12 dezembro 2007

Ninguém...


... poderá salvar o actual Islão de si próprio, a não ser o Islão. Os não-islâmicos nada poderão fazer. Mas se o Islão se auto-destruir, destruir-se-á, sem dúvida alguma, connosco. Compete-nos não deixar que isso aconteça, através do apoio aos verdadeiros islamitas e não encarando o Alcorão como uma menoridade intelectual ou religiosa (e vice-versa).
O nosso futuro depende infinitamente mais do nosso discernimento do que das nossas armas. E, para perceber isto, mais não é preciso do que estudar a história do Mediterrâneo desde há três mil anos.

4 comentários:

Range-o-Dente disse...

"Compete-nos não deixar que isso aconteça, através do apoio aos verdadeiros islamistas"

De acordo. Mas há mais um vector. Qualquer apoio nosso aos verdadeiros islamistas coloca-os na mira dos falsos, fazendo com que os verdadeiros sejam bem capazes de nos ver como sarna.

E aí é que bate o ponto. Até onde ir? Apoiar ou não? Serão eles capazes sozinhos? Será o nosso apoio melhor ou pior?

... e o apoio poderia ser de que tipo? Declaração de apoio (a CE é nisso especialista)? Apoio em canais informativos desimpestados? Apoio logístico? Apoio em espionagem? Apoio matando quem os quiser (e a nós) matar? Entregando-lhes armas (e onde irão elas caír)? Intervindo directamente? Bomba H?

Eu diria que o sarilho apenas começa depois da ideia inicial.

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Joaquim Simões disse...

Pois, é exactamente isso. Trata-se de questões de pormenor, de imprevistos e de imponderáveis ao nível da acção que se vai desenvolvendo de ambos os lados. Quando escrevi isto, por causa do atentado na Argélia, não tinha nenhuma solução milagrosa a propor. Referi-me apenas ao que se poderia chamar "o horizonte da acção", os princípios que a deverão nortear e aos quais nós, os "desta banda", tenderemos naturalmente a descuidar pela tensão em que o que está do "lado de lá" nos coloca. É uma guerra de nervos e de persistência, em que a jogada de cá(qualquer uma, da pacífica à "musculada", conforme o que a nossa ponderação e a nossa argúcia aconselharem) terá que neutralizar e, se possível, anular a do outro e, em simultâneo, impedir quaisquer outras semelhantes, não permitindo que as circunstâncias favoreçam a sua existência. Mas que não se duvide que temos para aí pelo menos um século de vigilância contínua, mesmo tendo em conta que as mutações sociais adquirirão um ritmo muitíssimo superior às de hoje, as quais, por sua vez, já são incomparavelmente mais rápidas do que as que as antecederam...

Range-o-Dente disse...

"Mas que não se duvide que temos para aí pelo menos um século de vigilância contínua,"

Ora, é aí que está o galho.

Mas, ainda, a vigilância contínua implica que tenhamos que nos habituar refrear a nossa própria liberdade: vigilâncias, controlo de movimentos (disfarçado ou claro), etc, etc.

Joaquim Simões disse...

Ossos do ofício de estar vivo neste planeta de empatáfodas!