05 outubro 2007

Ganda estrago!


É óptima, esta análise do Range-o-Dente!

3 comentários:

alf disse...

Vai aqui um pouco de ciência sobre estas coisas. Da minha ciência, evidentemente.

O cérebro humano tem uma série de capacidades distintas. Uma é a de memorizar soluções para as situações da vida, soluções aprendidas com os outros; depois, em cada situação, identifica-a e vai buscar à memória a solução que lá tem.

Este é o processo mais rápido, o que é utilizado em 99% das situações do dia-a-dia; qd não temos uma solução em memória ficamos bloqueados porque pensar é coisa lenta.

Este processo mental é suficiente para vivermos uma vida natural sem qualquer problema.

Depois, o cérebro é também capaz de relacionar situações e efectuar raciocinios lógicos. Esta capacidade não é necessária para a sobrevivência mas é ela que permite o progresso e é ela que é requerida pela matemática.

Outra capacidade ainda é a capacidade de visualisar no espaço. Essencial a arquitectos, ao estudo da geometria descritiva, etc.

Estas capacidades desenvolvem-se essencialmente nos primeiros anos de vida, como todas as capacidades cerebrais.

A população portuguesa tem uma enorme percentagem de pessoas que descende de pessoas que descende de pessoas que nunca usaram outra capacidade além da primeira; por isso é que o país foi um oasis de estagnação nos últimos séculos.

Como o cérebro humano é muito "plástico", como eu digo nos meus posts, estas pessoas tornaram-se muito capazes nesta capacidade mas as outras capacidades ficaram como que "desligadas".

A única forma de as conseguir "ligar" é obriga-las a usar o raciocínio nos primeiros anos de vida. Mas isso não é fácil, pois o seus pais também não têm essa capacidade. A única forma de o conseguir é através do pré-primário.

portanto, o recurso maciço ao pré-primário é a forma de pegar em populações que não têm estas capacidades "activadas" e activá-las. Foi assim que os franceses fizeram.

Portanto, não vale a pena andarem a inventar esquemas para melhorar o sucesso a matemática. Só há uma forma, ela é conhecida há muito tempo, e consiste em investir num pré-primário capaz de pôr as crianças a pensar. Tudo o resto é atirar poeira para os olhos.

E estou convencido que é de propósito que não investem mais no pré-primário, porque ainda estão interessados em manter uma população de operários. Como no passado.

Range-o-dente disse...

Alf:
"Portanto, não vale a pena andarem a inventar esquemas para melhorar o sucesso a matemática. Só há uma forma, ela é conhecida há muito tempo, e consiste em investir num pré-primário capaz de pôr as crianças a pensar. Tudo o resto é atirar poeira para os olhos. "

É necessário ainda que (dando de barato que se investe dinheiro suficiente na pré-primária) haja ensino na perspectiva do esforço em pensar, em descobrir.

Uma escola depositário de crianças entretidas em jogos e coisas "giras" seleccionadas pelos cientólogos da educação cá do burgo apenas transforma os tais 99% em 99,9%.

Range-o-dente disse...

A propósito, ainda se continua a pespegar doses maciças de televisão aos miolos dos pimpolhos?

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