06 setembro 2007

Comentário

Turner, Naufrágio
A este texto de Miguel Portas, hoje publicado...
Justiça em mar, julgamento em terra
A 7 de Agosto, algures entre a costa tunisina e a ilha italiana de Lampedusa, dois pescadores tunisinos, regularmente inscritos no departamento marítimo de Monastir, socorreram em alto mar 44 imigrantes sem papéis, entre os quais 11 mulheres e duas crianças, pouco antes da barca em que iam se afundar. Recolhidos, os pescadores levaram-nos até porto seguro, em Lampedusa.
Por causa disto, os sete homens que constituíam a equipagem das duas embarcações, foram presos pelas autoridades italianas. Contra eles foi aberto um processo legal a 14 de Agosto, na cidade de Agrigento, no Sul de Itália. que se pode concluir com uma condenação até 15 anos de cadeia. Acusação: favorecimento da imigração clandestina e tráfico de seres humanos.
Depois destes acontecimentos, repetiram-se casos em que embarcações legais quebraram o princípio da solidariedade no mar, para que as suas equipagens não incorressem em risco de prisão.
Palavras para quê? Amanhã realiza-se em Agrigento uma vigília de solidariedade que exigirá a mudança da lei. Vários eurodeputados - incluindo este vosso servidor - subscreveram um apelo que exige da Comissão Europeia e do governo italiano o fim da criminalização de quem proceda ao salvamento de náufragos, incluindo aqueles que a lei designa como “ilegais”.
... só pude responder, desde logo, isto, na caixa de comentários:
"Quer dizer, funcionou o princípio da cobardia! Em vez de uma manifestação de solidariedade que incluísse partir aquela m... toda, se preciso fosse, deixaram morrer náufragos! Em vez da desobediência civil, a traição à solidariedade mais básica! É a continuação e o reforço da impunidade dos que praticam a arbitrariedade! É a defesa do opressor, reforçando a opressão sobre os e pelos oprimidos!Acho que a sua acção como deputado deveria ser não apenas a exigência da alteração da lei italiana como mas também a de um castigo exemplar para quem infringiu a lei do mar!
Vamos a isso?
Depois logo se fala do problema da imigração clandestina..."
Mas tenciono voltar ao(s) assunto(s).

4 comentários:

antonio disse...

A desobediência civil é só para o milho algarvio...

Mas ao fim e ao cabo, ao salvarem aquela gente toda contribuiram para o apoio à imigração ilegal... de futuro proponho que se verfiquem os documentos antes de se salvar alguém.

Eu à cautela já não ajudo ninguém sem uma rigorosa inspecção aos documentos!

Range-o-dente disse...

Só não antevejo como será então possível distinguir uma ajuda por razões humanitárias de um tráfico directo ou de uma ajuda previamente combinada.

Parece-me que, nesta matéria os dilema são como os cobertores curtos.

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antonio disse...

A sério, não deve ser muito difícil averiguar quando se trata de um salvamento genuíno. Comunicações rádio, um avião a confirmar o alerta, a comunicação prévia da operação de salvamento, etc...

Podiamos colocar alguns burocras a decidir quando se podia proceder ao salvamento ou não... pronto, descambei.

Range-o-dente disse...

"Podiamos colocar alguns burocras a decidir quando se podia proceder ao salvamento ou não... pronto, descambei."

Pois é. Estou de acordo.

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