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01 novembro 2009

Então, vá!


Folheando o PÚBLICO de ontem, pus-me a ler um texto de Eduardo Cintra Torres que me deixou em estado criativo de verdadeira graça. Dispôs-se Cintra Torres, com ele, temerariamente, a arrostar com o provável anátema dos mentores de uma nova moda literária, adoptada por um grupo de letrados portugueses que vozeiam num blog, os quais, em apoio ao que é dito por Pedro Mexia num ou dois de textos seus sobre o assunto, decidiram excluir da respectiva prosa os pontos de exclamação, afirmando que continuará a usá-lo como sempre o tem feito, dada a inquestionável utilidade desse sinal de pontuação.
Não se pense, todavia, confidencia-nos, que ele próprio está isento de manias igualmente questionáveis e susceptíveis de serem postas em causa, exemplificando com a sua natural tendência a excluir liminarmente da vista os romances em cujo título figure um verbo. Algo assaz singular, sem dúvida, mas que é nele irreprimível. E lança-se, em seguida, numa aventura da memória em direcção ao tempo em que vivia com a sua família parental, durante o qual se deu conta dessa sua idiossincrasia, de que só se tornou consciente mais tarde, quando, por influência de Lídia Jorge, leu As Velas Ardem Até ao Fim, de Sandór Márai, Lídia Jorge que, apesar de possuir «uma folha de serviço impecável, apenas com romances sem verbos nos títulos, perdeu as estribeiras» e publicou Combateremos a Sombra. Disparando, depois, para a vastidão das viagens literárias que a existência lhe proporcionou já, registando o exemplo dos inúmeros e consagrados autores, nacionais e estrangeiros, que, no decorrer dos séculos XIX e XX, não caíram nesse pecadilho, desastroso para a aspiração a serem lidos. Camilo, nota, soçobrou somente três vezes, entre dezenas de títulos que publicou, Aquilino, outras tantas. Quanto a Dinis Machado, é certo que, cito uma vez mais, «escreveu O que Diz Molero, mas quando a forma verbal se segue a uma conjunção subordinativa “que” ou “quando” aceita-se melhor». A condenação de Miguel Sousa Tavares é, porém, irremediável, ao escrever «qualquer coisa com David Crockett que dá vontade de deixar morrer a personagem sem mesmo começar a leitura».
Termina Cintra Torres com o seguinte passo, onde é possível escutar subliminarmente uma inflexão e uma ênfase de voz que como que pretendem despertar a nossa atenção para a indesmentível cientificidade das razões que determinam a sua intuitiva aversão: «Que títulos com verbos são próprios de certa literatura não é um preconceito meu. Um título com verbo promete xarope. Consultei na Wikipédia os 145 títulos da espanhola Corín Tellado editados em 1972 e 1973 (sim, em apenas dois anos). Desses, 105 têm um verbo no título (72%). Em Barbara Cartland a percentagem é menor, mas facilmente encontrei dezenas.». E remata: «Contudo, até agora nunca tinha visto um título com dois verbos, ainda por cima com ponto de interrogação. Ia morrendo ao ler o título do novo António Lobo Antunes: Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?. Eu não sei que cavalos, nem nunca saberei.».
Devo confessar que, até chegar a esta última parte, me senti literalmente assaltado pela sensação do jornal PÚBLICO me procurar enganar no que toca à qualidade intelectual daqueles a quem proporciona guarida. Lembrei-me, até, da frase rude proferida por José Mourinho, a propósito do seu colega de profissão Jaime Pacheco: “O cérebro dele só tem um neurónio e, mesmo esse, funciona mal”. Aos poucos, contudo, foi-me cedendo a resistência da mente face à luminosidade singularmente persuasiva do que lera. Mea culpa!, digo agora. É que a genialidade intrínseca ao funcionamento holístico de Eduardo Cintra Torres, através do qual o corpo se sintoniza tão perfeitamente com o acto de desvendar cerebralmente os mistérios da estrutura inerente ao real que nos sustenta e no qual nos cumprimos, deslumbrou-me a um ponto tal que somente a poesia poderia exprimir o que sinto agora. Mas quando o génio é pouco e o talento não ajuda, o que fazer? O que fui incapaz, também eu, de reprimir.
Um modesto poema, um singelíssimo poema, de um só verso composto, coincidente, inclusive, com o título, que se me afigurou adequado, no qual, porém, não fui capaz de evitar a inclusão não de duas, mas de quatro formas verbais e mesmo da presença de um ponto de interrogação e outro, de exclamação, associados. Com os meus maiores pedidos de desculpas, pela forma, mas sabendo-o eventualmente desculpável porque eivado de total sinceridade, aqui lho deixo:
Oh, filho! E se fosses c… ao Bilhar Grande, a ver se isso te passa?!

02 maio 2009

A coisa, na altura, não me iria sair desta maneira…


… e agora também já não consigo repor-me no estado de espírito que originou isto que ando para assinalar aqui há mais de duas semanas. Por isso, limitar-me-ei a dizer o seguinte:
No dia 16 de Abril, dia mundial da voz, a RTP, através do Canal 1 e das vozes de apoio de José Carlos Malato e de Marta Leite de Castro, afirmou publicamente a voz do fado como a voz representativa da lusitanidade, dando-lhe voz num programa dedicado à celebração da voz como património do humano.
Responderam à chamada da prestigiada instituição as vozes mais representativas da canção nacional, aquelas que a conservaram com orgulho e altivez patriótica e a quem, por esse motivo, devemos a maior reverência e agradecimento: as fadistas de gema e de antanho, com raízes da Lapa até Cascais, passando pelo Restelo. De fora, ficaram as rústicas e primárias imitações que, até hoje, o foram o adulterando pelos tugúrios da Mouraria, Bairro Alto, Madragoa e Alfama, bem como aqueles que a elas se colaram: os pouco sérios Carmos, Carvalhos, Arys, Tordos, Vitorinos de Almeida, etc., agitadores e mixordeiros do fado, os quais tanto contribuíram para a degradação e o desprestígio da nacional canção, ao ponto de um deles ter mesmo sido distinguido pela venenosa monarquia castelhana.
Para que, porém, não viesse a ser acusada de segregação cultural, quiçá, ideológica e política (que ele há por aí, sabemo-lo bem, gentinha capaz de tudo…!) a RTP não deixou de convidar alguém vagamente próximo de tal populaça: o fadista Camané, homem que cabe em todo o salão, o qual, num arroubo de inovação, ergueu também ele tanto quanto pôde a sua voz, ao som do piano de Mário Laginha. O comovente espectáculo terminou com João Braga entoando dois poemas de Manuel Alegre, poeta que fica bem em qualquer prateleira, também ele presente entre uma assistência rigorosamente seleccionada, composta pelos que, em Portugal, têm dado voz aos destinos do país desde a gloriosa madrugada. Assistência onde se podia ver de um cabeceante general Eanes até um britanicamente efusivo Paulo Portas, ao lado de sua mãe, Helena. Tudo do melhor, que os responsáveis da televisão pública não quiseram que nos faltasse nada.
Mas não se ficou por aqui a RTP. No seguimento do impulso de entusiasmo que a animava, transmitiu, logo de seguida, um filme sobre a internacionalmente premiada worldfadista Mariza, onde pontificava a erudição do ex-secretário de estado da cultura, Rui Vieira Nery.
Ficámos a saber, então, que o fado sofreu uma renovação e uma revalorização a partir dos anos 80 graças ao trabalho dos novos fadistas. Uma vez mais se fez justiça, dado que nenhum dos já citados mixordeiros foi referido, nem sequer gente duvidosa como Maria da Fé, ingenuamente promovida no Brasil pelo risível Caetano Veloso, Maria Armanda, Alexandra, e mesmo Rodrigo ou Paulo Bragança. Os novos fadistas são aqueles que são… os novos fadistas e está tudo dito. Os que cantam o que é a vida: a paisxão, o ciúme e o destino de sermos descobridores da tristeza à garupa da melancolia.
No meio do êxtase estético, intelectual e patriótico que o documentário proporcionava, poucos terão dado a devida importância à revolucionária revelação histórica com que Nery brindou os seus concidadãos, ao afirmar que o Estado Novo, tendo inicialmente hostilizado e marginalizado o fado, enquanto canção ligada ao anarco-sindicalismo, o aproveitou em seu favor após o final da II Guerra, em 1945. Com efeito, uma das cenas mais hilariantes do primeiro filme sonoro português, A Canção de Lisboa, realizado por Cottinelli Telmo em 1933, é a de Vasco Santana, na pele de um Vasquinho da Anatomia a quem a embriaguez solta imprudentemente a língua, lançando-se numa diatribe contra o fado, canção conformista e degradante do carácter, e contra os fadistas (Morte ao fado! Morram os fadistas!)… para depois ganhar a vida como fadista-residente até conquistar a respeitabilidade do estatuto de médico. A genialidade e a lucidez ímpares de Nery ficaram assim, uma vez mais, amplamente demonstradas, atirando esse aspecto menor para o lixo da irrelevância histórica. É com pessoas do seu quilate académico e do quilate dos responsáveis pelo canal público de televisão que podemos confiar, inequivocamente e sem temor, em que Portugal continua e continuará em boas mãos.
Porque certamente alguns dirão que a RTP serve, entre outras coisas, de tugúrio das vaidades da aristocracia provinciana, azeiteira e decadente que deixou espaço ao republicanismo analfabeto, azeiteiro e prepotente que com ela se enfeita.
E certamente outros dirão ainda que a RTP expôs, mais uma vez, a faceta do mccarthismo peixeiro que se entranhou de há muito em Portugal como um seu secular aroma peculiar e que afasta, inevitável e definitivamente, para bem longe de si qualquer narina educada.
Mas não eu.

20 maio 2008

Medicina ranhosa


Uma sobrinha minha, de 7 anos, acaba de voltar de uma consulta no hospital mais próximo, onde lhe foi diagnosticada uma gastro-enterite. A mãe decidiu levá-la à urgência, depois de, duas horas antes, no Serviço de Atendimento Complementar da área, a médica lhe haver receitado pingos... para o nariz!!!
Nota: A rapariga não manifestava qualquer anomalia no funcionamento do aparelho respiratório.

17 maio 2008

E aqui vai mais um e-mail que recebi


Exmos. Senhores Administradores do BES.

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.
Que tal? Pois, ontem saí do BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma "taxa de acesso ao pão", outra "taxa por guardar pão quente" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro. Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pão. Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri. Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma "taxa de abertura de crédito"-equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pão", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma "taxa de abertura de conta". Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura de padaria", pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para gerir o "papagaio", alguns gerentes sem escrúpulos cobravam "por fora", o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de "por fora" temos muitos "por dentro". Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR "para manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa de existência da padaria na esquina da rua". A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quente".
Mas os senhores são insaciáveis. A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer. Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. Banco. Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma.
Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco.
Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados. Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.

Apelo urgente

Uccello, S. Jorge e o Dragão

Li hoje, pela primeira vez, uma prova nacional de aferição do 1º Ciclo do Ensino Básico. E só me ocorre um comentário:
Não haverá por aí um responsável político, homem ou mulher, com TOMATES suficientes para EXPULSAR a equipa de "pedagogos" que por lá andam há anos, responsáveis pelo estado inominável, tragicamente escandaloso, a que chegou o ensino no país?

05 maio 2008

A pérola no bolo


No dia em que este blog faz um ano, a RTP1 encarregou o repórter de serviço na cobertura em directo ao incêndio desta manhã na reitoria da Universidade do Porto de me oferecer uma prenda. Repórter a quem envio daqui os maiores parabéns pelo profissionalismo com que cumpriu a tarefa de que o incumbiram.
É que foi algo inesquecível e comovente ouvi-lo perguntar ao reitor, com a maior seriedade: "Ficou contente por o fogo não ter atingido as dependências que continham os documentos mais importantes?"...

05 abril 2008

A bem da Nação



Portugal é, neste momento, um país em que não é permitido a uma adolescente de 14 anos espetar um palito na língua, mesmo com autorização dos pais, mas onde, em contrapartida, pode fazer um aborto sem ter que dar cavaco a ninguém.


02 abril 2008

Sugestão


Richard Marchand, Televisão
Cerca de duas horas e meia atrás, o jornal das 13h na televisão pública anunciava a presença em Portugal de um dos melhores cem psicólogos do mundo, aquele que detectou a mentira no rosto de Clinton aquando do "caso Mónica Lewinsky" e que, sendo especialista nessa área, já formou alguns milhares de agentes destinados a detectar terroristas em aeroportos através da análise das expressões faciais dos passageiros. Tendo-lhe sido pedido para se pronunciar sobre os pais de Maddie McCann, continuava a peça, exigiu uma entrevista directa ao casal, que não foi aceite.
A sua maior especialidade, porém, é o que diz respeito aos políticos, pelo que a RTP o convidou a analisar algumas imagens dos comandantes partidários portugueses, começando pelo primeiro-ministro.
Segundo o psicólogo (não memorizei o seu nome), José Sócrates mostra-se encantador, alguém com quem se teria muito gosto em conversar descontraidamente enquanto se toma um copo. Na entrevista que dá a um jornalista, a sua expressão facial é a de um lutador que denota descontentamento consigo próprio, no sentido de um dever ainda por cumprir (ver correcção no post acima) e parece revelar algum aborrecimento por ter que voltar a responder a perguntas que já lhe foram feitas anteriormente várias vezes. Segue-se-lhe, na rua, Francisco Louçã que, se possível, é ainda mais encantador do que Sócrates! "Chaaarming", verdadeiramente inultrapassável nesse tipo de "performance" da política que é comum a todos os dirigentes. E agora vem, também na rua, Paulo Portas.
Ouve-se um riso bem disposto, um gesto largo para o monitor de quem vai dizer qualquer coisa, "este...". As palavras com que põe a claro a personalidade dos restantes opositores ao primeiro-ministro desaparecem da peça a partir deste momento. No que respeita a Portas fica apenas esse gesto que, sem elas, assume um significado puramente depreciativo, referente a alguém de quem nem vale a pena falar (por farsante? por ridículo?). Sobre as imagens de Filipe Menezes e de Jerónimo de Sousa, ainda mais brevemente incluídas (Menezes visto somente do pescoço para cima a ler calmamente um discurso) fala-se do político como um actor. As considerações sobre o tema terminam, porém, com novas imagens de José Sócrates, acompanhando a ideia de "actor de sucesso".
A polícia política brasileira dos tempos da ditadura recebeu formação da PIDE. Penso por isso que, agora, os responsáveis pelos canais públicos, públicos e privados, da democracia poderiam ensiná-la proveitosamente a Mugabe ou, ainda melhor, enquanto reforço do estreitamento das relações lusófonas, a José Eduardo dos Santos. Não tenho a menor dúvida de que esta sugestão seria muito bem recebida por ambos.

30 março 2008

Enfim, a Luz!

Chirico, Ariadne

Há pouco, num serviço noticioso da RTPN, dizia-se que havia um mistério composto por M's no facto de Mendes, empresário de Mourinho, se ter deslocado a Milão para falar com o presidente do Inter, Moratti, para que na próxima época, o treinador português venha a substituir o actual treinador, Mancini.
De repente, não mais que de repente, a luz veio sobre mim!
Estamos perante 5 M's. Mas o autor da peça jornalística é somente um aprendiz, não decifrou o Código. É que a mulher de Mourinho chama-se Matilde! As seis pontas da estrela de Salomão, da realeza do Conhecimento e da Sabedoria estarão, enfim, desveladas no final dos Tempos! E eu sou o sétimo M, sou o Mensageiro, ao estar no centro da Revelação!
Eu proclamo: Mourinho é o nome escondido de Deus! E Maria Madalena não está, como quereria Miterrand, sob a pirâmide de vidro do Louvre, mas por debaixo do círculo do pontapé de saída do estádio de San Ciro.
Alguém duvida?!

26 março 2008

Como é possível?!


Depois de tudo o que disse até ontem com a maior convicção e fervor patriótico quanto à descida de impostos e a decisão hoje anunciada sobre o IVA, só um louco ou alguém da mesma igualha pode desejar este homem para qualquer cargo, público ou privado.

22 março 2008

Não percebo!


Se um atleta, de qualquer faixa etária, pode ser irradiado da prática da sua modalidade por agressão a outros atletas, árbitros ou dirigentes desportivos e ninguém se lembra de apenas o mudar de clube, porque é que uma medida idêntica não é aplicável aos alunos do ensino público que cometem actos do mesmo tipo? Como, aliás, acontecia até aqui há alguns anos...!

21 março 2008

Luzes da ribalta

Chirico, A esfinge


Há pouco, no Telejornal das 13h da RTP1, o presidente da Associação Nacional de Professores iniciou desta maneira o seu comentário ao incidente disciplinar ocorrido numa sala de aula de uma escola do Porto: "Bom, as novas tecnologias trouxeram para as escolas problemas que anteriormente não existiam..."
Os Gato Fedorento que se cuidem...! A concorrência no mundo do espectáculo é feroz!

14 março 2008

Um provérbio muito velho


Não vi as intimidades do nosso primeiro-ministro que o pseudo-voyeurismo da SIC decidiu revelar. Mas vi, inevitavelmente, a amostra da peça "jornalística" que encheu os espaços entre os programas da SICNotícias. Nela se podia ouvir José Sócrates dizer "sou um homem generoso", com a entoação de quem não consegue lutar contra isso.
O que me trouxe mais uma vez à memória um provérbio judaico milenar que li na adolescência e de que nunca mais me esqueci, tantas as ocasiões em que algo me fez pensar nele: "Que alguém se orgulhe da sua beleza, é normal; mas que se orgulhe da sua bondade, é trágico".

10 março 2008

Estou muito mais descansado!


Afinal se, durante o dia de hoje, todos os telejornais abriram com a demissão do treinador do Benfica, dando-lhe, no mínimo, uma dezena de minutos, é porque a coisa não estará assim tão grave (renego qualquer intenção blasfema do que disse em relação ao Glorioso, o Eterno, abençoado para sempre seja o Seu nome!). Além disso, logo a seguir, veio a Naíde Gomes, campeã do mundo em salto em comprimento e o Nelson Évora, medalha de bronze.
Mais do que inchado, fiquei arrelampado! Eu e todos os portugueses, que os órgãos de comunicação não querem que nos falte nada! Que bem que cumprem a missão de que se incumbem de alimentar e preservar a alma lusitana...!
Ah! E nem se esqueceram de nos avisar de que o sr. Presidente da República voltou à Pátria, depois de ter visitado a nossa ex-colónia da América do Sul! Nem do funeral da pequena Mariluz!

08 março 2008

Rapidinha

Escher, Côncavo
A trabalhar (raisparta!), ouço a SICNotícias e levanto os olhos quando anunciam uma peça sobre o sistema de avaliação dos professores na Bélgica, que desconheço completamente. Parece-me completamente adequado àquilo que se pretende: em primeiro lugar, ela incide sobre a escola no seu conjunto e, só em casos excepcionais, sobre o professor, a pedido do director, em função de uma diferença de nível clara observada entre o nível da média de resultados obtidos pela escola numa determinada disciplina e a das turmas que lhe foram distribuídas. A remuneração do docente não é afectada pelo resultado.
Recordo o que afirmou noutro dia um senhor da empresa Jerónimo Martins (ouvi-o de raspão, mas pareceu-me que foi qualquer coisa deste género): o tipo de avaliação determinada para os professores é feito na sua empresa há muitos anos e nada há nela de extraordinário. Como comentário apenas se poderá relembrar que as pessoas consideradas - e auto-consideradas - importantes deste país continuam a ser os mestres-de-obras, alguns dos quais já sabem ler.
Finalmente (tenho que voltar ao trabalho!), verifico que, nas escolas belgas, os alunos usam, desde a infância, computadores da Apple MacIntosh, a empresa que melhores programas tem ao nível da educação. Aqui ao lado, em Espanha, o Estado também fez um contrato com a mesma empresa há algum tempo, em Inglaterra é o que se vê e pela Europa fora... Em Portugal, ensina-se com recurso a programas tipo Office e conheço gente, recém-saída da Universidade, que nem sequer sabia da existência de tal marca antes de eu lhe falar dela. O que acaba por ser natural, num país onde a classe política se especializou mais no uso do fax.
Este post foi possível com produtos do Bill Gates.

26 fevereiro 2008

Ainda na sequência do post anterior...

Goya, O sonho da Razão
... não me lembro de quem disse, a propósito de um assassínio político de terríveis consequências posteriores, que "pior do que um crime, foi um erro". O mesmo se poderia dizer desta equipa ministerial: é que pior do que politicamente reprovável, é imbecil.
E do representante da Associação de Papás, que é de uma imbecilidade tenebrosa.

Rato escondido com o rabo de fora


Tive que trabalhar até agora e, entretanto, fui ouvindo o Prós e Contras. No fim, chamou-me a atenção a antepenúltima frase da intervenção com que a senhora Ministra da Educação fechou o debate. Foi quase textualmente isto: "Os professores estariam todos satisfeitos comigo se eu não fizesse nada".
Dê-se-lhe os parabéns! É de facto difícil ultrapassá-la na arte do insulto reles e da política de vão-de-escada!

08 fevereiro 2008

Recebido por e-mail


Avaliação do desempenho dos docentes
De acordo com ponto 2 do Artigo 9.º do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, (itens de referência para os objectivos individuais), passo a apresentar os meus objectivos e respectivas estratégias.
a) A melhoria dos resultados escolares dos alunos; Pretendo baixar o insucesso dos meus alunos, a matemática, de 25% para 20% . No ano anterior a turma tinha 20 alunos dos quais 5 tiveram insucesso (25 %); como este ano a turma aumentou para 25 alunos, se os mesmos 5 não obtiverem sucesso terei uma percentagem de insucesso de 20%. Estou de parabéns. (P.S: Não esquecer de pedir para voltarem a aumentar a turma para o próximo ano). Estratégia II: não me aumentando a turma, e como o Ministério diz que não precisam de ter aproveitamento a matemática (podem transitar com nível 2 a duas ou três disciplinas), vou oferecer 2€ sempre que um aluno tenha positiva num teste. (P.S: se 2 € não resultar terei de pensar em 5€ e já não vou de férias para a praia ).
b) A redução do abandono escolar; Pretendo obter 4% de abandono escolar, que corresponde a 1 aluno cuja família é constituída por pais toxicodependentes; Se durante o ano lectivo a avó materna que cuida de um dos alunos, por este ter sido abandonado pelos pais, vier a falecer (já tem 80 anos) ou ficar incapacitada de cuidar dele, comprometo-me a adoptá-lo para cumprir os objectivos da minha avaliação; Quanto aos que mudarem de residência sem efectuarem transferência, encarregar-me-ei de descobrir a nova morada e contactá-los pessoalmente para que assinem os papéis da transferência (P.S: espero que nenhum dos ucranianos regressem ao seu país pois a 5€ por positiva, não vou poder ir à terra deles tratar dos papéis);
c) A prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem; Comprometo-me a prestar apoio a todos explicando individualmente a matéria que tinham que estudar e resolvendo os exercícios que tinham para TPC, mas que não fizeram pois como me disseram "tenho mais que fazer que ir para casa fazer TPC's"; (P.S: 90 min de aula a dividir por 25 alunos dá 3,6 min a cada um; será que aquela programação de matemática que previa 8 aulas para uma unidade contou com este tempo?)
d) A participação nas estruturas de orientação educativa e dos órgãos de gestão do agrupamento ou escola não agrupada; Como não sou titular só poderei ser director de turma, o que farei se me atribuírem o cargo (que remédio); (P.S: se não me derem o cargo de DT será que ficarei em falta? Se calhar é melhor pedir para, por favor!, por favor!, me darem o cargo);
e) A relação com a comunidade Proponho-me a estabelecer boas relações com a comunidade, não reagindo se for insultado ou agredido por alunos ou EE. Não sei se é com a escolar se é com a local por isso pelo sim pelo não estou a pensar organizar uma recepção, com buffet claro, a todos os alunos e EE e convidar também os elementos da Junta de Freguesia (P.S: se não me deixarem fazer a recepção na escola tenho de alugar um espaço; NOTA: se alugar o espaço à Junta até estou a contribuir para as boas relações, pois uma rendazita é sempre bem vinda para a autarquia)
Agora não posso pensar em mais itens; A minha mulher está a chamar-me para atender um aluno que tem os pais desempregados e veio cá a casa buscar umas merceariazitas, enquanto não chega o subsídio de desemprego. É que a mãe já me disse que na situação em que se encontram, não tem dinheiro para mandar o miúdo à escola, mas eu não posso aumentar a taxa de abandono...

07 fevereiro 2008

Minutos atrás...


... no telejornal das 20, ouviu-se o padre Amadeu Pinto, director do Colégio S. João de Brito, de onde saiu tanta boa (e má) gente das elites culturais e políticas deste país, fazer uma crítica duríssima ao Ministério da Educação durante uma cerimónia em que Cavaco Silva participou.
Amadeu Pinto referiu-se às consequências catastróficas para o país das medidas determinadas por esta equipa ministerial, em termos daquilo que, afinal, é comum ouvir a qualquer docente. Na peça jornalística que se seguiu, porém, o secretário de Estado, Jorge Pedreira, falava de rigorosamente nada, fingindo esclarecer tudo o que diz respeito à avaliação dos professores, num exemplar exercício de escamoteação aparolada.
A incompetência é mesmo uma coisa muito triste...! E quando se junta à demagogia manipulatória...

29 janeiro 2008

Malta amiga pede-me...


... que divulgue isto!