
21 outubro 2010
Certezas renováveis e sem alternativa

Breve, a situação é esta:

Em boa companhia

António Guterres, alto comissário para os refugiados, diz que tem de se incrementar a luta contra o crime hediondo de tráfico humano - dos jornais
Hediondo, sim!
Guterres diz que é um crime hediondo. Sim. Acompanho-o nesta reflexão. E diz mais: que se liga pouca importância às vítimas, ainda que se ligue a este nefando crime, combatendo-o. E eu diria que não se liga o suficiente.
Ando há seis anos, pelo menos, a dizer em fóruns sobre segurança, em jornais e nas páginas mais visitadas da net - enquanto ensaísta e pessoa ligada a este sector - que palavras as leva o vento. E que de boas intenções estão os Comissariados cheios.
Paralisados em grande parte pelo politicamente correcto, que tem tentado fazer passar os gangsters e outros bandidos por "rapazes transviados" e passíveis de morigeração, os homens de topo e o sistema judicial metem os pés pelas mãos e falham em toda a linha (para citar a expressão da chanceler Merkel referente a outro cancro, o do pseudo "multiculturalismo" que, isso sim, camufla uma arrancada paulatina dos inimigos da Democracia, islâmicos e outros). A defesa e a extinção destes flagelos passa por uma política sem complexos, de repressão e segurança, além de medidas colaterais e adicionais.
O resto é laxismo e cobardia pura. Não nos deixemos enganar pelos que visam "adormecer-nos" para melhor nos morderem o pescoço...
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UM SINAL DE DEUS PARA QUE HAJA VITÓRIA DE DILMA – pede o frade católico Leonard Boff (dos jornais)
Um Boff que parece estômago…
A superstição mais baixa e obscurantista chegou à política pela mão do estalinista Leonard Boff, monge de múltiplos talentos.
Um sinal a Deus, à boa maneira medieval e jesuítica , é o que pede num comício, e citei, este cavalheiro cristianíssimo, para que se faça luz na vitória de Dilma, a marioneta de Lula. A isto se chegou, no destrambelhamento da política sul-americana.
Também Torquemada, de sinistra memória, pedia sinais a Deus antes de "passar a patacos" os incréus e outros que dele não queriam as sopas, como sói dizer-se...
Terceiro-mundismo? Nem isso, creio. Apenas demagogia da mais safada. E o resto é conversa...
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Um almoço ao sol – sobre Rangel
Quando Rangel surgiu - timidamente, modestamente mas sensatamente e com um discurso equilibrado, recordo essa noite na TV... - pensou-se: "Um homem sério, um homem de bem. Temos político de valor!". Mas depois...veio a desilusão e o amargor: Rangel participando numa reunião duma sinistra irmandade, o Grupo Bielderberg, uma verdadeira associação de “malfeitores/benfeitores”…mandantes só igualada pela maçonaria irregular ou a tristemente célebre Trilateral ou a Skull and Bones.
E, depois de peripécias de um sujeito público que perdeu o norte, o corolário, a cereja por assim dizer em cima do bolo: Rangel pedindo a viabilização do orçamento por, pasme-se, razões patrióticas!
O que seria patriótico era recusar o Orçamento. Depois, mediante meios legais e democráticos, com todas as garantias de defesa e através de uma comissão de juízes de Direito em acordo com a Assembleia da República, prisão preventiva para Sócrates e Teixeira dos Santos até se apurar de eventual malbaratação dos dinheiros públicos que lhes têm estado confiados. Nomeação de um governo de salvação nacional, para responder aos urgentes e inquietantes problemas da Nação.
Isso seria o princípio.
O resto - viria depois, sempre democraticamente e de acordo com a legalidade humanista. E nessa altura creio que o Povo aderiria.
Como irá ser e/ou pensam fazer...tenho as maiores dúvidas.
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DIAS MUNDIAIS
Há, como se sabe, dias mundiais para quase tudo. Seria inútil enumerá-los. Há dias, um confrade e amigo chamou-me a atenção para mais um, em proposta ou mesmo já diplomado: o Dia Mundial da Castanha (castanha mesmo, dessas que é tão bom comer assadas ou cozidas. E não da outra, puramente simbólica, consensualmente falando.
Felicito os promotores deste evento pela sua imaginação epicurista, digamos assim.
Mas tenho de colocar aqui um pequeno, conquanto veemente, protesto: não se instituiu ainda, o que considero uma discriminação inqualificável - talvez mesmo impiedosa - o Dia Mundial do Traque (se quiserem chame-se-lhe Peido, que é nome digno e legitimado pelo seu uso consensual e popular). E se as castanhas (mas também os feijões e o grão de bico) os provocam! Tal facto, mais ou menos odorífero, pertence legitimamente à Sabedoria Popular, ou Tradicional de quiserem.
Há razões sensatas para este meu alvitre. Aduzo apenas duas: ser algo que tem muito a ver com a fruição de uma boa Saúde (e nem valerá a pena gastar argumentos a dizer porquê, tão pacíficos eles são) e porque, dum ponto de vista da Felicidade em si, gratifica e satisfaz os seus inúmeros praticantes - pois na verdade vai para além do simples alívio, como todos sabem!
Peço aos cidadãos que apreciam a justiça e a convivência democrática, base dum salutar relacionamento societário, que me acompanhem nesta minha posição.
E proponho um dia, que me parece bem adequado e bem simbólico, para a sua instauração: o dia em que for, ou não for, aprovado o Orçamento pelo qual se batem tantos traqueadores e não traqueadores praticantes.
Creio que é uma ideia de truz. De truz-truz-truz, para ser mais concreto.
E creio também que ninguém de cordata intenção será de outra opinião, mais ou menos…flatulenta.
19 outubro 2010
Ainda não foi hoje que consegui...
Os meninos de Goebbels

“Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito” – Goebbels
O nosso Primeiro-ministro e a sua máquina de corporativos bebeu os ensinamentos da propaganda em Goebbels. Cedo perceberam que a sua comunicação deveria ter como ponto de partida um profundo conhecimento do indivíduo e das massas de molde a conseguir uma boa manipulação de ambas.
Eles conhecem bem os desejos do português médio e as suas necessidades. Depois perceberam que hoje os media são cada vez menos livres na medida e proporção da sua dependência empresarial do mercado publicitário. No país do respeitinho e no qual empresas como a PT (TMN/Sapo/PT), a EDP, a Galp ou CGD , só para citar alguns exemplos, são gigantes publicitários à nossa medida e grandeza, tudo se torna mais simples e eficaz. Acresce uma equipa de assessores e consultores bons e disponíveis para o papel depetit Maquiavel de serviço.
A forma como desde o início e sobretudo desde 2008, o Primeiro-ministro fantasiou os números, baralhou e voltou a dar, mentiu e omitiu sem qualquer pudor não poderia resultar se não existisse uma máquina bem montada e melhor oleada. Foi assim que modelou os seus meios ao serviço da sua vontade e do seu desejo de manutenção do poder.
Curiosamente, é na direita que este projecto comunicacional encontrou alguns dos seus mais silenciosos e dedicados seguidores, cuja Banca e boa parte das grandes empresas são disso bom exemplo. A última embaixada dos bancários (não confundir com Banqueiros) à sede do PSD para pressionar Passos Coelho a aprovar o Orçamento de Estado para 2011 ficará nos anais da história como a cereja no topo do bolo dos corporativos.
Hoje, reconheço, não foi só Passos Coelho e a sua equipa que foram ingénuos. Fomos todos. Ninguém queria acreditar ser possível, em pleno séc. XXI, um grupo conseguir manipular desta forma tão eficaz a comunicação. Neste mundo repleto de informação, com milhões de membros nas redes sociais, com a independência e até uma certa libertinagem na blogosfera, seria impensável um projecto desta envergadura e alcance ter sucesso.
Agora a máquina está concentrada num só tema: a necessidade imperiosa de aprovar o orçamento, seja ele mau, péssimo ou trágico. Não importa, apenas interessa aprovar para manter o poder. Mesmo asfixiando a classe média, esganando os pobres e protegendo os mais ricos dos ricos (sinónimo de donos dos bancos, grandes empresas das parcerias público-privadas e detentores directa e indirectamente dos instrumentos de poder comunicacional).
E quem mais defende e se bate pela aprovação do OE2011 por parte do PSD? O PS e o seu eleitorado? Não. Um certo PSD. Estranho? Não, compreensível. Uns por pertenceram ao grupo dos dedicados e silenciosos seguidores. Outros por meros interesses político-estratégicos pessoais de curto/médio-prazo. Alguns por acreditarem, piamente, que é a melhor forma de derrotar o homem daqui a uns meses.
Sinceramente, não sei se me espante mais com o calculismo dos primeiros, com o egoísmo dos segundos ou com a ingenuidade dos terceiros. Num país sério e decente o orçamento seria chumbado, o FMI chamado e os executores da morte deste país metidos na cadeia.
Infelizmente, não será assim, para mal dos nossos pecados…
Danos colaterais

18 outubro 2010
Ficam para amanhã...

Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.
Uma magistral parelha de coices

Semanada
E enquanto uns peregrinavam em direcção à Buenos Aires o ministro das Finanças reunia os jornalistas para lhes dar a conhecer um orçamento apresentado como se fosse a palavra do senhor, algo decidido por uma entidade divina que deve ser aceite por todos sob pena de os portugueses irem de TGV para o inferno do FMI. A palavra orçamental é de tal forma inquestionável que até fazia sentido que em vez de uma pen o ministro das Finanças tivesse entregue a Jaime Gama um contentor cheio de tábuas de eucalipto com a lei do senhor inscrita a fogo. Para completar o cenário litúrgico o ministro das Finanças ainda respondeu a uma jornalista fazendo votos de pobreza, afirmando-se disponível para abdicar de todas as riquezas assumindo o estatuto de franciscano. Eufóricos ficaram os seus acólitos, os directores financeiros, amigos que nomeou com o estatuto de directores-gerais em todos os ministérios para assegurar que a sua palavra era ouvida pelo governo.
Depois de se ter remetido ao isolamento de eremita Manuel Alegre reapareceu para denunciar que quando Cavaco Silva diz “venham a mim as crianças” não passa tudo de uma encenação, os meninos são arrebanhados nas escolas e levados ao falso santo com bandeirinhas de Portugal. Cavaco não se incomodou muito com o reaparecimento de Alegre e continuou a pregar a concórdia partidária, nada dizendo se volta a concorrer ao altar do poder ou se prefere continuar a marinar os candidatos a santos.
Enfim, uma semana em que os portugueses ficaram a saber que o ministro das Finanças tem princípios austeros mas que a miséria franciscana ficou reservada para os outros. Uma semana em que o portugueses ficaram a saber que essa miséria franciscano vai muito para além dos bens materiais, já está presente na cultura política, com candidatos presidenciais a disputar criancinhas e líderes políticos e governamentais a receberem banqueiros como se os votos dos cidadãos fossem mero lixo.
*
Demita-se senhor ministro das Finanças
Teixeira dos Santos deve estar muito grato aos mercados, graças aos malditos especuladores pode tentar iludir os portugueses fazendo-lhes crer que governou exemplarmente as finanças públicas durante seis anos e agora se não fosse ele a apresentar o “orçamento mais importante dos últimos 25 anos” os portugueses veriam o seu país entregue aos cuidados paliativos do FMI. Portanto, Teixeira dos Santos não é responsável, transformou-se em salvador, um salvador a que quem estiver interessado em deixar o orçamento pode telefonar-lhe das 0 às 24h.
A culpa não é dos que pedem dinheiro, que não controlam as despesas e são obrigados a empenhar-se cada vez mais, a culpa é dos que emprestam o dinheiro e não deviam cuidar dos seus interesses emprestando-o a um país que caminha para a bancarrota. Foi culpa dos mercados o descontrolo intencional da despesa durante 2009? Não me parece.
Se um país está à beira da bancarrota e o ministro das Finanças está no cargo não se pode aceitar que em vez de ser avaliado ainda se arme em fanfarrão e venha dizer que fez uma grande coisa e deve ser tratado com a reverência merecida a um herói. Se eu roubar um papo-seco no Pingo Doce ou no Lidl corro um sério risco de ir a julgamento e um ministro que conduz as finanças públicas a um ponto em que se tira uma parte substancial do rendimento dos portugueses ainda tem a distinta lata de falar de cima para baixo?
Os portugueses estão a pagar a ineficácia da máquina fiscal gerida pelo ministro, estão a pagar o excesso de despesa que os famosos controladores financeiros deveriam ter controlado, estão a pagar a despesa resultante das decisões do ministro das Finanças em relação ao BPN. É verdade que também pagamos os submarinos do Portas mas as finanças estão demasiado no fundo para que tudo se explique com submergíveis. Há um senhor que deve ser julgado antes de qualquer outro, é Teixeira dos Santos, ministro das Finanças. É verdade que os especuladores fizeram com que os juros da dívida subissem, é verdade que a actuação de Pedro Passos Coelho, mas antes de condenar um e julgar o outro é Teixeira dos Santos que deve ir a julgamento e em democracia esse julgamento.
Teixeira dos Santos falhou todas as previsões, nomeou chefias inúteis só para empregar amigos como controladores financeiros, deu sinais errados aos portugueses dizendo-lhes que a despesa estava sob controlo, mentiu sistematicamente sobre a real situação financeira do país. Teixeira dos Santos é o responsável pela uma das situações financeiras mais difíceis do país desde o princípio do século vinte, mas não teve que enfrentar qualquer revolução ou guerra, governou as contas em democracia, com Portugal na EU e com maioria absoluta durante mais de quatro anos, não tem desculpas.
Nas democracias os cortes salariais ou nos direitos dos cidadãos são decididos por consenso e em resultado do debate parlamentar, são conseguidos com contrapartidas negociais para os que são penalizados, são feitos com objectivos de progresso. Não é normal que em democracia um ministro decida a quem tirar 15% do rendimento sem que a vítima se possa pronunciar e em consequência da sua própria incompetência.
Se eu fosse ministro das Finanças e fizesse o que Teixeira dos Santos fez ao país e aos portugueses pediria humildemente desculpa aos meus concidadãos pelos prejuízo que a minha incompetência lhes provocou e apresentaria o pedido de demissão.
Acção de solidariedade & etc.
Ainda no mesmo blogue, cujo link estará, a partir de hoje, disponível no Miradouro, encontrei esta outra notícia da maior importância, à qual, naturalmente, não pude deixar de conferir o destaque que merece.
(via 31 da Armada)
No Forum do PÚBLICO...

Jura...!!!

Transcrevo parte da notícia (para a ler na totalidade, clicar aqui):
"O Banco de Portugal publicou hoje um retrato da população portuguesa no que a literacia financeira diz respeito.
As conclusões do Inquérito à Literacia Financeira de 2010, realizado pelo banco central, dão conta de uma população com fracos hábitos de poupança e despreocupada num conjunto alargado de hábitos financeiros, desde a gestão da conta bancária à comparação de produtos na hora de investir.
Poupança
O estudo do Banco de Portugal nota que "uma percentagem muito significativa (89%) dos inquiridos considera ‘importante' ou ‘muito importante' planear orçamento familiar", apesar de apenas 52% o fazer.
Os sinais de alarme aparecem quanto 54% considera como poupança o dinheiro deixado na conta à ordem para gastar mais tarde, quando 88% dos que não poupam dizem não ter rendimentos para o fazer e quando apenas 20% dos inquiridos garante poupar numa lógica de médio e longo prazo.
"As decisões quanto à poupança são determinadas também, em grande medida, por restrições financeiras: a maioria dos inquiridos que não poupam (88%) refere rendimento insuficiente como principal razão", lê-se no documento."
(...)
Sublinhados meus.
17 outubro 2010
16 outubro 2010
Más novas para os espanhóis

Nova modesta proposta

Da pelintra pelintrice

15 outubro 2010
14 outubro 2010
Zangam-se as comadres e os ratos abandonam o navio

Braço direito de Sócrates acusado de tráfico de influências
Deputado do PS diz que André Figueiredo, chefe de gabinete no Largo do Rato, o aliciou com promessa de cargo numa empresa pública a troco da sua não recandidatura ao PS de Coimbra.
Vítor Baptista, deputado e recandidato derrotado à liderança da federação distrital do PS de Coimbra, promete vender cara a derrota. Ontem escreveu uma carta (ver link relacionado) aos seus camaradas na bancada parlamentar, intitulada "Na calada da noite", onde volta a lançar graves acusações sobre o chefe de gabinete de José Sócrates no PS, André Figueiredo (também secretário nacional adjunto).
Segundo escreveu, Figueiredo tentou aliciá-lo a não se recandidatar oferecendo-lhe em troca "um qualquer lugar de gestor público, desde o Metro em Lisboa, à CP ou Refer, até acenavam com uma cenoura de 15 mil euros mensais".
André Figueiredo é acusado de, em conjunto com elementos da candidatura dada como oficialmente vencedora (liderada por Mário Ruivo, dirigente em Coimbra da Segurança Social), ter providenciado pelo "pagamento colectivo" de centenas de quotas de militantes, algo que o seu regulamento "não prevê". Ouvido pelo DN, André Figueiredo prometeu que agirá "criminalmente perante todas as difamações e infâmias de que for alvo". "Devemos estar à altura das funções que ocupamos. Eu estou. Já outros tenho a impressão que nunca estarão", acrescentou.
Vítor Baptista, oficialmente derrotado por 46 votos, também ataca na carta um seu camarada de bancada, Renato Sampaio (reeleito líder do PS-Porto), por este ter saído em defesa de André Figueiredo. "Agora, fazendo parte desta encenação, aparece um tal Renato Sampaio [...] a dizer que tenho mau perder. Perder até sei e já o demonstrei em outros momentos, mas passivamente ser roubado não". Dirigindo-se também ao presidente da distrital de Vila Real, que igualmente se solidarizou com Figueiredo, pergunta: "Será que ambos não o sabem distinguir? Estão ao serviço de quem?"
Dois juristas contactados pelo DN, a quem foi lido o teor da carta do deputado, consideraram que se pode estar perante um crime de tráfico de influência. Uma vez que, explicaram, "se está perante uma situação em que alguém promete usar da sua influência a troco de uma contrapartida". Ou seja: a colocação de Vítor Baptista numa empresa pública a troco da não recandidatura à Federação do PS/Coimbra.
O crime de tráfico de influências é de natureza pública, obrigando a actuação do Ministério Público.
As teias da estratégia

Presidente do Irão visitou fronteira com Israel
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, esteve esta quinta-feira face ao seu arqui-inimigo Israel, dizendo a milhares de apoiantes do Hezbollah, numa cidade fronteiriça libanesa, que estava orgulhoso da sua luta, enquanto helicópteros israelitas voavam nas imediações.
Os EUA e Israel consideraram a visita de Ahmadinejad à fronteira israelo-libanesa uma provocação que mina a soberania libanesa.
O Irão, cujos laços com o Hezbollah têm cerca de 30 anos, financia o grupo xiita em milhões de dólares por ano e é suspeito de fornecer muito do seu arsenal do movimento radical.
O Hezbollah goza de um apoio generalizado entre os xiitas e gere virtualmente um Estado-dentro-do-Estado nas áreas xiitas do Líbano.
"Vocês provaram que a vossa resistência, a vossa paciência, a vossa firmeza, eram maiores do que todos os carros de combate e aviões do inimigo", disse Ahmadinejad num comício em Bint Jbeil, situada a cerca de quatro quilómetros da fronteira.
"O povo do Irão permanecerá ao vosso lado, bem como todo o povo da região", acrescentou.
A cidade de Bint Jbeil tem um significado especial no Líbano, tanto por ter sido uma das áreas mais atingidas na guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, como por o Irão ter financiado significativamente a sua reconstrução, como ainda por ter sido nela que o líder do Hezbollah fez um discurso de vitória, depois da retirada israelita do sul do Líbano, em 2000, ao fim de duas décadas.
No seu discurso em Bint Jbeil, o líder dos xiitas disse que Israel era "mais fraco do que uma teia de aranha" -- uma frase que ainda hoje adorna uma parede do estádio, a par de fotografias de soldados israelitas a chorar.
Bint Jbeil é considerada "a capital da resistência", porque foi um centro da acção da guerrilha do Hezbollah contra Israel durante a ocupação.
O líder iraniano também visitou a cidade de Qana, onde um ataque aéreo israelita, em 2006, matou dezenas de habitantes, depois de já em 1996 ter aí morto 100 civis libaneses.
A visita de Ahmadinejad sublinha o enfraquecimento das posições pró-ocidentais no Líbano.
De forma mais geral, sugere mesmo que a concorrência pela influência sobre o Líbano pode estar a ser ganha pelo Irão persa, e o seu aliado Síria, e perdida pelos EUA e os seus aliados árabes Egipto e Arábia Saudita.
A coligação governamental de partidos apoiados pelo Ocidente já avisou que Ahmadinejad quer transformar o Líbano numa "base iraniana no Mediterrâneo".
O porta-voz do governo israelita, Mark Regev, afirmou que "a dominação iraniana do Líbano, através do Hezbollah, destruiu qualquer hipótese de paz, transformou o Líbano num satélite iraniano e fez do Líbano um centro importante para o terror e a instabilidade regional".
Pessoa em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Que me confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que me contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos