
11 julho 2009
Só mais uma achega...

08 julho 2009
A servidão do amo

Um candidato verdadeiramente transparente!
05 julho 2009
03 julho 2009
Tourada?!

01 julho 2009
Vacina, precisa-se! Urgente!
Mula Lisa (imagem retirada de http://causaeefeito.blogspot.com)Penso ser insuspeito...

Rodin, O desespero
30 junho 2009
26 junho 2009
Urgente!

O artista

Inquietação

25 junho 2009
Debaixo d'orelha: Maria Morbey
22 junho 2009
Tão cidadãos que nós somos...!
21 junho 2009
19 junho 2009
O estertor e a mão

18 junho 2009
Sem mais

17 junho 2009
Poucos minutos depois de ter publicado o texto anterior...

O boato

16 junho 2009
15 junho 2009
Relembrando Herberto Helder

perdeu-se e renasceu.
14 junho 2009
Exemplos maiores
Por outro lado, lembra António Barreto no PÚBLICO de hoje, o Observatório das Obras Públicas, sugerido pelo Tribunal de Contas, que detectou derrapagens em cinco grandes obras no valor de 241 milhões de euros, está em projecto há cinco anos e o início da sua actividade depende de uma certificação de software. Apela-se, por isso, ao sr. Primeiro-Ministro, que mande, ao menos, instalar urgentemente aparelhos de fax, os quais, como toda a gente sabe, servem para acelerar e simplificar processos de maior complexidade. A nação ficar-lhe-á eternamente agradecida pela intenção indubitável demonstrada de não dar azo a que se prolongue ainda mais o tempo concedido a eventuais situações propiciadoras de encobrimento de incompetências ou, até, de corrupção.
Relembrando António Gedeão
Poema do alegre desesperoCompreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,
ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.
Compreende-se.
E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,
e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.
Compreende-se.
Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.
Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.
E o nosso sofrimento para que serviu afinal?
12 junho 2009
Brandos costumes

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal vE SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !
Sem palavras
09 junho 2009
Histórias tragicómico-marítimas
08 junho 2009
Muito boa e competente gente há em Portugal...!

07 junho 2009
Bastonadas (2)
António Pires de LimaCom a ironia elegantemente contundente que lhe é própria, António Pires de Lima, referiu o enxame de leis recentemente publicadas, com carácter “experimental e provisório”. O espantoso absurdo de se poder conceber o termo "experimental" como sendo aplicável a uma lei, a que se acrescenta, logicamente e de imediato, as tremendas consequências de se pôr em vigor, no plano da justiça, normas “provisórias”, lembrou o antigo bastonário, são de tal dimensão e profundidade nas suas repercussões, que apenas uma enorme inconsciência e irresponsabilidade lhes pode ter dado origem. Passou depois à leitura de alguns excertos dessas mesmas leis, onde, na melhor tradição dos irmãos Marx, se encontravam desde pérolas de português ao nível das Novas Oportunidades até coisas como “esta lei deve aplicar-se-á aos casos a que directamente respeita bem como aos seus contrários” (mais ou menos isto).
Ainda outro aspecto em que todos estiveram de acordo, foi o total desconhecimento demonstrado pelos legisladores no que respeita ao actual estado da sociedade portuguesa e das alterações que nela (e em todo o mundo) tiveram e têm lugar a cada momento. Legisladores esses (muito bem pagos) que acabam por criar leis para uma realidade existente apenas no plano teórico - ou nem isso. Sendo o Estado justificável somente pelos benefícios que possa trazer, desde logo quanto à manutenção da justiça, todo este panorama acarreta consigo, inevitavelmente, a degradação e o desrespeito pelas instituições públicas de governação, por inúteis e mesmo prejudiciais à vida de cada um.
Fico-me por aqui na transcrição do que foi dito pelos três intervenientes, mas recomendo a quem encontrar o vídeo que o veja até ao fim, dada a justeza e a oportunidade das apreciações de todos eles aos problemas da justiça em Portugal.
Ligando, porém, agora este post ao anterior: não é que encontrei no Sapo, poucos dias depois (clicar aqui para ler a totalidade da notícia), um belo naco de oratória do tipo uma-no-cravo-outra-na-ferradura do actual bastonário que, como se diz na última página do PÚBLICO de hoje, “quando sai à rua, é abraçado, elogiado, incentivado e até leva palmadinhas nas costas” (o povão gosta de sangue e está muito farto)? Ao mesmo tempo que reconhece a inadequação da actual legislação aos tempos actuais, afirma Marinho Pinto, no entanto, que «Não é nas leis que estão os problemas da Justiça, é nos magistrados. Com bons magistrados faz-se boa justiça, nem que as leis sejam más».
Onde é que todos ouvimos já ferrar desta maneira…?
Bastonadas (1)

Diz o povo e com razão
Ouvindo um grande aldrabão:
Dava um bom advogado!.
António Aleixo
A ocasião faz o ladrão
Provérbio popular
Dias à frente, veio o povão, muito lampeiro e satisfeito, perguntar-me se tinha assistido à “peixeirada”. Como eu disse que não sabia de nada, levou-me pela mão ao youtube e ficou a olhar-me com um sorriso expectante no rosto, enquanto ia adiantando comentários sobre a coragem e o desassombro “do homem” frente à falta de vergonha que por aí vai, bem como à arrogância e à má-educação da excelentíssima esposa do responsável maior do canal (clicar aqui para ouver)
Comecei por lhe lembrar que o assassino só o pode ser se tiver meios para o consumar o que pretende, seja um instrumento sejam as próprias mãos, assim como ocasião propícia para o fazer. E que, no caso de um advogado, ele apenas poderá “corromper” a lei se a lei for, em si mesma, corruptível, isto é, se a sua redacção ou os sentidos para que aponta forem susceptíveis de interpretações contraditórias, logo utilizáveis como arma ou terreno adequado à corrupção.
Falei-lhe ainda, a propósito, das palavras de um velho engenheiro, já reformado, vizinho de uns familiares meus, que participou na construção da ponte 25 de Abril, das quais nunca mais me esqueci: “Não existem bons e maus construtores, o que existe é boa ou má fiscalização.” Se a lei é o alicerce da justiça, é nela que começa por residir o problema, o que atira as responsabilidades primeiras ao legislador e a quem tem por função a aprovação do texto por ele redigido.
Ora o dr. Marinho Pinto, fui eu lembrando ao povão, nunca ou, pelo menos raramente, ataca as leis e quem as faz, prefere falar de corrupção e de podridão, desde advogados a juízes, lançando a suspeita generalizada sobre tudo e todos sem, no entanto, jamais referir nomes. Para ele, ao que parece, as leis são pouco mais que irrelevantes.
Como se um juiz pudesse alterar a lei impunemente sem sofrer consequências, pelo menos ao nível profissional! Como se um advogado honesto pudesse mudar uma lei claramente injusta ou cuja ambiguidade proporcione iludir e escapar ao mais elementar bom-senso! Diga-o a polícia, que passa o tempo a deter quem, horas mais tarde, é libertado por juízes de mãos atadas pelas leis. Digam-no os cidadãos, que podem ser presos e processados por se defenderem de quem os ataca. E se isto é ao nível do pequeno e médio delito, facilmente se imaginará o que respeita ao crime de colarinho branco.
O dr. Marinho Pinto, além disso, fiz-lhe eu reparar também, utiliza exactamente o mesmo tipo de procedimento que a sra. Ministra da Educação e a sua equipa têm tido ao longo do seu mandato. É que a sra. Professora Maria de Lurdes Rodrigues nunca tocou nos pedagogos de serviço do seu ministério, primeiros responsáveis pela orientação do ensino; preferiu reduzir a massa salarial e as condições de trabalho dos professores, que se limitam a ter que ensinar aquilo que esses funcionários lhes determinaram e na forma e com os procedimentos por eles igualmente impostos, mesmo que o considerem uma aberração. Acicatou a suspeita e o desprezo sobre os docentes, a pretexto de melhorar a qualidade do ensino, distraindo assim as atenções da imposição de “reformas” inconsequentes e catastróficas, que têm vindo a destruir definitivamente o pouco que os anteriores governos ainda haviam deixado, com trágica incompetência e irresponsabilidade.
Em suma, terminei eu, não tenho informação suficiente para emitir juízos sobre qualquer eventual frete que o dr. Marinho Pinto esteja a fazer ao sr. Primeiro-Ministro, que segue no estilo vigorosamente barulhento.
Mas que imita bem ou disfarça mal, lá isso…
06 junho 2009
Ou por uma coisa ou por outra...
03 junho 2009
Retomando a conversa
Carta do Baralho Cigano02 junho 2009
Uff!!

30 maio 2009
Enquanto não volto com mais tempo...

Para o secretário-geral do PS, que estava a participar num comício da campanha de Vital Moreira para as Europeias, em Braga, os "sindicatos não devem ser correia de transmissão de partidos políticos" e considerou que o PS faz "campanhas eleitorais de cara destapada e sem disfarces". Ao referir-se à manifestação da qual, confessou, viu imagens na televisão, aproveitou para elogiar a ministra da Educação que também estava presente no comício e dizer que o seu sector foi onde o seu Governo actuou de forma mais "reformista" e com melhores resultados. E enumerou-os à exaustão, de modo a contrapor que fez "esta reforma com a oposição de muitos, que é legítimo, mas também com as lutas sindicais, instrumentalizadas a favor de partidos".
O júri da casa já tem (?) muito poucas dúvidas sobre a quem deva atribuir o prémio "Coleira de Mérito".
29 maio 2009
27 maio 2009
Missa negra-rosa em fundo azul (vómito às três pancadas)

Castelo Branco, 27 Mai (Lusa) -- O PS vai hoje ensaiar em Castelo Branco um comício à norte-americana, com o pavilhão do núcleo empresarial da cidade a ser transformado num anfiteatro só com lugares sentados e com as bancadas ordenadas geometricamente em losanglo.
Segundo a direcção de campanha do PS, foram colocados cerca de 1400 lugares sentados.
Todos os apoiantes socialistas estão a receber instruções do "speaker" do comício para levantarem os cartazes de fundo azul com "o slogan" "dia 07 vote PS" e para gritarem essa palavra de ordem.
25 maio 2009
Vejam...

24 maio 2009
Olhem...

20 maio 2009
Repito a chamada de atenção

A vida académica e profissional posterior de cada um deles impediu a continuidade desse trabalho, do qual nunca chegou a ser editado qualquer disco, embora dois se tivessem profissionalizado no campo da música: um deles, José Machado, ao nível da docência, no Conservatório; o outro, Francisco Henriques (Xico Zé Henriques), participando em diversos projectos musicais, desde Carlos Mendes e Jorge Palma, até Rui Veloso e Carlos do Carmo, desenvolvendo, em simultâneo, uma actividade regular no campo do jazz, em projectos pessoais ou em conjunto com diversos músicos e cantores de primeiro plano.
19 maio 2009
Portugueses a sério

18 maio 2009
Portugueses à conquista do mundo
17 maio 2009
Angústias minhas

Diz-se no portal Sapo (clicar sobre o texto).
16 maio 2009
Socorro!
Quadro de Adriaen BouwerEscreveu Manuel António Pina no Jornal de Notícias de segunda-feira passada:
Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).
Há muito tempo que não lia algo de tão impiedosa e arrepiantemente verdadeiro...!
15 maio 2009
13 maio 2009
O óbvio

10 maio 2009
Dizia Boris Vian...

05 maio 2009
Na sequência do post anterior

04 maio 2009
Nomes

02 maio 2009
A coisa, na altura, não me iria sair desta maneira…

No dia 16 de Abril, dia mundial da voz, a RTP, através do Canal 1 e das vozes de apoio de José Carlos Malato e de Marta Leite de Castro, afirmou publicamente a voz do fado como a voz representativa da lusitanidade, dando-lhe voz num programa dedicado à celebração da voz como património do humano.
Responderam à chamada da prestigiada instituição as vozes mais representativas da canção nacional, aquelas que a conservaram com orgulho e altivez patriótica e a quem, por esse motivo, devemos a maior reverência e agradecimento: as fadistas de gema e de antanho, com raízes da Lapa até Cascais, passando pelo Restelo. De fora, ficaram as rústicas e primárias imitações que, até hoje, o foram o adulterando pelos tugúrios da Mouraria, Bairro Alto, Madragoa e Alfama, bem como aqueles que a elas se colaram: os pouco sérios Carmos, Carvalhos, Arys, Tordos, Vitorinos de Almeida, etc., agitadores e mixordeiros do fado, os quais tanto contribuíram para a degradação e o desprestígio da nacional canção, ao ponto de um deles ter mesmo sido distinguido pela venenosa monarquia castelhana.
Para que, porém, não viesse a ser acusada de segregação cultural, quiçá, ideológica e política (que ele há por aí, sabemo-lo bem, gentinha capaz de tudo…!) a RTP não deixou de convidar alguém vagamente próximo de tal populaça: o fadista Camané, homem que cabe em todo o salão, o qual, num arroubo de inovação, ergueu também ele tanto quanto pôde a sua voz, ao som do piano de Mário Laginha. O comovente espectáculo terminou com João Braga entoando dois poemas de Manuel Alegre, poeta que fica bem em qualquer prateleira, também ele presente entre uma assistência rigorosamente seleccionada, composta pelos que, em Portugal, têm dado voz aos destinos do país desde a gloriosa madrugada. Assistência onde se podia ver de um cabeceante general Eanes até um britanicamente efusivo Paulo Portas, ao lado de sua mãe, Helena. Tudo do melhor, que os responsáveis da televisão pública não quiseram que nos faltasse nada.
Mas não se ficou por aqui a RTP. No seguimento do impulso de entusiasmo que a animava, transmitiu, logo de seguida, um filme sobre a internacionalmente premiada worldfadista Mariza, onde pontificava a erudição do ex-secretário de estado da cultura, Rui Vieira Nery.
Ficámos a saber, então, que o fado sofreu uma renovação e uma revalorização a partir dos anos 80 graças ao trabalho dos novos fadistas. Uma vez mais se fez justiça, dado que nenhum dos já citados mixordeiros foi referido, nem sequer gente duvidosa como Maria da Fé, ingenuamente promovida no Brasil pelo risível Caetano Veloso, Maria Armanda, Alexandra, e mesmo Rodrigo ou Paulo Bragança. Os novos fadistas são aqueles que são… os novos fadistas e está tudo dito. Os que cantam o que é a vida: a paisxão, o ciúme e o destino de sermos descobridores da tristeza à garupa da melancolia.
No meio do êxtase estético, intelectual e patriótico que o documentário proporcionava, poucos terão dado a devida importância à revolucionária revelação histórica com que Nery brindou os seus concidadãos, ao afirmar que o Estado Novo, tendo inicialmente hostilizado e marginalizado o fado, enquanto canção ligada ao anarco-sindicalismo, o aproveitou em seu favor após o final da II Guerra, em 1945. Com efeito, uma das cenas mais hilariantes do primeiro filme sonoro português, A Canção de Lisboa, realizado por Cottinelli Telmo em 1933, é a de Vasco Santana, na pele de um Vasquinho da Anatomia a quem a embriaguez solta imprudentemente a língua, lançando-se numa diatribe contra o fado, canção conformista e degradante do carácter, e contra os fadistas (Morte ao fado! Morram os fadistas!)… para depois ganhar a vida como fadista-residente até conquistar a respeitabilidade do estatuto de médico. A genialidade e a lucidez ímpares de Nery ficaram assim, uma vez mais, amplamente demonstradas, atirando esse aspecto menor para o lixo da irrelevância histórica. É com pessoas do seu quilate académico e do quilate dos responsáveis pelo canal público de televisão que podemos confiar, inequivocamente e sem temor, em que Portugal continua e continuará em boas mãos.
Porque certamente alguns dirão que a RTP serve, entre outras coisas, de tugúrio das vaidades da aristocracia provinciana, azeiteira e decadente que deixou espaço ao republicanismo analfabeto, azeiteiro e prepotente que com ela se enfeita.
E certamente outros dirão ainda que a RTP expôs, mais uma vez, a faceta do mccarthismo peixeiro que se entranhou de há muito em Portugal como um seu secular aroma peculiar e que afasta, inevitável e definitivamente, para bem longe de si qualquer narina educada.
Mas não eu.
01 maio 2009
Mais uma portuguesa

30 abril 2009
A receita














