06 abril 2011

Para a memória das gerações seguintes


Em 2005, foi eleito pela promessa de 150.000 empregos sem que ninguém lhe perguntasse como surgiriam eles, para de imediato fazer exactamente o oposto do que prometera. Em 2008, três anos decorridos de submissão a uma autocracia autista e arrogante, com uma economia em queda, já poucos se preocupavam ou sequer se recordavam dessa promessa, mais ocupados em manter os que tinham a qualquer custo, no meio de um país crispado pela divisão criada entre os portugueses a pretexto de aparentes reformas, de modo a melhor serem manobrados. Em 2009, surgida a crise internacional, essa queda acentua-se rapidamente, passando a ser a "conjuntura externa" o justificativo com que procurava branquear o que vinha a ferir de morte o país, numa operação de propaganda sem paralelo desde os tempos do Estado Novo, a que nem sequer faltava a referência à Pátria traída por uma tenebrosa e inconsciente Oposição.
De então para cá, num Portugal desorientado, onde o desrespeito pela palavra dada, a mentira, o expediente económico, a agressividade, o conluio, o golpe baixo, a descrença, a corrupção e o cinismo se firmaram e generalizaram como reflexo das acções de quem deveria constituir o exemplo, nesse Portugal anémico, azedo, animicamente exangue, nesse Portugal quase moribundo, um primeiro-ministro, com a ferocidade ridícula de um fantoche de feira, agita-se, golpeia até a sua própria sombra, num espectáculo abjecto de vale-tudo, próprio de alguém que perdeu, definitivamente, o pé. De alguém que, tal como a sua escolha primeira para a Educação, se situa, aparentemente, à beira da perda do equilíbrio psíquico. De alguém cuja credibilidade tem por único fundamento a propaganda com base no culto da personalidade.
O governo viu-se, hoje, obrigado a pedir "assistência financeira" à Europa. O país, humilhado e ofendido, que ele destruiu a um ponto que nem mesmo Salazar conseguiu, está de luto em trajes de pedinte.

4 comentários:

Anónimo disse...

Junto neste comentário um aplauso por estes três últimos posts de Simões. Concordo inteiramente com ele. O mentiroso, depois de deixar o país exangue, rende-se finalmente à realidade. Não será demais dizer que se trata de um autêntico político sociopata, um perturbado que nos prejudicou e ainda prejudica a todos devido à deficiencia do seu caracter político. Mais tarde se dirá dele nos compendios históricos que foi um dos piores homens públicos que engancharam em Portugal, e se dirá também, como foi possível que um tipo destes tivesse sido primeiro ministro e durante tanto tempo? Tal como com Hitler depois da queda, as pessoas acordarão de um mau sonho e morderão os lábios espantadas pela sua hipnotização. Agora que se vão ver as contas públicas, não demorará que se veja a que ponto chegou a hecatombe de uma má governação, de uma indigna governação. Mais tarde ou mais cedo terá desmascaradas as suas graves responsabilidades pelas quais terá de responder. E era isso que o fazia resistir teimosamente, não queria que isso fosse sabido, bem como as da sua camarilha. Portugal terá de o levar perante a Justiça que acaso caiba, ficar na História como um incompetente deliberado não chega. A culpa no seu caso não pode morrer solteira.Mesmo nesta república de bananas.
Viva Portugal!

Elísio

Joaquim Simões disse...

Elísio:

Obrigado pelo elogio. Quanto à responsabilização... bem, para já, não sejamos ingénuos. Mas um dia, quem sabe...

David Levy disse...

Chapelada :)

http://lisboa-telaviv.blogspot.com/2011/04/o-que-dizem-os-outros-para-memoria-das.html

Joaquim Simões disse...

David:

Obrigado. E obrigado pela referência.
Abraço.