25 outubro 2008

O mais mortal dos pecados


Dias antes do 25 de Abril, face a uma vaia com que o receberam no Coliseu dos Recreios aqueles que "viam" n' "A Tourada" um ataque à dita e aos lusos valores, Ary dos Santos respondeu à letra com um "Não tenho culpa de que o público de Lisboa seja estúpido!", que obrigou a polícia a ter que proteger a sua saída da sala.
Quem sai aos seus não degenera. Hoje, são os descendentes espirituais desses que o apuparam quem protesta contra o sketch dos Gato Fedorento sobre o computador do regime, dizendo-se defensores do catolicismo, sem perceberem a denúncia que o texto faz de algo, francamente sinistro, que se quer substituir àquela que o Estado Novo quis, por sua vez, reduzir a "religião da Pátria".
A estupidez é a essência de todos os pecados. E consta que nem Deus pode salvar as almas que nela caem profundamente.

4 comentários:

Anónimo disse...

Pelo contrário, acho que os que protestam contra este sketch dos Gatos sabem muito bem o que fazem: não protestam contra o pretenso avacalhamento da religião (bem se importam eles com a puta da religião...como fanatas que são), protestam é contra o que sentem de semelhante entre o magalhães e...deus (a burgessada de deus é no fundo a que forja a burgessada magalhães, a venda do existente magalhães é paralela à do inexistente deus). A ideia é manterem a estupidez e o controle deles sobre esta.
O que se solta do sketch dos gatos é, argutamente, porem a venda e a palhaçada de deus ao nível da palhaçado do magalhães armada pelo clown de São Bento.
O gesto dos católicos é apenas um pretexto, que ainda mais sublinha esse paralelo indubitável.
Tal como os do Campo Pequeno faziam: o paralelo é que lhes custava, pois desmacarava o "país de merda", em que saltitavam, como uma tourada.
Sabiam o que faziam, os pulhas.
Dias passados, a 25, já berravam na rua santificando os militares.
Já não eram aficcionados...já eram democratas.
Delenda Portugal!

Mano Manecas

Joaquim Simões disse...

Acho que os sobrestimas, oh mano! Como dizia o Solnado: "Ouvi na altura um secretário de Estado dizer para o ministro: oh fulano de tal, mas isto não é parecido com a nossa tourada, pois não...?! Havia alguns mesmo estúpidos...!".
Alguns é um eufemismo, digo eu.

Anónimo disse...

Sem dúvida, mano. Havia alguns mesmo estúpidos. Diria mais, como o Dupond, ou seria o Dupont?: eram estúpidos os dois, só que uns eram mais estúpidos que outros e era só estupidez, não ardil.

Mano Manecas

Joaninha disse...

Diz que sim, que só há uma coisa no mundo que é infinita e é mesmo a estupidez humana. Contra essa nem Deus tem poder ;)

beijos