06 junho 2011
05 junho 2011
No próximo sábado haverá uma manifestação justa...

23 maio 2011
Exercício de cidadania

27 março 2011
Da falta de senso (ou de vergonha?)

Em crónica de 17 de Março trouxe ao assunto os Censos de 2001. Ainda não conhecia o "Questionário dos Censos" de 2011.
Nesta quero chamar a atenção para a mais que certa indefinição dos resultados que virão a ser apurados pelos Censos de 2011, no que respeita à deficiência.
Vejamos: Os Censos de 2001 apuraram 636.059 pessoas com deficiência, representando 6,1% da população residente em Portugal, e tipificaram por tipo de deficiência: 25,7 % de deficiência visual; 24,6% motora; 13,2% auditiva; 11,2% de deficiência mental; 2,4% de paralisia cerebral e 23% de outras deficiências.
Quanto ao grau de incapacidade, os Censos de 2001registaram que mais de metade da população com deficiência não possuía qualquer grau de incapacidade atribuído. A população restante estava classificada por cinco níveis de incapacidade escalonados por percentagem.
No respeitante à ocupação, revelaram taxas de ocupação muito baixas, particularmente no respeitante à deficiência mental e paralisia cerebral.
Dava percentagens das pessoas com deficiência economicamente activas e os que viviam de pensões de reforma. E dava percentagens dos que viviam "a cargo das famílias".
Os dados apurados mereceram muitas reservas, porque se considerou que não retratavam a realidade social.
Os questionários para os Censos de 2011suscitam apreensões. Não foram feitos para clarificar o que nos de 2001 ficou por esclarecer.
Não me parece que possam radiografar a realidade social da deficiência quando o "Questionário" funciona por questões como: "Não tem dificuldade ou tem pouca" em ver; "Tem muita dificuldade" em ver; "Não consegue" ver. Os mesmos itens para o "ouvir", para o "andar e subir degraus", de "memória ou concentração", de "tomar banho sozinho", de "compreender os outros ou fazer-se compreender". Como enquadrar por aqui os graus de incapacidade, tipificados por percentagens?
Pelas respostas às questões não vamos ficar a saber a origem das "dificuldades" e o arrumar dos resultados só forçando nos dará a tipologia das deficiências. Fica de fora se a pessoa com deficiência alguma vez passou por um serviço que procedesse à classificação do grau de incapacidade.
Também o campo 23 do "Questionário Individual", por omissão de uma pequena explicação, conduzirá a resultados pouco ou nada clarificadores. Quantos conseguem viver com o rendimento de uma reduzida pensão? E o que fica a "cargo da família"?
As pessoas com múltiplas deficiências, situação muito frequente, também ficam às escuras.
Para clarificar algumas dúvidas do "Questionário Individual", servi-me da "Linha de apoio", (chamada grátis): 800 22 20 11, INE. Perante a complexidade das questões, transferiram a chamada para atendimento por técnico da especialidade. Quando apresentei os valores da pensão por "incapacidade permanente para o trabalho", recebi uma resposta de orientação: Se a "pensão" não chega", "responda-se que está "a cargo da família"". De facto está a "cargo da família".
Para clarificar as dúvidas sobre grau de incapacidade e tipologia da deficiência procuraram convencer-me que os Censos pretendem radiografar a sociedade nos aspectos mais globais. Para situações específicas da sociedade, será necessário utilizar outros meios de diagnóstico. Compreensível.
O informar das vidas das pessoas terá de passar por outros processos. A observação e a vivência dão outro conhecimento e despertam outro modo de ver e de sentir.
Para atingir esse objectivo, é necessário fazer sair do silêncio as pessoas com deficiência, para que se saiba como vivem.
É necessários que gritem alto para que se saiba que não aceitam pensões 207,06 congeladas.
Autoria: Miranda Manel
11 fevereiro 2011
23 dezembro 2010
Dos cidadãos portugueses com deficiências
06 novembro 2010
23 outubro 2010
Gente que não presta mesmo

30 setembro 2010
Pelas devidas compensações aos cidadãos!

23 julho 2010
Ah!...

24 maio 2010
Da satisfação e do orgulho

23 fevereiro 2010
A quem interesse

19 maio 2009
Portugueses a sério

02 dezembro 2008
16 outubro 2007
Aquele abraço!

04 outubro 2007
Vergonhas

24 agosto 2007
Équelé por todó lado!

Conversando entre si, o casal aguardava a sua vez de ser atendido, embora a caixa estivesse destinada a atendimento prioritário de grávidas e deficientes. De súbito, irrompendo por trás de mim, uma senhora dirige-se a ambos, vociferando: “O senhor não precisa de estar aqui à espera! O senhor tem o direito de ser atendido em primeiro lugar! Vá, passe à frente!” E avançou em direcção aos outros clientes, apanhados de surpresa: “Desviem-se! Vá, avance!”.
Tanto ele como ela, igualmente surpreendidos pelo tornado de olhos arremelgados e voz comicieira, só tiveram tempo para dizer: “Não é preciso, obrigado! Não estamos com pressa! Deixem-se estar!”, recusando delicadamente e com um sorriso a passagem ao primeiro lugar da fila. Mas a mulher insistia, voltava atrás e abria caminho, agora em direcção a outra caixa, chamando o casal com acenos para aí serem atendidos em exclusivo, continuando a clamar pelos direitos de que ele deveria usufruir.
Perante a notória falta de disposição de ambos para acatarem a direcção da sua justa iniciativa, já depois de duas funcionárias, alarmadas pelo alarido, os haverem inquirido sobre o assunto, a mulher voltou para junto deles. Foi então que o homem, aproveitando uma pausa na respiração lhe disse: “Minha senhora, eu faço valer os meus direitos excepcionais, quando isso me é necessário, o que, de momento, não é o caso. Por isso, hoje aguardo a minha vez como qualquer dos outros que aqui estão.”
A senhora engasgou-se, tartamudeou qualquer coisa, mas não se deu por vencida e continuou: “Pois… mas deve exigir os seus direitos! Tem que exigir os seus direitos! Tem que exigir os seus direitos”. E afastou-se, a voz a diluir-se pelos corredores, deixando um rasto de comentários, mais ou menos favoráveis.
Esta cena lembrou-me uma outra que presenciei há uns anos, desta vez num hipermercado, também com um casal com as mesmas características. Ele deslocava-se ao lado dela, que empurrava um carrinho a transbordar, tendo passado à frente dos restantes elementos da fila. Quando já se encontravam longe da caixa, uma cliente comentou para uma outra, que a acompanhava: “Na próxima vez que vier às compras, também trago um deficiente…”.
Não é apenas no que respeita aos transgénicos que a tacanhez e a má-fé deste país se manifestam.
20 agosto 2007
A ser verdade...


