07 fevereiro 2010

Maquiavel...

Sebastián de Covarrubias, A Inveja (século XVI)


... deve estar a roer-se, por não poder ter dado uma entrevista como esta (via Fiel Inimigo)...

02 fevereiro 2010

Do nojo (2)


Diz o velho socialista Henrique Neto (texto recolhido aqui)

Sou amigo do Mário Crespo há muitos anos e tenho-o na conta de um homem independente e sério, o que não significa que partilhe muitas opiniões com ele, ou que entenda que ele é um modelo de jornalismo. Também não acho isso de mim próprio, ou de ninguém em particular.
A liberdade é a coexistência de modelos e não a imposição de um em concreto.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira jornalística - e nesse particular sou mais antigo do que o Mário - não me lembro de um cronista ser dispensado depois de a crónica estar pronta a ir para a oficina. E o que isto significa é que os limites da liberdade estão mais apertados do que nunca.
Tenho o director do JN, José Leite Pereira, na conta de um bom profissional e de um homem independente e sério. É jornalista há muitos mais anos do que eu, tem uma experiência considerável. Não creio que ele se impressione com uma crítica a Sócrates, como não creio que ele exigisse gratuitamente a Mário Crespo uma confirmação independente de fontes. Provavelmente, não o faz (nenhum de nós o faz) quando, em vez de Sócrates, está um outro cidadão qualquer em causa.
Porém, no caso do primeiro-ministro as palavras são relevantes, já que proferidas por quem tem a responsabilidade do poder executivo neste país. É certo que a conversa pode ser considerada privada, mas é igualmente certo que o bom-nome de Mário Crespo foi atacado de forma pública, ou jamais seria ouvida por circunstantes que nada tinham a ver com a conversa.
O que se passa, então?
Posso tentar avançar uma explicação: Mário Crespo tornou-se incómodo para Sócrates (e até para Cavaco, que denunciou em algumas crónicas), e a sua incomodidade estava a deixar o próprio José Leite Pereira numa situação difícil. Por isso o director do JN recorreu a um excessivo escrúpulo jornalístico para resolver a questão. E decidiu não publicar a crónica.
Não posso condenar José Leite Pereira, não é do meu timbre julgar os outros. Apenas posso dizer que este é o panorama da nossa Comunicação Social: Grupos que dependem do poder do Governo, patrões que pressionam directores e editores até à exaustão, cronistas afastados por serem incómodos e uma multidão de lambe-botas que, prudentemente se cala ou arranja eufemismos para tratar a questão.
Tenho em comum com Mário Crespo o facto de trabalharmos num grupo onde nada disto acontece (felizmente não será o único). Talvez não estejamos inteiramente preparados para o mundo 'lá fora', onde as palavras têm de ser medidas, onde não se pode escrever preto no branco, como aqui faço, que Sócrates é o pior primeiro-ministro no que respeita à Comunicação Social; o único que telefona e berra com jornalistas, directores, com quem pode. O único em que nestes mais de 30 anos que levo de vida jornalística, se preocupa doentiamente com o que dizem dele, em vez de mostrar grandeza e fair-play com o que de errado e certo propaga a Comunicação Social.
Lamento dizê-lo, tanto mais que é nosso primeiro-ministro e seguramente tem trabalhado muito e o melhor que sabe.
Mas é a verdade, e num momento destes a verdade não se pode esconder.

01 fevereiro 2010

Do nojo (1)


Este texto de Mário Crespo deveria ter sido publicado hoje, no JN. Não o foi, pelos motivos que aqui se pode ler. Trinta e poucos anos depois, Portugal resvala, de novo, para a iniquidade dos medíocres e para abjeccção de carácter. O abismo não terá fim?!

O Fim da Linha

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.
Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.
Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.
O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.
O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.
Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

O comentário possível


Dias atrás, Ricardo Salgado, presidente do BES, chamava, apreensivamente, a atenção de todos para o facto da tributação sobre bónus e rendimentos variáveis de administradores e gestores poder fazer com que “gente muito valiosa” abandone Portugal para trabalhar noutro país". Ou seja, que somente os administradores gestores medíocres fiquem por cá, com as previsíveis consequências presentes e futuras para este nosso amado torrão natal.
Delicioso!

28 janeiro 2010

O pelintra pródigo


Manuel António Pina, no JN de ontem, 27 de Janeiro de 2010

A notícia vem no DN: o Governo português comprometeu-se a emprestar a Angola até 200 milhões de dólares. Para isso, apesar da dívida externa do país ultrapassar já os 100% do PIB (e com as agências de “rating” a anunciar, em face disso, o aumento das taxas de juro da remuneração da dívida), o Governo irá contrair um (mais um) empréstimo. A boa notícia é que o mais certo é que parte desses milhões, ao menos a das “comissões” e das “contrapartidas”, acabe por voltar a penates, seja através das empresas e dos negócios do costume, seja em artigos de “griffe” como relógios de ouro Rolex e Patek Philippe, pulseiras Dior e H. Stern, roupas Ermenegildo Zegna e até… casacos de peles, comprados nas lojas de luxo de Lisboa sem olhar a preços. De facto, as elites do regime angolano constituem hoje, segundo uma notícia publicada pelo “Expresso” em finais de 2009, 30% do mercado de luxo português. Que isso nos sirva de conforto, aos pelintras contribuintes portugueses, quando pagarmos a escandalosa factura dos 200 milhões. Porque, como diria o gondoleiro de “Morte em Veneza”, haveremos de pagá-la.

23 janeiro 2010

Sobre o...


... humor.

22 janeiro 2010

De uma esquerda contra-corrente


Quadrinho da (excelente!) série de BD O Vagabundo dos Limbos, de Godard e Ribera

"Afirmo a existência do direito a ter pai e mãe, o direito a possuir uma filiação. Os avatares históricos podem privar-nos do pai ou da mãe, podem fazer com que tenhamos pais adoptivos. O que não se pode fazer é programar órfãos. Não há o direito de se preparar o nascimento de um ser que será privado de pai ou de mãe, como se estes fossem simples aditamentos supérfluos. Creio que a nossa origem simbólica de uma dupla filiação masculina e feminina, e o apaixonamento ligado a essa dupla filiação, nos cria um imaginário que ninguém tem o direito de pôr de lado."
Fernando Savater
(via Delito de Opinião.blogspot)

18 janeiro 2010

Por motivos diferentes...


... tanto este texto como estoutro (de cuja autencidade duvido muitíssimo) merecem uma leitura atenta. Espero, entretanto, voltar, finalmente, em breve a uma postagem mais regular.
Até já.

Mitos e negociatas climáticas à parte...

Carmélio Cruz, Vila Abraão
... Buédafixe!

03 janeiro 2010

Do tempo


«O que é, pois, o tempo? Se ninguém mo pergunta, sei o que é; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei. No entanto, digo com segurança que sei que, se nada passasse, não existiria o tempo passado, e, se nada adviesse, não existiria o tempo futuro, e, se nada existisse, não existiria o tempo presente. De que modo existem, pois, esses dois tempos, o passado e o futuro, uma vez que, por um lado, o passado já não existe, por outro, o futuro ainda não existe? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse a passado, já não seria tempo, mas eternidade. Logo, se o presente, para ser tempo, só passa a existir porque se torna passado, como é que dizemos que existe também este, cuja causa de existir é aquela porque não existirá, ou seja, não podemos dizer com verdade que o tempo existe senão porque ele tende para o não existir».

Santo Agostinho, Confissões, XI 14


«En aquel pasaje de la Enéadas que quiere interrogar y definir la naturaleza del tiempo, se afirma que es indispensable conocer previamente la eternidad, que- según
todos lo saben – es el modelo y arquetipo de aquél… Leemos en el Timeo de Platón que el tiempo es una imagen móvil de la eternidad; y ello es apenas un acorde que
a ninguno distrae de la convicción de que la eternidad es una imágen hecha com substancia de tiempo.Una de las oscuridades, no la más árdua pero no la menos
hermosa, es la que impide precisar la dirección del tiempo. Que fluye del pasado hacia el porvenir es la creencia común, pero no es más ilógica la contraria, la fijada en
el verso español por Miguel de Unamuno:
Nocturno el rio de las horas fluye desde su manantial , que es el mañana eterno… »

Jorge Luis Borges, Historia de la eternidad

30 dezembro 2009

Abóbora pequenina...


... mas de efeito corrosivo contra a estupidez e o mau-humor!

29 dezembro 2009

Atenção!...


... a este excelente post!

26 dezembro 2009

Como já devem ter reparado...


... ando ausente e, quando apareço, é para chamar a atenção para o que outrem disse. Em parte por excesso de trabalho, em parte por problemas de saúde, agora quase ultrapassados. É que isto de ser vertebrado, às vezes tem que se lhe diga! Depois, é Natal, é Natal...
Espero voltar lá para terça-feira.
Abraços e beijinhos, conforme o combinado.

17 dezembro 2009

Mais um email


RANCHÃO DE NATAL

É de casca o meu barquinho
E é de lixo esta cidade;
Aqui manda e segue a estrada
A louca erguida na tarde.

Pede esmola o tipo rasca
Pede ardor a fresca nata,
E em Lisboa, praça fora,
Dois irmãos a dar à pata.

«Cavaleiro, a tipa goza,
O meu quisto na cueca”
Para ti, real pateta
Da poesia a grande seca

II

E já brocha, aquela Santa,
Na igreja e a preceito:
Sua chuva, casa tonta,
Faz-nos vir com tudo feito

Esta missa em Sol e dós
E a burrice prò santão…
Eis que me venho p’ra vós,
Da fundura do caixão.

Natal o metes p’ra lá
Antes do sol-pôr chegar
Natal o metes p’ra cá
Pondo o bento a defecar

O silêncio é de cerimónia
neste Natal de toilette
Com santos à dependura
Nos fulgores duma retrete

Se a lua nos desse fruto
Se o sol nos desse conchego
Se Portugal fosse o luto
Dum fato posto no prego

Que o rito que alguns nos dão
Faz arrotar devagar
Depois da missa do galo
Com todo a gente a chorar

Não quero a religião
nem quero enganos a esmo
quero só a liberdade
inda que feito em torresmo.

ELÓI SARNADAS

Novamente, recebido por email...


... novamente, ao que me dizem, da autoria de Mário Crespo (desta vez não confirmei essa autoria, mas estou, na mesma, de acordo com o que aqui é dito).

Portugal precisa de jactos executivos para transporte de governantes?

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal.
Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar,
como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

14 dezembro 2009

Recebido por email



O palhaço

de: Mário Crespo

Ou nós, ou o palhaço.
O palhaço é inimputável.
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Cá para nós: a continuar assim, cheira-me que, um dia destes, ainda acontece alguma palhaçada ao Mário Crespo...

13 dezembro 2009

Se eu ainda tivesse alguma dúvida...


... quanto àquilo que aqui tenho vindo a afirmar desde sempre - que o PS e a esquerda no seu conjunto, mesmo aquela que nunca chegou ao governo, são os herdeiros mais directos do salazarismo no que respeita à mentalidade repressiva do poder em geral, que se instalou em Portugal desde a ponta final dos Descobrimentos (mas não só a esquerda) - este depoimento, a que se acrescenta este outro, tirar-mas-ia em definitivo.
É que ser polícia, relembro uma vez mais, não é uma profissão nem sequer uma forma de sobrevivência: é um estado de espírito.

11 dezembro 2009

Relembrando Wes Montgomery

Mesmo para quem viu e ouviu Fernando Lemos...


... faz depois de amanhã duas semanas no programa "Câmara Clara", na RTP2, aqui fica uma entrevista que deu ao blog http://artephotografica.blogspot.com/. É que é sempre um prazer estar com alguém inteligente.