12 julho 2007

O subliminar na "Comunicação Social"


Há pouco, no telejornal da RTP1, noticiava-se o "escândalo Marques Mendes".Em duas frases sucessivas da peça, a locutora de serviço atirava-nos aos ouvidos:
Marques Mendes recebeu no ano tal 4.400 contos e, no ano seguinte, 21.000 euros. A coisa acabava, porém, na segunda frase, por ficar pelos 700 contos mensais (salvo erro).
Estranha, esta rápida flutuação entre os euros e os defuntos escudos?
Talvez não.
É que o que fica subliminarmente na mente de quem escutou a notícia é, em primeiro lugar, a sugestão de um aumento de cerca de 500% do primeiro para o segundo ano de actividade (4.400 para 21.000), quando, de facto, fazendo a conversão de uma moeda para a outra, representa uma diminuição de 1.000 euros ou, se se preferir, de 200 contos.
A passagem dos montantes, agora de euros para escudos, na segunda frase, continua no sentido de apresentar subliminarmente o valor como o mais alto possível. Com efeito, atendendo à faixa etária maioritária da população portuguesa e ao hábito de épocas, é mais "pesado" falar em 700 contos do que em 3.500 euros por mês.
Quem terá redigido o texto?

3 comentários:

Anónimo disse...

Quando é o PSD são vitimas, quando é o PS são vilões

Joaquim Simões disse...

Todos, desde que me lembro, têm sido, alternadamente, vítimas e vilões. O problema reside na relação doentia, em simultâneo de domínio e de dependência, entre a comunicação social e os grupos políticos. Esta talvez seja mesmo a principal medida de referência do terceiro mundismo de uma sociedade.

Range-o-dente disse...

Anónimo:
"Quando é o PSD são vitimas, quando é o PS são vilões"

Lógica-iluminada-certamente-orientadora-da-peça-em-causa.

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