01 abril 2010

Coincidências...


Segundo o Expresso, o Libération não saiu em Portugal na 5ª feira passada, 18 Março, por "problemas de impressão".
Ah bon...! (clicar, para ver o link que me foi enviado)

28 março 2010

Pois...


Este meu período de assoberbamento das possíveis combinações entre problemas de saúde com uma multiplicidade de pequenos problemas que, a não serem resolvidos, poderão alcançar dimensões indesejáveis tem vindo a prolongar-se desde há um ano. Daí que, por hoje, acabe por publicar apenas um poema de Nicolau Saião e que só lá para 4ª feira possa voltar aqui.
Até lá.

U L I S S E S

I

A minha saudade, disse o velho, é como um sonho
e o meu sonho, por seu turno, faz aparecer o vento.
Nos meus antigos rastos há um vestígio que não reconheço
de coisas que toquei ao acaso e que eram simples como uma planta
ressequida e posta junto ao meu leito
(Leito onde não repousei
onde eram exíguas as presenças da morte
onde havia pássaros como em gaiolas familiares
com estranhos roteiros e silhuetas
tal qual os passos que alguém deixa
inscritos na terra húmida
ou nos ladrilhos do chão duma casa devastada).
No primeiro andar daquele prédio além
sente-se tenuemente um vago odor de corpos
de gente vestida como para uma festa
que não chegará nunca (bonecos de porcelana quebrados
e cobertos de pó, ao lado
de um copo sujo de café) - assim o velho, agora definitivamente desperto
continuou, como se as palavras existissem -
O fogo e o suor geram nas suas entranhas o momento
de andar por estas ruas como por país conquistado.

O orvalho é como uma gota de vinho sobre o tampo da mesa
e não há por detrás nem espírito nem melancolia. Era já noite quando alguém
andrajoso foi pé ante pé junto da porta
a segunda porta, onde os retratos reluzem
entre os breves fulgores da aurora.

II

Abre-te ao meu desgosto, acolhe
em tuas mãos sarcasmo e incerteza. É necessário
saber que o horizonte nestas montras
é o mesmo que paira sobre esqueletos e corpos vivos
- o horizonte impreciso aonde o sol
traça como que a linha já desfeita
dum rosto, frutos, mistérios. Que esta manhã, ao menos
oferte a quem a busca
outras recordações.

O vento está em ti como um soluço
As ramadas das árvores, no parque
são como a geometria que esquecêmos
de diferentes lugares, de quartos que habitámos
e que vivem em nós como sementes
crescendo no negrume. Ficaremos aqui
nas veredas percorridas em silêncio

olhando ao longe pinhais e nuvens errantes
retocadas a lápis, vagamente
como laranjais ao crepúsculo
E mil bocas serão a nossa boca
além do muro de pedra onde a nossa mão repousou
ou apenas ficou por um minuto
como dedos dobrados
sobre amarfanhados tecidos. Como a escrita
de alguém já morto já transformado em nome. Ninguém

semeou o trigo que comeste
o pão já ressequido, já esquecido
em momentos de febre ou de amargura
em horas abandonadas, sobrepostas
e em repouso e de novo abandonadas
- imagem que incansavelmente se procura
em pessoas e coisas, em instantes
perdidos para sempre. Refaz de novo o tempo
que humildemente foi

raiz, montanha o vácuo.

III

Convosco se divide não apenas a alegria
mas também o que perdura em quanto se acha
e é pequeno ou talvez iluminado -
a fruta devorada em tempo vário
ou apenas tabaco, fina ardósia
da memória deposta em estranhos dias
alheias algibeiras. Chorando
ora na manhã, ora na noite
(a noite e a manhã palavras
que nada dizem, nada significam
entre ilha e ilha
onde as flores de acanto equivalem perfumes mais terrenos
Maderas del Oriente brise de soie palmolive)
gemendo
se não vinha a frase mais certeira
- um tanto ao norte um tanto ao sul -
do teu para o meu rosto. Mansamente
ali rejuvenesce a nossa voz
Sob os ramos da casa, junto à triste
lembrança olhada a medo, mal rompera
a luz cruzada na colina.

Mãe
ou pai -
em todo o caso pessoas que não esquecem
agora que sussurra contra o leme
este vago Oceano -

iria ser, de brancos cabelos tecendo
ora a ternura ora um fino tédio. Garatujas
numa pedra ou numa parede suja
Momentos que gravaram dentro em nós
se este afinal dizer não é algo excessivo
na saleta em penumbra ante as imagens que dançam

pranto, riso, ciúme ou fria chuva.

IV

Esta foi a casa que sempre procurei
Nela coloquei minha memória, os livros, duas camisas
velhas Nela irei aguardar os símbolos zodiacais
visitas de família, um gato. Sem veredas em torno
- sem vento, inda p’ra mais, que a vela enfune -
acharei no Inverno seu perfil
de manhã solitária, enevoada
pela figura cujos passos soam
como que pressentidos. Aqui e ali porei
resíduos de conversas, a sombra da mão
dum cadáver que vi na infância - primeiro cadáver
como uma ferida fumegante, corpo morto farol
de incontáveis navegações -
tronco ou cabeça, sovaco, perna, pé
que nunca pude esquecer
E luzes, luzes como reflexos numa janela fechada
(No páteo, entre os cavalos de Heliodoro
Manuel da Silva Pericão os lençóis ondulavam
porque era sua Mãe estalajadeira
também servia refeições para fora)
solene, tumultuosa, às vezes aberta
para as meninas verem a procissão
dos que a Creta voltavam os que aprendiam a morrer
quem sabe por vezes numa auto-estrada
E será como um grande mundo atravessando os minutos
de par a par, perenemente reconhecível.

Aqui e ali um bicho um coelho, um retrato
de um primo montado num burro, um banco de madeira
perdido há muitos anos e de repente o som dum objecto partindo-se
sozinho, e em meu redor nem sonhos nem temor.

No quarto mais sombrio, ou seja
mais tranquilo
entre a espada que protegeu as minhas treze viagens
e um boneco de pano oferta da TWA
um odor bem diferente: as velhas flores do quintal abandonado
e uma cadeira com cadernos em cima, um som de água repentino.
Vale dizer: aqueles que à beira do Outono morrem
têm, presume-se, a tarefa facilitada -


quietude, doce lembrança para anos de fome
mágoa, página tão profunda, tão maneirinha
silêncio, bússola para todos os instantes
Serenas companhias envolvendo a nossa fadiga
presenças que o nosso amor forçou a adormecer.
O pasmo há-de envolver as ramagens em torno das paredes
há-de, no tecto, brilhar qualquer coisa fugidia.
Há-de haver, ao largo de Corinto, um som de sino rachado.

A noite, a noite que é fria, que fende com seu lume profundo
há-de encontrar-me algures, com velhas palavras caindo

como flocos de neve ora azuis, ora vermelhos.

26 março 2010

Promessas, leva-as...


... tudo aquilo que se atravessa inesperadamente no nosso caminho. E esta semana, em que havia prometido publicar, entre outras coisas, os textos de Nicolau Saião, há tanto tempo em espera, não consegui fazê-lo houve de quase tudo. Tentarei por isso colocá-los aqui amanhã ou, no máximo, domingo.
Até lá, deixo aqui esta fotografia de uma oliveira, na esperança de que ela seja, ao menos, de Portalegre.

21 março 2010

No Dia Mundial da Poesia

Quadro de Paul Delvaux
Recebi mesmo agora a notícia de que a minha amiga de juventude Raquel Seabra Pinto, a quem ouvi alguns dos poemas mais autênticos de que me lembro, mas que desde muito cedo se remeteu ao silêncio, faleceu hoje, no IPO, devido a um linfoma. Aqui deixo um desses seus poemas, sem mais quaisquer outras palavras.

Sobre a planura as suas asas espraiando
o anjo vigia e guarda.
À noite as águas silenciosas da laguna
reflectem-lhe o dorso, curvado sobre as
árvores frias.
Mãos invisíveis tecem-lhe nos cabelos
segredos antigos
que os homens esqueceram há muito
ou nunca sequer souberam
E parte, por sobre as nuvens
recortadas a luz ardente.
Irremediavelmente, parte.

Da poesia

António Aleixo

Nicolau Saião, de quem tenho recebido uns quantos belos (alguns, belíssimos!) textos, cujo conjunto publicarei num único post durante esta semana (estejam, portanto, atentos), enviou-me há bocadinho um excerto de uma entrevista dada pelo professor e ensaísta brasileiro Luís Costa Lima à revista Sibila, publicada no Brasil e EUA, na qual afirma isto, que eu subscrevo inteiramente (quanto à fotografia do Aleixo, bem... não será difícil perceber, pois não?):

"Estou plenamente de acordo em que o melhor incremento à mediocridade invasora está no que chamo de “doença senil do ‘espírito 68’”. Por preguiça, comodismo, covardia, se não mesmo por ignorância, aceitamos como poesia o que não passa de uma balbúrdia de associações livres ou lembranças eróticas ou sentimentais passíveis de ser reconhecidas por qualquer um. Se o autor de tais banalidades encontrar um canal que o difunda e um marqueteiro de prestígio, poderá estar seguro de ser reconhecido como poeta. Duas coisas ademais o ajudarão a se manter neste infame panteão: por um lado, desde que os critérios oficiais foram desmoralizados pelo êxito das vanguardas do começo do século XX, os que se dedicam à apreciação da poesia e da pintura passaram a temer ser reconhecidos como caretas, conservadores e quadrados; por outro, há muito pouco espaço para que discussões de nível se estabeleçam. Por isso, repito, mais importante que a conversa que aqui estabelecemos é a sua própria iniciativa".

20 março 2010

18.000


A propósito do número de abortos, perdão!, interrupções voluntárias (da parte da ou de ambos os objectores, o feto só fala depois do cão) da gravidez, José Gonsalo publicou há pouco, no Fiel Inimigo, este muito oportuno e interessante texto, cuja leitura eu também recomendo.

17 março 2010

16 março 2010

Os santos demagogos, perdão!, pedagogos



Os recentes casos ocorridos desde há um mês, em que
- um aluno, em estado de descontrolo emocional provocado por actos de violência de colegas sobre ele, se terá suicidado;
- um professor teve que receber assistência hospitalar, por um seu aluno o ter agredido com uma cadeira, a pretexto de uma nota injusta;
- um outro professor se suicidou, por não suportar o caos diário das aulas e os insultos que recebia na escola onde leccionava música
são a clara confirmação de que - ao contrário de países atrasados como o Japão, onde se continua a insistir na permanência, tecnicamente primária, do quadro negro e do giz, no obsoletismo da disciplina e num antiquado respeito pelo professor - a via impulsionada pelos quadros técnico- políticos que enxameiam o Ministério da Educação desde a entrada em cena da superior luz demagógica, perdão!, pedagógica do sr. eng. Roberto Carneiro, através da qual:
- se multiplica a obrigação de relatórios dos professores sobre si próprios e sobre os alunos, como forma privilegiada da constituição do enquadramento fundamental do acto educativo pela permanente reflexão sobre o mesmo, buscando as condições ideais a que deve obedecer o funcionamento harmonioso da comunidade escolar (para a próxima, após nova e cuidada reflexão, procurarei ser mais claro ainda - mas sempre em eduquês!);
- se melhora o aproveitamento destes, através da distribuição de computadores que, de tão pioneiros, merecem o nome de Magalhães,
constitui uma autêntica via rápida que nos encaminha, como fácil e presentemente já se pode observar à saciedade, para a elevada e humanista condição de guia espiritual do mundo vindouro.
O espelho de tudo isto consubstancia-se, por exemplo, na crónica de domingo passado, na PÚBLICA, do para sempre louvado Professor Doutor Daniel Sampaio, profundo conhecedor da realidade escolar e dos seus arredores, do alto de cuja fronte o futuro nos contempla, e que tanto tem vindo a contribuir, com a sua autoridade e postura, para a educação do nosso querido torrão natal. Nessa crónica, tão excelsa criatura que Deus nos providenciou para o devido aconselhamento dos transviados, propõe, como solução para o problema, a constituição de uma CAB (comissão antibullying) em cada escola, a qual estudará «formas de combater todos os tipos de bullying, físico, psicológico, social, pelas novas tecnologias (...)» e que, «a médio prazo, promove na escola a resolução de conflitos, a mediação escolar, o envolvimento dos pais e da comunidade (acções específicas) e a capacitação dos professores e dos auxiliares educativos». E termina com uma frase, que é um autêntico exemplo de um mandamento moral de um ser superior, fundamentada num conhecimento verdadeira e inquestionavelmente científico, meigamente admoestadora de todos os preguiçosos e que todos os justos, aqueles que, no fim, serão salvos, certamente venerarão: «Dá trabalho, mas é o único caminho.»
Outro exemplo ainda, ouvi-o eu, esta tarde, num telejornal, vindo da senhora Ministra da Educação, alçando, perante os jornalistas, da medida de dar maiores poderes às Direcções das escolas para suspenderem os alunos bulhentos, perdão!, bulharentos, perdão!, poluentes, perdão!, bulluyentes, assim atacando os problemas na sua raiz, para definitiva confiança de Portugal no primeiro-ministro José Sócrates.
Tudo isto acompanhado por uma dúzia de caipirinhas e nada me perturbará o sono. Amanhã, o sol brilhará e que não me doa a cabeça!

Actos falhados...


11 março 2010

07 março 2010

04 março 2010

José Manuel Capêlo


A propósito da morte de José Manuel Capêlo, há exactamente uma semana atrás, 25 de Fevereiro, Nicolau Saião enviou-me um texto, entretanto também já publicado no Fundação Velocipédica, que transcrevo em seguida.

NA MORTE DE JOSÉ MANUEL CAPÊLO

À BEIRA DO MÊS DE MARÇO

Conheci José Manuel Capêlo na segunda metade dos idos de oitenta, numa tarde em que por intermédio de José do Carmo Francisco nos encontrámos ao pé da Estação do Rossio sob um sol quente de Verão.
Combináramos de antemão por carta, pois nem sequer se sonhava com telemóveis ou mensagens interactivas, essa jornada em que iríamos passar uma considerável parte do resto do dia num pequeno restaurante ao Bairro Alto, amparados por uns comes-e-bebes de bom porte que foram uma espécie de enquadramento para uma conversa algo rabelaisiana: gostava de comer e de beber, o autor de “Fala do Homem Sozinho”, de “Rostos e Sombras”, de “O incontável horizonte”, falava profusamente na sua voz bem timbrada e era de simpatia rápida. Não estaria mal entre goliardos, entre joviais companheiros num banquete onde houvesse iguarias e poesia entremeadas. Complexo e claramente fantasista, tinha projectos que uns se concretizariam e outros ficariam apenas esboçados. O que, perante alguns menos contentáveis o feriu frequentemente, pois o seu fundo imaginativo era por vezes atraiçoado por uma veloz mudança de cenários, que o metiam – soube-o depois - em andanças um pouco menos que rocambolescas.
Mas era aberto e comunicativo, expansivo e poeta bastante para nos cativar e, mesmo, permitir-nos passar por alto certo pendor baloiçante de alguma navegação sua.
Devido a essa simpatia mútua logo com generosidade me convidou a participar na noite seguinte, para conversarmos e dizermos poemas, num programa de rádio que tinha numa das localidades da Grande Lisboa. Aboletou-me em sua casa e entre o petiscar afável da cozinha britânica (estava consorciado, nessa época, com uma senhora inglesa) em que nos compaginámos, contou-me estórias movimentadas que colhera nos sete céus e nos catorze continentes devido à sua profissão de comissário de bordo da TAP. Todo ele esfuziava e, si non è vero è bene trovato, mostrou-me um filme bastante conhecido (O Bom, o Mau e o Vilão de Sérgio Leone) em que entrara como figurante (médico militar nas cenas após uma escaramuça da Guerra da Secessão) junto a Clint Eastwood, Lee van Cleef e Eli Walach.
O programa a que me levou estava bem estruturado, era aliciante e ele conduziu a emissão de uma forma competente e que me permitiu excursionar com certo desembaraço por coisas do Alentejo, da noite circundante, da escrita e, em suma, da aventura de viver.
Devido a isso, num repente e suscitado pela sua figura bem recortada, criei a partir do seu aspecto físico (com a sua agradada aquiescência) o meu personagem Doutor José Jagodes, o misto de pensador-pirata que alguns dias depois apareceria em “O Distrito de Portalegre” na sua primeira “aventura”, “O Jagodes em Espanha”.
Em princípios de 88, telefonou-me e convidou-me a participar numa antologia que teria o título de “Palavras – sete poetas portugueses contemporâneos”. Como as coisas da edição, ontem como hoje segundo julgo saber, não eram fáceis, o colectivo acertara esportular uma quantia que minorasse os custos. Como eu nessa época, devido a circunstâncias do meu erário de pai de família andava ligeiramente descapitalizado, informei-o de que não me seria possível abrir os cordões à bolsa, ficando com pena minha fora das suas deles cogitações. Ele disse-me que iria ver…
E o livro veio de facto a lume, com um prefácio de João Rui de Sousa - que na altura só conhecia de nome - que me era muito favorável. Soube então que a minha parte a pagara ele do seu bolso.
O lançamento foi numa conhecida livraria da capital, com galeria de pintura anexa e chão de empedrado como nas ruas finas. E se aludo a isto com pormenor é porque se verificou nesse evento uma situação que tenho por razoavelmente curiosa, pouco abonatória da minha proverbial distracção e que muito divertiu o nosso Capêlo que com senso de humor me xingou cordialmente durante todo o jantar que se seguiu, num entreposto do Bairro Alto em que também me fizeram cantar para poderem aquilatar dos meus hoje já diminuídos dotes vocais…
Sentados na mesa dos oradores, acompanhados do actor-declamador João D’Ávila que iria ter o encargo de dizer o acervo de poemas escolhidos, eu tive a sensação de que diversos membros da assistência que enchia completamente o salão os conhecia de algum lado que não divisei, a princípio, perfeitamente.
E o evento seguiu seu curso, com agrado geral e aplausos – e recordo que no final e antes dos autógrafos um dos membros da assistência, também ele poeta (Paulo Brito e Abreu), me veio simpaticamente cumprimentar e exprimir-me o seu apreço sincero.
E a dada altura, já o nosso Capêlo me propiciara a companhia de um copo de tinto pundonoroso e aconselhara provasse uns panadinhos muito salubres, aproximou-se de mim uma senhora alta, com aspecto cordial e franco, que me disse: “Importa-se…? É para mim e para o meu marido”. “Com todo o gosto minha Senhora – retorqui eu imediatamente. E logo a seguir: “Pode fazer a fineza de me dizer o seu nome e o de seu esposo?”.
A senhora olhou-me um pouco intrigada. Deve, acho eu, ter pensado: “Estes poetas…são todos uns despassarados de marca…” ou qualquer coisa pelo estilo. Mas, com delicadeza, acrescentou de pronto: “Ora então ponha, faz favor: Maria e Aníbal…!”.
E foi então, estimulado por uma discreta cotoveladazinha nas costas dada pelo Capêlo, que se me fez luz...
As pessoas que eu parecia conhecer de qualquer lado eram políticos colunáveis: secretários de Estado, um que outro ministro, deputados e membros de formações partidárias. E a senhora…já adivinharam…era a Senhora de Cavaco Silva, que na altura estava primeiro-ministro. E devia-se a presença, solidária, de todos eles à circunstância de um dos antologiados ser Fernando Tavares Rodrigues, na época director-geral da Informação e figura destacada do PSD...!

Soube recentemente que JMC, numa sequência a que o seu interesse pela História e o Mito o levava, escrevera uma obra que me dizem de gabarito sobre o universo templário luso. A sua poesia, que fui encontrando enquanto participante-conviva em diversas publicações ou a constante em livros que ciclicamente me fazia chegar, tem uma estrutura discursiva e apaixonada de bom quilate. Ele era um intenso, mas caldeava essa característica por uma feitura sabedora, o que lhe permitia fazer excursionar a sua escrita de maneira consequente e muitas vezes com uma indubitável alta qualidade. E se por vezes se deixava enredar por uma certa deambulação declamatória, creio que o devia ao seu excesso de vitalidade, pois naquela época era vigoroso e ainda não tivera de abandonar, por mando dos esculápios, conforme me foi dito, as saborosas refeições e o corolário de um cigarro ou um charuto reconfortante.

À beira do mês de Março, quase no fim de Fevereiro, um AVC fulminante levou-o para outros espaços aos 64 anos, ao José Manuel Capelo, poeta, viajante dos céus, albicastrense de gema e sonhador de inspirações várias.
Saúdo-o com um evohé fraternal e sentido.

ns

Sting&Branford Marsalis - Roxanne

03 março 2010

Tal como na velha piada da bicicleta...


... aqui, ao menos, o burro sempre pode puxar sentado...!

27 fevereiro 2010

Agora, a sério...!


Já não vou demorar muito a emergir de alguma letargia, provocada pelos problemas de saúde, entretanto mais ou menos resolvidos (raio da coluna!).
Entretanto, fiquem com esta.

23 fevereiro 2010

A quem interesse


Já aqui deixei uma referência ao blog Tetraplégicos, que descobri há tempos, por acaso, e que coloquei desde logo nos favoritos, dada o excelente trabalho que nele tem sido feito. Chamo hoje a atenção para um post de enorme importância para quem necessite do que nele é noticiado.
O Eduardo continua de parabéns.

18 fevereiro 2010

Toca a acordar!


É que, convençam-se, há mesmo candidatos a papão que existem fora dos sonhos e das histórias que nos dão sono, a crianças e adultos... (leiam ainda alguns dos comentários, que acrescentam mais episódios).
NOTA: Desconheço a razão pela qual o serviço de moderação de comentários decide, de vez em quando, entrar em autogestão, fazendo "vista grossa" a alguns deles. Aconteceu alguns posts atrás, como eu próprio assinalei na caixa correspondente e aconteceu também com um segundo comentário ao post anterior, que, por mais que eu tente, não "cola". Estou a tentar perceber o que se passa.

16 fevereiro 2010

Do carácter da UE


Quando alguém como Vítor Constâncio conta com apoios suficientes dentro da União Europeia para conseguir alcançar o lugar de vice-presidente do BCE, será preciso dizer mais sobre a Europa que se constitui na sombra e no silêncio?

13 fevereiro 2010

Em falta


Deixo-vos hoje este belo poema de Nicolau Saião (entretanto já publicado no Fundação Velocipédica e que ele mesmo, à data, me enviou também), embora sem a ilustração de Pedro Sevylla de Juana que o acompanha originalmente, a qual, com pena minha, não consigo transpor para o post. Em sua substituição, deixo esta fotografia, recolhida aqui.

AS COISAS

As coisas multiplicam-se
muito mais que as pessoas. Só elas
possuem o segredo de tranquilamente jazer
entre as ervas, as águas, as ruínas
ausentes e presentes. A sua pele
é mais fina que a casca dos minutos
e contudo, sob o lume e o vento
sob a terra em que os passos já não soam
ou no deserto violento das palavras
as coisas repousam
ou, subitamente iluminadas
gritam e falam-nos com movimentos graves
adejando como estranhos pássaros nocturnos
ou como trémulos animais interditos.

As coisas
sofrem
elas sofrem como se existissem noutra esfera
próxima de nós
como uma Lua oculta, como um peixe fantasma
como uma flor solitária numa casa abandonada
como um gato que no sono se agita pleno de medo
As coisas
minúsculas, gigantescas, iguaizinhas a nós
ensanguentadas pelo nosso terror e a nossa cólera
sob as nossas mãos
entre os nossos cabelos
repousando junto a nós quando dormimos
calmas como o ruído dum comboio numa cidade matutina
As coisas
respirando devagarinho nas nossas memórias
andando junto às nossas recordações como se fossem
um elefante, um rato, um cão fiel
feitas de barro, as coisas
de madeira ou de cera, de vidro ou de cimento
feitas de cristal e de platina, de celulóide
do fresco celofane, de aço e de papel
pobres coisas num rés-do-cão amontoadas
esquecidas como um trapo manchado
livres e belas
nosso testamento, papiro para milénios a vir
As coisas
sempre atentas, sempre dormindo esperando o despertar
o silencio luminoso
As coisas

nossas irmãs de mundo, nossas filhas, nosso sinal perfeito
neste universo que é o nosso resumido encontro
com a sua

eternidade acontecida.
in Os Objectos Inquietantes

12 fevereiro 2010

O trambolho


Ontem à noite, no programa Corredor do Poder, transmitido quinzenalmente pela RTP1, Nuno Melo, do CDS, demonstrou - a meu ver, irrefutavelmente - o teorema seguinte:
"Henrique Granadeiro declarou publicamente que avisara o primeiro-ministro de que iria apresentar à CMVM a candidatura da PT à compra da parte da empresa espanhola Prisa na TVI;
A PT entregou à CMVM o documento oficial comprovativo dessa sua mesma intenção, em 22 de Junho de 2009;
No dia seguinte, 23 de Junho, porém, o primeiro-ministro afirmou na Assembleia que desconhecia, por completo, essa intenção;
Conclui-se, assim, que o primeiro-ministro mentiu à Assembleia da República."
Quod est demonstratum.
Não interessa, portanto, se foi num jantar que Henrique Granadeiro lho disse, se foi ao lanche, ao jantar ou até ao pequeno-almoço. O primeiro-ministro terá mentido com quantos dentes Deus ou a Natureza lhe deu, à Assembleia da República.
E um primeiro-ministro que mente à Assembleia da República não existe como primeiro-ministro. É um trambolho político.
A pergunta seguinte é: e o que faz um trambolho como primeiro-ministro?

07 fevereiro 2010

Maquiavel...

Sebastián de Covarrubias, A Inveja (século XVI)


... deve estar a roer-se, por não poder ter dado uma entrevista como esta (via Fiel Inimigo)...

02 fevereiro 2010

Do nojo (2)


Diz o velho socialista Henrique Neto (texto recolhido aqui)

Sou amigo do Mário Crespo há muitos anos e tenho-o na conta de um homem independente e sério, o que não significa que partilhe muitas opiniões com ele, ou que entenda que ele é um modelo de jornalismo. Também não acho isso de mim próprio, ou de ninguém em particular.
A liberdade é a coexistência de modelos e não a imposição de um em concreto.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira jornalística - e nesse particular sou mais antigo do que o Mário - não me lembro de um cronista ser dispensado depois de a crónica estar pronta a ir para a oficina. E o que isto significa é que os limites da liberdade estão mais apertados do que nunca.
Tenho o director do JN, José Leite Pereira, na conta de um bom profissional e de um homem independente e sério. É jornalista há muitos mais anos do que eu, tem uma experiência considerável. Não creio que ele se impressione com uma crítica a Sócrates, como não creio que ele exigisse gratuitamente a Mário Crespo uma confirmação independente de fontes. Provavelmente, não o faz (nenhum de nós o faz) quando, em vez de Sócrates, está um outro cidadão qualquer em causa.
Porém, no caso do primeiro-ministro as palavras são relevantes, já que proferidas por quem tem a responsabilidade do poder executivo neste país. É certo que a conversa pode ser considerada privada, mas é igualmente certo que o bom-nome de Mário Crespo foi atacado de forma pública, ou jamais seria ouvida por circunstantes que nada tinham a ver com a conversa.
O que se passa, então?
Posso tentar avançar uma explicação: Mário Crespo tornou-se incómodo para Sócrates (e até para Cavaco, que denunciou em algumas crónicas), e a sua incomodidade estava a deixar o próprio José Leite Pereira numa situação difícil. Por isso o director do JN recorreu a um excessivo escrúpulo jornalístico para resolver a questão. E decidiu não publicar a crónica.
Não posso condenar José Leite Pereira, não é do meu timbre julgar os outros. Apenas posso dizer que este é o panorama da nossa Comunicação Social: Grupos que dependem do poder do Governo, patrões que pressionam directores e editores até à exaustão, cronistas afastados por serem incómodos e uma multidão de lambe-botas que, prudentemente se cala ou arranja eufemismos para tratar a questão.
Tenho em comum com Mário Crespo o facto de trabalharmos num grupo onde nada disto acontece (felizmente não será o único). Talvez não estejamos inteiramente preparados para o mundo 'lá fora', onde as palavras têm de ser medidas, onde não se pode escrever preto no branco, como aqui faço, que Sócrates é o pior primeiro-ministro no que respeita à Comunicação Social; o único que telefona e berra com jornalistas, directores, com quem pode. O único em que nestes mais de 30 anos que levo de vida jornalística, se preocupa doentiamente com o que dizem dele, em vez de mostrar grandeza e fair-play com o que de errado e certo propaga a Comunicação Social.
Lamento dizê-lo, tanto mais que é nosso primeiro-ministro e seguramente tem trabalhado muito e o melhor que sabe.
Mas é a verdade, e num momento destes a verdade não se pode esconder.

01 fevereiro 2010

Do nojo (1)


Este texto de Mário Crespo deveria ter sido publicado hoje, no JN. Não o foi, pelos motivos que aqui se pode ler. Trinta e poucos anos depois, Portugal resvala, de novo, para a iniquidade dos medíocres e para abjeccção de carácter. O abismo não terá fim?!

O Fim da Linha

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

O comentário possível


Dias atrás, Ricardo Salgado, presidente do BES, chamava, apreensivamente, a atenção de todos para o facto da tributação sobre bónus e rendimentos variáveis de administradores e gestores poder fazer com que “gente muito valiosa” abandone Portugal para trabalhar noutro país". Ou seja, que somente os administradores gestores medíocres fiquem por cá, com as previsíveis consequências presentes e futuras para este nosso amado torrão natal.
Delicioso!

28 janeiro 2010

O pelintra pródigo


Manuel António Pina, no JN de ontem, 27 de Janeiro de 2010

A notícia vem no DN: o Governo português comprometeu-se a emprestar a Angola até 200 milhões de dólares. Para isso, apesar da dívida externa do país ultrapassar já os 100% do PIB (e com as agências de “rating” a anunciar, em face disso, o aumento das taxas de juro da remuneração da dívida), o Governo irá contrair um (mais um) empréstimo. A boa notícia é que o mais certo é que parte desses milhões, ao menos a das “comissões” e das “contrapartidas”, acabe por voltar a penates, seja através das empresas e dos negócios do costume, seja em artigos de “griffe” como relógios de ouro Rolex e Patek Philippe, pulseiras Dior e H. Stern, roupas Ermenegildo Zegna e até… casacos de peles, comprados nas lojas de luxo de Lisboa sem olhar a preços. De facto, as elites do regime angolano constituem hoje, segundo uma notícia publicada pelo “Expresso” em finais de 2009, 30% do mercado de luxo português. Que isso nos sirva de conforto, aos pelintras contribuintes portugueses, quando pagarmos a escandalosa factura dos 200 milhões. Porque, como diria o gondoleiro de “Morte em Veneza”, haveremos de pagá-la.

23 janeiro 2010

22 janeiro 2010

De uma esquerda contra-corrente


Quadrinho da (excelente!) série de BD O Vagabundo dos Limbos, de Godard e Ribera

"Afirmo a existência do direito a ter pai e mãe, o direito a possuir uma filiação. Os avatares históricos podem privar-nos do pai ou da mãe, podem fazer com que tenhamos pais adoptivos. O que não se pode fazer é programar órfãos. Não há o direito de se preparar o nascimento de um ser que será privado de pai ou de mãe, como se estes fossem simples aditamentos supérfluos. Creio que a nossa origem simbólica de uma dupla filiação masculina e feminina, e o apaixonamento ligado a essa dupla filiação, nos cria um imaginário que ninguém tem o direito de pôr de lado."
Fernando Savater
(via Delito de Opinião.blogspot)

18 janeiro 2010

Por motivos diferentes...


... tanto este texto como estoutro (de cuja autencidade duvido muitíssimo) merecem uma leitura atenta. Espero, entretanto, voltar, finalmente, em breve a uma postagem mais regular.
Até já.

Mitos e negociatas climáticas à parte...

Carmélio Cruz, Vila Abraão
... Buédafixe!

03 janeiro 2010

Do tempo


«O que é, pois, o tempo? Se ninguém mo pergunta, sei o que é; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei. No entanto, digo com segurança que sei que, se nada passasse, não existiria o tempo passado, e, se nada adviesse, não existiria o tempo futuro, e, se nada existisse, não existiria o tempo presente. De que modo existem, pois, esses dois tempos, o passado e o futuro, uma vez que, por um lado, o passado já não existe, por outro, o futuro ainda não existe? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse a passado, já não seria tempo, mas eternidade. Logo, se o presente, para ser tempo, só passa a existir porque se torna passado, como é que dizemos que existe também este, cuja causa de existir é aquela porque não existirá, ou seja, não podemos dizer com verdade que o tempo existe senão porque ele tende para o não existir».

Santo Agostinho, Confissões, XI 14


«En aquel pasaje de la Enéadas que quiere interrogar y definir la naturaleza del tiempo, se afirma que es indispensable conocer previamente la eternidad, que- según
todos lo saben – es el modelo y arquetipo de aquél… Leemos en el Timeo de Platón que el tiempo es una imagen móvil de la eternidad; y ello es apenas un acorde que
a ninguno distrae de la convicción de que la eternidad es una imágen hecha com substancia de tiempo.Una de las oscuridades, no la más árdua pero no la menos
hermosa, es la que impide precisar la dirección del tiempo. Que fluye del pasado hacia el porvenir es la creencia común, pero no es más ilógica la contraria, la fijada en
el verso español por Miguel de Unamuno:
Nocturno el rio de las horas fluye desde su manantial , que es el mañana eterno… »

Jorge Luis Borges, Historia de la eternidad

30 dezembro 2009

26 dezembro 2009

Como já devem ter reparado...


... ando ausente e, quando apareço, é para chamar a atenção para o que outrem disse. Em parte por excesso de trabalho, em parte por problemas de saúde, agora quase ultrapassados. É que isto de ser vertebrado, às vezes tem que se lhe diga! Depois, é Natal, é Natal...
Espero voltar lá para terça-feira.
Abraços e beijinhos, conforme o combinado.

17 dezembro 2009

Mais um email


RANCHÃO DE NATAL

É de casca o meu barquinho
E é de lixo esta cidade;
Aqui manda e segue a estrada
A louca erguida na tarde.

Pede esmola o tipo rasca
Pede ardor a fresca nata,
E em Lisboa, praça fora,
Dois irmãos a dar à pata.

«Cavaleiro, a tipa goza,
O meu quisto na cueca”
Para ti, real pateta
Da poesia a grande seca

II

E já brocha, aquela Santa,
Na igreja e a preceito:
Sua chuva, casa tonta,
Faz-nos vir com tudo feito

Esta missa em Sol e dós
E a burrice prò santão…
Eis que me venho p’ra vós,
Da fundura do caixão.

Natal o metes p’ra lá
Antes do sol-pôr chegar
Natal o metes p’ra cá
Pondo o bento a defecar

O silêncio é de cerimónia
neste Natal de toilette
Com santos à dependura
Nos fulgores duma retrete

Se a lua nos desse fruto
Se o sol nos desse conchego
Se Portugal fosse o luto
Dum fato posto no prego

Que o rito que alguns nos dão
Faz arrotar devagar
Depois da missa do galo
Com todo a gente a chorar

Não quero a religião
nem quero enganos a esmo
quero só a liberdade
inda que feito em torresmo.

ELÓI SARNADAS

Novamente, recebido por email...


... novamente, ao que me dizem, da autoria de Mário Crespo (desta vez não confirmei essa autoria, mas estou, na mesma, de acordo com o que aqui é dito).

Portugal precisa de jactos executivos para transporte de governantes?

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal.
Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar,
como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

14 dezembro 2009

Recebido por email



O palhaço

de: Mário Crespo

Ou nós, ou o palhaço.
O palhaço é inimputável.
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Cá para nós: a continuar assim, cheira-me que, um dia destes, ainda acontece alguma palhaçada ao Mário Crespo...

13 dezembro 2009

Se eu ainda tivesse alguma dúvida...


... quanto àquilo que aqui tenho vindo a afirmar desde sempre - que o PS e a esquerda no seu conjunto, mesmo aquela que nunca chegou ao governo, são os herdeiros mais directos do salazarismo no que respeita à mentalidade repressiva do poder em geral, que se instalou em Portugal desde a ponta final dos Descobrimentos (mas não só a esquerda) - este depoimento, a que se acrescenta este outro, tirar-mas-ia em definitivo.
É que ser polícia, relembro uma vez mais, não é uma profissão nem sequer uma forma de sobrevivência: é um estado de espírito.

11 dezembro 2009

Relembrando Wes Montgomery

Mesmo para quem viu e ouviu Fernando Lemos...


... faz depois de amanhã duas semanas no programa "Câmara Clara", na RTP2, aqui fica uma entrevista que deu ao blog http://artephotografica.blogspot.com/. É que é sempre um prazer estar com alguém inteligente.

08 dezembro 2009

Você sabia que...

Henri Rousseau, Mulher passeando numa floresta exótica

... em Portugal...?

06 dezembro 2009

Recebido por email



Ó Fernanda ! Canse-o !...
Requerimento a Fernanda Câncio (namorada do nosso PM!),
por Euleriano Ponati, poeta não titular
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado
do ar teatral
a que ele equivale
em todo o horário
de cada canal,
no noticiário,
no telejornal,
ligando-se ao povo,
do qual ele se afasta,
gastando de novo
a fala já gasta
e a pôr agastado
quem muito se agasta
por ser enganado.
Ó Fernanda, dado
que é tempo de basta,
que já estou cansado
do excesso de carga,
do excesso de banda,
da banda que é larga,
da gente que é branda,
da frase que é ópio,
do estilo que é próprio
para a propaganda,
da falta de estudo,
do tudo que é zero,
dos logros a esmo
e do exagero
que o nega a si mesmo,
do acto que é baço,
do sério que é escasso,
mantendo a mentira,
mantendo a vaidade,
negando a verdade,
que sempre enjoou,
nas pedras que atira,
mas sem que refira
o caos que criou.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
que falta paciência,
por ter suportado
em exagerado
o que é aparência.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
ao fim e ao cabo,
das farsas que ele faz,
a querer que o diabo
me leve o que ele traz
ele que é um amigo
de São Satanás,
entenda o que eu digo:
Eu já estou cansado!
Sem aviso prévio,
ó Fernanda, prive-o
de ser contestado!
Retire-o do Estado!
Torne-o bem privado!
Ó Fernanda, leve-o!
Traga-nos alívio!
Tenha-o só num pátio
para o seu convívio!
Ó Fernanda, trate-o!
Ó Fernanda, amanse-o!
Ó Fernanda, ate-o!
Ó Fernanda, canse-o!


Euleriano Ponati
(poeta não titular)

05 dezembro 2009

03 dezembro 2009

Exemplar!!!


É o mínimo que se pode dizer deste artigo, escrito pelo empresário e membro do PS, Henrique Neto, no Jornal de Leiria, p.16! (via Fiel Inimigo). Exemplar na lucidez, exemplar no desassombro, exemplar na consciência cívica. Exemplar na verticalidade, no meio de um partido que se encontra nos antípodas de tudo isto.

29 novembro 2009

25 novembro 2009

Justiça azeda

O anjo da decadência
Depois do que todos pudemos viver nestes quatro anos, este é um dos melhores exemplos daquilo que ficou dito no post anterior. Até o bom-senso está fora de prazo.

24 novembro 2009

Reflexão escrita à pressa, antes de ir para o ganha-pão

Rafael, S. Jorge e o Dragão

Quando um conjunto de militares derrubou o velho Estado Novo, havia já, pelo menos, duas dezenas de anos que o seu mentor e os respectivos apoiantes tinham perdido qualquer crédito junto da população. Por todo o lado se segredava anedotas amargas e ridicularizadoras de um regime e respectivos dirigentes manifestamente corruptos e bacocos. Bastou um sopro para que toda uma estrutura com fundamentos definitiva e claramente apodrecidos, caísse sem quase haver estrondo por não haver gente disposta a ampará-la.
Trinta e cinco anos depois dessa data, o regime democrático, palco de luta pelo poder das organizações políticas entretanto surgidas, só não sofre o mesmo destino daquele que o precedeu porque estamos na União Europeia. O descrédito é total, a vida política considerada como uma mera farsa de interesses obscuros, o salve-se quem puder o espírito dominante. Portugal e os portugueses não se curaram de Salazar e recaem diariamente na descrença e no cinismo. Agonizam.
Helder Macedo, o primeiro ministro da Cultura que houve no país, durante o governo transitório de Maria de Lurdes Pintasilgo, em 1979, dizia hoje (e eu concordo com ele) que Portugal foi um país racional, pragmático e mesmo, sob certos aspectos, na vanguarda da Europa até ao sebastianismo.
Está na hora de chamar D. Dinis e o Príncipe Perfeito. E sem nevoeiro nem outros efeitos especiais. É que a coisa é mesmo de vida ou de morte.

23 novembro 2009

Para terminar, por hoje


É mentira, é mentira/é mentira, sim, senhor/...


Sinais repetidos de um futuro anunciado


Portugal é, felizmente, um país onde, ao contrário do que se passa na Europa mais a norte, macambúzia e monótona, ainda se vive a vitalidade e as possibilidades da rua e onde a defesa da tradição e do património constituem ponto de honra para os cidadãos. Pelo menos a julgar pelos telejornais.
Noutro dia, era um alegre varredor camarário que dava conta da sua satisfação em retirar do chão e de cima das flores dos canteiros que ficam junto ao Centro de Saúde e ao lado de uma escola básica da Venda Nova, freguesia da ex-Porcalhota, actual Amadora, inúmeras máscaras azul-bébé, preventivas da gripe porcina, para ali atiradas pelos foliões depois da consulta. Espontânea, reveladora do carácter profundo dos seus habitantes e do nível de enraizamento das convicções e hábitos que terão dado o antigo nome ao lugar, esta iniciativa da comunidade vendanovense merece os maiores aplausos.
É do mesmo modo notável a franqueza e a limpidez de carácter dos portugueses, bem como a sua inigualável capacidade de simplificar, reciclar e improvisar procedimentos que, noutros países europeus, supostamente mais cívicos e democráticos, se revelam desnecessariamente complexos e excessivamente escrupulosos. A presença, noticiada ontem, de documentos jurídicos tão diversos como, entre outros, escrituras contendo nomes, moradas, números de telefone e de contas bancárias, folhas com elementos de processos e até mesmo uma disquete contendo um processo inteirinho, num contentor de lixo, na capital, revelada por uma subtil dispersão de uns quantos pelo passeio adjacente, mostram a que ponto somos capazes de inovar com base na tradição, optimizando o aproveitamento e o uso de recursos, a bem de uma superior funcionalidade e eficácia da administração pública e da justiça.
"Portugal, país do futuro" é um slogan a promover, justificada e rapidamente. É que anda por aí muita gente esquecida...!
Adenda, algumas horas depois:
Na minha caixa de correio não-electrónico encontrei um prospecto que publicita a realização de uma excursão com a duração de um dia, patrocinada pela Franis Lda., empresa cuja existência desconhecia até há minutos. A excursão, além de um pequeno almoço acompanhado de uma «amena demonstração comercial» e de um «almoço típico de Natal», inclui ainda um «espectáculo musical humorístico com "Ti Maria da Peida" que arrasta multidões e que marca a diferença pela alegria e boa disposição. É DE CHORAR A RIR.» (reproduzo o texto na íntegra, cores incluídas).
Aqui fica, portanto, esta nota, para o caso de alguém desejar juntar-se a tão incomparável manifestação do mais profundo e genuíno espírito nacional.

21 novembro 2009

Pérolas de sabedoria em viagem


Sexta-feira, no comboio Lisboa-Porto:
«No Sul chove menos do que no Norte porque no Norte vai-se mais à igreja.»

15 novembro 2009

Uma homenagem urgente


Segundo o PÚBLICO de hoje, a Junta da Extremadura espanhola promove actualmente uma polémica, mas firme campanha de educação sexual através da qual visa ensinar os jovens entre os 14 e os 17 anos a masturbarem-se. A campanha, que recebeu o nome de código "El placer está en tus manos", contempla a utilização de, por exemplo, vibradores e bolas chinesas e é uma iniciativa do Conselho da Juventude, com fundos cedidos pelo governo socialista de Zapatero.
Os reaccionários do Partido Popular pronunciaram-se como se esperaria, afirmando que esses "workshps de masturbação" são um "atentado" à inteligência dos jovens. E acrescentam que a verba que lhes foi destinada, oriunda do Instituto da Mulher (um organismo governamental), teria muito melhor aplicação no combate ao desemprego das 18.233 pessoas com menos de 25 anos que se regista na província espanhola.
Embora sem esperança na possibilidade de que um golpe de inteligência ilumine as mentalidades retorcidas e obscurantistas dos dirigentes da direita, desejamos, apesar disso, lembrar-lhes que, face ao implemento, em Espanha, das correntes pedagógicas humanistas que têm vindo a dar forma à escola pública entre nós, bem como à adopção do modelo espanhol de ensino para adultos em Portugal, tal campanha constitui uma contribuição genial e oportuníssima para a resolução dos problemas que afectam alunos, professores e funcionários de ambos os lados da fronteira. Com efeito, a masturbação colectiva no início de cada tempo lectivo, libertando endomorfinas, acalma os naturais ímpetos irreprimíveis dos adolescentes, dispondo mais facilmente as suas energias, devolvidas ao equilíbrio natural, para a compreensão dos conteúdos, entretanto devidamente aligeirados, que os pedagogos do Estado socialista, avisada e cientificamente, lhes providenciam. Por outro lado, é indiscutível a melhoria de estado de espírito e de qualidade vida de qualquer desempregado conseguida através da prática masturbatória, desmascarando o reaccionarismo e o obsoletismo da anedota do fulano que chega a casa, vai buscar uma 7Up ao frigorífico, senta-se no sofá em frente ao televisor, põe um filme pornográfico a correr, suspira e diz:"Ah! Mulheres e champagne! Isto é que é vida!".
Ao pioneirismo destes continuadores das ideologias colectivistas dos "amanhãs que cantam", lanço aqui, assim, o meu incentivo a que se não deixem abater pelas forças contra-revolucionárias e que se mantenham na via visionária inaugurada por Tony Blair, quando aconselhou os seus compatriotas a chuparem-se uns aos outros com maior frequência. E que nuestros hermanos tributem uma homenagem digna desse nome ao seu primeiro-ministro e a Laura Garrido, presidente do Conselho da Juventude, exigindo a decorrente segunda fase de uma educação sexual alargada e progressista, na qual possam ser utilizados pela juventude espanhola, inclusivé ao nível do ensino da identidade do género, manequins insufláveis que reproduzam as formas físicas quer de um quer de outro.
A bem de uma humanidade livre.
(Texto não submetido a revisão final, mas redigido com o gosto possível)

13 novembro 2009

Psscchhh...!


O que se aprende com o ministro Vieira da Silva...!