29 novembro 2010

Para que serviu esta acção da Wikileaks?


Voltarei hoje ainda ou amanhã, para tentar dar a minha resposta à pergunta, aqui, neste mesmo post.
Entretanto, pode ler-se por aqui e ouvir-se por ali diferentes reacções bem como as inevitáveis fofocas.

Notícias do bloqueio


A bofetada


No ano em que o José Sócrates e seus amigos conduziram definitivamente o país à vergonha, o Banco Alimentar recebe a sua maior contribuição de sempre na época de Natal, onde nem sequer faltaram doces e outras guloseimas.
Mas é seguro que nem mesmo assim as criaturas quererão perceber o que Portugal lhes fez.

28 novembro 2010

25 novembro 2010

E o Egipto ainda é dos melhorzinhos!


A culpa é, como se sabe dos malandros dos judeus...! Fossem eles tolerantes, como manda o Profeta, e todos poderíamos conviver em paz...!

24 novembro 2010

Este blog tem um só escravo


E quando ele chega à cama, estafado, adormece sem mais conversa.
Amanhã, dizem por aí, será um pouco melhor.
É esperar para ver.
Deixa aqui, entretanto, este poema (delicioso pela subtil ironia) de José Régio.

Em cima da minha mesa
Da minha mesa de estudo
Mesa da minha tristeza -
Em que de noite e de dia
Rasgo as folhas, leio tudo
Destes livros em que estudo,
E me estudo
(Eu já me estudo...)
E me estudo
A mim
Também
Em cima da minha mesa,
Tenho o teu retrato, Mãe!

À cabeceira do leito,
Dentro de um caixilho,
Tenho uma Nossa Senhora
Que venero a toda a hora...
Ai minha Nossa Senhora,
Que se parece contigo,
E que tem ao peito,
Um filho
(O que ainda é mais estranho)
Que se parece comigo,
Num retratinho,
Que Tenho,
De menino pequenino!...
No fundo da minha mala,

Mesmo lá no fundo a um canto,
Não lhes vá tocar alguém,
(Quem as lesse, o que entendia?
Só riria
Do que nos comove a nós...)
Já tenho três maços, Mãe,
Das cartas que tu me escreves
Desde que saí de casa...
Três maços - e nada leves! -
Atados com um retrós...

Se não fora eu ter-te assim,
A toda a hora,
Sempre à beirinha de mim,
(sei agora
Que isto de a gente ser grande
Não é como se nos pinta...)
Mãe!, já teria morrido,
Ou já teria fugido,
Ou já teria bebido
Algum tinteiro de tinta.

20 novembro 2010


No Jumento (clicar, para ler o texto na íntegra):
"(...) os nossos políticos, governantes e líderes da oposição, já abdicaram da seriedade e o país é governado como se fosse uma canoa, ao sabor das ondas e sem instrumentos de navegação."

Dos pesos e das medidas


Os professores que os formaram saberiam pouco ou será que são eles que sabem demais?

Preso por ter cão, preso por não o ter


É assim, o "politicamente correcto"...
E quando a realidade contraria a sua visão do mundo, queime-se os hereges na praça da "opinião deles", perdão!, "opinião pública"...
Não há coisa mais preconceituosa, anticientífica e autoritária do que o um "progressista"!

Parabéns, Mandrágora!!!


Saúda-se aqui, hoje, os 31 anos de existência de uma Associação cultural que, para vergonha das entidades públicas, mais interessadas em apoiar o que enche (ou vaza?) o olho do eleitor, continua sem um vão de escada que lhe permita desenvolver regularmente as actividades para que foi formada.
Conhecida e reconhecida internacionalmente, contou com a colaboração dos surrealistas portugueses, com destaque para Mário Cesariny e Cruzeiro Seixas. Da sua acção artística e formação pedagógica resultou, além dos espectáculos e exposições multimedia realizados, todo um trabalho de iniciação às artes na área de Lisboa, de que beneficiaram não somente muitas instituições populares como também algumas figuras de relevo da actual vida cultural portuguesa.
Ao Manuel de Almeida e Sousa, alma primeira de muito do que os mandragorianos levaram avante nestes 31 anos, o meu abraço.

19 novembro 2010

Diz assim Nicolau Saião:

Nicolau Saião, Sonhos de um homem de bem

Não há caricaturas…

… E muito menos ditadores ridículos. Numa pequena tasca de Vila Boim, rente a Elvas, despacho com limpeza um pratito de bucho assado com rodelinhas de cebola e troco meia dúzia de palavras com o dono do estanco.

Bons lugares para filosofar, as tasquinhas fora do tempo deste Alentejo criador. E corro o olhar em volta: calendários com cachopas e futebolistas pelas paredes, prospectos de apreciadas marcas e de festarolas nos arredores. Uma folha muito madura de jornal com o Sadam. Umas coisinhas do Benfica. E do Sporting. Para contentar toda a gente, decerto, que os clientes nestes tempos de crise requisitam carinhos adicionais. E um pequeno cartaz de propaganda, requentado, com um Portas sorridente. Sorrindo para mim directamente – que não havia ali mais ninguém - do passado próximo. Ainda não tinha os dentes novos mas exprimia-se bem. Gestualmente. Com o seu ar de jovem milhafre ou gavião pronto, como dizia Ungaretti, para todas as viagens. Políticas, neste caso.

Enfio o resto do tintol. Degluto a última lasca de bucho. Rapo da carteira. Ao pagar, Sadam contempla-me com o seu bigode de comerciante beirão. O Portas dirige-me um último sorriso pepsodent.

Não. Não há ditadores ridículos. Nem democratas musculados ridículos. Como dizia Jean-Marie Domenach, a sua simples aparição serve muito bem para gerar a inquietação. Mesmo que um fulano de tal não se dê muita conta.

Quer usem bigode de marçano, sorriso matreiro ou dentes novos.

Nota - Este texto bem como a entrevista a Nicolau Saião sobre o tema Comportamentos, haviam sido já publicadas pelo blog Fundação Velocipédica.

18 novembro 2010

Amigos, amigos...


(Voltarei com mais tempo, amanhã)

17 novembro 2010

15 novembro 2010

From Allgarve with love!


Mais porrada e menos conversa!

14 novembro 2010

Das virtudes da livre concorrência e do Estado social


Esta semana tive que acompanhar um familiar meu a um hospital para exames anuais de rotina. E fiquei a saber algumas coisas interessantes.
O meu familiar necessita de um tratamento diário durante todo o resto da sua vida, cujo custo médio mensal orçava, até há pouco tempo, em € 375. Esse montante era comparticipado pela ADSE em 80%, o que significa que o reembolsavam em € 300 (num prazo de aproximadamente 30 dias), ficando, portanto, com um encargo de € 75 por mês. Tempos atrás, porém, sem qualquer explicação, o custo do mesmo tratamento passou aos € 235, isto é, reduziu-se em quase 40%!!!
Só agora ele e eu nos apercebemos, em conversa informal com elementos do hospital, o que se terá passado.
A ADSE firmou contrato com duas empresas desse sector do fornecimento de serviços, ambas estrangeiras. Mas, há cerca de um ano, apareceu uma terceira empresa, nacional, que se propunha prestar esses mesmos serviços a custos muito inferiores.
O resultado está à vista.
Para terminar, dois pequenos apontamentos:
- A quantia mensal suportada pelo meu familiar, manteve-se inalterada;
- O mesmo tratamento, se receitado através da Segurança Social, fica a custo... zero para o doente!!!

Entrevista a Nicolau Saião


Entrevista dada, em Montargil, a Lino Mendes, sobre o tema Comportamentos.

Foram sempre os comportamentos que marcaram as gerações, continuam a ser os comportamentos que nos definem perante a comunidade. Concorda?

Concordo. Há que referir, no entanto, que o comportamento é pessoal mas condicionado pela comunidade, a região e mesmo o país. O chamado comportamento fechado dos portugueses tem sido determinado pala influência do caciquismo, do obscurantismo beato e da pobreza como regra para as camadas populares (o português é, de acordo com os estudos de Wendt e Perelmann no cômputo dos últimos 300 anos, o povo mais pobre da Europa). A violência latente, que muitas vezes se volta contra o próprio emissor devido ao chamado estado depressivo socializado motivado pelo condicionamento da sexualidade e das pulsões subconscientes, a coscuvilhice e a intriga como resíduo comunitário e os complexos de inferioridade colectivos, são uma consequência dessa nefasta influência.

São os comportamentos que determinam as vivências, ou antes são as vivências que determinam os comportamentos?

Uns e outros interligam-se. A comunidade determina o comportamento de um dado indivíduo, o comportamento desse indivíduo condiciona por seu turno, ou geodefine sistematicamente, a sua orientação na sociedade que o rodeia. Georges Pérec, um dos maiores sociólogos do nosso tempo, entendia que, (ressalvando os casos de disfunção grave) o peso do meio societário afecta de modo indelével o acervo comportamental e, no seu importantíssimo livro “O apodrecimento das sociedades”, explica que a pobreza de relacionamentos colectivos, que forja a desintegração e o anonimato do indivíduo e aumentou tremendamente no século XX, é a principal responsável pelo ambiente fortemente negativo que se sente no mundo actual.

Uma coisa que me chocou, estávamos aí em 1945, foi visitar Lisboa e verificar que espalhados pelas esplanadas os marinheiros americanos estavam sentados com os pés em cima da mesa. Que leitura faz deste comportamento?

Uma leitura histórica, ou seja: por essa altura, devido às relações que mantinha com os países do Eixo (o governo português era apoiante do bloco hitleriano), Portugal não era bom olhado pela democracia americana, que tivera grandes custos económicos e de vidas na guerra. Os marinheiros americanos não se sentiam muito cordiais com o país que tinha ajudado a morrer tantos dos seus companheiros de combate e houve mesmo confrontos graves no Bairro Alto e em Marvila. O caso que cita deve ter-se passado num dos lugares que haviam sido muito frequentados por agentes nazis, que na altura haviam feito de Lisboa uma das mais importantes, senão mesmo a mais importante, sede da quinta-coluna e da espionagem do Terceiro Reich. Seja como for, pouco depois desses incidentes e a pedido do governo português a embaixada americana deu indicações aos comandantes dos navios para moderarem o comportamento dos seus subordinados e os incidentes cessaram.

E a que se deve o comportamento de alguns militantes políticos, obedecendo cegamente ao seu Partido?

É resultante de dois factores: nos casos mais graves, ao fanatismo pessoal; por outro lado, o partidarismo português tem uma estrutura dependente dum hábito pessoal enraizado, que aponta para o comportamento sectário. Devido a isso, o militante utiliza esse tipo de atitude para não ser prejudicado, por cobardia congénita ou, então, porque isso está na sua maneira de ser de baixa qualidade. Como disse o já referido Perelman, pessoas com personalidade fraca ou disfuncional gostam de juntar-se a formações autoritárias ou sectárias: nos regimes nazis e estalinistas que houve dentro e fora da Alemanha e da União Soviética, após a chamada militância convicta inicial os partidos eram integrados fundamentalmente por gente duvidosa, nalguns casos por verdadeiros criminosos de direito comum que assim se acobertavam. Em Portugal, que é uma clara partidocracia com timbres já cripto-fascistas, a tendência será rebaixar-se cada vez mais a qualidade dos militantes, principalmente de quadros intermédios. Mas o mesmo fenómeno se verifica noutras sociedades decadentes, como a francesa, a belga, a alemã, a italiana (curiosamente, em Espanha o panorama é diferente, decerto por influência do sentido libertário que caracteriza o país vizinho).

Fale-nos agora de uma realidade actual, a indisciplina que reina na Escola, o comportamento de pais, alunos e professores.

A indisciplina que se detecta em tantos casos nas escolas portuguesas é uma consequência da atitude estatal. Para o Estado português a escola é apenas um organismo de criação de lotes de futuros empregados ou funcionários das empresas e nada mais. Como existe mão-de-obra em excesso, tanto lhe faz que haja sucesso e bom ambiente como não: o que importa é que haja gente para as necessidades pontuais dos empregadores. Isto é tanto mais claro quanto em serviços selectivos o comportamento do Estado é diferente: veja-se, por exemplo, o caso do acesso aos cursos de medicina, onde apesar das necessidades prementes de profissionais deste ramo o Estado exige médias absurdamente altas - no sentido de restringir para um sector da sociedade (o mais poderoso, económica e socialmente) o controle dessas profissões Ou seja, a indisciplina tem como contraponto o ambiente de favorecimento pessoal, a exacção e o controlo antidemocrático. Pais, alunos e professores são os protagonistas involuntários deste status quo deficiente; umas vezes vítimas, outras vezes fautores de dislates. Não devemos esquecer, como ficou demonstrado nos Encontros de Paris sobre policiarismo de 1999, que Portugal é uma sociedade criminal, ou seja - sociedade onde os interesses dos poderosos executivo e judicial estão ao serviço da classe dominante e não da população em geral. Por isso - o que aliás é sentido pelas pessoas - o poder executivo cuida dos interesses dos poderosos enquanto o poder judicial vela para que ele não seja posto em causa. O sector da educação por seu turno, sem qualquer visão humanista, fabrica diplomados (no consulado do execrável Sócrates fá-lo mesmo com habilidades). Disciplina, indisciplina - para a classe dominante é indiferente, desde que o sistema lhe continue a ser favorável. Se assim não fosse de há muito que tal estado de coisas teria sido resolvido, visto que os interesses desta classe estariam a ser prejudicados.

E por último, que mais tem a dizer sobre “Comportamentos”?

Apenas gostaria de acrescentar um alerta: os portugueses devem exigir do Estado, que é a parte mais responsável duma sociedade organizada, que pratique jogo limpo. No sentido de tirar a máscara. Ou seja: se ele diz que somos uma democracia tem de haver da sua parte um procedimento democrático. Caso contrário, como aliás é referido na Constituição, o povo tem o direito de rebelião. As pessoas devem, cada vez mais, recorrer aos organismos internacionais legítimos para apresentar queixa contra o Estado Português quando se sentem prejudicadas. Se o Estado não está ao serviço das populações, como lhe compete em democracia, perde a legitimidade e passa ser, automaticamente, um organismo ilegítimo.

As pessoas não devem ter medo de utilizar os mecanismos que a Constituição lhes garante.

Devem, ainda, estimular-se as acções culturais, nomeadamente as tradicionais, pois isso ajuda à agregação .Neste ponto consinta-se que eu saliente a acção de um Lino Mendes e de outros Linos Mendes que ainda há neste país, remando quantas vezes contra a maré do desinteresse societário.

A mim, também não!


13 novembro 2010

O funeral da crise

Dever-se-á começar por ler, em primeiro lugar, o balão da direita.

Este é o produto de uma primeira colaboração entre os dois blogs. E que terá continuidade em breve, talvez através de um terceiro blog.
Não perdem pela demora...

O caldinho


Cavaco Silva, perante a Nação, rosna ao Governo que deve fazer o trabalho de casa em vez de se esganiçar no ataque aos mercados. Carlos Costa, Governador do Banco de Todos Nós, afirma pública e sorridentemente, para indígenas e estrangeiros, que os mercados têm motivos para estarem desconfiados em relação a Portugal. O Governo titubeia, engrola palavras que já não lhe chegam para disfarçar o que sabe muito bem: que todos o querem ver pelas costas, se possível anteontem, e que só ainda lá está porque lhe levaram as muletas.
No PS, os abutres que até há pouco acampavam nas traseiras do engenheiro de domingo começam a esvoaçar em círculos, na mira de, lá do alto, lobrigarem um novo proprietário que, mais tarde ou mais cedo, venha a garantir-lhes a continuação do festim. Neste salve-se-quem-puder, Teixeira dos Santos talvez tenha, entretanto, percebido finalmente o valor económico do provérbio "É na adversidade que se conhecem os amigos".
No meio disto, o país - pobre, grunhificado pelos bons serviços dos pedagogos do Ministério da Educação e pelas duas socráticas ministras, com uma cultura cada vez mais próxima da mercearia - agoniza. E duvido que a cura se fique por um caldinho de coelho.
(se querem algo mais impacientemente humorístico, cliquem no Jumento).

Da falta de vergonha...


... do descaramento retórico e de um comentário (via Fiel Inimigo).

12 novembro 2010

Yes! Yes! Yyyeeess!!! Ela voltou!!!


A Abobrinha! Um dos talentos mais promissores que encontrei em blogs nacionais, com uma escrita simultaneamente sarcástica e terna, vigorosa e cáustica. Capaz de me fazer rir nos momentos de maior desalento ou tensão, com textos sobre o que há de mais quotidiano.
Hoje, um post que podem ler a partir do meu Miradouro, onde a mantive durante quatro meses de silêncio.
Yyyeeess!!! Ela voltou!

11 novembro 2010

S. Martinho?


Não, apenas contratempos. Volto amanhã.

10 novembro 2010

Da destruição de um país


... aqui.
Voltarei esta noite, para dar conta de uma notícia ouvida há pouco, referente ao segundo comentário que se pode ler no post a que este se liga.

Dos embaraços da boa-consciência kantiana


Tinha acabado de ouver a notícia na TV, quando deparei com isto (via Fiel Inimigo).

Tudo sobre a educação...


Nota: enquanto procurava uma imagem adequada deparei com este site. E não é, evidentemente, caso único.

08 novembro 2010

A propósito do post anterior...


... refiro aqui o que foi dito no Jumento dias atrás, algo de que virei também a tratar, logo que possa:

Seria impossível a um candidato à Presidência da República criar um ambiente de crise nacional, reunir um Conselho de Estado e levar todas as televisões a interromper as programações para perante um país expectante dirigirem-se a todos os eleitores. Como vimos ontem isso não é totalmente impossível, se o candidato a Presidente for o próprio Presidente da República.

Aquilo a que os portugueses assistiram ontem foi a propaganda pessoal de um candidato que já não tem capacidade para elaborar o discurso e que mesmo sabendo que já havia acordo entre o governo e o PSD insistiu em ler um discurso que aparentemente já estava escrito ainda antes de se realizar a reunião do Conselho de Estado. Como alguém estragou a festa a Cavaco Silva que não teve a possibilidade de apresentar o acordo orçamental como troféu eleitoral na apresentação da recandidatura, restou-lhe dramatizar a situação, reuniu o Conselho de Estado para poder ter direito a um tempo de antena extra.

Quem ouviu a sua intervenção quando apresentou a sua recandidatura percebeu que estava perante a continuação do discurso anterior, o capítulo relativo ao acordo orçamental que constaria no discurso da terça-feira deu lugar a um capítulo dramático lido três dias depois. Cavaco reúne o Conselho de Estado e dirige-se ao país sem fazer referência a uma única conclusão ou reflexão da reunião a que a comunicação dizia respeita, assistimos à continuação do “eu isto” e “eu aquilo” que todos tinham ouvido dias nates.

Vejamos para que serviu a Cavaco Silva reunir o Conselho de Estado:

“Reuni hoje o Conselho de Estado”, “Decidi convocar o Conselho de Estado”, Esta situação resulta de um problema para o qual venho alertando”, “Conheço de perto as dificuldades”, “Por isso, acompanho atentamente, há vários meses”, “Em face disso, reuni de imediato com os partidos políticos”, “A todos alertei para as graves consequências de uma crise política”, “Referi também aos partidos”, “Decidi de imediato ouvir os membros do Conselho de Estado”, “Enquanto Presidente da República, tenho a obrigação de voltar a dizer”, “Confio no sentido de responsabilidade do Governo e da oposição”.

Isto é, eu, eu e mais eu, nem uma única frase que nos faça acreditar que o discurso não estava escrito antes da reunião do Conselho de Estado que nos permita acreditar que um Presidente da República não tenha usado o órgão institucional para promover uma encenação que lhe permitiu continuar três dias depois o discurso de recandidatura.

Ainda por cima muitos portugueses terão ficado atónitos perante um discurso dramático quando toda a comunicação social já tinha noticiado o acordo entre o governo e o PSD. É evidente que Cavaco não teve tempo de reunir com os seus assessores durante a reunião do Conselho de Estado e nenhum lhe sugeriu que o discurso que estava preparado já não fazia sentido porque enquanto a reunião decorria tinha sido divulgado o acordo orçamental.

É provável que alguém tão egocêntrico tenha pouca consideração pela inteligência dos portugueses e insistido num tempo de antena que estava minuciosamente preparado e já com os figurantes do Conselho de Estado a dispersar. Ou então as capacidades intelectuais do Presidente da República já não chegam para fazer uma intervenção espontânea ou, pior ainda, para ter a noção da realidade, ainda por cima o ddiscurso já estava pronto para ser colocado online no site da Presidência, só faltavam as fotografias oficiais para proceder à actualização da página.

Recebido por email


Desconheço a autoria deste texto, mas achei por bem pô-lo à consideração de quem queira lê-lo.

O grande equívoco chamado Aníbal Cavaco Silva, continua a pairar sobre nós.

Desde o célebre congresso da Figueira que catapultou o ilustre desconhecido de Boliqueime para a política que esta personalidade não tem feito outra coisa senão enterrar o País e no entanto estranhamente o povo português masoquista quanto baste continua rendido à sua corte e às suas falácias.
Cavaco tem tirado partido da natural apatia do povo português que não quer ou não consegue ver erros graves de Cavaco Silva e que têm contribuído para o nosso atraso estrutural deixando o País à deriva. A elite política tem feito dele uma personalidade de competência que tem vendido aos eleitores da sua área política com sucesso. Já assim foi com Sá Carneiro que coitado nem sequer tempo teve para deixar obra fosse ela boa ou má, no entanto à falta de melhor todos eles se reclamam de seus seguidores. Com Cavaco a situação é diferente ele teve a oportunidade histórica de transformar Portugal, em duas maiorias absolutas consecutivas e numa altura em que o ciclo económico era favorável (a economia estava em crescimento) com o País a ser inundado com MILHÕES e MILHÕES vindos da então CEE a fundo PERDIDO e que ele deixou esvair para o bolso de meia dúzia de oportunistas, sem consequências. O País ficou mais pobre e os seus “amigos” ainda mais ricos tendo os processos instaurados pelo Estado Português
prescrito convenientemente, com é costume.

Qualquer manual de economia para principiantes ensina que as reformas estruturais numa economia devem ser feitas quando se reunirem duas condições: estabilidade política e ciclo económico em expansão. Cavaco teve essas duas condições aliadas à entrada de MILHÕES a fundo perdido. O que fez Cavaco? Reformas estruturais ZERO, limitou-se a fazer algumas centenas de quilómetros de AUTO-ESTRADAS (nas quais pagamos para lá passar) e brindou-nos com a obra do seu regime o Centro Cultural de Belém (mais um elefante branco). Este erro crasso do regime cavaquista é a MÃE da crise estrutural que o País atravessa e da qual jamais sairá (oxalá esteja enganado).

Como se isto não bastasse Cavaco cometeu outro grande e GRAVE erro de LESA PÁTRIA, estranhamente nunca referido pelos média, e assim se vai reescrevendo a História e criando mitos. Ele, Cavaco Silva, enquanto Primeiro-ministro e Tavares Moreira enquanto governador do Banco de Portugal, são os RESPONSÁVEIS pelo DESAPARECIMENTO de várias TONELADAS de OURO do Banco de Portugal que terão sido displicentemente “investidas” numa empresa norte-americana que entretanto faliu, ficando o País a ver navios e sem o OURO. Num País civilizado isto teria no mínimo responsabilidades políticas e Cavaco não poderia ter outra aventura política, no entanto os portugueses, resolveram meter a raposa no galinheiro, premiando-o com a presidência da república, onde para além de ir coleccionando lautas reformas, vai fazendo o que pode pelos seus correligionários políticos, como foi o caso de Dias Loureiro que se manteve foragido no Conselho de Estado protegido pela sua asa protectora até ao limite do absurdo.

A “roubalheira” do BPN, que todos nós portugueses pagámos, foi feita IMPUNEMENTE por pessoas com altos cargos no PSD e nos governos de Cavaco Silva, e o único responsável que se encontra preso em “domiciliária” encontra-se bastante doente, estando todos à espera que ele morra para mais uma vez a culpa morrer solteira, enquanto todos os outros vão escapando pela malha larga da justiça, do bloco central de interesses.

É preciso não esquecer que este brilhante economista no seu consulado de primeiro-ministro em duas maiorias absolutas consecutivas, nas melhores condições económicas conjunturais de sempre, deixou crescer a dívida pública em dez por cento para além de não ter feito uma única reforma estrutural de que o país carecia.

A partir de D. Dinis, no Século XIII, com o tratado de Alcanizes, o nosso espaço territorial tem sido mais ou menos estável, foi preciso terem passado 700 anos para pela mão de outro político, com tiques monárquicos, que segundo o próprio “nunca tem dúvidas e raramente se engana”, chamado Cavaco Silva, tendo sido acompanhado nesta negociata monstruosa, pelo seu ministro das obras públicas, Ferreira do Amaral, que assim ambos ficarão na História (trágica) portuguesa por ambos terem protagonizado a alienação de território nacional.

Assim sendo, leiam esta história de pasmar. O Estado português, sob a direcção de Cavaco Silva, numa “negociata” favorável a uma empresa privada, a LUSOPONTE, abdicando da soberania em todo o espaço do território nacional e cedeu uma parte do território nacional a … essa mesma empresa privada.

Agora com a construção (previsível) de uma nova ponte a montante da Vasco da Gama para a poder construir o Estado Português, terá de, ao abrigo deste “estranho e lesivo acordo” terá de indemnizar a Lusoponte. Para melhor compreendermos o “interesse nacional” a pessoa que negociou em nome do Estado este mesmo acordo “ruinoso” para o próprio Estado, assim que sai do governo vai direitinho para a Administração da (imaginem) Lusoponte, empresa esta que é a grande beneficiária do acordo que ele mesmo assinou enquanto Ministro das Obras Públicas do governo de Cavaco Silva.

É também preciso “recordar” o caso SIRESP da responsabilidade do governo de Cavaco Silva, caso este também bastante nebuloso, mas “curiosamente” vindo a ser arquivado segundo parece pelo PS quando era ministro da área o actual presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

Para terminar se existe por aí algum cavaquista empedernido que desminta estes factos e que juntamente me esclareça da tal “obra cavaquista” legada pelo seu longo consulado, da qual só se conhecem generalidades difusas, mas da qual ainda não vi factos.

Para ser sério, competente e honesto não basta dizê-lo, tem também que se parecer.

Porque há mais ciência para além da do Orçamento

Cromeleque dos Almendres - Évora


O segredo lunar das antas e dos menires

Alinhamento de dólmenes com a lua cheia da Primavera abre a porta à visão cosmológica no Neolítico. Há portugueses nesses estudos.

Seria preciso estar lá no momento certo, quando a lua cheia da Primavera se eleva no horizonte, alinhada com algumas das pedras do cromeleque, ou com o seu eixo central, consoante os monumentos. Em Almendres, o maior círculo de pedras milenares da Península Ibérica, esse alinhamento é com dois menires: um no topo, outro na base do monumento. No de Vale d'el Rey, que tem a forma de uma ferradura, o ponto no horizonte onde nasce a primeira lua cheia da Primavera alinha-se com o seu eixo central. O físico Cândido Marciano da Silva, que há décadas percorre o país para fazer medições nestes locais, evoca a emoção desse testemunho. "É um fenómeno muito especial, sente-se ali qualquer coisa", diz.

Há cinco a oito mil anos, quando os homens do Neolítico ergueram estas pedras na paisagem, bem como os dólmenes ou antas (os seus monumentos funerários), poderiam ter sentido algo semelhante ao contemplar no céu os movimentos do Sol e da Lua. Na sua relação com o horizonte, e com os astros inacessíveis, esses agricultores e pastores teriam também a sua cosmologia própria. É isso que Cândido Marciano da Silva procura ler nas medições que há cerca de três décadas faz nestes monumentos.

Não é o único. O jovem físico Fábio Silva, que mediu a orientação de 31 antas entre o Douro e o Mondego, está a desenvolver trabalho nesta área. Os estudos de ambos, publicados no Journal of Cosmology, e noutras revistas científicas, mostram que o Sol e a Lua, na sua dança diurna-nocturna e na sua ligação às estações do ano, estão "marcados" na posição das pedras na paisagem, que apontam para direcções bem definidas. E esse conhecimento abre a porta para a compreensão da visão cosmológica dos seus construtores.

Foi em Inglaterra, nos anos 70 do século XX, que se consolidou a ideia de que os monumentos dos homens do Neolítico poderiam encerrar uma visão cosmológica relacionando os astros com os mistérios da existência. Fixadas pela agricultura, estas comunidades ganharam há nove, dez mil anos, a noção de horizonte e começaram a aperceber-se dos ritmos anuais do Sol (Verão e Inverno, tempo quente, tempo frio), e também dos da Lua (noites escuras ou luminosas), que marcavam os ciclos da natureza, da actividade agrícola e da própria vida.

Mas como estabelecer uma relação directa e inequívoca entre os monumentos neolíticos e a visão cosmológica, envolvendo os astros?

O trabalho dos astrónomos britânicos Clive Ruggles e Michael Hoskin, entre outros, ajudou a dar resposta ao problema. Ao fazer medições sistemáticas da orientação espacial de antas e menires "eles confirmaram estatisticamente que estes monumentos têm orientações preferenciais, em que há alinhamentos com eventos astronómicos solares e, ou, lunares", explica Fábio Silva, que acaba de concluir o doutoramento em astronomia, em Londres.

Hoskin, por exemplo, correu a orla mediterrânica a partir dos anos 80, incluindo Portugal, para fazer um levantamento da orientação de antas, e em 2001 publicou os resultados. Na sua leitura, a orientação preferencial destes monumentos, para nordeste parecia apontar para alinhamentos desses túmulos milenares com o nascer do Sol no Outono e na Primavera. Ou seja, por altura dos equinócios. O que quereria isto dizer?

Pegando nas medições feitas por Hoskin em 96 antas do Alentejo Central, e alargando o estudo a outras 81 na região, num total de 177, Cândido Marciano da Silva acabou por verificar que a esmagadora maioria destes monumentos funerários tem o seu eixo central alinhado com uma faixa muito estreita do horizonte, a meio caminho entre os pontos extremos do nascimento do Sol marcados pelos solstícios de Inverno e de Verão. "Tinha de haver uma explicação", diz.

Aqui é preciso dizer que o Sol nasce ao longo do ano em diferentes pontos do horizonte. Entre o solstício de Inverno e o de Verão, e se se considerar o horizonte como uma linha que corre de norte para sul, verifica-se que a partir do solstício de Inverno, quando o Sol atinge a sua posição extrema a sul, ele passa a nascer cada vez mais para norte, até atingir o outro ponto extremo no horizonte, no solstício de Verão. Entre ambos os extremos, mais a menos a meio desse caminho, ocorre o equinócio da Primavera e durante alguns dias, o Sol e a Lua nascem em pontos do horizonte muito próximos entre si. E é para aí, para essa faixa estreita do horizonte, que aponta a esmagadora maioria das antas medidas por Cândido Marciano da Silva.

A explicação tem que ver com a primeira lua cheia da Primavera, defende o investigador português, que publicou a sua proposta em 2004 e que assim abriu a porta a um novo olhar sobre estes monumentos e sobre a visão cosmológica dos seus construtores. A lua cheia da Primavera coincide com o renascimento da natureza e poderia portanto ter sido percebida como um marco significativo na vida pelos homens do Neolítico. Aberta essa porta, Fábio Silva conseguiu também ir um pouco mais longe ao fazer as medições nos dólmenes entre Douro e Mondego. "Os do Mondego estão, na sua maioria, alinhados com a primeira lua cheia após o equinócio da Primavera, e os do Vouga, Paiva, Torto e Côa com a primeira lua cheia após o equinócio de Outono", explica o jovem investigador. Mas a interpretação desta diferença não é linear. Seriam os seus construtores oriundos de duas comunidades distintas? Não é possível dizê-lo. A única resposta é continuar a fazer estudos, estendendo as medições a mais monumentos nessa e noutras regiões do País. É nisso que ambos estão empenhados.

Contos das contas que o vigário não faz


Na sequência deste meu post, leiam agora este outro - quem não conseguir lê-lo no original, tem um resumo sofrível aqui (via Fiel Inimigo).

07 novembro 2010

Saudades de Mário Cesariny


Homenagem a Cesário Verde

Aos pés do burro que olhava o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!

in Pena Capital

Até quarta-feira, continuarei a postar mais irregularmente. Espero que, a partir daí, possa voltar ao ritmo anterior.

06 novembro 2010

Para que o hoje tenha sido da poesia...

... ainda dois poemas de Mário Quintana:


PROJETO DE PREFÁCIO

Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.


O AUTO-RETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

Um poema em forma de post


Com um grande, grande abraço ao Eduardo.

Sebastião da Gama


Há poetas que, pela brevidade da sua vida ou por alterações mais ou menos súbitas e radicais das sociedades em que viveram e se construíram ou ainda pelas modas que se vão sucedendo nos meios ditos intelectuais e artísticos, são esquecidos durante demasiados anos. Os exemplos são demasiados para se dar conta de todos eles num só blog e de uma só vez. Decidimos, assim, Nicolau Saião e eu, de comum acordo relembrar, hoje, um desses casos: o de Sebastião da Gama, falecido aos 27 anos, em 1952, cujos poemas, não se enquadrando em nenhum dos movimentos de maior influência do século XX, mais rapidamente ainda desapareceram dos projectos editoriais, das referências de críticos literários e das preferências dos pedagogos oficiais.
Cada um de nós deixa, pois, aqui um poema de diferente natureza, pretendendo, deste modo, abrir caminho ao interesse de quem não conhece a sua obra e à sua revisitação, por quem já desfrutou dela. O primeiro, aquele que seleccionei; o segundo, aquele que o inimitável Dr. Jagodes enviou ao indomável monfortino, conforme missiva em anexo.

***

Do nosso colaborador Doutor José Jagodes recebemos o seguinte "poema" que passamos a reproduzir.

De acordo com o Dr. Jagodes, que obteve a revelação do mestre universitário Prof.Doutor Pamplinas Miragaia, o nome do signatário é um evidente pseudónimo. Conforme investigações de ponta do ilustre Mestre alfacinha-coimbrão, a versalhada, claramente subversiva da Situação, teria sido produzida por um opositor descarado do governo em exercício, visando quiçá ajudar a "derrubar a gestão do senhor primeiro-ministro", conforme declarou ontem aos jornais, referindo-se ao ambiente geral de euforia, o festejado ministro Vieira da Silva, famoso não só pelas suas semi-barbas de alferes dos tempos de D'Artagnan mas também pela célebre tirada sobre a "espionagem política" a que alegadamente o nosso Alberto João se entregaria em conjunto com cerca de duzentos membros dos serviços secretos nacionais (aliás já reconhecidos no Diário do Governo, de acordo com a SIP e TVY).

Em vista do prestígio do Prof. Pamplinas, fica portanto liminarmente afastada a hipótese de a peça lírica ser dum aliás referenciado revolucionário satânico, já falecido, residente à época no Largo da Esperança nº 2 da conceituada e graciosa cidade de Estremoz, que usava para se disfarçar o nome suposto de Sebastião da Gama. E o panfleto subversivo (poesia, isto? Nááááh...) é assim:

Poesia depois da chuva

Depois da chuva o Sol - a raça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos de água atravessando a praça
- luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta, contente, um pássaro qualquer.
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cai fresquinha no casario da praça.
Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, não duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às manhãs do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluida a luz, num fluir imperceptível quase...
)



Meu país desgraçado!...

E no entanto há sol a cada canto

e não há Mar tão lindo noutro lado.

Nem há Céu mais alegre do que o nosso,

nem pássaros, nem águas...

Meu país desgraçado!..

Por que fatal engano?

Que malévolos crimes

teus direitos de berço violaram?

Meu Povo

de cabeça pendida, mãos caídas,

de olhos sem fé

- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde

a causa da miséria se te esconde.

E em nome dos direitos

que te deram a terra, o Sol, o Mar,

fere-a sem dó

com o lume do teu antigo olhar.

Alevanta-te, Povo!

Ah! visses tu, nos olhos das mulheres,

a calada censura

que te reclama filhos mais robustos!

Povo anémico e triste,

meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!

- olha a censura muda das mulheres!

Vai-te de novo ao Mar!

Reganha tuas barcas, tuas forças

e o direito de amar e fecundar

as que só por Amor te não desprezam!

in Cabo da Boa Esperança

05 novembro 2010

Volto daqui a bocado

Entretanto, fiquem na companhia de Maria Morbey Henriques, no Convento do Crato, durante as actividades do Dia Mundial da Música.