04 junho 2011

O meu comunicado à Nação (também tenho direito, ou não?!)

Em 2004, disse a amigos meus, militantes do Partido Socialista, que a eventual eleição de José Sócrates para secretário-geral do partido - uma criatura que procurava disfarçar a superficialidade de conhecimentos, a indigência cultural, a falta de estofo humano e a debilidade da inteligência com a agressividade que os portugueses, por ferrete da “estabilidade” salazarista, confundem, frequentemente, com competência - seria algo de muito mau, não só para o PS como, enquanto previsível futuro primeiro-ministro, para o país.

Dois anos decorridos após as eleições que o levaram à chefia do governo, porém, o chico-esperto, embriagado pelo poder, firmando-se em técnicas propagandísticas e manobras de governação que, quem aprofundou um pouco os seus conhecimentos de História, facilmente relaciona com o que se passou em Itália, Alemanha e Portugal durante a terceira e quarta décadas do século XX, elevara-se a si mesmo ao estatuto de clone de caudilho americano, transplantado para a UE. Portugal afundou-se no período mais tenebroso e obscurantista desde o 25 de Abril.

Da parte dos militantes socialistas, em vez do pedido urgente de demissão de Sócrates e sua substituição, vital para o país e para o próprio partido, nem sequer se ouvia um “Porque não te calas…?!”; ao invés, o seu comportamento foi o de um entrincheiramento histérico de “perseguidos bons” com uma agressividade igual à do seu “querido líder”. Até hoje. Veja-se, por exemplo, no que deu o blogue O Jumento, de lúcido crítico de Cavaco Silva a estrebuchante defensor de Sócrates com argumentos dignos da “velha senhora”, e que, dias atrás, me censurou um comentário denunciador de um desses “argumentos”.

Foi, portanto, como forma de defesa pessoal que, em Maio de 2007, surgiu este blogue. Da necessidade de denunciar e de me opor ao que me envenenava e, a meu ver, envenenava o resto do país, destruindo-o - destruindo-nos - bem como de ir preservando a lembrança do mais fundo e melhor da memória colectiva; além de umas faenas com as outras "touradas" que por este mundo têm lugar. No decorrer destes quatro anos, não foi aumentando apenas o número daqueles que vêm até aqui, aumentei também o círculo de amigos. Nunca tanta gente visitou o Portugal e outras touradas como ontem mesmo. Mau-grado a falta de tempo que tenho para tratar alguns temas com a profundidade e o pormenor que eles requereriam.

Chegámos à véspera de eleições que podem ser decisivas. E julgo que, se Sócrates voltar a vencê-las (coisa de que duvido), será a altura de me dedicar a coisas mais genuinamente revolucionárias, isto é, a aprofundar temas que considero cruciais e, para mim, mais gratificantes, já que o povo português estará, de facto, verdadeiramente doente pelo embrutecimento. Se ele perder, passado este período tenebroso, haverá que aguardar pelo resultado das acções dos novos poderes - e, enquanto não se perspectiva com clareza o que nos espera, haverá que… fazer exactamente o mesmo.

O Portugal e outras touradas perdeu, por isso, razão de existir a partir da próxima segunda-feira, qualquer que seja o resultado eleitoral. O que não significa que eu desapareça da “blogosfera”. Não só continuarei a fazer comentários em blogues de outrem como etiquetarei, aos poucos, os quase dois mil posts que editei, para que quem chegou mais tarde possa consultar alguns textos de maior fôlego que escrevi nos primeiros dois anos. Até segunda, contudo, ainda vou andar por aqui (onde é que eu já ouvi isto...?).

Obrigado a todos.

23 comentários:

RioD'oiro disse...

Oops!

Anónimo disse...

Acho que não deve acabar, eu penso que é bom continuar. E não se importe com jumentos, jericos e camelos e outra bicheza. Desconte.

Um beijinho da
Mara

Anónimo disse...

Agora que este blogue está a incomodar os ranhetas é que vai deitar a toalha ao chão?
Não faça isso, doutor. Faz falta o seu toureio.

Solidário

Rosa de Maio

Anónimo disse...

É pena!

Afonso de Freitas

Joaquim Simões disse...

Caríssimos amigos:
Hoje e amanhã ainda estarei por aqui e, durante o resto da próxima semana, também, a pôr as etiquetas. Mas eu disse que iria trabalhar no aprofundamento de temas, o que significa que posso vir a criar uma outra página, com outras características e outros objectivos. Não sei, logo se verá. Direi alguma coisa na segunda-feira.
Obrigado a todos.

Anónimo disse...

Pela minha parte eu não estou espantado, no momento em que o dr.Simões se meteu com os irmãos em posts eu vi logo que não durava muito. Eles não brincam em serviço, mas olhe que faz mal, a sua melhor defesa era ter um sítio onde escrever e podendo-se defender. No momento em que abandone eles vão-lhe dar cabo da vida e veja o que fizeram a tantos outros.Quem se mete com os irmãos lixa-se, vai ver se não falo a sério. O parvo do Sócrates não é nada eles é que mandam mesmo no barco, o Sócrates é só um que lhes faz capa.
Flávio

Anónimo disse...

Adeus vai pela sombra e amanhã ainda estarás mais tristinho. Quem se mete com o, leva. Burro és tu.

Anónimo disse...

Lamento. Foi uma vitória do Socas e da quadrilha. Assim acaba mais um espaço livre.

Lucas

Joaquim Simões disse...

Flávio:
Logo se vê, deixe lá. Pode ser que ainda me convidem para a confraria. :)

Anónimo disse...

Era um espaço de escrita e de convivencia que dava gosto visitar. Por todos os que aqui apareciam, incluindo comentadores.
Tenho pena e não é dizer pouco.

Ana Curvelo

Joaquim Simões disse...

Caro anónimo:
Você não percebeu. Eu não levei nada nem me queixei de nada. Nem de ninguém. Limitei-me a constatar factos.
Se, no meio do que escreveu, se estava a referir ao que eu disse acerca do Jumento, também não acertou. O homem não demorou muito a revelar-se completamente igual à "esmagadora maioria" dos outros, foi só isso. Nem eu, aliás, esperava mais de quem já demonstrara não conseguir ir além daquilo. Acha que eu poderia estar sequer "desiludido"? :)
As coisas são o que são, o Jumento é o que é e você também, pelos vistos.
Vá, tenha calma que daqui a umas horas já passou tudo. Sabe, a História, qualquer História, não acaba aqui.
Divirta-se.

Anónimo disse...

Um reaça a menos. E viva José Sócrates, que vos irá enterrar a todos.
Filipe

Joaquim Simões disse...

Ana Curvelo:
Obrigado pelo elogio. Mas,como já disse, terminar um blogue que corresponde a um círculo não significa que não venha a intervir de outras formas e noutros âmbitos. Segunda-feira talvez já tenha alguma ideia.

Joaquim Simões disse...

Lucas:
Não é vitória nenhuma do Socas, sou eu que, ao contrário, sinto necessidade de alargar e aprofundar as minhas intervenções.
Como disse, segunda-feira talvez tenha já alguma coisa a "declarar".

Joaquim Simões disse...

Filipe:
Gostei do termo "reaça". Se tivesse algumas dúvidas, agora saberia que estou no caminho certo. É que não há coisa mais reaccionária do a esquerda actual.
Divirta-se e estude. Divirta-se a estudar. Talvez depois se perceba.

Anónimo disse...

Não entendo mesmo nada, agora que o aldrabão vai ser corrido e já se prepara para prejudicar ao máximo o país, fazendo discurso chavista até que o metam na choldra pelas vigarices é que te vais embora. Ó Simões tu desculpa mas não estava à espera. Pensa bem assim os cabrões ficam-se a rir.

Luís de Almada

Anónimo disse...

Por meu lado, faço questão de dizer que gostei muito de escrever no Portugal e Outras Touradas. Tenho por Joaquim Simões apreço que se foi transformando em estima. Também aqui pude constatar, pelo contacto de lhes ler os comentários, que pelo menos aqui os imbecis estão/estavam em minoria o que já é um consolo num país de canalhas, de pervertidos políticos e de doces apoiantes do senhor primeiro-ministro demissionário candidato dos cábulas.
Aproveito para saudar os asnos eventualmente em actuação e não estou a enviar piada ao tal jumento - apenas porque ele decerto não seria capaz de entender a ironia, ainda que deva entender muito de coices e outras imbecilidades giras.
A luta continua, agora temos de levar o homem ao banquinho e não me estou a referir a esses que têm lá muita guita.
ns

Anónimo disse...

Os blogues xuxas já deram a entender ke se o Passos ganhar entram na subversão antodemocrátika. E agora é ke sais pá? Atenção, trankilo que a luta kontra essa káfila kontinua.

Pero botelho

Anónimo disse...

Algumas vezes vim a este Blog e vi nele qualidade e razões certas. Determinação democrática, anti comunista de bom raciocínio. Agora vejo que acaba. É a vantagem deles que nunca acabam. Estão a ganhar a luta no mundo, ajudados pelos fundamentalistas árabes. Quem virá agora para dizer verdades, defender mulheres ofendidas por esses complexados?
Lina, mulher da Beira

Joaquim Simões disse...

Luís de Almada:
Os cabrões nunca se ficam a rir quando, de qualquer forma, se lhes contrapõe a seriedade de procedimento, nela incluída, é claro, a busca da autenticidade na reflexão e da verdade na informação. E, como já disse na resposta a outro comentário, eu não disse que, ao fechar o blogue, me silenciaria ou me iria embora. Disse apenas que precisava, para mim próprio, de fazer algo de maior profundidade, de falar das coisas com maior aprofundamento, mais eficazmente, portanto. O trabalho que fui fazendo neste estaminé foi sobretudo o de procurar responder ao que se ia passando, diariamente, de intolerável. Mas tenho consciência de que ficou muita coisa dispersa e muita outra ainda por dizer, para que o esclarecimento pretendido fosse real e completo ou para pôr discussão temas que são inadiáveis. O José Travassos Valdez, por exemplo, que o diga: estou há uns bons dois anos para tratar de um tema que me é caro e para o qual ele me enviou documentação, sem conseguir arranjar tempo ou ocasião apropriada para o fazer. Vamos ver o que se arranja.

Joaquim Simões disse...

Nicolau Saião:
A aventura continua. :) E obrigado pelo elogio.

Joaquim Simões disse...

Pero Botelho:
Como já disse noutras respostas: não abandonarei a actividade, só vou mudar de esquina.

Joaquim Simões disse...

Lina:
Como afirmei nas respostas anteriores: vou só ali, trocar de cavalo e de armadura. As donzelas, entretanto, podem ir-se alindando. :D