29 setembro 2010

Notícias dos construtores do Universo


Mesmo há bocadinho, nos telejornais:

Primeiro, Francisco Assis, à saída do Palácio de Belém, afirma que o PS tudo fará para fazer aprovar o OE, enquanto partido maioritário e, portanto, com maiores responsabilidades. Mas, avisa, os outros partidos também têm responsabilidades e, portanto, vejam lá o que fazem.

Ou seja, o Partido Socialista ignorou acintosamente tudo quanto viesse da Oposição durante os quatro anos em que teve maioria absoluta na Assembleia e fez aprovar o que constituiu o maior descalabro económico e social de que há memória desde o 25 de Abril. Conduzindo, em alta velocidade, o país a um estado caótico e deprimente, agravado pela crise internacional com que, já no final do mandato, procurou justificar-se. Agora, num estado de completa histeria e desorientação, os socialistas avisam a Oposição de que tem a obrigação patriótica de apoiar - com novos disparates que colocarão a população e a economia em geral numa situação insustentável - a resolução dos efeitos trágicos da incompetência e da irresponsabilidade com que governaram. E que lhes fique agradecida por a deixar participar em tal missão, que a humanidade futura reconhecerá decisiva e fruto, entre todos bendito, das mentes que guiam o país no meio de um martírio feito de escarros e vitupérios, indiciador da sua missão divina

Numa palavra, responsabilizam quem impediram, frequentemente de modo insultuoso, de ter uma palavra a dizer nas decisões que tomaram, pela anulação das consequências dessas mesmas decisões. Sempre, claro está, à boa maneira socialista: em nome do povo e fazendo recair, "democraticamente", a calamidade dos futuros dislates que anunciam em cima de todos nós, "portuguesas e portugueses". Tudo em nome, como não podia deixar de ser, dos superiores discernimento e sensibilidade social, intrínsecos aos escolhidos para participarem na execução da Grande Obra da arquitectura do Universo e arrabaldes.

Depois, nada melhor para se aquilatar de tais superiores discernimento e sensibilidade dos boys do Arquitecto do que a notícia que veio a seguir. O Ministério da Educação, face à falta generalizada de pessoal nas escolas, propõe-se acudir aos desempregados contratando-os para as funções de pessoal auxiliar, sem determinação prévia do número de dias semanais em que exercerão essas funções, no máximo de quatro horas diárias e com a remuneração de três (!!!!!) euros por hora. Interrogada pelos jornalistas, a senhora ministra considerou o que haveria a esperar da sua parte: que é tudo normal. E, bem entendido, qualquer um serve, já que todos os portugueses, como se sabe, não apenas têm incluído nos genes um radioso programa de formação sobre como proceder com crianças e adolescentes como, já no berço, lhes são dadas xuxas através das quais lhes é proporcionado um outro, absorvível oralmente, sobre como bem agir nessas funções.

Cada vez mais as palavras que jorram de mim me sabem a silêncio.

Um perfeito inútil no seu melhor!


Disse ele, em pleno início da finalização da destruição do ensino em Portugal, dirigida pela batuta da incompetência esquizofrénica de Maria de Lurdes Rodrigues e seus amigalhaços, que os professores são os "inúteis mais bem pagos deste país". Ouçam-no agora, a um dos imbecis mais bem pagos deste país para gafanhotar baboseiras, malabarismar argumentos sobre a relação entre a complexidade dos trocatintismos do jogo de cintura de que se faz a derrocada do engenheiro faxista que chegou a primeiro-ministro e a madraçalhada matreira que o brilhantismo e argúcia ímpar da sua visão topa logo, só pelo pisar.
Único e imperdível! De ir às lágrimas, sem que consigamos saber porquê.

28 setembro 2010

Auxiliar de memória


Ontem à noite, estendi-me frente à televisão e por ali fiquei a ruminar o que ia ouvendo. A partir de certa altura, dada a habitual falta de interesse da programação dos diversos canais quanto a filmes e séries (estava a dar televisão em todos, como diria o Quino pela boca da Mafaldinha), lá fui parar, contrariado, aos habituais canais de informação e aos generalistas. E acabei por me fixar, primeiro na SICNotícias, depois, na RTP1. No Jornal das 9 e no Prós e Contras.

Pousei no Jornal das 9 na altura em que falava já Henrique Neto, velho e digno membro do Partido Socialista. Que não tem por hábito mandar recados por ninguém. E que referia o facto, impensável no Portugal de há duas décadas atrás, face ao nível político e intelectual dos dirigentes de então, de vermos um secretário-geral da OCDE em Lisboa a dizer-nos o que havemos de fazer. E que, prosseguindo, lembrava a intervenção que tivera no congresso do seu partido, ao tempo de Guterres, no qual, contrariando as sonoras proclamações triunfalistas de que a economia ia de vento em popa, afirmara, no meio das sorrisos depreciativos de quem o alcunhava de “derrotista” e de “velho do Restelo”, que, pelo contrário, ela se encontrava em declínio, pelos mesmos motivos que hoje servem para justificar a crise.

E que disse mais: que as suas intervenções estavam registadas para quem as quisesse ler, só que ninguém as lia nem estava interessado em lê-las. E que, quando isso acontecia, eram, em geral, convenientemente deturpadas. E que ao país não será nada fácil encontrar uma saída para o actual estado de coisas. Porquê? Porque a quem está no poder não interessa mudar seja o que for. E quem está no poder? Os boys do PS, para cujo perigo que constituíam Guterres alertava o próprio partido (ingenuidade ou puro desespero?, pergunto eu), dominando a máquina do Estado, emperrando-a, sempre que necessário, para manter o seu estatuto social e económico. Disse-o. Desassombrada e tristemente.

Uma hora e tal depois, eis que aterro no programa da Fátima Campos Ferreira. Desta vez, no momento em que ela punha uma questão ao Professor Jacinto Nunes, ex-ministro de um governo da iniciativa de Ramalho Eanes (em 1977 ou 78, nem eu nem ele nos lembrávamos já) e ex-governador do Banco de Portugal. Jacinto Nunes, que foi sempre um exemplo de competência, seriedade e isenção. E de dignidade. E que respondeu à pergunta da moderadora, sobre se a actual crise política poderia ser atenuada com um governo da iniciativa de Cavaco Silva da seguinte maneira: seria completamente desaconselhável um tal recurso, pois que nenhum partido apoiaria esse governo, já que todos eles se preocupam somente com o seu lugar, influência e poder na política portuguesa, a exemplo do que sucedera àquele de que fizera parte e aos restantes promovidos por Eanes.

E que disse, também ele, mais: disse que os diferentes grupos políticos de hoje se caracterizam pela grosseria, pela má-educação e pela falta de horizontes culturais e cívicos, pela estreiteza de vistas, pela agressividade mútua. Não o disse exactamente por estas palavras, mas aquelas com o que o exprimiu estavam carregadas deste mesmo sentido e nelas ressoavam a tristeza, a amargura e a indignação. Ressoavam discretamente, porque o Professor Jacinto Nunes só deixa transparecer a sua educação, mesmo quando a desilusão lhe amarfanha a alma.

E, finalmente, quando hoje se pôde ouvir, na comunicação social, a senhora ministra da Educação, dizer, com a mais completa impunidade, que considerava o caso do aluno que entrou com vinte valores no Ensino Superior, bem como outros casos semelhantes, “absolutamente normal”, fiquei a pensar que se abrira mais um alçapão, e que aquilo que se julgara ser o fundo, afinal ainda não o era. Para, logo de seguida, sentir que um segundo se abrira, ouvindo-a proclamar a maior fraude de que tenho conhecimento ao nível do ensino, um verdadeiro crime de lesa-pátria designado por Novas Oportunidades, como sendo um “ensino de qualidade”. E, aí, já não pensei em mais nada.

Escrevi isto. Só para eu próprio ter perante mim, sem dó nem piedade, o Portugal em que nos tornámos. Para que a minha memória não esqueça.

26 setembro 2010

25 setembro 2010

À pesca

No Blasfémias

Tolerámos 40 anos de Salazar. E não mudámos assim tanto

Quando Salazar foi eleito o “maior português de sempre” muitos encolheram os ombros: a votação tinha pouco significado e era tudo menos representativa. Mas quando, 40 anos passados sobre a morte do ditador, entramos em qualquer livraria e encontramos resmas de novidades que chegam a encabeçar as listas dos livros mais vendidos, interrogamo-nos: porquê este fascínio por Salazar?
Há uma resposta simples, talvez demasiado simples: a maioria dos portugueses já não viveu como adulto sob o seu regime e, face ao desencanto com os políticos de hoje, acaba a olhar ou para um Salazar mitológico ou para um desconhecido que lhe suscita curiosidade. Esta atracção também é devedora do registo maniqueísta que tem dominado o discurso público sobre o ditador, um registo que não autoriza nuances e alimenta estereótipos.
Mas há outra questão, mais profunda e inquietante: a de saber como foi possível Salazar manter-se no poder durante 40 anos.
Na mais importante obra saída nos últimos meses,
Salazar, Uma Biografia Política, Filipe Ribeiro de Menezes prefere contudo olhar para o porquê de Salazar se ter querido manter no poder. O historiador propõe duas razões: “A primeira, e mais importante, era uma crença em si próprio como agente providencial; a segunda era a percepção de que, sem ele no centro, o regime, assente numa aliança tecida de um delicado equilíbrio entre forças conservadoras, desabaria”. Contudo, se “durante a maior parte das quatro décadas [em que governou] a sua principal prioridade foi manter-se no poder”, essa vontade, mesmo que muito forte, mesmo que servida por uma enorme capacidade para gerir os equilíbrios no interior do regime, não explicam só por si a sua longevidade. Também não a explica o aparelho repressivo do regime. Não há dúvidas de que o Estado Novo era uma ditadura que utilizava sem estados de alma instrumentos como a censura, a discriminação e a perseguição dos opositores, a tortura nas prisões e a discricionariedade na aplicação de penas indefinidas, só que a contabilidade da repressão é, por comparação com outros regimes, modesta. Mais: Portugal nunca foi um Estado totalitário, apenas (o que não é pouco) autoritário. Salazar não se preocupava muito com a sua popularidade, mas o regime contou ora com o apoio tácito da população, ora com a sua indiferença, nunca teve de enfrentar uma hostilidade generalizada. Só a organização clandestina do PCP manteve uma espécie de guerra civil com a PIDE, a que a maioria de população foi quase sempre indiferente. Infelizmente o pouco que os portugueses se mobilizaram para terem as suas liberdades de volta é um dado histórico de que não nos podemos orgulhar.

E aqui voltamos ao ponto central: como foi isso possível?
A resposta mais comum, e nem por isso falsa, é que a prolongada indiferença face aos métodos da ditadura foi fruto da nossa condição de país pobre, rural e semi-analfabeto. Um país sem classe média, ou onde a classe média é muito pequena, é por norma um país menos exigente politicamente, e Portugal não escapou à regra: quando, a partir do final dos anos 50, a economia acelerou, as cidades se encheram e começou a aumentar o número de estudantes nos cursos médios e universitários, de imediato aumentaram as dificuldades do regime. Não por acaso Salazar preferia o Portugal rural, não por acaso desencorajou ou desautorizou os muitos ministros “desenvolvimentistas” com quem trabalhou, não por acaso vivia como um recluso numa residência oficial onde se criavam galinhas para consumo doméstico.
Contudo esta condição de “país pobre” não tinha de ser uma fatalidade – era apenas a fatalidade que Salazar herdara após quase um século de governos liberais ou abertamente jacobinos. Durante todo o século XIX e no início do século XX Portugal divergiu da Europa e do mundo desenvolvido, só conseguindo começar a reaproximar-se a partir da estabilização financeira promovida por Salazar. É duro, mas é verdade pois significa que mesmo oferecendo ritmos de crescimento pouco ambiciosos, o salazarismo proporcionou a Portugal mais do que lhe tinham oferecido os regimes anteriores. Não surpreende por isso que muitos tivessem aceitado a falta de liberdade – para mais apresentada e vista como necessária a uma “paz interna” que contrastava com a turbulência, instabilidade e ambiente de guerra civil larvar que marcara a I República.

A debilidade de uma cultura de liberdade, se tinha raízes sociais e históricas, era também cultural e política. Primeiro, porque Salazar não mentia quando disse, em 1945, que “antes de nós e por dezenas de anos – reconhecemo-lo com tristeza –, as ditaduras foram a forma corrente da vida política e vimo-las alternar-se ou suceder-se quase ininterruptamente, sob formas diversas”. Na verdade, como assinalou o historiador Rui Ramos, “nunca, antes de 1926, as eleições, envolvendo apenas eleitorados restritos e tutelados, haviam sido consideradas genuínas ou livres”. Houvera partidos na Monarquia Constitucional, tal como houvera partidos na I República, mas ou as eleições eram tuteladas, ou o colégio eleitoral artificialmente restrito, ou o ambiente político marcado pela coacção. Os portugueses não tinham perdido com o advento de Salazar um regime aberto e plural como o que hoje temos, pois apenas tinham conhecido oligarquias dilaceradas por querelas internas.
Depois, porque nunca se consolidou em Portugal uma elite liberal. Como explicou Vasco Pulido Valente, o fim do Antigo Regime e o advento “liberalismo” não foram produtos de um sobressalto interno, antes subprodutos das Invasões Francesas: “A invasão e a guerra, por assim dizer, ‘provocaram’ o ‘liberalismo’ em Portugal. Um produto exógeno, que não podia ser aceite pacificamente”, notou o historiador. Mas não só: o “liberalismo”, “por causa da sua intrínseca fraqueza e do seu isolamento na sociedade portuguesa, viveu até muito tarde sob a tutela do exército” e “continuou também as tradições do ‘antigo regime’”, como um Estado “centralizado, despótico e intrusivo” que sustentava “com dinheiro público uma classe média burocrática e ‘parasitária’” e intervinha de forma constante na economia. Não mudámos assim tanto.
Há ainda a sublinhar a hegemonia do pensamento “francês” entre as elites – uma hegemonia que justifica o carácter profundamente jacobino e dirigista do pensamento republicano, que se prolonga na influência de Maurras no pensamento autoritário de Salazar e que só recentemente começou a perder, em alguns meios, para a tradição anglo-saxónica da liberdade.

Salazar, para se manter no poder, não teve mais do que interpretar esta maneira de ser do povo português. Ao contrário dos seus antecessores, nem sequer promoveu uma revolução, não teve de substituir as hierarquias nem de gerar novas obediências: teve apenas de promover o que podemos designar como uma “acalmação”, baixando a “febre política” para permitir aos portugueses “viver habitualmente”. Apor isso até aos anos 60, quando as coisas começaram a mudar, os poucos sobressaltos sentidos pelo regime – como aquando do comício da Fonte da Moura, no Porto, na campanha de Norton de Matos, ou sobretudo durante a campanha de Humberto Delgado – nunca foram suficientes para que se sentisse a aproximação do fim do regime.
Não deve pois surpreender-nos que a mesma mistura de apatia, dependência do Estado e iliberalismo continuem a marcar a paisagem política portuguesa. Facilmente é possível encontrarmos quem feche os olhos ao autoritarismo ou ao desrespeito do Estado de Direito desde que lhe falem em “desenvolvimento”. Tal como é fácil assustar os portugueses com a mínima perspectiva de abalo da
babysitter estatal. Ou tal como é popular, tanto à esquerda como à direita, criticar qualquer actividade que dê lucro e fugir de tudo o que implique riscos.
Quarenta anos depois da morte de Salazar o país que o aturou pacatamente mudou muito – mas sobretudo à superfície. Salazar já pertence à história, mas os defeitos portugueses que autorizaram o salazarismo continuam a apoquentar-nos. Todos os dias.

Público, 24 de Setembro de 2010

24 setembro 2010

23 setembro 2010

Dos grandes princípios da governação


Segundo parece, anunciam os órgãos de comunicação, as estatísticas mostram que há cada vez maior número de pessoas idosas abandonadas, nos hospitais, pelos familiares.
Comentando, dizia-me, por sua vez, uma (recente) antiga docente do curso superior de Serviço Social: "Pois, esta coisa de irem vasculhar as contas bancárias, é o que dá...".
E não explicou mais nada.
Também, para quê?

20 setembro 2010

Mas, já agora...

Após denodada luta com o "bicho informático"...


... e o recurso a consultoria estética, a que se acrescentou um radical emagrecimento da paciência, tudo voltou ao normal. Faltam os links, que irei repondo aos poucos, à medida do tempo disponível e da memória.
Voltarei amanhã.

19 setembro 2010

É o que acontece! É o que a-con-te-ce...!!


É o que acontece a quem se põe a fazer experiências com o modelo do blogue e acaba por fazer merda...!
Bom, agora tenho que repor, aos poucos, os links preferidos todos, de alguns dos quais com certeza me esquecerei. Já eram tantos!
Mai-los contadores!
Oh, porra!
(Se pensavam que eu era bem-educado...)

O último a sair...


18 setembro 2010

Heil, Greenpeace!


Da juventude nacional-socialista à Mocidade Portuguesa, tudo o que este vídeo relembra é alarmante. E, pior ainda, quando se sabe que é passado em escolas pelos imbecis prá-frentex do politicamente correcto, cheios da sabedoria fast-food sobre os famosos e já decrépitos (porque a mentira não se conseguiu aguentar assim tanto tempo) "efeito de estufa" e "aquecimento global"! Para quando um curso de formação em "bufaria", inserido nas Novas Oportunidades, com passagem incluída para a Universidade? (vídeo citado numa caixa de comentários, também do Fiel Inimigo).

Nota - Repare-se no elemento teatral do capuz, no tipo de iluminação utilizada...

14 setembro 2010

Ninguém vê? Ninguém ouve?


Uma professora de Braga que criou um site em defesa de Carlos Cruz por, embora desconhecendo o processo, ter tido desde sempre a intuição, quando o ouve falar, da realidade da sua inocência, é ridicularizada por todos os lados pelos defensores da objectividade, que preferem dar crédito às provas apresentadas em tribunal.

Por sua vez, o tribunal aceita os depoimentos das vítimas, apesar das contradições detectáveis, porque o modo como falaram, o olhar e mais não sei o quê tinham uma clara «ressonância de verdade» (segundo a transcrição de excertos do acórdão feita pela comunicação social).

Além disso, o mesmo tribunal afirma não acreditar que os rapazes (ainda segundo a comunicação social) tivessem «sofisticação necessária» para conseguirem manter sempre a mesma versão, mesmo quando sujeitos a múltiplos interrogatórios. Pela minha parte, devo dizer que conheci gente educada na Casa Pia que tinha uma sofisticação maior do que aquela de quem escreveu o acórdão, onde se pode ler (mais uma vez, segundo a comunicação social) pérolas de português como «jovens rapazes».

O tribunal mostrou-se ainda mal impressionado pela maioria dos acusados não haver demonstrado qualquer arrependimento. De outra maneira, os que continuam a afirmar-se inocentes, deveriam mostrar-se arrependidos do que negam ter feito. Se não se arrependem, é porque o fizeram.

Ninguém estranha nada nisto tudo?

13 setembro 2010

Da desgraçada lucidez

Excerto de uma entrevista de Luís Figo à TSF, a propósito da sua possível candidatura à presidência da FPF:

«Estou um bocado queimado em relação a Portugal, pelo menos por causa dos últimos acontecimentos em relação à minha pessoa», afirmou.

«A única coisa que posso dizer é que, quando quiser mais problemas, regresso a Portugal», acrescentou.

Sobre o actual momento que se vive na selecção nacional, Luís Figo revelou que já esperava que o caso Queiroz terminasse da forma que se conhece, mas considerou que não foi defendido o interesse nacional.

«Acho que ao abrirem este processo já se sabia o desfecho final, mas penso que se perdeu tempo importante quando está em vista um prioridade nacional, um interesse nacional, como é o caso da selecção», referiu Luís Figo.

11 setembro 2010

Ele sabe o que faz e o que diz


Holocausto racial é um termo que só poderia ser descoberto por um génio.

09 setembro 2010

08 setembro 2010

O jardim das Legiões


Eis do que fala José Gonsalo aqui.

03 setembro 2010

Não percebo!


Alguém me explica? De todos os réus acusados de frequentarem a "casa das orgias", em Elvas, o único que, afinal, segundo a súmula do "julgamento Casa Pia", terá sido visto por lá, e apenas por duas vezes, foi Carlos Cruz. A D. Gertrudes Qualquer-Coisa, dona da referida casa, essa foi considerada inocente!
Ou será que alguém quer mesmo que não percebamos...?

Ainda a propósito de uma cerimónia muçulmana

Zawahiri e Bin Laden

José Gonsalo inseriu, no Fiel Inimigo, o vídeo Cerimónia em Viena, a partir do post que eu publicara no dia anterior. Hoje, é a minha vez de transcrever aqui um texto seu, resultante de uma reflexão motivada por um comentário a esse mesmo vídeo (clicar aqui, para ver o post e aqui, para ver os comentários ao vídeo).

A Jihad inicia-se após a Hégira, em 625 d.C., e traduz-se, para começar, na conquista pelos exércitos islâmicos, sob comando árabe, do Médio Oriente e do Norte de África. Oitenta e seis anos depois, em 711 d.C., esses exércitos entram na Península Ibérica, dominando-a, na sua quase totalidade, no decurso das duas décadas seguintes, sendo a sua passagem para além dos Pirinéus travada, já em solo Franco, na batalha de Poitiers, em 732 d.C.. Todo este processo, realizado a ferro e fogo dura, pois, cento e sete anos.

Só em 1095, passados mais de três séculos e meio, é que terá lugar a primeira Cruzada, com o intuito de devolver à cristandade o acesso aos lugares santos do Cristianismo, entretanto usurpados pelo Islamismo tanto a cristãos como a judeus. A última delas, a quinta, durará quatro anos, entre 1217 e 1221, e o que resultará do conjunto de todas elas, nesse intervalo de cento e vinte e seis anos, não será sequer o domínio europeu da zona, quanto mais a reconquista da área da África do Norte, toda ela cristã antes da imposição, por via armada, do Islão.

A conquista islâmica dos territórios norte-africanos e europeus nada tem a ver com a devolução do que quer que fosse a que os árabes tivessem direito. Nem mesmo podem alegar, para tal, qualquer ameaça vinda da Europa da época. Os europeus, bárbaros em emergência, ocupados em guerras que definissem os seus novos territórios, decorrentes da derrocada do Império Romano do Ocidente, tinham mais em que pensar do que no Médio Oriente. Os exércitos islâmicos assenhorearam-se, em nome da salvação pela verdadeira religião ou a pretexto dela, do que não era seu. Só não se apoderaram do que, por fim, não lhe permitiram e foi preciso rechaçá-los, numa luta que, no caso ibérico, durou até 1492, isto é, em contas redondas, oito séculos.

Perdidas as veleidades de se tornarem numa outra versão da antiga Roma imperial, unificada, política e administrativamente, pelos princípios do Alcorão, procuraram sufocar a Europa através do impedimento à livre circulação de bens e de ideias existente, desde a Antiguidade, entre o Ocidente e o Oriente, nomeadamente entre a Europa e a Índia, base da fertilidade das civilizações grega e romana e de todas as restantes que se haviam desenvolvido em torno do Mediterrâneo. O seu declínio, comercial e militar, começou, de vez, com a chegada dos portugueses a Calecut e, posteriormente, com o aparecimento e o estabelecimento de holandeses, franceses e ingleses por todo o Oriente.

A partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, acentuou-se cada vez mais a decadência de uma civilização em que o saber se tornou prisioneiro das cadeias de uma teologia incomparavelmente mais limitadora do que o Cristianismo alguma vez fora. O desenvolvimento dos conhecimentos técnico-científicos transportou o Ocidente para o plano de uma outra humanidade, enquanto os árabes, excepção feita aos tradicionais tiranetes assassinos com poder de compra que os dominavam, estiolaram entre o cavalo, o camelo e o burro, presos de impérios orientais que se faziam e desfaziam como sempre aconteceu desde há três milénios. Até que, por fim, inevitavelmente, sobretudo a partir do último quartel do século XIX e até ao final da II Guerra Mundial, surgiram os ingleses e os franceses. Era o fracasso final do povo eleito, o povo guiado pela palavra do único Deus, Allah, revelada ao terceiro e, determinadamente, o último dos profetas, Muhammad. O fracasso da tarefa que se propusera a si próprio e em que assentara a sua identidade. Ou reagia, ou estaria condenado para toda Eternidade.

Ao contrário do que é dito no Evangelho, onde a vingança é sinónimo de degradação espiritual, o Alcorão entende-a como legítima sem, no entanto, a definir (o que levanta muitas e interessantes questões). Porém, a vingança, perspecyivada por uma cultura como a árabe, repressiva e agressiva, na qual a dissimulação e hipocrisia são confundidas com uma das quatro virtudes cardeais tradicionais, a Prudência, torna-se no conceito que alimenta, fundamentando-o, um ressentimento venenoso. Esse ressentimento assumirá, assim, para que o povo de Deus não perca a face perante o Criador e alcance o Paraíso, a seguinte forma teológica: os Ocidentais têm por eles as forças do Mal, perdemos esta batalha, mas a força de Allah, que está desde sempre em nós, alcançá-los-á, no final; teremos que o derrotar definitivamente, aos impuros, vencendo-os-os e submetendo-os às leis do Alcorão. A nossa vingança é a vingança de Allah. Utilizaremos os seus conhecimentos contra eles, as forças do Mal virar-se-ão contra ele próprio e assim será destruído.

Este não é, evidentemente, o espírito de todos, senão de uns quantos, que, no entanto, são a parte verdadeiramente activa, como se tem visto. Os restantes oscilam entre um islamismo passivo, mais ou menos consciente de si mesmo, que demonstra esse ressentimento através da resistência “cultural”, encerrando-se, no estrangeiro, em comunidades fechadas e, no seu próprio país, na lei islâmica como fundamento das leis nacionais; e, evidentemente, o islamismo-da-boca-prafora, como plano de defesa de interesses mais ou menos instituídos e confessáveis (no que, aliás, são semelhantes a inúmeros exemplares do mesmo tipo, espalhados pelo planeta, residentes em diferentes religiões e ideologias).

Dizer, pois, como o faz, no seu comentário, um anónimo, que a Jihad constitui o reverso da medalha das Cruzadas, indicia pura ignorância ou cartilha política de conveniência ideológico-partidária, acriticamente papagueada. Porque, atendendo ao que se passou, só a afirmação oposta poderia fazer sentido. As Cruzadas e os Cruzados não foram mais do que a resposta tardia a algo que cujo começo foi da iniciativa e da responsabilidade dos árabes e do “seu” Islão. Dos crimes e das crueldades, ninguém ficaria impune num julgamento imparcial. Trazê-las à baila como argumento revela, da parte dos seus dirigentes, as sinuosidades propagandísticas dos seus planos. Com efeito, se a moral tivesse a ver alguma coisa com os factos que a humanidade produz como história sua, os árabes deveriam, por este motivo, manter-se num silêncio envergonhado, com tanto maior razão para tal quanto a política do punhal fratricida que, desde sempre, inclusive no seu apogeu, grassou entre eles, não desapareceu ou sequer se atenuou.

01 setembro 2010

Deixei de ler o Expresso...


... vão para aí uns trinta anos. E quando, ocasionalmente, em casa de um ou outro amigo, lhe passo os olhos por cima, mais sinto justificada a minha aversão. Ora vejam bem esta, que recolhi via Fiel Inimigo.

30 agosto 2010

Efeito "bola de neve"

Agora que voltei e fiquei a saber que a sra. Ministra da Educação decidiu arrasar de vez com o que restava do ensino nocturno, acabando com o ensino secundário por módulos capitalizáveis, aqui deixo algo, cuja autoria desconheço, que me foi enviado por email.

14 agosto 2010

Aaaahhh!!!


Volto daqui a duas semanas.

12 agosto 2010

Ricardo Araújo Pereira no seu melhor


Revista Visão, hoje:

Portugal é fogo que arde sem se prever

É todos os anos a mesma coisa: chega o verão e começam os incêndios, os jornalistas fazem reportagens em direto à frente das chamas, os bombeiros queixam-se da falta de meios, os comentadores perguntam como é possível que ninguém se tenha lembrado de limpar as florestas e há sempre um parvo que assinala que é todos os anos a mesma coisa. Cada um tem a sua função nesta farsa - e a minha, pelos vistos, é esta.
O aspeto mais intrigante dos incêndios de verão é a aparente surpresa com que acolhemos um fenómeno que é recorrente e pontual. Não há nada mais previsível do que os fogos em agosto, e no entanto continuam a abrir telejornais. Todos os anos Portugal escorrega na mesma casca de banana, e é sempre notícia. Trata-se de uma tradição que sobressalta.
Toda a gente está preparada para a Volta a Portugal em Bicicleta, mas ninguém espera a Volta a Portugal em Carro de Bombeiros, que decorre todos os verões exatamente na mesma altura. Imagino que, nas redações, os jornalistas tenham uma minuta com o modelo da reportagem e as questões que é preciso colocar a populares, bombeiros e ao ministro da Administração Interna. No final de julho, tiram a minuta da gaveta e dirigem-se para onde houver labaredas. O espetador tem a sensação de estar a ver sempre o mesmo jornalista, o mesmo bombeiro, e o mesmo ministro da Administração Interna. Não são reportagens, é uma peça de teatro. E está em cartaz há mais tempo que Te Mostrar em Londres.
JORNALISTA: Estamos aqui em [colocar nome da localidade], onde um violento incêndio está a consumir a floresta e começa a ameaçar algumas casas. Comigo tenho o comandante [nome do bombeiro]. Sr. comandante, qual é o ponto da situação?
BOMBEIRO: Olhe, com os meios que temos estamos a fazer o melhor possível. O batalhão é pequeno e, além disso, precisávamos de mais dois camiões cisterna e dava-nos jeito um helicóptero.
JORNALISTA: Aproveito então para falar com o ministro da tutela, que também tenho junto a mim. Sr. ministro, o que é que está a ser feito para prevenir este desastre?
MINISTRO: Disse desastre? Costuma ser flagelo.
JORNALISTA: Tem razão. Desastre é para as cheias. Peço desculpa. O que é que está a ser feito para prevenir este flagelo?
MINISTRO: Estamos a trabalhar no sentido de criar condições que permitam promover um esforço muito sério com vista a desenvolver mecanismos que conduzam ao reforço das infraestruturas. E recordo que a área ardida este ano é menor que a do ano passado.
JORNALISTA: Obrigado, sr. ministro. Adeus e até para o ano no mesmo sítio e à mesma hora.
E depois cai o pano. Os atores recolhem aos bastidores e a plateia boceja. O incêndio continua a queimar tudo, incluindo o papel onde os responsáveis apontaram que, para o ano, é mesmo necessário limpar as matas. Os únicos metros quadrados que não ardem são aqueles em que as estações de televisão montam o tripé para o jornalista entrevistar os bombeiros e o ministro. O resto costuma desaparecer, até porque Portugal parece ser um país que tem mais pirómanos por metro quadrado do que árvores. A vida também está difícil para eles. A quantidade de pirómanos residentes em território nacional sugere que, no nosso país, aquela máxima sobre a plena realização pessoal foi ligeiramente adaptada. Aqui, ao que parece, só tem uma vida verdadeiramente completa o cidadão que tiver um filho, escrever um livro e queimar uma árvore.

10 agosto 2010

Conhecem?



António Simões na Bienal de Poesia de Silves 2008.

07 agosto 2010

Em coisas como estas é que se pode apreciar...


... as diferentes perspectivas sobre o serviço público e a governação. Uns já foram para o Quénia, outros estão na Suíça...

04 agosto 2010

Um ministro determinado...


... não precisa de fingir que é democrático nem sequer bem-educado. Só precisa de dizer que está bem informado.
E nem Salazar, se fosse vivo, se atreveria a duvidar de tal. Como diria o chefe do bando, perdão! da banda: Eróc faltava...!

03 agosto 2010

Exemplar!


(Ignoro quem seja o autor da foto)

Do país que somos, do país que temos (a ordem dos factores é arbitrária).

30 julho 2010

23 julho 2010

Ah!...


... grande Eduardo! E que extraordinário trabalho de informação e afirmação este homem tem estado a fazer diariamente no seu blog, substituindo-se àquilo que deveria ser parte das funções das entidades públicas de um país civilizado!
Passem por lá diariamente, olhem que vale a pena.
Até já.

20 julho 2010

Um miado com piada

16 julho 2010

Volto na terça

09 julho 2010

Mais uma...


... deliciosa missiva de Nicolau Saião:

Eu até sou um tipo afável - como dizia o filósofo... - mas não percebo nada de futebol. Ou seja, nunca poderia acertar numa só previsão que fosse, em termos de bola mundial - ao contrário do polvo (creio que sabem do que se trata, o polvo das previsões num aquário de algures) que, contudo, parece que terá como destino ir acabar em apaladado arroz malandrinho.
É assim que cá (lá) se tratam as pitonisas modernas? Isto diz bem do respeito que por lá (cá) se tem pelo sagrado - e há algo mais sagrado do que um vigoroso derby?
Mas da minha pouca sabença filosófico-religiosa (há lá coisa mais religadora do que um belo golo, depois de uma jogada inesquecível!) sempre saberei, talvez, isto: que independentemente do aproveitamento que o Zapatero (o nome deste tipo, tão real politik, sempre me fez farnicoques) e sus diversos muchachos vão fazer, os nuestros manos que andam entre as quatro linhas mostraram até agora pelo menos isto: que um pouco de trabalho e de garra, caldeada por uma certa sensatez, sempre dá bom resultado. Seja na bola ou na vida societária, vulgo países, que dantes eram nações e hoje se parecem mais com involuntárias associações de consumidores. (E vá lá que inda se vai tendo para consumir alguma coisa, não é como naquela loja romena do tempo dos amanhãs que cantavam onde só havia, como mostraram as inúmeras agências noticiosas de todo o lado, ossos de suíno e de vaca para fazer/dar gostinho a sopa...). Adiante.
Ou seja: polvo por polvo prefiro, mesmo distanciado, o da bola. Clarificando melhor: o das previsões. O do arroz malandrinho, coitado dele, que merecia pela ajuda que deu a distrair as gentes, acabar de velhice num zoológico. Mas a tolice e a superstição - mesmo engraçadas - têm razões que a razão desconhece...
Dedico o envio de hoje aos espanhóis, ao povo espanhol que me habituei a estimar. E que, tal como os portugueses de bem, não alinham com polvos (dos outros, está de ver!).
O abrqs proverbial e nominal do vosso
ns

08 julho 2010

Santana Castilho, no PÚBLICO


A solidez de um livro, segundo Sobrinho Simões

O livro de Maria de Lurdes Rodrigues é um relatório burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa
No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela "ética das convicções". Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):
"... Só quem está certo de não desanimar quando ... o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que ... tem a oferecer ... tem vocação para a política ..." (in
A Escola Pública Pode Fazer A Diferença, p. 18)
Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.
Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento.
O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino. Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo:

1. A autora introduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: "... Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9.º ano? ..." (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara quatro anos de escolaridade com nove. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.
2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito ("reforma" foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p. 15): "... Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização ...". Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.

Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.
Ao longo dos últimos cinco anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como "escola a tempo inteiro"; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28.000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal.
No ano lectivo de 2004-05 tinha 92.102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só cinco países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p. 90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos aonde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, "the last, but not the least", a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.
Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como "o mais sólido" que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores.

04 julho 2010

Do interesse...


... em salvar o mundo ou "A petrolífera verde e as suas bactérias amestradas" (com vénia ao RioD'Oiro, do Fiel Inimigo).

02 julho 2010

Acho que não é preciso muito mais...


... para se perceber, por este exemplo, onde se encontra a principal causa do crescente número de erros que têm vindo a acontecer. Quem utilizou regularmente os serviços dos hospitais desde há cinco anos tem, aliás, uma muito clara percepção da situação.
O estratagema que o "governo" usa para disfarçar a raiz do problema que criou, é, como sempre, instaurar um clima de suspeição pública generalizada sobre as competências e o profissionalismo dos envolvidos, nomeando ou fazendo nomear comissões de inquérito e de acompanhamento de processos, com o consequente clima de tensão, medo e crispação entre todos, que em nada contribui para qualquer melhoria de desempenho, antes para a degradação do mesmo. Dividir para melhor distrair a população da sua atroz incompetência, dividir para mais eficazmente impor o domínio de um grupo sobre os restantes cidadãos, tem sido, aliás, o procedimento preferido e corrente de "governantes" que, na prática, negam o seu próprio país e a função para que foram eleitos.
Sabe-o quem trabalha na saúde, sabe-o quem trabalha no ensino, sabe-o... sabe Deus!

30 junho 2010

Do absurdo e do sinistro



Mais uma vez, num telejornal. Mais uma vez, o espanto. Mais uma vez, se alguma coisa ainda me pudesse espantar neste país.
Numa instituição de ensino pré-escolar. No Restelo. Uma actividade para crianças na média geral dos quatro anos de idade. Um Projecto Pedagógico de Intervenção Paisagística. Objectivo?
Levá-las a saber como plantar flores, arbustos, alfaces... Saber como cuidar daquilo que se plantou, o que fazer, em que devida altura...
Ensinar às crianças tudo isto deveria fazer parte do ensino obrigatório. Ensinavam-no antigamente muitos avós aos seus netos. Muitos pais. Muitos seus familiares. Por acharem que fazia parte do estojo de sobrevivência, por necessidade económica, para alargamento de horizontes e desenvolvimento intelectual, como forma de educação cívica através do trabalho, como forma de abertura à noção de poesia...
Coisas que "as mais avançadas pedagogias" ao serviço do Estado, menosprezaram, no seu incremento e na sua implementação dos novos obscurantismos. Os dos cegos que conduzem outros. Mas, mesmo começando já a haver sinais do início da sua agonia, o ferrete com que distorceram a educação das mais recentes gerações mantém-se nos mais simples aspectos das coisas mais simples.
Projecto Pedagógico de Intervenção Paisagística...! Haverá melhor e maior sinal do carácter medíocre e bimbo, tosco e mistificador, massificador e desumanizante, absurdo e repressor do ensino em Portugal do que ouvir pronunciar o nome desta disciplina pela boca das crianças? O simples nome de uma disciplina escolar basta para que se revele, subtil e sinistramente, o estado a que tudo chegou.

28 junho 2010

Voyeurismo socialista?


Fui ontem surpreendido - se é que alguma coisa ainda me pode surpreender neste país e neste governo - com a notícia surgida no telejornal a que eu assistia, segundo a qual será obrigatório responder, no próximo censo populacional, à pergunta sobre qual a "orientação" sexual do "censado".
Demorei uns segundos a voltar a fechar a boca. O mesmo Estado que se recusou, noutro censo, realizado anos atrás, a incluir uma utilíssima e indispensável pergunta sobre o tipo e o grau de deficiência ou deficiências dos cidadãos, é o mesmo que agora pretende devassar a vida pessoal e a intimidade daqueles que, supostamente, deveria servir e proteger.
Por acaso, a minha "orientação" é a mais comumente instituída, sou um heterossexual impenitente. Mas afirmo, desde já, que me recusarei a responder à pergunta. Sejam quais forem as consequências que isso me acarretar. E que incitarei os meus concidadãos a fazê-lo.
Como diria uma conhecida personagem política, por acaso o sr. primeiro-ministro: "Era o que faltava...!". Era o que nos faltava, um Estado voyeur...!

27 junho 2010

Só mais um dia...


Volto amanhã. Deixo aqui entretanto, um poema de Armindo Rodrigues, hoje tão esquecido, mesmo pelos seus camaradas de partido, apostados em Saramago. O poeta que, como dizia David Mourão-Ferreira era "um carro de combate carregado de flores".
LIBERDADE
Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.
Nota
Não sei porquê, mas a grafia do poema não sai correcta no post. O poema tem duas estrofes, a segunda das quais começa em "É estar atado, ....).
As minhas desculpas.

26 junho 2010

23 junho 2010

Pois é...


... a "coisa" não tem andado fácil. Nem para terminar um textículo que, como já disse atrás, alinhavei vai para duas semanas, tenho tido disponibilidade. Mas voltarei no domingo. Palavra de escuteiro.
Até lá.

18 junho 2010

Nicolau Saião, hoje, no TriploV



Da hipocrisia como uma das Belas Artes

Morreu Saramago e, como sempre, os habituais hipócritas ou interesseiros, vêm-lhe festejar o cadáver. Nunca o apreciaram, mas dizem-se pesarosos. É o habitual. Eu também nunca o apreciei - quer como escritor, quer como pessoa. Como escritor, a despeito dos galardões, achei-o sempre limitado. Como pessoa era envinagrado e pedante (leiam-se as memórias do comunista, mas consistente, Orlando Neves, um dos melhores poetas lusos, e ficar-se-á esclarecido sobre a personagem). Mas nunca o ofendi, como muitos que agora fingem desgosto. Outros, por dever militante, tentam forçá-lo a prestar um último serviço... à "causa". Chamam-lhe homem livre. De facto, foi um estalinista, um apreciador de ditadores (quem esqueceu o elogio a Fidel e a Stalin, que segundo ele foi um homem de pulso?) e um homem de obediências cegas.
Mas era um ser humano, que merecia que não lhe babujassem o cadáver com fingimentos.

17 junho 2010

Viva a toda a gente!



Era, de facto, para ter recomeçado na 2ª feira, escrevinhei um post e tudo. Mas, uma vez mais, a minha disponibilidade foi-se em poucas horas e manter-se-á ausente até ao próximo sábado. Domingo, estarei de volta.
Até lá, fiquem com aquela que é, para mim, uma das grandes canções (embora das menos conhecidas) de Djavan.

10 junho 2010

Volto na segunda-feira, mas...


... deixo aqui, entretanto, um pequeno texto de Chesterton, numa tradução do meu caro Nicolau Saião.

O que achei nas algibeiras

Uma única vez, no decorrer da minha vida, fui ao bolso de um fulano e, de certezinha por distracção, acontece que esse bolso era o meu…
Com propriedade o acto pode descrever-se dessa forma, no mínimo, porque ao tirar coisas das algibeiras fui sentindo as emoções do gatuno: a total ignorância sobre o que ia achar e uma curiosa excitação pelo que ia encontrando…
Estava bem fechadinho num autocarro de terceira e a viagem ia ser longa. Caía a tarde e, no exterior, a terra e o céu eram tão monótonos como uma tela na qual o pincel molhado da chuva houvesse imprimido uma descolorida melancolia. Não levava comigo nem jornais nem livros. Nas paredes do veículo não havia nenhum cartaz de publicidade sobre o qual pudesse efectuar um estudo apurado – isto porque qualquer acervo de palavras impressas é suficiente para me sugerir as infindáveis complexidades do humano engenho mental. Assim, por exemplo, quando me encontro frente às palavras “Sabão Sol” fico capaz de esgotar todos os aspectos do culto solar, de Apolo e da poesia do verão, antes de entrar no assunto propriamente dito e menos transcendente do sabão…
Mas no compartimento que ocupava não se viam nem imagens nem palavras em que pudesse deter o olhar, nada havia para além da inexpressiva madeira, no interior e, lá fora, a paisagem coberta de humidade
Ora, sempre me tenho negado com energia a admitir que haja coisas que não possuam qualquer interesse. Assim sendo, pus-me a olhar os encaixes das tábuas das paredes e dos assentos, meditando profundamente no empolgante tema que é a madeira. E no exacto momento em que começava a entender porque é que Jesus Cristo fora carpinteiro e não pedreiro ou mesmo padeiro, vieram-me de repente à ideia as minhas algibeiras. Sem disso ter consciência, carregava comigo um tesouro desconhecido! Aquelas ninharias que sempre se trazem distribuídas por todo o corpo, por aqui e por ali. E comecei a tirar coisas dos bolsos.
O que primeiro de lá saiu foram uns quantos bilhetes de eléctrico da carreira de Battersea, os quais me deram de imediato o material impresso de que estava a precisar: no verso de cada um deles lia-se um curto mas incisivo ensaio científico sobre certas pílulas medicinais. Dada a minha modesta condição económica desse tempo, os ditos bilhetes de eléctrico podiam considerar-se como uma minúscula mas selecta biblioteca científica. Continuasse eu a viajar daquela forma mais alguns meses – o que, na época, era muito de admitir – e estaria dentro em breve mergulhado com empenho numa polémica sobre os defeitos e as virtudes das pílulas, armando réplicas e tréplicas ora contra ora a favor, baseado nos dados que os bilhetes me facultavam.
Depois tirei do bolso um canivete. Um canivete, digamo-lo desde já, é objecto que só por si faz jus a um volume considerável de meditações morais. Pois a faca é um elemento típico de uma das primaciais origens práticas em que assenta, como sobre curtos e grossos pilares, a civilização humana. Os metais, o mistério daquilo a que chamamos ferro e aço, levaram-me a uma espécie de sonho arrebatado. Mediante a fantasia penetrei no âmago de bosques húmidos e escuros onde o homem primitivo topou, entre outras pedras, com esse estranho calhau. Vi-me no meio de uma escaramuça violenta e vaga, na qual os machados e os facalhões de sílex se quebravam, se estilhaçavam contra algo de novo que reluzia e que um dos furiosos combatentes empunhava. Escutei todos os martelos malhando em todas as bigornas do mundo; vi todas as espadas das guerras feudais e todas as engrenagens da batalha industrial.
Porque a faca é apenas uma espada curta; e o canivete é uma espada oculta. Abri-o – e pus-me a contemplar essa língua luzente e temível a que se dá o nome de lâmina; e concebi que talvez ela fosse o símbolo da mais antiga necessidade do homem…Mas no momento seguinte percebi que me enganara., pois o objecto que logo após me saiu do bolso era uma caixa de fósforos. Visionei então o fogo, que ainda é mais poderoso do que o aço; a chama, essa antiga coisa feminina e feroz, que todos amamos mas em que não ousamos tocar…
Veio a seguir um bocado de giz; e vi nele a arte toda, os murais de todos os tempos e de todos os lugares. Depois extraí do bolso uma moedinha de parco valor; e nela vi não só a efígie do nosso próprio imperador mas também a soma de todos os governos e da ordem, desde que o mundo é mundo.
Mas falta-me espaço para arrolar agora a lista completa de objectos que, num longo e esplêndido corrupio de símbolos poéticos, continuou a escorrer-me das algibeiras.
Uma coisa, contudo, posso assegurar-vos: nelas não consegui achar o bilhete do autocarro…

09 junho 2010

04 junho 2010

Uma carta de Nicolau Saião


Caros/as confrades

Os tempos, de repente, aqueceram - e juro que não me refiro às perrices político-sociais em que certos cavalheiros e certas obscuras irmandades têm mergulhado o país para melhor nos envinagrarem, rapando-nos harmoniosamente as algibiras.
Hoje refiro-me mesmo ao Verão.
Então aqui, pelo Alentejo, tem sido de atabafar.
" - Mas o que é que este quererá, hoje com esta conversa sobre o Tempo e o Clima?" - perguntará ali o confrade/a confradesa do canto, que é atilado/a e indagador/a?
Não, não é por isso, pelo que ressalta das palavras de Marco Aurélio ("Os que não têm nada para dizer, quando se encontram ou falam do tempo ou do clima...ou dos anos em que eram meninos"). Que eu até tinha coisas para dizer. Muitas coisas. Mas se me ponho a desbobinar, deixando a voz ao correr da pena...lembrando-me por exemplo daquele senhor que o povão começou por estimar, depois - pelas suas arteirices velhacas passou a detestar...e agora, mercê das suas videirices, acaba por desprezar (o que há dias, a propósito do anúncio de apoio a uma candidatura, achou que era um erro por ser fala prematura - colocando assim a ética política, com a hipocrisia que lhe é própria, ao nível apenas do timing...), se me ponho dizia a desbobinar, correrei o risco de vos aborrecer por encher muito o discurso.
Queria ressaltar, apenas, que deveremos entrar em breve na oficial (!?) época dos fogos!
E assistiremos, decerto, a muitas reportagens galvanizantes nas TVs - se acaso o nosso premier, com a inteligencia pragmática que se lhe conhece e o robusto bom senso de "animal político" como se auto-designou numa feliz tipificação, não der indicações de silêncio nas fileiras, para não alarmar as consciências já de si alavarintadas das lusas gentes. Como fez no ano transacto, em que os fogos não diminuiram mas todos ficámos muito mais descansados...
"Olhos que não vêem, coração que não sente" , como diz o Outro.
E pronto, uma vez esclarecida a pequena dúvida, resta-me desejar-vos bom fim-de-semana. Por mim, garanto que o vou ter! Cá por coisas. Contos largos. Mas lá um pouco mais para diante vos contarei. Yep!
... E já me esquecia, mas emendo já a mão: o envio de hoje, dedico-o aos Bombeiros lusos, tantas vezes a contas com a gandulice societária de gente que nem sequer lhes dá os materiais de que precisam para fazerem o seu trabalho meritório.
Abrqs do
n.

O mesmo Nicolau Saião de quem poderão ler Flauta de Pan, se clicarem aqui.
Até já.

De decreto em decreto


O Governo (o termo mantém-se, por comodidade de designação) vai, pouco a pouco, prosseguindo na tarefa em que se empenhou do apodrecimento definitivo do sistema de ensino português. Agora, os alunos retidos no 8º ano e com mais de 15 anos poderão transitar directamente para o 10º ano, se tiverem êxito num conjunto de exames que deverão realizar.
Os professores, como qualquer pessoa de bom-senso, atendendo às características que esses alunos apresentam na sua quase totalidade, têm as maiores dúvidas (?) em que eles o consigam. Dizem-no retoricamente, é claro. Porque sabem que, na devida altura, mesmo que os exames sejam exames reais, algo em que, evidentemente, ninguém acredita, surgirão ordens de serviço "orientadoras", lembrando a necessidade de uma "compreensão facilitadora do processo de ensino-aprendizagem", algo cuja não-observância indicará a menor competência profissional ou o "carácter retrógrado, elitista e desactualizado" do docente, com as respectivas consequências. Desde logo por parte do CE, que terá que apresentar números (eleitorais) ao ME.
Pidescos, sinistros, com a arrogância própria da irresponsabilidade e do oportunismo político, Sócrates e o seu grupo vão desagregando o país. De decreto em decreto.
Até à vitória final?

03 junho 2010

Uma aventura na escola


Ontem, numa escola dos arredores de Lisboa:
Um aluno cara-pálida procura separar três colegas africanos-de-segunda-geração que lutam, no pátio, por causa de uma anterior luta, no pátio, das respectivas namoradas.
Hoje, na mesma escola:
Um grupo de sete indivíduos africanos-de-segunda-geração invade as instalações, agride uma funcionária, procura o aluno referido e espanca-o violentamente.
Os colegas, amedrontados, não reagem.
O aluno cara-pálida é salvo de um muito provável homicídio por um conjunto de professores e alguns amigos de diferentes colorações, que o protege, fazendo uma barreira à sua volta.
Os agressores eram amigos de um dos três outros colegas que ele separara no dia anterior e que não gostou da intromissão.
O aluno cara-pálida foi assistido no hospital e recusa-se a fazer queixa, por medo de represálias.
O CE da escola, logo se verá, não haja, além de represálias dos mesmos (que já ameaçaram quem falou em divulgar o caso), inquéritos à segurança do estabelecimento por parte ME.
Os alunos obtiveram excelentes ensinamentos sobre o que deverá vir a ser o seu comportamento como cidadãos portugueses.
É esta a verdadeira escola, uma escola portuguesa que prepara para sociedade portuguesa.
Uma escola para sobreviventes de uma sociedade para sobreviventes.
Na qual, perante um outro caso de agressão ocorrido há pouco tempo, um aluno que nada tinha a ver com o que sucedera, passou junto do colega caído e o pontapeou também. E que, interpelado por um companheiro, espantado com a sua atitude, respondeu:"'Tão...! Se é para bater, é para bater...".