30 dezembro 2009

26 dezembro 2009

Como já devem ter reparado...


... ando ausente e, quando apareço, é para chamar a atenção para o que outrem disse. Em parte por excesso de trabalho, em parte por problemas de saúde, agora quase ultrapassados. É que isto de ser vertebrado, às vezes tem que se lhe diga! Depois, é Natal, é Natal...
Espero voltar lá para terça-feira.
Abraços e beijinhos, conforme o combinado.

17 dezembro 2009

Mais um email


RANCHÃO DE NATAL

É de casca o meu barquinho
E é de lixo esta cidade;
Aqui manda e segue a estrada
A louca erguida na tarde.

Pede esmola o tipo rasca
Pede ardor a fresca nata,
E em Lisboa, praça fora,
Dois irmãos a dar à pata.

«Cavaleiro, a tipa goza,
O meu quisto na cueca”
Para ti, real pateta
Da poesia a grande seca

II

E já brocha, aquela Santa,
Na igreja e a preceito:
Sua chuva, casa tonta,
Faz-nos vir com tudo feito

Esta missa em Sol e dós
E a burrice prò santão…
Eis que me venho p’ra vós,
Da fundura do caixão.

Natal o metes p’ra lá
Antes do sol-pôr chegar
Natal o metes p’ra cá
Pondo o bento a defecar

O silêncio é de cerimónia
neste Natal de toilette
Com santos à dependura
Nos fulgores duma retrete

Se a lua nos desse fruto
Se o sol nos desse conchego
Se Portugal fosse o luto
Dum fato posto no prego

Que o rito que alguns nos dão
Faz arrotar devagar
Depois da missa do galo
Com todo a gente a chorar

Não quero a religião
nem quero enganos a esmo
quero só a liberdade
inda que feito em torresmo.

ELÓI SARNADAS

Novamente, recebido por email...


... novamente, ao que me dizem, da autoria de Mário Crespo (desta vez não confirmei essa autoria, mas estou, na mesma, de acordo com o que aqui é dito).

Portugal precisa de jactos executivos para transporte de governantes?

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal.
Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar,
como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

14 dezembro 2009

Recebido por email



O palhaço

de: Mário Crespo

Ou nós, ou o palhaço.
O palhaço é inimputável.
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Cá para nós: a continuar assim, cheira-me que, um dia destes, ainda acontece alguma palhaçada ao Mário Crespo...

13 dezembro 2009

Se eu ainda tivesse alguma dúvida...


... quanto àquilo que aqui tenho vindo a afirmar desde sempre - que o PS e a esquerda no seu conjunto, mesmo aquela que nunca chegou ao governo, são os herdeiros mais directos do salazarismo no que respeita à mentalidade repressiva do poder em geral, que se instalou em Portugal desde a ponta final dos Descobrimentos (mas não só a esquerda) - este depoimento, a que se acrescenta este outro, tirar-mas-ia em definitivo.
É que ser polícia, relembro uma vez mais, não é uma profissão nem sequer uma forma de sobrevivência: é um estado de espírito.

11 dezembro 2009

Relembrando Wes Montgomery

Mesmo para quem viu e ouviu Fernando Lemos...


... faz depois de amanhã duas semanas no programa "Câmara Clara", na RTP2, aqui fica uma entrevista que deu ao blog http://artephotografica.blogspot.com/. É que é sempre um prazer estar com alguém inteligente.

08 dezembro 2009

Você sabia que...

Henri Rousseau, Mulher passeando numa floresta exótica

... em Portugal...?

06 dezembro 2009

Recebido por email



Ó Fernanda ! Canse-o !...
Requerimento a Fernanda Câncio (namorada do nosso PM!),
por Euleriano Ponati, poeta não titular
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado
do ar teatral
a que ele equivale
em todo o horário
de cada canal,
no noticiário,
no telejornal,
ligando-se ao povo,
do qual ele se afasta,
gastando de novo
a fala já gasta
e a pôr agastado
quem muito se agasta
por ser enganado.
Ó Fernanda, dado
que é tempo de basta,
que já estou cansado
do excesso de carga,
do excesso de banda,
da banda que é larga,
da gente que é branda,
da frase que é ópio,
do estilo que é próprio
para a propaganda,
da falta de estudo,
do tudo que é zero,
dos logros a esmo
e do exagero
que o nega a si mesmo,
do acto que é baço,
do sério que é escasso,
mantendo a mentira,
mantendo a vaidade,
negando a verdade,
que sempre enjoou,
nas pedras que atira,
mas sem que refira
o caos que criou.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
que falta paciência,
por ter suportado
em exagerado
o que é aparência.
Ó Fernanda, dado
que já estou cansado,
ao fim e ao cabo,
das farsas que ele faz,
a querer que o diabo
me leve o que ele traz
ele que é um amigo
de São Satanás,
entenda o que eu digo:
Eu já estou cansado!
Sem aviso prévio,
ó Fernanda, prive-o
de ser contestado!
Retire-o do Estado!
Torne-o bem privado!
Ó Fernanda, leve-o!
Traga-nos alívio!
Tenha-o só num pátio
para o seu convívio!
Ó Fernanda, trate-o!
Ó Fernanda, amanse-o!
Ó Fernanda, ate-o!
Ó Fernanda, canse-o!


Euleriano Ponati
(poeta não titular)

05 dezembro 2009

03 dezembro 2009

Exemplar!!!


É o mínimo que se pode dizer deste artigo, escrito pelo empresário e membro do PS, Henrique Neto, no Jornal de Leiria, p.16! (via Fiel Inimigo). Exemplar na lucidez, exemplar no desassombro, exemplar na consciência cívica. Exemplar na verticalidade, no meio de um partido que se encontra nos antípodas de tudo isto.

29 novembro 2009

25 novembro 2009

Justiça azeda

O anjo da decadência
Depois do que todos pudemos viver nestes quatro anos, este é um dos melhores exemplos daquilo que ficou dito no post anterior. Até o bom-senso está fora de prazo.

24 novembro 2009

Reflexão escrita à pressa, antes de ir para o ganha-pão

Rafael, S. Jorge e o Dragão

Quando um conjunto de militares derrubou o velho Estado Novo, havia já, pelo menos, duas dezenas de anos que o seu mentor e os respectivos apoiantes tinham perdido qualquer crédito junto da população. Por todo o lado se segredava anedotas amargas e ridicularizadoras de um regime e respectivos dirigentes manifestamente corruptos e bacocos. Bastou um sopro para que toda uma estrutura com fundamentos definitiva e claramente apodrecidos, caísse sem quase haver estrondo por não haver gente disposta a ampará-la.
Trinta e cinco anos depois dessa data, o regime democrático, palco de luta pelo poder das organizações políticas entretanto surgidas, só não sofre o mesmo destino daquele que o precedeu porque estamos na União Europeia. O descrédito é total, a vida política considerada como uma mera farsa de interesses obscuros, o salve-se quem puder o espírito dominante. Portugal e os portugueses não se curaram de Salazar e recaem diariamente na descrença e no cinismo. Agonizam.
Helder Macedo, o primeiro ministro da Cultura que houve no país, durante o governo transitório de Maria de Lurdes Pintasilgo, em 1979, dizia hoje (e eu concordo com ele) que Portugal foi um país racional, pragmático e mesmo, sob certos aspectos, na vanguarda da Europa até ao sebastianismo.
Está na hora de chamar D. Dinis e o Príncipe Perfeito. E sem nevoeiro nem outros efeitos especiais. É que a coisa é mesmo de vida ou de morte.

23 novembro 2009

Para terminar, por hoje


É mentira, é mentira/é mentira, sim, senhor/...


Sinais repetidos de um futuro anunciado


Portugal é, felizmente, um país onde, ao contrário do que se passa na Europa mais a norte, macambúzia e monótona, ainda se vive a vitalidade e as possibilidades da rua e onde a defesa da tradição e do património constituem ponto de honra para os cidadãos. Pelo menos a julgar pelos telejornais.
Noutro dia, era um alegre varredor camarário que dava conta da sua satisfação em retirar do chão e de cima das flores dos canteiros que ficam junto ao Centro de Saúde e ao lado de uma escola básica da Venda Nova, freguesia da ex-Porcalhota, actual Amadora, inúmeras máscaras azul-bébé, preventivas da gripe porcina, para ali atiradas pelos foliões depois da consulta. Espontânea, reveladora do carácter profundo dos seus habitantes e do nível de enraizamento das convicções e hábitos que terão dado o antigo nome ao lugar, esta iniciativa da comunidade vendanovense merece os maiores aplausos.
É do mesmo modo notável a franqueza e a limpidez de carácter dos portugueses, bem como a sua inigualável capacidade de simplificar, reciclar e improvisar procedimentos que, noutros países europeus, supostamente mais cívicos e democráticos, se revelam desnecessariamente complexos e excessivamente escrupulosos. A presença, noticiada ontem, de documentos jurídicos tão diversos como, entre outros, escrituras contendo nomes, moradas, números de telefone e de contas bancárias, folhas com elementos de processos e até mesmo uma disquete contendo um processo inteirinho, num contentor de lixo, na capital, revelada por uma subtil dispersão de uns quantos pelo passeio adjacente, mostram a que ponto somos capazes de inovar com base na tradição, optimizando o aproveitamento e o uso de recursos, a bem de uma superior funcionalidade e eficácia da administração pública e da justiça.
"Portugal, país do futuro" é um slogan a promover, justificada e rapidamente. É que anda por aí muita gente esquecida...!
Adenda, algumas horas depois:
Na minha caixa de correio não-electrónico encontrei um prospecto que publicita a realização de uma excursão com a duração de um dia, patrocinada pela Franis Lda., empresa cuja existência desconhecia até há minutos. A excursão, além de um pequeno almoço acompanhado de uma «amena demonstração comercial» e de um «almoço típico de Natal», inclui ainda um «espectáculo musical humorístico com "Ti Maria da Peida" que arrasta multidões e que marca a diferença pela alegria e boa disposição. É DE CHORAR A RIR.» (reproduzo o texto na íntegra, cores incluídas).
Aqui fica, portanto, esta nota, para o caso de alguém desejar juntar-se a tão incomparável manifestação do mais profundo e genuíno espírito nacional.

21 novembro 2009

Pérolas de sabedoria em viagem


Sexta-feira, no comboio Lisboa-Porto:
«No Sul chove menos do que no Norte porque no Norte vai-se mais à igreja.»

15 novembro 2009

Uma homenagem urgente


Segundo o PÚBLICO de hoje, a Junta da Extremadura espanhola promove actualmente uma polémica, mas firme campanha de educação sexual através da qual visa ensinar os jovens entre os 14 e os 17 anos a masturbarem-se. A campanha, que recebeu o nome de código "El placer está en tus manos", contempla a utilização de, por exemplo, vibradores e bolas chinesas e é uma iniciativa do Conselho da Juventude, com fundos cedidos pelo governo socialista de Zapatero.
Os reaccionários do Partido Popular pronunciaram-se como se esperaria, afirmando que esses "workshps de masturbação" são um "atentado" à inteligência dos jovens. E acrescentam que a verba que lhes foi destinada, oriunda do Instituto da Mulher (um organismo governamental), teria muito melhor aplicação no combate ao desemprego das 18.233 pessoas com menos de 25 anos que se regista na província espanhola.
Embora sem esperança na possibilidade de que um golpe de inteligência ilumine as mentalidades retorcidas e obscurantistas dos dirigentes da direita, desejamos, apesar disso, lembrar-lhes que, face ao implemento, em Espanha, das correntes pedagógicas humanistas que têm vindo a dar forma à escola pública entre nós, bem como à adopção do modelo espanhol de ensino para adultos em Portugal, tal campanha constitui uma contribuição genial e oportuníssima para a resolução dos problemas que afectam alunos, professores e funcionários de ambos os lados da fronteira. Com efeito, a masturbação colectiva no início de cada tempo lectivo, libertando endomorfinas, acalma os naturais ímpetos irreprimíveis dos adolescentes, dispondo mais facilmente as suas energias, devolvidas ao equilíbrio natural, para a compreensão dos conteúdos, entretanto devidamente aligeirados, que os pedagogos do Estado socialista, avisada e cientificamente, lhes providenciam. Por outro lado, é indiscutível a melhoria de estado de espírito e de qualidade vida de qualquer desempregado conseguida através da prática masturbatória, desmascarando o reaccionarismo e o obsoletismo da anedota do fulano que chega a casa, vai buscar uma 7Up ao frigorífico, senta-se no sofá em frente ao televisor, põe um filme pornográfico a correr, suspira e diz:"Ah! Mulheres e champagne! Isto é que é vida!".
Ao pioneirismo destes continuadores das ideologias colectivistas dos "amanhãs que cantam", lanço aqui, assim, o meu incentivo a que se não deixem abater pelas forças contra-revolucionárias e que se mantenham na via visionária inaugurada por Tony Blair, quando aconselhou os seus compatriotas a chuparem-se uns aos outros com maior frequência. E que nuestros hermanos tributem uma homenagem digna desse nome ao seu primeiro-ministro e a Laura Garrido, presidente do Conselho da Juventude, exigindo a decorrente segunda fase de uma educação sexual alargada e progressista, na qual possam ser utilizados pela juventude espanhola, inclusivé ao nível do ensino da identidade do género, manequins insufláveis que reproduzam as formas físicas quer de um quer de outro.
A bem de uma humanidade livre.
(Texto não submetido a revisão final, mas redigido com o gosto possível)

13 novembro 2009

Psscchhh...!


O que se aprende com o ministro Vieira da Silva...!

07 novembro 2009

Mário Crespo de novo


Os intocáveis
O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

05 novembro 2009

Sempre igual a si mesmo, sempre sempre ao lado do povo


Acabei de ouvir a intervenção de Paulo Portas na Assembleia da República e a resposta que lhe foi dada pelo, de novo, primeiro-ministro. Apenas dois reparos:
- José Sócrates recusa-se a anular a avaliação dos professores feita este ano, dado que isso seria injusto para os docentes que obtiveram as classificações de Bom, de Muito Bom e de Excelente. Não lhe passou pela argumentação a possibilidade de que este sistema de avaliação possa, pelo seu grau de inadequação e arbitrariedade, vir a atribuir essas classificações precisamente a quem não as merece, criando uma outra situação de injustiça.
Isabel Alçada, entretanto, tomava notas, com um sorriso,
- Paulo Portas frisou que o aumento previsto de 1,25% para os reformados significa um aumento de 3 euros numa reforma de 243 e lembrou os oficiosos 15% de fraudes na atribuição do rendimento mínimo, para sugerir a distribuição do montante correspondente por essas mesmas reformas. Sócrates corrigiu-o: a percentagem, ripostou, é, na realidade, de 2%.
Foi pena que António Guterres não se encontrasse presente, para acrescentar, sem qualquer hesitação, que o aumento é, assim, não de 3 mas de 4,8 euros. O que constituiria motivo para que qualquer reformado eventualmente presente na AR não só lhe saltasse para o colo como, em sinal de reconhecimento e festejo de tal medida, avisasse no bar da Assembleia de que os seus primeiros 4, 8 euros se destinariam a custear um pequeno-almoço de José Sócrates.
É que isto, ou há moral ou comem todos.

04 novembro 2009

Sem tirar nem pôr


Transcrevo a seguinte notícia dada pelo Sapo:
Lisboa, 04 Nov (Lusa) - O professor universitário Santana Castilho defendeu hoje a suspensão imediata do modelo de avaliação dos professores, que considerou "medíocre e humanamente desprezível", pelo que só pode ter como destino "o caixote do lixo".
"Isto não é matéria de opinião, são factos. O modelo de avaliação dos professores é medíocre e humanamente desprezível. É um instrumento que só pode ter uma solução: o caixote do lixo", defendeu Santana Castilho, que falava como orador convidado num debate sobre Educação organizado pelo PSD.
Para o docente universitário, o actual modelo de avaliação resulta de políticas elaboradas "por quem não sabe pensar a Educação" e por isso não é passível de ser melhorado.
"Medíocre" e "humanamente desprezível" são os termos exactos. Nada mais a acrescentar. Só quem, como diz Santana Castilho, não sabe pensar a Educação -ou não está interessado nela ou ainda quem desconhece o actual estado das coisas nas escolas (públicas, mas também nas privadas)- poderá afirmar algo diferente.
É urgente a redefinição e a reestruturação do ensino em Portugal, bem como o reposicionamento do papel e da actuação do professor dentro dele, além do estabelecimento do que se considere como o leque aceitável de características psicológicas, de conhecimento científico e de capacidade pedagógica que permitirão o início e a continuação da actividade docente.
Em paralelo, a definição de "aluno" é também extremamente importante. É porque ser-se aluno não constitui uma natureza, mas, tal como ser-se professor, uma conquista pessoal, voluntária, portanto, que se reforça e é reforçada ao nível dos direitos e deveres inerentes ao conceito de cidadania.

03 novembro 2009

De um país à Vara larga


(o título que dei a este post é uma frase que ouvi, ontem, a um amigo e que achei adequada ao nome e ao espírito deste blog)

Recebi de Mecago Endioz, que comentou recentemente o meu texto intitulado "Então vá!", a seguinte missiva, que transcrevo de seguida:
Queridos amiguinhos

Com certo espanto da minha parte recebi hoje dum dos meus ou até mesmo do meu afilhado preferido uma carta lancinante, que me deixou perplexo e tristemente angustiado. Como é possível que haja tanta maldade no rude coração dos homens, ou melhor, para dizer melhor, na víscera cardíaca dos ditos, que mais parecem bichos-feras, sem respeito por aqueles que dão à grei, à comunidade e mesmo ao clube dos seus amores o melhor de si próprios?
Até, confesso, as unhas dos pés se me alevantam, mas não vou agora por aí para não me enervar, que me torno um zebú, um bufalão de vigor muscular quando isso acontece, o que não augura nada de bom para quem me caia na mira (bícepes de galfarro…não sei se me entendem…).
Segue, sem quaisquer comentários, a carta, que conquanto curta é sobriamente explicativa. E permitam-me o desabafo: cafolhos me radem, que até quase que me dá a cólera mórbida!


Meu Padrinho
Longe vão os tempos em que o padrinho me passava a mão pelo cocoruto, com essa sua expressão amorável, dizendo concomitantemente: “Armandino, irás longe meu rapazote: o que sinto sob esta minha mão que te afaga os anelados cabelos é um mundo de congeminações positivas!”.
E eu moita. Mais interessado nas brincalhotices com outra gaiatagem, nem lhe respondia. Raspava-me era para ir dar chutos na trapeira, no largo aonde meu pai, Joaquim Vareta, tinha a sua lojeca de saldos.
Foi aí que me afiz à frequentação dos números, meu superavit intelectual nisto de ir vivendo à espera de melhores dias.
Mas se, garoto, eu descartava seus conselhos, querido padrinho, para ir para a reinação, nunca cá por dentro, no melhor lugar do imo, deixei de sentir um badalar harmonioso das suas boas palavras a chocalharem nas paredes do meu querer espiritual.
Fiz-me homem, cresci em concordância, ainda que não muito pois fiquei baixote (o que aliás me foi útil, disfarçava melhor o meu apetite entre bosques de granjolas que andavam, na politica de engate em que eu me especializara, também à cata de minas de pedrarias.
Beneficiei o erário público, o que só a alguns fazia rir ao ouvirem-me. Dei nome à pátria, subindo a pulso (de carga). Escorei gajos pouco firmes na travessia de pântanos e outras brincadeiras do caraças desta nação fermosa.
E não é que ontem, com maldade, uns bófias me arrecadaram e me constituíram arguido, de remolhão com outros da quad…da companhia…no âmbito de uma tal Face Escondida?
Tal está a moenga, padrinho! Até uma pessoa perde a fé nas Escrituras (de andares).
Abraça-o e beija-lhe, castamente, a mão forte e leal o seu afilhado atencioso
Armandino (Vareta)

Das aulas de educação sexual no contexto do sentido da vida, segundo todos os santos Monthy Python

02 novembro 2009

A Encarregada da Educação


À pergunta feita por uma jornalista sobre qual a política a seguir futuramente pelo ME, a nova ministra respondeu que será a mesma, "mas com um beijinho".
A avaliar pela expressão utilizada, será, assim, de supor que Isabel Alçada não abdicará das suas funções educativas no respeitante aos docentes cuja tutela assumiu e que, portanto, se os seus pupilos demonstrarem que sabem como comportar-se, não deverão pôr de lado a possibilidade de uma conveniente palmadita. Seguida de um beijinho, é claro, que as mães só querem o nosso bem e um beijinho dispõe o espírito para a compreensão do castigo.
A bem da pedagogia socialista.

01 novembro 2009

Então, vá!


Folheando o PÚBLICO de ontem, pus-me a ler um texto de Eduardo Cintra Torres que me deixou em estado criativo de verdadeira graça. Dispôs-se Cintra Torres, com ele, temerariamente, a arrostar com o provável anátema dos mentores de uma nova moda literária, adoptada por um grupo de letrados portugueses que vozeiam num blog, os quais, em apoio ao que é dito por Pedro Mexia num ou dois de textos seus sobre o assunto, decidiram excluir da respectiva prosa os pontos de exclamação, afirmando que continuará a usá-lo como sempre o tem feito, dada a inquestionável utilidade desse sinal de pontuação.
Não se pense, todavia, confidencia-nos, que ele próprio está isento de manias igualmente questionáveis e susceptíveis de serem postas em causa, exemplificando com a sua natural tendência a excluir liminarmente da vista os romances em cujo título figure um verbo. Algo assaz singular, sem dúvida, mas que é nele irreprimível. E lança-se, em seguida, numa aventura da memória em direcção ao tempo em que vivia com a sua família parental, durante o qual se deu conta dessa sua idiossincrasia, de que só se tornou consciente mais tarde, quando, por influência de Lídia Jorge, leu As Velas Ardem Até ao Fim, de Sandór Márai, Lídia Jorge que, apesar de possuir «uma folha de serviço impecável, apenas com romances sem verbos nos títulos, perdeu as estribeiras» e publicou Combateremos a Sombra. Disparando, depois, para a vastidão das viagens literárias que a existência lhe proporcionou já, registando o exemplo dos inúmeros e consagrados autores, nacionais e estrangeiros, que, no decorrer dos séculos XIX e XX, não caíram nesse pecadilho, desastroso para a aspiração a serem lidos. Camilo, nota, soçobrou somente três vezes, entre dezenas de títulos que publicou, Aquilino, outras tantas. Quanto a Dinis Machado, é certo que, cito uma vez mais, «escreveu O que Diz Molero, mas quando a forma verbal se segue a uma conjunção subordinativa “que” ou “quando” aceita-se melhor». A condenação de Miguel Sousa Tavares é, porém, irremediável, ao escrever «qualquer coisa com David Crockett que dá vontade de deixar morrer a personagem sem mesmo começar a leitura».
Termina Cintra Torres com o seguinte passo, onde é possível escutar subliminarmente uma inflexão e uma ênfase de voz que como que pretendem despertar a nossa atenção para a indesmentível cientificidade das razões que determinam a sua intuitiva aversão: «Que títulos com verbos são próprios de certa literatura não é um preconceito meu. Um título com verbo promete xarope. Consultei na Wikipédia os 145 títulos da espanhola Corín Tellado editados em 1972 e 1973 (sim, em apenas dois anos). Desses, 105 têm um verbo no título (72%). Em Barbara Cartland a percentagem é menor, mas facilmente encontrei dezenas.». E remata: «Contudo, até agora nunca tinha visto um título com dois verbos, ainda por cima com ponto de interrogação. Ia morrendo ao ler o título do novo António Lobo Antunes: Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?. Eu não sei que cavalos, nem nunca saberei.».
Devo confessar que, até chegar a esta última parte, me senti literalmente assaltado pela sensação do jornal PÚBLICO me procurar enganar no que toca à qualidade intelectual daqueles a quem proporciona guarida. Lembrei-me, até, da frase rude proferida por José Mourinho, a propósito do seu colega de profissão Jaime Pacheco: “O cérebro dele só tem um neurónio e, mesmo esse, funciona mal”. Aos poucos, contudo, foi-me cedendo a resistência da mente face à luminosidade singularmente persuasiva do que lera. Mea culpa!, digo agora. É que a genialidade intrínseca ao funcionamento holístico de Eduardo Cintra Torres, através do qual o corpo se sintoniza tão perfeitamente com o acto de desvendar cerebralmente os mistérios da estrutura inerente ao real que nos sustenta e no qual nos cumprimos, deslumbrou-me a um ponto tal que somente a poesia poderia exprimir o que sinto agora. Mas quando o génio é pouco e o talento não ajuda, o que fazer? O que fui incapaz, também eu, de reprimir.
Um modesto poema, um singelíssimo poema, de um só verso composto, coincidente, inclusive, com o título, que se me afigurou adequado, no qual, porém, não fui capaz de evitar a inclusão não de duas, mas de quatro formas verbais e mesmo da presença de um ponto de interrogação e outro, de exclamação, associados. Com os meus maiores pedidos de desculpas, pela forma, mas sabendo-o eventualmente desculpável porque eivado de total sinceridade, aqui lho deixo:
Oh, filho! E se fosses c… ao Bilhar Grande, a ver se isso te passa?!

28 outubro 2009

Da sagrada revolução


No Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, em vista e louvor do povo da Cidade de Deus, mata-se... o povo. É um favor que os guerrilheiros de Allah fazem aos eleitos, enviando-Lhe, desde já, os inocentes e, pelo meio, um ou outro renegado, com quem Ele se irá entretendo, dando-lhe, certamente, o devido tratamento.
Para sofrerem, estão cá os Seus humildes servos, servindo a Deus liquidando os Seus inimigos...
Escusa Ele de ter uma trabalheira a julgá-los no final dos tempos e, quem sabe, até!, correr o risco de se esquecer de algum.
Aproveite-se, além disso, enquanto Saramago olha para a pandilha de Roma...

26 outubro 2009

A cerimónia


Assisto, neste momento, ao discurso de Cavaco Silva na posse do novo governo. Classificá-lo-ia como de ameaçadora solidariedade. Não retira nem uma nuvem de sobre a cabeça do primeiro-ministro.
Neste momento, discursa já José Sócrates. Sob o olhar atento do presidente, sugere, subtilmente por palavras e expressões que entremeia no conjunto, que não deixará de culpar quem lhe entravar a vontade.
O presidente e o primeiro-ministro de Portugal.

24 outubro 2009

Antes de ter, em breve uma conversa com quem me lê...

Paul Gauguin, Cristo no Jardim das Oliveiras


... faço minhas as palavras deste senhor, no Fiel Inimigo.

20 outubro 2009

Referência gostosa


Ao dar uma voltinha pelo Fiel Inimigo, encontrei aqui uma chamada para este post (já agora, vejam também este).
Pelo que, a partir de hoje, o Imprensa Falsa, ficará incluído nos links de referência deste blog.
A bem de todos os portugueses.

19 outubro 2009

Mário Crespo dixit


Diferenças

Assistir ao duríssimo questionamento da comissão de inquérito senatorial nos Estados Unidos para a nomeação da juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal é ver um magnífico exercício de cidadania avançada. Não temos em Portugal nada que se lhe compare. Se os nossos parlamentares tivessem a independência dos congressistas americanos, Cavaco Silva nunca teria sido presidente, Sócrates primeiro-ministro, Dias Loureiro Conselheiro de Estado, Lopes da Mota representante de Portugal ou Alberto Costa ministro da Justiça. O impiedoso exame de comportamentos, curricula e carácter teria posto um fim às respectivas carreiras públicas antes delas poderem causar danos.
Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público. Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter.
Do mesmo modo, uma Comissão de Negócios Estrangeiros no Senado nunca aprovaria Lopes da Mota para um cargo em que representasse todo o país num órgão estrangeiro, por causa das reservas que se levantaram com o seu comportamento em Felgueiras, que denotou a falta de entendimento do procurador do que é político e do que é justiça. Também por isto, numa audição da Comissão Judicial do Senado, Alberto Costa, com os seus antecedentes em Macau no caso Emaudio, nunca teria conseguido ser ministro da Justiça, por pura e simplesmente não inspirar confiança ao Estado.
Assim, se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação inevitavelmente acarretaria num sistema político mais transparente. Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira. Nenhum destes actores do nosso quotidiano tinha passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos. Aqui nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações. Não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas. É que essa cidadania avançada que regula a democracia americana ainda não chegou cá.

Do obscurantismo ambientalista


Excerto de um entrevista de Vítor Hugo Cardinali, proprietário do circo com o mesmo nome, ao jornal I, a propósito da proibição de utilizar animais nos espectáculos circenses, bem como a respectiva reprodução em cativeiro. Para ler a totalidade da entrevista, cliquem aqui.

Que crítica faz a esta nova portaria?
Vivemos num país de touradas. Acho que estamos a ser discriminados porque somos o elo mais fraco. Depois, também há muita portaria que sai e não é aplicada. Vai-se a Jardim Zoológico de Lisboa ou ao Zoo Marine e vêem-se lá golfinhos, focas. Qual é a diferença entre eu ter um elefante e o Zoo Marine ter um golfinho ou uma foca? Estão todos em cativeiro... os golfinhos também deviam andar no mar. Os passarinhos também deviam andar soltos e estão em gaiolas. Já perguntei a um biólogo do Instituto de Conservação da Natureza e disseram-me que era a mesma coisa.
É um preconceito?
É um preconceito, mas não acho que seja só contra o circo. As associações de defesa dos direitos dos animais são contra as touradas, contra os animais domésticos. Os animais têm de ser tratados como animais: com dignidade, bem tratados, mas como animais. Deviam preocupar-se com os 25 mil idosos que este país tem em lares, com as 10 mil crianças em instituições sem que ninguém as adopte e com dois milhões de pobres no nosso pais. Os animais que eu tenho vivem melhor do que os dois milhões de pobres deste país. Têm comida a horas, são lavados e desinfectados.
Quanto custa mantê-los?
Por mês gasto 50 mil euros com alimentação. Os frangos vêm sempre de um aviário no Cadaval, que vai levar a carne onde estamos. Desde que proibiram a carne de vaca rejeitada, os animais comem a mesma que nós. Um leão come cinco frangos por dia. O feno vem de Braga - vão ao Algarve, a Trás-os-Montes, a Lisboa. Vou buscar sempre a ração à Malveira, para os animais não terem cólicas. Chego a fazer 500 quilómetros para ir buscar serradura de pinho. Tenho um camião só para o feno, um camião só para a ração, um camião frigorifico.
Mas essa não é a realidade de todos os circos...
Claro, mas não foi por isso que escreveram a nova lei. Nesse caso acabavam com os circos que não tinham condições para ter animais.

13 outubro 2009

Caros clientes habituais (se ainda os houver...)


As minhas dificuldades cíclicas em vir até aqui já são conhecidas. Ao que se tem somado, desde Junho, por motivos vários, aquilo que, cá por casa, é conhecido como a "disposição de velho urso". Aquela disposição em que o primeiro que não está disposto a aturar-me sou eu próprio. O que, a certa altura, tem como resultado sair da caverna a bufar comigo mesmo.
Estou quase lá.
Entretanto, acrescentei o link do blog Tetraplégicos à lista dos favoritos. Descobri-o há minutos. O trabalho nele desenvolvido constitui um contributo importante para todos os cidadãos deste alegado país, pelo que recomendo a sua divulgação.

11 outubro 2009

Arthur Schnitzler (1862-1931)


«Não existe pior desperdício do espírito e do coração do que procurar convencer adversários que não se preocupam absolutamente nada em estar de acordo com eles próprios».

08 outubro 2009

05 outubro 2009

03 outubro 2009

Afinal...

Fotografia de Willy Ronis
Atendendo ao que dele fui tendo oportunidade de ler ao longo destes anos, sempre tive Ferreira Fernandes na conta de pessoa de razoável lucidez. Talvez porque o que li também não foi muito. Digo isto porque ontem, no Expresso da Meia-Noite, programa da SICNotícias, num animado debate entre os responsáveis pelo programa (Ricardo Costa e Nicolau Santos), Alfredo Barroso, um destacado elemento do PSD e um professor universitário, de cujos nomes não me recordo, bem como o próprio Ferreira Fernandes, este, respondendo a uma questão do irmão do actual presidente da Câmara de Lisboa, "Quais seriam os ministros deste governo que, se fosse José Sócrates, manteria no próximo?", disse: "Apenas um: Maria de Lurdes Rodrigues".
Não me lembro de o ter ouvido depois justificar o que afirmou. Mas parece-me que só poderia havê-lo feito em razão de uma de duas perspectivas: ou porque considera positivo o trabalho feito pela ministra; ou porque pretende ver levado às suas últimas consequências o desgaste provocado na imagem de Sócrates pela orientação e medidas tomadas pelo Ministério da Educação. Qualquer uma destas possibilidades, porém, revela somente algo que foi objecto de vociferação minha num comentário que fiz a um post do blog Fundação Velocipédica e que o responsável do mesmo decidiu transformar num outro post: revela que Ferreira Fernandes (mais um!) não tem o menor conhecimento do que fala, permitindo-se, no entanto, com enorme desonestidade profissional e cívica, emitir opiniões sobre o assunto. É que ninguém, repito: ninguém, que tenha consciência do que é a escola ou o ensino, bem como as condições a que eles estão sujeitos em Portugal, pode desejar a continuidade das actuais políticas e equipa do ME. Nem mesmo para apear Sócrates de vez, sob pena de acrescentar e reforçar por mais décadas os prejuízos causados ao país pela acção demente de Maria de Lurdes Rodrigues e dos seus secretários.
Afinal, Ferreira Fernandes merece o jornal onde escreve: o Diário de Notícias.

Dos híbridos e eléctricos...


... e do desenvolvimento sustentável - aqui.

28 setembro 2009

As movimentações continuam


... por aqui e por ali.

Dois pormenores significativos a reter na noite de ontem:


A festa do PS remetida, de rabo entre as pernas, ao interior do edifício, por não haver quase ninguém nas ruas para a costumada celebração de vitória e, neste caso, de tão "grande vitória".
Mário Lino, expressão imbecil e vazia, oscilando, claramente embriagado, enquanto ouvia o discurso de Sócrates.
Qualquer deles nos permite intuir mais o que se avizinha do que aquilo que os comentadores de serviço se esforçam por ignorar.

26 setembro 2009

18 setembro 2009

Dentadura de ouro


É assim:
O Presidente da República pensa que o SIS, preocupado, a mando, com o estado dos dentes da magistratura presidencial, entrou em acção em escutas sobre aquilo de que se alimenta e pensa vir a alimentar-se. Algarviamente, não tencionando deixar que se devassassem as partes íntimas do cargo que ocupa, encarrega o PÚBLICO de o confirmar, por portas travessas.
Julgando confirmada a dita coisa, pela investigação que realizou, o referido jornal afia o dente e publica a notícia dezassete meses depois. Cavaco Silva mostra assim, discretamente, a excelência da sua dentadura a José Sócrates e ao PS. O país desconfia de que os cidadãos possuam dentes para o futuro que lhes estão a preparar.
"Porque raio suspeitou o gajo de...? E agora, como é que se prova que...? Bem só pode ser se...". Pois!
O inefável DN publica hoje e-mails trocados entre os jornalistas. O director do PÚBLICO afirma que apenas o SIS poderia ter acesso a tais documentos. O primeiro-ministro dá a sua dentadinha, dizendo que José Manuel Fernandes demonstrou, de novo, possuir uma imaginação fértil.
Jerónimo de Sousa mordisca, dizendo que, no meio disto tudo, o que nunca é investigado é o próprio SIS, o qual, obviamente, negou qualquer envolvimento com quantos dentes tem na boca.
Conclusão de tudo isto? Estamos perante uma vitória deste governo, que tanto se preocupou, ao longo da legislatura, com a saúde dentária dos portugueses.

15 setembro 2009

Morreu anteontem...

Fotografia de 1959

... aos 99 anos, Willy Ronis.

11 setembro 2009

De ir às lágrimas (via Fundação Velocipédica)!!!

With a little help from my friends


Falta pessoal auxiliar nas escolas. Os funcionários desdobram-se o mais que podem, sem o conseguirem, e, assim, nem sempre as instalações se encontram devidamente limpas, os problemas técnicos resolvidos a horas. Este estado de coisas mantém-se e agravou-se, desde há duas décadas, pelo facto de os sucessivos governos terem procurado diminuir o número de auxiliares e administrativos, não admitindo novos elementos à medida que os que lá estão se reformam ou diminuindo o número de admissões.
Os cuidados de higiene determinados pelo Ministério da Educação para evitar a disseminação da gripe A acarretarão assim, necessariamente, um ritmo e um volume de trabalho humanamente insustentável para esses mesmos funcionários, na sua maioria, mulheres, na sua maioria de meia-idade e, portanto, com menor resistência física e anímica, quando não muitas delas já com problemas crónicos de saúde mais ou menos graves. Seria preciso, portanto, prever um reforço urgente do pessoal não-docente nas escolas para evitar esta situação, se tivermos, ainda por cima, em linha de conta que, aos múltiplos atestados por desgaste que inevitavelmente surgirão, agravando exponencialmente tudo isto, se somarão, naturalmente, as ausências, por contágio. O pessoal auxiliar estará, a partir de agora e durante todo o ano lectivo, sujeito a condições de trabalho insustentáveis. Será, possivelmente, por ele que começará um eventual colapso deste ano lectivo.
Os actuais responsáveis pelo Ministério da Educação, porém, bem como a Comunicação Social, apenas falam de verbas (6 milhões de euros) para a compra de produtos de limpeza e seus complementos e dos meios disponíveis; da parte dos Sindicatos, ainda não ouvi nenhuma declaração pública sobre o assunto. Miseravelmente pagos, embora fundamentais para o normal funcionamento das escolas, tanto no aspecto propriamente laboral como no relacional, com alunos e também com professores, a verdadeira condição dos auxiliares de acção educativa revela-se assim, de súbito, em toda a sua crueza, nesta atitude para com eles dos diferentes responsáveis políticos e da área do trabalho, algo cujo título pomposo dado à sua categoria não consegue disfarçar. Encarados frequentemente como gente menor, inúmeras vezes pelos próprios encarregados de educação de igual estatuto social, tal como os professores cada vez mais desautorizados em relação aos alunos, a situação dos auxiliares de acção educativa constitui o inequívoco sinal da permanência do Portugal de antes de Abril, algo de serviçal com laivos de sub-humano, uma espécie de bestas de carga a quem se exige o rendimento que justifique a palha que com eles se gasta na alimentação e que se deixam para trás da porta fechada do estábulo ao fim do dia, para os atrelar de novo, na manhã seguinte, às tarefas que justificam a sua existência.
Mas, quem sabe!, talvez a solidariedade de José Sócrates, da sua ministra-modelo e da respectiva equipa de secretários com os mais desfavorecidos esteja a pensar formar e participar em brigadas de apoio nos seus tempos livres; ou realizar um qualquer live aid com os outros amigos governantes e do partido, em geral. E talvez, até, Louçã se lhe junte. E o camarada Jerónimo, de humilde origem. Talvez a indignação consigo mesmos lhes bata à porta. Talvez.
Que isto do socialismo é uma coisa bonita...! Ele há que nunca perder a esperança...!

Ele voltou


Soneto VIII

Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,

tão quase é coisa ou sucessão que passa...
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.

Jorge de Sena, autor deste soneto, um dos mais belos escritos em língua portuguesa, voltou, 30 anos depois de morto, a habitar terra portuguesa. Jorge de Sena, que dizia que o emprego principal dos portugueses, desde o século XVI, era o de exilado.
Morto. Com grande suspiro de alívio para os actuais caciques. Espera-se, assim, os habituais discursos. E um funeralzito de Estado, que cai sempre bem e fica baratucho. Mário Soares há-de lá estar.

10 setembro 2009

"Isto parece o Estado Novo!"


De novo com falta de tempo para aqui vir, chamo a atenção, entretanto, para esta entrevista de Medina Carreira à revista Visão.