31 maio 2011

"...Então dança agora!"


... título de um novo texto de Nicolau Saião, relembrando a resposta que a formiga dá à cigarra na velha fábula. Mas, atendendo ao conteúdo e a uma expressão que nele se encontra, bem como, sobretudo, ao espírito que lhe subjaz, "Aracnofobia" também seria adequado.

"Disse Miguel Torga, numa entrada do seu Diário publicado logo após o 25 de Abril, que o pior mal que Salazar fizera aos portugueses não fora tanto tirar-lhe o pão, mas principalmente tirar-lhes a esperança e a dignidade.

Subscrevo inteiramente. E, ao subscrever, recordo um apólogo muito conhecido que refere, com prudente ponderação, que “uma maçã podre acaba por fazer apodrecer todas as que lhe estão em volta”.

Em circunstâncias reais, creio que é não só vero mas bene trovato.

O mesmo se dá, para além dos simbolismos, na vida quotidiana e, no caso vertente, na política e na justiça.

Sem acinte, veja-se o que se tem passado entre nós: o regime actual, de governação despejada, baseada no impudor de não verdades (para citar com a conveniente ironia a expressão posta a correr por um protagonista de que me dispenso de dizer o nome) tem criado um ambiente societário de “relativismo moral”, de abandalhamento filosófico, de capciosa argumentação onde o branco passa a ser preto e o preto branco – que é o sinal mais seguro e certo de que se tentaram paulatinamente fazer perder os valores mais puros que envolvem uma Democracia e são o seu garante íntimo e solene: a honra de se existir num horizonte relacional onde a dignidade, a razão e a decência constituem a figura humanizada dos cidadãos.

A mentira tornou-se um acto que se busca afixar como normal e conveniente. O tanto faz, que camufla e escamoteia interesses inconfessáveis desses indivíduos, passou a fazer parte duma nação às aranhas. E tal facto é intolerável.

Importa que, no futuro próximo, haja uma reconversão.

Sem moralismos pedantes, sem vinganças e sem desforços impuros e revanchistas – mas simplesmente como limpeza necessária. É a existência civilizada que o exige!

Não podem continuar as desvergonhas que os mídias assinalam e os desleixos cruéis e orientados no campo da Justiça, por exemplo. Nem no da Segurança. É necessário extirpar do corpo do País, mediante ponderação mas firmeza – se necessário recorrendo a Organismos legais internacionais - o ror de gente em roda-livre que alegadamente se tem servido dos seus confortáveis lugares de domínio, nos lugares constitucionais em que tão mal têm servido o povo e a Pátria. Caso contrário poderá entrar-se num ambiente de confrontação perigosa, no descalabro e na ruína social.

Independência não pode confundir-se com impunidade. Nem irresponsabilidade.

Neste particular, bem têm andado os protagonistas político-sociais que colocam no seu programa, na sua carta de intenções, a necessária actuação visando acabar-se de uma vez por todas com os corporativismos que a pouco e pouco têm destruído a dignidade e a esperança deste povo.

Tem de tornar-se uma naturalidade este facto tão simples: esses sectores não podem continuar a agir como se os cidadãos – os cidadãos portugueses! -fossem supra-numerários, apenas campo para manobras da mais diversa ordem que lhes garantem domínios espúrios e, no fundo, agressores da Constituição.

E não venham, arteiramente, com a falsa cantata de que a culpa inteira é dos políticos!

Porque na verdade os políticos, mal ou bem, com maior ou menor demagogia, ou eficácia de opinião, estão dependentes da vontade, do voto popular. E das leis fundacionais duma República representativa.

São pois responsáveis ante os que os elegeram e frequentemente responsabilizados devido a essa circunstância.

Se procedem mal, podem ser e são geralmente afastados. Ou seja: há essa possibilidade real.

A verdadeira “maçã bichada” está noutro cesto. E é ela que, pelo seu laxismo, pela sua crueldade social filha do desprezo pela Sociedade de Direito, que ostenta na sua força frequentemente arbitrária e, afinal, subversiva, que urge reconverter.

Caso contrário, Portugal verá o seu futuro pervertido e posto em causa sem apelo!"

11 comentários:

Anónimo disse...

De acordo. O diagnóstico que faz das maçãs bichadas creio que está certo. Sócrates levou o PS a um tal ponto de podridão, assim como a sociedade, que até um indivíduo que se supunha ter alguma dignidade política, o António Vitorino, mostrou que não é mais que um sempre em pé obediente e venerador do chefe. E o António José Seguro em quem alguns viam a reserva moral dos rosas, revelou a sua verdadeira face, um tipo sem estatura e sem norte. E outros mais nessa formação hoje de tipo coreano.
O chefe desertificou-os e eles só podem gastar-se em apelos e gemidos sem sentido. O único que teve alguma dignidade ou maior esperteza, Gama, não vai chegar para as encomendas. Vai suceder a este PS o que sucedeu ao italiano com o cadastrado Betino Craxi. Vai evaporar-se no bafo do chefão.

Rosa de Maio

Anónimo disse...

Alentejano do catano que mais uma vez me tiras as palavras da boca!

Quercus

Anónimo disse...

Ouvi hoje na rádio TSF que um ladrão que fugira foi posto em liberdade depois de apanhado outra vez pelos polícias porque, o juiz se esqueceu de passsar um mandado de prisão.
Não sei se acredite derivado a isto ser de maluquice autentica. Então porque não prendem o juiz? Ou é mesmo assim que pode se fazer?
Este país está despachado.

Catarina Anueres

Joaquim Simões disse...

Rosa de Maio:

Tudo no PS, talvez mais do que em qualquer outro partido (Verdes à parte), é mera aparência.

Joaquim Simões disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joaquim Simões disse...

Quercus:

Tirou-lhe as palavras da boca? Mas, olhe, estou em crer que ele (e eu e o meu caro amigo) ainda tem muitas mais.

Joaquim Simões disse...

Catarina Anueres:

Prender o juiz talvez não fosse mal pensado. Mas prender quem fez a lei que justifica ou o obrigou ao que fez, deveria ser uma medida inadiável. A impunidade de que goza essa gente é a medida do obscurantismo fascistóide de máscara progressista a que se chegou.

Anónimo disse...

Acha que pode-se prender o juiz? O sr. presidente Cavaco, da República, não poderia numa Lei levar o assunto para a frente? Se eu na minha Repartição fizesse uma borrada era logo despedida, e era menos do que esse homem de magistrado fez. Esses da alta estão em salvo, ou são iguais como nós? Eu isto revolta-me e espero que o governo que ficar depois das eleições que, duvido seja o Sócrates, peça responsabilidade4s a esse e outros, ou então é dinheiro de ordenados mal gasto.
Agradeço e desculpe.
Catarina Anueres, Pontinha

Joaquim Simões disse...

Catarina Anueres:

Para julgar um juiz é necessário... outro juiz. E uma lei.

Anónimo disse...

Quem controla o núcleo duro do PS é a maçonaria do oriente luso, é preciso investigar-se essa gente, de profes universitários a membros das secretas e policíacos. Eles tentam abater o estado de Direito.

Luís de Almada

Joaquim Simões disse...

Luís de Almada:
Já leu o texto que Fernando Pessoa escreveu aquando da ilegalização da Maçonaria pelo Estado Novo? É um texto a ter presente, na medida em que as coisas não são assim tão simples e claras.