23 outubro 2007

De fugida

Aqui há uns anos, o PCP manifestava-se veementemente contra o referendo popular sobre o tratado europeu, dizendo que tal referendo constituiria uma manobra para, através dela, os políticos serem desresponsabilizados dos males que do tratado adviriam no futuro, uma vez que poderiam alegar que ele fora legitimado pelos cidadãos.
Perante o que sucedeu posteriormente, o Partido Comunista exige agora que o tratado, cosmeticamente melhorado, seja sujeito à prova que anteriormente exorcisava, através da inversão dos mesmíssimos argumentos.
Dizia Lenine que "a verdade é o que convém à classe operária". E nisso o PC é coerente.

7 comentários:

antonio disse...

Subscrevo inteiramente. O Lenine é claro: chegou a hora da verdade nos ser devolvida!

Joshua disse...

Por isso a roubaram durante tempo incerto, a exilaram, como fizeram os Aqueus a Filoctetes.

Joaquim, Joaquim! Está-se bem aqui no teu Portugal e outras touradas.

A cada dia me espanto mais!

Abraço e linke-se já! Mai nada


joshua

Joaquim Simões disse...

Pois, António! O homem dizia, por um lado, que "só a verdade é revolucionária" - coisa que eu subscrevo. E, por outro, amandava esta pérola, isto é, assumia o procedimento daqueles que condenava por esse mesmo procedimento, uma vez que a realidade não se adequava à teoria à qual ele julgava que a realidade se deveria adaptar. Ou seja, era, na prática, tão obscurantista como os outros, justificando-se com a melhor das intenções e sempre em nome da realidade "objectiva". De mentira "útil" em mentira "útil", foi o que se viu - e o que se vê.

Joaquim Simões disse...

Joshua, homem! Não sei de onde apareceste, mas quando fui ver o que andas por aí a espalhar, encontrei mais blogues do que cogumelos! Dada a falta de tempo que tenho, gostaria que me indicasses um ou, no máximo, dois deles em que estejas mais "por inteiro". Obrigado pelo comentário.

alf disse...

Para conduzir a humanidade há que usar as "verdades convenientes". Na dúvida, a regra é mesmo Nunca usar a verdade verdadeira.

Joaquim Simões disse...

Ça dépend, mon cher Alf! E, a meu ver, no caso da Revolução Russa, isso foi exactamente o que jamais deveria ter sido feito. E pelo qual estamos a pagar no presente.

antonio disse...

A coerência pode ser inimiga da verdade. Mate-se a coerência!