
25 janeiro 2011
24 janeiro 2011
23 janeiro 2011
Os Padrinhos

Reflecti
21 janeiro 2011
A propósito de um comentário ao post anterior

1. Por Portugal! - Manifesto em torno da proposta de uma candidatura
Os signatários do manifesto que serve de apresentação e justificação à abertura deste blogue, têm consciência de serem apenas três de uma multidão de portuguesas e portugueses, preocupada com o estado de pré-calamidade - económica, social e política - a que o país foi remetido, neste final da primeira década do século XXI. E que, na iminência de mais um acto eleitoral, de cujo desfecho resultará a atribuição da Presidência da República a um dos nossos compatriotas, face ao perfil apresentado por aqueles que se declararam e apresentaram já como candidatos ao desempenho do cargo, decidiram apelar a uma outra figura pública que igualmente o faça, por a considerarem mais apta para tal do que qualquer dos restantes. Crentes em que a alma portuguesa se unirá e mobilizará em torno de uma candidatura que por inteiro traduza os seus anseios e aspirações, numa onda magnífica.
Os signatários estão convictos de que, tal como eles, o povo português não se reconhece em alguém como o Professor Cavaco Silva que, pese embora os seus méritos, alcançou as fronteiras do ridículo ao espraiar-se no lamentável, quando preencheu o seu discurso de recandidatura com queixas ao povo do tipo cançoneteiro “Vocês sabem lá…!”, em referência às passinhas vivas de Boliqueime que terá tido que engolir com “aqueles” malandros dos partidos. Às baboseiras que, condescendente e pacientemente, terá tido que ouvir; às discordâncias com a sua visão, especializada e experiente, que terá tido que suportar; aos serões em que, impaciente e pesaroso, terá tido que perder o episódio da telenovela, para ajudar a fazer acordos entre os galfarros que mandam na capoeira a que chamam Assembleia da República! Ninguém acredita na boa-vontade de alguém que se ergue em tanta lamúria, para poder continuar a lamuriar-se pelo sacrifício em que se oferece à Nação.
Nem que se reconheça no odor a verde-pinho com que o dr. Manuel Alegre pretende refrescar o hálito, carregado de miasmas libertados pelos microrganismos acumulados nas reviravoltas que deu à língua e pelo excesso de uso que deu à glote. Tudo para provar que está vivo, porque é assim que pensa poder prová-lo. E o povo português, que é “justo, solidário e fraterno”, não o será tanto, porém, que se arrisque a que ele lhe interrompa o programa de televisão, quiçá, o acto amoroso, com comunicados de última hora em que, qual émulo de Fidel, discursará durante quatro horas de cada vez, em tom de locutor soleníssimo, sobre o problema… o problema… o problema… bem, isso das lixeiras atómicas.
Não se reconhecerá também o povo português na luz que o ex-electricista Francisco Lopes lhe afirma vir do Nascente, mas que, afinal, vem - veio sempre - do Poente. Até porque utilizar um curioso como agente publicitário de uma empresa que afirma possuir os únicos e verdadeiros especialistas em iluminação, é, da parte desta, sinal de uma enorme falta de capacidade de gestão. Ou de simples falta de pessoal.
O povo português reconhecerá a Fernando Nobre empenho e tenacidade na procura de tratar da saúde aos habitantes do planeta e respeitá-lo-á por essa sua tão meritória intenção. Mas sabe também que o mundo não é tratável da mesma maneira que os seus habitantes, porque os habitantes são muitos, cada qual com a sua maleita, e, por isso, o mundo tem muitas maleitas ao mesmo tempo. Dizer que há um só remédio para tudo, porque é tudo resultante do mesmo vírus, mesmo com ar doutoral, cheira a miopia científica, fonte segura de muitos tropeções e trambolhões para qualquer mortal, quanto mais para um presidente.
Por fim, dificilmente pode vir a reconhecer-se em Defensor de Moura ou em José Manuel Coelho. Nenhum deles (em conjunto com Francisco Lopes, de quem não nos lembramos sequer de um curto-circuito que haja provocado) apresenta um álbum de fotografias com conteúdo suficientemente notório para ser mostrado às visitas. O nome do primeiro levanta, além disso, suspeitas de tendências divisionistas entre Norte e Sul, algo que é ainda reforçado pelas declarações que proferiu quanto à sua intenção de pugnar pela defesa dos animais. No que respeita ao segundo, quando surge parece sempre saltar de uma cartola e ninguém pensará em eleger um animal de palco para presidente. Nem, aliás, Defensor de Moura que o é também dos bichos, certamente o permitiria, criando o perigo da eclosão de uma guerra fratricida entre os portugueses. (...)
2. Pepita Leitão, signatária do manifesto que inaugura este blogue, acha por bem acrescentar ainda o seguinte:
MANIFESTO-DECLARAÇÃO
Esta não vai ser uma declaração política mas sim uma declaração de amor.
Ou mais exactamente: uma declaração de amor que também é uma declaração política. Para melhor dizer: programática.
Dela se extrai e sem dor uma grande amor ao País e ao Candidato que é a sua figura mais exemplar!
O nosso querido candidato Mendes tem tudo que o recomende:
1. Seriedade (nunca aldrabou um participante do Concurso que o tornou célebre, antes os ajuda com frases adequadas e afectuosas, que o mesmo é dizer que nunca defraudou os cidadãos telespectadores, o que contrasta fortemente com as pantominices repetidas dos políticos vulgares).
2. Bom-senso (tem um relacionamento cordial com os participantes, ao contrário dos vulgares políticos, quem tratam as pessoas aos coices ou com falinhas que depois se revelam conversa de chacha do piorio).
3. É sexy (o que em política, onde o aspecto conta e os políticos vulgares bem o percebem, é uma mais-valia. É uma figura no enfiamento do português rotundo e bem disposto, não é um pau de virar tripas como uns nem um orelhudo caricatural como outros. O cidadão, os homens e mulheres do povo, reconhecem-se nele. Mesmo vestido de bebé, como às vezes lhe sucede em cenas de teatro, não é ridículo, desperta ternura. Ponham o Alegre ou o Cavaco vestidinhos com babygrow e verão como as pessoas desatarão a rir!).
4. Tem um sorriso aberto (não ri aos solavancos como o bom do Nobre, nem sorri sepulcralmente como o Lopes, que até parece que está a enterrar o Lenine. E com o Alegre ninguém ri, embora em geral toda a gente ria com o Defensor).
5. É descontraído (não parece estar num funeral quando fala às massas. Comparem-no com o Cavaco e já estarão a ver o que quero dizer).
6. Todas as indumentárias lhe ficam bem. Comparem com o Lopes, cujos casacos parecem ter sido emprestados pelo Cunhal, bem como ostacatto dos discursos e a própria entonação filosófico-ideológica. O que revela que tem um espírito igual à aparência ou seja, de acordo com a psicologia, que é um homem público verdadeiro e sem hipocrisias ou desníveis ser-parecer.
7. E, por último, é o Mendes ele mesmo e não nenhum dos outros. E esta é a meu ver a sua grande vantagem!
Com amor patriótico! Viva, vivóóóó!
20 janeiro 2011
Diz-se - 2 (por e-mail)

(Do nosso correspondente em Lixboa, Eládio Valente)
De acordo com alguns órgãos informativos, o Candidato à Segunda Volta Fernando Nobre afirmou corajosamente num comício que só - e citamos-- um tiro na cabeça o impediria de ir pra Belém.
Ressalvado o facto de vários Chefes de Estado, de acordo com a História, terem convivido bem com balas no cérebro (veja-se o caso de G.W.Bush, que conforme foi recentemente confirmado foi duas vezes figura presidencial apesar de ter na caixa craniana duas balas de bazooka - motivo porque ostentava aquele ar meio-esgazeado - sem que isso lhe fizesse muita diferença nas decisões importantes a que se entregou) punhamos uma ou duas hipóteses ligeiramente discrepantes: e se for meia bala no baixo-ventre? E duas balas e meia no esófago?
Bom, mas não divaguemos, tanto mais que foram já divulgadas declarações dos seus concorrentes, os Candidatos à Segunda Volta Defensor Moura, Manuel Alegre, Francisco Silva e José Coelho (o Candidato à Primeira Volta Cavaco e Silva preferiu referir modestamente que até com um zagalote na cabeleira iria na mesma).
Alegre disse que só não iria se o projéctil se lhe alojasse nas cordas vocais (a sua única mais-valia eleitoral como se sabe); Defensor, por seu turno, garantiu que só não iria se o chumbo lhe acertasse nas orelhas; Silva demonstrou, socorrendo-se dum textinho desconhecido até ao momento de Estaline, que só não seria presidente se a bala acertasse na cabeça do Jerónimo (!); finalmente, Coelho, para fugir à regra dos disparos, jurou que não iria e citamos "só se me cortarem os (impublicável), mesmo que não seja com um saca-rolhas!"(esta não percebemos).
De acordo com alguns observadores, presentes no local da polvorosa declaração, Nobre falava a sério quando disse a frase já famosa, pelo que estão já a ser atentamente vigiadas pelas Forças da Ordem os armeiros, nomeadamente de caçadeiras de dois canos em todo o território fora da Madeira"
(Gab. Notíc. Luso - GNL)
Diz-se - 1 (por e-mail)

Recebido por Fax, do Gabinete Noticioso Luso:
Foi ao princípio da manhã distribuída, aos órgãos de informação e à própria comunicação social, uma Declaração intitulada "SENSATEZ PATRIÓTICA, MOBILIDADE DEMOCRÁTICA", subscrita pelo Doutor JOSÉ António de Matos Lencastre JAGODES e também contra-assinada pelo Ex-Comandante Operacional Tomás Figueira que, tendo-se demitido das suas funções de Agente Securitário por mor das "conversas esclarecedoras" que manteve com JJ aquando da sua recente "hospedagem forçada" - como os leitores de melhor memória recordarão -, se tornou o braço direito secretário e guarda-costas do grande pensador e, neste momento, Professor Catedrático de Estória Comparável, a convite do Prof.Dr. Pamplinas Miragaia, reitor da Univ. Contemporânea (sita em Freixelas) onde as suas salas de peroração ficam totalmente repletas (a redundância é cabal).
Desnecessário se torna reproduzirmos aqui na íntegra a Declaração, que está patente até no "Impresso" (comentários de Raymundo Bairrada), mas salientamos o seu lied central, onde é dito que "Não quero intrometer a minha voz e com isso prejudicar ou os Candidatos ao próximo acto eleitoral ou o mesmo em si, daí que só depois da bagunça... eeeeh, quero eu dizer, da Coisa, virei a público soltar o pio. Ninguém me apanhará a cascar em nenhum dos concorrentes, até sobre o Alegre manterei um silêncio sepulcral, bem lhe basta, coitado, o Engenheiro estar a apoiá-lo...!".
E mais adiante e a finalizar: "Como todos vão passar, segundo é referido universalmente pelos Candidatos Perdedores, à segunda volta, guardo para essa altura, e falo como é patente e claro absolutamente hipoteticamente, a peça-entrevista em vista e congeminação".
Sabemos que, neste momento, o Doutor Jagodes se retirou para Linda-a-Velha, (onde tem a sua conhecida vivenda, integralmente paga, "Vila Cedo Feita", sempre guardada por dois robustos molossos Serra da Estrela e 4 ex-operacionais do antigo staff oficial, a quem deu a volta e se tornaram seus devotos) estando neste momento a preparar o seu robusto ensaio "Pequenos almoços e cortes salariais na Segunda República Actual" (prefácio de Augusto Santos Souza & Santos Teixeira).
GNL
18 janeiro 2011
Memória a prazo
16 janeiro 2011
"Uma candidatura perigosa"

14 janeiro 2011
Candidatos à vergonha - 2

Num comentário ao post anterior, Confraria da Alfarroba escreveu:
«ser-se candidato é vergonhoso. pedir-se votos vergonhoso é. pedir-se votos à padralhada, já é demais...»
Ao que eu respondo:
Alfarrobeiro
O homem não pediu para que o padre incentivasse os paroquianos a votarem nele, não diabolizou nem pediu para diabolizar quem fosse socialista. Apelou à não-abstenção, como é, aliás, sua obrigação, dado o cargo que, bem ou mal, exerce (e eu, repito pela enésima vez, jamais votarei nele). Se tinha outras intenções, bom… não serei eu quem porá as mãos no fogo. Mas não é isso que está em causa.
É que se um padre "progressista", presente numa qualquer visita do "poeta Resistente", tivesse dito que iria incentivar o seu rebanho a votar, já a conversa seria outra. Aí, passaria a constituir uma identificação do "verdadeiro cristianismo" com a justiça social e a "padralhada", uma força com que se deve contar para o século XXI. Seria apresentado e publicitado como um exemplo para o país, um indício de "verticalidade, isenção e coragem", um sinal da mudança dos tempos. Ou tens dúvidas sobre isso?
O que me enoja no sr. Alegre é esta hipocrisia, esta falta de escrúpulos morais e políticos, este ilusionismo do vale-tudo que procura desnortear a realidade, prendendo viscosamente a vida dos seus compatriotas aos objectivos da sua auto-promoção. É disso que tenho vindo a falar, quando falo dele.
Cavaco será uma mentira? Sê-la-à, mas, apesar de tudo, uma mentira que não atinge o nível de repugnância a que chega Alegre.
Candidatos à vergonha - 1

Pedir que cada um, na posição institucional, social e profissional que desempenha, apele a que outrem assuma os seus deveres de cidadania, votando, é um apelo à apelo à violação da neutralidade eleitoral?! Pedir ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas para que incentive os seus subordinados ao voto é um apelo violador da neutralidade dos militares?! Quando Alegre concorre, dentro do seu partido, procura violar a neutralidade dos Presidentes das Distritais quando os incentiva a que apelem ao voto de todos os militantes?! Isto faz qualquer sentido?!
Este agente técnico do poema emproado vai perdendo, pouco a pouco, a aparência sequer de dignidade.
27 dezembro 2010
Cinco anos atrás...

26 dezembro 2010
Dúvidas minhas
24 dezembro 2010
19 dezembro 2010
O Candidato Certo...
13 dezembro 2010
Uma tristeza de candidato

Discursando no lançamento do “Movimento Já”, o movimento de jovens apoiantes da sua campanha, o candidato apoiado pelo PS e pelo BE acusou, de novo, Cavaco de utilizar o cargo para benefício da sua própria campanha eleitoral e voltou a lembrar que foi um resistente - não vá o país esquecer-se disso, ignorando o seu devido valor.
Na sua intervenção, Manuel Alegre manifestou-se “chocado” com as palavras do Presidente da República que, na sexta-feira, considerou que os portugueses têm de se sentir “envergonhados” por existirem em Portugal pessoas com fome, um “flagelo” que se tem propagado pelos mais desfavorecidos de forma “envergonhada e silenciosa”. Acrescentando que “nós somos um país que tem um problema estrutural, que é o problema da pobreza, apesar da nova geração de políticas sociais deste Governo, a pobreza estrutural é ainda muito forte, temos 18 por cento de portugueses que vivem no limiar da pobreza, e se destruíssem as prestações sociais poderiam passar a ser 40 ou mais, esse é um problema muito grave, mas não é um problema para poder ser aproveitado para campanha eleitoral”. E ainda que este “não é um problema para ser tratado no Casino do Estoril”, local onde Cavaco Silva esteve e fez aquela declaração.
Disse mais Alegre que “não é um problema que se resolva com restos de restaurantes, essas são imagens que me chocaram, o problema da pobreza resolve-se resolvendo os problemas estruturais do país e esse é um problema que não é susceptível de poder ser aproveitado por um Presidente da República para fazer a sua campanha eleitoral”. E apelou: “Levem esta mensagem, eu já dei a volta a todo o país, estive em todos os distritos, nas regiões autónomas, na emigração, em Paris e em Bordéus, e em todos os lados eu estive muito bem acompanhado, em todos os lados tive centenas de pessoas, salas cheias, já falei a milhares de portugueses, por muito que isso desagrade aos fazedores de opinião, as pessoas estão mobilizadas à volta da minha candidatura, não vem nas notícias mas estão no terreno, estão aqui, em todo o país, e no dia 23 de Janeiro vão estar lá, vão estar lá!”.
Começo por declarar solenemente que não votei nem votarei no actual Presidente de Todos os Portugueses, e que embirro até com a personagem. Mas que estou em total acordo com Cavaco Silva quando ele afirma que a pobreza é um motivo de vergonha para Portugal. Como o é, aliás, para qualquer país. É que a pobreza de um povo reflecte, afinal, o seu nível de imaturidade, o seu grau de incapacidade para se prover a si próprio, numa palavra, o fracasso em ser isso mesmo: um povo, e não uma soma de pessoas que se mantêm juntas por meras contingências históricas, situação da qual todas procuram obter somente o maior número de vantagens individuais ou de clã.
A pobreza de um país carrega, além disso, os seus cidadãos - pobres e ricos, por diferentes motivos – com a incómoda vergonha de lhe pertencerem. Repito: a pobres e a ricos. Recorrendo à gíria marxista, nenhum burguês luso se sente em pé de igualdade com os seus congéneres europeus; nenhum proletário portuga se sente em pé de igualdade com os seus camaradas que habitam para lá da fronteira. Porque ninguém consegue verdadeiramente suportar, impávido, o peso que o ser-se português traz consigo, desde a inépcia demonstrada pelos nossos egrégios avós até à persistência actual na desorganização e na miséria, principal ou mesmo única herança que estes parecem ter legado ao património genético nacional. Apresentar-se como português no estrangeiro é atrair sobre si uma atenção condescendente para com o subdesenvolvimento e a suspeita de corrupção, que Mourinho e Cristiano Ronaldo, mais do que atenuarem, reforçam pela diferença na competência e na tenacidade.
Ultrapassar a pobreza é, assim, algo de vida ou morte para Portugal, não apenas enquanto algo que diga respeito à prosperidade e ao desafogo económico, mas ao soçobrar da alma de um destino comum de mais de oito séculos, com reflexos ímpares ao nível planetário. E isso, em diferentes graus de responsabilidade e de decisão, respeita a todos, do Casino Estoril à Cova da Moura. Se não fossem reveladoras de um oportunismo inaceitável e nada inocente, as palavras do sr. Alegre seriam apenas as de um pateta-alegre que quisesse ser presidente da república. Mas que ele as diga, sendo um candidato com tal visibilidade, dá apenas conta da tragicomédia decadente a que o país assiste.
Manuel Alegre deveria, para que o seu discurso tivesse coerência (algo para ele difícil, atendendo aos antecedentes), definir, antes do mais, o que entende dever ser legitimamente abordado, no decorrer do período de candidatura e durante a campanha, por um presidente da república que se recandidata em exercício no cargo e o que qualquer outro candidato deverá fazer no mesmo período. Porque, afinal, do que fala um "candidato a presidente" de que não fala um" presidente em exercício"? O “candidato a presidente” pode afirmar-se contra a pobreza e a fome (o contrário é que soaria estranho, não...?), mas como “presidente em exercício” tem que fazer silêncio sobre o assunto em período de eleições, para os restantes candidatos se afirmarem preocupados e lembrarem que o “ainda presidente” não toca no tema? E o “ainda presidente” não deveria também, então, encerrar-se no palácio de Belém até às eleições, para que os órgãos de comunicação não passassem a sua imagem, salvo nos momentos em que assumisse o papel de candidato, de modo a ficar em pé de igualdade com os restantes? Irei mesmo mais longe: nesta perspectiva, deveria haver um presidente da república durante todo este período?
Diz ainda Alegre que a pobreza continua a ser um flagelo apesar das medidas sociais "nouvelle vague" deste governo... que ele critica acerbamente pela sua insensibilidade social. Ora eu pensava que a pobreza não se combate com medidas sociais, mas com medidas estruturais para facilitar e incrementar a produção de riqueza que possa ser distribuída. Alegre quer acabar com a pobreza distribuindo o que cada vez menos há? E, para isso, não lhe serve as sobras dos restaurantes? Ou essa já seria uma medida meritória, exemplo da iniciativa e da solidariedade de que é capaz a sociedade civil, se por acaso viesse ele a ser o presidente "justo, solidário e fraterno" que a apadrinhasse?
Diz, por fim, o candidato do PS e do BE que andou pelo país inteiro e pelas comunidades de emigrantes, que falou com milhares de pessoas, e apela aos jovens (ah! a rebeldia dos jovens, o seu desejo de mudança…!) para que espalhem a “mensagem”. Pois. Mas eu aproveito, já agora, para o informar, a ele, que tanto canta a flor do verde pinho com que as naus eram feitas, de que o Estoril fica também em Portugal. Junto à embocadura do Tejo, exactamente por onde elas entraram no oceano, a caminho da Índia. Sob o comando de poderosos do reino e levando nelas o povo, muito dele a contra-gosto. Infelizmente.
12 dezembro 2010
Dos maus comportamentos

08 novembro 2010
A propósito do post anterior...

Aquilo a que os portugueses assistiram ontem foi a propaganda pessoal de um candidato que já não tem capacidade para elaborar o discurso e que mesmo sabendo que já havia acordo entre o governo e o PSD insistiu em ler um discurso que aparentemente já estava escrito ainda antes de se realizar a reunião do Conselho de Estado. Como alguém estragou a festa a Cavaco Silva que não teve a possibilidade de apresentar o acordo orçamental como troféu eleitoral na apresentação da recandidatura, restou-lhe dramatizar a situação, reuniu o Conselho de Estado para poder ter direito a um tempo de antena extra.
Quem ouviu a sua intervenção quando apresentou a sua recandidatura percebeu que estava perante a continuação do discurso anterior, o capítulo relativo ao acordo orçamental que constaria no discurso da terça-feira deu lugar a um capítulo dramático lido três dias depois. Cavaco reúne o Conselho de Estado e dirige-se ao país sem fazer referência a uma única conclusão ou reflexão da reunião a que a comunicação dizia respeita, assistimos à continuação do “eu isto” e “eu aquilo” que todos tinham ouvido dias nates.
Vejamos para que serviu a Cavaco Silva reunir o Conselho de Estado:
“Reuni hoje o Conselho de Estado”, “Decidi convocar o Conselho de Estado”, Esta situação resulta de um problema para o qual venho alertando”, “Conheço de perto as dificuldades”, “Por isso, acompanho atentamente, há vários meses”, “Em face disso, reuni de imediato com os partidos políticos”, “A todos alertei para as graves consequências de uma crise política”, “Referi também aos partidos”, “Decidi de imediato ouvir os membros do Conselho de Estado”, “Enquanto Presidente da República, tenho a obrigação de voltar a dizer”, “Confio no sentido de responsabilidade do Governo e da oposição”.
Isto é, eu, eu e mais eu, nem uma única frase que nos faça acreditar que o discurso não estava escrito antes da reunião do Conselho de Estado que nos permita acreditar que um Presidente da República não tenha usado o órgão institucional para promover uma encenação que lhe permitiu continuar três dias depois o discurso de recandidatura.
Ainda por cima muitos portugueses terão ficado atónitos perante um discurso dramático quando toda a comunicação social já tinha noticiado o acordo entre o governo e o PSD. É evidente que Cavaco não teve tempo de reunir com os seus assessores durante a reunião do Conselho de Estado e nenhum lhe sugeriu que o discurso que estava preparado já não fazia sentido porque enquanto a reunião decorria tinha sido divulgado o acordo orçamental.
É provável que alguém tão egocêntrico tenha pouca consideração pela inteligência dos portugueses e insistido num tempo de antena que estava minuciosamente preparado e já com os figurantes do Conselho de Estado a dispersar. Ou então as capacidades intelectuais do Presidente da República já não chegam para fazer uma intervenção espontânea ou, pior ainda, para ter a noção da realidade, ainda por cima o ddiscurso já estava pronto para ser colocado online no site da Presidência, só faltavam as fotografias oficiais para proceder à actualização da página.
Recebido por email

Desde o célebre congresso da Figueira que catapultou o ilustre desconhecido de Boliqueime para a política que esta personalidade não tem feito outra coisa senão enterrar o País e no entanto estranhamente o povo português masoquista quanto baste continua rendido à sua corte e às suas falácias.
Cavaco tem tirado partido da natural apatia do povo português que não quer ou não consegue ver erros graves de Cavaco Silva e que têm contribuído para o nosso atraso estrutural deixando o País à deriva. A elite política tem feito dele uma personalidade de competência que tem vendido aos eleitores da sua área política com sucesso. Já assim foi com Sá Carneiro que coitado nem sequer tempo teve para deixar obra fosse ela boa ou má, no entanto à falta de melhor todos eles se reclamam de seus seguidores. Com Cavaco a situação é diferente ele teve a oportunidade histórica de transformar Portugal, em duas maiorias absolutas consecutivas e numa altura em que o ciclo económico era favorável (a economia estava em crescimento) com o País a ser inundado com MILHÕES e MILHÕES vindos da então CEE a fundo PERDIDO e que ele deixou esvair para o bolso de meia dúzia de oportunistas, sem consequências. O País ficou mais pobre e os seus “amigos” ainda mais ricos tendo os processos instaurados pelo Estado Português prescrito convenientemente, com é costume.
Qualquer manual de economia para principiantes ensina que as reformas estruturais numa economia devem ser feitas quando se reunirem duas condições: estabilidade política e ciclo económico em expansão. Cavaco teve essas duas condições aliadas à entrada de MILHÕES a fundo perdido. O que fez Cavaco? Reformas estruturais ZERO, limitou-se a fazer algumas centenas de quilómetros de AUTO-ESTRADAS (nas quais pagamos para lá passar) e brindou-nos com a obra do seu regime o Centro Cultural de Belém (mais um elefante branco). Este erro crasso do regime cavaquista é a MÃE da crise estrutural que o País atravessa e da qual jamais sairá (oxalá esteja enganado).
Como se isto não bastasse Cavaco cometeu outro grande e GRAVE erro de LESA PÁTRIA, estranhamente nunca referido pelos média, e assim se vai reescrevendo a História e criando mitos. Ele, Cavaco Silva, enquanto Primeiro-ministro e Tavares Moreira enquanto governador do Banco de Portugal, são os RESPONSÁVEIS pelo DESAPARECIMENTO de várias TONELADAS de OURO do Banco de Portugal que terão sido displicentemente “investidas” numa empresa norte-americana que entretanto faliu, ficando o País a ver navios e sem o OURO. Num País civilizado isto teria no mínimo responsabilidades políticas e Cavaco não poderia ter outra aventura política, no entanto os portugueses, resolveram meter a raposa no galinheiro, premiando-o com a presidência da república, onde para além de ir coleccionando lautas reformas, vai fazendo o que pode pelos seus correligionários políticos, como foi o caso de Dias Loureiro que se manteve foragido no Conselho de Estado protegido pela sua asa protectora até ao limite do absurdo.
A “roubalheira” do BPN, que todos nós portugueses pagámos, foi feita IMPUNEMENTE por pessoas com altos cargos no PSD e nos governos de Cavaco Silva, e o único responsável que se encontra preso em “domiciliária” encontra-se bastante doente, estando todos à espera que ele morra para mais uma vez a culpa morrer solteira, enquanto todos os outros vão escapando pela malha larga da justiça, do bloco central de interesses.
É preciso não esquecer que este brilhante economista no seu consulado de primeiro-ministro em duas maiorias absolutas consecutivas, nas melhores condições económicas conjunturais de sempre, deixou crescer a dívida pública em dez por cento para além de não ter feito uma única reforma estrutural de que o país carecia.
A partir de D. Dinis, no Século XIII, com o tratado de Alcanizes, o nosso espaço territorial tem sido mais ou menos estável, foi preciso terem passado 700 anos para pela mão de outro político, com tiques monárquicos, que segundo o próprio “nunca tem dúvidas e raramente se engana”, chamado Cavaco Silva, tendo sido acompanhado nesta negociata monstruosa, pelo seu ministro das obras públicas, Ferreira do Amaral, que assim ambos ficarão na História (trágica) portuguesa por ambos terem protagonizado a alienação de território nacional.
Assim sendo, leiam esta história de pasmar. O Estado português, sob a direcção de Cavaco Silva, numa “negociata” favorável a uma empresa privada, a LUSOPONTE, abdicando da soberania em todo o espaço do território nacional e cedeu uma parte do território nacional a … essa mesma empresa privada.
Agora com a construção (previsível) de uma nova ponte a montante da Vasco da Gama para a poder construir o Estado Português, terá de, ao abrigo deste “estranho e lesivo acordo” terá de indemnizar a Lusoponte. Para melhor compreendermos o “interesse nacional” a pessoa que negociou em nome do Estado este mesmo acordo “ruinoso” para o próprio Estado, assim que sai do governo vai direitinho para a Administração da (imaginem) Lusoponte, empresa esta que é a grande beneficiária do acordo que ele mesmo assinou enquanto Ministro das Obras Públicas do governo de Cavaco Silva.
É também preciso “recordar” o caso SIRESP da responsabilidade do governo de Cavaco Silva, caso este também bastante nebuloso, mas “curiosamente” vindo a ser arquivado segundo parece pelo PS quando era ministro da área o actual presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.
Para terminar se existe por aí algum cavaquista empedernido que desminta estes factos e que juntamente me esclareça da tal “obra cavaquista” legada pelo seu longo consulado, da qual só se conhecem generalidades difusas, mas da qual ainda não vi factos.
Para ser sério, competente e honesto não basta dizê-lo, tem também que se parecer.



