08 abril 2011

No momento certo

José Malhoa, O emigrante

Eu andava, desde há dois dias a congeminar fazer uma breve chamada de atenção para o facto de o mal-amado Henrique Medina Carreira ter acertado em tudo aquilo que disse - com as fricções do costume - sobre a evolução da situação do país. Detestado por todo o bicho-careta bem-pensante, sobretudo os que põem o cachimbo à esquerda ou que ostentam o fato-macaco na repartição ou no sindicato, entre os quais é conhecido pelo desprezivo epíteto de bota-abaixista, Medina Carreira impôs-se agora unicamente pela força dos factos. É claro que jamais o reconhecerão: com a habitual hipocrisia e o tradicional rancor próprios da pequenez, à boa maneira do Portugal que, desde há seis séculos, usa a asfixia pelo silêncio e pela indiferença para matar lentamente quem se não submete ao provincianismo de espírito e à mesquinhez de horizontes, preferirão continuar a ignorar-lhe a voz e a existência até que a natureza faça o seu trabalho. Originalidade não é com eles.
Andava a congeminar escrever qualquer coisa sobre isto, dizia eu. Eis senão quando, mesmo há instantes, encontrei isto. Pelo vistos, a natureza é mais sábia do que aparenta.

6 comentários:

Nausícaa, São Paulo, Brasil disse...

"a natureza é mais sábia do que aparenta."

Ô, se é!

Penso naqueles "indivíduos inermes" ludibriados pela comunicação social a aguardarem ainda a encomenda prometida por este vosso governo como aquele amigo que encomendou pela internet, por 100 dólares, um aparelho para aumentar o pênis. E mandaram-lhe uma lupa.

Rir, meus caros, ainda É O MELHOR REMÉDIO.

Joaquim Simões disse...

Nausícaa:

Os portugueses esqueceram a vertente humorística do fado. Fado, para os meus compatriotas, é desgraceira ou intelectualice desde há uns anos para cá.
Que saudades eu tenho dos fadistas que, na minha infância e adolescência, cantavam letras satíricas!
Portugal ri com cada vez menos inteligência e cada vez mais boçalidade, disfarçada de humor vanguardista. Uma piada subtil é algo que passa ao lado da "esmagadora maioria".
Rir? Não faço outra coisa. Mas para dentro, não vá alguém dizer que sou pouco sério.

Anónimo disse...

Medina Carreira tem razão. De há muito foi assinalado que o bandoleiro dispõe alegadamente de um grupo de sujeitos, possivelmente treinados por estrangeiros, ou que no estrangeiro foram treinados, peritos em propaganda, que alargaram o seu círculo a jornalistas e operadores que agem de forma militarizada no estilo secretas. Os serviços lusos não podem deixar de ter conhecimento, mas ele tem-nos na mão. Existe já, a nível oficializado, uma verdadeira ditadura deste grande irmão. Isto vai acabar mal.

Vitor R. Metano

Nausícaa, São Paulo, Brasil disse...

E por falar em competência para rir-se, eis o que eu tenho em mãos - e já avançando dezenas de páginas - a primeira tradução em língua portuguesa do livro "Hereges", de Chesterton, pela editora Ecclesiae.

Diversão garantida!

Joaquim Simões disse...

Vítor Metano:

Isso foi bem notório, logo no dia seguinte ao anúncio do pedido de demissão. De repente, passou a haver, da parte de muitos jornalistas, uma atitude de agressividade em relação aos elementos da oposição que entrevistavam e de valorização das medidas do governo e da personalidade de Sócrates.

Joaquim Simões disse...

Nausícaa:

Nunca li. Tomei nota, para o fazer assim que possa.