21 março 2012

É amanhã!



Cliquem:
http://ab-logando.blogspot.com


06 fevereiro 2012

Atenção!


Embora com cerca de seis meses de atraso, estou quase a concretizar a ameaça de voltar com um novo blogue. E, desta vez, trago uns cinco ou seis reforços.
Como disse na altura, darei notícias aqui e por email.
Até já.

02 julho 2011

Encerrado



Terminada a etiquetagem, encerro hoje este blogue. Mas não sem que, antes, deixe ainda um "mimo" enviado, no mesmo sentido, pelo colaborador inestimável que foi, desde há mais de um ano, Nicolau Saião. Melhor dizendo, "meio mimo", uma vez que as minhas insuficiências no que respeita à informática me impedem de o colocar aqui por inteiro. Deste modo, resta-me prometer que, em jeito de continuidade, será o restante dele que abrirá o novo blogue, em meados de Setembro.

Para todos, boas férias!




ALENTEJO REVISITADO


a meu avô Francisco



I



Do rosto que olha o Alentejo é o corpo


mas não somente o corpo a árvore


figueira junto ao mar um pássaro


perto do coração



Trigo que escutamos e que vemos


antes de ser o pão



A mão que desvenda


o sítio exacto da alma


vegetal animal e mineral


em todos os caminhos



Para sempre


um país sob a luz menino imemorial



II



Durante tanto tempo foste


o companheiro das coisas vivas



Terás de encher agora os teus bosques ardentes


de neblina e silencio e animais sem condição



E deverás olhar as coisas mortas


como se todas as manhãs elas partissem



Tudo o que tens e que tiveste outrora


a paz que em vão buscaste tantos anos


nesse lugar fecundo ficará



Quanto oceano quanta sede quanta voz


na escuridão das searas que amanhecem



Alentejo um pão cortado


na sombra dos candeeiros dentro das casas desertas.




in Os Olhares Perdidos

26 junho 2011

Divulgação


Recebi de Maria Morbey Henriques um pedido de divulgação do espectáculo a que se refere este cartaz - clicar na imagem e, depois, fazer zoom para a ver em pormenor..
Espero ter etiquetado todos os posts até ao final desta semana. Na que ontem terminou, não fui além dos 50. Falta mais ou menos 300.
O novo blog já tem nome e abrirá, como disse, em meados de Setembro. Antes, porém, haverá ainda aqui uma pequena surpresa, no próprio dia em que acabar a etiquetagem.

19 junho 2011

Etiquetas - E vão...


... 900! Só faltam 300 e tal!

14 junho 2011

Etiquetas - A saga continua


E já vão 600 posts...!

11 junho 2011

Etiquetas


Voltei apenas para dizer que me falta etiquetar 900 (!) dos 1272 posts. A este ritmo demorarei mais umas duas semanas do que previa. Bem feita, que é para não ter sido preguiçoso!

06 junho 2011

Nota final: Ah! E não se esqueçam disto!

Meus caros amigos:

Os comentários e emails que me chegaram, procurando dissuadir-me de encerrar o blogue, foram suficientemente gratificantes para que o meu ego brilhasse, lustroso. E agradeço todo o apreço que eles me transmitiram. Insisto, porém, em que o estado de espírito que lhe deu origem mudou, desde ontem, em boa parte; e que, portanto, não faria sentido, para mim, mantê-lo.
Sinto igualmente, como disse já, aliás, necessidade de aprofundar e alargar o tratamento de alguns temas que, aqui, tratei insuficientemente, com prejuízo para a compreensão do pretendia esclarecer. Por outro lado, a manutenção de um blogue por uma só pessoa é, se se pretender manter uma real continuidade e uma constante intensidade, muito desgastante (algo que, como se viu, nem sempre me foi possível). As duas coisas são incompatíveis, em simultâneo.
Com tudo isto, como também referi, não significa que tencione terminar a minha intervenção pública, se assim se pode classificar o que fiz. Foi essa a razão pela qual fixei o dia de hoje como aquele em que, além de fechar o blogue (embora durante as próximas duas semanas vá colocando etiquetas nos posts, de modo a que, quem o pretenda, possa ter conhecimento do que abordei em diferentes assuntos - começarei pelos mais recentes, de modo a que o arquivo de cada um deles comece, desde já, a ser consultável), diria mais qualquer coisa sobre o assunto.
E digo. Digo que, dentro de mais ou menos três meses, lá para meados de Setembro, surgirá um novo blogue ou página, da responsabilidade de um colectivo do qual farei parte, colectivo formado por alguns daqueles que mais prezo no plano intelectual e pessoal. Três dos quais aceitaram já a proposta.
O anúncio da data da abertura desse novo blogue ou página será feito aqui, no Portugal e outras touradas; os que preferirem ser alertados por email, podem escrever para o endereço que está por baixo do título. Os blogues que se encontram no Miradouro serão, obviamente, informados, na mesma altura, do "feliz evento".
E agora

FIM

E boas férias para todos!

"Homem do leme"


Um texto d'O Lidador (aqui):

Portugal está hoje melhor do que ontem, porque se livrou do grupo de parasitas e malfeitores que se tinha apoderado do leme e fez encalhar o navio.
Mas não nos iludamos. Não somos hoje um país soberano, nem absolutos donos do nosso futuro. O que agora temos de fazer é, muito sucintamente, poupar para pagar as dívidas. Mas pagar as dívidas é apenas uma parte do problema. Aquela que em economês se chama "estabilidade". A outra parte é o "crescimento".
E esta parte vai ser também um trabalho de Hércules.
Porque os sucessivos governos socialistas que tivemos nos últimos anos, fiéis a si mesmos a à ideologia em que acreditam, concluíram, com brilhantismo a tarefa de arruinar o país, gastando irresponsavelmente o dinheiro que não tínhamos, em subsídios, obras e projectos faraónicos, e dando-nos, em troca, retóricas demagógicas e moralistas decalcadas na mais básica acção psicológica, usando a língua tal como Orwell tinha previsto, em discursos nos quais as palavras significam o contrário do seu referente normal.

O navio, com novos homens ao leme, está todavia encalhado e as operações de desencalhe estão a ser dirigidas por quem nos tenta rebocar.
Cabe-nos não complicar o processo e preparar o navio para navegar por si mesmo, assim que saia dos baixios.

05 junho 2011

O que diz Nicolau Saião...


... num comentário ao este meu texto:

Estive para escrever um post. Mas para não dar trabalho ao director, escrevo um comentário, sublinhando que muito do que eu poderia dizer já ele o disse.E de uma maneira exemplar.
Ouvi o discurso de demissão e assumpção da derrota calamitosa de Sócrates. Coroada por frequentes aplausos, o que diz bem do estado, tanto de carácter como de ideologia, a que este partido desceu. Um espectáculo ignominioso de baixeza, de lambe-botiosmo e de falta de vergonha política mas também, é claro e reflectidamente, pessoal desses militantes.
Quanto a Sócrates, mostrou o seu rosto de manipulador, de hipócrita e de falso irmão. Ele, que desprezava claramente os cidadãos que lhe competia governar por bem, e que tripudiava sobre eles com a sua malbaratação e os seus estranhos conluios - que terão de ser convenientemente apurados - veio falar com voz doce e afivelando uma mansuetude e uma grandeza de propósitos que a realidade crua nos diz que nunca teve, que é só cinismo e de mau quilate.
Mas não é só ele que está apodrecido dum ponto de vista político. Também os consabidos áulicos que o rodearam e que ali, na derradeira jaculatória pindérica do líder exibiram os seus perfis de desconchavados governantes ou apoiantes da alta escala,mostraram que este PS é dominado por gente sem grandeza, sem ética humanizada e sem rumo. Desde o aparentemente senil Almeida Santos ao deslustrado Ferro Rodrigues, desde o fantasmal Alegre ao inenarrável Lacão, todos eles fizeram jus a esta coisa simples: vão-se embora quanto antes, desamparem-nos a loja!
Pois nenhum conseguiu ter a dignidade de dizer, (de confessar?) esta coisa simples e óbvia: o que os portugueses principalmente recusaram e exautoraram não foi a crise, por dura que seja: foi esse indivíduo que agora procura compaixão untuosamente, fazendo-se gentil e colaborativo.
Foi, em suma, tudo aquilo que vós representais - e que é tão desagradável como aquelas imendícies que em certos sítios se nos colam nos fundilhos quando nos sentamos em lixo inoportuno.
Não percebem que a vossa presença política, os vossos sinais, nos são odiosos?

Pelo menos...

Um átomo de anti-hidrogénio a ser libertado (em desenho)

Sócrates e a vergonha de um país


Sócrates, mais do que não ter sido reeleito, foi expulso pelo país, nele incluído os militantes socialistas que não recusaram a realidade, votando contra ou abstendo-se. No decorrer dos anos em que utilizou os recursos mais baixos a que um governante pode recorrer - dividir os governados, para maior impunidade da sua incompetência, ignorância e falta de estofo humano -, Portugal, do mesmo modo que com Salazar (émulo subconsciente do seu agir), atrasou-se décadas, até porque o analfabetismo que o Estado promoveu sob a sua batuta será um escolho de enormíssima dimensão. E o Partido Socialista, esse, sai quase moribundo, como acontece, inevitavelmente, a uma organização política que se deixa tomar por aventureiros.
Passos Coelho ganhou, iniciando uma nova forma de ser político em Portugal: dizendo o que julga ser verdade, mesmo que impopular; declarar o que pensa, mesmo que polémico e perigoso para a captação de votos; ser simples e cortês na postura e no modo de falar. Já não é mau. Do que virá a fazer, ver-se-á, como é evidente.
Paulo Portas foi premiado pelo rigor com que dirigiu os trabalhos, no partido e na Assembleia. O país gostou da coerência e da competência demonstradas. Do que fará agora, em mais do que previsível coligação com o PSD, é o que se verá também.
A esquerda perdeu. Hoje, não passa de (mau) folclore. E os portugueses cada vez mais se perguntam sobre quem é que paga as farras.
Acabei de ouvir na tv que parece confirmar-se a demissão de José Sócrates. E a sua demissão, pelo que a gerou e pelo que representa, envergonha o próprio país.
Volto amanhã.

Quem semeia ventos...


No próximo sábado haverá uma manifestação justa...


... rigorosamente independente de qualquer organização corporativa ou partidária (que devem estar a espumar de raiva!), organizada com o trabalho e o sacrifício dificilmente calculáveis de um reduzidíssimo número de pessoas. Como português, julgo ser dever de todos os portugueses apoiá-los, comparecendo ou enviando mensagens e ajudando a divulgá-la. Para mais informações, ver o Tetraplégicos no Miradouro (clicar na imagem, para a aumentar).

Malandro que é malandro...


Diz assim Luís Dolhnikoff:

SINDICATO DE LADRÕES

1. Ficha criminal

Antonio Palocci emergiu como figura política nacional no rastro de um assassinato: tornou-se o coordenador da campanha de Lula de 2002 em função da morte a tiros do primeiro candidato ao posto, o prefeito de Campinas, Celso Daniel. Tratou-se, além disso, de um assassinato político, de uma “queima de arquivos” ligada a um esquema de propinas, superfaturamento e “caixa 2”. Antonio Palocci, em suma, tornou-se uma figura política nacional em função de um esquema de propinas e de um assassinato político envolvendo diretamente o PT – e a própria campanha presidencial de Lula, na figura de Celso Daniel.

Paralela e independentemente, Antonio Palocci teve seu próprio nome envolvido em outro esquema semelhante, o da “máfia do lixo” da prefeitura da Ribeirão Preto, da qual fora titular. Apesar de tudo (ou por tudo), foi em seguida alçado a ministro da Fazendo de Lula, apenas para ser derrubado pelo escândalo da quebra criminosa do sigilo bancário da um caseiro. Motivo (da quebra criminosa do sigilo): o pobre caseiro testemunhara que o ministro era habitué de certo endereço mal afamado de Brasília, conhecido como “casa do lobby”. Antonio Palocci afinal afundaria em um mais do que merecido – apesar de tardio – ostracismo.

Pois toda sua história política, direta ou indiretamente, está assim, de alguma forma, ligada a crimes, que vão do “caixa 2” ao superfaturamento, de esquemas de propinas ao assassinato político, passando pela quebra criminosa de sigilos bancários (a Caixa Econômica Federal há poucos dias confirmou que a quebra do sigilo do caseiro de fato se originou no gabinete do então ministro da Fazenda Antonio Palocci, o que passou despercebido em meio ao ruído do mais novo escândalo político-financeiro envolvendo seu nome). Que tal personagem tenha retornado à política nacional mais uma vez, e mais uma vez pelas mãos amorais de Lula, para ser o coordenador da campanha e depois ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, entre outras coisas desfaz a máscara da grande “diferença” entre Dilma e Lula, entre criatura e criador, revelando a mesma feia face da promiscuidade com a bandalheira e a bandidagem políticas. A única diferença é mesmo de estilo (da maquiagem política).

Dilma ou não é santa ou é autista. Não há terceira via possível.

Face à desfaçatez faceira de Antonio Palocci, que pretende agora, ao mesmo tempo, poder enriquecer de modo muito mais do que suspeito e manter o sorriso “cordial” e o poder federal, o que importa é aproveitar as novas velhas circunstâncias para tentar lançar alguma luz sobre a nefasta e nefanda força política que tomou conta do país nos últimos anos, o lulo-petismo, cuja síndica atual se chama Dilma Rousseff, e cujos capangas de ocasião atendem pelo nome grupal de PMDB.

2. Análise do DNA

Nesse quadro histórico geral de crimes factuais, é consistente a recorrência do verdadeiro crime ideológico de atacar a liberdade de imprensa, ainda que apenas verbalmente. Foi portanto o que fez nesta semana, no contexto do “caso Palocci 2.0”, o ministro Padilha, ao afirmar que o maior partido de oposição no Brasil é a “grande imprensa”, repetindo assim a letra e o espírito do chefe, Lula da Silva. A razão é conhecida: “gente de esquerda” considera-se certa a priori, nos dois sentidos, no de ter razão e no de ter certezas. Portanto, quando a imprensa discorda da “esquerda”, está errada, e no limite é, em si, um erro. Daí a esquerda, sem aspas, a que antigamente pretendia trocar o capitalismo pela ditadura do proletariado, ter sempre desprezado a imprensa livre, pois tal liberdade era apenas a “liberdade burguesa”. Daí a “grande imprensa” do lulo-petismo não passar de uma atualização pouco imaginativa da velha “imprensa burguesa” da esquerda de antanho. Cabe, todavia, a pergunta: se a “grande imprensa” não tem quaisquer méritos próprios, não passando de um “partido de oposição” (ao lulo-petismo) mal disfarçado, deveria o Brasil trocá-la por uma imprensa nanica, ao estilo de uma pequena república de banana (em vez de uma à altura de uma grande república de bananas, como o Brasil)? Ou, então, ao velho estilo estalinista, por uma imprensa apequenada (pelo medo, pelas vendas e pela venda)?

O PT nasceu ligado aos sindicatos dos trabalhadores para logo se tornar um “sindicato de ladrões”. “Caso Celso Daniel”, “máfia do lixo” de Ribeirão Preto, mensalão e mensaleiros, , “casa do lobby” de Brasília, quebra de sigilos de caseiros, “aloprados” e dossiês, Erenices e Delúbios, caixas 2, 3, 4, empresários “amigos do Lula”, empresários “clientes” de Palocci, a lista é interminável, e demonstra, para quem não tem vocação para a cegueira voluntária, que cada caso isolado não é um caso isolado, mas mais uma manifestação de um mesmo e único fenômeno. Resta acrescentar que Lula é, inquestionavelmente, o grande líder de tais sindicalistas.

3. O principal suspeito

Fundindo o “criminalismo” atávico da política brasileira ao estalinismo congênito da “esquerda”, o lulo-petismo pode afinal ser descrito como um monstro faminto de duas cabeças perniciosas, que veio para devorar devagar a raquítica e anêmica democracia brasileira mal restaurada a partir de 1985.

04 junho 2011

O meu comunicado à Nação (também tenho direito, ou não?!)

Em 2004, disse a amigos meus, militantes do Partido Socialista, que a eventual eleição de José Sócrates para secretário-geral do partido - uma criatura que procurava disfarçar a superficialidade de conhecimentos, a indigência cultural, a falta de estofo humano e a debilidade da inteligência com a agressividade que os portugueses, por ferrete da “estabilidade” salazarista, confundem, frequentemente, com competência - seria algo de muito mau, não só para o PS como, enquanto previsível futuro primeiro-ministro, para o país.

Dois anos decorridos após as eleições que o levaram à chefia do governo, porém, o chico-esperto, embriagado pelo poder, firmando-se em técnicas propagandísticas e manobras de governação que, quem aprofundou um pouco os seus conhecimentos de História, facilmente relaciona com o que se passou em Itália, Alemanha e Portugal durante a terceira e quarta décadas do século XX, elevara-se a si mesmo ao estatuto de clone de caudilho americano, transplantado para a UE. Portugal afundou-se no período mais tenebroso e obscurantista desde o 25 de Abril.

Da parte dos militantes socialistas, em vez do pedido urgente de demissão de Sócrates e sua substituição, vital para o país e para o próprio partido, nem sequer se ouvia um “Porque não te calas…?!”; ao invés, o seu comportamento foi o de um entrincheiramento histérico de “perseguidos bons” com uma agressividade igual à do seu “querido líder”. Até hoje. Veja-se, por exemplo, no que deu o blogue O Jumento, de lúcido crítico de Cavaco Silva a estrebuchante defensor de Sócrates com argumentos dignos da “velha senhora”, e que, dias atrás, me censurou um comentário denunciador de um desses “argumentos”.

Foi, portanto, como forma de defesa pessoal que, em Maio de 2007, surgiu este blogue. Da necessidade de denunciar e de me opor ao que me envenenava e, a meu ver, envenenava o resto do país, destruindo-o - destruindo-nos - bem como de ir preservando a lembrança do mais fundo e melhor da memória colectiva; além de umas faenas com as outras "touradas" que por este mundo têm lugar. No decorrer destes quatro anos, não foi aumentando apenas o número daqueles que vêm até aqui, aumentei também o círculo de amigos. Nunca tanta gente visitou o Portugal e outras touradas como ontem mesmo. Mau-grado a falta de tempo que tenho para tratar alguns temas com a profundidade e o pormenor que eles requereriam.

Chegámos à véspera de eleições que podem ser decisivas. E julgo que, se Sócrates voltar a vencê-las (coisa de que duvido), será a altura de me dedicar a coisas mais genuinamente revolucionárias, isto é, a aprofundar temas que considero cruciais e, para mim, mais gratificantes, já que o povo português estará, de facto, verdadeiramente doente pelo embrutecimento. Se ele perder, passado este período tenebroso, haverá que aguardar pelo resultado das acções dos novos poderes - e, enquanto não se perspectiva com clareza o que nos espera, haverá que… fazer exactamente o mesmo.

O Portugal e outras touradas perdeu, por isso, razão de existir a partir da próxima segunda-feira, qualquer que seja o resultado eleitoral. O que não significa que eu desapareça da “blogosfera”. Não só continuarei a fazer comentários em blogues de outrem como etiquetarei, aos poucos, os quase dois mil posts que editei, para que quem chegou mais tarde possa consultar alguns textos de maior fôlego que escrevi nos primeiros dois anos. Até segunda, contudo, ainda vou andar por aqui (onde é que eu já ouvi isto...?).

Obrigado a todos.

Bastonadas - 3


Calhei a sintonizar a TVI - salvo erro, anteontem - mesmo nos últimos minutos do programa da manhã, a tempo ainda, porém, de assistir a mais uma das habituais inflamações oratórias do sr. Bastonário da Ordem dos Advogados. O inchaço da indignação que, desta vez, o afligia e que, como é nele habitual, o fazia erguer a voz e o indicador direito com que o Criador o dotou para melhor procurar fazer entender ao mundo o que é a Justiça Verdadeira, tinha origem no caso da prisão de uma das adolescentes que, em exemplar comunhão de esforços com outra, espancou violentamente uma terceira a rogo de um adolescente de admirável carácter, o qual - eivado dos mais altos valores civilizacionais, ao sentir-se ultrajado nas veras profundezas superiores do seu ser pelas expressões por esta última empregues para classificar o comportamento socioprofissional daquela que o dera à luz e impedido pelos sagrados princípios morais das relações entre os sexos de a desafiar para um duelo condizente com uma postura cavalheiresca - lho solicitara encarecidamente, reservando-se o papel de cronista de um acto cuja notícia e memória se lhe afigurou de grande proveito para a Humanidade.

Ironizei. Não o considerava assim o sr. dr. Marinho Pinto; tão estreita não era a sua visão nem enevoado o seu discernimento. Considerava mesmo o espancamento como um crime, embora discordasse veementemente da pena aplicada à adolescente mais velha. Era esse, a seu ver, o busílis, a falha, quiçá um outro crime cometido, por seu turno, pela Justiça portuguesa. Porque, ao enviá-la para a prisão - e entumescia-se-lhe a jugular ao frisá-lo -, se estava a enviar uma pobre rapariga para os braços da mentalidade criminosa irrecuperável; porque ela era apenas a vítima da procura de uma punição que desse à opinião pública a ideia de que os tribunais velavam pelo cidadão; porque os verdadeiros e grandes criminosos, os poderosos deste país, continuariam impunes se o caso se tivesse passado com algum deles, como sucede, aliás, em inúmeras ocasiões em bares e clubes nocturnos. A pena é desproporcionada, a justiça portuguesa serve apenas para condenar os pobres; liberte-se a agressora, clamava ele.

Bem dizia o psicólogo de serviço do programa que as coisas não eram bem assim, que não se verifica um tão estreito determinismo de estímulo-resposta do indivíduo ao meio que permitisse ao dr. Marinho Pinto afirmar que a prisão seria, para ela, um factor conducente a um futuro desvio comportamental, que os casos inversos também são frequentes. Bem lhe chegaram aos ouvidos os aplausos do público, quando a entrevistadora lhe perguntou se pensaria da mesma maneira, caso a agredida tivesse sido uma sua filha. Moita! O sr. advogado Bastonário nunca argumentou directa nem fundamentadamente nas respostas que deu.

E terminou o programa.

Não estava em condições de chegar à fala com o dr. Marinho Pinto. Não sou, além disso, ninguém ao pé de quem chegou à posição que ele alcançou. Nem consigo igualar a impetuosidade e o volume da sua oratória. Não me permito, sobretudo, duvidar da sua honestidade, das suas convicções ou do alcance das suas intenções. Mas gostaria de lhe haver posto à consideração aquilo que julgo ter escapado do que se encontrava subjacente ao que disse a entrevistadora e aos aplausos das pessoas que assistiam à troca de argumentos, e que talvez lhe tivesse poupado uma das várias ocasiões em que aparentou a proximidade da apoplexia.

Eu até concordo em que a prisão não é a forma mais racional e eficaz de resolver os problemas a que foi destinada; e em que este caso serviu exactamente para os fins que apontou, com a clara cumplicidade vampiresca da comunicação social; e em que os poderosos se escapam com infinitamente maior facilidade à justiça do que a arraia-miúda. Contudo, aquilo que o mais elementar bom senso popular lhe dirá quanto ao assunto é que os quer a todos na prisão, os criminosos ricos como os criminosos pobres; e que o facto de não ainda não ter sido punido um criminoso rico não deve nem pode ter como consequência deixar entretanto impune um criminoso pobre - até porque este faz parte da reserva de criminosos contratados pelos ricos ou poderosos para levarem a cabo os seus crimes. É que o povo, as pessoas comuns, pobres ou ricas, não querem paternalismo, nem o aceitam da parte de quem o ostenta ou dele se serve para se evidenciar: querem justiça.

E avisá-lo-ia ainda de que, levados pelos maus raciocínios em que a humana fraqueza a tantos e tantas vezes incorre, muitos começaram como ele, para depois virem a sentir-se obrigados a formar movimentos de opinião, movimentos cívicos, partidos, eu sei lá! Ora nenhum português estaria, certamente, disposto a desperdiçar, na política ou em qualquer futuro cargo governamental, um tão brilhante intelectual e causídico.

Ninguém faz caridade à escala internacional

(imagem obtida aqui)

Alguém duvida?

À boleia...