilidade democrática", estabilidade económica": cada vez mais me parece que a história da relação entre estes três conceitos anda a ser muito mal contada. Melhor: que, menos do que história, não passa de boato.

15 junho 2009

Relembrando Herberto Helder


Fonte - I

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípiode esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.

14 junho 2009

Exemplos maiores

O Ministério da Educação, em nome do interesse público, impõe a nomeação de directores de escola, alguns sob suspeita de interferência política a nível autárquico, e um mesmo contra decisão judicial. Está, assim, de parabéns a equipa ministerial, pelo exemplo pedagógico maior que deu aos futuros cidadãos, mostrando-lhes com superior clareza o extraordinário país onde se esforça por mantê-los, bem como os meios com que poderão singrar em esplendorosa existência. Outra coisa, aliás, não se poderia esperar da excelsa qualidade cívica e política demonstrada pela sra. Ministra e seus colaboradores.
Por outro lado, lembra António Barreto no PÚBLICO de hoje, o Observatório das Obras Públicas, sugerido pelo Tribunal de Contas, que detectou derrapagens em cinco grandes obras no valor de 241 milhões de euros, está em projecto há cinco anos e o início da sua actividade depende de uma certificação de software. Apela-se, por isso, ao sr. Primeiro-Ministro, que mande, ao menos, instalar urgentemente aparelhos de fax, os quais, como toda a gente sabe, servem para acelerar e simplificar processos de maior complexidade. A nação ficar-lhe-á eternamente agradecida pela intenção indubitável demonstrada de não dar azo a que se prolongue ainda mais o tempo concedido a eventuais situações propiciadoras de encobrimento de incompetências ou, até, de corrupção.
E Portugal sempre ficará mais a coberto de qualquer insinuação da "nossa Europa" de ser um povo mal-governado...!

Relembrando António Gedeão

Poema do alegre desespero

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,


ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.


Compreende-se.


E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.


Compreende-se.


Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.


Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.


E o nosso sofrimento para que serviu afinal?