
A propósito de uma troca de pontos de vista que tive ontem com a Abobrinha, deixo aqui um excerto d' A Terceira Vaga, de Alvin Toffler, que se aplica não apenas ao que ele visa directamente, os diferentes cultos religiosos que pululam nos EUA, mas, de facto, a tudo o mais.
Na realidade, o conteúdo exacto da mensagem do culto é quase secundário. O seu poder encontra-se em fornecer síntese, em oferecer uma alternativa para a fragmentada cultura blip que nos cerca. Uma vez essa estrutura aceite pelo recruta do culto, ajuda-o a organizar muita da informação caótica que o (ou a) bombardeia do exterior: quer essa estrutura de ideias corresponda, quer não, à realidade exterior, fornece um conjunto certo de nichos onde o membro pode armazenar os dados que recebe, aliviando assim a tensão da sobrecarga e da confusão. Não fornece verdade como tal, mas sim ordem e, consequentemente, significado.
Ao dar ao membro o sentimento de que a realidade tem significado - e que ele ou ela devem levar esse significado a pessoas do exterior -, o culto oferece objectivo e coerência num mundo aparentemente incoerente.