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05 junho 2011

No próximo sábado haverá uma manifestação justa...


... rigorosamente independente de qualquer organização corporativa ou partidária (que devem estar a espumar de raiva!), organizada com o trabalho e o sacrifício dificilmente calculáveis de um reduzidíssimo número de pessoas. Como português, julgo ser dever de todos os portugueses apoiá-los, comparecendo ou enviando mensagens e ajudando a divulgá-la. Para mais informações, ver o Tetraplégicos no Miradouro (clicar na imagem, para a aumentar).

23 maio 2011

Exercício de cidadania


Eduardo Jorge, do blogue Tetraplégicos (no Miradouro), é alguém que me merece o maior respeito pelo empenho e pela tenacidade com que, nas difíceis condições em que vive (e há-as, infelizmente em monstruoso número, muitíssimo mais difíceis ainda), tem lutado pela dignidade, informação e aproximação dos cidadãos que, sofrendo - de diferentes modos e em diversos graus - de deficiências, tiveram o azar de nascer em Portugal, sendo também ele um dos promotores desta marcha que, julgo, todos deveríamos apoiar, presencialmente ou de qualquer outra maneira.
Aqui fica o alerta. E um grande abraço para ele e para todos aqueles que venham a sair à rua.

27 março 2011

Da falta de senso (ou de vergonha?)



Deficiência nos Censos

Em crónica de 17 de Março trouxe ao assunto os Censos de 2001. Ainda não conhecia o "Questionário dos Censos" de 2011.

Nesta quero chamar a atenção para a mais que certa indefinição dos resultados que virão a ser apurados pelos Censos de 2011, no que respeita à deficiência.

Vejamos: Os Censos de 2001 apuraram 636.059 pessoas com deficiência, representando 6,1% da população residente em Portugal, e tipificaram por tipo de deficiência: 25,7 % de deficiência visual; 24,6% motora; 13,2% auditiva; 11,2% de deficiência mental; 2,4% de paralisia cerebral e 23% de outras deficiências.

Quanto ao grau de incapacidade, os Censos de 2001registaram que mais de metade da população com deficiência não possuía qualquer grau de incapacidade atribuído. A população restante estava classificada por cinco níveis de incapacidade escalonados por percentagem.

No respeitante à ocupação, revelaram taxas de ocupação muito baixas, particularmente no respeitante à deficiência mental e paralisia cerebral.

Dava percentagens das pessoas com deficiência economicamente activas e os que viviam de pensões de reforma. E dava percentagens dos que viviam "a cargo das famílias".

Os dados apurados mereceram muitas reservas, porque se considerou que não retratavam a realidade social.

Os questionários para os Censos de 2011suscitam apreensões. Não foram feitos para clarificar o que nos de 2001 ficou por esclarecer.

Não me parece que possam radiografar a realidade social da deficiência quando o "Questionário" funciona por questões como: "Não tem dificuldade ou tem pouca" em ver; "Tem muita dificuldade" em ver; "Não consegue" ver. Os mesmos itens para o "ouvir", para o "andar e subir degraus", de "memória ou concentração", de "tomar banho sozinho", de "compreender os outros ou fazer-se compreender". Como enquadrar por aqui os graus de incapacidade, tipificados por percentagens?

Pelas respostas às questões não vamos ficar a saber a origem das "dificuldades" e o arrumar dos resultados só forçando nos dará a tipologia das deficiências. Fica de fora se a pessoa com deficiência alguma vez passou por um serviço que procedesse à classificação do grau de incapacidade.

Também o campo 23 do "Questionário Individual", por omissão de uma pequena explicação, conduzirá a resultados pouco ou nada clarificadores. Quantos conseguem viver com o rendimento de uma reduzida pensão? E o que fica a "cargo da família"?

As pessoas com múltiplas deficiências, situação muito frequente, também ficam às escuras.

Para clarificar algumas dúvidas do "Questionário Individual", servi-me da "Linha de apoio", (chamada grátis): 800 22 20 11, INE. Perante a complexidade das questões, transferiram a chamada para atendimento por técnico da especialidade. Quando apresentei os valores da pensão por "incapacidade permanente para o trabalho", recebi uma resposta de orientação: Se a "pensão" não chega", "responda-se que está "a cargo da família"". De facto está a "cargo da família".

Para clarificar as dúvidas sobre grau de incapacidade e tipologia da deficiência procuraram convencer-me que os Censos pretendem radiografar a sociedade nos aspectos mais globais. Para situações específicas da sociedade, será necessário utilizar outros meios de diagnóstico. Compreensível.

O informar das vidas das pessoas terá de passar por outros processos. A observação e a vivência dão outro conhecimento e despertam outro modo de ver e de sentir.

Para atingir esse objectivo, é necessário fazer sair do silêncio as pessoas com deficiência, para que se saiba como vivem.

É necessários que gritem alto para que se saiba que não aceitam pensões 207,06 congeladas.

Autoria: Miranda Manel

11 fevereiro 2011

Da crise...


Adenda esclarecedora: aqui.

23 dezembro 2010

Dos cidadãos portugueses com deficiências

Intervenção de Eduardo Jorge, do blog Tetraplégicos, no 10º Congresso Nacional de Deficientes, recentemente realizado. Vale a pena ouvir.

06 novembro 2010

Um poema em forma de post


Com um grande, grande abraço ao Eduardo.

23 outubro 2010

Gente que não presta mesmo


Acabei de saber, através de um vizinho recentemente ostomizado, que o governo retirou todos os apoios aos materiais - sacos e respectivos discos - necessários aos doentes. Como os custos mensais da sua compra atingem cerca de €200, ele e outros estão a recorrer à AMI.
Para que conste.

30 setembro 2010

Pelas devidas compensações aos cidadãos!


Três meses atrás, o senhor primeiro-ministro utilizava a potência vocal costumada para afirmar, altaneiro, que as medidas tomadas eram suficientes e que não iria haver mais aumento de impostos. Ontem, foi o que se viu. E amanhã, naturalmente, o que se há-de ver.

Ana Jorge, entretanto, diz que os portugueses têm que moderar o consumo de anti-depressivos a bem do orçamento da saúde.

Ok! Mas então, ao menos que o Estado Social abra o acesso a peões à ponte 25 de Abril e a visitas ao topo do Cristo-Rei!

23 julho 2010

Ah!...


... grande Eduardo! E que extraordinário trabalho de informação e afirmação este homem tem estado a fazer diariamente no seu blog, substituindo-se àquilo que deveria ser parte das funções das entidades públicas de um país civilizado!
Passem por lá diariamente, olhem que vale a pena.
Até já.

24 maio 2010

Da satisfação e do orgulho


Passou, há pouco, no telejornal da SIC, uma notícia que, enquanto português, me encheu de satisfação e de orgulho. Tal como pudemos ouver na peça jornalística, no Parque Biológico de Gaia, uma lontra bébé vive, desde o seu nascimento, há seis meses, dentro da casa de banho destinada a quem tem deficiências físicas, por inexistência de estruturas que a acomodem. Enorme exemplo de grandeza de alma, este!
A solução poderá passar por enviá-la para Espanha, logo que atinja a maioridade, quer dizer, logo que saiba caçar e prover autonomamente à sua existência, disse-se ainda. Pelo que agradeço desde já, em nome de toda a nação, aos nossos irmãos do outro lado da fronteira a hospitalidade demonstrada. E prometo, se tal estiver ao meu alcance, pagar-lhes com uma barrigada de riso, pedindo ao primeiro-ministro que faça aquele seu número apalhaçado do discurso para espanhóis, durante a passagem de tutoria do animal - ele é lá capaz de desperdiçar uma ocasião dessas, só para relembrar a importância do TGV...!
Suponho, além disso, que as autoridades nacionais estarão, como sempre, alerta e vigilantes, não permitindo o incentivo ou o desenvolvimento de perversas e antinaturais tendências pedófilas e zoófilas entre a sã população lusa, logo interditando a utilização das referidas instalações a quem visite o Parque. E que, assim, dando, desta maneira, um sinal da inexistência de indícios de perigo de extinção real dos deficientes portugueses, os devolvam à natureza no que há de mais simples, que é a satisfação de se aliviarem, ecologicamente, em pleno Parque, atrás das árvores, dos arbustos, ou até mesmo, como acontece, frequente e nem sempre discretamente, na selva urbana, dos bancos de jardim ou numa qualquer esquina ou recanto escondido.
Os cidadãos nacionais portadores de (os que carregam a) deficência, que fiquem, além e apesar disso, satisfeitos pela generosidade que demonstraram, albergando maternalmente a lontra, que ganhem ânimo ao saberem que todos temos os olhos postos neles, que são cidadãos úteis, para o país e para o planeta. Assim, quando virmos um nosso compatriota mijando envergonhadamente num canto qualquer, portugueses!, tragamo-lo para a luz e façamo-lo mijar orgulhosamente, com um repuxo maior do que o do menino de Bruxelas, do tamanho da homenagem que se pode fazer ao dever cumprido!
E ao enorme orgulho de se ser português no ano da Graça de 2010!

23 fevereiro 2010

A quem interesse


Já aqui deixei uma referência ao blog Tetraplégicos, que descobri há tempos, por acaso, e que coloquei desde logo nos favoritos, dada o excelente trabalho que nele tem sido feito. Chamo hoje a atenção para um post de enorme importância para quem necessite do que nele é noticiado.
O Eduardo continua de parabéns.

19 maio 2009

Portugueses a sério


Minutos atrás, fazendo zapping, passei pela SICNotícias. Transmitia-se o programa Falar Global e o jornalista entrevistava o jovem Salvador Mendes de Almeida, presidente da Associação Salvador, cuja existência desconhecia.
A inteligência e a abertura de horizontes demonstradas quanto às perspectivas e à acção já desenvolvidas pela Associação, nomeadamente no que respeita à importância do estabelecimento de protocolos e de desenvolvimento de projectos de investigação na área da robótica que minimizem os condicionalismos ligados aos diferentes tipos de deficiência, constituem exemplos de como é possível e indispensável ultrapassar a tacanhez e o miserabilismo pantanosos em que o país se vem afundando progressivamente. Tacanhez e miserabilismo, aliás, de que o jovem presidente deu conta com elegância serena e a dignidade de quem lhe dá o lugar que merece no trabalho que sabe que há a fazer, isto é: nenhum. Bastou-lhe, para isso, referir que o Estado português subsidia com 13 milhões de euros anuais a aquisição de equipamentos nessa área, menos 4 do que uma apenas das províncias da vizinha Espanha, para ficar a claro o que pensa.
Daqui envio, portanto, os meus parabéns, bem como, enquanto português, os maiores agradecimentos, a ele e aos restantes membros da Associação. O link fica disponível, aí ao lado, a partir de hoje.

02 dezembro 2008

16 outubro 2007

Aquele abraço!


Liguei a televisão por uns instantes e apanhei o Prós e Contras, exactamente na altura em que se iniciava a intervenção de José Arruda, da Associação de Deficientes das Forças Armadas. Logo a seguir, tive oportunidade de ouvir o depoimento sofrido, patriótico e vibrante de alguém que conheci há anos e que, posteriormente, foi (soube-o pelos órgãos de comunicação) presidente dessa mesma associação: o Cândido Patuleia.
Para ele, pelo que de humano conseguiu trazer ao debate, um enorme abraço.

04 outubro 2007

Vergonhas


Na sequência de um post que publiquei no passado dia 20 de Agosto, chamo a atenção para este outro, do 31 da Armada. Até amanhã.

24 agosto 2007

Équelé por todó lado!


Poucas horas atrás, num Pingo Doce situado dentro de um pequeno centro comercial da área de Lisboa, depois de ter feito as minhas compras meti-me na fila para uma das caixas, onde fiquei atrás de um casal na casa dos cinquenta, ele numa cadeira de rodas. Dada a pequena dimensão do supermercado, nenhum dos que já se encontravam anteriormente na fila se apercebeu da aproximação dos três, situados ainda no corredor entre as prateleiras.
Conversando entre si, o casal aguardava a sua vez de ser atendido, embora a caixa estivesse destinada a atendimento prioritário de grávidas e deficientes. De súbito, irrompendo por trás de mim, uma senhora dirige-se a ambos, vociferando: “O senhor não precisa de estar aqui à espera! O senhor tem o direito de ser atendido em primeiro lugar! Vá, passe à frente!” E avançou em direcção aos outros clientes, apanhados de surpresa: “Desviem-se! Vá, avance!”.
Tanto ele como ela, igualmente surpreendidos pelo tornado de olhos arremelgados e voz comicieira, só tiveram tempo para dizer: “Não é preciso, obrigado! Não estamos com pressa! Deixem-se estar!”, recusando delicadamente e com um sorriso a passagem ao primeiro lugar da fila. Mas a mulher insistia, voltava atrás e abria caminho, agora em direcção a outra caixa, chamando o casal com acenos para aí serem atendidos em exclusivo, continuando a clamar pelos direitos de que ele deveria usufruir.
Perante a notória falta de disposição de ambos para acatarem a direcção da sua justa iniciativa, já depois de duas funcionárias, alarmadas pelo alarido, os haverem inquirido sobre o assunto, a mulher voltou para junto deles. Foi então que o homem, aproveitando uma pausa na respiração lhe disse: “Minha senhora, eu faço valer os meus direitos excepcionais, quando isso me é necessário, o que, de momento, não é o caso. Por isso, hoje aguardo a minha vez como qualquer dos outros que aqui estão.”
A senhora engasgou-se, tartamudeou qualquer coisa, mas não se deu por vencida e continuou: “Pois… mas deve exigir os seus direitos! Tem que exigir os seus direitos! Tem que exigir os seus direitos”. E afastou-se, a voz a diluir-se pelos corredores, deixando um rasto de comentários, mais ou menos favoráveis.
Esta cena lembrou-me uma outra que presenciei há uns anos, desta vez num hipermercado, também com um casal com as mesmas características. Ele deslocava-se ao lado dela, que empurrava um carrinho a transbordar, tendo passado à frente dos restantes elementos da fila. Quando já se encontravam longe da caixa, uma cliente comentou para uma outra, que a acompanhava: “Na próxima vez que vier às compras, também trago um deficiente…”.
Não é apenas no que respeita aos transgénicos que a tacanhez e a má-fé deste país se manifestam.

20 agosto 2007

A ser verdade...


Na segunda página do jornal Associação, editado pela Associação Portuguesa de Deficientes, que me deram hoje a ler, chama-se a atenção para o facto da proposta de Lei de Aposentação do Governo não contemplar nenhum regime de excepção para pessoas com deficiência.
A ser verdade, não há que temer as palavras: um governo que propõe algo deste calibre não passa de um bando de canalhas, a quem deveriam ser retirados todos os direitos políticos.