25 maio 2009

Vejam...


... este post no Mitos Climáticos (que também tem o link na minha lista), que encontrei via Fiel Inimigo, e um outro, neste último.
Volto já.

24 maio 2009

Olhem...


Poderia vir aqui dizer que fiquei doente de tanto rir, ouvendo José Sócrates discursar aos berros em espanhol (valha-nos que o próprio se não levou a sério a si mesmo, a avaliar pela expressão facial...) e que, por isso, iria ter dificuldade em aparecer por aqui nos próximos dias. Mais uma vez, a culpa seria do governo e toda a gente continuaria descansada, por estarmos perante o culpado do costume.
Mas não. Até quinta-feira à noite terei, de facto, alguma dificuldade em por cá passar, mas por outros motivos. Embora haja umas palavritas a exigirem-me que as deixe sair, a propósito de um artigalhaço de opinião do venerando Professor Boaventura (não o santo e filósofo, o outro, nosso contemporâneo, de Coimbra). Fica prometido, pelo menos, para sexta-feira. Se não conseguir sustê-las até lá.
Enquanto não volto, chamo a atenção para os videos postados recentemente na Fundação Velocipédica (o link está aí ao lado), em que poderão ver os espectáculos de Mandrágora realizados recentemente em Faro, que são uma pura delícia visual. Entre muitas outras coisas interessantes do ponto de vista estético que tem sido colocado no blog.
Até já.

20 maio 2009

Repito a chamada de atenção


Ephedra é o nome de um grupo de rock que, no início dos anos 70, enveredou pelo chamado rock progressivo, do qual foi pioneiro em Portugal. Composto por músicos muito jovens, a qualidade do seu trabalho foi reconhecida, à época, tendo-lhes sido encomendada as bandas sonoras de alguns filmes e feito um programa na RTP, chegando mesmo a ser falada a possibilidade da sua participação no Venham mais cinco, de José Afonso, a qual não veio, porém, a concretizar-se pela indisponibilidade de alguns dos seus membros, devido a incorporação no serviço militar.
A vida académica e profissional posterior de cada um deles impediu a continuidade desse trabalho, do qual nunca chegou a ser editado qualquer disco, embora dois se tivessem profissionalizado no campo da música: um deles, José Machado, ao nível da docência, no Conservatório; o outro, Francisco Henriques (Xico Zé Henriques), participando em diversos projectos musicais, desde Carlos Mendes e Jorge Palma, até Rui Veloso e Carlos do Carmo, desenvolvendo, em simultâneo, uma actividade regular no campo do jazz, em projectos pessoais ou em conjunto com diversos músicos e cantores de primeiro plano.
São precisamente deste último os temas que hoje retomarão, numa recriação e execução sua, em conjunto com a da quase totalidade dos membros originais da banda. Ouvi-os num primeiro espectáculo, realizado meses atrás. Recomendo a quem possa estar presente esta noite no Auditório Eunice Muñoz, em Oeiras, que não falte (a entrada é livre).

19 maio 2009

Portugueses a sério


Minutos atrás, fazendo zapping, passei pela SICNotícias. Transmitia-se o programa Falar Global e o jornalista entrevistava o jovem Salvador Mendes de Almeida, presidente da Associação Salvador, cuja existência desconhecia.
A inteligência e a abertura de horizontes demonstradas quanto às perspectivas e à acção já desenvolvidas pela Associação, nomeadamente no que respeita à importância do estabelecimento de protocolos e de desenvolvimento de projectos de investigação na área da robótica que minimizem os condicionalismos ligados aos diferentes tipos de deficiência, constituem exemplos de como é possível e indispensável ultrapassar a tacanhez e o miserabilismo pantanosos em que o país se vem afundando progressivamente. Tacanhez e miserabilismo, aliás, de que o jovem presidente deu conta com elegância serena e a dignidade de quem lhe dá o lugar que merece no trabalho que sabe que há a fazer, isto é: nenhum. Bastou-lhe, para isso, referir que o Estado português subsidia com 13 milhões de euros anuais a aquisição de equipamentos nessa área, menos 4 do que uma apenas das províncias da vizinha Espanha, para ficar a claro o que pensa.
Daqui envio, portanto, os meus parabéns, bem como, enquanto português, os maiores agradecimentos, a ele e aos restantes membros da Associação. O link fica disponível, aí ao lado, a partir de hoje.

18 maio 2009

Portugueses à conquista do mundo


Já temos o nosso candidato ao prémio Rainha de Inglaterra!!!

17 maio 2009

Angústias minhas


Lisboa, 17 Mai (Lusa) - A ministra da Educação defendeu hoje que o "manual de aplicação" destinado aos professores durante a realização das provas de aferição "é muito útil" e "absolutamente necessário" aos docentes para assegurar igualdade em todas as turmas.
"O manual de aplicação é isso mesmo. É um manual técnico feito pelos serviços, sempre fez e sempre assim foi. É muito útil. Evidentemente que é absolutamente necessário [aos docentes] para criar situações de igualdade em todas as turmas que fazem as provas ao mesmo tempo", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
Questionada pela Agência Lusa à margem de uma cerimónia de entrega de certificados de habilitações a alunos no âmbito do programa "Novas Oportunidades, em Lisboa, a ministra frisou que o manual, que dá indicações muito específicas, incluindo as frases que os professores devem dizer a cada momento da prova, "é um guia de apoio aos professores" e disse que "já o ano passado houve uma tentativa de fazer um número à volta disso".
Diz-se no portal Sapo (clicar sobre o texto).
Gostaria, como cidadão, que a sra. Ministra da Educação esclarecesse publicamente o que quis dizer com o termo "número". É que, tanto quanto me lembre, ele é habitualmente aplicado aos conteúdos de espectáculos de circo e de vaudeville e, com maior frequência, ao trabalho dos palhaços, em particular. Para sua própria defesa e do regime, não deveria assim a sra. Ministra deixar espaço a quaisquer especulações sobre eventuais intenções insultuosas que tivesse ao utilizá-lo.
Com efeito, se não se der a esse trabalho, tal poderá vir a dar razão, por omissão, àqueles que afirmam da actual equipa de governação ser indigna de estar à frente de um país europeu e democrático; que um governante que se permite o insulto a quem com ele não concorda, é gente do mais baixo nível, vergonha de quem diz representar nas suas decisões; que tal gentinha, a pretexto da firmeza e do "progresso", é na realidade filha dilecta da pior (porque a mais firme e duradoura) das ditaduras: aquela que se enraiza num estado de espírito próprio de um provincianismo cultural e cívico reles. Por outro lado ainda porque, ao entrar pela indignidade dessa via, abriria caminho ao direito de retorquir no mesmo tom aos que se sentirem visados no comentário, minando desse modo o respeito pela autoridade das instituições que sustentam o Estado e o viver colectivo, estimulando implicitamente a legitimação e o recurso à violência por intermédio do desbragamento verbal.
Coisa que eu, para quem a madrugada de 25 de Abril de 1974 tanto de belo significou, consideraria catastrófico e inaceitável. Eu, para quem a autoridade democraticamente estabelecida é sagrada e insusceptível de ser desrespeitada, por actos ou sequer por atitudes ou palavras. Mas como poderei eu, ou qualquer outro, defender a sra. Ministra de tais suspeitas se ela própria o não fizer de imediato, caso alguém venha a chamar-lhe, por exemplo, "uma venenosa farsante, medíocre e irresponsável"?!
E eu bem que gostaria de o fazer...! Mas como?
Como?!

16 maio 2009

Socorro!

Quadro de Adriaen Bouwer

Escreveu Manuel António Pina no Jornal de Notícias de segunda-feira passada:

Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).

Há muito tempo que não lia algo de tão impiedosa e arrepiantemente verdadeiro...!

13 maio 2009

Recomendo

O óbvio


Acabei de ouvir, no telejornal, Belmiro de Azevedo afirmar que a crise só se resolve com a multiplicidade de pequenos investimentos e não com um ou dois megainvestimentos.
Não tenho grande apreço pelo sr. engenheiro. Mas reconheço que é um dos poucos que, neste país, vai dizendo desassombradamente algumas coisas que têm que ser ditas.

A ler...


... e reflectir.

10 maio 2009

Dizia Boris Vian...


... numa pequena nota introdutória de A espuma dos dias (cito de memória): "Há apenas duas coisas que interessam no mundo: a música de Duke Ellington e o amor com raparigas bonitas. O resto não deveria existir, porque o resto é feio".
Duke já cá não está. Nem Boris. Mas ficou Caetano. E Aveiro. As raparigas também ficaram.
Talvez, afinal, nem tudo esteja perdido.

05 maio 2009

Na sequência do post anterior


Em conversa com o amigo que referi ontem, vim a saber que a colega dele faleceu hoje, de manhã. E que o número de problemas do tipo cárdio-vascular graves registados na escola desde Fevereiro já ascende a seis.
Em Portugal, a impunidade faz parte dos brandos costumes; à repressão ou à cobardia, chama-se-lhe serenidade; e ao sufoco pelo silêncio e pelo exílio, tolerância tradicional ou bonomia.

04 maio 2009

Nomes


Um amigo meu, professor do ensino secundário numa escola pública da linha de Sintra, disse-me hoje, em conversa, que, no espaço de um mês, quatro dos seus colegas tiveram acidentes cardio-vasculares graves. O último deles, hoje, encontrando-se no serviço de cuidados intensivos, em coma induzido. Na sala de professores, o clima de tensão é tremendo, alguns estão de atestado, com sintomas de esgotamento, muitos tomam anti-depressivos.
Entretanto, o desinteresse pelas matérias, a ignorância, o desleixo e a indisciplina medram, alegre e impunemente, entre os alunos.
Há quem chame a isto governar com sentido de serviço público. O crime com justificação ideológica, ou que se apresenta como tal, sempre foi a tentação maior da inteligência pervertida. Da burrice também. E do oportunismo.

02 maio 2009

A coisa, na altura, não me iria sair desta maneira…


… e agora também já não consigo repor-me no estado de espírito que originou isto que ando para assinalar aqui há mais de duas semanas. Por isso, limitar-me-ei a dizer o seguinte:
No dia 16 de Abril, dia mundial da voz, a RTP, através do Canal 1 e das vozes de apoio de José Carlos Malato e de Marta Leite de Castro, afirmou publicamente a voz do fado como a voz representativa da lusitanidade, dando-lhe voz num programa dedicado à celebração da voz como património do humano.
Responderam à chamada da prestigiada instituição as vozes mais representativas da canção nacional, aquelas que a conservaram com orgulho e altivez patriótica e a quem, por esse motivo, devemos a maior reverência e agradecimento: as fadistas de gema e de antanho, com raízes da Lapa até Cascais, passando pelo Restelo. De fora, ficaram as rústicas e primárias imitações que, até hoje, o foram o adulterando pelos tugúrios da Mouraria, Bairro Alto, Madragoa e Alfama, bem como aqueles que a elas se colaram: os pouco sérios Carmos, Carvalhos, Arys, Tordos, Vitorinos de Almeida, etc., agitadores e mixordeiros do fado, os quais tanto contribuíram para a degradação e o desprestígio da nacional canção, ao ponto de um deles ter mesmo sido distinguido pela venenosa monarquia castelhana.
Para que, porém, não viesse a ser acusada de segregação cultural, quiçá, ideológica e política (que ele há por aí, sabemo-lo bem, gentinha capaz de tudo…!) a RTP não deixou de convidar alguém vagamente próximo de tal populaça: o fadista Camané, homem que cabe em todo o salão, o qual, num arroubo de inovação, ergueu também ele tanto quanto pôde a sua voz, ao som do piano de Mário Laginha. O comovente espectáculo terminou com João Braga entoando dois poemas de Manuel Alegre, poeta que fica bem em qualquer prateleira, também ele presente entre uma assistência rigorosamente seleccionada, composta pelos que, em Portugal, têm dado voz aos destinos do país desde a gloriosa madrugada. Assistência onde se podia ver de um cabeceante general Eanes até um britanicamente efusivo Paulo Portas, ao lado de sua mãe, Helena. Tudo do melhor, que os responsáveis da televisão pública não quiseram que nos faltasse nada.
Mas não se ficou por aqui a RTP. No seguimento do impulso de entusiasmo que a animava, transmitiu, logo de seguida, um filme sobre a internacionalmente premiada worldfadista Mariza, onde pontificava a erudição do ex-secretário de estado da cultura, Rui Vieira Nery.
Ficámos a saber, então, que o fado sofreu uma renovação e uma revalorização a partir dos anos 80 graças ao trabalho dos novos fadistas. Uma vez mais se fez justiça, dado que nenhum dos já citados mixordeiros foi referido, nem sequer gente duvidosa como Maria da Fé, ingenuamente promovida no Brasil pelo risível Caetano Veloso, Maria Armanda, Alexandra, e mesmo Rodrigo ou Paulo Bragança. Os novos fadistas são aqueles que são… os novos fadistas e está tudo dito. Os que cantam o que é a vida: a paisxão, o ciúme e o destino de sermos descobridores da tristeza à garupa da melancolia.
No meio do êxtase estético, intelectual e patriótico que o documentário proporcionava, poucos terão dado a devida importância à revolucionária revelação histórica com que Nery brindou os seus concidadãos, ao afirmar que o Estado Novo, tendo inicialmente hostilizado e marginalizado o fado, enquanto canção ligada ao anarco-sindicalismo, o aproveitou em seu favor após o final da II Guerra, em 1945. Com efeito, uma das cenas mais hilariantes do primeiro filme sonoro português, A Canção de Lisboa, realizado por Cottinelli Telmo em 1933, é a de Vasco Santana, na pele de um Vasquinho da Anatomia a quem a embriaguez solta imprudentemente a língua, lançando-se numa diatribe contra o fado, canção conformista e degradante do carácter, e contra os fadistas (Morte ao fado! Morram os fadistas!)… para depois ganhar a vida como fadista-residente até conquistar a respeitabilidade do estatuto de médico. A genialidade e a lucidez ímpares de Nery ficaram assim, uma vez mais, amplamente demonstradas, atirando esse aspecto menor para o lixo da irrelevância histórica. É com pessoas do seu quilate académico e do quilate dos responsáveis pelo canal público de televisão que podemos confiar, inequivocamente e sem temor, em que Portugal continua e continuará em boas mãos.
Porque certamente alguns dirão que a RTP serve, entre outras coisas, de tugúrio das vaidades da aristocracia provinciana, azeiteira e decadente que deixou espaço ao republicanismo analfabeto, azeiteiro e prepotente que com ela se enfeita.
E certamente outros dirão ainda que a RTP expôs, mais uma vez, a faceta do mccarthismo peixeiro que se entranhou de há muito em Portugal como um seu secular aroma peculiar e que afasta, inevitável e definitivamente, para bem longe de si qualquer narina educada.
Mas não eu.

01 maio 2009

Mais uma portuguesa


Tal como França, Portugal é um país simbolizado (salvo) por mulheres. Desde Joana d'Arc a Brites de Almeida, desde Piaf a Amália.
Agora foi Beatriz Batarda quem disse, sem medo, em plena cerimónia oficial de promoção de José Sócrates e na cara do mesmo, aquilo que pensam os portugueses do seu governo e do estado a que nos levou.
Daqui lhe envio as minhas homenagens e o meu eterno agradecimento.

30 abril 2009

A receita


Quando, durante a vintena de anos da ditadura brasileira, as notícias eram censuradas, alguns dos maiores jornais optavam por colocar, no seu lugar, receitas de cozinha, como forma irónica de dar conta da existência de algo cujo conhecimento público os militares pensavam ser inconveniente.
Quando, no Portugal de 2009, o socialismo iluminado me retira o tempo mínimo indispensável à existência de vida própria, sobrecarregando-me de trabalho tão imbecil quanto inútil, ao ponto de estar para escrever um pequeno texto há duas semanas sem o conseguir, aqui deixo, também eu, uma receita que me parece cada vez mais traduzir, pelo requinte, os tempos que correm neste nosso querido jardim à beira-mar (receita recolhida num site brasileiro - clicar no texto):

28 abril 2009

Podia ser este o caso...


... mas (infelizmente!) até nem é. Volto na quarta-feira, à noite.

21 abril 2009

Segunda introdução a um desabafo: poema de Pessoa...

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho
Nem até
Café.
... a propósito disto.

15 abril 2009

13 abril 2009

Aqui fica a homenagem...

Modigliani, Nu Vermelho
...deste blog...

... às vítimas da Loja do Cidadão de Faro.


09 abril 2009

Para variar...


... as contas sairam-me furadas quanto a tempo disponível e não consegui ainda nem recomeçar uma postagem regular nem responder por email a quem disse que iria fazê-lo por estes dias. Mas deixo, para já, registadas as palavras de Henrique Neto, na SICNotícias (não consegui colocar aqui o link para o vídeo), quando referiu a existência de "empresas do regime" e disse que, para isso, bastaria haver por lá um ex-ministro.
Não pronunciou, segundo o que ouvi, a palavra "sinistro". Mas precisaria dela para que no nosso espírito surja, clara, a imagem de tentáculos que se estendem, progredindo pela beira-mar até aos nossos corações?

06 abril 2009

Elogio da Assembleia da República


A Assembleia da República acaba de mostrar a sua verdadeira face, ao estipular que os senhores deputados só precisam de justificar ausências que excedam os cinco dias. A justificação de tal decisão assenta na superior honestidade que se supõe que os mesmos possuam.
Assim, de uma penada, a digníssima instituição, rosto escrito e escarrado da lusa democracia de antanho, pôs tudo e todos no seu devido lugar. Com efeito, se já seria impossível aos portugueses suspeitar da idoneidade e elevação dos seus representantes, dado o superior nível intelectual e de fino trato demonstrado nas discussões acaloradas que entre si mantêm em prol do engrandecimento pátrio, verdadeiros espelhos da mútua admiração e consideração que anima os representantes do povo, inestimáveis e insubstituíveis instrumentos de pedagogia cívica para a formação dos portugueses do futuro, a partir de hoje não haverá mais dúvidas. A Assembleia assumiu, à sua dimensão e no seu âmbito, a tendência internacionalmente florescente do que é conhecido por “sair do armário” e assumiu-se, decidida e corajosamente, como consciência moral da nação. O “Magalhães”, golpe de asa que somente os dotados de genialidade poderiam alcançar, iluminou o caminho; a instituição política maior do país reforça agora, firme e inexoravelmente, o caminho da modernidade ética.
Frontalmente, da direita à esquerda (ninguém se opôs ou sequer se dispôs a falar sobre o assunto publicamente), os senhores deputados, sem abusarem de subtileza, disseram desta maneira aos restantes compatriotas que, se os elegeram, é porque neles é patente a superioridade dos grandes homens, que os isenta de terem que se justificar os actos que, a serem praticados por outrem, seriam motivo de suspeita ou condenação. E que os senhores deputados, em consonância com o governo, no seu louvável afã de prover à moralização e dignificação do nosso querido torrão de terra europeu, se apressam a estipular e a aprovar, para glória sempiterna dos trabalhos hercúleos da sua legislatura, as disposições que atestam esse facto e essa sua condição.
Os senhores deputados disseram, pois, a todos nós, com a delicada arte e o sublime sentido pedagógico que lhes são próprios: “Observai os nossos actos em silêncio, meditai humildemente sobre o seu significado, reverenciai a autoridade da sabedoria que nos trouxe inevitavelmente até aqui e que por vós foi confirmada, escolhendo-nos”. Os senhores deputados levaram-nos ao espelho, mostrando-nos a nossa condição de escória moral de quem há que desconfiar, a quem há que educar. Estabeleceram, num decisivo gesto, a fronteira que, aquém-fronteiras, define indubitavelmente a real virtude que permite a qualquer um achar-se português: a impunidade no decidir para si em nome do alheio. Revelaram-nos com exacta mestria o significado dos conceitos de honra e de vergonha, recortando-os em perfeito contraste. Deram-nos a medida da legitimidade da sua força, afirmando, através do senhor deputado Lello (condenado seja para sempre quem com o seu nome fizer trocadilhos!), que estas medidas poderiam ter ido ainda mais além e que a Assembleia não anda a reboque dos órgãos de comunicação.
É que os senhores deputados são, afinal, a nata do silêncio em que se fazem ouvir.
Nota final: escrito de rajada e sem revisão ou emendas, passadas ou futuras.

De como o poder é obscurantista...


... ou do papel do conhecimento em política.

03 abril 2009

Coisas...

Isaac Asimov

... com verdadeiro interesse.

02 abril 2009

Viva!


Retomarei as blogadelas durante o fim-de-semana. Uma vez mais, para todos, conhecidos e desconhecidos, que ainda persistem em passar por aqui, o meu abraço. Aos que me contactaram por e-mail, prometo uma resposta a partir da próxima segunda ou terça-feira.

28 março 2009

A mais velha aliança do mundo


Portugal pode agradecer aos ingleses a sua ajuda nos períodos cruciais para a manutenção da nossa independência.
Em 1385, em Aljubarrota, perante a invasão castelhana.
Em 1810, em Torres Vedras, na expulsão dos exércitos de Napoleão.
Em 2009, em Alcochete...?

26 março 2009

22 março 2009

Recebido mesmo agora


A pedido de várias família s (História do capuchinho vermelho-acordo ortográfico 2010)

CAPUCHINHO VERMELHO

Tás a ver uma dama com um gorro vermelho? Yah, essa cena! A pita foi obrigada pela kota dela a ir à toca da velha levar umas cenas, pq a velha tava a bater mal, tázaver? E então disse-lhe:
- Ouve, nem te passes! Népia dessa cena de ires pelo refundido das árvores, que salta-te um meco marado dos cornos para a frente e depois tenho a bófia à cola!
Pá, a pita enfia a carapuça e vai na descontra pela estrada, mas a toca da velha era bué longe, e a pita cagou na cena da kota dela e enfiou-se pelo bosque. Népia de mitra, na boa e tal, curtindo o som do iPod...
É então que, ouve lá, salta um baita dog marado, todo chinado e bué ugly mêmo, que vira-se pa ela e grita:
- Yoo, tá td? Dd tc?
- Tásse... do gueto ali! E tu... tásse? - Disse a pita
- Yah! E atão, q se faz?
- Seca, man! Vou levar o pacote à velha que mora ao fundo da track, que tá kuma moka do camano!
- Marado, marado!... Bute ripar uma até lá?
- Epá, má onda, tázaver? A minha cota não curte dessas cenas e põe-me de pildra se me cata...
- Dasse, a cota não tá aqui, dama! Bute ripar até à casa da tua velha, até te dou avanço, só naquela da curtição. Sem guita ao barulho nem nada.
- Yah prontes, na boa. Vais levar um baile katéte passas!!!
E lá riparam. Só que o dog enfiou-se por um short no meio do mato e chegou à toca da velha na maior, com bué avanço, tázaver? Manda um toque na porta, a velha 'quem é e o camano' e ele 'ah e tal, e não sei quê, que eu sou a pita do gorro vermelho, e na na na...'. A velha abre a porta e PIMBA, o dog papa-a toda... Mas mesmo, abre a bocarra e o camano e até chuchou os dedos...
O mano chega, vai ao móvel da velha, saca uma shirt assim mêmo à velha que a meca tinha lá, mete uns glasses na tromba e enfia-se no VL... o gajo tava bué abichanado mêmo, mas a larica era muita e a pita era à maneira, tásaver?
A pita chega, e tal, e malha na porta da velha.
- Basa aí cá pa dentro! - Grita o dog.
- Yo velhita, tásse?
- Tásse e tal, cuma moca do camâno... mas na boa...
- Toma esta cena, pa mamares-te toda aí...
- Bacano, pa ver se trato esta cena.
- Pá, mica uma cena: pa ké esses baita olhos, man?
- Pá, pa micar melhor a cena, tázaver?
- Yah, yah... E os abanos, bué da bigs, pa ke é?
- Pá, pa poder controlar melhor a cena à volta, tázaver?
- Yah, bacano... e essa cremalheira toda janada e bué big? Pa que é a cena?
- É PA CHINAR ESSE CORPO TODO!!! GRRRRRRRR!!!!
E o dog manda-se à pita, naquela mêmo de a engolir, né? Só que a pita dá-lhe à brava na capoeira e saca um back-kick mesmo directo aos tomates do man e basa porta fora! Vai pela rua aos berros e tal, o dog vem atrás e dá-lhe um ganda-baite, pimba, mêmo nas nalgas, e quando vai pa engolir a gaja aparece um meco daqueles que corta as cenas cum serrote, saca de machado e afinfa-lhe mêmo nos cornos. O dog kinou logo ali, o mano china a belly do dog e saca de lá a velha toda cheia da nhanha. Ina man, e a malta a gregoriar-se toda!!!
E prontes, já tá...

19 março 2009

De olhos postos em Roma


"Um estudo da organização não-governamental ActionAid conclui que um grande número de lésbicas sul-africanas é sujeita, todos os anos, a violações correctivas, um castigo pela orientação sexual e para "curar o seu comportamento".
O trabalho, apresentado terça-feira em Joanesburgo, refere que só na cidade do Cabo dez lésbicas são violadas em média todas as semanas por atacantes que classificam o crime de violação correctiva. (...)
Os autores do trabalho referiram que o número de violações na África do Sul ascende a 500 mil por ano, um dos mais altos índices mundiais e as lésbicas, em particular, são alvo, desde há muito, de "violações correctivas" por homens que pensam que assim as "curam" das tendências homossexuais. (...)
O estudo cita uma organização de defesa dos direitos dos homossexuais na cidade do Cabo, segundo a qual 31 lésbicas foram assassinadas na última década naquela cidade e arredores, tendo apenas sido condenado um dos implicados em todos os crimes."

Diz-se no Expresso.

Para que tudo esteja conforme a lei do Senhor, espera-se agora, a todo o momento, que Bento XVI faça uma exortação aos violadores no sentido de não usarem preservativo.

Dois posts a ver


12 março 2009

Obrigatório


Os Vencidos da Vida

... para quem não ouveu: Medina Carreira entrevistado por Mário Crespo (via Fiel Inimigo).

09 março 2009

A "falha"


Legenda da notícia na TV: "Sofia Escobar falha prémio em Londres".
Mas "falha" porquê? Ela não concorreu, foi nomeada para melhor actriz de teatro musical em Inglaterra devido à qualidade do seu trabalho em "Weste Side Story". Como se pode falhar algo que nem sequer se tentou?
Ou não estaremos antes perante mais um exemplo da pequenez que se procura engrandecer por conta alheia? Ou não estaremos antes perante mais um exemplo da indignidade e da falta de carácter de quem quer "vencer" a todo o custo, mesmo que seja como juiz do mérito alheio através do estatuto que outrem lhe outorga? Ou não estaremos antes perante mais um exemplo da abjecção provinciana em que se tornou a quase totalidade da comunicação social no nosso país? Ou não estaremos antes perante mais um exemplo da fábula do lacaio aspirante a ditador?
Ou não estaremos antes perante o vórtice pantanoso de um país que cada vez mais se torna na verdadeira "falha atlântica"?

04 março 2009

Pelo correio


Não possuo informação que considere suficiente para discutir o que diz respeito à legitimidade do Duque de Bragança face a outros candidatos à herança do trono. Interessa-me, isso sim, discutir a racionalidade e o mais que monarquia e república põem em jogo nas suas pretensões a constituirem o melhor espelho e a melhor ferramenta da organização político-social.
Nesse sentido, na medida em que a voz dos monárquicos tem sido ignorada e abafada a partir de 1910 e que aquilo que é oficialmente veiculado, desde o ensino aos órgãos da comunicação, é a versão dos revolucionários republicanos, tenciono colaborar com a difusão dos seus pontos de vista, independentemente da facção que defendam. Sob condição de, evidentemente, se inserirem numa perspectiva democrática.
Passo, por este motivo, a transcrever este texto que me foi enviado ontem.

Abaixo divulgamos a mensagem de D. Duarte de Bragança, chefe da Casa
Real Portuguesa e presidente de honra do Instituto da Democracia
Portuguesa, proferida hoje, por ocasião do encerramento do I
Congresso Marquês Sá da Bandeira em Lisboa:

PERGUNTAS À DEMOCRACIA

D. Duarte de Bragança

Tem vindo a crescer em Portugal um sentimento de insegurança quanto
ao futuro, sentimento avolumado por uma crise internacional,
económica e social, de proporções ainda não experimentadas pela
maioria dos portugueses. São momentos em que importa colocar
perguntas à Democracia que desejamos.

Admitindo-se que a situação concreta é grave, torna-se necessário
encará-la de frente, antevendo todos os aspectos em que os
portugueses experimentam dificuldades.

Os tempos de crise vão-nos trazer privações mas também vêm
exigir reflexão. Este é o momento de olharmos para o que somos.
Para este país tão desaproveitado. Para a sua costa atlântica com
Portos tão ameaçados, para uma fronteira tão vulnerabilizada, para
um património cultural tão desaproveitado.

Temos de perguntar até onde deixaremos continuar o desordenamento do
território, que levou a população a concentrar-se numa estreita
faixa do litoral, ocupando as melhores terras agrícolas do país e
esquecendo o interior, reduzido a 10% do PIB.

Temos de perguntar à economia portuguesa por que razão os bens de
produção são despromovidos perante os “serviços”, o
imobiliário, e ultimamente, os serviços financeiros. O planeamento
das próprias vias de comunicação se subjugaram a essa visão.

Temos de perguntar até onde o regime democrático aguenta, semana
após semana, a perda de confiança nas instituições políticas e
uma atitude de “caudilhização” do discurso.

Temos de perguntar até onde continuaremos a atribuir recursos
financeiros a grandes naufrágios empresariais, ou a aeroportos e
barragens faraónicas que são erros económicos.

Temos de perguntar até onde o sistema judicial aguenta, sem
desguarnecer os direitos dos portugueses, a perda de eficácia e a
morosidade crescente dos processos.

Temos de perguntar se não deveríamos estabelecer um serviço de
voluntariado cívico em que os desempregados possam prestar um
contributo à comunidade.

Temos de perguntar até onde as polémicas fracturantes que só
interessam a uma ínfima minoria política, não ofendem a imensa
maioria das famílias, preocupadas com a estabilidade pessoal e
económica.

Temos de perguntar como vamos aproveitar o ciclo eleitoral que se
avizinha, a começar pelas eleições europeias, onde será
desejável que apareçam independentes que lutem pelos interesses
nacionais.

Temos de perguntar se nas relações lusófonas, estamos a dar
atenção suficente às relações especiais que sempre existiram
entre Portugal e o Brasil.

Para ultrapassarmos as dificuldades, precisamos de todos os nossos
recursos humanos em direcção a uma economia mais “real”, mais
sustentada, mais equitativa, uma economia em que respirem todas as
regiões a um mesmo “pulmão”.

Apesar de tudo, o nosso sector bancário fugiu das estrondosas
irresponsabilidades dos congéneres mundiais. Saibam os Governos
regulamentar os apoios para as empresas grandes, médias ou pequenas
mas que sejam produtivas.

Em regime democrático, exige-se processos e discursos ditados pelo
imperativo de responsabilidade. A equidade e integridade territorial
só poderão ser obtidas com a participação de todos, e com
sacrifícios para todos.

Estamos confiantes que somos capazes de fazer das nossas fragilidades
as nossas maiores vantagens. Onde outros tiveram soluções muito
rígidas que falharam, nós venceremos promovendo os portugueses que
lutam por um país de imensas vantagens competitivas.

Mostremos como somos um grande País, uma Pátria em que todos cabem
porque acreditam na Democracia. Portugal precisa de mostrar o seu
projecto para o século XXI. Pela minha parte, e pela Casa Real que
chefio, estou, como sempre, disponível para colaborar.

01 março 2009

As rosas de Espinho

Imagem obtida no site da RTP
Só mais esta, de que me lembrei há bocado:
O congresso dos socialistas em Espinho teve duas interrupções: a primeira, por mor do Porto-Sporting; a segunda, devido a um apagão. Mas os trabalhos acabaram à hora prevista, como se elas não tivessem existido.
O que significa que das duas, uma: ou, como, maldosamente, afirmou a oposição, não havia nada a discutir, mas somente uma exibição de apoio mútuo entre acossados a realizar; ou o secretário-geral do PS aplicou ao congresso o programa Simplex no plano ideológico, o que teria sido, da sua parte, uma manifestação de transparência.
Sinceramente, penso que foi devido a ambas coisas.
Por fim, ao ver José Sócrates com uma lágrima ao canto do olho, lembrei-me daqueles versos de Mário Cesariny, quando fala de gente "tão recomplicada, tão bielo-cosida, que já consegue chorar, com certa sinceridade, lágrimas cem por cento hipócritas."

Ingenuidades


Vital Moreira, que se autodenominou como socialista freelancer, provocando risos deliciados e ternurentos dos congressistas, aceitou o convite do PS para encabeçar a lista de candidatos a deputado europeu, tendo recebido de José Sócrates os qualificativos de "grande político", grande intelectual" e "grande defensor do projecto europeu".
No momento em que um canal de televisão transmitia um excerto da sua intervenção, um familiar meu entrou na sala e, nunca o tendo visto até hoje, perguntou ingenuamente:
- É o Avô Cantigas?
E eu ri-me, deliciado.

Um partido português...


... é o título do texto de Vasco Pulido Valente, no PÚBLICO de hoje, e que termina assim:
"(...) Tirando a dra. Manuela Ferreira Leite e uns milhares de ingénuos de província, o PSD não quer ganhar a eleição de Outubro. Meia dúzia de notáveis, a começar por Passos Coelho, querem suceder a Manuela. Dezenas de caciques querem as câmaras. Marcelo quer (presumivelmente) a presidência. E muita gente (mais do que se julga) quer a desforra. E, para chegar a esses nobres fins, quem se importa de abrir a porta ao PS de Sócrates? Quanto ao país, ele que se arranje como puder. E se puder."

28 fevereiro 2009

A cauda da Europa (oh! ta grosse queue!)

Gustave Courbet, A Origem do Mundo
Quando, poucos anos atrás, uma exposição dos mestres da pintura portuguesa do século XIX, realizada em Paris por iniciativa do nosso Ministério da Cultura, foi considerada pela crítica francesa como um conjunto de obras que se limitavam a exprimir uma concepção de arte na época já há muito ultrapassada, os patrioteiros do costume mostraram-se emproadamente indignados com mais uma afronta à dignidade nacional.
A indignação, porém, não pode esconder aquilo que alguém minimamente conhecedor de arte sabe: que a crítica francesa tinha toda a razão e que apenas a inexistência de educação e de perspectiva estéticas elementares pode engrandecer aquilo que é, de facto, confrangedoramente provinciano e, para o tempo, tristonhamente convencional. Foi esta, aliás, a estreiteza de vistas com a qual, pouco tempo depois, se deparou Amadeo de Souza-Cardoso e com que se depararam Pessoa, Almada, Sá-Carneiro e todos os outros. No Portugal onde ainda agora se passou isto, a propósito do quadro de Courbet, pintor francês contemporâneo de Columbano e Malhoa, que ilustra este desabafo.
O episódio é mais do que ridículo ou lamentável. Porque é a confirmação (mais uma) de que o país não muda na sua essência, que continua viscosamente hipócrita, manhosamente mesquinho, submerso na pequenez que o mantém num limbo infernal e, pior do que isso, incapaz de se ver ao espelho sem querer tirar de imediato um qualquer proveito que compense, ao seu olhar, desorientado e incerto, a cobardia que o tolhe.
Algo que o faça ganhar moralmente. E, se possível (sempre!), uns tostõezitos. Que isto vai para aí uma crise...!

27 fevereiro 2009

Novas Oportunidades


Na página 31 do jornal Ocasião de hoje, na secção Outros Serviços, pode-se ler o seguinte anúncio:
"Rapaz que sofra de flatulência, gases, para festa privada. Dá-se alojamento. Lisboa". Segue-se o número de telefone de contacto.
Com tal exemplo de busca de optimização da rentabilidade dos recursos, como se poderá duvidar do futuro do nosso querido torrão de terra?!

20 fevereiro 2009

Nenhum honrado ditador...


... seria tão desprezível ao ponto de dar uma desculpa destas.

15 fevereiro 2009

Pin'ups com Doutoramento


A partir de uma conversa com o Professor Doutor Nuno Nabais, do Departamento de Filosofia da Universidade de Lisboa, promotor-empresário de cafés-livrarias com tertúlias, conversador regular do Rádio Clube Português e possivel protagonista de outras meritórias actividades in, Ana Sousa Dias escreve, a páginas 45 da revista PÚBLICA de hoje, que o mesmo afirma saber "demasiadas coisas sobre as mulheres porque, além de ter a sorte de conhecer mulheres monumentais e curiosas, estudei muito Filosofia e li muito sobre a questão da condição humana e do feminino. Aquilo que estudei (...) está sempre a viciar a minha relação com o mundo e, neste caso, com as mulheres", acrescentando ainda, entre muitas outras coisas, que não consegue "namorar com uma pessoa que não seja de Filosofia, por mais bonita que seja".
Apesar de estarmos ainda em Fevereiro, este blog decidiu atribuir desde já ao Professor o prémio "Pin'up loira 2009".

10 fevereiro 2009

Onde as coisas já vão!

Mário Botas, A morte de um cão

Nem o sr. general consegue disfarçar o vómito.

07 fevereiro 2009

Se alguém tinha dúvidas...


Francisco Louçã afirma, em entrevista ao PÚBLICO, que a disputa do BE é com os 45% do PS.
O negócio é mesmo números...
Tenho andado longe daqui, deste cantinho, quero dizer. Espero voltar a uma maior regularidade dentro de três semanas. O meu obrigado aos que ainda teimam em vir aqui de vez em quando.

30 janeiro 2009

A saúde de Freitas do Amaral


Diogo Freitas do Amaral deu uma oportuna entrevista à jornalista Ana Lourenço, na SICNotícias, durante a qual, depois de ter analisado (e bem) a especulação jornalística em volta do envolvimento do primeiro-ministro no caso Freeport, fez os maiores elogios a José Sócrates e referiu a excelência da sua equipa.
Pelo meio, disse também que a operação o havia curado do problema de coluna. Mas isso não se notou nada.

25 janeiro 2009

Sinais


O sr. primeiro-ministro não escondeu o seu desagrado pelo facto de pessoas que são contrárias a acordos com o CDS terem votado a favor da proposta desse partido, no sentido da suspensão da avaliação dos professores.
Os deputados que se manifestaram a favor de tal proposta, militantes de raiz do PS e convictamente socialistas, tê-lo-ão feito por considerarem ser o interesse de Portugal superior aos interesses deste governo. Votaram na condição de patriotas e não de militantes. Votaram, talvez, também por oposição a um processo de instalação de grupos de diferentes e variadas afinidades que transformarão cada vez mais a liberdade e a democracia numa saudade de tempos idos.
Sócrates divide cada vez mais o país, no sentido de reforçar o seu poder. Nisso, é semelhante a Salazar. Tal como para o ditador, ele é Portugal. Tal como o homem de Santa Comba modificou as palavras de Cristo, dizendo-se cristão, ao mudar "quem não é contra nós, é por nós" para "quem não é por nós, é contra nós", também Sócrates, afirmando-se democrata, inverte o sentido da liberdade política. Tal como Salazar, ele marca um perigoso e aviltante período de decadência.

24 janeiro 2009

Chamo a vossa atenção...


... para dois posts no Fundação Velocipédica: este e este.
Parabéns ao Nicolau Saião e ao Almeida e Sousa!
Volto amanhã, domingo.

19 janeiro 2009

Elementar, meu caro Valter!

Os sindicatos afirmam que a percentagem dos professores em greve é, tal como na anterior greve, de mais de 90%. O ministério, através do sr. dr. Valter Lemos, diz que essa percentagem, de facto, não se alterou em relação à greve de 3 de Dezembro, mas que é de 67%.
Ora, segundo a matemática mais elementar, com a qual certamente a veneranda equipa ministerial estará habilitada, a percentagem de 67% corresponde a dois terços dos professores. Se estes números correspondessem a uma vitória eleitoral (do PS), considerá-los-iam, com razão, como confirmadores de uma "vitória esmagadora". Neste contexto, significam que são "apenas" 67% e não os mais de 90% dos sindicatos.
Não será tudo isto, afinal, apenas decorrente do cariz esmagador de um poder que não demonstra as mais elementares honestidade e competência políticas?