Quadro de Paul DelvauxRecebi mesmo agora a notícia de que a minha amiga de juventude Raquel Seabra Pinto, a quem ouvi alguns dos poemas mais autênticos de que me lembro, mas que desde muito cedo se remeteu ao silêncio, faleceu hoje, no IPO, devido a um linfoma. Aqui deixo um desses seus poemas, sem mais quaisquer outras palavras.
Sobre a planura as suas asas espraiando
o anjo vigia e guarda.
À noite as águas silenciosas da laguna
reflectem-lhe o dorso, curvado sobre as
árvores frias.
Mãos invisíveis tecem-lhe nos cabelos
segredos antigos
que os homens esqueceram há muito
ou nunca sequer souberam
E parte, por sobre as nuvens
recortadas a luz ardente.
Irremediavelmente, parte.
Sobre a planura as suas asas espraiando
o anjo vigia e guarda.
À noite as águas silenciosas da laguna
reflectem-lhe o dorso, curvado sobre as
árvores frias.
Mãos invisíveis tecem-lhe nos cabelos
segredos antigos
que os homens esqueceram há muito
ou nunca sequer souberam
E parte, por sobre as nuvens
recortadas a luz ardente.
Irremediavelmente, parte.