
21 março 2012
06 fevereiro 2012
Atenção!
02 julho 2011
Encerrado

ALENTEJO REVISITADO
a meu avô Francisco
I
Do rosto que olha o Alentejo é o corpo
mas não somente o corpo a árvore
figueira junto ao mar um pássaro
perto do coração
Trigo que escutamos e que vemos
antes de ser o pão
A mão que desvenda
o sítio exacto da alma
vegetal animal e mineral
em todos os caminhos
Para sempre
um país sob a luz menino imemorial
II
Durante tanto tempo foste
o companheiro das coisas vivas
Terás de encher agora os teus bosques ardentes
de neblina e silencio e animais sem condição
E deverás olhar as coisas mortas
como se todas as manhãs elas partissem
Tudo o que tens e que tiveste outrora
a paz que em vão buscaste tantos anos
nesse lugar fecundo ficará
Quanto oceano quanta sede quanta voz
na escuridão das searas que amanhecem
Alentejo um pão cortado
na sombra dos candeeiros dentro das casas desertas.
in Os Olhares Perdidos
26 junho 2011
Divulgação

19 junho 2011
14 junho 2011
11 junho 2011
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06 junho 2011
Meus caros amigos:

"Homem do leme"

05 junho 2011
O que diz Nicolau Saião...

Pelo menos...

Sócrates e a vergonha de um país

No próximo sábado haverá uma manifestação justa...

Malandro que é malandro...

SINDICATO DE LADRÕES
1. Ficha criminal
Antonio Palocci emergiu como figura política nacional no rastro de um assassinato: tornou-se o coordenador da campanha de Lula de 2002 em função da morte a tiros do primeiro candidato ao posto, o prefeito de Campinas, Celso Daniel. Tratou-se, além disso, de um assassinato político, de uma “queima de arquivos” ligada a um esquema de propinas, superfaturamento e “caixa 2”. Antonio Palocci, em suma, tornou-se uma figura política nacional em função de um esquema de propinas e de um assassinato político envolvendo diretamente o PT – e a própria campanha presidencial de Lula, na figura de Celso Daniel.
Paralela e independentemente, Antonio Palocci teve seu próprio nome envolvido em outro esquema semelhante, o da “máfia do lixo” da prefeitura da Ribeirão Preto, da qual fora titular. Apesar de tudo (ou por tudo), foi em seguida alçado a ministro da Fazendo de Lula, apenas para ser derrubado pelo escândalo da quebra criminosa do sigilo bancário da um caseiro. Motivo (da quebra criminosa do sigilo): o pobre caseiro testemunhara que o ministro era habitué de certo endereço mal afamado de Brasília, conhecido como “casa do lobby”. Antonio Palocci afinal afundaria em um mais do que merecido – apesar de tardio – ostracismo.
Pois toda sua história política, direta ou indiretamente, está assim, de alguma forma, ligada a crimes, que vão do “caixa 2” ao superfaturamento, de esquemas de propinas ao assassinato político, passando pela quebra criminosa de sigilos bancários (a Caixa Econômica Federal há poucos dias confirmou que a quebra do sigilo do caseiro de fato se originou no gabinete do então ministro da Fazenda Antonio Palocci, o que passou despercebido em meio ao ruído do mais novo escândalo político-financeiro envolvendo seu nome). Que tal personagem tenha retornado à política nacional mais uma vez, e mais uma vez pelas mãos amorais de Lula, para ser o coordenador da campanha e depois ministro-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff, entre outras coisas desfaz a máscara da grande “diferença” entre Dilma e Lula, entre criatura e criador, revelando a mesma feia face da promiscuidade com a bandalheira e a bandidagem políticas. A única diferença é mesmo de estilo (da maquiagem política).
Dilma ou não é santa ou é autista. Não há terceira via possível.
Face à desfaçatez faceira de Antonio Palocci, que pretende agora, ao mesmo tempo, poder enriquecer de modo muito mais do que suspeito e manter o sorriso “cordial” e o poder federal, o que importa é aproveitar as novas velhas circunstâncias para tentar lançar alguma luz sobre a nefasta e nefanda força política que tomou conta do país nos últimos anos, o lulo-petismo, cuja síndica atual se chama Dilma Rousseff, e cujos capangas de ocasião atendem pelo nome grupal de PMDB.
2. Análise do DNA
Nesse quadro histórico geral de crimes factuais, é consistente a recorrência do verdadeiro crime ideológico de atacar a liberdade de imprensa, ainda que apenas verbalmente. Foi portanto o que fez nesta semana, no contexto do “caso Palocci 2.0”, o ministro Padilha, ao afirmar que o maior partido de oposição no Brasil é a “grande imprensa”, repetindo assim a letra e o espírito do chefe, Lula da Silva. A razão é conhecida: “gente de esquerda” considera-se certa a priori, nos dois sentidos, no de ter razão e no de ter certezas. Portanto, quando a imprensa discorda da “esquerda”, está errada, e no limite é, em si, um erro. Daí a esquerda, sem aspas, a que antigamente pretendia trocar o capitalismo pela ditadura do proletariado, ter sempre desprezado a imprensa livre, pois tal liberdade era apenas a “liberdade burguesa”. Daí a “grande imprensa” do lulo-petismo não passar de uma atualização pouco imaginativa da velha “imprensa burguesa” da esquerda de antanho. Cabe, todavia, a pergunta: se a “grande imprensa” não tem quaisquer méritos próprios, não passando de um “partido de oposição” (ao lulo-petismo) mal disfarçado, deveria o Brasil trocá-la por uma imprensa nanica, ao estilo de uma pequena república de banana (em vez de uma à altura de uma grande república de bananas, como o Brasil)? Ou, então, ao velho estilo estalinista, por uma imprensa apequenada (pelo medo, pelas vendas e pela venda)?
O PT nasceu ligado aos sindicatos dos trabalhadores para logo se tornar um “sindicato de ladrões”. “Caso Celso Daniel”, “máfia do lixo” de Ribeirão Preto, mensalão e mensaleiros, , “casa do lobby” de Brasília, quebra de sigilos de caseiros, “aloprados” e dossiês, Erenices e Delúbios, caixas 2, 3, 4, empresários “amigos do Lula”, empresários “clientes” de Palocci, a lista é interminável, e demonstra, para quem não tem vocação para a cegueira voluntária, que cada caso isolado não é um caso isolado, mas mais uma manifestação de um mesmo e único fenômeno. Resta acrescentar que Lula é, inquestionavelmente, o grande líder de tais sindicalistas.
3. O principal suspeito
Fundindo o “criminalismo” atávico da política brasileira ao estalinismo congênito da “esquerda”, o lulo-petismo pode afinal ser descrito como um monstro faminto de duas cabeças perniciosas, que veio para devorar devagar a raquítica e anêmica democracia brasileira mal restaurada a partir de 1985.
04 junho 2011
O meu comunicado à Nação (também tenho direito, ou não?!)

Em 2004, disse a amigos meus, militantes do Partido Socialista, que a eventual eleição de José Sócrates para secretário-geral do partido - uma criatura que procurava disfarçar a superficialidade de conhecimentos, a indigência cultural, a falta de estofo humano e a debilidade da inteligência com a agressividade que os portugueses, por ferrete da “estabilidade” salazarista, confundem, frequentemente, com competência - seria algo de muito mau, não só para o PS como, enquanto previsível futuro primeiro-ministro, para o país.
Dois anos decorridos após as eleições que o levaram à chefia do governo, porém, o chico-esperto, embriagado pelo poder, firmando-se em técnicas propagandísticas e manobras de governação que, quem aprofundou um pouco os seus conhecimentos de História, facilmente relaciona com o que se passou em Itália, Alemanha e Portugal durante a terceira e quarta décadas do século XX, elevara-se a si mesmo ao estatuto de clone de caudilho americano, transplantado para a UE. Portugal afundou-se no período mais tenebroso e obscurantista desde o 25 de Abril.
Da parte dos militantes socialistas, em vez do pedido urgente de demissão de Sócrates e sua substituição, vital para o país e para o próprio partido, nem sequer se ouvia um “Porque não te calas…?!”; ao invés, o seu comportamento foi o de um entrincheiramento histérico de “perseguidos bons” com uma agressividade igual à do seu “querido líder”. Até hoje. Veja-se, por exemplo, no que deu o blogue O Jumento, de lúcido crítico de Cavaco Silva a estrebuchante defensor de Sócrates com argumentos dignos da “velha senhora”, e que, dias atrás, me censurou um comentário denunciador de um desses “argumentos”.
Foi, portanto, como forma de defesa pessoal que, em Maio de 2007, surgiu este blogue. Da necessidade de denunciar e de me opor ao que me envenenava e, a meu ver, envenenava o resto do país, destruindo-o - destruindo-nos - bem como de ir preservando a lembrança do mais fundo e melhor da memória colectiva; além de umas faenas com as outras "touradas" que por este mundo têm lugar. No decorrer destes quatro anos, não foi aumentando apenas o número daqueles que vêm até aqui, aumentei também o círculo de amigos. Nunca tanta gente visitou o Portugal e outras touradas como ontem mesmo. Mau-grado a falta de tempo que tenho para tratar alguns temas com a profundidade e o pormenor que eles requereriam.
Chegámos à véspera de eleições que podem ser decisivas. E julgo que, se Sócrates voltar a vencê-las (coisa de que duvido), será a altura de me dedicar a coisas mais genuinamente revolucionárias, isto é, a aprofundar temas que considero cruciais e, para mim, mais gratificantes, já que o povo português estará, de facto, verdadeiramente doente pelo embrutecimento. Se ele perder, passado este período tenebroso, haverá que aguardar pelo resultado das acções dos novos poderes - e, enquanto não se perspectiva com clareza o que nos espera, haverá que… fazer exactamente o mesmo.
O Portugal e outras touradas perdeu, por isso, razão de existir a partir da próxima segunda-feira, qualquer que seja o resultado eleitoral. O que não significa que eu desapareça da “blogosfera”. Não só continuarei a fazer comentários em blogues de outrem como etiquetarei, aos poucos, os quase dois mil posts que editei, para que quem chegou mais tarde possa consultar alguns textos de maior fôlego que escrevi nos primeiros dois anos. Até segunda, contudo, ainda vou andar por aqui (onde é que eu já ouvi isto...?).
Obrigado a todos.
Bastonadas - 3

Calhei a sintonizar a TVI - salvo erro, anteontem - mesmo nos últimos minutos do programa da manhã, a tempo ainda, porém, de assistir a mais uma das habituais inflamações oratórias do sr. Bastonário da Ordem dos Advogados. O inchaço da indignação que, desta vez, o afligia e que, como é nele habitual, o fazia erguer a voz e o indicador direito com que o Criador o dotou para melhor procurar fazer entender ao mundo o que é a Justiça Verdadeira, tinha origem no caso da prisão de uma das adolescentes que, em exemplar comunhão de esforços com outra, espancou violentamente uma terceira a rogo de um adolescente de admirável carácter, o qual - eivado dos mais altos valores civilizacionais, ao sentir-se ultrajado nas veras profundezas superiores do seu ser pelas expressões por esta última empregues para classificar o comportamento socioprofissional daquela que o dera à luz e impedido pelos sagrados princípios morais das relações entre os sexos de a desafiar para um duelo condizente com uma postura cavalheiresca - lho solicitara encarecidamente, reservando-se o papel de cronista de um acto cuja notícia e memória se lhe afigurou de grande proveito para a Humanidade.
Ironizei. Não o considerava assim o sr. dr. Marinho Pinto; tão estreita não era a sua visão nem enevoado o seu discernimento. Considerava mesmo o espancamento como um crime, embora discordasse veementemente da pena aplicada à adolescente mais velha. Era esse, a seu ver, o busílis, a falha, quiçá um outro crime cometido, por seu turno, pela Justiça portuguesa. Porque, ao enviá-la para a prisão - e entumescia-se-lhe a jugular ao frisá-lo -, se estava a enviar uma pobre rapariga para os braços da mentalidade criminosa irrecuperável; porque ela era apenas a vítima da procura de uma punição que desse à opinião pública a ideia de que os tribunais velavam pelo cidadão; porque os verdadeiros e grandes criminosos, os poderosos deste país, continuariam impunes se o caso se tivesse passado com algum deles, como sucede, aliás, em inúmeras ocasiões em bares e clubes nocturnos. A pena é desproporcionada, a justiça portuguesa serve apenas para condenar os pobres; liberte-se a agressora, clamava ele.
Bem dizia o psicólogo de serviço do programa que as coisas não eram bem assim, que não se verifica um tão estreito determinismo de estímulo-resposta do indivíduo ao meio que permitisse ao dr. Marinho Pinto afirmar que a prisão seria, para ela, um factor conducente a um futuro desvio comportamental, que os casos inversos também são frequentes. Bem lhe chegaram aos ouvidos os aplausos do público, quando a entrevistadora lhe perguntou se pensaria da mesma maneira, caso a agredida tivesse sido uma sua filha. Moita! O sr. advogado Bastonário nunca argumentou directa nem fundamentadamente nas respostas que deu.
E terminou o programa.
Não estava em condições de chegar à fala com o dr. Marinho Pinto. Não sou, além disso, ninguém ao pé de quem chegou à posição que ele alcançou. Nem consigo igualar a impetuosidade e o volume da sua oratória. Não me permito, sobretudo, duvidar da sua honestidade, das suas convicções ou do alcance das suas intenções. Mas gostaria de lhe haver posto à consideração aquilo que julgo ter escapado do que se encontrava subjacente ao que disse a entrevistadora e aos aplausos das pessoas que assistiam à troca de argumentos, e que talvez lhe tivesse poupado uma das várias ocasiões em que aparentou a proximidade da apoplexia.
Eu até concordo em que a prisão não é a forma mais racional e eficaz de resolver os problemas a que foi destinada; e em que este caso serviu exactamente para os fins que apontou, com a clara cumplicidade vampiresca da comunicação social; e em que os poderosos se escapam com infinitamente maior facilidade à justiça do que a arraia-miúda. Contudo, aquilo que o mais elementar bom senso popular lhe dirá quanto ao assunto é que os quer a todos na prisão, os criminosos ricos como os criminosos pobres; e que o facto de não ainda não ter sido punido um criminoso rico não deve nem pode ter como consequência deixar entretanto impune um criminoso pobre - até porque este faz parte da reserva de criminosos contratados pelos ricos ou poderosos para levarem a cabo os seus crimes. É que o povo, as pessoas comuns, pobres ou ricas, não querem paternalismo, nem o aceitam da parte de quem o ostenta ou dele se serve para se evidenciar: querem justiça.
E avisá-lo-ia ainda de que, levados pelos maus raciocínios em que a humana fraqueza a tantos e tantas vezes incorre, muitos começaram como ele, para depois virem a sentir-se obrigados a formar movimentos de opinião, movimentos cívicos, partidos, eu sei lá! Ora nenhum português estaria, certamente, disposto a desperdiçar, na política ou em qualquer futuro cargo governamental, um tão brilhante intelectual e causídico.







